Síndrome de Gaea.
9 Beatriz
Notas iniciais
As grandes coisas que eu aprendi sobre amizade foram todas pequenas. Por muito tempo amarguei derrotas em meu coração sonhador sobre uma ou outra amizade, com suas rachaduras e suas fundações instáveis, até, claro, chegar até o lado da cidade que gerou conforto. Aprendi muitas coisas com a pequena grande Rita Lee do interior e com seu sorriso de orelha a orelha, olhar crítico que formam opiniões detalhadas, mas sem dúvidas, a maior lição foi sobre a importância da constância nas vidas das pessoas até mesmo quando a sua maior constância se resume em ser inconstante.
A constância em entender que a vida muda. A constância em perdoar os erros humanos e entender os seus próprios erros. A constância em estar presente do modo que lhe é possível. A constância que trás o conhecer, que trás o entender, que trás o saber sobre alguém, que é a coisa que faz você saber que a pessoa gosta de pistache e ela saber que você, vai escolher chocolate. Saber que se ela tiver que escolher entre Capital Inicial e Rita Lee, um debate surgirá, e que se você puder escolher alguém, será a Taylor Swift. A constância que trás o conhecimento de todos os erros e misérias, mas ainda assim não há senso de superioridade. A constância da presença lhes torna iguais.
Observando os pequenos gestos somos colocados na janela da alma de alguém, como, carregar em dupla uma sacola de supermercado sem necessidade, a conexão de fios de cabelos transpassados em tranças para fotografias e o colo que molha quando a cabeça pesa demais pra se manter de pé sozinha apenas com a força do pescoço. E a força genuína que tem o bem-querer que um coração humano pode desejar para outro mesmo quando há dúvida e discordância quanto a coisas mais complicadas do que uma música a se colocar para dançar em uma playlist de reconforto.
E esse lugar ganha um significado diferente quando se tem um amigo pra dividir o peso dos dias adultos cansados. Quando a maldade invade os seus sonhos é bom saber que tem alguém que te encontrou no meio da estrada torcendo pelo seu bem. Nunca é sobre o que poderia ter feito, mas sobre o quanto faz tudo o que está ao alcance. Nunca é sobre agradar e sim sobre ser verdadeiro quanto a quem é.
Conhecer e deixar-se ser conhecido por quem você esbarra no meio da caminhada da vida, sabendo, que ainda que as coisas nunca mais sejam as mesmas quando às manhãs tinham cheiro de escola e os corredores eram locais para contar besteiras que hoje nós nem nos recordamos, as coisas seguem sendo como dever ser e que mesmo que um dia tudo o que teremos serão fotos dos momentos em que não dividimos, ainda assim, poderá contar com quem está se alegrando em te ver sorrir do outro lado da tela.
Apenas votos de bons momentos para aqueles que somam na nossa vida.
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