Notas iniciais
Hello meus amores!! Demorei um pouquinho mais que o previsto, mas cá estou com capitulo novo de Running. Obrigada mesmo por todo o apoio, comentários e favoritos, sei que sempre agradeço, mas nada motiva mais do que a empolgação de vocês. Então vamos lá, ver se o Derek vai conseguir respostas, e dar mais uma desenvolvida na amizade Theo x Crystal que é uma das coisas que eu mais gosto nessa fic! Boa leitura!

Debaixo da Beacon Hills High School, ocultado por uma tranca que apenas as garras de um lobisomem Hale podia abrir, estava o cobre da família. Aquele era o destino de Derek assim que ele deixou a casa de Crystal Green.

Tinha vagas lembranças de Rosalyn Riven, porém nada que explicasse o que a mulher era e, tampouco, porque sua filha tinha um livro com o símbolo misterioso que aparecera no peito de um garoto morto.

Derek não era ingênuo o bastante para pensar que todos aqueles eventos eram apenas coincidência. Tinha algo mais, algo que conectaria tudo, era quase como se pudesse sentir.

Decidiu ir até o cofre procurar por qualquer pista, mas depois de horas procurando não encontrou coisa alguma.

Bateu a poeira das mãos e suspirou de frustração. Não era possível que não houvesse nada sobre os Rivens. Começou a ficar impaciente, era sobre o assassinato, claro, mas não era apenas sobre isso, na verdade o estado inquieto de Derek tinha muito mais a ver com Crystal Green do que com o garoto morto.

Tinha que haver algo que explicasse aquela fascinação por ela, afinal aquele desejo, não podia ser normal.

Ela é praticamente uma criança ainda. Não faz sentido...

Derek tinha absoluta certeza que aquela atração não era natural, o jeito como todo seu corpo agia perto dela, e como a mente ficava entorpecida... E aquele cheiro.

— Quem é você Crystal Green...? — Resmungou em voz alta, mas nenhuma resposta lhe veio à mente. Até pensar com clareza era complicado com a imagem da garota loira em seus pensamentos.

Aqueles momentos no closet ficavam passando em looping na sua memória. Eu ia mesmo beijá-la? Questionou-se incrédulo. Quão estúpido isso seria?

E mesmo naquele instante, com a garota tão longe, todo o corpo de Derek dava sinais de que queria bem mais do que simplesmente beijar Crystal, era quase insano. Era como os instintos que o dominavam na Lua cheia...

Derek negou algumas vezes, realmente precisava de respostas, se podia controlar os instintos lupinos na Lua cheia, então talvez pudesse controlar aquela atração insana por Crystal Green. Ou seria Crystal Riven?

Talvez situações desesperadoras, precisassem de medidas desesperadas, por isso pegou o celular no bolso traseiro e procurou o número de seu tio, Peter Hale.

Pra qualquer outra pessoa uma ligação para o tio não seria grande coisa, mas para Derek era. Primeiro porque não se dava muito bem com Peter e segundo: não se dava bem com o próprio aparelho celular. Na verdade, até alguns meses atrás, Derek sequer tinha um telefone, só comprou um depois de Chris Argent teve que atravessar o país apenas para encontra-lo. Mas ainda não gostava muito do aparelho, e nem se preocupava em ficar mexendo nele.

Derek esperou o telefone chamar do outro lado da linha, mas isso não aconteceu, uma voz feminina um tanto robótica avisou que o numero chamado estava fora de área.

— Merda... — Derek resmungou, tentando outras vezes e obtendo o mesmo resultado.

Lembrou que Peter estava na França, mais precisamente em Paris, tinha ido ver a filha Malia.

Derek pensou em não ligar, afinal isso podia preocupar Malia, que por sua vez certamente preocuparia Scott, e logo toda a alcateia estaria de volta a Beacon Hills, algo que nenhum dos pais desses adolescentes queria. A não ser Peter, mas ele não era exatamente o pai da Malia, já que ela ainda dava esse posto ao senhor Tate.

Eu posso inventar uma desculpa. Derek pensou enquanto procurava o número. Precisava saber logo sobre Rivens e Greens, antes que acabasse enlouquecendo por causa de Crystal.

