Só Você
3 Responda-me
Notas iniciais
Somente durante o sono do meu vizinho podia olhar para seu rosto sem que ele fugisse sem nem olhar para meu. Era sexta-feira e não teria treino pela manhã, cai no sono e não pensei em mais nada ligado aos treinos e as fugas do meu vizinho.
Acordei no horário habitual e olhei para a cama do outro lado do quarto, o garoto estava acordando calmamente até nossos olhos se encontrarem.
- Bom dia! — Disse o garoto com um leve sorriso e um japonês de leve sotaque americano.
- Bom... Dia? — Um turbilhão entrou pela minha cabeça e nada mais fazia sentido, por que raios ele falara comigo agora e por que demonstrava um sorriso tal doce e amigável, muito diferente da cena que me atormentou a semana toda onde seu rosto demonstrava medo. — Você está bem? Lembra-se de mim? — Minha confusão era tanta que ele riu ao se levantar e vir na minha direção.
- Sim estou bem, apenas começamos com o pé esquerdo, agora... — Ele pausou e riu novamente. — Meu nome é Nathan Johnson, aluno transferido da America, muito prazer. – E estendeu a mão para um aperto.
Mas o que está acontecendo? Levantei-me troquei de roupa e sai do quarto, com um humor nada agradável, muita coisa passava pela minha cabeça e a imagem de Nathan falando comigo era muito para meu pequeno intelecto. No caminho para o pátio central uma garota deve ter falado comigo apenas a insultei e continuei meu caminho num passo apertado.
- Ei espera o que está acontecendo? — Olhei por cima de meu ombro, Nathan corria desesperadamente atrás de mim, falando em inglês.
- Não enche. — Minha raiva era tanta e tão fútil que parei de andar para clarear os últimos acontecimentos.
- Desculpe se te insultei, ou falei pronunciei alguma palavra errada, eu só... — Ele se calou quando olhei em bem fundo seus olhos que demonstravam desespero, não pude conter uma risada que saiu abafada agora Nathan estava confuso. — Isso é algum tipo de brincadeira? Fiquei a semana toda treinando para poder falar em japonês com você e é essa a sua recepção?
Como uma grande piada minha gargalhada foi tão alta que até assustou os demais alunos presentes no pátio. Parei de rir e encarei o garoto confuso a minha frente.
- Vamos até o refeitório, temos muito que conversar. — Sem pestanejar Nathan me segui com um ar emburrado.
Chegamos ao refeitório sem pronunciar uma palavra, pegamos nossas bandejas e sentamos nas mesas menos procuradas próximas aos banheiros.
- Por quê? — Comecei com meu inglês intermediário.
- Como assim? Por quê?
- Apenas me responda.
- Aonde você quer chegar com isso? — Um pouco de raiva começava a florescer de seus olhos.
- Simplesmente não consigo entender, porque não conversou comigo durante a semana toda, foge de mim quanto te encontro nos corredores e acorda num belo dia de sábado como se nada tivesse acontecido. — Minha calma me espantava, mas Nathan não parecia gostar do meu pronunciamento.
Lagrimas encheram os olhos de Nathan sem escorrer, ele se levantou, mas antes que pudesse correr novamente segurei seu braço.
- Responda-me. — Alguma coisa dentro de seus olhos fez com que minha mãe abrisse e ele saísse correndo para fora do refeitório.
Resposta eu não teria por um longo tempo, pois ao anoitecer Nathan não foi para o quarto e ninguém sabia me informar onde esteve não pararia ali ele me devia alguns esclarecimentos antes que minha mente se tornasse um tufão de confusão porque nem eu sabia explicar o que estava sentindo.
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