Notas iniciais
Hey minhas lindas!!! Capitulo relampago de Running, pra comemorar meu note novo (eehhhh graças a deus uahsauhs) Vamos ver como o povo de BH está lidando com aquela morte misteriosa. Mas antes vou aproveitar pra agradecer todo mundo que está comentando e favoritando a fic, isso parece nada, mas é muitooooo importante pra mim e sempre coloca um sorriso no meu rosto e me deixa mais motivada a escrever, então obrigada de coração! Boa leitura.

Se havia alguma coisa no mundo capaz de colocar Derek Hale em um cômodo cheio de adolescentes irritantemente falantes, essa coisa só podia ser um assassinato.

Dois dias atrás um corpo fora achado na piscina coberta da Beacon Hills High School, depois disso o departamento de polícia havia assumido a investigação e quase nada fora divulgado para a mídia.

— Esse símbolo! Tenho certeza que essa coisa é maligna! — Mason bateu várias vezes na figura de um pentagrama invertido, que estava sobre a bancada cirúrgica junto com vários outros papeis de sua pesquisa.

Estavam na clínica veterinária de Deaton, embora o druida estivesse fora do país naquele momento. O local havia se tornado um ponto de encontro e reuniões para aquele tipo de assunto, desde os tempos de Scott.

— Talvez seja outra leva de sacrifícios, Scott falou de algo assim, aconteceu antes que eu chegasse na cidade — Liam opinou. Ele tinha as duas mãos apoiadas na mesa, mas ergueu a cabeça para falar com os outros.

— Essa seria uma boa teoria, mas os sacríficos do Darach eram feitos sobre as correntes telúricas, e embora parte da escola esteja sobre ela, a piscina coberta não é uma dessas partes. Eu já verifiquei. — Derek, que estava encostado em uma das paredes, mais afastado dos outros, explicou, tentando não afundar nas lembranças que aquele assunto lhe trazia. — Esse é outro tipo de assassinato. Tem algo que ainda não estamos vendo...

Derek não estava nada satisfeito com o rumo das coisas. Uma pessoa inocente estava morta e não havia qualquer pista além do símbolo. A não ser aquela garota estranha...

— E alguém pode me dizer o que o lobisomem de mentira está fazendo aqui? — Apontou Theo, que estava próximo a mesa, encostado em um dos armários com os braços cruzados.

Não era segredo pra ninguém que Derek não considerava quimeras lobisomens de verdade e que também não simpatizava nada com Theo.

— Ele e o Liam são amigos agora. — Foi Mason que respondeu, ao passo que Corey assentiu algumas vezes para concordar.

— Não... Não somos! — Liam se defendeu, encarando Theo com uma pose quase agressiva.

O jovem Beta de Scott fazia de tudo para negar qualquer ligação com o garoto quimera. Mas certas coisas eram complicadas de esconder ou disfarçar. No começo era verdade, ele e Theo não eram amigos, mas naquela altura, Liam não tinha mais certeza de nada.

— É! — Theo sorriu de canto, quase ameaçador, enquanto dava um passo para mais perto de Liam. — Definitivamente não somos amigos.

Os dois ficaram se encarando, como se estivessem em uma competição imaginaria para ver quem desistia primeiro.

Derek revirou os olhos, enquanto Corey e Mason trocaram um olhar sugestivo.

Por fim, Liam pareceu perceber que a coisa estão um tanto "estranha" e se afastou alguns passos, enquanto Theo finalmente voltava sua atenção para responder o insulto de Derek.

— E não importa se você acha que eu sou um lobisomem falso, eu ajudei com os cavaleiros fantasmas e com os caçadores, estamos todos no mesmo time agora — declarou seguro de si, quase arrogante.

Liam teve que abaixar a cabeça para esconder um sorriso de orgulho, mas tão logo o fez, ficou confuso com aquele sentimento e balançou a cabeça como se precisasse afastá-lo.

Derek se desencostou da parede e caminhou imponente para perto da mesa, na direção de Theo, podia não ser mais um alfa, mas conservava a segurança e a postura que só um podia transmitir.