Daquela vez o telefone chamou, sendo atendido no segundo toque.

— Derek? — A voz de Malia soou surpresa do outro lado da linha.

— Oi, Malia. Como vão as coisas aí na França? — Derek tentou parecer casual.

Não era tão próximo da prima, embora os dois tivessem desenvolvido alguma afinidade nas últimas semanas que Malia tinha passado em Beacon Hills.

— Graças a Deus que você ligou! — Ela pareceu bastante aliviada. — Você tem que dizer ao Peter que ele precisa voltar pra Beacon Hills.

— Por que, o que aconteceu? — Derek questionou, estranhando um pouco aquele assunto.

— Ele não me deixa em paz, Derek, ele fica na minha cola e quer me comprar coisas o tempo todo. Quer saber o que eu tanto converso com Scott. Não aguento mais. Tira ele daqui! — Malia não era conhecida por ter filtro, sendo sempre bem direta sobre qualquer coisa, talvez por isso Derek gostasse dela.

Riu, porque não conseguia imaginar Peter naquele tipo de situação.

— Acho que ele só quer se aproximar de você, Malia, fazer umas coisas de pai e filha. — Devolveu neutro, jamais seria a primeira pessoa a defender o tio, mas podia entender a situação.

Na verdade, achava até bom que Peter estivesse tomando algum jeito na vida.

— Eu não vim pra França pra fazer coisas de pai e filha, eu vim pra me divertir. Não dá pra fazer isso com ele aqui. — Malia retrucou impaciente. — Eu quero sair, dançar, beber, ficar longe de encrenca sobrenatural e principalmente trocar sexting com o meu namorado que está do outro lado do mundo e não posso fazer isso com um pai que sente qualquer cheiro diferente e ouve qualquer coisa.

Derek levou um segundo pra processar tudo, e piscou algumas vezes quando entendeu o sentido da coisa.

— Acho que eu não precisava saber desses detalhes...

— Tira ele daqui Derek, ou ele vai ter que ressuscitar outra vez, porque eu vou matá-lo. Inventa um grande inimigo ou um problema. Não me importo. — Malia era bastante enérgica quando queria alguma coisa, lembrava Cora em alguns aspectos.

— Eu estava tentando ligar pra ele agora, mas não consegui falar. — Derek finalmente conseguiu chegar no ponto em que queria, aquela era provavelmente a conversa mais longa que tivera com alguém no telefone.

— Eu o mandei para o outro lado da cidade, pra comprar um doce pra mim, ele vai demorar, porque o tal doce só saí uma vez por dia. Eu precisava de tempo pra... — Malia se calou, e Derek pode ouvir perfeitamente o notebook apitando. — Tenho que ir, Scott está me chamando por vídeo.

Ela sequer esperou por resposta e desligou o telefone na cara de Derek. Ele por sua vez conseguiu imaginar perfeitamente porque Malia queria Peter longe.

— Tchau pra você também. — Falou sozinho, encarando a aparelho por um momento.

Tentou o telefone de Peter uma vez mais, porém continuava fora de área. Por fim, Derek se convenceu a mandar uma mensagem.

Não era muito de mandar mensagens, e levou um tempo maior do que qualquer pessoa da sua idade levaria, escrevendo certo demais e tendo problema com os dedos, por serem muito grandes e sempre bateram em outras letras.

"O que você sabe sobre Rosalyn Riven?
Ela era amiga da minha mãe, lembra?
A filha dela está na cidade e
eu preciso de algumas respostas,
me liga se souber de algo."

Apertou o botão de enviar e suspirou, pelo visto teria que lidar com Crystal sozinho, até obter resposta.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Era fim de tarde, Theo Raken parou o carro em frente ao endereço enviado por Crystal Green mais cedo. Ainda achava tudo aquilo uma imensa perda de tempo. Havia passado toda a infância e parte da adolescência querendo ser especial, querendo ser poderoso, tinha feito coisas cruéis e abomináveis pra isso. E então, do nada, estava lá vivendo como um garoto normal, gastando tempo com coisas banais como escola.

