Notas iniciais
Hello, people!! E aí vamos começar fevereiro com capitulo novo? Acho que já está na hora da Crystal começar na escola e conhecer o povo, não é? E enquanto isso também temos que ver o que o senhor Derek Lobão Hale vai aprontar pra conseguir umas respostas asuahsuahs Espero que gostem e um agradecimento especial pra todo mundo que está comentando e favoritando a fic, vocês são demais sério. Boa leitura. PS: Os personagens do Banner que vocês não conhecem da série, são dois personagens novos que eu introduzo nesse cap.

— E então? O que achou? — Crystal perguntou animada, dando uma voltinha.

Estava mostrando para o Senhor Bigodes a roupa que havia escolhido para o seu primeiro dia de aula, na verdade aquela era a décima combinação que havia vestido aquela manhã, indecisa sobre o que devia usar.

Bigodes, deitado confortavelmente entre os vários edredons de Crystal não parecia empolgado com o desfile de moda, de modo que ele até olhou quando seu nome foi mencionado, mas voltou a fechar os olhos logo em seguida.

— Obrigada pela sua grande ajuda, ó meu amado gato. — A jovem ironizou ao ver a reação do felino.

Olhou para o espelho mais uma vez e se virou de um lado para o outro, usava uma calça jeans escura e uma blusinha básica, rosa pastel, de mangas cumpridas, afinal o inverno estava no fim e a Califórnia era quente, mas Crystal não era do tipo que arriscava. Seus pés também estavam protegidos por botas de cano baixo e salto alto.

— Não sei... — resmungou, enquanto ainda se olhava no espelho.

Voltou para o closet, que era a melhor parte de ter ficado com aquele quarto, e pegou um casaquinho escuro, jogando-o por cima de tudo. Logo em seguida arrumando o cabelo e passando um batom rosa.

Sorriu para o seu reflexo no espelho, satisfeita com o que via.

— Viu, Bigodes? É assim que se faz. — Se gabou para o gato, enquanto preparava o celular para uma foto.

— Crystal, você vai se atrasar! — Sua avó gritou lá do andar de baixo e a jovem se apressou, pegando a bolsa em cima da cama e descendo as escadas enquanto postava a foto no instagram.

Seus avós fizeram questão de levá-la, e Crystal não se importou, a verdade é que estavam preocupados com aquela história de suicido na escola e até haviam adiado a volta ao Maine por isso.

Crystal havia ficado chateada com o assunto também, nos últimos dias havia feito uma porção de pesquisas sobre Beacon Hills e a cidade toda era cercada por mistérios e tragédias, ela ficava admirada que as pessoas ainda morassem ali depois de tanta desgraça.

Por fim, teve que deixar todos aqueles pensamentos de lado, apesar de ter certeza que era uma bruxa e de estar empenhada em descobrir tudo que podia sobre a morte dos pais, ainda era uma adolescente e tinha que ir à escola tirar boas notas e pra conseguir passar em uma ótima universidade.

Até Bruxas precisam se formar, pensou depois de se despedir dos avós e finalmente entrar na Beacon Hills High School.

— Você deve ser Crystal, certo? — Uma senhora muito simpática a recebeu. — Eu sou Natalie Martin, a diretora.

A senhora Martin acompanhou Crystal pelos corredores, falando sobre as regras da escola e os horários. Estavam seguindo para a primeira aula da jovem, quando um senhor vestido de policial apareceu por ali.

Ele parou a uma distância razoável das duas e trocou um aceno de cabeça com a Diretora Martin.

— Ah, bom... Eu... — Ela alternou os olhos entre Crystal e o homem. Até que viu um dos alunos no corredor e o chamou. — Hey você, vem aqui!

O jovem alto, de cabelos castanhos claros e com um olhar entediado se aproximou a contragosto.

— Por que não está na aula de artes, Theo? — A diretora perguntou e o garoto não pareceu nada contente.

