Running with the Wolves
29 Malvina
Notas iniciais

Um silêncio sepulcral dominava a floresta aquela noite, era como se os corações sequer batessem. Todos os olhos estravam sob a figura da jovem na frente do Nemeton. Ela ainda se parecia com Rachel, mas todos ali sabiam que não era Rachel de fato.
Ninguém se mexia, como se mesmo um simples tremor pudesse iniciar uma guerra.
Malvina encheu seus pulmões com ar puro e olhou o servo os seus pés, Bradley fora de grande valor, no entanto parecia apenas um garoto patético naquele momento.
Todavia o rosto feminino da não continha qualquer emoção que pudesse ser decifrada, Malvina era uma incógnita para aqueles que a observavam. Se ao menos eles pudessem ouvir os pensamentos macabros que passavam em sua mente naquele instante...
— Rachel! Lute contra ela, você consegue! — Parrish quebrou o silêncio, mas manteve certa distância. — Rachel, você está me ouvindo?
A Bruxa pousou os olhos em Parrish e ele deu um passo para frente esperançoso, isso até ver que nada havia de Rachel naquela fisionomia.
— Oh, ela está te ouvindo sim... — Malvina sorriu de um jeito maligno. — Rachel tem uma mente extraordinária, muito forte. Mas não forte o bastante para me vencer.
Scott e Derek acenderam seus olhos vermelhos, prontos para atacarem a inimiga.
— Não! — Jordan Parrish pediu, erguendo uma das mãos. — Vocês podem machucar a Rachel.
— O Hellhound está certo. — A Bruxa ainda sorria quando começou a se mover vagarosamente na frente dos jovens, passo ante passo, sem qualquer presa. — A garota ainda está viva, presa dentro de sua própria mente para que eu use seu corpo como me convém. Mas isso não é uma situação permanente. Assim que eu recuperar meu corpo ela estará livre para ir, não tenho intenção de tirar a vida dela.
Scott tinha a postura ofensiva, assim como Derek e todos os outros, no entanto ele ainda queria esperar, talvez pudessem resolver aquilo sem uma briga. Sem mortes...
— Assim como não pretendo tirar a sua vida, Hellhound... eu tenho grandes planos para você... — Malvina deu um passo para mais perto de Jordan, mas então mudou repentinamente o caminho e seus olhos pousaram em Lydia Martin. — E para você também, Banshee.
Lydia sentiu que seu corpo estava congelado, Malvina era como um mau agouro encarnado, perto da Bruxa os poderes de Banshee ficavam fora de controle.
— Não se atreva! — Malia entrou na frente da amiga, já com os olhos brilhando e as garras e presas de fora, assim que Malvina tentou dar mais um passo.
A bruxa no corpo de Rachel sorriu, mas não avançou.
— A magia é impressionante, não é? — Ela encarou Malia de cima a baixo com um certo interesse velado, mas ao mesmo tempo com asco, como se a coiote fosse algo impuro. — Continua evoluindo e sobrevivendo mesmo depois de tanta miscigenação...
Para Malvina coiotes eram um erro, uma mistura do gene mágico do Lobisomem com algo diferente... No fim os Lobisomens eram apenas humanos também, cheio de perversões estranhas. Tinha nojo só de pensar em que desejo impuro e libidinoso havia trazido a raça dos coiotes a vida.
— No começo não havia muito, sabe? — Ela voltou a caminhar, pousando os olhos em Scott e Derek que, mesmo parecendo prontos para atacar a qualquer momento, não a intimidavam em nada. — Eram apenas bruxos e humanos vivendo em paz, mas minha mãe queria algo mais... algo superior. Então eu e minha irmã nascemos, dois lados da mesma moeda.
Os olhos vermelho-sangue seguiram para Crystal, se fixando na garota de cabelos loiros como se a analisasse.