Bufou, batendo a porta da caminhonete e seguindo para a casa dos Green.

A verdade é que a estadia de Theo no purgatório das Skin Walkers tinha sido uma experiência muito traumática, ao ser tirado do chão por Liam o garoto quimera passou a ver as coisas de uma forma diferente.

Criou uma certa afinidade com o beta de Scott, e de primeira pensou que fosse apenas algum tipo de gratidão estúpida, mas a coisa vinha evoluindo de forma diferente... Theo gastava um bom tempo tentando não pensar nisso. Do que adiantaria pensar no assunto, certo?

Ele e Liam eram diferentes demais, opostos demais... Pensar sobre isso seria perda de tempo. Mas a verdade é que quanto mais Theo tentava tirar o assunto da mente, mais a coisa toda ganhava espaço.

— Hey, Theo, que bom que você chegou. Entra. — Crystal Green interrompeu os pensamentos do jovem, abrindo a porta e cedendo passagem para ele.

Theo até pensou em ser grato pela interrupção, mas Crystal tinha um sorriso irritante no rosto, por isso ele apenas revirou os olhos antes de passar pelo batente.

— Onde estão os outros idiotas? Não vou fazer essa porcaria de trabalho sozinho. — Resmungou, parando no meio da sala e reparando que a casa parecia saída de um comercial de margarina.

— Por que você está sempre de mau-humor? — Crystal questionou, apontando o sofá para que ele se sentasse. Trazendo uma bandeja com comes e bebes logo depois.

Theo se serviu imediatamente, era difícil comer algo que não tivesse saído de uma loja de conveniências, quando se vivia em um carro, então qualquer coisa minimamente caseira era quase um balsamo.

— Você fez isso? — Apontou o sanduiche e Crystal negou, servindo-lhe um copo de refrigerante.

— Meu avô fez. Eu disse que uns amigos viriam, e ele deixou pronto antes de sair com a minha avó. — A resposta foi amigável e leve.

Theo pensou se Crystal ainda seria assim se soubesse toda a verdade sobre quem ele era. Ninguém era legal com ele. Nunca. Exceto por Liam, mas aquilo era uma história na qual não queria pensar naquele momento.

Lançou um olhar mais atento para a garota, enquanto ela caminhava de um lado para o outro trazendo os materiais do trabalho.

Ela não era horrorosa, isso devia explicar o interesse de Liam... Tentou capitar o perfume que o beta havia mencionado, mas não sentiu coisa alguma.

Na verdade, se fosse honesto sobre Crystal, ela era bem sem graça, parecia uma boneca de porcelana que Theo poderia quebrar com uma mão presa nas costas.

Aqueles idiotas tem um péssimo gosto para amizade, assim como tem um péssimo gosto para qualquer coisa. Pontuou mentalmente, enquanto Crystal tentava puxar um assunto entediante.

Foi nesse momento que o telefone de Theo vibrou em seu bolso. Era uma mensagem de Liam.

"Chegaremos logo.
Parei pra falar com o treinador
sobre te colocar no time."

— Os palermas vão se atrasar. — Falou em voz alta, para que Crystal ouvisse, enquanto já digitava a resposta.

"Quem disse que eu quero
estar nesse maldito time?"

Theo apertou enviar com um sorriso superior no rosto, algo que não passou desapercebido por Crystal. Que tinha os olhos bem atentos nas reações do jovem.

Novamente o celular vibrou, e Theo leu a resposta sem pensar muito.

"Não começa!"

— Idiota! — Xingou, sem digitar resposta alguma e cruzou os braços, se encostando totalmente no sofá.

Sequer sabia por que deixava Liam decidir tudo daquele jeito.

— Então, há quanto tempo você e o Liam estão nesse chove não molha? — Crystal questionou naturalmente e Theo levou alguns segundos pra se refazer do choque

— Como é que é? — Retrucou ofendido e a garota revirou os olhos verdes enquanto ria.

— Ah, para, pelo amor de Deus! Está na cara que vocês são afim um do outro, essa coisa de ainda estar no armário é tão década passada. — Ela deu de ombros, como se fosse um assunto totalmente banal.

