Só Você

2 Treinos e Fugas


Notas iniciais
Pensamentos aparte acho que essa ano vai ser mais tranquilo. Acho.

Meu segundo dia começou cedo acordei antes de meu companheiro, pensei em chamá-lo, mas seu sonho era tão profundo que tinha dó de chamá-lo logo no primeiro dia antes mesmo do horário do café-da-manhã. Então segui para o campo de futebol que ainda estava deserto, entrei no vestiário onde no dia anterior a reunião com os atuais membros. Troquei de roupa coloquei minha chuteira e segui para o campo e Comecei a me aquecer enquanto os outros jogadores chegavam com cara de sono, após alguns minutos o \"Treinador\" chegou com uma sacola de bolas.

- Bom dia a todos. Suponho que tenham descansado bem durante as ferias. — começou o treinador com um tom de voz calmo, mas que demonstrava respeito — Vamos jogar no torneio nacional esse ano, então teremos um longo período de trabalho.

Minha felicidade era grande apenas de saber que no ano anterior com um pequeno esforço e trabalho duro ganhamos o torneio regional e garantimos vaga para o nacional. Enquanto o treinador falava todos os jogadores veteranos se agruparam ao seu redor, e fui de encontro a eles, só que durante o percurso senti ao estranho como se alguém estivesse me olhando, procurei nas arquibancadas e no prédio ao fundo do gol ao lado leste do campo, mas nada só então o treinador me chamou e continuou:

- Kenji junte-se a nós, por favor, bem como estamos com um numero reduzido de jogadores, logo mais farei um teste com os interessados e logo teremos um treino mais focado no Nacional, então para não perderem a viagem vamos fazer apenas um treino mais leve para vocês entrarem em forma física adequada para jogarem bem. Podem começar com uma corrida e depois cobranças de falta, podem começar!

Começamos a correr em volta do campo, corria pensando na possibilidade de alguém estar me observando, mas não consegui chegar a uma conclusão sobre o assunto. Depois de 10 minutos de corrida começamos a cobrar faltas de curta distância com uma barreira artificial.

- Kenji como foram suas ferias? — Falou Tatsuya Oono lateral direito do time e autor do gol na final do regional — Fez alguma coisa de diferente além de treinar?

- Não meus pais viajaram para a Europa e eu fiquei em casa treinando, estudando e jogando um pouco — Foi a primeira vez que falei durante o ano. — E você foi para a casa de campo de sua família?

- Nem! — Tatsuya pegou uma bola, arrumou e chutou — Ui quase! — Reclamou quando a bola passou sobre o travessão — Fiquei em Nagoya com meus avôs e acabei conhecendo uma garota.

Não parecia, mas Tatsuya era muito tímido com as garotas e falar sobre elas era uma novidade para mim.

- É mesmo?- Perguntei assustado. — Mais rolou alguma coisa ou você só a viu uma vez? — Tirei sarro dele rindo.

- Seu idiota, toma sua vez. — Tatsuya me entregou uma bola e apontou para o gol. — Ela é tão bonita. — Arrumei a bola e chutei no canto contrario ao da barreira pegando o goleiro Maeda no conta-pé. — E estamos namorando. — Terminou Tatsuya assim que chutei.

- Que bom, espero que não faça nada para desonrar a garota. — E sai rindo sem jeito. O treino se arrastou até a hora do café-da-manhã que começava às 7:30 e a maioria dos alunos se dirigia para o refeitório, todos nós do time fomos para o vestiário colocar o uniforme da escola e tomar um rápido banho.

Em menos de 10 minutos já íamos em direção ao refeitório quando um pequeno grupo de garotas do 1º e 2º ano começou a nos assediar em voz alta.

- VÃO GOSTOSOS, QUERO VER VOCÊS SEM CAMISA NO TREINO DIURNO. — Dizia uma delas.

- ISSO MESMO. QUERO TODOS VOCÊS SÓ PRA MIM. — Continuou outra.