— Não, nós não estamos — retrucou, ainda mais arrogante que o mais jovem. — Porque eu não preciso de um time, eu sou um ômega, trabalho sozinho.

Theo revirou os olhos e pensou em dar alguns passos para enfrentar o mais velho, mas Liam lhe lançou um olhar claro de negativa e ele simplesmente parou.

— Mas ainda assim, você está aqui agora... — Mason começou no impulso, mas pareceu se dar conta de com quem estava falando e toda sua confiança murchou. — Trabalhando... com a gente... — Arrastou tanto a frase que ela virou quase uma pergunta. Os olhos de Derek pousaram nele com uma calma que lhe deu arrepios. — Com todo respeito, é claro.

Ergueu as duas mãos e deu um passo para trás. Percebendo que Corey estava ao seu lado com os olhos estatelados de espanto pela ousadia.

— Estou aqui porque o Scott deixou a cidade sob a nossa responsabilidade. — Derek declarou neutro, mas então algo dentro dele se empertigou. Era um Hale, merecia respeito afinal. — Ou melhor, eu estou aqui porque minha família já protegia essa cidade antes mesmo do Scott virar um lobo. Na verdade, minha família já protegia essa cidade antes mesmo de qualquer um de vocês nascerem.

Mason e Corey baixaram a cabeça. Liam coçou a nuca e Theo revirou os olhos novamente, perguntando em tom de deboche:

— 'Tá bom, Lobisomem ancião, o que estamos deixando passar então?

— Que tal o símbolo gigante entalhado no peito do cara? — Corey apontou, tentando dissipar o climão que estava se formando ali.

— Exato! — Mason concordou imediatamente, segurando uma das folhas de pesquisa e sacudindo-a na frente de todos. — Aqui diz que isso é muito maligno.

Derek passou a mão pelo canto esquerdo do rosto, tentando encontrar alguma paciência para lidar com os adolescentes:

— Nem tudo que está na internet é verdade...

— Talvez a gente devesse ligar pro Scott... — Liam praticamente já tinha se decidido.

Mas nem bem ele havia terminado a fala e alguém o interrompeu, surgindo da entrada da sala em que estavam.

— Ninguém vai ligar para o Scott. Nem para o Stiles, Lydia ou Malia. — Chris Argent foi enfático. — Foi um suicídio.

A revelação não pareceu fazer muito sentido para os outros. Derek resolveu esperar por mais informações, enquanto os adolescentes perguntavam em uníssono:

— Quê?

— A morte, não foi um assassinato, foi suicídio. — O senhor Argent explicou melhor.

— Melissa disse isso, por causa da autopsia? — Mason questionou curioso.

— A escola tem câmeras agora, as filmagens provaram isso. O xerife vai dar o caso por encerrado logo pela manhã. — Chris abriu a bolsa que carregava e colocou um notebook sobre a mesa, ligando-o e mostrando um vídeo aos outros.

A câmera da piscina pegou o exato momento em que o garoto entrou no recinto, totalmente sozinho. Ele parecia bastante decidido, quando tirou a camisa e entrou na água, tirou algo do bolso, pelo vídeo não dava pra ver exatamente o que era, mas parecia um lápis.

Os meninos assistiram estupefatos, enquanto o garoto do vídeo riscava o pentagrama invertido na pele com tanto afinco que tirava sangue, era como se não sentisse dor, ou como se não se importasse com ela.

A água já estava vermelha quando ele submergiu e simplesmente ficou lá, assistiram-no se debater um pouco, mas não voltou a superfície. Não até que estivesse morto.

— A causa oficial da morte é afogamento. — Argent declarou, fechando o notebook.

Trocou um olhar com Derek, mas mesmo o lobisomem estava surpreso demais para teorizar sobre o que tinha visto.

— Mas isso não faz sentido nenhum... É impossível se afogar por vontade própria, os instintos involuntários não deixam. Qualquer pesquisa rápida vai... — Mason começou quase eufórico, mas foi interrompido por Theo:

— 'Tá bom, cara, a gente já entendeu que você é nerd. Mas está ali pra todo mundo ver, o cara se matou. A menos que o seu namorado invisível estivesse lá fazendo companhia para o garoto.

