Notas iniciais
Boa noite! Aqui estou com o penúltimo capitulo de Running e por enquanto só posso dizer que está ENORME, então levem o tempo que acharem melhor pra ler, eu ia dividir, mas achei melhor postar tudo. Boa leitura!

Lydia Martin tremia, a mão gelada de Malvina estava fechada em torno de seu braço como uma garra. Estavam dentro da caverna, caminhando de encontro a água de aparência etérea e, lá fora, a Lua sumia aos poucos.

A Banshee olhou para Parrish, que fazia esforço pra manter a entrada da caverna aberta, mas não teve tempo de dizer nada antes de ser puxada para a água.

Se sentiu cair, mas não parecia água de fato ao seu redor, era como se estivesse no meio de várias almas, podia ouvir seus sussurros, lamentos inteligíveis e rostos desconhecidos.

Seus pés atingiram o chão momentos depois, estava perfeitamente seca, o amplo espaço parecia uma caverna sem fim, cheia de rochas e destroços, tudo rodeado por mais daquela mistura etérea.

— São almas de humanos e outras criaturas. — Malvina falou sem muito interesse.

— Isso é o inferno? — Lydia sentiu seu corpo tremer, mesmo que não fizesse frio ali.

Malvina riu, parecia ter achado graça na pergunta.

— Queria que o inferno fosse pacifico assim. Não chega nem perto. — A bruxa apertou um pouco mais o braço de Lydia e acelerou o passo. — O rio das almas é como um purgatório, a metade do caminho, almas humanas com assuntos pendentes ficam aqui até que estejam prontas para seguir em frente, são se pode entrar no paraíso com esse tipo de bagagem, é preciso abrir mão.

Lydia percebeu que a bruxa não gostava de estar ali, as almas pareciam lhe incomodar.

Chegaram ao ponto oposto rapidamente, outra parede com uma porta de pedra que Malvina abriu com o sangue de Lydia. Mas dessa vez a pedra se abriu assim que brilhou, não precisou ser empurrada por um Hellhound.

— Elas não podem passar daqui. — Malvina explicou, parecendo satisfeita por deixar as almas para trás.

A segunda porta as levou para um espaço macabro, cheio de esqueletos caídos, secos. O cheiro de enxofre ali era mais forte e o calor de alguma forma causava arrepios frios.

Lydia achou o lugar parecido com o de seu sonho e pensou que tinham chegado ao inferno, mas se enganou.

Dentre os esqueletos ela notou que havia uma pedra, como um altar ou algo assim, cheio de símbolos e fissuras profundas na superfície. Logo na frente havia um crânio imenso, de algum animal que Lydia não reconheceu de imediato. Era maior que as duas pessoas ali, tinha a boca fechada e os buracos dos olhos negros e sem fim.

Lydia já não conseguia controlar os calafrios que se espalhavam por todo seu corpo.

Malvina a arrastou para o altar de pedra e a empurrou, movendo as mãos e fazendo com que Lydia fosse puxada e amarrada ali. A Banshee tentou gritar, porém sua voz não saiu. Tentou se debater, mas quanto mais se movia, mais cordas mágicas lhe apertavam.

— Você não tem voz aqui, é uma zona morta. — Malvina explicou com uma satisfação mórbida na voz.

Então sorriu, aquele sorriso maligno que em nada combinava com o rosto delicado de Rachel. Ergueu dois dedos e os movimentou no ar, no mesmo instante Lydia sentiu que uma centena de pequenos cortes se abriram em seu corpo.

Seu sangue começou a pingar lentamente na pedra, enchendo as fissuras, fazendo os símbolos brilharem um a um.

Não eram cortes fundos, mas Lydia sabia que se ficasse ali sangrando por muito tempo correria perigo de vida.

No entanto, Malvina não parecia preocupada com isso, ela repousou os braços atrás das costas e esperou calmamente, até que toda a pedra se acendesse.

Foi então que o som de algo grande se movendo chamou a atenção de Lydia, ela virou a cabeça para o enorme crânio na parede e viu os olhos dele se acenderem em chamas e sua boca se abrir lentamente, exibindo dentes afiados do tamanho de um braço.

Dentro da boca do crânio as chamas também se acenderam, e Lydia soube que ali era a porta do inferno. Podia ouvir as gargalhadas e sussurros assustadores vindos de lá e o cheiro de enxofre era insuportável.

Malvina ergueu os dois braços e começou um cântico incompreensível para Lydia. Então todas as caveiras do ambiente em que elas estavam começaram a se levantar, ao mesmo tempo em que os sons de dentro do fogo se tornavam mais próximos.

— Vão, a cidade é de vocês! — Malvina declarou para as caveiras e aos montes elas foram abandonando o lugar.

A cabeça de Lydia começou a rodar, mas ela ainda teve tempo de ver as criaturas que saíram do fogo, cinco delas, com dentes afiados e rostos pálidos...

— Vou recuperar meu corpo e logo os encontrarei para tomarmos a cidade. — Lydia ouviu a bruxa declarar antes de entrar na boca flamejante. — Cuidem para que ninguém me siga.

E tudo ficou escuro...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Para o restante do grupo as coisas tinham passado de "aceitáveis" para "bem ruins" muito rápido, estavam todos reunidos no hospital naquele momento, era para onde Stiles, Melissa, Mason, Corey e Argent também tinham ido.

Já na metade do caminho, enquanto ainda transportavam o corpo de Peter Hale, Crystal notou que havia algo errado, não só porque a Lua começou a escurecer no céu, em um tipo de eclipse macabro, mas todos os amigos começaram a tossir.

Era uma tosse comum a princípio, não tinha atrapalhado que chegassem no hospital, mas então Scott foi o primeiro a cair, ele era o que estava com o poder mais fraco, por isso foi o primeiro a sentir os efeitos do que eles já desconfiavam ser um feitiço de Malvina.

A asma do Alfa Genuíno tinha atacado com força, e não fosse Melissa estar sempre preparada, talvez tivesse sido pior...

E a partir daí tudo foi desmoronando, eram apenas notícias ruins para serem compartilhadas; a morte de Kate tinha abalado Chris Argent mais do que ele admitiria; o sequestro de Lydia tinha feito Stiles praticamente surtar.

O grupo era o caos e aquilo não parecia ter uma solução.

Stiles deixara mensagens para Isaac e Kira, mas, mesmo que eles respondessem, não sabia se chegariam a tempo. Ethan e Jackson disseram estar a caminho, mas se o feitiço afetando os lobisomens fosse global, eles seriam afetados também...

Estavam em um beco sem saída, sem pistas, sentindo o peso da derrota em seus ombros mais do que nunca.

Crystal estava parada em frente ao necrotério naquele momento. Malia e Derek estavam lá dentro com o corpo de Peter, que seria mantido em uma das gavetas até que pudesse ser apropriadamente enterrado.

Malia foi a primeira a deixar o lugar, sua expressão de pesar estava carregada de raiva, passou por Crystal sem de fato vê-la ali e foi ficar ao lado de Scott.

Crystal finalmente deu um passo em direção ao necrotério e empurrou as portas. Derek estava ali de pé, ao lado do corpo do tio, seus olhos verdes estavam escuros e seus ombros caídos.

— Sinto muito... — Ela falou, sentindo a tristeza de Derek por causa da ligação.

Então se aproximou, tocando o braço do moreno, enquanto ele ainda olhava para o tio e soltava uma risada sem humor.

— Eu mesmo o matei uma vez, isso não é irônico? — Não havia qualquer traço de piada em sua voz, era apenas resignação e um conformismo amargo. — Eu sequer gostava dele depois disso... Mas as coisas mudaram depois da Malia.

Derek ainda se lembrava de cada detalhe, dos ruins e também dos bons... Peter tinha trilhado caminhos errados e tortos, mas ainda assim era um Hale.

— E agora ele está morto. O último membro da minha família, que me conhecia desde que eu era pequeno... — Ele fechou a gaveta com o corpo de Peter e Crystal sequer precisou olhar nos olhos verdes para sentir a raiva que eles transmitiam. — Tudo por causa do capricho de uma Bruxa... E a pior parte é que não estamos nem perto de descobrir como vencê-la.

— Vamos encontrar um jeito. — Crystal soou firme e segura.

Derek a olhou por alguns momentos e a amou um pouco mais por sua força, estava pronto para abraçá-la quando foi dominado por uma crise de tosse que o fez expelir sangue e perder o equilibro. Tudo perdeu o foco por dois ou três segundos e então ele estava no chão, com Crystal lhe amparando.

Se sentia fraco, tonto, era totalmente diferente de quando achou que estava perdendo seus poderes, aquilo não era sobre seus poderes, era sobre sua própria vida...

— Talvez não tenha um jeito... — Ele acabou em outra crise de tosse.

— Tem que ter. — Crystal foi ainda mais firme, segurando o rosto dele entre suas mãos, não havia nada em sua mente naquele momento, a não ser o desejo genuíno e urgente de que seu Alfa melhorasse.

Derek imediatamente sentiu que seus pulmões haviam voltado a funcionar, não era como se estivesse curado, mas imediatamente sentiu-se melhor. Soube por instinto que aquilo eram os dons de sua Delta e sorriu para ela.

— Como você ainda consegue ter esperanças no meio de tudo isso? — Ele questionou, acariciando o rosto dela.

— Porque se abrirmos mão da esperança, não teremos mais nada... — Crystal respondeu com um sorriso calmo.

Saíram do necrotério depois disso. Melissa havia separado um dos quartos conjuntos para que todos pudessem ficar perto e tivessem acesso a cuidados, principalmente aos equipamentos de oxigênio, já que todos estavam com falta de ar naquele momento. Não que ela acreditasse realmente que qualquer um daqueles adolescentes teimosos ficaria mesmo ali.

