Notas iniciais
Ai gente, parece é isso, chegamos ao derradeiro capitulo de Running with the Wolves... Eu estou triste e muito emocionada, mas vou deixar tudo isso pro final. Por agora, eu só quero indicar a fofíssima "Thinking out Loud" de trilha para esse capitulo, principalmente lá no finalzinho e dizer que algumas peças que eu descrevo durante a leitura terão imagem disponível nas notas finais. Por enquanto é só, nos vemos nas notas finais... Pela última vez aqui em Running, boa leitura!

Beacon Hills, Califórnia
Cerca de um ano depois...

Derek Hale nunca pensou em se casar, quando era pequeno ele só queria ser um bom Beta e honrar o nome de sua alcateia. E então ele perdeu toda a família... Romance e casamento pareciam coisas tão fúteis na realidade cruel em que vivia.

Mesmo quando ele se apaixonou, "casamento" não era uma palavra que tinha passado por sua mente. Em alcateias casamentos eram raros, apenas rituais que terminavam com o bando correndo pela floresta e uivando para a lua...

Flores, decorações, festas chiques e toda aquela complicação eram costumes humanos. Derek nunca se preocupou com isso.

Ele nunca pensou que compraria um anel e voaria para o Maine para um simples jantar que teve o poder de fazer suas mãos tremerem o tempo todo. Era estúpido, Derek era um Alfa que encarava todo o tipo de ameaça sobrenatural, ficar tão nervoso por causa de dois velhinhos que foram receptivos e adoráveis o fazia se sentir idiota. Mas ele não conseguiu evitar.

Crystal tinha imaginado que era apenas uma visita aos avós, Derek conheceria os dois e era isso. O Alfa seguindo os costumes humanos e pedindo a mão dela para o Senhor Green foi uma grande surpresa...

Naquela noite, depois do "sim", Crystal tinha dito que era a coisa mais "antiquada e romântica" que alguém já havia feito por ela, o sorriso dela naquele momento fez todo o resto valer a pena para Derek.

Fariam uma cerimônia simples na primavera logo depois da formatura, mas em algum ponto as coisas saíram totalmente do controle, talvez no momento em que Lydia e Rachel se envolveram com os preparativos...

Então lá estava Derek, no fim de uma agradável tarde de primavera, se preparando para o grande dia. Seria uma cerimônia ao pôr do Sol, na reserva de Beacon Hills, ou melhor, em frente a antiga residência dos Hale, que fora totalmente reconstruída por Derek naqueles últimos meses, e que serviria de sede pra a festa que contaria com todos os amigos do casal.

Depois disso a casa se tornaria um hotel para qualquer ser sobrenatural que passasse por Beacon Hills, um negócio em que Derek, Peter e Theo eram sócios bastante improváveis.

A ideia tinha vindo do Beta e prontamente fora bem recebida pelo Alfa, depois disso Peter se envolveu, afinal era ele quem tinha o capital para investir. Quem diria que os três trabalhariam juntos um dia...

E apesar de aquela ser uma realidade totalmente diferente da que sempre tinha imaginado pra si mesmo, Derek Hale estava feliz, mais feliz do que já estivera em qualquer outro momento de sua vida. Ele sabia que tinha feito a escolha certa, ele sabia que tinha escolhido a garota certa, e isso era tudo que importava.

Estava parado na frente do espelho, olhando seu próprio reflexo, enquanto ajeitava o terno azul marinho de linho, um modelo bem cortado, feito sob medida para se ajustar ao seu corpo, quando ouviu alguém se aproximar, batendo os saltos no piso de madeira.

Ele sorriu, sabendo quem era antes mesmo da pessoa se encostar no batente da porta e sorrir para ele pelo reflexo no espelho.

— Nada de gravata, irmão? — Cora Hale tinha um tom levemente debochado. — Pensei que você fosse um cara tradicional agora.

Ela deu dois passos para dentro do cômodo, elegante e altiva com seu vestido verde-água de um ombro só e seu cabelo preso de lado. Cora tinha expressões mais maduras, no entanto sempre seria uma garotinha para Derek.

— Cora! — Ele abriu os braços para recebê-la. — Achei que não viria.

— Bom, digamos que você tem uma noiva muito convincente. — Ela moveu um ombro, usando o tom levemente impertinente do qual Derek se lembrava muito bem.

— Você falou com a Crystal? — Ele franziu as sobrancelhas surpreso.

— Ela me ligou há alguns dias, disse que mamãe gostaria que eu estivesse aqui. — Cora riu de canto, porque na verdade tinha achado a cunhada uma garota muito extrovertida, era engraçado pensar em Derek se casando com alguém assim.

— Ela deve saber, encontrou com a nossa mãe no paraíso. — Ele riu, voltando a ajeitar a gola do terno.

Já tinha escutado Crystal falar do paraíso tantas vezes que era quase uma piada interna naquele ponto.

— Ouvi dizer... — Cora não pareceu realmente impressionada, viver no mundo sobrenatural deixava as pessoas mais acostumadas com o extraordinário. — Sua noiva gosta de falar.

— Ela gosta. — Derek deu um sorriso encantado que não passou desapercebido pelos olhos da irmã.

Ele estava feliz, Cora podia ver plenamente e isso a fez sorrir também.

— E você e Raoni, como estão? — Derek perguntou interessado.

Raoni era o filho de um grande Alfa, um guerreiro respeitado em sua alcateia. Derek o conhecera antes de deixar a América do Sul. Raoni e seu pai viviam em uma comunidade indígena apenas de lobisomens no Brasil. Derek nunca tinha visto uma alcateia tão grande e tradicional como aquela. Eram um povo orgulhoso de suas raízes e costumes, que protegiam a região e o Nemeton que havia ali.

Raoni e Cora se apaixonaram logo e a Hale mais nova foi acolhida pelos Pataxós, como se fosse um deles. A grande família que ela foi privada de ter por todo o tempo que ficou sob o controle da Alcateia dos Alfas.

— Estamos bem. — Os olhos dela eram brilho e calmaria. — Nos casamos no último verão, como manda os costumes da tribo dele.

— Eu fico feliz por você, de verdade. — Derek abraçou a irmã e beijou-lhe a testa.

Não se ofendeu por não estar presente naquele matrimonio, os costumes eram diferentes para os lobisomens.

— Tem alguém que eu quero que conheça... — Cora se afastou dois passos e sorriu o melhor dos sorrisos. — Raoni?

— Eu já o conheço, lembra? — Derek comentou, ao ouvir a irmã chamar seu novo marido.

Raoni entrou alguns segundos depois, um homem alto e forte, de pele avermelhada e cabelos negros e longos, seus traços eram marcantes e fortes, mas sua expressão era calma como o entardecer.

Mas ele não entrou sozinho, em seus braços havia um bebê que ainda não devia ter um ano. Um garotinho gordinho e risonho, com a pele avermelhada como a de Raoni e os olhos castanhos luminosos de Cora.

— Esse é o meu filho, Lucian. — Ela apresentou, pegando a criança do colo de Raoni e caminhando para Derek.

Luke, o Jovem Lobo. — O índio declarou no idioma de seus país, o qual Derek conhecia o bastante para compreender o que o título significava.

— Lucian? — Ele repetiu, tocando os cabelos da criança e sentindo a voz falhar em sua garganta. Cora assentiu com os olhos marejados e cheios de emoção. — O papai teria gostado disso...

Cora tinha batizado seu filho com o nome do senhor Hale, uma homenagem ao homem de quem ela só guardava boas lembranças.

Lucian Hale fora um homem corajoso e amoroso, e Derek não pode deixar de se emocionar com a homenagem.

Ele segurou o pequeno Luke no colo por um tempo e o garotinho abriu um sorriso infantil.