Instintivamente todos os olhares seguiram para Corey, seu poder de quimera o tronava invisível, e alguém assim segurando o garoto debaixo da água parecia uma teoria aceitável, pelo menos para Theo.

— Não, sério? Vocês vão acreditar no Theo? — Corey se defendeu em um tom acusatório.

Ali dentro, Theo era certamente o que já tinha feito mais merda.

— Ele estava no cinema comigo no domingo à noite, depois fomos buscar o Liam e encontramos com você escola. — Mason defendeu o namorado, se voltando para o melhor amigo, Liam, logo depois. — Theo é um caso perdido, você devia desistir dessa coisa de redenção.

Derek nem estava mais prestando atenção na briga, seus pensamentos estavam tentando entender tudo aquilo.

— Bom, então não resta mais nenhum suspeito, o cara se matou, fim. — Theo deu o assunto por encerrado. — Tchau, tchau.

Passou pelos outros em direção a saída, não dando a mínima para mais nada.

— Theo! — Liam chamou, enquanto corria atrás dele.

Mason e Corey, que haviam ficado na sala, olharam um para o outro simultaneamente e deram de ombros. Derek por sua vez apenas negou dando um suspiro profundo e cansado.

Do lado de fora, Theo já estava a meio caminho de sua picape, quando Liam finalmente o alcançou e se colocou em sua frente.

— Onde você vai? — O mais novo perguntou, cruzando os braços na frente do peito.

— Embora. Não ouviu o Argent? Não foi nada sobrenatural, só um garoto que cansou da própria vida. Fim. — Theo tentou passar por Liam, que novamente se colocou em sua frente.

Os dois se encararam em enfrentamento por alguns segundos, como sempre faziam, como se precisassem ver quem desviaria os olhos primeiro. Daquela vez foi Liam quem piscou e coçou a lateral do rosto, mudando a postura.

— 'Tá, mas você vai embora pra onde? — perguntou, tentando não parecer preocupado, nem enxerido demais.

Logo depois dos caçadores, Liam havia descoberto que Theo estava sem casa, dormindo na picape, já que os pais que ele tinha quando chegou na cidade eram apenas uma farsa.

— Não é da sua conta. — Theo foi agressivo, era o tipo de garoto que não admitia que precisava de ajuda, mesmo que precisasse. Mesmo que quisesse.

Liam tinha convidado Theo para dormir em sua casa assim que soube, os dois tinham sido bons aliados contra os caçadores e o beta de Scott insistiu muito.

Theo aceitou, o que fez os dois acabarem se aproximando. Um pouco mais do que deveriam.

— Você ainda pode dormir lá em casa, quer dizer... — Liam deixou a proposta no ar, mas estava bastante constrangido. — Aquilo que aconteceu foi...

— Nada aconteceu. — Theo se apressou em completar, usando seu tom habitual.

O "incidente" era uma coisa do qual os dois não falavam, Theo agia como se não se importasse, mantendo a cena longe de seus pensamentos a maior parte do tempo. Já Liam não era tão bom naquilo, ele não conseguia esquecer. Passava a maior parte do tempo confuso, então resolveu focar em fazer de Theo alguém melhor, assim talvez, lidar com tudo aquilo fosse mais fácil.

Para os dois, negar parecia mais fácil do que... bom, parecia mais fácil do que qualquer outra coisa que eles teriam que fazer se parassem de negar.

— Se nada aconteceu, então não é nada estranho você voltar a dormir lá em casa. — Liam retrucou em um tom quase implicante. — A menos que prefira dormir na sua picape...

Os dois olharam para o veículo ao mesmo tempo e depois um para o outro.

— Sua mãe vai me obrigar a jantar? Por que ela cozinha muito mal — Theo devolveu em seu tom arrogante e superior, dando um sorrisinho de canto que causava coisas estranhas em Liam.

— A gente pede uma pizza. — Ele deu de ombros e Theo abriu a porta do passageiro.

— Você paga. — Deixou claro, enquanto fazia um gesto para que o mais novo entrasse na picape.