— Eu vou matar você! — Theo decidiu em um rompante que faria qualquer outra pessoa ter medo, mas Crystal apenas riu.

— Tudo bem, então você não é afim dele. Mas ele certamente é afim de você. — A garota devolveu de queixo erguido como se soubesse de tudo.

Theo se sentiu estranhamente desarmado. Exposto.

— Você não sabe disso... — Voltou a sua posição no sofá, como se não fizesse a menor diferença.

Crystal ergueu apenas uma das sobrancelhas e balançou a cabeça como quem diz "então 'tá". Mudou de assunto depois disso, voltando a conversas estúpidas sobre trabalho, para o qual Theo não dava a mínima.

Saber a opinião de outra pessoa seria bom... pensou enquanto encarava a garota. Theo não tinha muitos amigos, na verdade não tinha amigo nenhum. Agia como se não precisasse e como se não ligasse, mas lá em seu íntimo sentia falta de ter alguém com quem falar.

— Ele gosta de garotas. — Declarou como se não fizesse diferença.

Crystal ergueu os olhos verdes e havia um sorriso compassivo e doce em seus lábios.

— E você, gosta de garotas também? — perguntou calma, havia algo em sua voz que fazia Theo se sentir acolhido de alguma forma.

— Claro. — Ele deu de ombros dando ênfase na palavra para torná-la mais verdadeira.

Gostava de garotas? Havia beijado Tracy, depois de trazê-la para o seu lado, mas não era real, nas havia sentimento, era puramente prático. Fazia parte do plano. Assim como sua interação com Malia, queria a coiote ao seu lado, por isso tinha tentado seduzi-la, mas não era pessoal também. Seu objetivo de ser o alfa e ter uma alcateia poderosa, engolira toda a sua vida, tornando cada traço de suas relações com terceiros parte daquele plano.

Até mesmo Liam fora parte do plano por um tempo...

Na verdade, Crystal era a primeira pessoa com que Theo interagia que não tinha a ver com sua vida sobrenatural.

— Mas você também gosta do Liam, certo? — Ela perguntou ainda mais amigável, quase como se soubesse a resposta, mas esperando que o próprio Theo visse a verdade.

Ele gostava de Liam? O incidente de noites antes voltou a mente de Theo, ele ainda podia sentir o cheiro do quarto impregnado em suas narinas, tinha sido real?

A falta de resposta não deixou Crystal surpresa, ela voltou a focar no trabalho de artes enquanto falava:

— Olha só, do meu ponto de vista é bem simples: Liam gostava de garotas e você gostava de garotas, até que vocês simplesmente passaram a gostar um do outro.

Theo achou muito simplista, teria rido, mas uma parte sua gostou da teoria o bastante para fazê-lo dar atenção a Crystal.

— Héteros, gays, bis, não importa, porque no fim somos todos iguais, nos apaixonamos por pessoas e não por rótulos. Calhou da sua pessoa ser um garoto... e daí? — Crystal deu de ombros quando terminou e daquela vez Theo soltou uma rizada irônica.

— E você vive em um mundo cor de rosa, onde todo mundo é perfeito e se ama... — Ele retrucou ácido. — Você é tão ingênua que chega a dar dó.

Crystal franziu os lábios como quem diz: "que seja", e ergueu os olhos para Theo novamente.

— Talvez... Mas você não disse que não gosta dele.

— Também não disse que gosto. — Theo cruzou os braços e sorriu em desafio.

— Quem cala consente, não é o que dizem? — Ela devolveu a altura, com o mesmo sorriso.

Theo decidiu que Crystal era chata, mas não tão insuportável.

— As pessoas dizem muitas besteiras. — Ele se serviu de outro sanduiche e deu de ombros.

Crystal estava pronta para retrucar, mas Theo a interrompeu com um gesto de sua mão esquerda.

— Eles chegaram. — Avisou, querendo mudar imediatamente de assunto.

— Como você sabe? — Crystal questionou, não sendo capaz de ouvir coisa alguma.