— Eu não estou atrasado, se é o que está pensando, eu só estava no banheiro. Além do mais é artes, ninguém se importa. — Ele retrucou mal-educado.

— Bom, o conselho estudantil discorda disso. — A senhora Martin devolveu em um tom falsamente educado e se voltou para Crystal. — Esse é Theo Raeken. Theo, essa é Crystal Green, ela é nova e está na sua classe de artes, então pode leva-la até lá, por favor?

Theo mediu Crystal dos pés à cabeça com desprezo aparente nos olhos.

— Esse trabalho não é seu? — Jogou de volta para a diretora e ela não gostou nada da resposta.

Theo fora responsável por muita desgraça na vida de sua filha, Lydia, para que a senhora Martin simpatizasse com o garoto. Mas, já que ele era um aluno, tinha que tolerá-lo.

— Faça o que eu mandei, senhor Raeken, tenho assuntos para tratar com o xerife Stilinski. — Ela apontou o homem vestido de policial e foi assim que Crystal soube que ele era o xerife. — Seja bem-vinda e boas aulas, senhorita Green.

Crystal ficou vendo a diretora se afastar e entrar em seu escritório com o xerife, antes de perceber que Theo já havia começado a andar sem ela. Teve que apressar o passo para alcança-lo.

— Então, é Theo, não é? — Perguntou amigável, enquanto o seguia. — Faz tempo que mora em Beacon Hills?

— Olha só... — Theo parou bruscamente, quase fazendo com que Crystal se chocasse contra ele. — Eu não me importo. Não estou interessado na sua amizade, nem hoje, nem nunca. Eu vou pra aula de artes e você me segue, só isso. Não temos que falar um com o outro.

Ele se virou para continuar a andar logo em seguida e Crystal piscou algumas vezes ainda perplexa.

Minha nossa, como o povo dessa cidade é mal-humorado... pensou, enquanto seguia o garoto e inevitavelmente lembrava de seu encontro com o Hale misterioso. Misterioso e bonitão, não pôde deixar de admitir com um sorriso de lado.

Mas o comportamento tão agressivo de Theo tinha um motivo naquele dia: sua noite fora péssima, ele e Liam haviam brigado, nem se lembrava porque, mas a coisa tomou proporções tão exageradas que Theo foi embora no meio da noite, depois de quebrar o nariz de Liam e sem comer a maldita pizza.

Não entendia por que estavam sempre brigando daquele jeito, e também não entendia por que ficava tão afetado com aquilo. Ou talvez entendesse... Só não queria admitir.

Dentro da sala de artes, Liam estava sentado logo atrás de Mason, que por sua vez estava ao lado de Corey, quando um aroma peculiar invadiu seu olfato, era algo que ele nunca havia sentido igual.

— Estão sentindo esse cheiro? — Sussurrou para os amigos, que o encararam confuso.

Mason cheirou as próprias roupas para ver se estava fedendo.

— Não sou eu. — Se defendeu erguendo as mãos.

— Não é isso, idiota. — Liam revirou os olhos. Estava prestes a explicar, quando Theo e uma garota nova entraram na sala. Ele soube instantaneamente que o cheiro vinha dela.

Crystal parou em frente a lousa e encarou a classe, enquanto Theo nem olhava uma segunda vez antes de se jogar em seu lugar, na carteira logo ao lado de Liam.

— Você deve ser a aluna nova, certo? Eu sou o professor Edmond Blackwood. — O homem andou até ela e estendeu a mão em um cumprimento cordial;

— Crystal Green. — A jovem se apresentou com um sorriso.

Edmond Blackwood era um homem de meia idade, com o rosto comprido e expressões duras, que se abriram em um sorriso amigável quando ele trocou um aperto de mão com a nova aluna.

Crystal não soube o que pensar dele, estava nervosa com a o primeiro dia, então não prestou atenção em mais nada, a não ser, talvez, em por que o professor raspava o cabelo, quando claramente ainda não era careca.