— Mas Celeste era tola, não compartilhava dos sonhos que mamãe tinha para nós, ela era fraca. — Prosseguiu, tirando os olhos da Delta e fazendo um sinal para que Bradley se levantasse. — A primeira vez que entramos em desacordo foi quando uma tribo inimiga invadiu nosso território, eles mataram minha mãe naquela noite de Lua Cheia, e eu os amaldiçoei a serem para sempre feras selvagens a mercê da Lua. Mas como eu disse, Celeste era tola, ela modificou minha maldição, já que não conseguiu desfazê-la. E aí estão vocês, lobisomens, metade feras, metade homens. O poder nas veias de vocês é meu, minha magia!
Malvina pareceu irritada pela primeira vez, quase ultrajada. Não aceitava ter sido traída, nunca admitiria, principalmente pela própria irmã.
— E mesmo assim vocês se rebelaram, traidores da própria causa... — Ela parou um segundo para se lembrar daquela época e, em seguida, o nome do lobisomem que tinha lhe tomado tudo saiu como veneno de sua boca: — Caleb liderou vocês para uma guerra, e vocês ganharam porque meu próprio sangue me traiu. Mas Celeste não está aqui para ajudar vocês agora.
Ela parou, muito tempo tinha se passado e ainda não conseguia aceitar que Celeste tinha preferido um homem ao seu próprio sangue, o filho do homem que tinha matado a mãe delas...
Celeste e Malvina teriam dominado o mundo juntas, para sempre, imortais por magia, mas Celeste preferiu um sentimento fugaz como o amor, morreu por ele. Isso era algo que Malvina jamais perdoaria.
— E enquanto vocês tiveram centenas de anos para se espalharem pela terra, para dividirem seu poder com outras criaturas menos dignas... — Ela voltou os olhos para Malia de novo. — Eu também tive cem anos para formar meu exército. Milhares dos meus soldados esperando no inferno para virem à superfície.
O grupo teve um pequeno vislumbre do que ela pretendia, não entendiam como funcionaria na prática, mas podiam imaginar o caos que seria...
— Ah, cala a boca, sua bruxa! — Malia gritou, atraindo a atenção de Malvina para si.
Ela sorriu, se é que dava pra chamar aquele mover de lábios de sorriso, era como se a própria morte fizesse um convite. Ergueu a mão no ar e fechou os dedos, ao mesmo tempo que que Malia sentia sua garganta fechar, como se não houvesse mais qualquer oxigênio para ser aspirado.
Scott já estava ao lado ao lado da namorada, o pavor correndo suas veias tão rápido quando fogo na gasolina. Não podia perdê-la, não podia passar por isso outra vez.
Foi um segundo, apenas isso. Peter teve um instinto totalmente diferente do que correr para a filha, desconsiderou o cuidado que todos ali estavam tendo para não começar uma batalha que podia ser evitada e pouco se importou com Parrish ou Rachel. Ele mataria aquela mulher e então tudo estaria acabado.
— Peter, não! — Derek tentou impedi-lo, mas era tarde...
O rugido de Peter Hale ecoou pela floresta quando ele se lançou sobre a Bruxa. Todos viram quando aconteceu, mas foi Lydia a primeira a sentir o golpe no próprio coração e cair de joelhos.
Malia voltou a respirar imediatamente, mas isso teve um grande custo...
Antes que as garras de Peter alcançassem Malvina a mão dela atravessou o peito dele, como se ele fosse nada mais que um pedaço de papel. Força não tem vez contra magia.
— Não! — Os gritos de Derek, Malia e Scott se confundiram como um só.
Peter parou no ar, seu olhar se tornou a sombra de um susto e ele ainda teve tempo de ver o próprio coração ser arrancado de seu peito por Malvina.
Ele sentiu o corpo cair, quase uma queda infinita, os gritos e rugidos vinham ao longe. Não sentiu o baque de encontro ao chão, mas viu o rosto de Malia pairar sobre si e então Derek também estava lá, diziam algo que Peter já não podia ouvir. Pareciam preocupados, os olhos de Malia escorriam lágrimas pesadas.