— Eu ouvi o carro, você é surda? — Theo retrucou, lembrando que só ele possuía audição apurada ali dentro. — Se você abrir a boca sobre qualquer coisa eu vou...

— Relaxa Theo, somos amigos. Amigos guardam segredos uns dos outros. — Crystal sorriu, se colocando de pé, tinha finalmente escutado o carro parando em frente a casa.

— Não somos amigos. — Ele ainda tentou negar.

— É meio tarde pra voltar atrás agora. — Ela riu, seguindo para a porta e deixando Theo no sofá.

Ele sorriu quando a garota virou as costas, não sabia por que, mas a ideia de ter uma amiga não parecia tão terrível assim, mesmo que essa amiga fosse uma chata, feito Crystal Green.

A tarde seguiu normal depois disso, os sanduíches acabaram e o trabalho foi feito. Mesmo assim, os cinco adolescentes continuaram reunidos falando de amenidades.

Para os quatro meninos na sala era bom se sentir normal novamente, conversando sobre coisas pertinentes para suas idades e não sobre assassinatos misteriosos.

Crystal, no entanto, se pegava olhando a tela do celular de tempos em tempos, mesmo que fizesse apenas algumas horas, já estava esperando uma mensagem de Derek Hale.

Era mais forte que ela, quase magnético. Derek a fazia sentir coisas que nenhuma outra pessoa havia despertado nela. Se pegava pensando no moreno de olhos verdes, mesmo quando não tinha um motivo pra isso.

A teoria de ser apenas uma fascinação pelo badboy seguia em sua mente, mas depois de todo aquele clima no closet, que só um idiota não teria percebido, Crystal tinha incrementado um pouco suas ideias: Talvez fosse algo próprio de lobisomens...

Quer dizer, na mídia aquele sex appeal era uma coisa de vampiros, mas talvez, na vida real, fosse algo dos lobos.

Na verdade, a fascinação era tanta, que todo o resto ficou em segundo plano: Eliza se chamava Rosalyn, era um ser sobrenatural misterioso e tinha deixado um livro bizarro com o símbolo de um assassinato, talvez Crystal não fosse uma bruxa e Derek era um lobisomem...

Mesmo esse combo de revelações impressionantes, não tinha ofuscado o que Crystal havia sentido naquela tarde. Céus, eu teria me atracado com ele ali mesmo no closet, lembrou, sentindo as borboletas dançarem em seu estômago.

Não era esse tipo de garota, claro que já tivera um ou outro paquera, alguns beijos e amassos, nada mais que isso, principalmente com um cara anos mais velho.

Mas todo o pudor e receio de Crystal haviam desaparecido totalmente quando Derek Hale estava tão perto...

— Hey galera, olha só. — Corey balançou o celular, interrompendo alguma discussão habitual de Liam e Theo, e tirando Crystal de seus devaneios. — O Sinema está dando uma festa com entrada grátis para todas as idades.

— Sinema? — Crystal repetiu sem entender.

— É uma casa noturna, geralmente a gente não pode entrar sem uma identidade falsa ou subornar o segurança, mas pelo visto hoje a noite a entrada está liberada. — Mason respondeu, analisando o post do facebook no celular do namorado.

— Temos que ir, merecemos isso! — Corey incentivou com um sorriso, e embora Mason tenha assentido, Liam parecia um tanto incerto.

— Vão vocês, não estou no clima pra baladas. — Theo resmungou, em seu humor habitual.

— Corey está certo. Nós merecemos isso. Acabamos o trabalho em tempo recorde e é a minha primeira semana na cidade. Temos que comemorar! — Crystal animou se colocando de pé no mesmo instante, alternando olhares entre Liam e Theo. — A gente vai sim. Vocês dois não podem dizer não.

Liam pensou por um momento. Talvez fosse um tanto irresponsável sair pra se divertir dias depois de uma morte misteriosa, mas talvez Chris Argent estivesse certo, talvez não fosse nada. Passou os olhos instintivamente por Theo antes de assentir, se dando por vencido.

O garoto quimera, por sua vez, não estava muito certo, e aquilo em nada tinha a ver com assassinatos e mistérios. Simplesmente não era acostumado com aquele tipo de programa. Mas perceber Liam lhe encarando em expectativa acabou por convencer Theo.

