Notas iniciais
Oieee pessoal! Como passaram de Natal? Eu espero que muito bem e que todos estejam curtindo essa última semana do ano. Me sobrou um tempinho, por isso já apareci com o capitulo 2 de Running, onde conheceremos um pouco mais da Crystal e começamos a ver todo o mistério que a cerca. Antes de prosseguir eu gostaria de agradecer a todas que me deram um voto de confiança e iniciaram essa aventura comigo, em especial as lindas Izzy Lewis, Amy Manson, Hunter Pri Rosen, Pendragon e Mrs Claflin por terem me deixado comentários fofíssimos, obrigada mesmo meninas, esse incentivo super ajuda em postagens mais rápidas *--* E agora vamos lá Boa leitura!

A escassa luz do Sol se infiltrou pelas cortinas e percorreu o quarto, até tocar os olhos de Crystal e fazê-la acordar. Esfregando as pálpebras e grunhindo uma reclamação, ela virou para o outro lado, trazendo consigo os três grossos edredons com os quais dormia.

O estado do Maine tinha invernos rigorosos e, mesmo que tivesse crescido ali, Crystal Green reclamava disso todos os anos. Enquanto os amigos e vizinhos torciam para que nevasse, ao menos no natal, Crystal queria mesmo era que a primavera chegasse logo.

Embora a jovem agisse como se fosse o dia mais frio de todos, se enrolando como um gatinho nas cobertas, era apenas uma manhã comum, de uma sexta-feira comum.

Acho que dá pra dormir mais uns dez minutos... pontuou, ainda de olhos fechados. E como se um interruptor ligasse em sua mente Crystal conectou a claridade em seus olhos, com o horário, afinal os raios de Sol jamais alcançavam sua cama antes das dez.

Merda! Gritou consigo mesma, abrindo os olhos na esperança de estar errada, porém estava mesmo muito claro.

— Merda! Merda! Merda! — Crystal se desesperou um pouco, jogando os travesseiros para todo o lado, a fim de achar o seu celular, que sempre acabava dormindo na cama com ela. — Mas cadê?!

Perder o celular era quase um dom de Crystal, ela o fazia ao menos cinco vezes ao dia, mas geralmente encontrava o aparelho no lugar mais óbvio possível.

Jogou o primeiro edredom para o lado e se arrependeu amargamente disso, seu amado celular voou pelo quarto até cair no chão, fazendo um barulho que fez o coração da jovem se contrair, como se sentisse alguma dor física.

Ficou encarando o aparelho, que caíra com a frente para baixo, por três segundos, antes de finalmente tomar coragem para se levantar. O acidente tinha feito com que esquecesse que estava desesperada daquela forma, porque certamente estava atrasada para o colégio. Por favor, não esteja quebrado... Por favor!

Colocou os pés no chão, se arrependendo de tê-lo feito descalça, porque tudo ali parecia congelado. Odeio o inverno.

Alcançou o aparelho, virando a tela, ainda torcendo pelo melhor. Mas é o que dizem: "se algo pode dar errado, certamente vai dar errado..." O vidro frontal tinha trincado de ponta a ponta, nada que atrapalhasse a visualização na tela, mas, ainda assim, um trinco e tanto.

— Maravilha... — ironizou, nada contente com o acontecido, logo em seguida apertando o botão lateral para acender o aparelho. 10:17hs. — Mas que merda!

Repetindo o xingamento mil vezes, Crystal se arrumou rapidamente, calçando os sapatos, enquanto escovava os dentes e ajeitando o cabelo do jeito que dava, ao mesmo tempo em que tentava tirar a maquiagem borrada da noite passada. Talvez ainda pudesse pegar algumas aulas se saísse rápido.

Não devia ter ficado até tão tarde na festa.

Crystal Green era uma garota baixinha, e isso certamente era motivo de piadinhas entre todos os amigos. Alguém que tinha acabado de fazer dezoito, com pouco menos de um metro e sessenta, não era levada muito a sério, principalmente porque a jovem gostava de cores claras, que combinavam com sua personalidade amorosa e ornavam com suas maquiagens leves e batons de tons rosados. Claro que Crystal abria uma exceção para tudo isso quando saía a noite, motivo pelo qual tinha acordado com "cara de panda" aquela manhã.

Desceu as escadas de dois em dois, e deu de cara com o avô sentado na sala, lendo calmamente um jornal, enquanto a avó tricotava o que parecia uma roupinha para o Senhor Bigodes, o gato velho e gordo da família, que se encontrava deitado preguiçosamente dentro do cesto de lã.

— Bom dia! 'Tô muita atrasada, tchau! — Passou rapidamente por eles seguindo para a cozinha e enchendo uma caneca com café fresco, que sua avó sempre mantinha na cafeteira.