Enquanto os jovens e mesmo Chris, estavam envolvidos em uma discussão sobre o próximo passo, Crystal se sentou ao lado de Theo e segurou suas mãos, tentando fazer com ele a mesma coisa que tinha feito com Derek.

Ela conseguia amenizar os efeitos do eclipse mágico ao menos um pouco e naquela altura era melhor que nada.

— Pode fazer isso com o Scott? — Malia perguntou, enquanto Mason e Theo discordavam sobre como agir.

A coiote era a que menos apresentava sintomas, talvez por causa da tal miscigenação, que Malvina havia citado, a magia agisse mais devagar nela, o que era uma vantagem...

— Eu posso tentar. — Crystal se levantou e caminhou até Malia e Scott.

O Alfa Genuíno estava na inalação, sentia que seus pulmões estavam colapsando aos poucos, ainda assim conseguia notar as mãos de Malia tremendo entre as suas.

Crystal segurou a mão livre de Scott e tentou se concentrar, como tinha feito com Theo, mas nada aconteceu. Ao seu lado Malia pareceu ainda mais tensa, as duas trocaram um olhar e a Delta soube que não podia desistir.

Ela respirou fundo e soltou a mão de Scott, pousando-a sobre o peitoral que subia e descia com dificuldade, fechou os olhos de novo e segurou o ar.

Apenas uma alcateia, apenas uma alcateia... pensou repetidas vezes.

Scott sentiu que todo o ar do ambiente tinha voltado aos seus pulmões de uma vez só. Deu um pulo ainda na cama, se livrando dos fios e aparelhagens da inalação.

— Obrigada. — Malia suspirou aliviada e deu um sorriso agradecido para Crystal.

A Delta assentiu também, se afastando deles em direção a Liam, afinal se tinha conseguido com Scott, também daria certo com o Beta dele. Podia ser pouco e talvez não durasse tanto, mas Crystal não se importaria em ficar revezando os dons entre todos os amigos, até que achassem uma solução permanente.

Todos tinham voltado a falar juntos de novo, apenas Stiles estava calado todo aquele tempo, os olhos tensos pregados no celular, como se estivesse fazendo algo de importância vital.

Em qualquer outro momento estaria falando sem parar como todos os outros, mas aquele último ano estagiando no FBI tinham ensinado a ele que pensava melhor em silencio. E, com a vida de Lydia em risco, ele sabia que tinha que fazer alguma coisa.

— Calados! — Pediu, erguendo um pouco o tom de voz para ser ouvido. — Estou tentando me concentrar aqui.

Derek e Scott trocaram um olhar e ambos encolheram os ombros, nenhum dos dois sabia o que Stiles estava aprontando.

— O que você está fazendo? — Mason foi o primeiro a perguntar.

— Estou rastreando o celular do Parrish, o departamento de polícia tem acesso ao GPS do aparelho dos policiais. — Stiles explicou de forma prática, enquanto seus dedos se moviam rapidamente pela tela de seu celular. — Se soubermos onde o Parrish está, saberemos onde a Lydia está.

— É uma ótima ideia. — Derek soou um tanto surpreso.

— Eu tenho ótimas ideias o tempo todo. — Stiles se fez de superior.

— Não tem não... — Theo retrucou no mesmo instante, mas não obteve resposta, Stiles tinha algo mais importe para dizer:

— Encontrei eles!

Um plano começou a ser montado no mesmo instante, claro que todos queriam ir, mas Chris disse o óbvio: se Malvina estava usando o eclipse para enfraquecer os lobisomens, eles estariam correndo ainda mais risco em uma luta...

Não foi nada fácil convencer Derek, Scott, Liam e Theo de que eles teriam que ficar, mas outra crise de tosse dos quatro provou que Argent estava totalmente certo.

— Eu vou. — Malia falou decidida. — Não adianta tentar me impedir. Eu ainda sou a mais forte, talvez seja algo sobre miscigenação ou qualquer merda dessas, mas essa magia está me afetando menos e vocês precisam de mim.

Eles não tinham exatamente um grupo muito forte naquele momento, o mais preparado era Chris Argent, mas ele estava se recuperando ainda, Corey tinha todos os seus poderes, já que, diferente de Theo, ele ainda era uma quimera, mas não era exatamente um lutador... Se Corey ia, Mason também iria, no entanto tudo que ele tinha era um taco novinho de alumínio.

Stiles jamais ficaria ali com Lydia em perigo, pegou uma das armas de Argent e estava pronto para ir, mesmo que todos ali realmente duvidassem de sua capacidade de dar um tiro.

— Malia está certa. — Argent concordou. — Precisamos de toda a ajuda possível.

— Liguei para o meu pai, ele está vindo, se a bruxa tiver mais aliados na manga, talvez vocês precisem de ajuda. — Stiles declarou, vendo Scott ser tomado por outra crise de tosse.

Ele até tentou argumentar que estava bem, mas estava escrito em seu rosto que não estava. Nenhum deles estava. Seus rostos brancos e suados diziam tudo, a cada segundo pareciam piores e, por mais que quisessem teimar em ir junto, ficou claro que podiam acabar atrapalhando ao invés de ajudar.

Então todos os olhos caíram sobre Crystal, como se esperassem algo grandioso. Ela se sentiu acuada, sabia que era útil ali onde estava, retardando os efeitos do feitiço, mesmo que não durasse muito e a crise viesse ainda pior depois...

Além disso não conseguia pensar me deixar Derek naquela situação.

No entanto Crystal não era tola, sabia que sua pulseira era a única coisa que tinha chegado perto de atingir Malvina, sabia que sua mãe tinha impedido a volta da Bruxa no passado, ou seja, ela sabia que era necessária, que estava ligada a toda aquela situação...

— Um minuto. — Derek ergueu a mão para o grupo que estava quase pronto para partir e então seguiu com Crystal para um dos quartos vazios.

Enquanto isso os outros aproveitavam para se despedir.

Derek fechou a porta atrás deles e teve que se sentar, porque sentiu que as pernas não suportavam seu peso.

— Você tem que ir com eles. — Ele declarou, enquanto Crystal já tinha as mãos em seu rosto e se concentrava na cura.

— Eu sei... — Ela assentiu conformada e ele soube que sua Delta tinha dúvidas sobre sua própria capacidade.

— Você consegue. — Derek segurou as mãos da jovem e focou os olhos nos dela.

— E se tudo der errado? — Crystal tremeu junto com as palavras que saíram da sua boca.

— Bom, nesse caso eu preciso que você saiba que eu te amo. — Derek beijou os dedos dela e a viu sorrir.

— Eu sei disso, e eu te amo também. — A resposta veio rápida e doce.

Mas Derek soube que Crystal não entendia, não de verdade, qual era a magnitude daquele sentimento e o que ele significava.

E se aquela fosse a última vez, então ele queria que ela soubesse.

— É mais que isso... — Tocou o queixo de Crystal, para que ela prestasse total atenção. — Eu preciso que você saiba que eu quero ter mais que uma alcateia com você... eu quero ter uma família, quero me casar com você, ter filhos e todas essas coisas que eu sempre achei que eram bestas... mas se alguma coisa der errado e a gente não se ver outra vez, você tem que saber que foi a melhor coisa que já aconteceu comigo.

E então a beijou, longa e apaixonadamente, como se aquela fosse de fato a última vez.

— Você acabou de me pedir em casamento? — Crystal perguntou bem-humorada quando eles se separaram.

Derek não tinha pensando naquilo até que todas as palavras já tinham sido ditas.

— Você aceitaria se eu pedisse? — Ele perguntou como se não fosse nada demais e arrancou um sorriso de sua Delta.

— Acho que você sabe a resposta, mas podemos descobrir quando tudo isso acabar e você me pedir direito. — Ela respondeu lhe dando um beijo casto antes de seguir para a porta.

— Você nunca vai facilitar pra mim, não é? — Derek lançou antes que Crystal saísse.

— E que graça teria? — Ela respondeu, então deixou o quarto e logo partiu com o restante dos amigos.

Ainda na saída eles notaram que mais pessoas chegavam ao hospital, na rua havia pânico, demoraram alguns segundos para ver que esqueletos macabros aterrorizavam a população.

Stiles apenas desejou que os amigos pudessem lidar com aquilo, até que eles resolvessem a situação...

Acelerou o jipe o máximo que pode, estava com Malia e Crystal; atrás deles Mason, Corey e Chris vinham em outro carro.

Olhou para Malia pelo retrovisor, ela segurava a tosse e tinha uma expressão que Stiles podia decifrar totalmente. Ela estava irritada e triste. Sequer tivera tempo de processar a morte do pai e estava deixando Scott pra trás, sem saber o que aconteceria depois.

Stiles quis dizer que sentia muito, mas não era o momento certo. Ele voltou os olhos para a estrada e percebeu que ele sempre estivera esperando o momento certo pra dizer que sentia muito por várias coisas. E no fim nunca tinha dito nada...

Sabia que tinha magoado Malia, era uma época complicada, mas Stiles não tinha direito de ter sido tão frio. Olhando para trás ele podia ver suas ações e não gostava delas. Malia tinha sido uma parte importante de sua vida e ela nunca tinha desapontado ou falhado com ele, mesmo quando tudo acabou ela ainda estava lá, sendo uma grande amiga e Stiles nunca agradeceu por isso, assim como nunca pediu desculpas por ter partido o coração dela.

— Sinto muito... — A olhou pelo retrovisor novamente. — Por tudo.

Malia entendeu imediatamente, deu um sorriso compassivo e assentiu uma única vez. Não guardava rancor de Stiles, não conseguiria mesmo que quisesse...

Ele fora mais que sua âncora, seu namorado e seu amigo, ele fora seu mundo por um tempo. Malia faria qualquer coisa por Stiles...

