Notas iniciais
Oiee! Voltei com capitulo novo de Running, pra gente ver em que encrenca a coitada da Crystal se meteu... Vamos ver o que saí dessa confusão, neh? Boa leitura!

Derek Hale estava de pé, o queixo apoiado no punho, e um braço sobre o outro para fornecer apoio. Encarava sua própria mesa repleta de livros. Estava em uma pesquisa minuciosa sobre bruxas, e sobre qualquer coisa que pudesse usar contra essas criaturas, mas era como se cada pequena coisa levasse a um beco sem saída.

Suspirou, exausto. Não vinha dormindo bem há algumas noites, também estava evitando correr pela cidade, deixando as rondas sob a responsabilidade de Liam e Peter, já que seu tio parecia bastante empenhado em encontrar qualquer traço dos novos inimigos.

Toda aquela inquietação e isolamento de Derek tinha um motivo. Um motivo com nome, endereço e belos olhos verdes... Crystal Green.

Ele tinha levado a sério o que o tio dissera e estava tentando manter distância da menina, mas seu lado lupino odiava isso.

Mesmo negando, quando Peter perguntou, Derek sabia que sentia algo pela garota Green, não sabia se era pelo lado Delta dela, ou por alguma outra coisa intangível, a única coisa que Derek tinha certeza era que havia algo e que ele não podia permitir que esse algo se transformasse em sentimento.

Então vinha ignorando as mensagens e ligações dela, e evitando sair para rondas, porque sabia que, se virasse o lobo negro, acabaria na porta de Crystal.

Esfregou as têmporas, enquanto ainda observava os livros dispostos sobre a mesa, e foi com estranhamento que constatou que estava com dor de cabeça. Aquele tipo de dor não era algo que acometia lobisomens, o poder de cura não permitia tal coisa.

Talvez seja a falta de sono e as horas focado em pesquisa. Pensou, tentando focar na cura, mas nada aconteceu, pelo contrário, a dor parecia se intensificar a cada minuto. Como se um alerta soasse na mente de Derek.

Resolveu se deitar um pouco, mesmo estando no meio da tarde, talvez conseguisse dormir e aquela dor chata sumisse naturalmente. É o que os humanos fazem, não é?

Se jogou na cama e cobriu os olhos com o braço, tentando relaxar para que o sono viesse. Não funcionou. Seu coração estava acelerado e sua mente não conseguia se acalmar. Seu lado lupino estava dez vezes mais inquieto que o comum.

Constatou que estava preocupado com Crystal Green, uma preocupação repentina e infundada, vinda de um pressentimento que parecia esmagar seu coração e sua cabeça. Era daí que vinha a dor.

Derek tentou lutar contra seus próprios instintos por um tempo, mas isso só piorou a situação. Emitindo um rosnado de revolta consigo mesmo, ele alcançou o celular.

Encontrou o contato da Crystal antes mesmo de pensar conscientemente sobre isso.

— O telefone chamado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura. — A voz robótica avisou, antes mesmo do primeiro toque.

Derek tentou outra vez e obteve a mesma resposta. Olhou o aplicativo de mensagens e constatou que Crystal estivera online cerca de vinte minutos antes.

— Ela está bem. — Ele deu de ombros.

Mas suas palavras não serviram de nada. Algo está errado! Sua mente uivava tão alto que Derek não viu outra alternativa a não ser pegar a chave do Camaro.

— Só vou passar na frente pra ter certeza que está tudo certo... — Falou pra si mesmo antes de deixar o loft.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Crystal Green deu um passo para trás, seu coração batia acelerado, seus olhos estavam fixos no invasor.

— Greenberg... — Ela tentou assumir o controle da própria voz e ser racional. — Por que não coloca isso aí mesmo e conversamos um pouco?

O jovem tombou a cabeça para o lado de um jeito estranho, emitindo um som que pareceu um rosnado, como se as palavras de Crystal não significassem nada.

Ela teve que pensar rápido, queria sair correndo e se esconder, mas soube imediatamente que, seja lá o que estivesse acontecendo com Greenberg, não podia permitir que ele levasse o baú.

Então aconteceu muito rápido, ele se colocou em posição de ataque, prestes a derrubar Crystal e atravessar o quarto rumo a janela.

Crystal não conhecia o sobrenatural o bastante, mas, mesmo ela, soube que deixar as bruxas colocarem as mãos naquele livro era uma má ideia.

Por isso, no momento em que Greenberg estava prestes a passar, Crystal teve que pensar rápido e fez a única coisa que podia fazer, virou sua bolsa na cara dele.

Um segundo apenas e o baú rolou pelo chão do quarto. Mas o olhar que o garoto lançou, deixou Crystal ciente de que ela tinha se metido em um grande problema.