A palavra "Filha" estava presa no fundo da garganta de Peter, mas ele não conseguiu dizer... Mesmo assim, por algum motivo ele olhou para a filha e para o sobrinho e se sentiu em paz... Não havia som, mas também não havia dor. Estava tudo bem.
— Peter? — A voz que lhe chamou foi como um cântico suave e doce.
Ele procurou pelo som e então a viu caminhando em sua direção. Amelie...
Vinha em um vestido branco esvoaçante e com um sorriso calmo no rosto, os mesmos cabelos castanhos e os mesmos olhos azuis límpidos e gentis. Ela estendeu a mão e Peter olhou uma vez para sua família antes de aceitar.
Ninguém podia ver, mas quando Amelie ajudou Peter Hale a se levantar ele não era mais o mesmo homem cheio de cicatrizes, raiva e maldade, ele voltara a ser garoto corajoso de outrora.
Ainda era o mesmo que tinha se apaixonado por ela.
E ele não olhou para trás, deixou a culpa e o ódio e aceitou a paz. Tudo estava verdadeiramente bem...
Malia ainda tinha o corpo do pai nos braços quando ergueu os olhos e todo seu ódio incendiou o brilho azul de suas orbes.
— Eu vou te matar por isso! — Ela declarou em um rugido.
Mas Malvina não se abalou, apenas olhou a garota como se ela fosse nada.
Com Malia e Derek querendo atacar, Scott teve que intervir, Malvina era obviamente muito poderosa, tinham que agir sincronizados. Mas o Alfa Genuíno não teve tempo de deter os amigos, não com apenas metade de seu poder...
No entanto, Malvina ergueu uma mão no ar e tanto Derek quanto Malia foram lançados para trás ao mesmo tempo que uma barreira de fogo se erguia entre eles.
A Bruxa e seu servo satisfeito e sorridente estavam seguros em um círculo que não podia ser ultrapassado.
Crystal já estava ao lado de Derek naquele momento, assim como Scott estava ao lado de Malia. Todos tensos, nervosos e sentindo o peso da morte de Peter.
Ter o corpo do Hale mais velho ali no chão, sem vida, deixava o clima ainda mais pesado, era como o indicativo de que eles não podiam vencer.
Malvina focou os olhos na Delta por alguns momentos, havia nas orbes vermelho-sangue uma curiosidade quase perceptível, então ela desviou o rosto e voltou a caminhar rende as chamas.
— Hellhound. — Se dirigiu a Parrish, separada dele apenas pela barreira de fogo. — Você pode vir comigo por escolha própria e talvez eu poupe esse corpo.... — Apontou o próprio corpo, ou melhor o corpo de Rachel. — Ou você pode ficar com seus amigos e eu te mando os pedaços depois.
Ele soube que Malvina falava sério, e sequer precisou pensar afinal, se havia uma chance de tirar Rachel daquela confusão ilesa, então era seu dever fazer isso. Não importava o que custaria.
Deu um passo para frente e a barreira de fogo se abriu para que ele passasse.
— Parrish! — Lydia tentou impedi-lo, mas ele não deu ouvidos a amiga.
Malvina sorriu satisfeita assim que viu que o Hellhound não ofereceria resistência e então deu alguns passos para a esquerda, em direção a garota ruiva.
— Não se preocupe, Banshee, eu tenho um lugar pra você também. A grande percussora da morte. — O título dito por Malvina com tanta ênfase, fez com que um arrepio de mau agouro percorresse o corpo de Lydia. — O Hellhound é aquele que vai abrir as portas, mas você é a chave para o inferno.
— Eu não vou pra lugar nenhum com você! — Lydia retrucou de cabeça erguida, dando um passo para trás.
Malvina riu, quase como se tivesse ouvido uma piada, no entanto logo sua risada se tornou algo maligno e ameaçador.
— Ah, você vai sim.... — Ela olhou para Lydia de um jeito mortal e então deu um passo para trás.
