Notas iniciais
Bom dia, amores e amoras!!! Passando bem cedinho pra gente começar o dia correndo os lobos!! Eu nem consigo dizer o quanto estou feliz com o crescimento da fic, sério gente, obrigada mesmo pela confiança e carinho, vocês são fodas pra caralho. Boa leitura!

O Sinema estava movimentado aquela noite, adolescentes de Beacon Hills e de cidades vizinhas tinham se reunido na casa noturna, que animava o público com uma batida eletrônica constante, acompanhando as luzes coloridas que iluminavam a pista escura, dando um ar bastante psicodélico para a balada.

Corey e Manson foram os primeiros a se distanciarem dos amigos, se jogando na pista, animados, como há muito não se permitiam ficar.

Crystal ainda olhava o lugar meio atordoada, sua cidade no Maine não tinha baladas daquele porte, então havia um tanto de deslumbramento em seu olhar.

Theo estava indiferente, o barulho e as luzes eram incômodas para os seus sentidos sobre-humanos, no entanto curiosamente gostava do clima do lugar.

O grande problema era Liam, que tinha acabado de se tocar que fora uma péssima ideia colocar os pés no Sinema. Respirou fundo e passou a mãos esquerda pelos fios castanhos, frustrado pelas lembranças que o local trazia... Hayden.

A garota se mudara de cidade com a irmã, cansada de tudo que envolvia o mundo sobrenatural, sequer quis manter contato, colocando um ponto final abrupto no seu relacionamento com Liam.

Um término que acabara com todas as estruturas do garoto, na verdade seus problemas de raiva se tornaram ainda piores depois da partida de Hayden.

Nem sei o que teria acontecido se não fosse o Theo... pensou, olhando o garoto quimera que parecia em uma conversa muda com Crystal.

Ao perceberem o olhar de Liam, os outros dois mudaram de postura imediatamente.

— Quer saber, eu vou no banheiro... — Liam declarou contrariado, sumindo entre a as pessoas logo depois, pra não dar tempo de ninguém responder.

— Ele está com ciúmes de você — Crystal declarou, assim que se viu sozinha com o Theo. — Devia falar com ele, jogar a real logo e sair desse chove não molha.

Theo revirou os olhos e negou algumas vezes.

— Como você consegue ser tão intrometida? — Jogou em um tom bem menos agressivo que o natural, era mais um deboche amigável do que qualquer outra coisa. — Além do mais ele está assim por causa da ex, ela trabalhava aqui.

— Isso é ótimo! — A jovem comemorou e deixou Theo visivelmente confuso. — Ele está triste agora, precisando de um amigo, de alguém que o tire daqui e o leve em algum lugar pra esquecer toda essa merda. É aí que você entra em ação. Vai lá e conquista o boy.

— Meu Deus, acho que vou ter que falar para os seus avós te levarem urgente para a Eichen House. — Theo devolveu em um tom falsamente preocupado.

— O que é uma Eichen House? — Crystal franziu as sobrancelhas e voltou seus olhos verdes para o novo amigo.

— É uma clínica pra gente com problema na cabeça. — Ele riu abertamente e acabou ganhando um tabefe no braço.

Theo não admitiria nunca, mas, mesmo achando a visão de Crystal sobre a vida um tanto simplista, tinha gostado da ideia dela.

Claro que fez seu próprio plano, talvez se embebedasse Liam o bastante o garoto dissesse algo que resolvesse aquela bagunça. Afinal Theo jamais seria o primeiro a tocar naquele assunto. Nem morto.

Percebeu que Crystal estava olhando o celular, com uma expressão decepcionada no rosto.

— Olha só parece que a garotinha metida a cupido tem problemas no amor. — Theo debochou, recebendo um olhar engraçado como resposta.

— Não é amor, é só o princípio de um interesse... — Ela tentou explicar, mas a verdade é que não sabia como fazer isso, afinal não fazia ideia do que sentia por Derek Hale, era algo inexplicável, como se os dois tivessem uma ligação invisível ou algo assim.

— Bom, parece que seu interesse não é correspondido. Mas também, você é muito sem graça... — Theo riu, dando de ombros e levando outro tabefe que sequer lhe fez cócegas.