Ela negou algumas vezes e deixou os olhos se perderam na estada escura. Se lembrava bem da época em que Stiles só falava de sua "visão", de como desejava que sua vida fosse. E Malia só queria fazer parte daquilo, porque Stiles era a sua única visão.... Devia ter notado naquela época que Stiles nunca tinha dito que ela realmente fazia parte daquela coisa toda.

Com o tempo Malia entendeu que ele nunca imaginou um futuro com ela, eles eram um momento apenas, e tudo bem, ainda foi bom e lindo, mesmo sendo apenas um momento.

Sempre tinha sido a Lydia, todo mundo sabia disso, Malia só foi a última a perceber. Ela ainda se lembrava do exato momento em que aconteceu, quando Stiles tinha sido levado pela Caçada Selvagem, Scott disse que ninguém tinha uma conexão como a de Lydia e Stiles...

Malia não tinha visto assim em sua mente, mas concordou também, porque a verdade nos olhos de Scott era tão clara que não havia como duvidar.

Stiles sempre seria seu amigo, ela sempre estaria lá por ele, mas prometeu a si mesma que seria sua própria âncora depois disso, que seguiria em frente, sozinha... Não foi exatamente assim que aconteceu. Malia não estava sozinha, ela tinha seu pai, Peter; sua melhor amiga, Lydia; e ela tinha Scott...

E então ela percebeu um fato interessante: Scott sempre esteve lá, desde o primeiro momento; foi Scott quem Malia viu primeiro quando deixou de ser coiote; foi Scott que a ensinou a dominar os poderes; foi Scott que disse que eles tinham que ficar juntos; era Scott quem queria conversar quando Stiles se afastou... Sempre foi o Scott.

Malia se apaixonou por ele tão naturalmente quanto as flores desabrocham... Mas passou meses tentando negar isso, queria fugir pra Paris, fugir do que sentia, porque Scott não era seu, havia Allison e Kira, Malia não queria ser desonesta, não queria ser a segunda opção, não queria ser apenas um momento.

No entanto ela ficou por Scott e, eventualmente, percebeu e aceitou que tudo bem querer algo pra si mesma. E ela queria Scott.

Stiles tinha sido seu primeiro amor, mas pessoas se apaixonam mais de uma vez, e Scott... bom, Malia esperava que ele fosse mais que só um momento, mesmo que uma parte de si sempre estivesse pronta para o fim.

E se Kira voltasse? E se Allison estivesse viva? Isso mudaria as coisas?

Malia suspirou, nada disso importava naquele instante, precisavam salvar Scott, esse era o único futuro que importava.

— Temos que matar aquela bruxa. — Ela declarou, voltando a atenção para os outros dois no carro. — Sei que o Scott não aprovaria isso, mas...

— Pode ser o único jeito de acabar com tudo que está acontecendo. — Stiles completou e as duas garotas assentiram.

Era um inimigo diferente de todos os outros, talvez não tivessem escolha.

A caminho da montanha passaram por ainda mais esqueletos, eles eram fracos e frágeis, se quebram sempre que o jipe batia neles, mas eram numerosos e isso certamente seria um problema para a cidade.

Quando chegaram ao topo da montanha tiveram que sair do carro já lutando, havia dezenas de esqueletos ali em cima.

Logo notaram Parrish segurando uma grande pedra circular na entrada de uma caverna.

— Vocês demoraram... — O Hellhound reclamou, mas parecia aliviado de ver os amigos.

Contou a eles o básico do que sabia, dizendo onde estavam Lydia e Malvina com o corpo de Rachel, também falou sobre não poder soltar a pedra e confirmou que o eclipse mágico mataria todos os lobisomens.

— Temos que entrar. — Stiles decidiu olhando a caverna.

Mesmo para ele, que não tinha qualquer sentido sobrenatural, o lugar era macabro.

Mas do lado de fora a situação não era boa, aquelas dezenas de esqueletos pareciam estar ali exatamente para impedí-los de entrar.

— Tem que ser você, Crystal. — Malia declarou, derrubando alguns dos esqueletos. — Você conseguiu atingi-la no Nemeton. Você é nossa melhor chance.

— Vamos distraí-los e vocês passam. — Corey gritou, derrubando mais alguns esqueletos. Mason concordou com o namorado, acertando outro esqueleto com seu taco.

Malia jogou alguns para o canto e correu com Crystal, Stiles e Argent para a caverna. Ela tinha acabado de colocar o pé para dentro quando sentiu todo seu corpo entrar em colapso.

Ficava muito mais fraca ali dentro.

— Vão. Eu vou ficar bem. — Ela gesticulou para os outros três, quando notou que Crystal queria voltar por ela.

Stiles e Chris Argent assentiram, Malia voltou alguns passos e continuou lutando ao lado de Corey e Mason.

— Crystal? — Parrish chamou antes que a garota prosseguisse, e ela se virou na direção dele. — Salve a Rachel, por favor.

A Delta concordou, fazendo uma promessa muda, se virando novamente e seguindo até a água de brilho etéreo.

— Com certeza é aí. — Stiles fez uma careta de desgosto.

— Nunca é um lugar legal e amigável... — Chris negou algumas vezes e suspirou, não tinha mais idade para todas aquelas aventuras. — Quando isso acabar eu vou me aposentar de vez, levar a Melissa para umas férias no Havaí...

Crystal estendeu a mão para os dois, sabendo que eles teriam que pular.

— Faz muito bem, Argent. Melissa merece umas férias. — Stiles concordou, pegando a mão da Delta e se lançando no rio de almas.

Os pés dos três tocaram o chão alguns momentos depois. Estavam todos secos e surpresos com os sussurros das almas.

Faz um frio estranho aqui, Crystal esfregou os braços enquanto pensava. Era um local quente, mas ao mesmo tempo seu corpo permanecia arrepiado.

Seus olhos ainda estavam nas centenas de luzes brilhantes que formavam o rio, quando ouviu Chris Argent engatilhando sua arma.

Notou que tinha se distraído, e por isso não percebera que haviam três homens e duas mulheres ali... Eram pálidos, de olhos escuros e pupilas em risco como gatos. Usam roupas velhas e rasgadas, como se estivessem ali há muito tempo.

— Olha só, acho que temos visitas... — Um deles sorriu, exibindo presas pontiagudas em sorriso perfeitamente branco.

— Malvina não está muito disposta a receber visitas hoje. — Uma das mulheres declarou, emitindo um chiado quase felino, mostrando as presas e fazendo com que veias pretas aparecessem em seu rosto.

Não houve dúvidas que estavam ali para guardar a passagem.

— São vampiros. — Chris reconheceu as criaturas por suas presas afiadas.

Puxou o gatilho sem precisar pensar muito, balas de prata costumavam matar vampiros, Argent sabia disso pois já caçara alguns, no entanto, quando os tiros atingiram o primeiro deles, nada aconteceu...

— Vampiros mortos, você quer dizer. — Stiles resmungou, matando a charada rapidamente. Se não estavam vivos, não podiam morrer de novo.

Ele pegou a arma que Argent lhe dera e fez a mira, atingindo um tiro certeiro no joelho do que estava mais perto. Aquilo não deteria a criatura, mas certamente a atrasaria um pouco.

Chris olhou do Vampiro para Stiles três vezes, antes de realmente acreditar no que tinha acabado de acontecer.

— O quê? Eu treinei. Sou quase um agente do FBI agora. — Stiles deu de ombros como se não fosse nada demais.

Preferiu omitir o fato de que tinha demorado pelo menos uma semana para apenas segurar a arma corretamente, quem dirá para acertar o primeiro tiro... Mas o importante é que finalmente podia ajudar os amigos com algo mais que um taco de basebol.

Chris não teve tempo de dizer nada, um dos Vampiros veio pra cima dele e os dois entraram em uma luta corporal.

Crystal tentou usar a pulseira em outro, mas as criaturas eram rápidas demais. Stiles também não estava muito melhor, logo ficaria sem munição...

Chris Argent soube que perderiam se ficassem, e nesse caso Scott e os outros estariam mortos antes do fim da noite. Ele respirou fundo, antes de tomar uma decisão que sabia que era estúpida, mas que ao menos daria uma chance aos outros dois.

Tirou um pequeno dispositivo preso em seu cinto e o jogou no chão, fazendo uma nuvem de fumaça se espalhar pelo lugar, isso desnorteou os Vampiros por um momento.

— Vão, eu cuido deles! — Argent gritou para Stiles e Crystal.

Sentiu que a garota estava pronta para retrucar, mas não tinham tempo para discutir aquela decisão. Eles precisam de tempo e Chris sabia que podia ganhar algum.

— Vão! — Gritou novamente e Stiles saiu puxando Crystal.

Assim que os dois jovens sumiram da vista de Argent, perdidos na fumaça, ele preparou suas armas. Podia cair, mas cairia lutando.

Por alguns segundos tudo que se podia ouvir eram os tiros, apenas faíscas acesas em meio fumaça que se dissipava, e então houve silêncio. Por um breve instante Argent pensou que tinha vencido, mas logo em seguida seu corpo foi jogado no chão e havia um Vampiro prestes a fincar os dentes em sua jugular.

Chris tentou lutar, mas mesmo sem o ferimento no peito aquela criatura era muito mais forte. Estava se esforçando ao máximo para manter as presas pontiagudas longe de si, quando notou que as almas flutuando ali em cima estavam agitadas.

Foi nesse momento que algo cruzou o ar, a princípio Argent pensou que fosse uma bala, mas assim que a "coisa" atingiu a cabeça do Vampiro e o fez virar pó, o ex-caçador viu que se tratava de uma flecha negra.

A próxima coisa que viu foram os cabelos escuros surgindo de entre a fumaça e então um sorriso totalmente conhecido se abriu para ele.