Passou suas orbes vermelho-sangue pelos outros e estendeu a mão, fazendo o corpo de Malia flutuar a dois palmos do chão.
— Vocês vivem e morrem por minha vontade. Vocês são nada perto de mim. — Declarou, fechando os dedos como se enforcasse Malia, o movimento teve o exato efeito no pescoço da coiote e ela novamente arfava em busca de ar, enquanto Malvina estava inalcançável dentro do fogo. — Venha, ou todos os seus amigos vão morrer e no fim você vai vir de todo o jeito.
— Para! — Malvina ainda tinha os olhos em Lydia quando a voz de Crystal Green cortou o ar junto com a pulseira brilhante.
A fina corrente transpassou o fogo sem perder seu brilho dourado e se enrolou no braço de Malvina, fazendo com que a Bruxa soltasse Malia.
Os olhos vermelho-sangue seguiram para Crystal, por um segundo pareceram surpresos, mas logo eram apenas maldade e ódio. Malvina envolveu a corrente com a mão e, embora aquilo parecesse queimar sua pele, não houve qualquer exclamação de dor.
Ela deu um puxão firme e Crystal cambaleou para frente, ficando a centímetros do fogo. Ali ao lado, Parrish tinha os olhos na pele de Rachel que se queimava cada vez mais que Malvina prolongava o contato com a pulseira da Delta...
Lydia soube que não tinha tempo e que eles não tinham qualquer vantagem ali.
— Eu vou! — Ela gritou e Malvina largou a corrente no mesmo instante, segundos antes de puxar Crystal para dentro das chamas.
— Lydia, não. — Scott tentou argumentar, mas a Banshee já tinha atravessado a barreira de fogo que voltou a se erguer em seguida.
— Vocês vão encontrar um jeito. Eu sei que vão. — Ela assentiu para os amigos.
Malvina olhou para Bradley e ele se aproximou em passos rápidos.
— Mate todos. — Ela ordenou, sem se importar que todos podiam ouvi-la. — E traga-me a pulseira.
— Você disse que... — Lydia tentou argumentar, vendo que os amigos já se colocavam em posição de ataque.
— Eu menti. — Malvina deu de ombros e então girou o pulso no ar, fazendo com que ela, Lydia e Parrish sumissem em uma nuvem de fumaça.
Assim que se viu ali sozinho, Bradley notou que a barreira de fogo não duraria sem Malvina, olhou para o grupo que já tinha os olhos brilhantes e as garras para fora e soube que não podia falhar em sua tarefa.
Ergueu a mão e entoou um feitiço de invocação. O cheiro de enxofre tomou conta de toda a floresta e a sombra negra de mãos cadavéricas surgiu bem no instante que o fogo de apagou.
— Não deixe que essa coisa toque em vocês. — Scott advertiu, reconhecendo a figura com a qual tinha lutado no beco.
Mas daquela vez o Espectro não estava sozinho, ele vinha acompanhado de outros dois, todos com o manto negro, sem rosto e exibindo suas mãos esqueléticas.
Crystal se lembrou da história que Deaton havia contado, sobre Malvina ter três demônios com ela e então percebeu que era isso que aquelas figuras deviam ser.
Theo foi o primeiro a se lançar sobre um dos Espectros, mas ficou parado no meio do caminho, quando a figura se transformou em sua irmã.
Seu coração gelou quando ele viu o buraco no peito da garota, ele simplesmente não conseguia se mexer.
— Não é real, Theo! — Scott gritou, vendo Malia correr para o outro Espectro, mostrando todo seu ódio em um rugido.
Liam foi quem agiu, atacando o Espectro que usava a forma da irmã de Theo. Mas ele passou direto pela figura, que se dissipou em uma porção de fumaça negra e então voltou a sua forma encapuzada.
— Como vencemos uma coisa que não podemos tocar? — Liam perguntou para ninguém em particular.
— Eu não sei, mas acho que se pegarmos o Bruxo idiota, vamos descobrir! — Derek rosnou, vendo Bradley há poucos metros deles.