Ficaram juntos por pouco mais de dez minutos, falando sobre as novidades no Brasil e em Beacon Hills. Raoni era um homem de riso fácil e solto, que sempre via o melhor em cada situação, e Cora ainda era Cora, mais madura, de fato, mas ainda teimosa e de gênio forte. Uma Hale afinal.

Derek sabia que teria que agradecer a Crystal por aquele presente depois.

— Estou feliz que veio, Cora. — Ele abraçou a irmã uma vez mais, antes que ela se retirasse, para assumir seu lugar no espaço preparado para a cerimônia.

— Estou feliz de estar aqui. — Ela sorriu também e então apontou os botões abertos no terno de Derek. — Agora é melhor você terminar com isso. Quem se atrasa é a noiva, não o noivo, pelo que eu sei.

Deixou a casa depois disso, alcançando a parte externa onde os carros estavam estacionados e seguindo em direção as cadeiras dispostas na grama, frente a um altar.

Estava passando, quando viu um rosto conhecido entre os convidados espalhados por ali...

— Stiles. — Cumprimentou cordialmente, sem parar seu caminho.

— Cora... — Stiles também cumprimentou por alto, tentando se entender com o nó de sua gravata, e só então percebeu quem era. — Cora?!

Mas quando se virou a irmã de Derek já tinha se afastado. Stiles foi e voltou, mas acabou dando de ombros, claro que Cora estava ali, ela era irmã do Derek, então voltou a se concentrar no que fazia.

Foi nesse momento que um carro preto extremamente bem polido parou ali junto aos outros veículos. Stiles não saberia dizer o nome do modelo, mas era um tipo antigo, muito bem cuidado e muito chique mesmo, do tipo que mafiosos usam em filmes clássicos.

A primeira pessoa a descer do carro foi uma jovem, tinha estatura mediana, assim como seus cabelos dourados, que lhe emolduram o rosto com uma franja desfiada. Uma garota rica, sem dúvida. Seus olhos estavam escondidos por grandes óculos de sol e ela usava um vestido vermelho escuro, colado ao corpo de tal forma que todas as suas curvas eram exibidas como um troféu. Era uma peça sem decote ou mangas, mas que contava com uma fenda partindo da coxa direita e expondo a pele pálida da moça.

Ela tirou os óculos e seus olhos amendoados, cor de âmbar, focaram em Stiles, por um segundo pareceu que ela era um animal selvagem, um predador pronto para atacar o pescoço do rapaz, porém durou apenas um segundo, então ela sorriu calma e cordialmente. Mesmo assim Stiles teve que piscar algumas vezes para se livrar da impressão de perigo eminente.

Ele não a conhecia, por isso franziu as sobrancelhas. Talvez seja alguma amiga de Crystal...

A resposta sobre a jovem desconhecida de olhar predatório veio junto com a próxima pessoa que desceu do carro. Stiles reconheceu a figura imediatamente, mesmo com os óculos escuros, mesmo com as roupas obviamente caras e mesmo com aquela barba rala que não estava lá anos antes.

— Eu não acredito nisso! — Stiles cruzou os braços, e sua expressão inteira se fechou, deixando aparente sua irritação e descontentamento. — Isaac!

Isaac Lahey tirou os óculos de sol e sorriu de canto. Um sorriso que tinha um impacto impressionante. Stiles não se lembrava que Isaac era tão bonito, forte e autoconfiante. Na verdade, era basicamente o contrário disso...

Havia algo diferente com ele...

— É bom te ver também, Stiles. — Isaac cumprimentou de bom-humor e Stiles teve que piscar algumas vezes como se tivesse perdido o foco.

Isaac vestia um terno claro, por cima de uma camiseta básica, calças jeans e sapatênis, era uma mistura interessante do estilo casual com o social. Havia ao redor dele algo novo e magnético, algo que Stiles não poderia descrever, mesmo que tentasse, mas estava lá.

Talvez fosse apenas o tempo, ao pensar nisso Stiles se lembrou porque estava irritado.

— Eu te liguei e mandei mensagem centenas de vezes e você sequer respondeu! — Recuperou sua postura zangada. — E agora você aparece assim do nada?

— Eu não apareci do nada, Stiles, eu fui convidado. — Isaac deu de ombros como se fosse a coisa mais simples do mundo. — Parecia uma escolha óbvia pra mim, vir pra me envolver nas encrencas semanais de vocês, ou vir comer de graça e festejar...

A postura de Stiles relaxou, foi quase um alivio ver um pouco de normalidade em Isaac.

— Você nunca vai mudar. — O garoto revirou os olhos.

— Aparentemente não. Sou igualzinho ao que eu sempre fui. — Isaac ergueu as duas mãos e novamente algo nele pareceu diferente.

Stiles estava prestes a verbalizar isso, quando ouviu Lydia lhe chamar do outro lado da casa. Ele sabia bem que contrariar a namorada, quando ela estava mais neurótica com aquele casamento que a própria noiva, seria um erro fatal, então apenas acenou para Isaac e sua acompanhante desconhecida e saiu correndo em busca de Lydia.

Isaac viu o antigo amigo, ou quase isso, correr desengonçadamente pelo gramado e riu de canto, então sentiu mão ágeis e delicadas envolverem seu braço esquerdo.

— Então, você mente para todos os seus amigos, Lahey? — A voz melódica e levemente arrastada sussurrou. — Achei que cachorros fossem leais.

— Eu tenho uma reputação a zelar. — Isaac respondeu, pouco se importando com a provocação de sua acompanhante.

— Uma reputação de covarde? — A loira abriu um sorriso que era uma mistura de sedução e maldade.

— Exatamente. — O rapaz respondeu com um humor que fez os olhos da jovem se revirarem. — Se eles souberem que eu sou um herói vão ficar me chamando toda vez que tiverem problemas, e acredite, eles amam arrumar por problemas.

— Herói? — A loira repetiu, segurando um sorriso de deboche.

— Eu salvei você e a sua família, não foi? — Isaac retrucou com um sorriso superior.

— E eu salvei você. — Ela deu dois passos e ficou na frente dele. — Não seja um cachorro presunçoso, Lahey.

— Só metade cachorro agora, Floquinho de Neve, lembra? — Isaac respondeu ainda mais cheio de si e envolveu a cintura de sua acompanhante.

— Metade cachorro, o dobro de presunção... — Ela sorriu quase perversa, envolvendo o pescoço do rapaz e aproximando seus lábios dos dele, mas um segundo antes de beijá-lo deu-lhe um golpe tão rápido na boca do estomago que olhos humanos sequer teriam visto.

— Aí, pra quê apelar pra violência?! — Isaac se curvou de dor, mas parecia muito mais divertido do que ofendido. — Você é muito má, garota.

— Eu também tenho uma reputação a zelar. — A Loira sorriu sádica, exibindo presas finas e pontiagudas que sumiram no instante em que ela notou que um casal se aproximada por trás.

— Isaac? — A voz masculina foi a primeira a soar, enquanto Isaac Lahey arrumava a postura.

— Scott! — Ele sorriu amigável.

— É bom te ver. — Scott deu um passo para abraçar o velho amigo e notou o momento em que Isaac pareceu pensar se aquilo era uma boa ideia ou não, mas por fim os dois se cumprimentaram, amigável e calorosamente. — Faz um bom tempo.

Foi instantâneo, Scott sentiu que tinha algo diferente, não sabia dizer se era algo na postura de Isaac, ou se era o cheiro. Além disso era um dia quente e ele parecia tão frio...

Enquanto isso Malia e a acompanhante de Isaac se encaravam como se fossem cão e gato, como se a qualquer momento fossem iniciar uma briga sem motivo. Quase animais selvagens que instantaneamente decidem se odiar.

Isaac percebeu que a coisa estava saindo do controle e resolveu intervir.

— Essa é minha... — Ele apontou para a loira e pensou em uma palavra que rotulasse a completa confusão que eles eram. — Namor...