— Classe, essa é Crystal Green, ela é nova. Sejam legais. — Blackwood incentivou a sala e apontou um lugar pra que a menina se sentasse.

Crystal ficou com uma carteira no extremo oposto à de Liam, mas ele ainda a encarava quando a aula recomeçou.

Olhou para Theo ao seu lado e o cutucou levemente, enquanto sussurrava:

— Percebeu o cheiro que ela tem? É algo... Eu não sei explicar. É tipo...

Theo o encarou como se pudesse matá-lo bem ali, e não esperou para interromper:

— Okay, não somos amigos, lembra? Se tem um crush na garota nova fale para os idiotas aí na frente, não pra mim. — Apontou para Mason e Corey, se virando para frente em seguida.

— O que? Não, não é nada disso! — Liam se defendeu.

Sim, ele tinha reparado na novata, mas não tinha nada a ver com crush, ele simplesmente achou que aquele aroma não podia ser humano e resolveu compartilhar com o grupo.

Mas claro que Theo tinha entendido errado. Ele sempre entendia. Exatamente como na noite passada, por isso os dois haviam brigado.

Liam resolveu focar na aula, estava cansado daquela complicação. Todavia, a tarefa seguinte pareceu ter surgido apenas pra bagunçar as coisas mais ainda.

— Então, formem duplas para essa tarefa, por favor. — O professor ordenou e a sala começou a se movimentar imediatamente

— Vai fazer comigo, ou vai continuar de cara fechada? — Liam perguntou para Theo, vendo que o mais velho continuava emburrado.

— Quer saber, se você não tem um crush na menina nova, talvez eu tenha... — Ele respondeu, se colocando de pé e caminhando até a mesa de Crystal.

Era pura implicância, obviamente Theo não tinha interesse algum na novata, só queria irritar Liam. E funcionou perfeitamente, o jovem beta teve que fincar as unhas nas palmas, tamanha foi sua raiva naquele momento.

Não entendia como Theo podia afetá-lo tanto. Eu vou quebrar aquele maldito nariz perfeito quando isso acabar, e quando curar eu vou quebrar de novo, rosnou internamente, vendo Theo puxar uma carteira e se sentar ao lado da menina nova.

— Achei que nunca seriamos amigos... — Crystal debochou assim que viu o que o garoto estava fazendo.

— E não somos, mas você precisa de um par e eu não vi ninguém se oferecendo, vai reclamar? — Theo usou um tom grosseiro, tão baixo que Crystal mal pôde ouvir, mas ele se esforçou para que quem olhasse de longe, e isso quer dizer Liam, pensasse que ele estava sendo encantador com a garota.

Crystal franziu as sobrancelhas, tentando entender aquela atitude estranha, mas no fim apenas deu de ombros, tentando não rir e focando na tarefa dada pelo professor.

Não foi tão fácil quanto ela achava, quer dizer não a tarefa em si, mas o fato de focar nela, Theo e o garoto do outro lado da sala, do qual Crystal ainda não sabia o nome, ficaram trocando olhares raivosos durante toda aula, e a jovem já havia percebido que toda vez que isso acontecia Theo se esforçava pra parecer amigável demais com ela.

Era engraçado na verdade, porque Crystal se sentia bem no meio da briguinha de ciúmes de um casal não assumido.

— Então, você e o seu ami... — Estava prestes a perguntar para Theo, mas o garoto lhe lançou um olhar tão mortal que ela se calou imediatamente.

— Não somos amigos, e se você disser isso outra vez, vou esquecer que você é menina e socar a sua fuça. — Ele ameaçou, mas estava tentando fazer parecer que tinha ouvido algo muito engraçado de Crystal, no meio de seu teatrinho para Liam, que o peso de suas palavras acabou se esvaindo.