— Allison? — Chris Argent mal podia acreditar nos próprios olhos, piscou algumas vezes, pensando estar vendo coisas.

Sua filha estava bem ali na sua frente. Devia ser uma ilusão, alguma magia ou mesmo uma das criaturas estranhas que Scott tinha enfrentado.

— Oi, pai. — Ela disse mantendo seu sorriso, enquanto prepara outra flecha e atingia o próximo Vampiro certeiramente.

Chris não entendia como ou porquê, mas naquele momento não importou, ele simplesmente soube que não era uma ilusão ou um Espectro, aquela era realmente sua filha, Allison Argent...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Já dentro da segunda parte da caverna, a primeira coisa que Stiles e Crystal viram foi Lydia, deitada em um altar de pedra, sangrando por vários cortes finos.

— Lydia! — Stiles correu até ela, sentindo o desespero correr rápido por suas veias.

A ruiva estava desacordada, o rosto pálido indicando a grande perda de sangue. Stiles teve que chamá-la diversas vezes, antes que a jovem finalmente abrisse os olhos.

— Você veio... — Ela sorriu assim que viu Stiles ali, mas sua voz era fraca e rouca. — Você sempre vem...

— Sempre. — Stiles concordou, tentando sem sucesso se livrar das cordas mágicas que prendiam Lydia.

— Malvina entrou lá... É o inferno. — A ruiva se esforçou para falar o que era mais urgente. — Ela vai recuperar o corpo dela.

Crystal e Stiles se entreolharam e então a jovem baixou os olhos para Lydia e em seguida os levou para entrada flamejante que se iniciava na boca de um monstro.

— Eu acho que é comigo agora. — Ela suspirou, sabendo que mesmo que Stiles fosse rápido o bastante para soltar Lydia, ele tinha que voltar com a namorada, ela precisava de cuidados médicos.

Stiles também entendeu isso e assentiu para Crystal quando ela deu um passo em direção ao crânio.

— Boa sorte. — Desejou, tentando disfarçar a tensão em sua voz.

Em todo aquele tempo lutando contra o sobrenatural eles sempre haviam vencido, porque estavam juntos. Ver Crystal descendo para o inferno sozinha era contra tudo em que ele e Scott acreditavam.

— Crystal? — Lydia chamou forçando sua voz e a Delta se virou. — Se você for, você não vai voltar. Você vai morrer lá.

Era um pressentimento que sobrepujava toda a confusão em que seus poderes estavam naquele momento. A Banshee sabia com toda a certeza, assim como soube da morte de Allison...

— Isso vai salvar os outros? — Crystal perguntou olhando o fogo e então baixando os olhos para Lydia. — Isso vai salvar o Derek?

A ruiva assentiu muito devagar, sabia que todos os amigos estavam em risco, mas a certeza na morte de Crystal fazia todos os outros pressentimentos sumirem como fumaça ao vento.

— Então eu tenho que tentar. — Crystal declarou, respirando fundo e entrando na boca aberta...

Deu alguns passos e então todo o resto atrás de si desapareceu, como se estivesse em um local fora do espaço e tempo.

Havia fogo por todo lado ali, mas ao mesmo tempo era um local estranhamente frio, como se estivesse andando entre a neve. Podia ouvir o choro e os gritos vindos de todo o lado, lamentos de aflição e risadas maléficas se misturavam e davam àquele ambiente um clima mórbido.

Crystal notou que seus pés afundavam alguns centímetros no chão, como se tudo ali estivesse coberto de água, mas uma água escura e lodosa. Era um lugar terrível, não chegava nem perto do que a jovem tinha imaginado que seria o inferno. Era frio, triste, fétido e principalmente assustador.

As chamas trêmulas faziam sombras fantasmagóricas dançarem por toda a parte, mas não iluminavam o ambiente de fato, era como se apenas as características ruins reinassem ali.

Continuou caminhando sem saber ao certo para onde, o inferno era um labirinto sem fim de chamas e lodo. Em certo ponto teve a ideia de tentar achar o caminho da mesma forma que tinha feito na mente de Derek, por isso fechou os olhos e respirou fundo, os abrindo em fúcsia brilhante...

Foi a pior coisa que podia ter feito, porque só assim viu que tipo de lugar o inferno era realmente. Deu um grito e um pulo para trás, quando notou que a água a seus pés estava cheia de cobras, insetos cobriam as paredes e tetos e as sombras causadas pelas chamas eram na verdade vultos negros com feições horripilantes.

Crystal quase desistiu e correu dali, não sabendo se era melhor não ver tudo aquilo, ou manter os olhos acesos para ver. Já estava dando alguns passos para trás, quando o som de um resmungo ecoou pelo lugar. A jovem reconheceu uma voz feminina e correu naquela direção.

Logo encontrou Rachel jogada no chão, deitada em um platô de pedra, que nada mais era do que um círculo com a estrela invertida dentro.

A Delta se aproximou em passos rápidos, notando que a garota parecia confusa e não tinha mais os olhos vermelho-sangue.

— Rachel? — Chamou, suspirando de alivio quando a morena ergueu a cabeça em sua direção. — Tudo bem, eu sou uma amiga...

Subiu no platô com cautela e se abaixou ao lado de Rachel.

— Eu sei... — A moça respondeu movendo a cabeça e piscando algumas vezes, estreitando as sobrancelhas como se ela própria não acreditasse no que estava prestes a dizer. — Eu te vi, pelos olhos da Malvina.

Tinha visto tudo, cada segundo das maldades da Bruxa, era como estar presa no próprio corpo, sentada no banco do passageiro enquanto o motorista cometia atrocidades com suas mãos.

Rachel tinha lutado cada segundo, mas Malvina era forte, não havia uma escapatória... Em certo ponto a doutora pensou que a melhor estratégia fosse combater o inimigo encontrando um ponto fraco e tentou ir mais fundo na mente da Bruxa.

Não fora rápida o bastante, Malvina tinha recuperado o próprio corpo com um feitiço feito ali no inferno, então deixou a doutora para trás, como se ela fosse nada além de um pedaço de lixo.

Tudo que Rachel tinha conseguido foram impressões rasas sobre Malvina, a mente da criatura era um lugar negro, cheio de mágoa e ódio...

— Onde ela está? — Crystal perguntou com urgência, segurando os ombros de Rachel.

— Ela recuperou o próprio corpo. — A doutora respondeu, apontando a direção para onde a bruxa tinha seguido.

E enquanto olhava nos olhos verdes de Crystal teve o vislumbre de algo que podia ser importante.

— Eu te vi na mente dela... — Declarou, ainda tentando entender tudo que tinha visto e experimentado. — Tem algo sobre você que a faz se sentir ameaçada.

Ambas as jovens não eram capazes de entender plenamente tudo que aquilo significava, mas Crystal conseguia ver que talvez houvesse uma chance.

— Volte por esse caminho, você vai achar a Lydia e o Stiles, vá com eles, encontrem o Chris e saiam da caverna. — Crystal apontou a direção. — Parrish está lá fora esperando por você.

Rachel assentiu, se lembrava perfeitamente do olhar no rosto de Jordan quando a viu na floresta, podia ver a preocupação dele em cada momento em que estivera no corpo de Malvina.

E mesmo com tudo que tinha acontecido até ali, mesmo tendo sido sequestrada por bruxos, mesmo que seu corpo tivesse sido possuído por um ser maligno... Rachel soube que tinha valido a pena vir atrás de Jordan Parrish.

Ele valia a pena.

Crystal a ajudou a se levantar e ambas começaram a caminhar em direções opostas.

— Rachel? — A Delta chamou, fazendo com que a doutora se virasse. — Se eu demorar demais, diga pra o Parrish fechar a caverna, talvez seja o único jeito de parar a Malvina...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Na cidade as coisas não iam bem, os esqueletos macabros destruíam tudo e aterrorizavam a população. Eram frágeis, mas eram rápidos, não sentiam dor e eram muitos, quase como baratas saindo do bueiro.

— Eles continuam vindo e vindo, eles não param! — Xerife Stilinski gritou por cima dos ombros.

Ele liderava a defesa, Derek e Scott estavam a seu lado, porém mal conseguiam se manter de pé. A população estava em pânico, mas tentava se permanecer unida.

Não era para os lobisomens estarem lutando, mas é claro que Derek, Scott, Liam e Theo eram teimosos demais para ouvir as recomendações de Melissa e ficarem deitados, enquanto a cidade gritava do lado de fora.

Se morressem aquela noite, então morreriam lutando...

O xerife gritou algumas ordens para o seu batalhão, os tiros ecoavam pelo ar e se misturavam aos gritos das caveiras, era como o próprio caos. Aquelas criaturas não tinham objetivo, desejavam apenas destruição.

Eles tentavam proteger o hospital naquele instante, lugar onde o Xerife e Melissa haviam colocado todas as crianças e pessoas que não podia lutar. Melissa ficara responsável pelo interior do local, havia dois lobisomens da quase extinta alcateia de Satomi a beira da morte lá dentro.

No céu a Lua era apenas um filete de luz. Derek usava toda sua força pra se manter de pé, de modo que preferiu usar uma arma do que os poderes, tinha que poupar o máximo de energia.

Sabia que Crystal conseguiria, mas não tinha tanta certeza que ele estaria ali para ver...

A situação de Scott era um pouco pior, a cada segundo ele tinha que usar a bombinha, Melissa havia usado adrenalina nele depois de muita insistência e ele sabia que só estava de pé por isso.

Odiava estar ali enquanto os amigos se arriscavam em um confronto com Malvina, estava preocupado com todos, mas era Malia que realmente fazia seu coração apertar.