— Amiga. — A jovem corrigiu antes que Isaac terminasse. — Stefania VanStroker. Prazer em conhecê-los.

A jovem foi cordial e educada, mas apesar disso, quando Scott lhe estendeu a mão, ela não retribuiu, apenas sorriu, envolvendo o braço de Isaac novamente.

Scott até queria ficar mais, porém tinha muita coisa acontecendo e Lydia não parava de acenar do altar.

— Temos que ir para nossos lugares, mas nós falamos depois? — Ele bateu amigavelmente no ombro de Isaac.

— Claro. — A resposta veio acompanhada de um sorriso.

E assim Scott e Malia se afastaram em direção ao altar, antes que Lydia tivesse um surto.

Stefania seguiu o casal com os olhos âmbar, erguendo uma sobrancelha e deixando transparecer uma expressão superior e debochada que Isaac conhecia muito bem.

— O que? — Ele a encarou entediado, já sabendo o que estava por vir.

— Seus amigos fedem a cachorro molhado. — Stefania respondeu, movendo os lábios em uma expressão de desgosto que franzia seu nariz empinado.

— Até algum tempo atrás eu também fedia a cachorro molhado pra você, Stef. — Isaac retrucou em um tom repreensivo. — Achei que já tinha superado esse seu preconceito com lobisomens.

— Não posso, está no meu sangue. — Ela moveu um dos ombros quase ofendida.

— Ah, é... — O rapaz revirou os olhos e suspirou teatralmente, como se fosse um ator dramático. — O seu frio e carregado de ódio, sangue de vampiro.

Então Isaac encarou Stefania por três segundos inteiros, afinal eles já tinham passado daquela fase em que ela posava de malvada, fria e sem coração. Coisa que ela podia ser de fato, mas não tanto quando estava com Isaac...

— Não faz essa carinha de cachorro sem dono. — Moveu um dos ombros anda mantendo seu nariz erguido, como se não se importasse. O que ambos sabiam que era mentira. — Pelo que eu saiba, agora metade de você é sangue de vampiro também, não é?

Isaac sorriu, passando as costas dos dedos pelo rosto de Stefania, enquanto lembrava da longa, emocionante e perigosa história que os dois compartilhavam.

— Graças a você. — Ele beijou a pele gelada dela e a fez sorriu.

— De nada. — Stefania jogou o cabelo para o lado, toda cheia de pose e se afastou alguns passos.

— E Stef? — Isaac chamou e garota se virou novamente. — Você é minha namorada sim.

Ela riu, quase como se tivesse acabado de ouvir uma piada.

— Bem que você queria, Lahey... — Stefania deu as costas, seguindo em direção as cadeiras na frente do altar.

Um par de anos atrás ela jamais colocaria os pés em território lupino, a menos que fosse para destroçar suas gargantas e secar cada gota de seu sangue.

Todavia as coisas tinham mudado. Isaac Lahey tinha mudado as coisas.

Mas isso era história pra outra hora...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Crystal Green finalmente tinha conseguido um minuto para respirar, Lydia e Rachel estavam ao lado dela desde o amanhecer, acompanhando todas as etapas de tudo que acontecia, e Crystal amava cada segundo disso, mas só notou o quanto as coisas estavam frenéticas quando de fato conseguiu parar um pouco.

Estava pronta, sentada em um dos quartos da casa, esperando a hora de descer. Seu coração estava aos saltos, suas mãos tremiam e ela sentia que cairia no choro a qualquer momento.

Todas as suas emoções estavam a flor da pele, estava tão feliz naquele momento que mal conseguia descrever, mas ao mesmo tempo estava nervosa, impaciente para ver Derek e estar com ele finalmente.

Tinham passado aquela semana separados, todos os amigos estavam muito empenhados em impedir que os dois se vissem e Crystal era apenas saudades e ansiedade.

Queria ligar, queria ir até o outro quarto, mas ao mesmo tempo também queria manter a surpresa, estava ficando eufórica. Era um sentimento engraçado e gostoso de certa forma...

Ouviu duas batidas na porta e sorriu.

— Está aberta, vovô. — Declarou, se levantando e alisando o vestido.

Mas o homem que abriu a porta não era Alan Green e sim Peter Hale.

— Eu ainda não estou tão velho assim. — Ele comentou em seu humor habitual.

— Ah, é você... — Crystal revirou os olhos impaciente, se o avô ainda não estava ali, isso significava que teria que esperar mais ainda.

— Em carne, osso e muita beleza. — Peter deu alguns passos para dentro do quarto e abriu os braços para exibir seu terno.

Vestia a peça negra e bem cortada por cima de uma camisa básica e escura, o tipo que ele usava com frequência, junto com calças de sarja em um tom de gravite.

Crystal riu da cena e de toda a exibição, afinal tirando o terno, Peter usava roupas parecidas no dia a dia.

Então ele parou, encarou toda a bagunça do quarto e logo depois mediu Crystal dos pés à cabeça pelo menos três vezes.

— O que? — Ela perguntou quando não conseguiu compreender o olhar dele.

— Humanos tem um jeito complicado e estranho de fazer as coisas. — Peter franziu o nariz em uma careta e afastou a bagunça para poder se sentar em uma das poltronas.

— O que você quer, Peter? — Crystal soou um tanto impaciente, afinal, para que o Hale mais velho estivesse ali, algo ele devia estar pretendendo.

— Você pode me chamar de "tio Peter" agora. — A resposta veio acompanhada de um sorriso que sumiu quando Crystal o encarou entediada. — Ou não...

Ele deu de ombros e olhou ao redor outra vez, focando em Crystal por inúmeros segundos antes de questionar:

— Por quê?

— Por que, o quê? — Ela uniu as sobrancelhas sem entender.

— Por que me trouxe de volta? — Peter completou a questão. — Já faz um ano e eu ainda não sei o motivo...

Crystal o encarou por alguns segundos e então se sentou também, na beirada da cama.

— Você nunca perguntou. — Ela encolheu os ombros, achando aquele um momento estranho para voltar ao assunto.

E de fato era, mas Peter tinha remoído aquilo por um ano todo, feito todo tipo de teorias em sua mente, as pessoas não costumavam fazer coisas por ele. Não de graça ou sem uma grande dose de manipulação.

Crystal e ele sequer eram próximos, tinham convivido um pouco naquele último ano, e ela o incluía nas coisas da alcateia, tanto e tão naturalmente que Peter sentia que não era mais um Ômega. Mas ele nunca entendeu de fato porquê...

— Eu estou perguntando agora. — Ele também encolheu os ombros. — Por que me trouxe da minha paz eterna?

— Você estava feliz, eu entendo isso. Mas você morreu de uma forma injusta e cruel, não era certo, você estava consertando as coisas com a Malia e o Derek, e então tudo isso foi brutalmente interrompido. Eles ficaram devastados, eu vi a dor nos olhos deles. Eles mereciam uma família e você merecia uma chance de ser a família deles. — Crystal explicou tão naturalmente que Peter finalmente entendeu porque todos gostavam dela. Então ela sorriu quase irônica. — Achei que seu paraíso podia esperar mais alguns anos, "tio Peter".

Ele riu, um pouco porque foi engraçado a forma como ela disse "tio Peter" e um pouco porque queria disfarçar o quanto as motivações de Crystal tinham lhe afetado, pessoas não costumavam dar um voto de confiança para alguém como ele. Pessoas como Peter não tinham uma segunda chance, quem dirá uma terceira.

— Não... — Ele moveu a mão no ar para disfarçar, como se tudo que Crystal disse não passasse de besteira. — Eu acho que você me trouxe de volta, porque sabia que essa família seria um porre sem mim.

Crystal não conseguiu ter outra reação a não ser rir, Peter era muito presunçoso, sarcástico e na maior parte das vezes moralmente incorreto, mas de fato, ela não conseguia imaginar aquela família sem ele...