— A palavra "atrasada" se sentiu ofendida com o seu comentário. — O Avô riu.

— Vocês podiam ter me chamado, falando nisso! — Crystal gritou, bebendo sua xicara em um gole só.

— Pra quê? Um dia que você faltar na escola não vai te matar, minha filha. Abri a porta e você estava dormindo um soninho tão gostoso. — Sua avó respondeu com seu jeito doce de sempre.

Crystal Green parou sala e suspirou, estavam certos, estava surtando por motivo algum, um dia apenas não mudaria nada, mas a garota tinha aquela mania de perfeição e isso refletia em todos os aspetos de sua vida, até em sua frequência escolar.

O senhor e a senhora Green eram avós amorosos, sempre preocupados com o bem-estar da neta. Tinham criado a garota com todo o amor possível desde que Bart, filho deles e pai de Crystal, morrera com a esposa em um incêndio.

Eram um casal de idosos que constantemente elogiavam a neta por qualquer um de seus feitos. Embora tivesse perdido os pais tragicamente, a jovem não podia reclamar de sua infância, pois possuía os melhores avós do mundo.

— Acho que você está certa, como sempre, vovó. — Sorriu carinhosa e desistiu de sair. Está nevando mesmo.

Se sentou ao lado da senhora Green, e logo engataram uma conversa amigável sobre a festa de aniversários que os amigos de Crystal tinham feito em homenagem ao seu aniversário de dezoito anos.

Eram uma família comum e feliz, Crystal era uma jovem doce que não causava qualquer preocupação, mantinha notas altas, ajudava nas tarefas e não era o tipo de adolescente que tinha vergonha dos avós.

Claro que sentia falta dos pais, mas isso era algo que não podia mudar, mantinha-os guardados no coração e seguia com a vida.

No entanto, havia algo de diferente aquele dia, Crystal notou que os avós pareciam tensos de algum modo, se olhavam constantemente e agiam como se escondessem alguma coisa.

Estava deitada no sofá, sacudindo um fio de lã para o senhor Bigodes — que olhava de seu cesto, sem dar qualquer indicio de que participaria da brincadeira — e se perguntando se devia ou não perguntar o que havia de errado.

Decidiu esperar mais um pouco, podia ser algo pessoal, afinal eram um casal e casais tinham questões privadas.

Revolveu deixá-los sozinhos, voltando para o quarto. Deu uma olhada rápida no celular e lamentou a tela quebrada, enquanto constatava, através da mensagem de uma amiga, que não tinha perdido absolutamente nada na escola. Por fim, decidiu desenhar um pouco.

Crystal era boa naquilo, seu professor de artes dizia que ela tinha um talento promissor. No entanto era algo que ela considerava apenas um hobby. Começou a rabiscar o papel sem um objetivo fixo e acabou com a atenção presa no senhor Bigodes, que tinha lhe seguido e a encarava fixamente, sentado em frente a porta do quarto.

O animal era preguiçoso, mas gostava de carinho, em qualquer outro dia teria entrado no quarto e assumido um lugar na cama, mas naquele dia em particular sequer tinha se aproximado de Crystal. Tinha a cabeça tombada para o lado, como se analisasse a figura da garota com olhos críticos.

Crystal Green tinha se perdido nas íris amareladas do gato, inerte a tudo que acontecia ao seu redor, inclusive a sua própria mão, que rabiscava algo freneticamente. Senhor Bigodes tombou a cabeça para o outro lado e a jovem copiou o movimento como se estivesse em transe.

Os olhos verdes esmeralda estavam presos no felino, e foi quando algo extraordinário aconteceu, as íris de Crystal piscaram em um tom brilhante de fúcsia, algo entre o rosa e o roxo, quase como se uma luz quisesse se acender.

Senhor Bigodes levou um susto tremendo, dando um pulo repentino e emitindo um silvo ameaçador, correndo para longe logo após isso. A reação do gato trouxe Crystal de volta a si mesma, totalmente confusa com o que tinha acabado de acontecer, afinal ela não testemunhara a troca de cor dos seus próprios olhos, apenas o pobre gatinho fujão presenciara o acontecido.

Crystal balançou a cabeça negativamente, rindo do que ela tinha suposto ser apenas uma maluquice do bichano e voltou seus olhos para o desenho em seu colo.

Foi a vez da jovem de se assustar, seu coração começou a bater freneticamente. No papel, que ela tinha começado a rabiscar sem intenção alguma tinha o desenho perfeito de uma árvore cortada. A mesma árvore do sonho da noite anterior.

