Notas iniciais
Oiee!! Tô de volta com capitulo novo, feliz da vida porque Running ganhou sua primeira recomendação!!! Obrigada de verdade Mrs Claflin, eu amei cada palavrinha s2 E vamos que vamos porque a treta realmente chegou a Beacon Hills... Boa leitura!

Da janela da sala, na casa de Crystal Green, Liam observava os cinco berserkers parados do lado de fora, com suas posturas agressivas, cabeças e corpos cobertos por ossos de urso.

Lembrava de ter enfrentado aquelas criaturas no México, em uma de suas primeiras aventuras com Scott e os outros.

— O que a gente faz agora? — Ele perguntou nervoso, fechando as cortinas e encarando os amigos.

— A gente foge. — Theo declarou, como se fosse a coisa mais óbvia de todas. — São berserkers, mesmo os Doutores do Medo sabiam que essas criaturas não são brincadeira.

— Primeira vez que o lobisomem falso fala alguma coisa pertinente. — Peter apontou, concordando com Theo.

Naquele ponto o rapaz sequer se importou com a ofensa. Haviam assuntos mais urgentes...

Malia cruzou os braços e encarou Crystal e Lydia, vendo que Stiles ainda estava no telefone com Scott.

— A gente não foge. — Ela declarou de cabeça erguida. — O Scott não fugiria.

Lançou um olhar superior para Peter e Theo.

— O Scott não está aqui agora, está? — O garoto quimera retrucou naquele tom irritante de sempre.

— Mas ele vai chegar. — Stiles entrou no meio da discussão sacudindo seu aparelho celular. — Ele está a caminho.

— E o que a gente faz até lá? Convida as criaturas lá fora pra um chazinho? — Peter ainda não tinha desistido de dar o fora.

Tinha concordado em lutar contra bruxas, afinal tinha seus próprios assuntos para tratar com as malditas, ou melhor, com um maldito em particular, portanto, morrer para berserkers não estava em seus planos.

— Por que eles estão aqui pra começo de conversa? — Lydia fez a pergunta mais pertinente até então.

Crystal, que tinha permanecido calada todo aquele tempo, sabendo que não podia opinar em algo que não entendia e com o qual não tinha a menor experiência, teve um vislumbre do motivo pelo qual havia criaturas sobrenaturais em sua porta.

— Estão aqui pelo livro... — Ela declarou apática, atraindo os olhares da sala.

Ainda se sentia mal, o corpo fraco e a cabeça latejando a todo instante, mas resolveu que tinha que reagir, as coisas estavam muito ruins, não dava tempo de se sentir doente.

— Mas por que esse maldito livro ainda está dando sopa por aí? — Peter jogou as duas mãos para cima, claramente irritado. — Por que ninguém enfiou isso no cofre?

Crystal soltou um suspiro pesado, o motivo do livro não estar no cofre era porque Derek tinha ido embora como um cão raivoso na noite passada, e não dera qualquer notícia desde então.

Malia passou os olhos pelos amigos, vendo que nenhum deles tinha um plano, mesmo Stiles estava parado olhando de um para outro e ele sempre tinha um plano.

Ela olhou os bersekers do lado de fora e os viu darem um passo para frente, todos juntos, como se fossem robôs operando com as mesmas ordens. Sabia que não havia tempo.

— 'Tá certo, não podemos deixar essas coisas ficarem com o livro, é o que o Scott faria. — Ela deu um passo para frente e tomou algumas decisões. — A gente fica e luta, vocês vão, peguem o livro e vão atrás do professor.

Tinha acabado de apontar, Crystal, Stiles e Lydia, então fez um segundo de silêncio, não era uma líder, não sabia tomar decisões como aquelas, mas Scott sabia, e Malia agiu pensando unicamente no que seu Alfa faria.

Tinha que tirar os mais fracos da casa, ou seja, Stiles e Crystal, mas sabia que Stiles não iria a lugar nenhum sem Lydia, e por mais que achasse útil ter o grito de uma banshee ao seu lado, Malia sabia que a ruiva não se regenerava e jamais se perdoaria se algo acontecesse com a amiga.

Por fim, encarou Theo por alguns segundos, enquanto o rapaz alternava seu olhar preocupado entre Liam e Crystal, tomou uma decisão sobre ele também:

— O Theo vai com vocês, porque eu não vou com a cara dele, e porque vocês precisam de alguém forte caso outro berserker apareça, além disso, se o professor for mesmo um bruxo, vocês vão precisar de proteção e reforço.