Devia ter dito o quanto a amava e o quanto tinha sorte de tê-la, devia ter aproveitado cada oportunidade de dizer o quanto ela era forte e extraordinária... Devia ter ido para Paris com ela e aproveitado cada segundo. Não podia perdê-la...

Olhou ao redor e notou o quão crítica era a situação, os habitantes de Beacon Hills estavam lutando com todas as forças, os policiais estavam fazendo um serviço heroico, mas aquilo não era o bastante contra um exército de esqueletos que não sentiam dor, muitas daquelas criaturas continuavam avançando mesmo com ossos faltando.

Liam e Theo lutavam lado a lado usando bastões de lacrosse como armas, todavia a situação dos dois não era melhor que a dos outros, ambos sabiam que logo um deles desfaleceria e mesmo assim não desistiam.

— Hey! Parece que dessa vez a gente está ferrado mesmo, tem certeza que não quer me dizer nada? — Liam tentou amenizar o clima mórbido que pairava sobre eles.

Theo atingiu a cabeça de um esqueleto e deve que parar um instante para ofegar.

— A gente já se ferrou um monte de vezes e deu tudo certo. — Ele retrucou, tentando manter o tom despreocupado. — A Crystal vai dar um jeito.

Confiava em Crystal mais do que já tinha confiado em qualquer pessoa, e ao mesmo tempo odiava não ter ido com ela.

— Mas você pode dizer se quiser. — Theo teve que encostar em uma árvore para controlar uma crise de tosse.

— Depois de você... — Liam escorregou ao lado dele, incapaz de continuar de pé.

Eles se encaram por alguns momentos, mas nenhum deles disse, e nem precisaram, seus olhos um no outro e suas mão entrelaçadas diziam tudo que era importante saber...

Alguns metros dali a situação de Derek e Scott tinha piorado depressa.

Derek estava no chão, o corpo convulsionando em uma crise de tose que o fazia pensar que colocaria os próprios pulmões para fora a qualquer momento. Xerife Stilinski fazia o melhor para lhe dar cobertura.

Scott havia se afastado do grupo um pouco e esse foi seu grande erro, caiu ao lado de alguns carros e sentia sua vista nublada.

Um dos esqueletos vinha em sua direção, usava um dos ossos quebrados de seus companheiros como arma, Scott tentou se levantar do chão, mas não teve forçar nas pernas pra isso.

Ergueu as mãos para o alto, se preparando para um golpe que de fato nunca veio...

Um relâmpago cortou o ar e o crânio do esqueleto rachou no meio, fazendo os ossos restantes desabarem no chão.

Scott teve que piscar alguns vezes pra que sua vista voltasse ao normal e ele pudesse reconhecer a pessoa que caminhava em sua direção.

Ele estranhou as roupas indígenas, mas logo reconheceu os olhos negros e o sorriso ameno.

— Kira! — Sorriu também, assim que sua ex-namorada Kitsune lhe estendeu a mão.

— A mensagem do Stiles dizia que vocês estavam encrencados. Pela primeira vez ele não exagerou. — A garota puxou o Alfa Genuíno do chão e olhou ao redor, tinha aquele humor leve e inocente de sempre.

— Obrigada por vir. — Scott a abraçou saudoso.

— Eu trouxe reforços. — Kira apontou e o rapaz ouviu o grito de guerra indígena cortar o ar, dezenas de Skinwalkers se espalharam por Beacon Hills usando suas lanças com destreza e equilibrando a batalha.

Pela primeira vez naquela noite Scott respirou aliviado, talvez eles tivessem uma chance de vencer afinal...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Stiles já havia tentado de tudo para soltar Lydia, mas as cordas mágicas pareciam impossíveis de partir, e a cada segundo ele sentia que estava ficando sem tempo.

Olhou ao redor procurando uma faca ou algo assim, mas não havia nada ali, só uma caverna fria e um crânio gigante de um animal que mais parecia um ser mitológico.

Stiles teve uma ideia que era como todas as suas outras, ousada e um tanto maluca, correu até o crânio e se pendurou em um dos caninos que devia ter o tamanho de seu braço. Balançou de um lado para o outro, até que a presa se desprendeu da arcada dentaria e então correu de volta para Lydia com aquele enorme dente na mão.

Atingiu a corda com a ponta afiava e notou que faíscas voaram para todo o lado, teve que fazer esse mesmo movimento mais de dez vezes, mas enfim as cordas mágicas se partiram e ele conseguiu desamarrar Lydia.

Estava tirando a namorada do altar de pedra quando Rachel saiu de dentro da boca em chamas. Stiles ergueu a arma rapidamente e a morena levantou as duas mãos.

— Eu não sou a Malvina, sou a Rachel. — Ela esclareceu rapidamente e Stiles deixou os ombros caírem depois de um longo suspiro.

— Graças a Deus! — Ele exclamou, secretamente aliviado por não ter dado de cara com a Bruxa. — Prazer, eu sou o Stiles.

Ele acenou depois de abaixar a arma e Rachel fez o mesmo.

— Ela pegou o corpo de volta, não é? — Lydia sequer estava surpresa com aquele fato.

— Crystal foi atrás dela. — Rachel explicou depois de assentir.

— Precisamos sair daqui, Lydia precisa de um médico. Depois eu posso voltar com o Argent — Stiles decidiu, amparando a namorada. — Consegue andar, Rachel?

A doutora concordou e se aproximando do casal, ajudando Stiles a amparar a garota ruiva.

— Não se preocupe, eu já fui possuído por um ser maligno também, no fim deu tudo certo. — Stiles comentou, enquanto andavam para a saída.

Rachel se surpreendeu que em Beacon Hills algo totalmente bizarro fosse tão corriqueiro.

Essa cidade é muito estranha... disse pra si mesma, acho que gosto daqui.

Quando os três finalmente deixaram a câmara em que estavam e voltaram para o amplo ambiente em que as almas flutuavam, a primeira coisa que viram foram as cinzas de vampiro no chão. Chris Argent certamente dera um jeito de lidar com as criaturas, no entanto ele não estava sozinho... Havia uma garota morena presa em seu abraço.

— Allison? — Lydia poderia reconhecer aquele cabelo sedoso em qualquer lugar.

— Oi, Lydia... — Allison acenou para a melhor amiga, que se afastou dos braços de Stiles para se aproximar.

— Como? — A ruiva perguntou, abraçando a morena e sentindo a pele fria, mas não se importando com isso.

Allison olhou para o pai por alguns segundos, logo depois de também abraçar Stiles, tinha sentido falta dos amigos, mesmo que os observasse de longe todo aquele tempo.

Chris tinha os olhos marejados, mas um sorriso enorme no rosto, não havia se preocupado em fazer perguntas ainda, tudo que quis foi abraçar a filha apertado, sem se preocupar com lógica ou respostas naquele momento.

— É o rio. — Allison apontou as almas que flutuavam acima deles. — É para almas com assuntos inacabados e eu tinha um...

Ela sorriu para o pai, havia morrido nos braços de Scott, mas nunca tinha terminado de dizer o que o Alfa devia falar para Chris Argent.

— Eu nunca disse adeus. — Ela encolheu os ombros.

Podia ter partido se quisesse, era um assunto pequeno que não a prendia ali de fato, pessoas já haviam encontrado a paz com mais pendências que aquela, mas Allison não quis ir, não sem saber que o pai ficaria bem.

— Agora você pode voltar com a gente, não é? — Chris segurou o braço da filha, esperançoso que enfim algo realmente bom acontecesse.

Allison acariciou a mão de seu pai e seu sorrio se encheu de tristeza, era difícil estar ali em sua forma corpórea, mas quando o viu descer o rio das almas soube que tinha que aproveitar aquela oportunidade. Talvez não houvesse outra.

— Você sabe que não. — Ela negou algumas vezes e sentiu a tristeza deles. — Fora dos limites do rio eu não tenho um corpo...

Allison existia ali e apenas ali, fora daquela caverna escondida abaixo do rio das almas, seria apenas uma fagulha sem forma, as almas podiam vagar pela terra e constantemente faziam isso, mesmo Allison tinha feito algumas vezes, mas era custoso e até doloroso, não era o curso natural das coisas.

Decidir ficar era uma escolha pouco usual daqueles que podiam seguir para a luz, apenas as almas que sabiam que seriam puxadas pelas trevas é que se agarravam a oportunidade de permanecer no rio. E mesmo assim nem sempre conseguiam.

Era um lugar neutro, o limbo entre o paraíso e o inferno e Allison estava pronta para partir definitivamente.

— Eu preciso seguir em frente. — Ela declarou abraçando o pai. — Eu só queria dizer que estou orgulhosa de você e eu te amo.

Aquilo era tudo que ela queria, a oportunidade de dizer adeus, de pedir que ele não ficasse triste e que seguisse em frente. Mas teve muito mais que isso, durante aquele tempo pode ver o pai honrar o lema que ela tinha lhe ensinado. Pode vê-lo se apaixonar novamente e ser feliz.

Sabia que Chris Argent ficaria bem, sabia que todos eles ficariam. E se tivesse que escolher morrer pelos amigos novamente, escolheria com orgulho, não se arrependia de nada.

— Eu te amo também, Allison. Sempre vou amar. — Chris tentou ser forte, mas foi incapaz de impedir as lágrimas. — Eu sinto sua falta.

— Eu sempre vou estar com você, pai. — A garota sorriu.

Abraçou os amigos novamente, principalmente Lydia e se afastou alguns passos.

Foi nesse momento que a pedra entre as duas cavernas se fechou. Stiles tentou abrir o lugar novamente. Mesmo Lydia tentou usar seu sangue, mas sem a magia de Malvina aquilo era inútil. Eles não podiam voltar para ajudar Crystal.

— Tem outra saída de lá, não é? — Lydia perguntou a Allison.