Só tinha um detalhe, até aquele exato instante Crystal sequer recordava do pesadelo. Um arrepio gelado percorreu sua espinha, assim que ela relembrou o uivo sofrido do lobo.

Não teve tempo de achar uma explicação lógica para o acontecimento, o chamado de sua avó fez com que Crystal fechasse o caderno rapidamente, quase como se quisesse esconder aquilo de qualquer pessoa.

Quando desceu as escadas, os avós lhe esperavam com posturas tensas. Pediram que se sentasse e Crystal não pode evitar pensar o pior. E se estiverem doentes? E se algo terrível tiver acontecido?

— Bom, querida, eu não sei bem como começar a dizer isso, mas... — Sua avó parou, esfregou as mãos no vestido. — Eu não queria tocar nesse assunto agora, quer dizer, ontem você fez aniversário e eu não queria trazer lembranças ruins à tona.

— Está me assustando, vovó. — Crystal começou a ficar impaciente, mal conseguia se mover, seus olhos verdes estavam arregalados e suas mãos começaram a suar.

— Dê logo pra ela, meu bem — O senhor Green pediu para a esposa que assentiu, se levantando e voltando logo depois com algo dentro de uma sacola de papel.

— Sua mãe me pediu para lhe dar isso. — Estendeu a sacola para a neta que imediatamente franziu as sobrancelhas.

— Mamãe está morta faz anos...

— Eu sei, meu anjo, ela te deixou isso no testamento e pediu para que te entregássemos quando você fizesse dezoito... — Novamente o embrulho foi estendido para Crystal, que o recebeu ainda confusa.

— E também tem uma casa do outro lado do país. — O avô falou de uma vez, como se tivesse guardado aquilo por tempo demais, em resposta recebeu um olhar severo da esposa. — O que? Eu não aguentava mais esconder essas coisas!

Crystal ainda olhava de um para o outro um tanto aérea, não entendia bem o que estava acontecendo.

— Eu e a sua mãe não éramos muito próximas, ela sempre foi bastante reservada, mas era o último pedido dela, eu não podia negar. — Sua avó explicou, em um tom saudoso.

A jovem Green ainda segurava o embrulho, os olhos ardendo, como se lágrimas quisessem vir à tona, mas não queria chorar, queria entender...

— O que tem aqui? — questionou, passando as mãos delicadas sobre a sacola de papel e percebendo um tipo de caixa dentro.

— Não sabemos, na verdade, nunca conseguimos abrir. — Foi a vez do senhor Green responder, dando um sorriso culpado logo em seguida.

Crystal não podia evitar amar aquela personalidade do avô. Assentiu algumas vezes e os abraçou, carinhosa como era sempre. Por fim, pediu licença, fosse o que fosse, ela queria abrir na privacidade de seu quarto.

Subiu as escadas com mil coisas na cabeça; os pais eram jovens, tinham morrido em um incêndio que fora um acidente, não conseguia imaginar por que tinham um testamento e, ainda por cima, um com aquele tipo de pedido estranho.

Fechou a porta atrás de si assim que entrou no quarto, se sentando na cama e finalmente vendo o conteúdo do embrulho.

Era um baú de madeira, tinha o tamanho de uma caixa de sapatos mais ou menos e um símbolo na tampa arredondada; eram três espirais, conectados entre si, um em cima e dois embaixo, como um triangulo. No centro havia a marca de um dedo, quase uma digital.

Crystal tentou abrir a tampa, mas não encontrou qualquer cadeado ou fechadura. O avô realmente tinha falado sério sobre não conseguir abrir a coisa.

Vai ver não foi feito para abrir, pode ser só um enfeite... pensou apenas, mesmo que tenha tentando forçar de todas as formas. Um tanto decepcionada, voltou a olhar o desenho na tampa, tirando uma foto do mesmo e fazendo uma pesquisa rápida no google, descobriu se tratar de um triskelion. Tinha um monte de significados místicos com os quais ela não se importou naquele momento.

Sacudiu o baú perto do ouvido e percebeu que sim, havia algo dentro dele. Tentou de tudo, inclusive forçar com uma tesoura e, com dor no coração jogar no chão, mas nada aconteceu, era como se a madeira, da qual aquela coisa era feita, fosse indestrutível.

— Nem queria mesmo... — Deu de ombros, cruzando os braços contra o corpo, como faria uma criança mimada.

Mas o baú continuou ali em cima, olhando de volta para Crystal como se a desafiasse.

— O que eu faço com você, hein? — Passou os dedos pelas fendas do triskelion, seguindo as espirais, até que parou no meio, exatamente onde tinha a marca de uma digital. Não existia travamento por digital naquela época, existia?

Ainda estava na metade do pensamento, quando a madeira cedeu um pouco, como se estivesse pressionando um botão, e no mesmo instante algo lhe furou o dedo.