Saiu correndo, chutando o baú para fora do quarto enquanto isso, e fazendo o mesmo pelo corredor, usando toda a força que tinha, de modo que o objeto voou direto pela escada, fazendo um baque nada discreto no andar de baixo.

Crystal tentou correr para a saída da casa também, mas Greenberg a alcançou antes. Ele a ergueu no ar segurando-a pelo pescoço. Tinha muito mais força do que deveria, mas ainda agia como se fosse tudo instinto, como se não tivesse nenhum pensamento racional entre a mente.

— Por favor, Greenberg, você não quer fazer isso... — Crystal implorou, sentindo o oxigênio lhe faltar, se debatendo inutilmente.

Ele a segurava no ar, como quem segura uma boneca de pano, e foi exatamente com essa facilidade que a jogou sem se importar com a direção.

O corpo de Crystal rolou a escada sem controle, atingindo o chão em um baque tão violento, que deixou a sem ar por alguns segundos. Ela gemeu de dor, tocando a testa e percebendo que havia muito sangue ali.

Greenberg rosnou do topo da escada, os movimentos quase mecânicos e os olhos presos no baú.

Crystal fez o melhor que podia para se arrastar até o objeto, mesmo que suas costelas parecessem fora do lugar e a dor fosse angustiante. Ela não tinha forças pra se colocar de pé, mas continuou tentando, sabia que não podia desistir.

Tinha conseguido alcançar o baú com a ponta dos dedos, quando sentiu Greenberg puxando suas pernas. O grito de Crystal se espalhou pela casa, enquanto ela tentava a todo custo chutar seu agressor e pegar o baú.

Foi nesse instante que seu dedo passou sobre o Triskelion e destravou a caixa, Greenberg lhe puxou tão forte que o conteúdo do baú se espalhou pelo chão. Crystal, em uma atitude desesperada, tentou alcançar o livro, batendo a mão sobre a pulseira da mãe.

Algo estranho aconteceu, a simples pulseira começou a brilhar, como se fosse uma parte do arco-íris, algo mágico ou, quem sabe, vivo...

Greenberg a puxou ainda mais e estava prestes a colocar as mãos em Crystal quando a porta se escancarou.

— Coloque as mãos para o alto e se afaste dela, agora! — Jordan Parrish tinha a arma em punho e a voz firme.

Invadiu a casa, depois de ouvir o grito de Crystal, pensando se tratar de um ataque comum, por isso não estava preparado para a reação de Greenberg.

O garoto jogou Crystal Green de volta no chão, separando a menina da pulseira com o impacto, a joia se apagando imediatamente. Se voltou para Parrish em posição de ataque e não houve tempo para mais nada, o oficial só notou os olhos vermelhos do garoto quando era tarde demais.

O som de um tiro ecoou na casa dos Green.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Derek ouviu bem antes de ver. O tumulto, a falação. Algo está errado. Havia uma movimentação estranha na casa de Crystal Green.

Mas, mesmo sua audição lupina não o tinha preparado para o que ele viu, quando fez o Camaro dobrar a esquina.

A rua estava movimentada, três viaturas e duas ambulâncias. O coração de Derek começou a bater disparado de um jeito que o deixava sem ar, suas mãos tremeram e, quando ele desceu do carro, suas pernas mal obedeciam.

Havia um bloqueio na rua, alguns policiais espalhados aqui e ali, contendo a investida de curiosos.

Derek se aproximou, olhou para a porta dos Green e sua cabeça rodou. Havia uma maca saindo de lá, uma maca coberta. Alguém tinha morrido.

Os sentidos de Derek pararam de funcionar, ou talvez estivessem funcionando todos ao mesmo tempo, sem controle. As vozes ao redor se tornaram apenas um zumbido incômodo e inteligível, sua vista não conseguia focar em uma coisa só.

Derek tentou passar pela barreira.

— Senhor, você não tem permissão pra passar por aqui. — Um dos policiais informou, colocando a mão espalmada no peito de Derek.

Ele rosnou, estava tão sem controle que atacaria o policial ali mesmo, sem se importar com os efeitos colaterais que isso traria.

— Pode deixar ele passar, oficial Haigh. — A voz do xerife Stilinski se sobrepôs as outras.

Noah Stilinski focou no moreno e franziu as sobrancelhas, sem entender muito bem porque o jovem Hale parecia tão perturbado. De toda forma, deu um passo para a esquerda. Foi só então que o zumbido dominando a audição de Derek se foi, dando lugar ao silêncio absoluto.

Seu foco mudou, as pessoas em volta pareciam se mover em câmera lenta, porque tudo que havia no ambiente era ela... Crystal Green, sentada na traseira da ambulância, com um cobertor em volta ao corpo.