Por fim ele se levantou, como se estivesse satisfeito com a conversa, arrumou o terno e caminhou para a porta.

— Crystal? — Deu um passo para trás e se virou para ela antes de sair. — Bem-vinda a família, e... obrigado.

A jovem sorriu e então assentiu, Peter copiou esses movimentos e enfim saiu, cruzando com Alan Green no corredor. Os dois homens fizeram um movimento cordial com as cabeças e então seguiram suas direções.

O senhor Green achava o tio de Derek um homem estranho, mas na verdade todos os amigos de Crystal eram um tantinho estranhos, ele supôs que a juventude fosse isso mesmo e pronto. Se Crystal gostava deles, então eram boa gente, confiava na capacidade de julgamento da neta.

Ele bateu duas vezes no batente da porta, mas não precisou esperar uma permissão, afinal a mesma estava aberta.

Crystal se virou para o avô e os olhos dele se encheram de lágrimas. Era uma honra para ele poder levá-la ao altar. Não achou que teria essa oportunidade, afinal era um homem velho e os jovens tinham jeitos modernos de fazer as coisas, as tradições tinham se tornado antiquadas, Alan sabia bem disso, Eliza e Bart não haviam feito festa ou cerimonia, se casaram no cartório e foi isso, Alan e Madeleine só souberam depois...

O senhor Green respeitaria totalmente se sua menininha não quisesse uma cerimônia, ou caso quisesse algo mais moderno ou pouco ortodoxo, mas foi um orgulho pessoal para ele quando o namorado de Crystal se mostrou um respeitador dos costumes.

Derek era um rapaz grande e forte, de feições sérias e porte viril, Alan se assustou ao conhecê-lo, parecia o oposto de Crystal em tudo, e tinha cara de ser um garoto encrenqueiro. Mas aparências enganam, Derek Hale era educado, cordial e muito respeitador e, o mais importante, ele tratava Crystal como se ela fosse única no mundo, a olhava como se apenas ela existisse no universo.

Só por isso ele já tinha ganhado aprovação de Alan e Madeleine, mas Derek fez mais, ele pediu a mão da jovem, assim como o Senhor Green tinha feito com a Senhora Green muitos anos antes.

A partir desse momento Derek ganhou mais que a aprovação dos avôs de Crystal, ele ganhou também o respeito e admiração dos dois.

— Ah, minha filha, você está tão linda! — O senhor Green quase não conseguia conter a emoção. Se aproximou da neta e segurou suas mãos. — Sua mãe e seu pai estariam tão orgulhosos.

Então os olhos de Crystal se encheram de lágrimas, todas as suas emoções ameaçando transbordarem naquele momento.

— Não chora, não chora. — Alan deu palmadinha carinhosas no rosto da neta. — Você está muito bonita pra chorar... Além disso, eu tenho certeza que se você estragar essa produção aquela menina ruiva vai ficar muito, muito zangada. Ela me assusta, sabia?

Crystal riu, Lydia Martin tinha feito sua missão pessoal transformar aquele casamento no sinônimo de perfeição e ela podia ser realmente assustadora quando estava obstinada daquele jeito. Mas Crystal não conseguia mais imaginar ter feito tudo aquilo sem a ajuda dela. Não estaria tão tranquila com todos os preparativos se Lydia não tivesse cuidado de tudo.

E então ela abraçou o avô, feliz por poder compartilhar aquele momento de felicidade com a família e com os amigos. Era mais e melhor do que tudo que Crystal tinha sonhado quando mais nova...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Quando Derek desceu as escadas Madeleine Green já o esperava no hall com seu elegante vestido azul turquesa e um sorriso acolhedor.

— Toda vez que eu olho pra você, entendo porque a Crystal quis se casar tão cedo. — Ela alisou o terno de Derek e então deu duas palmadinhas carinhosas em seu rosto. — A gente não pode deixar um rapagão bonito desses escapar, não, não.

O moreno sorriu, nunca sabia muito bem como agir perto dos avós de Crystal. Eles eram um casal muito amoroso, e tinham cuidados que Derek não estava acostumado a receber. Era estranho ter alguém perguntando se ele tinha se alimentado bem, por exemplo, ou pedindo para que ele colocasse um casaco para não se resfriar, ou dirigisse com cuidado a noite.

Tipos de preocupação que não faziam muito sentido para Derek, afinal ele era um lobisomem... mas mesmo assim causavam sempre uma sensação boa.

Derek não havia conhecido os avós, quando se vivia no mundo sobrenatural, mesmo ter os dois pais vivos era uma raridade, mas ele imaginava que todos os avós deviam ser como os Green.

Talvez por isso as pessoas gostassem tanto de avós.

— Na verdade sou eu quem não podia deixar a Crystal escapar. Só existe uma como ela no mundo todo. — Ele sorriu cordial, mas estava dizendo a pura verdade. — Além disso, por que esperar se eu já encontrei a pessoa certa?

A senhora Green pareceu encantada em ouvir aquilo.

— Bem que minha neta falou que você tem um romantismo das antigas. — Ela era toda sorrisos, então mostrou um arranjo delicados de flores, que devia ser colocado na lapela de Derek. — Vem aqui, deixa eu arrumar isso.

Ela prendeu o arranjo no terno com destreza, o que deu todo o destaque que faltava a roupa, já que Derek havia decidido não usar gravata. Não era o tipo de peça que combinava com ele.

— Prontinho. — Madeleine deu um passo para trás.

— Obrigado, Senhora Green. — Ele agradeceu com um aceno de cabeça.

— Não precisa de toda essa educação meu filho, pode me chamar só de Madeleine, ou simplesmente me chame de vovó, somos família agora. — Ela sorriu, e suas palavras foram tão naturais e carinhosas que Derek se emocionou por um instante. — Agora vem... — A avó de Crystal se posicionou e segurou o braço direito de Derek. — É minha hora de me exibir com você no tapete vermelho.

Não era um tapete vermelho realmente, na verdade a passagem estava toda coberta com pétalas das mais diversas flores, dando um ar todo romântico à decoração.

Mas enquanto Derek caminhava de braços dados com Madeleine até o altar, ao som de uma música instrumental calma, ele não prestava atenção aos detalhes da decoração rústica e romântica do lugar e sim em todas as pessoas que estavam ali.

Não eram muitos convidados, apenas os amigos mais próximos e foi isso que impressionou Derek naquele momento. Ele não tinha parado para reparar que tinha tantos amigos próximos...

Claro que havia alguns convidados que não estavam exatamente no círculo mais íntimo de amizades de Derek, esses tinham sido chamados por Crystal, alguns amigos da escola, alguns policiais e alguns professores, como o Treinador Finstock. No entanto a quantidade de pessoas que Derek realmente conhecia e se importava o surpreendeu por um momento...

Foi passando entre os dois grupos de cadeiras dispostos em fileiras de cada lado do tapete de flores, e todos sorriam para ele.

O xerife Stilinski tinha vindo acompanhado da mãe de Lydia, Natalie Martin, e eles eram os convidados mais respeitáveis ali, já que Natalie tinha acabado de ser eleita prefeita de Beacon Hills.

Chris Argent e Melissa McCall também estavam lado a lado, sorridentes e orgulhosos como se estivessem casando o próprio filhos. Suas peles ainda estavam brilhantes e bronzeadas, do tempo que haviam passado no Havaí.

Kira também estava ali com os pais e uma amiga Skinwalker. E então havia Jackson e Ethan, que tinham voado de Londres especialmente para a ocasião...

Braeden também havia tirado uma folga de um trabalho confidencial para comparecer e Derek a viu sorriu e mover a cabeça quando ele passou.

E então a presença que tinha deixado Derek levemente surpreso: Isaac Lahey.