Crystal soltou uma exclamação de dor, enquanto levava o indicador à boca imediatamente, sentindo o gosto metálico do sangue. Ao mesmo tempo, como por mágica ou usando de uma tecnologia que não fazia muito sentido, o baú se abriu.

Uma fechadura cuja a chave é sangue? Ótimo, meus pais eram mafiosos. Mesmo com o comentário irônico na mente, a jovem olhou o interior do baú misterioso.

Haviam algumas fotos, uma pulseira dourada, longa o bastante para dar cinco voltas no pulso e o que parecia um livro, ou diário, com uma capa de couro e uma estrela dourada de cinco pontas na capa, preso for fivelas também de couro. Crystal foleou as páginas rapidamente e constatou que fosse o que fosse, aquilo era velho, pois as folhas estavam amareladas.

Teve uma sensação ruim, julgou que era causada pelos vários desenhos e gráficos espalhados pelas páginas, alguns bastante macabros. Além disso, o diário era escrito em uma linga que a jovem não entendeu... Mafiosos satanistas, só pode...

No entanto, acabou por deixar tudo de lado quando viu que no fundo do baú havia um envelope com seu nome. Quase não conseguiu conter a emoção, suas mãos tremeram e uma lágrima grossa escorreu pelo seu rosto. Abriu o envelope, ansiosa e ao mesmo tempo temerosa pelo que estava prestes a ler.


Querida Crystal.

Se está lendo isso, significa que eu não estou ao seu lado no seu aniversário de dezoito anos e o simples fato de pensar nessa possibilidade faz meu coração doer, mas o futuro é incerto e a realidade em que eu vivo pode ser muito perigosa.

Existe muito que eu gostaria de te dizer, muitas coisas sobre mim e você, e sobre nossos antepassados, contudo seu pai acredita que o passado deve ficar no passado. Prometemos um ao outro que você seria diferente de mim, que você teria escolha...

Seu pai sempre foi otimista, ele não consegue entender algumas coisas, porque ele não é como eu. Embora respeite a decisão dele, tenho que me precaver por você, então vou garantir que encontre o caminho, caso precise.

Às vezes não dá pra fugir do destino, Crystal, eu e seu pai tentamos fugir do meu, por você, pra que você tivesse uma vida boa e feliz, com tudo que uma criança tem o direito de ter, mas se você está lendo isso, então certamente eu falhei. Me desculpe.

Com amor:
Mamãe.


Crystal ficou encarando a carta em sua mão por vários minutos, mesmo após ler cada palavra, não fazia nenhum sentido, chegou até a pensar que fosse alguma piada, mas seus avós nunca brincariam com algo sério como a memória de seus pais. Voltou a cogitar que seus pais fossem mesmo mafiosos, mesmo que das duas vezes anteriores fosse apenas um pensamento debochado.

Ainda estava com a mente a mil, quando algo que viu em uma das fotos fez seu estômago congelar: Sua mãe estava posando com uma mulher de cabelos negros, o rosto da desconhecida não podia ser visto, já que o flash ou algo assim, tinha atrapalhado aquela parte da foto, quase como se a moça tivesse algo brilhante nos olhos, mas sua barriga enorme, que indicava uma gestação em fase final, era bastante evidente na imagem. De toda forma, o choque de Crystal não tinha a ver com a dupla na fotografia e sim com o que estava atrás delas. Uma árvore, ou melhor, o que um dia tinha sido uma árvore, já que o tronco estava cortado.

— Não pode ser...

Crystal alcançou seu caderno e comparou seu desenho com a fotografia, era a mesma árvore. Mas como é possível?

Ainda surpresa demais com o que estava acontecendo, Crystal virou a foto e viu que tinha algo escrito atrás dela, com uma caligrafia diferente da carta:

"Espero que isso te lembre dos bons tempos,
você sempre será parte da minha alcateia,
mesmo que não possamos estar juntas.
ass: Talia Hale.
Beacon Hills, novembro de 1988"

Notas finais
E foi dada a largada! Crystal está oficialmente conectada com Beacon Hills agora e claro com a família Hale. Tem triskelion, tem foto misteriosas das mamães na frente do nemeton, tem livro macabro e tem olhos brilhando de cores que a gente não conhece (ainda) Pra quem não é tão bom de datas e referencias, o Derek nasceu em 7/11/88, ou seja, na foto a Talia está gravida, alguns dias antes de dar a luz. No próximo temos Beacon Hills e a Crystal começado a interagir com um dos personagens da série. Nos vemos em breve Bjss e até! PS: Se tiverem teorias sobre o que a Crystal é, eu vou gostar de ler *--*