— Seu papel como amigo é aumentar minha autoestima, não acabar com ela. — Crystal retrucou de braços cruzados, mas não estava brava, na verdade havia um sorriso divertido em seus lábios.

— Vai sonhando... — Ele devolveu divertido. — Vou procurar o Liam e você vai... — Olhou ao redor, como se estivesse procurando algo para Crystal fazer. — Ah é, quase esqueci, não me importo com o que você vai fazer.

— Caramba, com esse charme, como é que o Liam vai resistir... — Foi a vez da garota debochar, enquanto Theo ainda se afastava.

Eles trocaram uma careta e Crystal seguiu para a pista de dança.

Theo estava a caminho do banheiro, mas nem precisou chegar lá pra dar de cara com o Liam.

— Ué, deixou a Crystal sozinha? — O garoto perguntou como se não se importasse e Theo sorriu.

E se a maluquinha estiver certa e ele estiver mesmo com ciúmes? Pensou, enquanto avaliava as reações de Liam.

— Ela sabe de cuidar. — Deu de ombros, parando perto de um dos pilares e encostando ali em uma posição despretensiosa.

Se Crystal estivesse certa sobre todo o resto, então tinha que ser mais esperto. Sabia que podia ser charmoso se quisesse, já tinha feito isso antes com Malia, a intenção era totalmente outra, mas não custava nada tentar.

— Vocês parecem bastante próximos... — Liam jogou em um tom meio entediado e Theo viu uma ótima oportunidade.

— Somos amigos — respondeu simples, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

— Sério? — O mais novo não pareceu satisfeito, na verdade, ficou até um pouco irritado. — Você conhece a menina faz horas, e já é amigo dela?

Theo abriu um sorriso ainda maior, tinha afetado Liam, e esperava que o motivo disso fosse mesmo o que Crystal tinha dito.

— Com ciúmes, porque nós não somos amigos ainda? — Jogou, usando um sorriso de lado que deixou Liam desnorteado por um momento.

Theo comemorou internamente a falta de resposta e resolveu prosseguir para tirar sua última dúvida a limpo, afinal o motivo do comportamento de Liam ainda podia ser a própria Crystal:

— Além do que, não sou eu que fico falando do perfume da menina toda hora... — O tom de Theo foi despretensioso, e a mudança de foco deixou Liam ainda mais confuso com o que estava acontecendo.

— É sério que você não sente? — Perguntou estreitando os olhos.

— O que eu devia sentir, algum tipo de atração sexual incontrolável? — Theo jogou um verde, torcendo pra colher a resposta que queria.

— O que? Não! Credo! — Liam fez uma careta engraçada, como se Theo tivesse acabado de sugerir que ele sentia atração por alguém da própria família. — É mais algo confortante, que lembra a infância, sabe? Como... Panquecas com a família em uma manhã de domingo.

Theo não lembrava da última vez que tinha comido panquecas, tampouco da última vez que tinha feito qualquer refeição com sua família de verdade.

— Eu não sinto nada — respondeu neutro, pra ele Crystal era apenas uma menina comum, que conseguia ser um pouco menos insuportável que a maioria.

Liam suspirou, olhando ao redor, queria entender porque ninguém sentia o aroma da garota.

— Mas eu acredito em você. — Theo completou e isso realmente surpreendeu o mais novo. — Vem vamos comprar alguma coisa pra beber, você está com uma cara péssima.

Theo tinha começado a usar o conselho de Crystal, o que deixou Liam totalmente sem reação, era difícil conseguir uma atitude tão calma e amigável de Theo.

Seguiram juntos para o bar, mas não podiam comprar nada alcoólico por não terem mais de vinte e um.

— Não ia adiantar nada mesmo, a pior parte de ser um lobisomem é que eu perdi minha habilidade de ficar bêbado antes mesmo de experimentar como seria. — Liam deu de ombros como se não importasse realmente.

— Eu conheço um jeito. — Theo revelou com um sorriso travesso que fez o outro garoto se arrepiar.

Liam ficou tenso, havia um misto de dúvida e surpresa em seu olhar.

— Cresci com cientistas que lidam com o sobrenatural... — Theo deu de ombros, como se a frase fosse capaz de explicar tudo.

— Vou me arrepender, não é? — Liam perguntou, ainda um tanto desconfiado.