Crystal fez questão de convidá-lo, afinal ele pertencia a antiga alcateia dos Hale. O rapaz estava com uma moça loira e pálida, mas Derek não tirou um tempo para prestar a devida atenção neles.

Então haviam as oito cadeiras da frente, quatro de cada lado. Do lado de Derek estavam Cora com o marido, Raoni e o pequeno Lucian, ao lado de Peter Hale. Do lado Crystal, Corey e Mason, e os dois lugares para os avós da noiva.

E finalmente, no altar, de pé atrás do púlpito, a pessoa mais óbvia para celebrar aquele casamento: Deaton. Não só porque ele conhecia a importância e a profundidade da união dos noivos, mas porque ter um Druida celebrando uma cerimônia de união era algo que representava muito bem o lado Lupino de Derek...

Ele se vestia todo de preto e por algum motivo aquela roupa lhe caia bem, Deaton daria um bom padre.

Ao lado dele estavam os quatro casais de padrinhos, dois casais de cada lado, todos sorrindo enquanto Derek se aproximava. Os homens usavam ternos cinza-claro e as mulheres vestidos rosa, do tom e modelo que preferissem. Crystal não seria Crystal se não colocasse rosa em algum lugar...

Do lado direto do altar, o lado da noiva, estavam Theo Raeken e Liam Dunbar, afinal a jovem Delta nunca se casaria sem que seu melhor amigo estivesse do seu lado, e pouco importava que fosse um casal com dois padrinhos, Crystal não era o tipo de pessoa que se importava com tradições heteronormativas.

Ao lado deles Jordan Parrish e Rachel Turner, que exibia sua barriga de sete meses em um vestido confortável. Crystal e a doutora haviam se aproximado muito naquele último ano, já que a psicóloga tinha aberto uma clínica em Beacon Hills, talvez descer ao inferno com alguém causasse esse tipo de coisa.

Do lado esquerdo, os padrinhos de Derek eram para ele a escolha mais óbvia, afinal se alguém tinha que estar com ele naquele altar, então tinham que ser aquelas pessoas: Malia Tate e Scott McCall, porque eram sua família, literalmente já que Malia era sua prima, e porque Derek ainda seria o mesmo lobisomem com ideias erradas sobre o que significava uma alcateia, se não fosse a interversão de Scott. Havia um vínculo de lealdade e amizade entre os dois alfas que jamais poderia ser quebrado.

E por fim, Lydia Martin e Stiles Stilinski, a ruiva tinha se provado uma madrinha de ouro e era o cérebro criativo, controlador e um tanto megalomaníaco, que tinha tornado todos os sonhos e desejos de Crystal reais naquela cerimônia. E o Stiles porque, bom... era o Stiles, certo? O garoto verborrágico, magricela e indefeso, com um senso de humor que Derek achava questionável, mas que tinha um raciocínio lógico como nenhum outro e acima disso, era leal, com um grande coração e foi, da forma mais improvável, o primeiro amigo real que Derek teve na vida.

Era o Stiles lá quando tudo desmoronou, e de uma forma que parecia estranha e inexplicável, o garoto tinha sido a âncora de Derek por um tempo. Mesmo o lobisomem não entendia isso plenamente, mas depois de um tempo Derek parou de criar teorias e apenas aceitou que Stiles era seu amigo, ele era importante...

E naquele momento Derek Hale se sentiu sortudo, ele tinha passado do garoto órfão e antissocial, para um Alfa poderoso, prestes a se casar com o amor de sua vida, rodeado de amigos que da forma mais improvável tinham se tornado sua família.

Nada disso teria acontecido se ele não tivesse encontrado Scott e Stiles procurando por uma bombinha de asma, anos antes ali mesmo naquela reserva...

— Eu ainda não entendo. — Malia sussurrou para Scott, enquanto Derek se posicionava no altar para esperar Crystal.

— O que você não entende? — Scott murmurou de volta.

— Por que o Derek tem que andar com a mulher velha até o altar? — A pergunta fez o Alfa Genuíno segurar a risada.

— É a tradição. — Ele tentou explicar. — A mãe da noiva e o pai do noivo entram de braços dados primeiro, depois entram os padrinhos, depois o noivo entra com a mãe dele, a noiva entra com o pai dela. Eles só fizeram as adaptações pra tudo se encaixar, já que... você sabe.

— Todo mundo virou churrasco. — Malia completou sem um pingo de tato.

— Malia! — Scott sussurrou entredentes para repreendê-la.

— Desculpa. — Ela ergueu sutilmente as mãos.

Olhou ao redor por alguns momentos, tinha acompanhado a loucura frenética de Lydia, Crystal e Rachel naqueles últimos dias, e honestamente Malia não entendia... A coisa mais legal que tinham feito era a despedida de solteiro, algo que Lydia tinha deixado por conta de Malia, e a Coiote não precisou de planejamento ou toda aquela loucura, tinham entrado no carro, parado em uma balada, se divertido e dançado a noite toda, só isso. Simples e alegre, festas não deviam ser assim?

— Parece complicação demais, todos esses vestidos e saltos e regras e maquiagem... — Ela enumerou com uma careta. — Quando os coiotes machos querem ficar com as fêmeas pra sempre, eles simplesmente urinam na frente da toca delas, pra marcar território.

Scott encarou Malia por alguns segundos, tentando não rir, então percebeu algo que o surpreendeu.

— Você não quer se casar um dia? — Ele franziu as sobrancelhas enquanto perguntava. — Espera... você não quer que eu... marque território na frente da sua casa, certo?

— Como é? — Malia quase não foi capaz de conter a risada, mas ao mesmo tempo ficou confusa com o rumo daquela conversa. — Por que eu esperaria algo assim?

Nunca tinha pensando em se casar, na verdade nunca tinha pensado no fato de que as pessoas se casavam em festas complicadas e com vestidos cheios de frescura... Soava um pouco exagerado para Malia, crescer como uma Coiote tinha feito dela alguém muito mais pratica e direta.

— Você acabou de dizer que quando os coiotes querem ficar juntos pra sempre eles... — Scott não terminou, mas Malia entendeu o rumo que a conversa estava tomando.

— Então você quer...? — Ela também não terminou, as palavras "ficar comigo pra sempre" ficaram presas no fundo de sua garganta.

Não costumava fazer planos a longo prazo, era como um mecanismo de defesa para não se decepcionar. Também não se incluía nos planos das pessoas, já tinha sentido na pele que não era uma boa ideia...

— Você não? — Scott respondeu e aquilo pareceu tão simples pra ele que Malia não conseguiu evitar sorrir.

Só então notou que o Alfa Genuíno vinha fazendo planos que a incluíam já fazia um tempo.

Começou quando ele perguntou se Malia pretendia voltar para Paris, logo quando a batalha contra Malvina acabou, disse que estava pensando em viajar junto, caso ela pretendesse voltar...

Mas Malia não via mais a necessidade de fugir de Beacon Hills, na verdade queria ficar por perto, principalmente porque Peter tinha acabado de voltar a vida.

Algumas semanas depois, Scott trouxe um panfleto da faculdade, dizendo que havia um curso que talvez Malia gostasse: biologia. No entanto a Coiote sempre odiou a escola e sequer chegou a cogitar fazer faculdade.

Mesmo assim, ela foi na aula de apresentação, só por curiosidade mesmo, e pela oportunidade de ver Scott no campus, já que ele estava fazendo Veterinária ali.

Ela não esperava gostar do que descobriu sobre o curso, esperava menos ainda ser boa naquilo, talvez ter vivido como um animal selvagem metade da vida lhe desse algumas vantagens...

Mas é claro que ela não tinha as notas necessárias para conseguir uma vaga ali, e nem foi exatamente uma grande decepção. Todavia Scott não desistiu ou se conformou como Malia, ele procurou a única pessoa que podia ajudar naquele caso: Peter Hale. Afinal não havia nada que alguns milhares de dólares não resolvessem.