Liam não retrucou, na verdade, ele até se permitiu sorrir vitorioso, enquanto Theo dava a volta para entrar do lado do motorista.

Enquanto os dois iam embora juntos, Mason Hewitt, ainda do lado de dentro, não conseguia abrir mão de suas teorias.

— Mas e o símbolo? O suicídio não explica isso. Tem que ter alguma razão sobrenatural pra isso! — Bateu várias vezes o indicador sobre os papeis de pesquisa que havia passado o dia todo conseguindo.

Era quase como se Mason fosse um viciado em teorias, com seus olhos arregalados e empolgação incontrolável.

Derek lançou um olhar para Corey, em busca de qualquer ajuda, porque certamente não sabia lidar com Mason. Nem entendia porque tinha um humano no meio de tudo aquilo, mas depois de Stiles, parou de fazer perguntas sobre os amigos estranhos de Scott.

Corey por sua vez devolveu a Derek um olhar ainda mais perdido, enquanto dava de ombros, nem ele entendia a empolgação do namorado com aquelas coisas.

Foi Chris Argent quem teve que acalmar os ânimos:

— Olha só Mason, admito que a maior parte das coisas estranhas que acontecem geralmente é culpa de algum ser sobrenatural, mas às vezes não é, as vezes são apenas humanos sendo... humanos. — Colocou a mão no ombro do menino, em seguida no ombro de Corey, conduzindo-os para a saída. — Podem ir pra casa, a escola reabre amanhã e qualquer coisa estranha vocês ficam de olho. Manteremos contado. Boa noite.

Chris tinha um tato natural com os jovens, mas não era surpresa, tinha sido um ótimo pai para Allison e ainda sentia falta dela todos os dias.

Acenou para os garotos e esperou que fossem embora antes de voltar para dentro da clínica, ainda tinha um assunto para tratar com Derek.

O moreno tinha os braços apoiados na mesa, exatamente como Liam momentos atrás, levantou a cabeça assim que Argent voltou.

— Você acredita nisso? No que acabou de dizer sobre não ser um problema sobrenatural — perguntou para o ex-caçador, enquanto ele ainda se aproximava.

Chris negou, fechando os olhos durante o movimento, para ilustrar sua decepção.

— Eu nunca vi esse símbolo, e sou caçador desde que me lembro, mas essa história está muito estranha... — afirmou, focando os olhos nos papeis, sem prestar atenção neles realmente. — Qual é a sua teoria?

— Não sei... — Derek respondeu, dando alguns passos para trás. — Mas tem algo estranho acontecendo, é quase como se eu pudesse sentir. Temos que ficar alertas.

Argent encarou Derek por uns momentos. Se preocupava com ele, era até um pouco estranho dado todo o histórico de Argents e Hales, mas Chris via Derek sempre afastado e solitário, e ele mesmo tinha feito isso quando perdeu a família. Talvez nunca tivesse voltado a ser realmente feliz, se não fosse por Melissa McCall.

Se os humanos não haviam nascido para serem solitários, os lobos muito menos, talvez por isso os ômegas sempre fossem os primeiros a ser pegos em uma caçada... Chris espantou aqueles pensamentos e resolveu focar no presente, havia algo que ele sabia que Derek não tinha contado aos outros.

— Por que não contou a eles sobre a garota? — perguntou neutro.

— Não sabemos nada sobre ela ainda, revelar pra um bando de adolescente impulsivos que alguém pode ou não ser um problema seria estupidez. — Derek explicou, andando pelo lugar. — Fora que eu não sei se faria diferença, afinal mesmo que ela seja um problema, certamente vão tentar redimir a garota.

Argent riu, ele não podia negar aquela última parte. Realmente a alcateia de Scott tinha um código moral muito bonito, eles não matavam, tentavam salvar o máximo número de pessoas possíveis. Sempre. Não era à toa que tinham alguns ex-inimigos como aliados.