— Com certeza. — Theo abriu um sorriso que fez cada pelo do corpo do mais novo se arrepiar. — Vamos, eu te explico no caminho.

Liam não se moveu, queria, mas algo em sua mente ainda acusava todas as probabilidades de aquilo dar muito errado.

— Relaxa não é nada demais, é só que, o que a gente vai precisar não tem aqui, e nem vendem bebidas pra gente aqui então... — Theo deu de ombros, neutro e calmo. — Confia em mim.

— Da última vez que eu confiei em você, eu quase matei meu alfa, a mãe dele ainda não me perdoou, sabia? — Liam cruzou os braços e ficou parado onde estava.

— Muita coisa já aconteceu depois disso, sabia? — Theo devolveu insinuativo, e Liam sentiu uma excitação inexplicável percorrer seu corpo.

— Vou avisar o Mason. — Falou, seguindo em passos apressados na direção que o amigo estava.

Theo por sua vez, procurou por Crystal na pista.

— Estamos indo embora. — Avisou, e por algum motivo ficou tenso, ainda não sabia que se estava fazendo a coisa certa, na verdade sequer sabia o que estava fazendo.

— Nossa que rapidez! — Crystal elogiou animada. — Gosto assim.

— Não começa. — Theo se fez de entediado, mas a verdade é que estava ali em busca de algum apoio.

A garota ajeitou o casaco que Theo usava, ainda com aquele sorriso compassivo nos lábios.

— Boa sorte. Vai dar tudo certo, você vai ver — encorajou, dando tapinhas amigáveis no ombro de Theo. — Me manda mensagem depois, porque eu quero saber de tudo.

— Vai sonhando... — Ele deu alguns passos pra trás, como se não se importasse e como se Crystal fosse irrelevante.

Mas lá no fundo, gostava muito de ter uma amiga.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Derek Hale parou seu camaro negro em frente à casa noturna, sequer deu-se ao trabalho de colocar o veículo no estacionamento do local, deixando o carro na calçada, e batendo a porta atrás de si.

Seu sangue fervia nas veias como nunca antes. Não sabia o que Theo queria com Crystal, mas desconfiava que nada bom podia vir daquilo.

Já estava no meio do estacionamento, rumo a porta do lugar, quando avistou o lobisomem de mentira e o beta de Scott saindo juntos.

Crystal não estava com eles e isso fez Derek parar onde estava, em busca de algum controle.

— Hey Derek. — Liam acenou amigável. — Não sabia que esse era o seu tipo de lugar...

— O que vocês estão fazendo aqui? — Derek questionou usando um tom bastante rude e altivo, quase o tom de um alfa.

Theo uniu as sobrancelhas sem entender o comportamento do moreno, mas não estava muito interessado em qualquer que fosse o assunto.

— Viemos com uns amigos da escola. E estamos indo embora. Nada de drama sobrenatural pra gente hoje. — Saiu puxando Liam, antes que Derek pudesse dizer alguma coisa.

Hale ainda ficou ali parado vendo os dois entrarem na caminhonete de Theo e rirem de alguma coisa, ao mesmo tempo em que se perguntava por que Crystal não estava com eles.

Amigos da escola... Deve ser assim que se conhecem... Fez a ligação, e de alguma forma isso mingou todas as suas outras certezas.

Olhou a porta do lugar e não soube se devia entrar ou não. Porque ela ainda é uma criança e está na escola, claro... completou o pensamento e meneou a cabeça.

Melhor voltar pra casa. Decidiu se virando na direção do carro. Mas talvez eu possa só ver como ela está primeiro...

Rosnou para os próprios pensamentos e voltou em passos duros, entrando na casa noturna logo em seguida.

O local era uma completa bagunça de pessoas, músicas e luzes, o bastante para confundir os sentidos de Derek por um momento. E mesmo assim, mesmo sentindo tudo se embaralhar em sua mente, ele não precisou de três segundos para encontrar Crystal Green.

Ela estava na pista, o corpo se movendo ao som de uma música que Derek não conseguia mais ouvir, porque tudo ao seu redor havia sumido, havia só Crystal, era como se ela fosse a única pessoa no lugar, e tudo que Derek podia ouvir eram os sons frenéticos das batidas do coração dela.