E Peter de fato ajudou, além de pagar todo o curso da filha, o que foi um tanto surpreendente.

Então vieram os planos, Scott os fazia aos montes todos os dias; como ele e Malia assumiriam a clínica veterinária de Deaton, que estava prestes a se aposentar; como eles podiam ajudar outros lobisomens, assim como Deaton tinha ajudado; como Liam se juntaria a eles depois...

Scott dizia muitos "nós dois", e aquilo era tão natural e espontâneo que Malia não tinha se dado conta até aquele momento.

— Eu adoraria isso. — Ela finalmente respondeu à pergunta, afinal não havia nada que gostaria mais do que ficar para sempre ao lado de Scott.

— Eu também. — Ele entrelaçou os dedos nos dela e sorriu, enquanto os acordes melodiosos de violinos começaram a se espalhar pelo lugar.

Derek prendeu a respiração instintivamente e arrumou a postura. Todos os convidados se levantaram. Era a hora.

Crystal surgiu no extremo oposto do tapete de flores, de braços dados com seu avô, e naquele momento o mundo todo de Derek parou...

Eles sorriram um para o outro e foi como se todos os convidados pudessem sentir o amor que emanava deles. Não que Derek e Crystal se importassem com os convidados naquele momento, seus olhos pertenciam um ao outro apenas.

Crystal praticamente deslizava sobre as pétalas, como uma fada voando acima das flores. Seu vestido era de uma delicadeza primorosa, todo em um tecido sutilmente transparente, que permitia que a luz se infiltrasse em suas fibras, fazendo com que a noiva brilhasse.

As aplicações em renda eram um trabalho gracioso, formando um corpete que se equilibrava com perfeição entre o doce e o sensual, transmitindo assim a personalidade de Crystal. O Decote era fundo, mas nada vulgar, se moldava aos seios pequenos da jovem de forma muito natural. Tinha alças duplas; o primeiro par era fino, trabalhado com pérolas e se acomodava nos ombros da noiva, o segundo par era uma camada de babado em tule transparente e caia nas laterais de seus braços.

Então o vestido descia marcando a cintura com mais aplicações de renda e se abria em uma saia esvoaçante e tão graciosa, que mesmo longa dançava com o vento. A renda recomeçava na barra e seguia para a calda de comprimento moderado, tudo tão leve, que mal arrastava as pétalas de flores no chão, a cada passo de Crystal.

Ela era a imagem de uma noiva primaveril, com seus cabelos dourados soltos em ondas perfeitas e enfeitados com uma coroa de flores silvestres dos mais diversos tons de rosa, as mesmas flores do buquê, todas vindas do jardim suspenso de Derek.

O rosto de Crystal estava iluminado com uma maquiagem leve o bastante para que Derek notasse o rubor em suas bochechas, quando os dois finalmente ficaram frente a frente.

O moreno trocou um aperto de mão com o senhor Green, que se afastou para seu lugar ao lado de Madeleine, logo depois de beijar a testa da neta e entregá-la para seu noivo.

Derek beijou a mão de Crystal, mas na verdade queria beijar-lhe os lábios. Os dois se viraram para o altar e a noiva sorriu para todos os seus padrinhos e madrinhas, inclusive para Stiles, que tinha os olhos vermelhos.

— Stiles, a cerimônia nem começou ainda, por que você está chorando? — Lydia cutucou o namorado e sussurrou entredentes, enquanto os noivos se acomodavam na frente de Deaton.

— Olha só pra ele? Eu fiz isso. Estou tão orgulhoso. — Stiles fungou, limpando algumas lágrimas antes que escorressem.

— Você fez isso? — Lydia não colocou fé em uma só palavra.

— Mas é claro, antes de me conhecer, ele era só um Lobo Azedo, agora ele é um noivo impecável prestes a se casar com a mulher da vida dele. Acha que ele teria conseguido isso sem a minha ótima influencia? — Ele respondeu como se fosse a coisa mais óbvia de todas.

A ruiva revirou os olhos e riu de canto, negando algumas vezes. Aquele era o Stiles sendo Stiles.

— Quer saber? Chora tudo que tiver pra chorar. — Lydia sussurrou dando de ombros. — Porque no nosso casamento você está proibido de derramar uma só lágrima!

— Nosso casamento? — Stiles moveu o rosto na direção da namorada.

— Mas é claro, acha que vai me enrolar pra sempre, Stiles? — Ela retrucou cheia de si.

— Disse a garota que levou uma eternidade pra notar que eu sempre fui o amor da vida dela... — Ele devolveu muito baixo, mas foi o bastante para que Lydia lhe lançasse um olhar mortal. — Eu não estou reclamando! — Se apressou em responder.

— Cala a boca, Stiles! — Lydia apontou com os noivos sutilmente, vendo que Deaton estava pronto para começar a cerimônia.

— Obrigado a todos vocês por estarem aqui hoje, compartilhando desse momento de felicidade e amor, afinal o amor compartilhado se espalha e floresce, assim como sementes jogadas ao vento. — Deaton começou, e naquele momento ele não era o veterinário de Beacon Hills, ele era o Druida da Alcateia Hale, um homem que aspirava sabedoria. — Peço a vocês que, antes de começarmos, façamos um momento de silêncio por aqueles que certamente gostariam de estar aqui, mas não podem por infelizes motivos.

Padrinhos e convidados abaixaram seus olhos em respeito, sabendo que Deaton se referia aos pais de Derek e Crystal. Noivo e noiva trocaram um olhar cheio de significados, afinal Crystal sabia que suas mães e pais certamente estavam assistindo aquele momento lá do paraíso.

— Agora podemos começar... — Deaton sorriu, abrindo os braços, como se convidasse a todos. — Um casamento é uma oportunidade para celebrar o novo; um novo caminho que se forma a partir de dois caminhos diferentes que se cruzaram por acaso... ou destino.

Deaton olhou para o casal por alguns segundos e as mãos de Derek e Crystal se entrelaçaram.

— Existe uma antiga lenda chinesa, chamada Akai-ito, que diz que almas são criadas aos pares, tendo suas existências ligadas por um fio vermelho invisível a olhos humanos. — O Druida prosseguiu em seu discurso de união. — Essas "almas-gêmeas" podem nascer em lugares e anos diferentes... Os fios podem se enrolar e esticar o quanto for, mas nunca se partem, não importa o que aconteça essas duas pessoas estão destinadas a se encontrar. Essa conexão pode ser tão forte e inexplicável que às vezes desafia os limites da realidade, em raras ocasiões, quando um lado precisa e chama, outro pode ouvir, pode sentir o puxão que lhe impele para novos caminhos.

Crystal sorriu, afinal ela sabia bem que só estava ali porque tinha "sentido o puxão" tinha ouvido o uivo de Derek e foi naquela noite que tudo começou.

— Aqueles que têm o privilégio de conviver com Derek e Crystal sabem que eles compartilham de uma conexão especial, algo quase magico eu diria... — Deaton disse em tom de brincadeira, mas era a pura verdade. — Essa conexão faz deles mais fortes para enfrentar qualquer obstáculo que a vida traga. Eu realmente acredito que eles estão destinados e não há nada que eu diga aqui que seja mais forte ou bonito que isso, então eu só posso agradecer, em meu nome e em nome de todos aqui hoje, pela oportunidade honrosa de testemunhar esse tipo de amor e essa felicidade mágica de perto. Obrigada por isso.

Deaton fez uma referência para os dois e Crystal teve que piscar algumas vezes para não chorar. Ela trocou um olhar rápido com Theo e ele também tinha os olhos marejados, os dois trocaram um sorriso que era só deles, algo que apenas melhores amigos eram capazes de entender.

— Agora, acredito que os noivos escreveram seus próprios votos, certo? — Deaton retomou a palavra e alternou o olhar entre o casal.