Derek cortou a distância que havia entre eles em passos muito rápidos, não se importando com quem esbarrava no caminho. Só quando se aproximou o bastante percebeu que a jovem não estava sozinha. Chris Argent estava ali, sentado ao lado da garota, amparando-a, como um pai faria.

E, como se houvesse algo invisível ligando os dois, Crystal simplesmente ergueu a cabeça. E bastou que Derek visse aqueles olhos verdes marejados e assustados, pra saber que, seja lá o que tivesse acontecido, ele tinha chegado tarde demais.

— Você está bem? — Ele questionou, assim que pode tocá-la, erguendo um pouco o queixo da garota, afim de se certificar que todo aquele sangue seco em seu rosto não era ferimento algum.

— Eu... eu... — Ela gaguejou, e era como se Derek pudesse sentir o seu pavor. — O que você está fazendo aqui?

Ele titubeou, como explicaria aquele sentimento agoniante que o tinha feito dirigir até ali?

— O que você está fazendo aqui? — Apontou para Chris, que até então observava os dois com uma expressão neutra.

— O xerife me ligou. — Argent deu de ombros apenas, como se não houvesse nada estranho naquele fato.

Os dois mal se conhecem... Derek estranhou, franzindo as sobrancelhas.

— Por que? Quer dizer, por que você, entre todas as outras pessoas? — Perguntou usando um tom neutro, já tivera provas o bastante que podia confiar em Chris Argent.

— Foi minha culpa. Meu celular ficou sem bateria e o telefone do Senhor Argent era o único que estava anotado em algum lugar. — Crystal respondeu rápido, um tanto atrapalhada, se referindo ao fato de Chris ter deixado seu telefone junto com o bestiário, e então se voltando para ele. — Desculpe, eu não queria incomodar, eu só... eu não sabia o que fazer...

— Não se preocupe, querida, você fez a coisa certa. — Chris esfregou os braços dela por cima da coberta de forma carinhosa.

Derek assentiu, fazia sentindo que o ex-caçador quisesse proteger alguém como Crystal, ela tinha praticamente a mesma idade de Alison, devia trazer lembranças dolorosas.

O moreno soube naquele momento que Chris não deixaria outra garota ter o mesmo destino que a filha tivera.

— O que aconteceu? — Questionou, abaixando tom de voz.

— Oficialmente? Um garoto invadiu a casa da Crystal, Parrish ouviu o barulho e atirou quando foi atacado. — Argent explicou prático. — Extraoficialmente, ainda estamos tentando entender...

Procurou Parrish entre os policiais, e ele estava parado em um canto. Com sua audição lupina pode ouvir que ele contava sua versão dos fatos e parecia abalado a sua própria maneira. Nunca era fácil matar alguém.

— Ele estava atrás do livro. Mas Greenberg é um garoto legal, nunca faria algo assim, e ele tinha essa fúria e... e os olhos... eu não... — Crystal tentou contar, mas se embolou com todas as palavras, ainda era como se estivesse acontecendo naquele momento, tudo ao mesmo tempo.

Derek podia ouvir o coração dela bater acelerado, e se sentiu péssimo por não ter escudado os próprios pressentimentos antes. Talvez aquilo pudesse ser evitado.

— Tudo bem, tudo bem. — Argent a confortou, paternal. — Não se preocupe com isso agora, querida. Vamos montar o quebra-cabeças, apenas se acalme. Você está segura agora. Eu, Derek, o xerife, Parrish, todos estamos aqui agora... está tudo bem. Eu já liguei para os seus amigos e eles também vão estar aqui em um minuto.

— Obrigada. — Ela assentiu de forma rápida e com um sorriso que não chegava aos olhos.

— Não se preocupe. Eu disse "qualquer coisa", lembra? — O ex-caçador segurou o ombro da garota por um momento e se colocou de pé, dirigindo-se a Derek em seguida: — Fique com ela, eu vou falar com o xerife.

Derek observou enquanto Chris Argent se afastava em direção ao xerife e acabou por se sentar ao lado de Crystal, que se ajeitou um pouco, emitindo uma exclamação de dor.

— Esta machucada? — Ele questionou, examinando os lugares que podia ver, principalmente todo o sangue seco em seu rosto.

— Eu caí da escada, eu tinha certeza que tinha alguns cortes na minha testa, mas... — Ela tocou o lugar e negou, não havia nada lá e isso era estranho. — Acho que é só essa dor nas minhas costelas. Vai passar logo.

— Vai mesmo. — Assentiu decidido. — Me dê sua mão.

Crystal pousou a mão na dele, e Derek mal precisou se concentrar para que seu poder entrasse em ação, suas veias ficaram negras e ele pode sentir quando sugou toda a dor do corpo dela.

— Como você fez isso? — Crystal questionou impressionada, notando que estava melhor que nunca.

— Coisa de lobisomem... — Deu de ombros.