O perfume da garota estava impregnado por toda a parte e Derek se sentiu um drogado. Crystal estava vestida como o próprio pecado encarnado, pelo menos para Derek.

Usava um vestido preto, que deixava metade de suas coxas de fora, mas era rodado o bastante pra ser doce ao mesmo tempo em que era sexy. Também estava de saltos, e mesmo que fossem altos ela ainda era baixinha na visão de Derek.

Ele deu um passo para frente, Crystal era como a própria Lua, brilhava no meio da escuridão. Derek sentiu o impulso de cortar logo aquela distância, desejava tocá-la, sentir a pele dela na ponta de seus dedos.

Mas não o fez. Cerrou os punhos e deu um passo para trás. Deus, o que está acontecendo comigo? Pensou, atordoado, saindo do lugar tão rápido que era como se fugisse do próprio diabo.

Crystal estava no meio da pista, quando sentiu seu coração disparar sem nenhum motivo, era uma sensação única, como se algo magnético a chamasse pelo nome. Teve a impressão que estava sendo observada, e quando virou o rosto teve quase certeza que viu Derek Hale sumir na multidão.

Parou de dançar e franziu as sobrancelhas, olhando ao redor sem encontrar qualquer indicio que Derek estivera ali.

— Acho que eu estou ficando louca... — murmurou, passando a mão esquerda pelos fios loiros.

Mesmo assim a sensação não foi embora, era como algo puxando seu coração. Crystal acabou seguindo por entre a multidão e deixando o Sinema.

Quando chegou ao estacionamento, se deu conta que o movimento interno não chegava ali, na verdade o local estava deserto e escuro.

Crystal decidiu que era mais seguro voltar, e foi quando algo diferente percorreu seu corpo. Não era como a sensação magnética e amena de minutos atrás. Era frio, como se gelo percorresse suas veias, fazendo cada pelo do seu braço se arrepiar.

Algo em sua mente soou como um alerta de perigo, mas sem se dar conta Crystal já havia se afastado dos seguranças e caminhava para fora do estacionamento.

Do lado oposto da rua se iniciava um bosque e Crystal parou na calçada, em frente as árvores, olhando para o breu que se infiltrava por elas. Engoliu em seco, um pressentimento horrível percorrendo suas veias, como se congelasse seu sangue. Soube que tinha alguém lá. Tentou obrigar os olhos a se acostumarem com a escuridão e foi quase como se pudesse ver alguém entre as árvores, um vulto ou algo assim...

Derek estava dentro do camaro, a cabeça apoiada no volante, em uma briga interna com seu lado selvagem sobre ir ou não embora, queria voltar lá, mas sabia que aquilo não era lógico. Precisava descobrir o que a garota era, assim lidar com aquela atração seria mais fácil. Ao menos era o que Derek pensava...

O perfume invadiu suas narinas primeiro, pensou que fosse apenas reflexo do aroma de Crystal dentro da casa noturna, mas ouviu os saltos batendo no asfalto em seguida.

Franziu as sobrancelhas quando percebeu que a garota estava atravessando a rua, com os olhos vidrados no bosque a sua frente.

Observou a figura feminina parar na calçada e encarar a escuridão, Derek podia ouvir o coração de Crystal batendo desgovernado. E mesmo que não pudesse sentir o cheiro das emoções dela, como sentia com qualquer humano comum, soube que a garota estava com medo.

Não levou três segundos para ligar o carro e parar na frente dela. Fez isso antes mesmo de pensar no assunto.

— O que aconteceu? — Perguntou descendo do veículo e dando um susto em Crystal.

Assim que viu quem era a garota relaxou consideravelmente, mesmo que tenha franzido as sobrancelhas pela presença de Derek ali. Ele estava ou não na casa noturna?

— Eu vi alguma coisa. Um vulto. — Apontou o lugar entre as árvores. — O que você está fazendo aqui?

Derek olhou o bosque rapidamente, ousando todos os seus sentidos para detectar qualquer que fosse a presença.

— Volte lá pra dentro e fique perto das pessoas, eu vou ver o que é — ordenou, bastante possessivo, como só um alfa poderia ser, mesmo que Derek não fosse mais um.