Derek havia ligado para o ex-caçador assim que Crystal Green deixou a antiga casa dos Hale, já que não se lembrava daquele sobrenome dentro da alcateia ou do círculo de sobrenaturais que cercava a vida da mãe, talvez Chris Argent pudesse descobrir alguma coisa, como por exemplo, se a família da garota pertencia há algum grupo de caçadores.

— Falando em não saber nada sobre a garota... Fiz a pesquisa que você pediu. — Argent tirou duas pastas amarelas da bolsa onde trouxera o notebook e as colocou sobre a mesa. — Nunca houve nenhum Green no ramo da caça.

— Se não são caçadores, e eu também não me lembro de serem lobisomens, o que eles são? — Derek perguntou em voz baixa, como se fosse mais uma nota mental, do que uma pergunta propriamente dita.

Chris abriu uma das pastas, lá continha nomes, endereços e outros tipos de informações.

— Aparentemente são normais, o mais normal que alguém pode ser. Uma família pequena do Maine, nascida e criada por lá, Bart Green era um contador, assim como o pai e o avô. — Mostrou alguns papeis que provavam aquilo.

— Quem é Bart? — Derek questionou, vendo a foto três por quatro de homem na pasta.

Era loiro, com olhos azuis claros, escondidos atrás de óculos antiquadamente redondos, apoiados em um nariz largo. Parecia um nerd, não um assassino ou nada assim.

— O pai da sua garota — Chris Argent respondeu.

Por algum motivo estranho o lobo interior de Derek encontrou uma satisfação prazerosa naquela frase. "Sua garota." O sentimento de posse foi tão grande que Derek perdeu o foco por alguns segundos.

— Não encontrei muito sobre a mãe, Eliza Green, antes do casamento. Mas depois do casamento ela comprou uma casa aqui em Beacon Hills, que foi transferida para o nome da filha. — Derek teve que voltar a prestar atenção quando Chris lhe entregou outro papel.

Não havia foto naquele, apenas informações básicas.

— Então ela era mesmo daqui? — perguntou, passando os olhos pelo endereço da casa instintivamente.

— Sim, mas eu não consegui descobrir o sobrenome de solteira. Isso pode significar alguma coisa, ou pode não significar nada. Se lembra de alguma Eliza no círculo de convivência da sua mãe? — Argent respondeu com outra pergunta e Derek forçou a memória o máximo que podia.

Eliza... Eliza... Não havia nada, o nome não dizia coisa alguma e o sobrenome também não. Mas o fato de não haver fotos e nem qualquer informação antes do casamento podia sim significar alguma coisa.

— Talvez o seu tio saiba de algo, falou com ele? — Chris, guardou a primeira leva de papeis enquanto esperava a reposta de Derek.

— Eu liguei, aparentemente ele está fazendo uma visita para a Malia na França... — O moreno pronunciou a frase com um tanto de incredulidade. — Ainda é estranho ver ele nesse papel de pai.

Peter Hale certamente não parecia nada com um pai, mas de algum modo esse instinto havia despertado nele depois de Malia.

— Pessoas mudam... — Chris deu de ombros.

— Pode ser... De toda forma preferi não falar nada, ele diria para a Malia, e ela diria para o Scott, ele pensaria que tem algo errado acontecendo e todos eles estariam aqui antes que eu pudesse dizer "Ah, não". — Derek usou um tanto de ironia, mas Argent achou a decisão uma boa coisa.

Scott, Stiles, Lydia e Malia precisavam de um descanso de todo o drama de Beacon Hills, eles mereciam depois de tudo. E todos sabiam disso, por esse motivo, evitar envolvê-los era o melhor.

— Bom, talvez não seja nada mesmo. — O ex-caçador tentou ser positivo, enquanto abria a segunda pasta. — Isso foi o que eu consegui sobre a garota. Mais normal impossível.

Derek se surpreendeu com o tanto de informação que havia ali, desde históricos escolares, até impressões de alguns posts em redes sociais. E fotos, muitas delas. Aparentemente a menina tinha um perfil em um daqueles sites apenas para fotos, do qual Derek nunca tinha se preocupado em saber o nome.