— Eu não sei, nunca me atrevi a passar daqui. — A morena respondeu negando algumas vezes.

— Crystal vai achar um jeito. Ela é esperta. — Stiles tentou tranquilizar a todos, mas a verdade é que nenhum deles sabia o que aconteceria a seguir.

— Stiles? Lydia? Vocês estão aí? — A voz de Malia soou acima do rio. — Vocês precisam voltar agora. Parrish está ficando sem forças!

— Vocês precisam ir, se a porta de cima se fechar seus corpos ficarão presos aqui, entre o mundo dos vivos e dos mortos. — Allison alertou, dando um último abraço neles.

— E como subimos? — Rachel olhou a grande distância que os separava da superfície.

Allison fez um gesto e o grupo foi envolvido por uma dezena de almas, que os fizeram flutuar rio acima. Pairaram sobre a água etérea por alguns segundos e então estavam na superfície.

Allison observou cada um deles deixar a caverna e serem acolhidos do lado de fora. Ela ficou observando de dentro do rio, já que não podia sair de seus limites.

— Adeus, pai. — Acenou para Chris e ele sorriu, triste, mas agradecido por poder ver a filha nem que fosse uma última vez.

Logo ele se virou, para ajudar Stiles a levar Lydia para o carro. A luta ali na superfície tinha sido dura, mas os esqueletos que não tinham decido para a cidade foram destruídos por Mason, Corey e Malia.

A coiote ainda estava na porta da caverna e parou ao ver figura de Allison, nunca a tinha visto pessoalmente, era uma garota bonita com cabelos negros e um sorriso de covinhas.

— Você deve ser a Malia. — Allison acenou. — Eu me lembro quando o Scott te salvou. Você pode dizer uma coisa pra ele?

Malia já tinha ouvido sobre Isaac e Allison estarem na floresta aquele dia, mas não se lembrava de mais que um relance deles. Assentiu para Allison, sabendo que Scott daria tudo para estar ali naquele momento.

— Diga que eu estou feliz por ele, ele fez uma boa escolha. — A morena sorriu. Tinha visto Scott algumas vezes naquele tempo, viu o amor dele e de Malia nascer e ficou contente de vê-lo seguir em frente, Scott McCall merecia tudo de melhor.

Malia sorriu de volta enquanto assentia, ilustrando que transmitiria o recado. E então Allison não estava mais lá, ela tinha sumido no ar, mas não havia voltado para o rio, ela tinha seguido em frente. Estava em um lugar melhor. Ela estava em paz.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Quanto mais para dentro do inferno Crystal Green caminhava mais frio e escuro ficava, era o tipo de frio que queimava. Ela seguia uma voz feminina que entoava versos em um idioma desconhecido.

Não foi difícil achar Malvina depois disso, ou melhor, Crystal deduziu que aquela fosse a Bruxa, uma mulher de estatura mediana, vestida de couro negro e com longos cabelos vermelho escuro. Estava de costas, os braços erguidos para um grande buraco na escuridão, onde Crystal podia ver sombras se movendo, se erguendo da água lodosa...

— Seus amigos não têm muito tempo agora, sabia? — A Bruxa declarou assim que notou a aproximação da Delta. Nada surpresa da garota estar ali. — Em alguns momentos o eclipse estará completo e a terra será engolida pela escuridão para sempre.... e eu vou reinar.

Malvina finalmente se virou e Crystal pode ver seu rosto. Era jovem, muito bonita, mas tinha um quê de agressivo em sua beleza, talvez fosse a maquiagem forte ou talvez apenas os olhos vermelho-sangue. Ou talvez fosse a aura maligna que ela emanava a cada mínimo movimento.

— O resto do meu exército está vindo das profundezas do inferno, você não tem chances contra mim. — A Bruxa apontou o vazio, de onde ela estava invocando as criaturas.

Eram centenas, talvez milhares de sombras se formando, criaturas de todos os tipos, Crystal soube que não podia deixar que Malvina terminasse aquele feitiço.

— Você não vai vencer, Parrish vai fechar a porta e você vai ficar presa aqui outra vez. — A Delta declarou, preparando sua pulseira.

Malvina tombou a cabeça para o lado e então riu.

— Criança tola. — Ela negou algumas vezes. — Não é assim que funciona, querida, eu precisava do Hellhound para abrir a porta e precisava do sangue da Banshee para trazer o inferno para essa dimensão, agora que isso está feito não importa mais. Não existe mais nada que pode me prender aqui. E sim, eu disse para o Hellhound que ele precisava ficar segurando aquela pedra pesada, mas era apenas uma mentira para mantê-lo ocupado.

Ela foi caminhando conforme falava, rodeando Crystal lentamente assim como um felino cerca sua presa.

A jovem Delta tentou raciocinar depressa, se fechar a porta não servia, então ela realmente precisava pensar em um modo de derrotar Malvina.

A pulseira desenrolou de seu pulso e seguiu brilhante em direção a inimiga, mas Malvina segurou a corrente no ar sem dificuldades e com um só movimento firme, puxou Crystal para perto de si...

Seus olhos vermelho-sangue focaram na jovem por alguns segundos e então ela segurou o rosto de Crystal com a mão livre, puxando a Delta de encontro a seus lábios.

A intenção era fazer com Crystal o mesmo que tinha feito com Bradley, sugar a vida a força da jovem para fortalecer a si mesma. Era um tipo poderoso de feitiço que tornaria a Bruxa dona de todo o poder da Delta, assim como lhe daria acesso a todos os pensamentos da jovem...

Mas Malvina não esperava que aquela decisão fosse uma via de mão dupla, quando conseguiu ver dentro da mente de Crystal, a Delta também foi capaz de ver dentro da sua...

Crystal não entendeu o que estava aconteceu de imediato, mas ao mergulhar nas lembranças de Malvina ela encontrou todas as respostas, até mesmo para as perguntas que ainda não tinha feito.

A primeira coisa que viu foi que Malvina e a irmã, Celeste, não eram apenas gêmeas, elas eram conectadas, uma conexão tão forte que tinham acesso aos pensamentos uma da outra.

Viu todo o rancor de Malvina, a dor de ter sido abandonada, trocada por um lobisomem. Caleb não era apenas inferior para Malvina, ele era filho de um assassino, e isso era algo que a Bruxa jamais perdoaria.

Crystal também viu Celeste, ela e a irmã tinham a mesma aparência, exceto pelos cabelos, os de Celeste eram castanhos escuros, bem diferentes dos de Malvina. Os olhos também eram castanhos, mas naquela época Malvina também não tinha os olhos vermelho-sangue.

As duas irmãs lutaram aos pés do Nemeton e morreram juntas. Mas Malvina havia sido puxada para o inferno e Celeste seguira para a luz.

Todavia isso não foi apenas o que Crystal viu, a lembrança mais importante era algo que Malvina guardava no fundo da mente, algo que explicava muito sobre o que estava acontecendo naquele exato momento...

A lembrança não era de Malvina, era de Celeste, algo que Malvina tinha visto através dos olhos da irmã, momentos antes da luta final.

Celeste e Caleb tiveram uma filha, uma doce garotinha de fios dourados, que foi amada desde o primeiro instante. Celeste presenteou a menina com a corrente dourada que usava no próprio pescoço naquele dia, algo que ela enrolou no pulso da menina e encantou para que a protegesse sempre, a ela e a todos que tivessem seu sangue.

Crystal conhecia aquela corrente muito bem, era a pulseira que tinha herdado da própria mãe. E todas as respostas vieram com as palavras finais de Celeste para Caleb:

"A mágica vinda de mim vai sobrepujar todos os traços de licantropia nela, mas ela sempre vai estar conectada a um lobisomem, assim como você e eu estamos conectados um ao outro por nosso amor. Esse é o meu legado para esse mundo... A luz que vai iluminar a terra se a escuridão voltar. Ela vai se chamar Luna Riven."

Malvina e Crystal se separaram naquele momento, quando a Bruxa viu que a jovem tinha conseguido acesso a sua mente.

Cada uma delas foi para um lado, enquanto Crystal processava tudo que tinha descrito.

Riven era o sobrenome da família materna de Crystal, uma família que segundo as lendas sempre tivera as Deltas mais poderosas.

Então era isso, a origem da lenda, o porquê Deltas e Alfas estavam destinados a se encontrar a se conectar... O motivo de Crystal ser capaz de ver os pensamentos de Malvina e de resistir a magia melhor que outras criaturas.

— Eu sou uma bruxa! — Ela declarou incrédula. Tinha dito aquilo tantas vezes desde que chegara me Beacon Hills, mas nunca foi tão verdadeiro quanto naquele momento. — Sou descendente direta de Celeste.

Malvina não gostou de ter aquele segredo revelado, viu a fagulha de magia na garota assim que colocou os olhos nela, a mesma fagulha de magia que Rosalyn Riven tinha sacrificado um dia para salvar a cidade...

— Você tem um fragmento minúsculo de magia no seu sangue imundo. Não ache por um segundo que você é como eu! — Malvina declarou, parecendo irritada pela primeira vez.

No entanto Crystal não se abalou, sabia o que tinha visto, sabia o que sentia dentro de si mesma naquele momento.

— Não. Eu não sou como você.... Eu sou melhor. — Seus olhos brilharam no tom vivo de fúcsia. — Eu sou anos e anos de evolução e você é passado!

Crystal lançou a corrente de volta em Malvina, mas a bruxa revidou com um ataque que era pura magia negra. A pulseira então voltou para a sua dona, no mesmo momento em que a Delta colocava as mãos para cima por impulso, ela não esperava o brilho luminoso e dourado que saiu de suas palmas, não esperava toda a luz que tinha dentro de si.

Quando as duas magias se encontraram no ar tudo ao redor começou a se desfazer, era como se o próprio chão sob os pés delas estivesse ruindo.