Não era apenas sua raiva de Theo falando mais alto. Embora Malia jamais fosse confiar no quimera com sua vida outra vez, ela sentiu que podia confiar que ele não deixaria nada acontecer com Crystal.

Ela não sabia se estava fazendo a coisa certa separando o grupo, não sabia se Scott aprovaria aquela atitude, mesmo assim, manteve uma pose confiante.

— Quem te colocou no comando? — Theo atacou, mas Malia não precisou se defender.

— Você tem um plano melhor? — Peter foi o primeiro a enfrentar o rapaz.

— Ela está certa, precisamos tirar o livro daqui. — Lydia também concordou com o plano da amiga.

Ao mesmo tempo o primeiro Berseker atravessou a janela da sala, fazendo vidro voar para todo lado.

— Vamos agora! — Stiles acenou, ao mesmo tempo que os olhos de Malia se acendiam azuis e ela partia para cima do inimigo.

— O cofre fica na escola, coloque o livro lá. — Peter instruiu Crystal, ao mesmo tempo em que colocava as garras de fora.

— Só as garras de um Hale podem abrir o cofre. — Stiles lembrou no último segundo e Peter revirou os olhos.

— Acha mesmo que o cofre da Talia não pode ser aberto pelo sangue da Delta dela? — A resposta veio afiada, e ele não disse mais nada, apenas soltou um rugido e também partiu para briga.

Ao mesmo tempo, Theo tinha os olhos fixos em Liam, era como se um mundo de coisas se passasse na cabeça deles ao mesmo tempo.

Ambos se sentiam estúpidos de estarem tão preocupados um com o outro naquele momento, mas Liam sabia que Malia estava certa e que aquilo era exatamente o que Scott faria, era uma forma de garantir que todos ficariam vivos e que o livro permaneceria a salvo.

— Vai... — Liam declarou, deixando que seus olhos amarelos surgissem. — Tira a Crystal daqui.

Theo assentiu e praticamente arrastou a melhor amiga escada a cima, onde ele sabia que o livro estava escondido.

Lydia e Stiles vinham logo atrás, enquanto o som dos rugidos e das coisas quebrando se espalhava pela sala.

Enquanto Theo alcançava o baú, Crystal, com a ajuda de Lydia e Stiles, colocou Senhor Bigodes na caixinha de transporte, garantindo que o gato estaria a salvo junto com eles.

Stiles ficou com o gato amarelado e Crystal recebeu o baú de Theo, tirando o grimório de lá, para que pudesse escondê-lo em sua jaqueta e o transporte fosse mais fácil. Pularam a janela depois disso, atravessando o gramado no meio da briga, no intuito de chegar ao jipe de Stiles.

Estavam prestes a entrar no veículo, quando um dos bersekers pulou na frente dele, Crystal gritou de susto, mas sua voz foi totalmente ofuscada pela de Lydia, que nada teve a ver com medo, o grito de banshee da ruiva ecoou pela rua, jogando o berserker metros longe.

— Eu já disse que te amo? Meu Deus, eu te amo demais! — Stiles exclamou orgulhoso da namorada, entrando afobado no jipe, seguido dos outros.

Os quatro se encararam ofegantes, quando o veículo ganhou velocidade, a adrenalina correndo quente através das veias de cada um. Apenas o Senhor Bigodes, dentro de sua caixinha de transporte, dormia tranquilamente, como se o mundo não estivesse desabando na cabeça deles.

Theo olhou através do vidro traseiro, vendo a casa se distanciar, junto com a figura de Liam, que pulava contra um dos bersekers.

— Ele vai ficar bem. — Crystal segurou a mão do amigo, vendo a preocupação nos olhos dele.

— Eu sei. Não é um berseker qualquer que vai conseguir levar a melhor pra cima de Liam Dunbar, ele é um idiota, mas é um idiota com um soco muito forte. — Theo respondeu com um sorriso de canto e Crystal assentiu, apertando um pouco mais sua mão para lhe passar segurança.

Os quatro jovens seguiram calados, conforme o jipe se afastava do perigo, Crystal teve tempo de ouvir os próprios pensamentos novamente e a preocupação voltou dobrada, principalmente quando ela lembrou de algo que Lydia tinha dito.