— Ótimo! Desço em dez minutos! — Crystal comemorou, e saiu da sala correndo, sem esperar por outra resposta.

Subiu as escadas rapidamente, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si, já pensando no que vestiria.

Encontrou o Senhor Bigodes dormindo enrolado em suas cobertas, o que era estranho, já que o gato costumava gostar de visitas, mas presumiu que ele estivesse apenas cansado. Sem sequer desconfiar que o motivo para o felino se manter afastado, era a natureza dos visitantes.

Crystal entrou no closet, e começou a vasculhar entre as centenas de roupas.

— O que eu visto? O que eu visto? — Foi passando entre calças, vestidos, saias e shorts rapidamente, enquanto tirava a camiseta que vestia e a jogava em um canto ficando apenas de sutiã.

Foi quando um arrepio quente subiu por sua espinha. Eu estava com ele bem aqui, lembrou de Derek, sentindo o rosto esquentar no mesmo instante.

Teve uma ideia ousada e um tanto idiota mesmo em sua mente, mas ignorou a própria consciência, pegou o celular e digitou uma mensagem rapidamente.

"E aí, Lobo Mandão,
o que 'tá fazendo?"

Há quilômetros dali, mais precisamente no loft de Derek Hale, um aparelho celular apitou.

Derek estava no meio do banho quando aconteceu, sua audição lupina captando o som imediatamente.

Pensando ser Peter, Derek desligou o chuveiro e enrolou sua nudez em uma toalha, saindo descalço do box para pegar o celular. Seu coração pulou uma batida ao ver o nome de Crystal na tela, seguido da mensagem que ela acabara de enviar.

Bufou para o apelido, mas mandou uma resposta imediatamente.

"Saí da sua casa tem apenas algumas horas,
não tenho nenhuma resposta para você ainda,
senhorita Green."

Crystal ainda não tinha escolhido uma roupa, mas cuidava do cabelo e da maquiagem quando a resposta chegou. Ela sorriu quando encarou a tela, percebendo de cara que Derek escrevia muito formalmente e achando aquilo bastante atraente.

"Não perguntei se você tem respostas
perguntei o que você está fazendo..."

Derek achou a resposta ridícula, e um tanto inoportuna. Ela estava mesmo puxando assunto? Se sentou na cama, e passou a mão pela barba, pensando no que responder por um segundo.

"Por que você quer saber?
Aconteceu alguma coisa?
Alguém morreu?"

Crystal encarou a mensagem na tela e achou um exagero, se perguntando se as coisas no mundo sobrenatural realmente eram tão ruins daquele jeito. Passou um batom mais forte que o habitual e digitou em seguida:

"Meu deus, Não!
Que pessimismo!
Eu e uns amigos vamos sair pra uma balada,
quer vir também?"

A resposta veio tão rápido que Crystal sequer tinha soltado o celular ainda, quando ele vibrou novamente.

"Não."

Ela digitou ainda mais rápido e enviou:

"Por que?"

Derek olhou para a tela por alguns segundos, sabia por que não queria ir, e ironicamente o motivo para não querer ir, era também o motivo de querer.

Não sabia se conseguiria se controlar perto de Crystal, toda a coisa no closet era prova o bastante daquele magnetismo. Pensou em uma resposta que não fosse tão... reveladora. Optou por uma meia verdade.

"Eu estou ocupado,
tentando desvendar um mistério
antes que isso mate mais alguém."

Sem realmente se dar conta, Derek ficou esperando a resposta, os olhos fixos na tela, embora a mente tenha voltado para aquele maldito closet.

Era como se a imagem de Crystal, respirando descompassadamente e toda ofegante, estivesse gravada em sua mente como tatuagem.

Passou a mão pelo rosto, como se quisesse espantar os pensamentos e resolveu se vestir, não era uma boa coisa ficar só de toalha, conversando com uma garota quase seis anos mais nova, pela qual ele tinha desejos estranhos.

O celular apitou novamente minutos depois, Derek já havia vestido a calça, embora permanecesse sem camisa.