Correu rumo ao bosque em seguida, sentindo que realmente havia alguém ali, pode ouvir alguns passos, que cessaram de repente, como fumaça levada pelo vento.

Mas o cheiro permaneceu, um odor forte de enxofre que fazia as narinas de Derek arderem. Procurou por mais alguns minutos, não encontrando absolutamente nada nas redondezas.

— Mas que merda! — Xingou enquanto voltava para o carro.

Nem bem havia saído do bosque quando avistou Crystal Green parada no mesmo lugar, os braços cruzados como se estivesse encolhida no próprio corpo e os dentes batendo freneticamente.

— O que você ainda está fazendo aqui? — Derek questionou, observando sua figura com atenção, sentindo um desejo estranho de envolver a garota em seus braços.

— Eu estava preocupada com você, então esperei — ela explicou, os olhos verdes assustados, mas muito brilhantes.

— Não tem nada lá... — Ele apontou a floresta, voltando-se para Crystal que tremia como se estivesse muito frio.

— Acha que eu vi coisas? — A jovem questionou em um tom preocupado, mas Derek não levou a pergunta em consideração.

— Você está tremendo — Constatou parado há alguns metros dela.

— Está frio aqui. — Crystal devolveu como se fosse óbvio e Derek ergueu uma das sobrancelhas, sim, ventava frio, mas nada que fizesse alguém tremer.

Tirou a jaqueta de couro negro que vestia e deu alguns passos em direção a Crystal, passando seus braços por trás dela e jogando a peça em seus ombros delicados.

Estavam a menos de dois passos, perto o bastante para que fosse perturbador para Derek, principalmente quando a garota sorriu em meio a um agradecimento. Ele afastou as mãos, dando um passo para trás, antes que fizesse alguma loucura. Não entendia aquele instinto protetor que tinha quando se tratava da garota, aliás, não entendia nada que sentia quando se tratava de Crystal Green

— Não acho que você viu coisas. Seja lá o que ou quem fosse, fedia a enxofre e foi embora bem rápido. — Derek explicou, tentando quebrar aquele silêncio que pairava entre os dois. — Você devia voltar para sua festa.

Crystal olhou por cima do ombro, para a casa noturna do outro lado da rua, então deu um suspiro cansado.

— Acho que perdi o clima, vou chamar um Uber e vou embora — decidiu, procurando o aparelho celular na pequena bolsa que carregava.

— Entra no carro, eu te levo. — Derek apontou o veículo, não diria isso em voz alta, mas não gostou da ideia de ver Crystal saindo de carro com um estranho por aí.

— Sério? — Ela soou surpresa.

— É meu caminho. — Ele deu de ombros. Era mentira, seu loft ficava para o lado totalmente oposto, mas Crystal não precisava saber disso.

Derek abriu a porta para a moça, não foi pensando em ser cavalheiro nem nada assim, estava mais perto da porta, apenas isso. Mesmo assim Crystal achou o gesto uma graça, e sentiu todo o rosto corar antes de entrar no carro.

Viu Derek ligar o aquecedor antes mesmo de dar a partida, deixando todo o carro em uma temperatura amena, pensou em tirar a jaqueta, mas a verdade é que estava tão confortável e aquecida com a peça, que ignorou essa ideia.

Pegou o celular e começou a teclar, vendo que Derek tinha o olhar atento em seus movimentos.

— Eu estou mandando mensagem para os meus amigos, pra avisar que eu vim embora. — Achou que devia uma explicação ao homem.

Tinha algo sobre Derek Hale que a mantinha cativa, quase como se quisesse pertencer a ele. Como se já pertencesse.

Derek seguia com os olhos na estrada, não porque realmente precisasse de toda aquela atenção para dirigir, seus sentidos lupinos lhe davam alguma vantagem nesse quesito também. Mas temia que se focasse os olhos em Crystal não conseguiria resistir...

Resistir a quê? Pensou, achando tudo aquilo muita idiotice. O que eu realmente quero com ela?

— Sua companhia não vai ficar decepcionada com o seu sumiço? — Buscou um assunto qualquer, ficar em silêncio com ela era estranho, quase como se Crystal fosse capaz de ouvir seus pensamentos mais íntimos.