A água começava a vir de todos os lados, quase como se ali fosse a nascente de um rio. Crystal fechou os olhos colocando toda sua concentração no que fazia, pensou em Celeste e no que ela tinha dito "Esse é o meu legado para o mundo... A luz que vai iluminar a terra se a escuridão voltar".

Tinha que vencer, era a única forma de salvar Derek.

Ao pensar em seu Alfa a luz que saía de si ficou mais forte, mais viva. Os dois ataques se misturaram no ar causando uma explosão que se espalhou por toda a parte, Malvina foi jogada para um lado enquanto Crystal era jogada para outro...

Malvina se levantou e tentou atacar, mas nada aconteceu. Sua magia não funcionava... Crystal olhou as próprias mãos, mas também não havia mais luz ali, as duas magias tinham se enfrentado e se extinguido.

Crystal era apenas uma Delta comum novamente e Malvina apenas uma bruxa sem magia.

E sem poderes ela não podia manter o inferno ao seu lado...

Malvina sabia o que estava prestes a acontecer, seus olhos assustados diziam isso, mas ela não teve tempo de reagir, as sombras vieram de todos os lados, ao mesmo tempo em que o local desmoronava e a água limpa invadia tudo.

Os gritos de Malvina sendo arrastada pelas sombras foi a última coisa que Crystal Green ouviu antes de ser levada pela correnteza...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

A volta para casa foi silenciosa, havia um sentimento de fracasso pairando entre o grupo. Parrish gostaria de ter aguentado mais, porém sua força se esvaia aos poucos e segurar a pedra por mais um segundo significava ser esmagado por ela.

Quando a entrada da caverna se fechou não havia qualquer felicidade no rosto de ninguém ali. Mesmo que isso pudesse significar que Malvina estava presa lá dentro, Crystal também estava.

Foi ainda pior quando notaram que aquilo não deteve o eclipse...

Já estavam descendo a montanha, depois de procuraram por uma saída alternativa em toda parte e falharem nisso também, quando Malia teve que ser amparada por Chris antes de desmaiar, havia sangue escorrendo de seu nariz. Todos ali pensaram que era o fim, mas não foi...

Naquele exato momento a Lua voltou a brilhar intensa no céu, a sombra negra que a cobria desapareceu totalmente e só havia uma explicação para isso: Crystal tinha vencido, tinha derrotado Malvina, eles sabiam disso. O que tornou o gosto de fracasso ainda maior na boca de cada um deles, porque aquilo significava que haviam deixado uma amiga para trás.

Tinham deixado Crystal presa no inferno...

Quando chegaram na cidade o clima era de festa, quando o eclipse se foi todos ali pensaram que era um sinal de vitória.

Assim que o carro parou, Scott já estava ao lado do veículo esperando Malia. Ela nem bem tinha colocado os pés pra fora quando ele a abraçou e a beijou apaixonadamente.

— Eu te amo. — Ele disse com um sorriso brilhante, sentindo o alívio se espalhar por seu corpo.

E então Kira se juntou a eles, sorridente e alegre, falando da batalha, enquanto Scott ainda segurava a mão de Malia como se nada tivesse mudado. Mesmo com Kira ali.

E foi desse jeito que a Coiote entendeu que ela não era um tapa buraco, ela não era a segunda escolha, ela era a única.

Derek saiu de dentro do hospital naquele momento, seus poderes recuperados graças ao fim do eclipse, ele nunca tinha duvidado de Crystal, ele sabia que ela venceria e naquele momento só queria abraçá-la e levá-la para casa. Mas ela não estava ali.

— Onde ela está? — Ele perguntou para o grupo que era atendido por Melissa ali mesmo na área externa.

Viu a resposta no rosto de cada um deles, mas não conseguiu acreditar.

— Sinto muito... — Stiles foi o primeiro a dizer e Derek sentiu que o chão sob seus pés estava desabando.

— Como? — Ele tentou manter o controle, tentou não desmoronar ali mesmo. — Onde... Onde está o corpo?

— Não sabemos. Tinha uma caverna e... — Mason tentou explicar, mas foi interrompido por Parrish.

— Foi minha culpa, eu devia ter aguentado mais. — O policial deixou seus ombros caírem, mas mesmo naquele momento de transtorno Derek pode ver que não era culpa dele.

Os grandes hematomas nos braços do Hellhound eram prova o bastante.

— Mesmo assim a segunda porta também estava fechada... mesmo que Parrish tivesse conseguido Crystal já estava presa. — Chris Argent lamentou. — Mas ela venceu Malvina, o eclipse não teria acabado se não tivesse vencido.

— Eu realmente sinto muito, Derek. De verdade. — Malia se aproximou um passo do primo, mas ele se afastou dela.

— Vocês a deixaram para trás?! — Theo tinha ouvido a conversa de longe e cortado a distância até o grupo o mais rápido que suas pernas conseguiam se mover. — Ela salvou todos nós e vocês a abandonaram?!

— Não foi assim, Theo... — Stiles tentou explicar, mas no instante seguinte tinha sido jogado contra o jipe.

— Se não tivesse sido assim ela estaria aqui! — Theo rosnou, seus olhos se acendendo amarelos, evidenciando as lágrimas que ele prendia.

Stiles se preparou para um golpe que não veio, Theo apenas o empurrou uma vez mais contra o jipe e então deu as costas, se afastando dos outros.

Alguém ainda tentou dizer alguma coisa para Derek, mas ele também já tinha dado as costas.

Alfa e Beta caminharam para a casa dos Green com a distância de alguns metros entre eles, ambos perdidos na própria dor e no que perder Crystal significava em suas vidas.

— Devíamos voltar lá, abrir a merda do lugar com uma escavadeira se for preciso. — Theo parou na calçada e enfrentou Derek.

— Eu concordo. — A reação do Alfa o pegou de surpresa. Pensou que Derek diria que era inútil que provavelmente o inferno era algum tipo de outra dimensão e não estava lá de verdade, mas não foi isso que aconteceu. — Se tem qualquer chance, temos que tentar.

Os dois concordaram e continuaram caminhando até a casa, pegariam o carro e partiriam, tentariam de tudo, mas trariam Crystal de volta.

Quando pararam em frente a fachada da casa, notaram que o senhor Bigodes miava desesperadamente do outro lado da rua.

— Bigodes! — Theo chamou o gato, que passou a miar ainda mais alto indo e voltando da floresta.

— Ele quer que a gente o siga.... — Derek deduziu, franzindo as sobrancelhas.

E então o gato sumiu no mato. Parecia idiotice seguir um gato doméstico, mas naquele momento o instinto de Derek dizia que era exatamente o que deviam fazer.

Ele e Theo entravam na floresta, correndo com o Senhor Bigodes até o leito do rio, subindo a encosta por metros e metros até que Derek viu algo que fez seu coração parar de bater por um segundo.

— Crystal! — Ele gritou, assim que reconheceu o corpo desmaiado na margem do rio.

Theo e Derek rodearam a garota, e o Alfa tocou o pescoço dela em busca do pulso.

— Ela não está respirando... — A voz de Derek era puro desespero, quando ele começou a respiração boca a boca. — Crystal por favor volta pra mim.

Mas ela não podia ouvir, não de onde estava...

Quando Crystal abriu os olhos ela não estava mais no inferno, era um lugar bem diferente disso, um grande jardim muito claro e colorido, rodeado por um rio límpido, ela podia ouvir os pássaros cantando ali. A temperatura era amena e agradável e o perfume de rosas era suave.

Não precisou andar muito para notar que tinha alguém lhe observando com um sorriso amoroso.

— Mãe? — Ela deu alguns passos até a mulher loira trajando roupas claras, que lhe recebeu com um abraço maternal e acolhedor. Aquilo não era uma ilusão ou um Espectro, era realmente sua mãe.

Então Crystal finalmente entendeu tudo.

— Eu estou morta, não é? — Supôs e não sabia bem como se sentir sobre aquilo. Eliza Green, ou melhor Rosalyn Riven, assentiu. — Mas eu consegui? Eu derrotei Malvina? Eu salvei meus amigos?

— Sim, você salvou todos eles. — Rosalyn sorriu, acariciando os cabelos da filha. — Estou orgulhosa de você.

Crystal sabia que sua única alternativa era se conformar, estava morta e pelo menos não estava presa no inferno...

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— Papai está aqui? — Ela perguntou, erguendo os olhos para a mãe.

— Todos estão aqui. — Rosalyn respondeu calmamente e então segurou a mão da filha. — Vem, tem alguém que eu quero que você conheça.

Fez com que a jovem caminhasse com ela pelo jardim, e então Crystal começou a reparar em todas as pessoas ali, havia sorrisos leves e uma aura de paz que se espalhava por toda a parte.

Uma mulher morena se aproximou delas e Crystal a reconheceu antes mesmo que sua mãe lhe apresentasse:

— Essa é Talia Hale.

— Você deve ser a Crystal. — A mãe de Derek lhe estendeu a mão e a jovem Delta aceitou o cumprimento.

Não demorou muito para notar que Rosalyn e Talia estavam juntas no pós-vida, o modo como as duas se olhavam não deixava qualquer dúvida.

Ficou feliz por elas, por poderem finalmente viver o amor que tinham negado por tanto tempo. No entanto, uma dúvida antiga surgiu na mente de Crystal.

— O papai sabia? — Perguntou e ambas as mulheres sorriram calmamente.

— Sempre. Seu pai era meu melhor amigo. Eu nunca tive segredos com ele. — Rosalyn respondeu, acariciando o rosto da filha uma vez mais, como se mal pudesse acreditar que ela estava mesmo ali. — Você quer vê-lo?

Crystal sorriu pela primeira vez quando assentiu e Rosalyn a deixou com Talia antes de se afastar.