— Já vi que você tem sérios problemas em aceitar amizades, tudo bem então. — Crystal deu de ombros, achando melhor não rir, Theo era do tipo irritadinho.

Também achou melhor não perguntar por que ele teimava em falar tão baixo, como se o menino do outro lado da sala fosse conseguir ouvir.

Só se ele fosse o Superman pra ouvir de tão longe assim, riu internamente, e tentou focar em sua lição, mas a verdade é que sua mente teimava em divagar, voando para todos os mistérios que vinham cercando sua vida. E cada vez que pensava nisso, acabava se lembrando do Hale que conhecera. Sequer sabia o nome dele, mas o homem e seus olhos verdes tinham se tornado uma constante tão grande em seus pensamentos que era praticamente como se o conhecesse.

Crystal tentou atribuir esse fascínio ao mistério que cercava o moreno, mesmo que achasse essa coisa de estar vidrada no Bad Boy misterioso um grande clichê.

Talvez seja isso mesmo, quer dizer, ele é todo bonitão, com aquela pose de mau e "saia da minha propriedade", aposto que se eu o conhecesse mesmo esse crush desapareceria... pensou enquanto focava no desenho que fazia.

Olhou para o lado e percebeu que Theo estava em outra disputa de olhares com o garoto que "não era seu amigo". Crystal riu baixinho enquanto negava algumas vezes.

Antes do fim da aula Edmund Blackwood passou um trabalho em grupo, ele queria uma representação visual da era vitoriana, deixou que os alunos formassem os grupos conforme quisessem, com o limite de cinco por grupo, foi nessa hora que o sinal de troca de aulas tocou.

Crystal estava guardando as coisas, enquanto Theo estava apoiado em sua carteira, com um sorriso de canto, jogando um charme que ela sabia ser fingimento.

— Eu, você e esse trabalho, que acha? — Theo perguntou, tocando a ponta do longo cabelo loiro de Crystal e ela fez o possível para reprimir uma risada, não acreditava que um garoto podia ser tão falso daquele jeito.

— Hey, e ai? Eu sou o Liam, bem-vinda. — O garoto do outro lado da sala se aproximou, sendo totalmente amigável.

— Crystal. — Ela acenou meio sem jeito.

— E esses são Corey e Mason. — Liam apontou os outros dois garotos com ele, que acenaram também. — E aí, vai fazer o trabalho com quem?

— Comigo. — Theo se precipitou em responder, e usou um sorriso cretino para enfrentar Liam.

Os dois derem um passo pra mais perto um do outro e começaram a se encarar com tanto afinco que era quase como se fossem se matar, ou se beijar, a qualquer momento.

Crystal trocou laçou um olhar totalmente perdido para Corey e Mason, e os dois apenas negaram sutilmente, como se aquilo não fosse nada de mais.

— Ahn... Podemos fazer todos juntos. Grupo de cinco, que acham? — Crystal sugeriu, ainda tentando se encaixar naquele meio.

— É uma ótima ideia — Mason foi o primeiro a se pronunciar e Corey concordou.

— 'Tá bom, que seja! — Theo respondeu finalmente, se conformando rápido demais com tudo aquilo.

— Que seja. — Liam retrucou e os dois saíram da sala indo cada um pra um lado.

— Eles são sempre assim? — Crystal perguntou para os dois que tinham ficado.

— Olha... pra ser honesto, são sim. — Corey respondeu e Mason riu.

Crystal fez amizade com os dois bem rápido, eram amigáveis e bem-humorados. Mason era muito esperto, enquanto Corey era doce e quase inocente.

Antes mesmo do almoço Crystal já sabia que eles eram namorados, embora Liam e Theo, que se juntaram a eles depois é que brigassem feito um casal.

Liam olhava pra ela de um jeito estranho às vezes, mas considerando tudo que vinha acontecendo na vida de Crystal, ela achou que aquilo era o menos bizarro.