— Que? — Ela levou um segundo para entender o significado da frase, estava com a mente longe, analisando o perfil másculo que Derek possuía com aquela barba por fazer, que era perfeitamente alinhada. — Ah não, Corey e Mason estão muito ocupados se beijando agora, Liam e Theo foram embora, mas mesmo que estivessem lá, estariam ocupados fingindo que não querem se beijar. Eu era a vela basicamente.

As palavras dela saíram depressa, quase atropeladas, estava nervosa, a presença de Derek deixava seu coração disparado e suas mãos inquietas.

Derek tentou processar aquelas informações, mas o que Crystal tinha dito sobre Liam e Theo não fazia o menor sentido.

— O que? — Teve que olhar a garota por um momento, tamanha foi sua surpresa.

— Deixa pra lá, não importa. — Ela riu, pensando que Derek não conhecia seus amigos de escola e mudando de assunto. — Mas e você? Vai me contar o que estava fazendo lá? Quer dizer, eu te chamei, mas você disse que não viria...

Merda. Derek soube que tinha sido pego no flagra, mas sua postura não denunciou qualquer perturbação.

— E eu não vim, só estava passando — mentiu descaradamente, quase frio enquanto falava.

Não era a primeira vez que Derek mentia, certamente não seria a última, mas se sentiu estranho em fazer isso com Crystal.

— Achei que estava ocupado desvendando um mistério — ela comentou neutra, sem tirar os olhos dele.

Derek tentou não ser distraído pelos olhos verdes que o encaravam e focou totalmente na estrada, acelerou um pouco mais, apenas pra ser obrigado a se concentrar no que fazia.

— E eu estava, fui no cofre da família procurar por respostas. — Preferiu uma meia verdade, afinal estivera mesmo no cofre, mas não naquele momento.

— Sua família tem um cofre? — Crystal se surpreendeu.

— Debaixo da sua escola. — Ele se permitiu não mentir sobre aquilo, e foi um alivio.

— Mas não descobriu nada, não é? — Ela lembrou do que Derek tinha dito na mensagem mais cedo e ele assentiu, sem esconder sua decepção.

— Mandei mensagem para o meu tio, talvez ele conhecesse sua mãe, mas ele não respondeu ainda.

— Bom eu esperei dezoito anos, acho que posso esperar mais um pouco... — Crystal deu de ombros, dando um sorriso compassivo para o homem ao seu lado. Não queria pressioná-lo. Uma hora ou outra as respostas apareceriam.

Ficaram em silêncio depois disso, cada um em seus pensamentos. Crystal tinha os olhos perdidos na paisagem que passava depressa.

Derek voltou a mente para o bosque, havia algo lá e ele sabia disso, estava se perguntando o que era, quando Crystal se pronunciou.

— O que você acha que tinha lá no bosque? — Ela questionou e Derek se surpreendeu que os dois estivessem pensando exatamente a mesma coisa no mesmo momento.

Negou, frustrado por não ter resposta alguma, sobre nada, nos últimos dias. Desde que sua família tinha morrido, Derek estudava o sobrenatural com a irmã mais velha Laura, toda sua juventude fora focada nisso, não tinha feito faculdade ou nada que os caras de sua idade deviam fazer.

E então algo acontecia e Derek não tinha respostas, era quase como se estivesse falhando com ele mesmo.

— Eu não recordo de nenhuma criatura que tenha cheiro de enxofre... — confidenciou, contrariado por se sentir tão inútil.

Desviou os olhos para Crystal por um segundo, vendo-a levemente virada em sua direção. Droga, porque ela é tão... Irresistível?

— Então você tem um olfato apurado? — A garota perguntou interessada. Derek se deu conta do quanto ela era inocente pra tudo que envolvia o mundo em que ele tinha nascido.

Eram como criaturas de mundos diferentes. Foi quando ele fez o paralelo que nunca devia ter feito: Crystal lhe lembrava Paige. A inocência, a doçura... E Paige estava morta. Derek sabia que isso era culpa dele.

Tenho que me afastar dela. Tenho que me afastar agora. Isso é totalmente errado. Brigou consigo mesmo e deixou Crystal sem uma resposta.

— Chegamos. — Apontou com a cabeça.