A jovem deu mais uma olhada no jardim e então notou figuras conhecidas, quer dizer, figuras que conhecia da mente de Derek.

— Aqueles são Boyde e Erica? — Ela apontou o garoto e a garota que conversavam animadamente embaixo de uma árvore.

— São. Eles são da alcateia Hale, eu cuido deles. — Talia respondeu soando orgulhosa de sua alcateia. — Assim como cuido da minha família.

Ela apontou para um lugar a esquerda e Crystal reconheceu alguns outros membros da família de Derek, inclusive a irmã dele, Laura Hale.

Seguiu com o olhar mais para a esquerda e reconheceu mais alguém... Uma pessoa que ela conhecia de fato, só não naquela aparência tão jovem: Peter Hale.

Ele estava com uma jovem de cabelos castanhos e Crystal estavam pronta para chamar seu nome, quando Talia entrou em sua frente.

— Seu lugar não é aqui, Crystal. — Ela colocou as mãos nos ombros da garota. — Eu sei que sua mãe está feliz em te ver, por isso ela não enxerga...

— Mas eu estou morta. — A garota encolheu os ombros, não tinha solução para a morte, certo?

— Mas você não precisa estar, não agora. — Talia puxou Crystal para mais perto do rio. — Meu filho precisa de você. Não o deixe sozinho...

A mãe de Derek tocou a água e então Crystal pôde ver os amigos lá embaixo, assim como pôde ver seu próprio corpo na borda do rio.

Ela também foi capaz de ver seus últimos momentos nas águas cristalinas, Malvina sendo arrastada para o inferno, que sumiu totalmente daquela dimensão. E então seu próprio corpo sendo arrastado pela correnteza, até encontrar uma saída da caverna e ser jogado no rio de Beacon Hills.

Crystal não sabia se havia morrido por causa da magia ou por causa da água, mas naquele momento não importou realmente, afinal Lydia tinha sido bastante clara quanto ao fim da Delta. Se entrasse no inferno, ela morreria e ela de fato morreu...

Estava conformada com isso, mas ver Theo e Derek sofrendo e lutando por sua vida era um sofrimento mais forte do que Crystal podia suportar.

— Crystal, por favor... — Derek pedia e a jovem podia ver o quanto ele estava transtornado.

— Faz a coisa de Alfa! — Theo sugeriu e ele próprio parecia no limite do desespero.

Quando Derek uivou, Crystal sentiu tudo que seu Alfa sentia em seu próprio coração. Ver aquela cena era difícil e muito doloroso.

— Eu não sei como voltar... — Ela negou algumas vezes e voltou os olhos para Talia, como se pedisse ajuda.

— Siga o seu coração, você e Derek sempre estarão conectados. — Ela aconselhou e Crystal assentiu algumas vezes.

Olhou ao redor uma vez mais, e então viu que seu pai se aproximava com sua mãe.

— Você tem que escolher agora, Crystal, seu tempo está acabando. — Talia declarou. Você não pode ter os dois, se ficar mais, nunca vai poder voltar...

Crystal entendeu que se ficasse para dizer adeus aos pais, talvez não conseguisse voltar outra vez. Observou as pessoas no jardim, todas felizes e em paz, parando os olhos em Peter Hale enquanto pensava.

Então suspirou. Sabia exatamente o que tinha que fazer...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Derek não desistiu, ele continuou tentando tudo que conhecia de primeiros socorros, mesmo que não houvesse no corpo de Crystal qualquer sinal de vida.

Theo suspirou, passando as mãos no rosto e encostando a cabeça em uma árvore, sentindo a esperança se esvair de si a cada segundo.

Alfa e Beta pensavam a mesma coisa naquele instante: De que adiantava a vitória, se Crystal não estava lá para desfrutar da calmaria?

E então a batida fraca de um coração ecoou entre eles e Crystal abriu os olhos, jogando o corpo para frente em um sobressalto, ao mesmo tempo que expelia toda a água de seus pulmões.

Mais viva impossível.

— Pensei que tinha te perdido. — Derek declarou, enquanto a ajudava a se acalmar e colocava a jaqueta de couro sobre seu corpo molhado.

— Nunca... — Crystal declarou, tocando o rosto de seu Alfa e então abrindo um sorriso honesto. — Você ainda me deve um pedido apropriado de casamento, lembra?

Riram juntos, antes de se beijarem com desespero, tendo o nascer do sol como testemunha e claro... Theo.

— Aí, pelo amor de Deus, arrumem um quarto! — O garoto resmungou bem-humorado e Crystal se levantou e seguiu em direção a ele.

Jogou os braços ao redor do melhor amigo e o apertou com toda a força.

— Admita que sentiu uma falta. — Ela debochou com uma risadinha. — Você quase chorou por mim.

— Ah, tá! Bem que você queria mesmo... — Theo também riu, afastando a garota de si, como se aquilo fosse uma total bobagem.

Mas não era.

— Sua Delta é louca, Derek. — Ele girou o indicador ao lado da cabeça e Derek não conseguiu reprimir uma risada.

— É a sua melhor amiga, não sei de nada... — O Alfa deu de ombros, observando Crystal pegar o senhor Bigodes no colo.

Os três, junto com o gato gordo que não parecia nada contente de estar em um colo molhado, começaram a caminhar de volta para casa, mas não demorou muito para que encontrassem uma quarta pessoa...

Liam vinha por aquele caminho, preocupado com Theo, ele sabia o quanto Crystal era importante para o rapaz e apenas queria estar lá, para apoiá-lo naquele momento difícil, por isso foi uma surpresa quando deu de cara com a Delta, viva e aparentemente muito bem,

— Crystal? Você está viva! — Ele abriu um sorriso genuíno e recebeu um abraço em retribuição

— Sabe o que dizem, vaso ruim não quebra. — A garota deu de ombros, como se não fosse nada demais, provavelmente contaria sobre o céu para os amigos uma outra hora.

Ainda tinha que esfregar na cara de cada um deles que era mesmo uma bruxa, mas isso podia ficar pra depois, era muita coisa pra digerir em um dia só.

Liam e Theo se encararam por alguns segundos, entãoCrystal e Derek se afastaram um pouco.

— O que você está fazendo aqui? — Theo perguntou para o mais novo.

— Só caminhando... — Liam mentiu, dando de ombros como se não fosse nada demais.

Mas Theo sabia que não era verdade, sabia porque Liam estava ali, eles não precisam de palavras, as ações tinham muito mais significado.

Então Theo apenas deu os três passos que faltava e puxou Liam para perto de si, tomando-lhe os lábios sem se importar com quem estivesse ao redor.

— Quem é que precisa de um quarto agora, hein? — Crystal gritou em deboche depois de alguns momentos.

— Para de ser invejosa, Crystal, isso é feio! — Theo retrucou ao se separar de Liam.

Os três mais novos se envolveram em uma discussão animada que era pura implicância de todas as partes.

Senhor Bigodes pulou do colo de Crystal e passou a andar ao lado de Derek, que tinha os olhos presos em sua Delta. Era como se o sorriso dela pudesse iluminar a cidade inteira.

E só havia uma coisa na cabeça de Derek Hale naquele momento:

Eu realmente vou me casar com essa garota...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Quando abriu os olhos estava em um lugar escuro, apertado e muito frio. Se lembrou do que tinha acontecido e revirou os olhos, soltando um suspiro irônico de desgosto, antes de golpear a porta que lhe prendia ali.

Se arrastou para fora sem muita dificuldade e encarou a própria camisa, ensanguentada e com um grande buraco na frente. Negou algumas vezes, como se estivesse entediado, e então deixou o local.

Tinha acabado de empurrar as portas do necrotério quando deu de cara com Melissa McCall que obviamente levou um susto com sua presença.

— Peter?! — Ela teve que parar com a mão no peito. — Mas você estava...

— Morto? — Peter Hale completou com a voz bem-humorada. — Queria dizer que sou difícil de matar, mas a verdade é que foi aquela Delta abusada que agarrou minha alma no paraíso e me jogou de volta no rio da vida.

— Como é? — Melissa não conseguiu entender absolutamente nada.

Peter não tinha dito nada em sentido figurado, aquilo era exatamente o que Crystal Green havia feito. Quando decidiu voltar, ela desviou de Talia e puxou Peter junto com ela, sem sequer perguntar se aquilo era algo que ele queria ou não, afinal não havia tempo para conversa.

— Pai? — A voz de Malia veio do fim do corredor.

Ela não pensou muito antes de atravessar a distância e abraçar Peter, aquilo definitivamente não era algo usual da garota, mas não era todo dia que alguém tinha a oportunidade de ver um ente querido voltar dos mortos.

Malia queria isso para sua mãe e irmã adotivas e nunca conseguiu... E então o pai biológico morreu em seus braços e ela lamentou todo o tempo que tinha perdido.

E foi naquele momento que Peter Hale percebeu que, com permissão ou não, Crystal Green tinha feito a coisa certa...

Ele estava feliz por estar de volta.

Notas finais
Eu literalmente deixei o melhor para o final kkkkk Olha foi difícil passar comentários da morte do Peter e não soltar nenhum spoiler sobre a morte dele kkkkkkk Espero que tenha gostado do fim da Malvina, das revelações sobre a linhagem da Crystal e das aparições especiais. Esse podia ser facilmente um último capitulo, mas eu acho que a gente merece ver esse povo feliz, além disso temos um evento muito importante no próximo, participações pra lá de especiais que eu sei que vocês estão esperando pra ver por aqui. Então sábado que vem daremos um salto de um ano no tempo, preparem suas melhores roupas porque vocês são as convidadas de honra para o evento mais fofo e romântico de Beacon Hills! Nos vemos em breve. Beijos e até o último capitulo.