Correu de encontro ao inimigo, seus olhos brilhando vermelhos, deixando para trás os amigos e os três Espectros.
Teria atingido Bradley em cheio, mas o bruxo moveu a mão para o lado e Derek foi jogado longe. Enquanto os dois prosseguiam em uma luta que era uma desvantagem para o Alfa, Crystal Green tinha seus próprios problemas...
Malia e Scott se ocupavam de um Espectro, Theo e Liam do outro, ao passo que o terceiro caminhava na direção de Crystal usando a forma de Rosalyn Riven, ou melhor, Eliza Green, exatamente do jeito que a jovem se lembrava da mãe.
— Tudo bem, querida. Você não sentiu minha falta? — A mulher perguntou, esticando a mão para tocar o rosto da filha.
Crystal deu um passo para trás e estreitou os olhos.
— Sério? — Ela não pareceu influenciada pela aparência do Espectro. — Eu já enfrentei uma mãe fake dentro da mente do Derek, o mesmo truque não vai funcionar comigo outra vez!
A face de Rosalyn se fechou em uma expressão zangada, então a figura voltou a ser o vulto preto sem rosto, avançando para cima de Crystal com suas mãos cadavéricas esticadas.
A jovem Delta deu mais dois passos para trás, apertando sua pulseira com mais força e fazendo a corrente brilhar, antes de lançá-la conta o Espectro.
Diferente dos ataques de Malia ou Theo, a pulseira de Crystal não passou direto pelo inimigo, ela se enrolou nele, fazendo com que a criatura soltasse um grunhido agudo, se debatendo como se tentasse escapar.
Crystal sentiu a corrente ficar mais quente, viu o brilho se acender ainda mais, então o Espectro deu um último grito e sua forma evaporou, deixando apenas os ossos secos que caíram ali no chão como se fossem um monte de nada.
— Você conseguiu! — Theo exclamou, quando viu o que Crystal tinha acabado de fazer.
A derrota do primeiro Espectro pegou Bradley de surpresa e esse simples segundo de desatenção foi o bastante para que Derek recuperasse a vantagem e atacasse o Bruxo, acertando as garras no peito do rapaz em um golpe certeiro.
O horror e o medo tomaram conta dos olhos de Bradley quando ele deu alguns passos para trás, notando o sangue manchar sua roupa.
Derek rugiu uma vez mais, seus olhos brilhando em vermelho intenso, as garras e presas a mostra, pronto para atacar outra vez, quando Bradley, como o covarde que era, sumiu em uma nuvem de fumaça.
Enquanto isso Crystal acabava com os dois últimos Espectros.
Era uma vitória de alguma forma, mas não se parecia com uma, não quando Lydia e Parrish tinham sido levados, não quando o corpo de Peter Hale jazia ali entre eles, sem vida...
✶ ✶ ✶ ✶ ✶
Lydia ainda sentia a vertigem nublar sua mente, quando seus pés tocaram o chão, demorou alguns momentos para que sua vista focasse e ela notasse que estava em uma montanha alta e gelada.
Sabia que ainda estava em Beacon Hills porque podia ver a cidade lá embaixo, com suas luzes brilhando, alheia ao que acontecia ali em cima.
Pensou nos amigos, principalmente em Malia que tinha acabado de ver o pai morrer em seus braços, e tudo que sentiu foi raiva.
Sabia que a coiote não era o tipo que realmente demonstrava os sentimentos, mas conhecia Malia o bastante para entender que aquela morte a abalaria, mais do que abalaria qualquer pessoa do grupo, mais até que o próprio Derek Hale.
Focou em Malvina, a Bruxa tinha um sorriso bastante satisfeito no rosto, enquanto andava entre as rochas que faziam um desenho circular muito particular na montanha... Logo a frente havia uma caverna, mas sua entrada estava bloqueada por uma pedra coberta de trepadeiras.