Por algum motivo se pegou interessado nas fotos, e não era bem aquele tipo de interesse que ele devia ter naquele momento. Jogou a folha sobre a mesa e balançou a cabeça sutilmente, como se aquilo fosse desanuviar seus pensamentos.

— Ela acha que é uma bruxa, essa é a sua definição de normal? — perguntou ácido e Argent não pôde deixar de rir.

— Talvez ela seja apenas uma adolescente empolgada, que entendeu as coisas errado. A mãe dela vivia aqui, a cidade onde as coisas mais estranhas acontecem, talvez seja tudo um mal-entendido. — Por algum motivo Chris não conseguia ver a menina como uma ameaça, ele mesmo tinha feito pesquisas sobre ela, não havia nada para suspeitar, a não ser o fato da menina ter se mudado para Beacon Hills e estar procurando pelos Hale.

— Quando ficou tão otimista? — A pergunta de Derek foi quase uma acusação.

Chris Argent deu de ombros, queria dizer que sempre tinha sido otimista, mas seria mentira, ele sabia exatamente de onde aquilo tinha saído: Melissa McCall.

Talvez Derek precise de um pouco de amor na vida, pra ser mais otimista também... pensou, vendo o moreno com os olhos fixos em uma das fotos, como se aquilo fosse permitir com que ele desvendasse todos os segredos da garota.

— Talvez você precise se divertir um pouco, assim não vai sobrar tempo pra se preocupar com o que ainda é não é um problema. — Colocou a mão no ombro de Derek, mas o olhar que recebeu não foi muito amigável. — Pense nisso. Eu tenho que ir, prometi que levaria o jantar para a Melissa.

Sem esperar resposta saiu, deixando Derek com as pastas e com toda a bagunça da pesquisa de Mason.

Derek colocou a foto de Crystal ao lado do pentagrama invertido, tentando encontrar qualquer conexão entre as duas coisas.

"Eu sou uma bruxa", lembrou do que ela tinha dito, e não fosse a certeza que sua mãe tinha, ao falar que ele nunca precisaria se preocupar com bruxas, talvez Derek tivesse começado a acreditar naquele instante.

Tinha um suposto suicídio com um símbolo estranho e uma garota saindo do nada pra procurar sua família, não era tão insano assim tentar conectar os dois acontecimentos.

Derek pegou outra foto, uma em que Crystal usava um batom vermelho e sorria exibindo uma covinha em sua bochecha direita.

— Você não parece uma assassina... Mas a Jennifer também não parecia, então... — Ele jogou a foto de volta na bancada.

Queria acreditar em Chris Argent e pensar que a garota era normal, mas quando se lembrava do encontro dos dois, e das coisas que havia sentido, tinha quase certeza que Crystal Green não podia ser humana.

Perdeu toda a paciência e derrubou todos os papeis da mesa com uma só passada de mãos, enquanto deixava um rosnado animalesco sair de sua garanta. Uma pessoa inocente havia morrido, e Derek estava começando a achar que, novamente, aquilo podia ter a ver com ele e com sua família.

Kate, Peter, Jennifer, a Alcateia de Alfas... todos eles, de alguma forma, tinham a ver com Derek e todos eles perturbaram a paz de Beacon Hills. Ás vezes não conseguia deixar de pensar que era amaldiçoado, era como se destruição e morte o cercasse...

Passou as mãos pelo rosto em um gesto de frustração e decidiu correr. Tinha que esfriar a cabeça, e podia aproveitar para fazer uma ronda por toda a cidade.

Arrancou a camiseta ali mesmo, jogando-a em um canto qualquer e fazendo uma nota mental para voltar e arrumar aquela bagunça depois. E então sentiu todos os seus músculos se contraindo, se transformando.

Não havia dor, embora fosse como fogo correndo por suas veias, segundos depois um lobo negro saia da clínica veterinária e corria livre por Beacon Hills.

Após alguns quilômetros de corrida, Derek percebeu algo diferente com seus instintos de lobo, era difícil explicar, era como se algo o atraísse, o puxasse... Lembrou que tinha sentido algo parecido quando tocou o braço de Crystal Green, na frente da antiga casa dos Hale, mas na forma de lobo aquilo parecia mais intenso.

