Ruthven
2 A Festa
Àquela hora da noite o ônibus estava bem vazio, provavelmente era o último, mas Rubens não estava preocupado com isso, estava ali já, e o veículo corria pelas ruas paradas e vazias da cidade. O jovem Rubens ficou pensando em como a cidade era diferente na calada da noite, sem todas aquelas pessoas barulhentas, sem todo aquele drama que não servia de nada, que era apenas lixo pro universo.
Estava concentrando em seus pensamentos quando o ônibus parou e o motorista falou que depois dali viria o ponto final, Rubens observou a rua e quando notou a placa indicando a rua da balada desceu apressado. Essa rua estava um pouco mais movimentada, mulheres de roupas curtas e saltos altos caminhavam seguidas por homens bêbados que achavam que teriam sorte de alguma maneira. Ele caminhou rapidamente até a casa de show que por sorte ficava na mesma rua, ele ficou até surpreso pela forma cômoda como o universo vinha lhe dando tudo de mão beijada hoje. Era um lugar pequeno e feito de pedra, mas ele não ficou notando a arquitetura da balada por muito tempo, logo foi até a cabine e pagou a sua entrada, mas não sem antes apresentar o RG, com aquela cara de adolescente não entraria no lugar facilmente.
Entrou.
O local era quente, com várias luzes que piscavam em várias cores e fumaça de gelo seco que irritava qualquer pessoa que não era muito fã de baladas, Rubens era uma dessas pessoas e arrependeu-se quase instantaneamente de estar naquele lugar, quase deu meia volta, mas ouviu uma voz chamar seu nome, procurou em volta, mas ninguém parecia interessado nele. Estou ouvindo coisas agora? Estou cada vez mais perto da loucura. O jovem procurava seus amigos quando sentiu alguém passar o braço pela sua cintura.
— Olá, gatinho! — Uma loira de cabelos longos falou no ouvindo de Rubens antes de começar a rir. A mulher estava com a maquiagem totalmente borrada e aparentava estar na casa dos 40 anos de idade, talvez mais ou menos.
— Mônica! — O que aconteceu com essa mulher? Cruzes! — Você está... bonita, — mentiu Rubens olhando a maquiagem toda borrada da amiga e dando um sorrisinho amarelo que não passava nenhuma credibilidade.
— Não mesmo, meu amor, mas você sim, — ela o olhou da cabeça aos pés — está maravilhoso. — Estava bêbada, mas o veneno escorreu ainda assim no canto da boca. Era uma falsa, e Rubens sabia disso, mas ele também era. E tinha que admitir que ser amigo daquela cobra sem escrúpulos não era tão difícil quando era ela que pagava o aluguel de sua casa em um dos melhores bairros da cidade.
— Onde está o Lucas? — Rubens perguntou querendo sair o mais rápido possível de perto daquele cheio de álcool e perfume caro.
— Ele provavelmente está dando em cima do meu primo, não desistiu ainda. Mas vem cá, eu vou apresentar vocês dois! — Mônica saiu puxando o amigo pelo braço em meio a balada lotada.
Rubens por sua vez se deixou ser puxado pela mulher que dançava ao som de alguma música da Selena Gomez, e Rubens nem fazia ideia de como conhecia a cantora, mas tinha quase certeza que era uma antiga atriz da Disney, talvez fosse a Miley Cyrus, mas ele não dava a mínima. A mulher segurava um copo grande de bebida e sujava algumas pessoas enquanto sacudia seu corpo, e o máximo que ele podia fazer era mostrar um semblante de desculpas para pessoas que se mostravam indignadas enquanto eles passavam.
— Rubens esse é meu primo Braut. — Gritou a mulher por cima da música. — Braut esse é o Rubens.
Rubens ficou olhando o homem em sua frente, era alto, tinha os cabelos longos presos em um rabo de cavalo, uma barba por fazer emoldurava o queixo quadrado e ele parecia ter acabado de sair de uma pintura.
O homem sorriu e estendeu a mão.
— Prazer, eu sou Braut Von Korinth, o sétimo. — Disse Braut com firmeza, com uma voz que parecia angelical, mas ao mesmo tempo demoníaca.
Rubens não pode deixar de notar o peitoral e braço forte do homem, sorriu de forma tímida e estendeu a mão para o maior, e diferente do que achava esse o puxou e colou seus corpos.
— O que você acha de dançarmos um pouco? — Perguntou o homem no ouvido de Rubens.
— Caralho, que pegada, hein? Você poderia me pegar também, primo. — Gritou Mônica enquanto rebolava ao som da música.
Rubens sentiu as bochechas queimarem de vergonha, então apenas balançou a cabeça positivamente e começou a mexer o corpo no ritmo que o homem em sua frente fazia. Os seus corpos entraram em sincronia e se moviam perfeitamente se encaixando um ao outro. Braut sabia o que queria, e por sua vez segurou a cintura do mais jovem com força e roçou seu volume no corpo do garoto.
Rubens tentou se afastar para respirar, mas Braut sorrio com malícia, o homem bebia uma bebida vermelha que ofereceu a Rubens com um gesto, o jovem aceitou de bom grado pois sabia que não teria dinheiro para pagar por uma bebida numa festa como aquela, a comanda para entrar já tinha custado dois rins de seu orçamento. Então segurou a taça com uma mão meio trêmula e tomou um gole cheio da bebida. Foi a coisa mais horrível que já tomou na vida, era ruim, tinha um gosto metálico e lembrava sangue, será que era isso que chamavam de sangria? Ele sempre imaginou que sangria fosse vinho com alguma outra coisa.
Os dois continuaram a dançar e Braut ofereceu mais de sua bebida, Rubens recusou educadamente.
Menos de uma hora depois, Rubens sentiu seu corpo suado e uma euforia tomou conta de si, então apenas piscou e indicou o private da balada da com a cabeça.
Braut entendeu o recado e saiu puxando o garoto.
Os dois entraram na sala escura da casa de show, o local tinha um cheiro de porra forte, aquele cheiro de sexo ecoava no lugar como se fosse som, e música era mais baixa ali, qualquer pessoa conseguia ouvir os gemidos de prazer do ambiente.
O homem mais velho não demorou e logo abaixou a roupa de Rubens, deixando sua calça arriada pelo joelho, e o mais jovem não reclamou. Na verdade, ele adorou, adorava ser tratado daquela forma, sem muita gentileza.
Não demorou muito e em pouco tempo os dois estavam transando, estavam trocando fluídos e gemidos. Braut se enfiou todo dentro de Rubens de uma vez, suas estocadas eram ritmadas e rápidas, era tão assustador, tão veloz, tão incrivelmente forte. Os lábios de Braunt beijavam o pescoço de Rubens lentamente, mordidas eram depositadas no mesmo, e isso causava um certo incômodo, mas Rubens adorou a sensação, até se perguntou se tinha alguma droga na bebida que tomou, pois sentia seu corpo cada vez mais fraco, chegando ao ápice da noite.
Braut enterrou fundo e gemeu alto.
Rubens fez o mesmo.
Silêncio.
Rubens sentiu-se vazio.
Estava exausto.
Zonzo.
O que está acontecendo? Por que minha pressão baixou?
Rubens subiu sua calça e procurou por Braut, mas não o achou.
Onde estava?
Saiu confuso do dark room da balada e as luzes que piscavam rápido acelerou seu coração.
O que estava acontecendo com ele?
Fale com o autor