"Nossa como você é mal humorado,
até por mensagem, credo...
Eu vou te mandar o endereço,
se ficar entediado de bancar o Sherlock aparece por lá.
Bjss"

Crystal já estava totalmente vestida, mandou a mensagem e desceu, encontrando os amigos impacientes com a sua demora.

Liam acabou indo com Mason e Corey, por isso Crystal foi na caminhonete de Theo.

Ela digitava o endereço para Derek, quando percebeu os olhos do novo amigo sobre si.

— Pra quem tanto você digita? — Ele questionou, alternando os olhos entre ela e a estrada.

— É um cara mais velho que eu conheci, o convidei pra aparecer por lá. Você não acha mesmo que eu vou ficar segurando vela para o Mason e pro Corey e pra você e pro Liam a noite toda, acha? — Ela respondeu depois de apertar em enviar.

Theo revirou os olhos, voltando-os para estrada, não se interessou o bastante no assunto para fazer perguntas.

Menos de dez minutos depois estavam em frente ao Sinema.

— Vem cá, vamos tirar uma foto. — Crystal o puxou Theo pelo braço, e bateu a selfie antes que o garoto tivesse tempo de retrucar. Recebeu um olhar nada amigável como resposta.

— Deixa eu ver. — Theo puxou o telefone da mão dela e viu a pior foto de todas. — Tira essa porcaria direito, pelo menos.

Ele mesmo posicionou o celular daquela vez, tirando a foto que Crystal queria, fazendo uma pose falsa, apenas porque sabia que Liam estava olhando, parado na frente do carro de Mason.

A última coisa que Crystal vez, antes de entrar na Sinema, foi postar a foto no instagram.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Derek Hale havia ignorado a última mensagem de Crystal, deixando-a sem resposta. Mas isso não significava que ele tinha parado de pensar nela, pelo contrário, sobre a mesa o arquivo que Argent havia conseguido sobre a garota estava espalhado, as fotos dispostas em ordem, enquanto Derek, com os dois braços apoiados no móvel, encarava cada uma delas.

Pra que tanta foto assim? Pensou, pegando uma das imagens, nela Crystal estava com o gato alaranjado, fazendo bico para a câmera.

Derek jogou a foto na mesa e negou, apenas uma criança boba... Sentou-se na cadeira atrás de si, revisando cada folha novamente, para se certificar se não havia deixado nada passar.

Parou em uma página especifica, onde Chris imprimira uma lista com todas as redes sociais da garota. Derek ficou olhando aquilo por um tempo, até que pegou o celular e procurou por um dos perfis.

Teve que fazer um cadastro no tal Instagram para poder usá-lo e isso lhe tomou algum tempo, minutos longos o bastante para que o jovem Hale se perguntasse que merda estava fazendo da vida, mas ainda assim, não longos o suficiente para que ele desistisse.

Assim que abriu a página de Crystal um gosto amargo subiu na sua garganta, fugindo para o exterior em forma de um rosnado de raiva.

Derek encarou a foto em choque, nem sabia porque estava tremendo de tanta raiva. Nela Crystal posava sorridente com o lobisomem de mentira, Theo Raeken.

A foto tinha sido postada cerca de meia hora atrás, e continha uma legenda cheia de emojis e uma sigla que Derek sequer tentou entender: "BFF".

— Mas que droga! — Xingou, se levantando em um rompante e pegando a jaqueta que estava jogada na cadeira, junto com as chaves do Camaro.

Pelo visto tinha uma balada pra ir...

Notas finais
Malia deu o ar da graça (eu amo muito ela gente, vcs não fazem ideia, quer dizer, acho que quem me acompanha em outra fic faz ideia sim uashuash) Logo o pack vai aparecendo aos poucos e em breve eles colocam os pés em Beacon Hills novamente. Crystal é a maior Thiam shipper que a gente respeita uashauhushaush (ela é muito amorzinho gente!!) E Derek criando conta só pra stalkear a crush? aushauhsuahs Parece que vai ter OTP na balada sim, sim!! Vamos ver no que isso vai dar! Bjss e até semana que vem!!!