Seu intuito era correr pelo perímetro da cidade e fazer uma ronda completa em busca de algo suspeito, mas quando se deu conta estava em frente a uma rua residencial. Parou entre as árvores, ocultado pela folhagem de alguns arbustos e foi quando aquele cheiro invadiu seu olfato.

O perfume era atrativo e hipnótico, era como correr pela floresta na primavera; doce, porém leve. Derek sabia que já tinha sentido isso antes: Crystal Green.

Presumiu certeiramente que estava na frente da casa da garota e decidiu observar por um tempo. De alguma forma, Derek teve a impressão que já havia sentido aquele cheiro antes, quando era muito mais novo, não conseguia se lembrar de quando ou onde, mas era como se o aroma lhe lembrasse da infância.

Percebeu que estava mais calmo, como se todo o estresse e preocupação de antes simplesmente tivessem dado lugar a calmaria. Mesmo quando corria pela floresta não conseguia experimentar aquele tipo de sensação.

Algo muito estranho certamente está acontecendo aqui... pensou, e foi quando sua audição Lupina captou um barulho no andar de cima da casa a sua frente e ele focou sua atenção ali.

Era de lá que o cheiro vinha, como se fosse soprado de dentro do quarto para a rua. Seu olhar ainda está ali quando Crystal surgiu na janela. Ela colocou a mão no vidro como se sua intenção fosse fechá-lo, mas então olhou exatamente na direção em que Derek estava.

Era como Crystal estivesse olhando diretamente para o lobo, como se ela soubesse que tinha algo ali parado na escuridão, mesmo que Derek tivesse certeza que não era possível, já que ele estava oculto pela noite e por várias folhas.

Ele não desviou os olhos, talvez não tivesse conseguido mesmo que quisesse, e ele certamente não queria. Seu lado lupino estava tão hipnotizado que era quase como um lobo selvagem admirando a lua.

Derek não pensou, não ficou criando teorias sobre "o quê" ou "por quê", sua mente desligou. Não havia passado, presente ou futuro; não havia dor; não havia assassinatos ou Beacon Hills, tampouco havia a distinção entre sobrenatural e humanos. Havia só Crystal Green. E isso era o bastante.

Foi nesse instante que o gato alaranjado pulou na janela e Crystal desviou os olhos, fazendo Derek cair em si novamente, ele sacudiu a cabeça algumas vezes, sem entender absolutamente nada do que tinha acontecido e decidiu que devia continuar sua ronda.

Porém foi difícil sair dali, era como estar em uma cama quente e macia em um dia frio, você nunca quer levantar. Mesmo assim Derek se obrigou a ir.

Fez a ronda e não encontrou nada suspeito, nem cheiro, nem som, tudo em Beacon Hills estava do mesmo jeito, a única diferença era Crystal.

Estava voltando para casa, quando se percebeu em uma trilha diferente, ao mesmo tempo em que era familiar, parecia perdida no tempo. Quando olhou para o lado percebeu onde estava: Nemeton.

Mas por ali, as coisas não estavam como sempre, a árvore de tronco cerrado, antes morta, estava mais viva do que nunca, era como se estivesse renascendo de suas próprias entranhas.

Isso não é possível...

Derek ficou parado ali, ainda em sua forma lupina, sabendo que algo assim não podia ser simplesmente acaso. Então só restava uma coisa a fazer: Teria que voltar até a casa de Crystal Green em busca de respostas.

Notas finais
É tanto mistério que nem dá pra saber qual a gente quer que seja resolvido primeiro uashaushuhs O lado lupino do Derek está muito fissurado na Crystal e ele nem sabe por que hummm Liam e Theo tem um segredinho humm² Aos poucos todos personagens vão dando as caras, nesse eu pude trazer o Chris (que eu amo muito) e continuar desenvolvendo os outros personagens também. No proximo a Crystal finalmente vai ter o primeiro dia de aula e vamos ver como vai ser a interação dela com os outros, além dessa missão do Derek por respostas. Nos vemos na semana que vem! Bjss e até PS: Teorias sobre a morte do garoto?