Realmente gostou dos quatro, mesmo que se sentisse praticamente segurando vela em alguns momentos.

— Então, podemos nos juntar pra fazer o trabalho na minha casa mais tarde, o que acham? Meu avô faz quitutes deliciosos. — Crystal sugeriu na saída, quando os cinco estavam caminhando juntos para o estacionamento.

— Eu estou dentro! — Mason e Corey falaram em uníssono, afinal não dava pra perder uns quitutes.

E porque, no fundo, queriam um pouco de normalidade na vida depois de terem encontrado aquele corpo na piscina.

— O Theo também está, ele precisa da nota. — Liam apontou, como se realmente pudesse decidir pelo outro.

— Olha só, você não é minha mãe, Liam. — Eles voltaram a se encarar e Theo simplesmente cedeu. — Tanto faz... Mais tarde, então. Mas eu não vou dar carona pra ninguém.

Ele mal terminou e seguiu para sua picape sem se despedir.

— Não esquenta, quando conhecê-lo melhor vai ver que ele é legal. — Liam tentou defender, se dirigindo a Crystal enquanto falava.

— Eu o conheço melhor e ele ainda não ficou mais legal. — Corey entrou na conversa e Liam o encarou feio.

— Você manda mensagem com o endereço? — Mason perguntou, enquanto eles também seguiam para o carro.

— Claro. — Crystal acenou, aproveitando para pegar o celular e checar se tinha mesmo anotado todos os números na hora do almoço.

Acabou abrindo o Instagram e teve que parar na calçada pra olhar o aplicativo. Foi quando sentiu todos os pelos do seu braço se arrepiarem, e uma sensação estranha de que estava sendo observada.

Olhou para frente e percebeu que havia um rapaz dentro de um carro do outro lado da rua. Ele parentava ser mais velho que ela, tinha o cabelo em um corte moderno, com um topete despojado e, mesmo de onde estava, Crystal percebeu que ele usava lápis de olho preto e uma echarpe.

Um rapaz bastante peculiar, mas peculiaridade não era pecado algum, certo?

— Hey, senhorita Green. — Crystal teve que desviar os olhos, para ver quem a chamava.

— Professor Blackwood, oi — cumprimentou amigável, ao ver Edmund se aproximar.

— Eu só queria dizer que a sua tarefa estava incrível, você tem um dom pra desenhar — elogiou com um sorriso.

— Ah eu não fiz sozinha... — Ela desconversou, percebendo que o rapaz do outro lado da rua não tirava os olhos dela.

— O senhor Raeken é literalmente meu pior aluno, então, acho que você ter feito com ele, e mesmo assim ter saído tão bom é um ponto a mais pra você. — Professor Blackwood riu, mas Crystal não achou aquilo muito certo.

Uma buzina estridente cortou a conversa dos dois, fazendo a jovem se assustar levemente. Era o garoto do carro, que no momento tinha uma expressão bastante contrariada.

— Meu filho, Bradley, é meio impaciente, como pode ver. — O professou Blackwood apontou. — Eu vou indo. Até amanhã, senhorita Green.

Ela acenou educadamente e ficou vendo os dois se afastarem com o carro, tendo tempo o bastante para perceber que o filho de Edmund a encarava pelo retrovisor externo.

Quando mais eu fico nessa cidade mais coisa estranha acontece, credo... Quero meus poderes de bruxa logo, isso sim, Crystal pontuou mentalmente, enquanto caminhava pra casa.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Derek Hale estava parado na frente da casa dos Green por um tempo longo demais, ocultado pelas árvores do outro lado da rua, ele usava sua audição lupina para ouvir tudo que acontecia lá dentro.

Crystal estava na escola e o senhor e senhora Green estavam ocupados com suas próprias tarefas. Não era o que ele esperava. Quer dizer, seu plano era entrar na casa e procurar por algo suspeito, qualquer coisa que ligasse Crystal a morte do garoto ou ao crescimento do Nemeton.