Ela sorriu de modo suave e assentiu, entrelaçando os dedos nos dele, antes mesmo que Derek tivesse a chance de recolher sua mão. Não que ele tivesse mesmo pensado em quebrar aquele contato.

Tocou o rosto de Crystal com a mão livre, desgrudando alguns frios presos em sua bochecha.

— Desculpe... — Pediu com os olhos presos nos dela. Como se não houvesse mais ninguém ali. — Eu devia estar por perto, e esse tipo de coisa nunca aconteceria com você.

Crystal segurou a mão dele conta seu rosto, abrindo um sorriso calmo.

— Não foi sua culpa, Derek. — Afirmou e, pela primeira vez em muito tempo, ele acreditou naquilo.

Foi nesse momento que um carro virou a esquina de cima, cantando pneu. E nem bem a caminhonete de Theo estacionou na rua, ele, Liam, Corey e Mason, já estavam tentando burlar o bloqueio da polícia.

O xerife Stilinski fez um gesto com a mão, soltando um suspiro, como se não tivesse outra alternativa a não ser deixar os jovens passar.

Theo foi o primeiro a cortar a distância até a ambulância, uma expressão quase brava no rosto.

— Qual é o seu problema? Você devia estar na escola comigo! Treino de lacrosse, lembra? — Ele jogou a mão na direção de Crystal, que se colocou de pé e simplesmente o abraçou.

Theo não era de abraços, nem sabia como fazer isso, mas de alguma forma aquilo o acalmou, nunca pensou que se preocuparia de verdade com alguém, até que recebeu o telefonema de Chris Argent e soube o que tinha acontecido com Crystal.

— Você 'tá legal? — Ele perguntou, ainda sem saber bem como corresponder ao abraço. Crystal negou algumas vezes sem soltá-lo e Theo a envolveu finalmente.

Derek revirou os olhos e conteve um rosnado. Seu ódio do garoto quimera tinha crescido uns mil por cento naquele curto instante.

Mas em Liam, aquele gesto teve o efeito oposto, ele sorriu, satisfeito com a atitude, Theo se importava, e isso queria dizer muito...

— Onw! — Mason exclamou, achando a cena fofa. — Abraço em grupo?

— Não! — Theo foi categórico e ergueu um dedo em riste. — Não se aproxime.

Os jovens riram juntos e Derek revirou os olhos, cruzando os braços e achando que aquele contato de Theo e Crystal já tinha durado tempo demais,

— Como você chegou da sua casa mais rápido do que a gente chegou da escola? — Liam questionou, estreitando os olhos na direção do Hale

— Sorte que ele atendeu o telefone dessa vez... — Theo alfinetou e Crystal lhe lançou um olhar de repreensão, dando um passo para trás, de modo que todos pudessem conversar.

— Mas eu não pedi para o Chris ligar para o Derek. — Ela se tocou de repente, e também voltou os olhos para o moreno.

— Eu estava passando e ouvi a confusão. — Derek desconversou, dando de ombros.

— Então... — Corey apontou todos os carros de polícia que começavam a preparar a retirada. — Greenberg era um bruxo e agora ele está morto?

Os garotos abaixaram o olhar, conheciam Greenberg, ele era legal, nunca teriam imaginado que ele fosse um ser sobrenatural, muito menos que fosse mau.

— Eu não acho que ele era um bruxo. — Crystal comentou, atraindo todas as atenções. — Ele estava diferente, os olhos estavam cobertos de sangue, totalmente vermelhos, e ele agia irracionalmente, como um animal. Eu acho... eu acho que ele estava sendo controlado.

Ela e Derek trocaram um olhar preocupado, na verdade todo mundo ali percebeu a importância daquela informação.

— Controle mental? — Liam cruzou os braços e suspirou. — É isso, então? Agora tem alguém solto na cidade que pode controlar qualquer pessoa para fazer seu trabalhinho sujo?

— É... — Mason assentiu bem devagar. — Parece que a gente está ferrado mesmo.

Notas finais
Pois é, não foi o Derek que salvou a fadinha (isso seria bem clichê neh, gente, ainda mais sendo que ela tem um vizinho policial) Mas ele foi mesmo assim... Isso é um começo. Crystal mostrando que pode ser frágil sim, mas tem muita coragem, e parece que ela descobriu mais uma particularidade sobre as coisas que a mãe lhe deixou, vamos ver... Theo brigando com a Crystal pra lidar com a preocupação dele é muito aquelas mães "se você se machucar eu vou te bater!!" kkkkkkkkkkk E está confirmado, bruxas realmente podem controlar as pessoas. E isso é uma grande pista de quem é esse inimigo misterioso... Pensem nisso e montem suas teorias. Nos vemos em breve com um capitulo inteirinho do OTP Bjss e até!