Lydia pensou que aquela podia ser sua única chance, Malvina parecia distraída, olhou para Parrish e soube que o amigo não faria nada que ameaçasse Rachel... Pensou em agir sozinha, mas se isso machucasse a garota que Malvina possuía não seria algo com o qual Lydia poderia viver, dessa forma atacar a Bruxa estava fora de cogitação... Tinha que pensar em outra coisa.
Viu Malvina retirar todas as trepadeiras da entrada da caverna, revelando uma pedra redonda cheia de escritos indecifráveis.
Logo Lydia notou que os escritos na pedra desciam para o chão, continuando em uma risca que estava entalhada no solo e circulava as rochas, tornando tudo aquilo parte de um desenho maior.
— Estamos prontos para começar. — Malvina sorriu, apontando o local ao lado da entrada da caverna para Parrish e então seguindo para Lydia.
— Eu não vou te ajudar com nada! — A ruiva cruzou os braços muito decidida e a Bruxa revirou os olhos.
— Sua vontade não é relevante para o meu feitiço. — Retrucou, puxando a Banshee pelo braço, para que as duas ficassem bem no meio de todas as rochas.
Quando Lydia tentou se esquivar Malvina a segurou pelos cabelos e Parrish deu um passo para frente irritado, os olhos ardendo em chamas.
— Isso, venha para cima de mim, machuque a sua preciosa Rachel. — A Bruxa convidou, sem se intimidar com a postura agressiva do Hellhound. — Ela está com medo agora, sabia disso? Pensando o que será dela agora...
Parrish deu um passo para trás e seus olhos se apagaram, ele focou em Lydia e tudo em sua expressão era um pedido de desculpas, mas a jovem ruiva apenas negou algumas vezes, sabia que não era culpa dele, ambos estavam sem opções ali.
Malvina pouco se importou para a conversa muda dos dois amigos, apenas arrumou Lydia sobre os símbolos e puxou a mão da garota, fazendo um gesto e abrindo um corte ali magicamente.
O sangue de Lydia pingou no centro dos símbolos no chão e pouco a pouco toda a área esculpida se iluminou, passando por trás das rochas, formando um círculo e então a estrela invertida dentro dele, antes de subir para a pedra circular que bloqueava a entrada da caverna.
Parrish viu a marca de duas mãos se acenderam no canto direito e instintivamente soube que era ali que ele seria necessário. Sentia seu lado Hellhound agitado, quase como se aquele fosse um lugar conhecido...
— Abra a porta, Hellhound. — Malvina ordenou, ainda segurando o braço de Lydia, para que a garota não escapasse.
— Deixe a ir, você não precisa mais dela! — Parrish retrucou, sem abaixar a cabeça para a Bruxa.
— Acha que essa é a porta do inferno? — Malvina apontou a pedra que brilhava. — Isso é apenas o véu, Hellhound, depois do rio das almas é que o verdadeiro inferno será encontrado, é onde eu encontrarei meu corpo e é de onde eu reconstruirei o mundo. — Ela puxou Lydia para frente junto com ela. — Portanto mantenha a porta aberta, ou você nunca vai ver sua Rachel outra vez.
Parrish não entendeu plenamente a última parte até tocar a pedra, em sua forma humana nada aconteceu, mas quando o fogo do Hellhound queimou seu corpo ele foi capaz de abrir a caverna empurrando a pedra para o lado, foi então que percebeu que se soltasse a pedra, ou parasse de fazer força a caverna seria fechada novamente...
Malvina puxou Lydia para dentro do lugar e a primeira coisa que a Banshee sentiu foi um calafrio horrível, mesmo que ali fizesse muito calor, notou que havia um tipo de lago ou rio ali, mas suas águas eram etéreas refletindo uma luz que não vinha de lugar algum.
Jordan Parrish sentiu que a cada segundo ficava mais complicado segurar a pedra, como se ela fizesse força no sentido contrário, querendo se fechar novamente.
Ele teve o entendimento que aquilo prenderia Malvina na caverna e talvez a detivesse, mas ao mesmo tempo prenderia Rachel e Lydia. Não podia permitir que isso acontecesse.