Todavia, invadir uma casa habitada por dois velhinhos, que pareciam saídos de um comercial de margarina, não era exatamente o que Derek tinha em mente.

Por fim respirou fundo e decidiu que a segurança de Beacon Hills era mais importante que seu moralismo. Os Green estavam na cozinha, ele podia entrar pela janela do quarto de Crystal, encontrar o que procurava e sair antes de ser visto.

Se o xerife Stilinski não tinha desconfiado de nada, quando Derek entrou na casa de Stiles, dois avós certamente não desconfiariam.

Certificou-se que não havia ninguém na rua, e correu, usando suas habilidades para pular no telhado da varanda e então entrar através da janela do quarto sem dificuldades.

Caiu em um pouso perfeito, mas não esperava que um gato amarelado se assustasse tanto com sua entrada. O bichano não gostou de ver o quarto de sua dona sendo invadido e se colocou em posição de ataque, erguendo todo seu corpo, enquanto seus pelos ouriçavam e ele emitia um rosnado ameaçador.

Quer dizer, ameaçador da visão do pobre gato, afinal Derek no máximo achou engraçado, ele focou os olhos no felino e deixou que brilhassem azuis, mostrando as presas de lobo e rosnando com menos de um décimo de sua força.

Aquilo foi suficiente para que o animalzinho de estimação tomasse um susto dos grandes e saísse do quarto correndo como se a própria vida dependesse disso.

Aproveitou a saída do gato e caminhou silenciosamente até a porta, fechando-a em seguida e tirando um segundo para analisar o quarto.

Definitivamente não parecia o quarto de uma assassina. Havia rosa por toda a parte e muitos bichos de pelúcia, assim como uma quantidade absurda de edredons sobre a cama. Tudo ali tinha o cheiro dela.

Só então se deu conta que estava no quarto de uma garota e se sentiu estranho sobre isso, quer dizer, não era uma boa coisa um cara da idade dele invadindo quartos de adolescentes, certo?

Teve que tirar alguns minutos, totalmente parado perto da porta, para convencer a si mesmo que estava fazendo tudo aquilo por Beacon Hills. Respirou fundo e começou a busca, olhando debaixo do colchão e da cama, enquanto balbuciava para si mesmo que estaria agindo do mesmo jeito sendo uma garota ou um garoto.

Mas aquela teoria de "é tudo a mesma coisa. Você está procurando por uma pessoa ruim, não faz diferença se é homem ou mulher" simplesmente caiu por terra quando ele caminhou até a cômoda e abriu a primeira gaveta. Uma gaveta inteira repleta de roupas intimas.

— Okay, não, definitivamente não é tudo a mesma coisa. — Fechou a cômoda rapidamente e deu um passo para trás assustado.

Existiam algumas coisas que nem um lobisomem devia fazer e aquela certamente era uma delas.

Eu vou ligar para a Malia, ela voa até aqui e faz esse favor pra mim, ela me deve isso, é minha prima, decidiu mentalmente, enquanto se afastava para a janela novamente.

Teria que pedir que ela não preocupasse o Scott, mas aquilo era melhor do aquele plano de ele mesmo invadir o quarto de uma garota.

Estava a alguns passos da janela, quando algo em cima da mesinha no canto lhe chamou a atenção. Era um caderno de desenhos, e tinha uma imagem bastante especifica desenhada ali: O Nemeton.

Derek caminhou até a mesinha e pegou o caderno nas mãos, no desenho feito a lápis o Nemeton ainda estava com seu tronco seco, mas Crystal Green ter uma árvore sobrenatural rabiscada em seu caderno, dizia muito sobre ela.

O que você é, garota? Esse pensamento ainda estava em sua mente, quando se deu conta de que alguém subia as escadas, se preparou para pular a janela, mas o avô de Crystal estava do lado de fora e se Derek saísse seria visto.