A caminhonete dos Green estava na garagem e a luz da varanda estava acesa. Crystal soube que os avós já estavam em casa, mas não sentiu nenhuma vontade de descer do carro.

— Você não gosta muito de falar de si mesmo, não é? — Comentou neutra, se referindo ao fato de Derek não ter respondido sua pergunta.

Ela moveu a perna esquerda sobre o banco, de modo a virar ainda mais na direção dele.

— Não tem nada pra falar de mim... — Derek desconversou e foi impossível não seguir o movimento de Crystal com os olhos.

Percebeu que estava encarando as coxas dela por tempo demais e desviou o olhar, encostando o cotovelo direito no encosto do banco, de modo que também estivesse de frente para a garota.

— Discordo. Mas você vai acabar me falando uma hora ou outa. — Ela deu de ombros com um sorriso doce nos lábios. — Agora acho que eu tenho que te devolver isso...

Crystal escorregou a jaqueta pelos ombros, tirando a peça, e Derek acabou hipnotizado por aquele movimento. Seus olhos seguiram as mãos delicadas da garota, acompanhando quando a jaqueta revelou seus ombros e braços.

A jovem tinha a pele clara, quase como o reflexo da Lua, haviam três pintas em sua clavícula, lembrando o grupo de estrelas chamado de cinturão de Orion.

Tudo que Derek conseguia pensar era em como queria tocá-la, beijá-la e... todas as outras coisas.

Crystal era como um vício, e ficava cada segundo mais difícil resistir a ela.

— Obrigada. — A garota estendeu a jaqueta e Derek teve que aproveitar aquela oportunidade para tocar a mão delicada dela.

O coração de Crystal disparou, ela prendeu a respiração. A mão de Derek na sua tinha feito todo seu corpo se arrepiar.

Ele podia ouvir cada batimento, e era ainda mais difícil soltar a mão de Crystal, quando sabia o efeito que tinha sobre ela. Derek mal conseguia distinguir o que era vontade de seu lado lupino e o que era sua própria vontade.

O peito dela subia e descia ritmadamente, fazendo seus seios se projetarem no decote e atraindo a atenção de Derek para aquele ponto em particular.

Deus, eu preciso parar com isso agora! Rosnou internamente, soltando a mão de Crystal e jogando a jaqueta no banco traseiro.

— De nada. — Tentou colocar um pouco de normalidade no clima, mas a resposta veio tão tardia que quase não fez sentido.

Crystal não se moveu. Sabia que tinha, mas não conseguiu. Mordeu o lábio inferior como se isso pudesse reprimir todos os pensamentos nada puritanos que se passavam por sua mente naquele instante, mas não funcionou. Seus olhos continuavam fixos em Derek.

— Você tem que descer do carro... — Ele apontou com o timbre de voz um tom mais rouco de que de costume.

— Eu sei... — Crystal assentiu rapidamente, mas não se moveu. Seus olhos ainda estavam presos nos de Derek.

Ele nem reparou que estava segurando o encosto do banco, fazia tanta força pra resistir ao que sentia que o material cedeu, o tecido rasgando e parte da espuma partida ficando a mostra.

Crystal moveu os olhos para aquele ponto e ficou surpresa com o que viu, sua primeira reação foi levar a mão esquerda até lá. Deixando os dedos percorrem as ranhuras do banco, encontrando a mão de Derek que ainda estava ali.

Alguma parte de sua mente acusou que seria muito invasivo tocá-lo, mas Crystal não ouviu, porque todo seu corpo gritava o contrário.

Derek teve que fechar os olhos por um segundo, quando sentiu o toque de Crystal, sentindo os dedos dela subirem pelo dorso da sua mão e antebraço. Ansiava por aquilo tão profundamente que era quase um homem sedento bebendo algumas gotas de água.

Viu quando ela se moveu um pouco mais para frente, estendendo a mão oposta no intuito de tocar seu ombro.

Derek deteve o movimento de Crystal no ar. Segurando a mão feminina com a dele, segundos antes que ela lhe tocasse.

— Você não devia fazer isso. — Advertiu com os olhos presos nos dela, sem conseguir desviar ou fugir.

— Não, eu não devia... — Apesar das palavras nenhum dos dois recuou. Crystal ainda tinha os dedos apoiados no antebraço de Derek, e ele ainda segurava a outra mão dela.