Para Derek aquilo tinha sido particularmente difícil, pensou em desistir e pedir ajuda a Lydia uma dezena de vezes... mas não fez isso, encontrou as palavras certas quando Stiles levou todos os rapazes para a despedida de solteiro; que nada mais era do que reunir todos ao redor de uma fogueira e beber até cair, o que obviamente era bem fácil para Stiles.

À primeira vista Derek pensou que seria uma noite entediante, mas Theo tinha um truque interessante com acônito que tornou a bebedeira realmente divertida...

Com todos dormindo sob a luz das estrelas, depois de ouvir as bobagens cômicas de Stiles a noite inteira, Derek finalmente soube o que escrever, enquanto observava a Lua.

Claro que ter escrito os votos e de fato estar seguro para dizer aquelas palavras na frente de todos eram duas coisas bem diferentes.

— Quer começar, Crystal? — Deaton apontou a noiva, vendo que Derek estava um tanto pálido, então olhou para Scott e o Alfa Genuíno tirou do bolso do paletó a caixinha com as alianças.

Deaton colocou as joias sobre o púlpito e Crystal sorriu, se virou para seu noivo e seus olhos verdes focaram nos dele por um longo momento.

— Eu gosto de romance e flores. Eu sei que você sabe disso. — Ela começou e então sorriu um tanto sem jeito. — Eu idealizei e sonhei com praticamente cada detalhe da minha vida, eu tinha o plano perfeito... E então eu conheci você, eu não planejei isso, eu sequer estava procurando por isso, ou ao menos eu pensei que não estava...

Crystal riu e negou algumas vezes antes de continuar.

— Hoje sabemos que você era exatamente quem eu estava procurando. Mas você não me trouxe planos e sonhos, você me deu mais que isso, Derek Hale, muito mais. Você me deu uma realidade extraordinária, aventura, paixão e uma pitada nada moderada de mágica... e ainda assim me deu romance e flores. Você me deu o mundo todo... — Ela sorriu entre algumas lágrimas que rolavam. — E é por isso que eu espero, ou melhor, eu prometo, que daqui até o fim dos dias eu também vou te dar o mundo; um mundo de amor, carinho e dedicação; na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e mesmo depois da morte, porque sabemos que ela não vai nos separar, nós esperaremos um pelo outro no paraíso.

Ela pegou a aliança e a colocou no dedo anelar esquerdo de Derek, era uma peça de ouro, que tinha um trabalho estilizado simulando dois anéis entrelaçados, a peça do noivo era lisa e sem detalhes, enquanto a da noiva possuía pequenos brilhantes cravados no anel inferior.

Derek sorriu, seu peito transbordando de amor e emoção, qualquer receio tolo de falar na frente daquelas pessoas se esvaindo totalmente. As pessoas não importavam, só Crystal importava.

— Eu nunca quis nada disso, romances e flores, família e amor, planos e sonhos... Ou ao menos eu pensei que não queria. Então eu te vi pela primeira vez, aqui mesmo na frente dessa casa e tudo mudou tão sutilmente quando a Lua muda de fase. — Derek sorriu, ainda se lembrava exatamente da primeira vez que tinha visto Crystal, parecia há muito tempo... — Antes de você chegar eu era um Lobo em uma noite sem Lua, fraco, sozinho e triste. Você transformou tudo e me fez acreditar outra vez, você me fez forte, me trouxe coisas que eu pensei que nunca mais teria, você encheu meu coração de alegria e magia. Você é minha Lua Cheia, Crystal Green, e eu sou o seu Lobo. Um Lobo apaixonado que vê apenas você. E eu vou te amar, te proteger, te honrar, te respeitar e estar ao seu lado todos os dias, até o fim dos tempos. Eu prometo.

Derek deslizou a aliança no dedo de Crystal, sentindo suas mãos tremulas de emoção, o anel se encaixou perfeitamente, formando uma bonita combinação com o diamante delicado que enfeitava o anel de noivado.

Crystal sorriu, sem se preocupar com as lágrimas que rolavam ou em como os avós interpretariam a metáfora dos lobos. A única coisa que ela entendia naquele momento é que não era uma metáfora, era real e verdadeiro.

O amor dos dois era tão forte que eles teriam sentido na pele, mesmo sem a ligação...

— Bom, acho que depois disso tudo, perguntar se vocês aceitam um ao outro é desnecessário. — Deaton retomou a palavra com um sorriso nos lábios. — Então só me resta dizer: Derek e Crystal, eu agora os declaro marido e mulher. Pode...

Ele não precisou terminar, Derek puxou Crystal para si e finalmente a beijou com amor e entrega, assim como queria fazer desde que colocou os olhos nela aquela tarde.

Os convidados aplaudiam de pé e o Sol se deitava no horizonte, jogando tons alaranjados sobre a cena...

Derek e Crystal, finalmente marido e mulher, deram as mãos e olharam para os amigos, transbordavam tanto amor naquele momento que qualquer um podia ver e sentir...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

A festa seguia animada e agradável, alguns dançavam, alguns bebiam e comiam, outros apenas conversavam, mas todos estavam felizes.

O senhor e a senhora Green estavam sentados na mesma mesa que Cora e Raoni, era um choque interessante de culturas, mesmo sem eles saberem da verdadeira natureza do índio e de todas as outras pessoas ali.

Derek também estava por perto, com o pequeno Luke no colo, enquanto Crystal e Theo conversavam do outro lado da pista de dança.

— É bom já ir ligando o seu forninho de Lobisomens. — Theo comentou, olhando o moreno entretido com o bebê. — Derek parece muito à vontade com aquela criança no colo.

Crystal sorriu observando a cena e então se tocou do que Theo tinha acabado de dizer.

— "Forninho de Lobisomen?" — Ela se virou para o melhor amigo com uma sobrancelha erguida. — Está comparando meus futuros filhos com pães?

— Muito apropriado, bebês são gordinho como pães, nunca reparou? — Theo deu de ombros e segurou o riso. — Pãesbisomem ou Lobipães?

Crystal riu com gosto, pensar em deu futuro com Derek a deixava muito alegre. Teriam um casal de filhos, talvez gêmeos, quem sabe...

— Você está andando muito com o Stiles. — Ela alfinetou e Theo fez uma careta.

Passar a despedida de solteiro de Derek perto de Stiles, tinha sido menos insuportável do que Theo esperava, mesmo assim, ele não pretendia caminhar de mãos dadas com o humano tagarela em direção ao pôr do Sol.

— Liam tem péssimo gosto para amigos, fazer o quê? — Theo moveu os ombros em um gesto de conformismo e tédio. — Só você consegue ser esperta o bastante para ter o melhor amigo de todos.

Ele piscou, todo cheio de si como sempre, e Crystal deu outra gargalhada, se encostando no ombro do amigo e enlaçado o braço dele.

— Eu vou aceitar isso como um elogio. — Ela retrucou bem-humorada.

Olhou o salão por um tempo feliz por ter todas as pessoas que eram importantes para ela bem ali. Era o dia mais feliz de sua vida.

— Falando em Liam... — Crystal apontou sutilmente o rapaz em outro ponto com Corey e Mason. — Contou pra ele?

— Não. — Theo moveu o nariz em uma careta despreocupada. — Resolvi não contar, vou deixar ele pensando que vai ficar sozinho, Corey e Mason vão fazer mochilão no Canadá e ele vai pra faculdade de veterinária segurar vela do Scott e da Malia. Então um dia, quando ele menos esperar, e estiver andando pelo campus distraído, vai dar de frente com um cara lindo, maravilhoso e irresistível que por um acaso esqueceu de mencionar que estava indo cursar administração naquele mesmo campus.

A escolha de curso de Theo não tinha exatamente a ver com Liam, ele estava realmente empenhado no hotel que ele, Derek e Peter estavam montando, administração era o curso que o ajudaria a gerenciar melhor o lugar e a Universidade de Beacon era próxima o bastante para que ele ainda pudesse voltar pra casa.

