— Acho que vocês aprenderam a ficar calados, né? — a comandante debochou enquanto se aproximava, mas ninguém ousava abrir a boca. Se abrisse a boca teria a cabeça aberta (literalmente). — Vocês tem alguma ideia do porquê estão aqui?

Silêncio. Quem ousaria responder depois do que aconteceu com o cara ao lado, levando um tiro na cabeça sem o menor motivo.

— A carne do lado de vocês, isso que vocês chamam de corpo humano. Isso pertencia à Charles, um ladrãozinho de rua qualquer que se encontra por aí. De vocês todos, ele era o menos perigoso. — E foi o primeiro a ser executado, pensei. Irônico, não? — Todos vocês aqui presentes já cometeram algum crime. E estão aqui para pagar por ele. Já ouviram falar de roleta russa?

Silêncio novamente. A delegada se divertia com o silêncio ali presente. Ela não se importava. Era isso que ela queria, demonstrar medo.

— Então... não sei se vocês desconhecem, já que tiveram a audácia de ficarem calados enquanto perguntei.

A delegada pousou com os braços na mesa e olhou para a cara de cada um na mesa. Os quatro ali junto comigo estavam de cabeça baixa. Eles tinham medo dela. Apenas eu estava com uma expressão neutra e, quando ela percebeu isso, disse:

— Você! Jackson, certo? pode falar, não vou lhe fazer mal, por enquanto, lhe concedo essa permissão.

— Certo. Jackson. Jackson Smith.

— Bom, Jackson, você sabe o que é uma roleta russa?

— É um jogo. — Eu disse, secamente.

— E... e como funciona esse jogo?

— Há uma bala no pente da arma, e ela matará um de nós aqui.

— Isso! vejo que você é alguém bastante inteligente para alguém que viveu nas ruas.

Não a respondi. Mas isso não pareceu incomoda-lá. Soltou um risinho. Era bonita, com o cabelo negro e liso, aparentando ter 40 anos. Logo após desfocar seu olhar do meu, pegou a arma na mesa, abriu o pente e colocou uma bala. Girou, se divertindo com aquilo, e levantou o rosto do cara a seu lado. Entregou-lhe a arma e disse:

— Apresente-se. E jogue. Lhes desejo um bom jogo. Platéia, para trás.

E se moveu a porte. Agora, mais alguém iria morrer. E eu torcia para que não fosse eu.