— Você disse que alguém vai morrer, quem é, Lydia? — Foi impossível esconder o temor em sua voz, mas Crystal tentou permanecer firme.

Lydia encontrou os olhos de Crystal no retrovisor e suspirou frustrada antes de responder:

— Não sei, eu só vi fogo e um corpo queimando, eu não sei quem era...

Era verdade, a imagem do corpo pegando fogo ainda estava viva em sua mente, era como se pudesse sentir o cheiro de carne queimada, era tão real que lhe dava náuseas. Alguém morreria aquela noite. Lydia tinha certeza disso...

Demorou menos de vinte minutos para que o jipe de Stiles estacionasse na escola, ele sabia que, àquela altura, Scott também tinha chegado para ajudar Malia e Liam, então sua preocupação diminuiu um pouco.

Havia certa nostalgia em estacionar na sua antiga vaga depois de tantos meses, mas não era hora para aquele tipo de sentimento.

Os quatro jovens deixaram o jipe, cuidando para que o vidro ficasse aberto, para que Senhor Bigodes tivesse ar o bastante e não passasse calor.

Adentraram a escola correndo, invadiram sem cerimônias a sala do professor Blackwood, encontrando o homem corrigindo provas, como se nada demais estivesse acontecendo.

— Senhorita Green, senhor Reaken, o que estão fazendo aqui? — Ele perguntou surpreso, tirando os óculos de armação quadrada que usava e apontando para Lydia e Stiles. — Quem são esses?

— Ah não, nem vem com papinho professor, a gente sabe o que você é! — Theo foi agressivo e ameaçador, mas Blackwood não teve a reação esperada.

— Desculpe, como é? — Ele pousou os óculos sobre as provas na mesa, e seus olhos seguiram para Crystal, mas ela nada disse, apenas recuou um passo.

— Bruxas tentando trazer uma senhora das trevas de volta a vida, mortes misteriosas, berserkers, sabemos que é você. — Lydia ergueu a cabeça enquanto acusava, ao passo que Stiles verificava a segurança deles através da janela. — Sabemos da troca de nomes e tudo mais.

— Acabou o jogo professor! — Theo puxou Edmund Blackwood pela camisa e o prensou contra o quadro negro.

O professor soltou um suspiro que era um misto de desapontamento e cansaço. Lydia e Stiles se prepararam para o pior, ao passo que Crystal sentia que estava ali apenas de corpo presente, tendo que se esforçar mais que o normal para manter sua atenção na conversa, mesmo que fosse importante.

Era como se sua mente quisesse escapar para algum lugar diferente, e a imagem da casa onde havia se encontrado pela primeira vez com Derek ficava pairando por entre suas lembranças, mesmo que Crystal se obrigasse a espantá-la todas as vezes.

— Vocês realmente não fazem ideia, não é? — O professor olhou para todos os jovens, mas falou diretamente com Crystal Green. — Estão certos, eu era um bruxo, eu já quis libertar Malvina, mas eu fui banido. Eu não tenho mais nenhum poder, porque ajudei Rosalyn e Talia a salvar a cidade.

Crystal deu um passo para frente e franziu as sobrancelhas, enquanto Stiles e Lydia fizeram exatamente a mesma coisa. Aquilo era uma surpresa e tanto.

— Você está mentindo! — Theo bateu o corpo do homem contra o quadro negro novamente e ele arfou de dor.

— Você é um lobisomem, não é? Se eu estivesse mentindo você saberia. — Professor Blackwood argumentou, e Theo reparou que o homem, apesar da situação, não tinha o coração disparado.

Lydia acenou para que ele soltasse Edmund, e Stiles concordou com um aceno rápido, mas Theo só se afastou quando seus olhos encontraram com os de Crystal e ela própria moveu a cabeça positivamente.

O garoto deu um passo para trás e o professor Blackwood ajeitou a camisa e fez uma sutil reverência de agradecimento aos jovens.

— Eu fiz um acordo com Talia e Rosalyn, dei a elas toda a informação pra acabar com isso. — Ele começou a contar, e sua história casava com o que Deaton havia contado sobre o passado. — Eu tinha acabado de ter um filho, mas a minha mulher enlouqueceu com essa coisa de magia. Ela queria sacrificar nossa criança pra trazer Malvina de volta. Eu amava o poder, mas nunca deixaria meu filho morrer por isso. Eu juro.