Já Crystal tiraria um ano sabático, a faculdade de Artes era uma possibilidade e a Universidade da Califórnia já tinha expressado interesse nela, mas a jovem queria entender um pouco sobre si mesma primeiro, não só na questão sobrenatural e romântica, mas sobre sua própria veia artística... por isso tiraria um tempo para descobrir se pintar era mesmo algo que ela queria fazer profissionalmente ou se seria apenas um hobbie.

Ela tinha um mundo de opções pela frente, sair correndo para a faculdade, apenas porque era o que todo mundo fazia e esperava não era algo necessário, quando Crystal tivesse certeza sobre o que queria, então ela daria o primeiro passo. Assim como teve certeza sobre Derek, por isso se casou. Não havia motivo para correr, não era uma corrida.

— "Lindo, maravilhoso e irresistível?" — Crystal repetiu debochada. — Não sabia que o Derek estava indo cursar administração.

Theo encarou a jovem falsamente ofendido.

— Por que é que eu escolhi você pra ser minha melhor amiga, mesmo? — Ele provocou de volta.

— Você não me escolheu, eu obriguei você. — Crystal respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia de todas.

— Ah, essa sim é uma explicação plausível. — Os dois riram juntos.

Havia algo de muito confortável no fato de terem certeza que eles sempre estariam juntos, não só por serem uma alcateia, mas porque a amizade que compartilhavam era um vínculo forte e inquebrável.

— E aí? Estão falando de quê? — Liam se aproximou dos dois, depois de algum tempo.

— De como você fica ridículo nesse terno... — Theo respondeu quase de imediato.

— Você está usando um terno igual ao meu, Theo. — Liam revirou aos olhos e se encostou ao lado do mais velho.

— Mas eu sou mais lindo maravilhoso e irresistível que você. — Theo retrucou, usando as mesmas palavras que tinha usado com Crystal.

Ela segurou o riso e se desencostou de Theo para disfarçar.

— Eu não sei... — Liam encarou o mais velho por alguns segundos, exibindo um sorriso travesso. — Não acho que é isso que você pensa quando está me beijando.

Theo cruzou os braços, irritado por perder no próprio joguinho.

— Eu não beijo você. — Ele moveu os ombros, fingindo ser superior. — Eu soco a sua boca com a minha, é diferente.

Crystal deve que morder os lábios para não cair na gargalhada, mas Liam ainda manteve o sorriso vitorioso, como se nada o abalasse.

— Pode até ser, mas você faz isso porque gosta de mim. — Lançou, e aquilo era o mais direto que ele já tinha sido.

Theo o encarou por dois ou três segundos, seu olhar era intenso e cheio de significados e Liam prendeu a respiração.

— Pode até ser... — Theo não deu a confirmação direta que Liam tanto queria. — Mas você deixa, porque gosta de mim também.

— Pode até ser... — Liam respondeu do mesmo jeito.

Um dia os dois diriam o quanto se gostavam; o quanto aquele sentimento vinha crescendo e se tornando algo que os arrebatava. Um dia eles admitiriam e diriam as três palavras. Mas não aquela noite...

No fim Liam e Theo seriam sempre o casal de mais ação e menos palavras.

— Arrumem um quarto! — Crystal debochou, vendo que aquele olhar dos dois logo terminaria em beijo.

Então se afastou deles, cruzando a pista de dança ao mesmo tempo em que Derek caminhava em sua direção. Uma música lenta começava a tocar, com acordes suaves e estilosos e uma voz masculina e romântica.

Quando se encontraram no meio do caminho, Derek estendeu sua mão em um convite que logo foi aceito. Crystal apoiou as mãos nos ombros dele e ele lhe envolveu a cintura, então os dois começaram a se mover no ritmo da música.

— Olá, marido. — Crystal sorriu, olhando nos olhos verdes apaixonadamente.

— Olá, esposa. — Derek respondeu, correspondendo o olhar da mesma forma.

Sorriram um para o outro, enquanto seus pés e corpos encontravam a sincronia perfeita entre si mesmos e a música.

Crystal se aproximou mais um passo e envolveu o pescoço de Derek, ao mesmo tempo que ele escorregava as mãos pela cintura dela.

— Eu te amo, Derek, sabia disso? — Ela declarou, com os olhos ainda nos dele.

— Bom, você se casou comigo, então... — Ele sorriu e a fez girar no ar por um momento, quando a levantou do chão.

Derek estava feliz, muito mais feliz do que achou que poderia ser um dia.

— Eu te amo também, Crystal. — Declarou, encostando a testa na dela e a beijando apaixonadamente ali mesmo na pista de dança.

A música falava sobre pessoas se apaixonando de maneiras misteriosas, e declarava amor, enquanto pedia beijos sob a luz das estrelas. Dizia que esse amor duraria, não importavam os efeitos do tempo. Não podia ser mais apropriado...

Derek acariciou o rosto de Crystal por um segundo quando tiros os lábios dos dela.

— O que você acha de jogar logo o buquê e saírmos de fininho? — Ele sussurrou em meio a música.

— Acha mesmo que ainda tem um buquê pra jogar? — Crystal riu. — A Lydia já se apossou dele.

Derek riu também, puxando sua esposa para mais perto do seu corpo.

— Ótimo, porque tudo que eu quero agora é a minha Delta e o nosso paraíso particular. — Ele declarou com um meio sorriso cheio de promessas.

— Ótimo, porque isso é tudo que eu quero também, meu Alfa. — Crystal beijou os lábios dele de leve.

Os dois saíram da pista de dança de mãos dadas, se esquivando dos convidados e correndo para o carro como dois amantes travessos.

O som da risada deles era como a promessa de felicidade eterna. Seus olhos brilharam, não vermelhos e fúcsias, apenas o brilho do amor em suar orbes.

Derek Hale e Crystal Hale entraram no camaro enfeitado com latinhas e partiram juntos para uma Lua de Mel que duraria toda uma vida.

Afinal, quando se ama alguém, cada dia é novo, especial e memorável.

As latinhas batendo no solo ecoaram pela reserva quando o carro ganhou velocidade e, pela primeira vez, em um longo, longo tempo, nada estranho estava acontecendo em Beacon Hills...

FIM

Notas finais
Link da Música: https://www.youtube.com/watch?v=lp-EO5I60KA Vestido da Crystal: https://i.imgur.com/j5VDCGL.jpg Terno do Derek: https://i.imgur.com/vKPdOsV.jpg Alianças: https://i.imgur.com/OmXQCps.jpg Então é isso... Chegamos ao fim de Running with Wolves... Eu tô muito emocionada agora, porque esse capitulo é o meu xódozinho, eu comecei essa história porque sempre quis que Teen Wolf tivesse mais uma temporada, sempre quis que o Derek tivesse um plot descente, sempre quis ver meu Thiam juntos... Eu termino Running com uma sensação imensa de dever cumprido, e espero que vocês tenham gostado desse último capitulo tanto quando eu gostei de escrevê-lo. FairyWolf tem uma jornada linda de amor e companheirismo e eu tenho muito orgulho do meu casalzinho, e eu sei que vocês amam esses dois tanto quando eu, porque sinto isso no meu coração com cada comentário. Obrigada de todo o coração por terem me acompanhado nessa aventura, Running me fez crescer mais um pouquinho como escritora e vocês aqui do Wattpad me receberam com tanto carinho e confiaram tanto no meu trabalho que eu nem sei o que dizer, a repercussão de Running aqui dentro dessa plataforma foi tão surpreendente, superou todas as minhas expectativas. Agradeço imensamente por cada comentário e cada voto, sintam-se abraçadas por mim. Me despeço com lágrimas nos olhos. Obrigada mais uma vez. Beijos e até uma próxima oportunidade!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!