- Menos o Maeda que não pega nem bola. — Zombou Kobayashi o pior jogador atacante do time, não da região, não do Japão, não mesmo ele é o pior atacante de todas as eras do futebol mundial, mas era ótimo em zombar dos demais jogadores. Ninguém o acompanhou nas risadas, somente as garotas.

Meada se separou do grupo junto com Tatsuya, Yamazaki e Hiroshi antes de entrarmos no refeitório, fiz o mesmo, mas nenhum jogador me seguiu o que me deixou mais confortável.

Depois do pequeno lanche segui para o inicio das aulas as 08:40, tive uma aula de Historia e duas de geopolítica. Saído da sala esbarrei em um garoto que corria no corredor derrubando ele no chão.

- Ops! Desculpe — Falei estendendo a mão para ajudar e garoto que não parecia ser japonês, mas ele levantou muito rápido ao me olhar e continuou sua corrida pelo corredor em direção aos dormitórios sem dizem uma palavra.

Continuei meu trajeto para o refeitório novamente agora para realizar o almoço antes do segundo período de aulas, somente quando me sentei sozinho novamente que me toquei que aquele garoto era meu vizinho de quarto, mas teria tempo o suficiente para pelo menos saber seu nome.

Levantei-me e fui deixar minha bandeja, avistei próximo à porta um grupo de três garotos da 9ª serie pressionado um garoto de estatura inferior aos agressores, me aproximei da porta para sair do refeitório quando vi o rosto do menino que estava sendo pressionado, era o mesmo do corredor, o meu companheiro de quarto. Segui então em direção ao grupo e falei com uma voz ameaçadora.

- Não vai ser nada legal ficarem sem ver a luz do Sol pro três meses, não é garotos?

Os três se viraram e me encararam, ambos eram veteranos já e me reconheceram sem dizer mais nada apenas com a cara fechada um deles o maior me respondeu:

- Por que seu papai vai direcionar a luz solar para o seu lado do campo?

Numa reação de segundos soquei a porta do refeitório com uma força exagerada, mas por quê? Os quatro ficaram assustados, senti que meu rosto não demonstrava uma feição muito amigável, então os agressores saíram com um comando do maior.

- Vamos não quero arrumar briga por uma menininha como esse aqui. — E saíram encarando a mim e ao jovem que estava pregado na parede.

- Você está bem? — Perguntei tentando manter a calma e um tom de voz menos ameaçador. Mas o garoto continuou estático com as mãos e o corpo juntos a parede.

- Se acalme não vou te fazer mal, qual o seu nome? — Nenhuma resposta. — Sou Ootori Kenji, seu companheiro de quarto, disse estendendo a mão para um aperto, mas nada nem um movimento.

- I... I... — Tentou o garoto, aguardei calmamente — I don\'t ssspeak...Japanese. — Falou o garoto com um pouco de dificuldade.

Foi quando eu entendi que ele realmente não era japonês, seus olhos eram castanhos claros, cabelos levemente ondulados e feições que não tinham características asiáticas.

- Tudo bem isso não ser um problema. — Respondi em um inglês que uso apenas para nos videogames. Mas mesmo assim o garoto ficou com uma cara mais assustada e correu saindo do refeitório.Meada estava seguindo para a porta quando lhe perguntei.

- Sou tão temido assim ou meu inglês que esta ruim?

- Você não bota medo em ninguém, aposto que você insultou o novato e assustou ele mais ainda. — Falou Maeda tentando não rir da própria piada de mau gosto.

Segui com o grupinho de Meade, Yamazaki e Hiroshi até as salas, pois teríamos aulas diferentes. Assisti às aulas, mas não tirava a cena do refeitório da cabeça, os dias seguiram nessa rotina, treino, aulas e treino diurno, e por mais que tentava meus horários nunca batiam com meu companheiro de quarto, por mais que tentava não pensar em encontrá-lo algo me prendi aquele olhar brilhante e inocente.