Pela visão periférica Parrish notou alguém chegar a montanha em uma nuvem de fumaça, mas não deu atenção, pois manter a caverna aberta exigia força e concentração.
— Minha rainha... — A voz trêmula de Bradley chamou do lado de fora.
Seu peito ainda sangrava e ele acabou notando com desgosto que a volta de Malvina tinha tirado seus poderes de alguma forma.
Isso era exatamente o oposto do que ele desejava, quando decidiu libertar a Bruxa.
Malvina puxou Lydia consigo novamente e a parou bem na entrada da caverna. Movendo as mãos, fez crescer do chão trepadeiras que agarraram as pernas da Banshee e a imobilizaram ali.
— Solte a pedra e ela morre. — Falou ao passar por Parrish e então seguiu para Bradley, usando um tom impaciente. — Você conseguiu?
O jovem sempre fora certo da vitória de Malvina, sempre fora certo de sua própria vitória, mas não esperava enfraquecer daquela forma e então falhar, logo na primeira oportunidade de mostrar seu valor.
Ele deu um passo para frente e sua irritação é visível.
— Eles derrotaram o Espectro, eram muitos e eu estou... — Ele começou a reclamar, mas foi interrompido.
— Você é fraco. — Malvina completou entediada.
— Me perdoe minha rainha, mas eu não esperava enfraquecer quando te libertasse, pensei que seria o oposto disso. Sabe que tudo que eu desejo é ajudá-la a criar um mundo muito melhor que esse. — Ele tinha aquele tom firme e presunçoso na voz. — Eu posso ter falhado agora, mas fui eu que te libertei, não se esqueça disso.
Malvina sorriu, quase como se Bradley fosse uma criança travessa.
— Você tem razão Bradley, querido, você me libertou, não vou me esquecer disso. — Tocou o rosto dele com carinho e o coração do jovem se acalmou. — Ainda é um aliado muito útil para mim.
Então Malvina tocou o outro lado de sua bochecha também, segurando a cabeça do garoto entre suas mãos e olhando fundo em seus olhos.
Bradley sorriu quando notou o que aconteceria e logo sentiu os lábios de Malvina sobre os seus, em um beijo que ele tinha esperado por tempo demais, mas então tudo ficou repentinamente frio, sua boca ficou seca.
Ele tentou se libertar, mas seu corpo não obedeceu, paralisado, sem qualquer mágica, Bradley só teve tempo de pensar que devia ter escutado o pai...
Para Lydia, que assistia de fora, a cena era horrenda, Bradley estava ficando cinzento, como se toda sua força vital estivesse sendo tomada naquele beijo demoníaco.
E ao passo que o rapaz parecia mais fraco, Malvina parecia mais forte, quase como se brilhasse, suas veias estavam negras e inchadas. Quando ela se separou de Bradley o jovem bruxo parecia apenas um esqueleto seco e acinzentado, sem qualquer vida em seu corpo.
Lydia viu o corpo tombar para trás e então se desfazer no vento, como algo velho que se esfarela depois de muito tempo.
Malvina não tinha qualquer remorso em seu rosto, seus olhos estavam ainda mais vermelhos e sua aura parecia ainda mais maléfica naquele instante.
Ela se colocou novamente no meio das rochas e entoou um feitiço olhando para o céu, imediatamente algo começou a acontecer, a Lua Cheia perdeu seu brilho e lentamente começou a ser coberta por um grande círculo preto. Quase como um eclipse, mas obviamente não era um evento natural...
Parrish sentiu que segurar a pedra ficou ainda mais trabalhoso, mas não desistiu.
Malvina fez um gesto e as trepadeiras soltaram os pés de Lydia.
— Isso vai manter seus amigos ocupados. — Ela sorriu, apontando a Lua que lentamente sumia no céu e puxando a Banshee de volta para dentro da caverna. — Quando o eclipse estiver completo, todos os lobisomens vão morrer.
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