Derek soube que tinha que ir embora, mas sua certeza não ajudava sua força de vontade em nada. Na verdade, o primeiro movimento que vez, foi mover seu corpo para mais perto de Crystal, escorregando um pouco mais para a direita do banco.

Estavam muito perto e ficaram ainda mais, quando Crystal ergueu um pouco o corpo para se aproximar. Derek soltou a mão dela, deixando que se apoiasse em seu peitoral e finalmente se permitiu tocá-la, subindo o toque por seu braço, passando pelos ombros e envolvendo seu pescoço.

Crystal deixou todo o ar sair através de seus lábios, com um suspiro que tirou de Derek qualquer controle que ele ainda tinha.

Cedeu aos seus impulsos e moveu o corpo na direção dela, fazendo-a se sentar novamente. Usando o polegar para erguer o queixo delicado, posicionando a boca vermelha de uma forma que ficasse a sua total mercê.

Ela mordeu o lábio inferior, no mesmo momento em que Derek umedecia os dele. Olhos nos olhos, de uma forma tão magnética que era como se apenas os dois existissem no mundo.

A mão esquerda dela ainda estava no braço dele, sentindo os músculos definidos conforme subia o toque em direção ao pescoço.

Derek fez o caminho oposto, descendo seus dedos pelo pescoço de Crystal, passando pela clavícula, seguindo pela alça do vestido, acompanhando seu trajeto pelo decote, tocando aquela parte exposta do seio dela de forma suave.

Crystal fechou os olhos, imersa demais no que estava acontecendo pra pensar em qualquer outra coisa. Derek aproximou mais seu rosto, descendo a mão pela lateral do corpo delicado e alcançando a perna da garota.

Os lábios deles roçaram um no outro no momento que que Derek tocou a coxa de Crystal. Não era um toque delicado, não mais, era viril e possessivo.

E foi nesse momento que a luz de um farol alto iluminou os dois, fazendo Derek voltar imediatamente para o seu lugar, ao se dar conta que não tinha ouvido o veículo se aproximar.

Parish tinha acabado de estacionar o carro de polícia na frente de sua casa.

Derek segurou o volante com as duas mãos, tentando recobrar algum controle, todo seu corpo tremia e sua calça jeans estava tão apertada em uma parte bem especifica naquele momento, que chegava a machucar.

Crystal arrumou a barra do vestido, o rosto corado e o coração em um ritmo que ela nunca sentira antes. Ela mordeu os lábios para tentar reprimir qualquer reação idiota, mas era tarde, foi impossível conter o riso.

Praticamente um ataque de riso, e não tinha nada a ver com Crystal ter achado a situação engraçada, era puro nervoso. Mas que feitiço esse homem tem? Perguntou-se enquanto tentava se acalmar.

Derek a encarava incrédulo, quase com raiva de sua reação.

— Melhor eu entrar. — Ela sugeriu, tentando se recuperar da crise.

Derek murmurou uma afirmativa, ainda com as duas mãos no volante.

— Obrigada pela carona. — Crystal abriu a porta, mas o encarou antes de sair. — Devíamos fazer isso mais vezes.

Abriu um sorriso arteiro e mordeu o lábio inferior, antes de sair sem esperar resposta.

Derek ficou parado dentro do carro, olhando a garota entrar em casa. E naquele momento ele só tinha uma certeza: estava muito ferrado...

Conviver com Crystal Green não seria nada fácil.

Notas finais
Mas esse povo de Beacon Hills tá muito saliente uashuahsuahs desse jeito não vai ter nenhum mistério resolvido e nenhum vilão sendo derrotado, porque o pessoal só quer saber de pegação uahsuashuash Derek até foi na balada, mas ele não é um cara de balada neh, gente. Na verdade o que esse lobão tá precisando mesmo é tomar um banho gelado uahsuashuahs Tem sempre alguém atrapalhando a pegação do casal uashauhsuh que dó (que nada eu sou gamada em um quase beijo uahsuahs) Tomara que Thiam se dê melhor depois desse perdido ahsuahsu (Crystal faz muito bem pro Theo, amo os dois juntos) Bom é isso, sexta que vem tem mais. Bjss e até lá!