Os passos se aproximavam rapidamente, então, tudo que restou a Derek foi atravessar o cômodo em direção ao closet, e se fechar lá, no momento em que a porta do quarto era aberta.

Era a avó de Crystal, Derek podia ver através das frestas. Ela entrou no quarto e arrumou algumas coisas, tinha um balde na mão e se ocupou de passar pano no chão.

Mas que merda, cruzou os braços e virou de costas para a porta, pelo visto teria que aguardar. Só esperava que a avozinha não resolvesse abrir o closet.

Foi só quando olhou pra frente que Derek se deu conta que estava literalmente dentro do armário de Crystal. Pra quê tantos sapatos se ela só tem dois pés? Observou a quantidade absurda deles, todos perfeitamente enfileirados nas prateleiras. Do outro lado haviam os cabides, o lugar estava abarrotado de coisas.

Mesmo que Derek juntasse toda a roupa que já tivera na vida, ainda não se igualaria em número com o guarda roupa de Crystal. E tudo ali era tão colorido, tinha muito rosa e flores, fez uma careta e desejou estar sendo torturado naquele momento.

Mas algo no fundo do closet chamou sua atenção, uma caixa de madeira, que parecia estar sobre um livro.

Derek caminhou até o objeto silenciosamente, e assim que o segurou em suas mãos teve dois tipos de surpresa. O baú de madeira tinha um triskelion na tampa, o símbolo de sua família, mas aquilo perdeu um pouco a importância quando Derek encarou o livro debaixo dele.

Lembrava um diário artesanal, com uma capa de couro e nela estava gravado um pentagrama invertido, o mesmo símbolo que estava no peito do garoto morto.

Eu sabia! Teve que conter o rugido para não ser ouvido pela senhora Green, que ainda estava no quarto.

Deixou o baú de lado, para pegar o diário, mas assim que estendeu a mão para fazê-lo todos os seus pelos se arrepiaram e, quando tocou o couro, foi como tocar em fogo vivo, teve que tirar a mão rapidamente.

Quando encarou a ponta dos dedos totalmente queimadas, elas simplesmente não estavam cicatrizando.

Mas que porra é essa? pensou, cerrando o punho da outra mão. Aquela garotinha se arrependeria amargamente de ter pisado em Beacon Hills um dia.

Percebeu que a avó tinha deixado o quarto e estava pronto para ir também, quando ouviu a voz de Crystal nas escadas.

— Já vou descer, só vou tirar essa roupa, vovó — Ela avisou em um tom doce e amigável, que em nada combinava com a assassina que, naquela altura, Derek já tinha certeza que ela era.

Viu pelas frestas quando ela entrou no quarto e fechou a porta, jogando a bolsa em um lugar qualquer.

Derek segurou a maçaneta do closet. É hora de você me dar algumas respostas, menina...

Notas finais
Crystal caiu de cabeça bem no meio do relacionamento conturbado de Thiam, coitada, vai ter que dar muito conselho pra esses dois ainda uahsaushuash Derek e a sua incrível mania de invadir a casa dos outros, certas coisas não mudam certo?? Ele abrindo a gaveta da Crystal e percebendo que não podia fazer aquilo foi impagável aushuahs O próximo capitulo é totalmente dos dois, e pra ser honesta tem uma das minhas cenas preferidas planejadas até agora, eu acho que vocês vão gostar aushaush Teremos algumas respostas sobre a Eliza também. E falando nela, eu finalmente fiz o DC dos Green e dos novos personagens (amém) então, pra quem quiser conferir... Alan e Madeleine > https://goo.gl/6spk3h Eliza e Bart > https://goo.gl/omd9wt Bradley > https://goo.gl/mqqofn Edmond > https://goo.gl/jkvyXi Eu prestaria atenção nos Blackwood se fosse vocês uahsauhs Bom é isso. Nos vemos semana que vem. Bjss