Crystal trocou um olhar com Theo e ele fez um movimento, deixando claro que não havia qualquer indicio que o professor estava mentindo.

— Supondo que você está falando a verdade... Vai dizer que não sabia das mortes na cidade? Não sabia o que significava? — Stiles acusou desconfiado.

— Eu sabia. — Edmund admitiu com um suspiro. — Eu só não quero ter nada a ver com isso outra vez.

Crystal deu um sorriso compassivo para o homem, por alguma razão acreditou nele, ao contrário dos outros três jovens na sala.

— Se não é você comandando tudo e controlando as crianças e os berserkers, quem é? — Theo cruzou os braços e deu um passo para frente, usando toda a sua postura ameaçadora.

— Pode ser qualquer um... — O professor puxou a cadeira para se sentar e Theo sentiu que tinha acabado de perder o som de algumas batidas do coração do homem.

— Eu não acredito em você. — Lydia deixou claro, cruzando os braços e encostando em uma das carteiras.

Blackwood suspirou novamente e passou a mão pelo rosto. O olhar dele cruzou com o de Crystal e foi quando o homem resolveu apelar para o bom sendo da filha de Rosalyn Riven.

— Olha, eu roubei o livro de Malvina e dei pra sua mãe, eu sou inocente, eu só queria proteger o meu filho, só isso. — Ele uniu as duas mãos em forma de suplica enquanto falava.

Crystal quis acreditar, quis mesmo, mas ela sabia que não estava envolvida com o sobrenatural tempo o bastante para tomar uma decisão daquelas sozinha.

Chamou os amigos de canto e sussurrou:

— O que a gente faz agora?

Theo votou por apelar para a violência, e Stiles, mesmo que a contragosto concordou com aquilo, Lydia é claro, foi incrivelmente mais sensata e ganhou o apoio de Crystal; tentariam contado com Scott e os outros, não só para saberem do estado dos amigos, mas também para decidirem todos juntos o que fazer sobre o professor Edmund Blackwood.

Enquanto Stiles e Lydia saiam da sala para dar o telefonema, Crystal e Theo ficaram de olho no homem, que tinha voltado a corrigir as provas, como se nada de errado estivesse acontecendo.

Crystal se sentou em uma das mesas, ao passo que Theo ficou de olho na janela.

A mente da garota estava bem longe dali, seguindo um rumo que ela não controlava, sua visão da casa dos Hale era tão realista e perfeita que era como se Crystal estivesse lá dentro. O único problema é que ela nunca tinha chegado a entrar no lugar.

— Você parece com ela... Sua mãe. — A voz do professor a puxou para a realidade, e Crystal reparou que o homem a observava. — Ela era uma Delta extraordinária, muito poderosa, eu nunca conheci ninguém que pudesse desfazer ou resistir ao controle mental de uma bruxa como ela.

Crystal sorriu, foi automático, seus avós quase nunca falavam de Eliza e nos últimos tempos a garota sentia que nunca tinha conhecido a mãe de verdade, ouvir alguém falar tão bem dela era um grande alivio.

— Rosalyn foi a razão para as bruxas não vencerem a guerra. Se os lobisomens fossem controlados, nada nos deteria. — Edmund comentou e Crystal se sentiu orgulhosa. — Ela e Talia eram as únicas pessoas que minha mulher temia. A conexão delas era... Eu nunca vi nada igual, era como se pudessem ler a mente uma da outra, mesmo a quilômetros de distância...

Crystal deu um sorriso triste, era de partir o coração que a mãe tivesse aberto mão daquilo, não só dos poderes... Ela suspirou, ler os diários da mãe tinha provado que o único motivo para que Talia e Rosalyn não vivessem o amor que sentiam eram as obrigações que a mãe de Derek tinha com sua alcateia, ser uma Alfa era uma coisa muito importante para Talia Hale e, naquele tempo, escolher uma mulher como companheira, mesmo que fosse uma Delta, podia minar a autoridade de Talia com seu bando.

Talia levava as tradições a sério, e Rosalyn respeitava isso.

Crystal reparou que nos diários não haviam relatos sobre Bart Green, dessa forma a garota presumiu que a mãe e o pai só haviam se conhecido após Rosalyn mudar o próprio nome para Eliza.

Tinha muitas dúvidas sobre o relacionamento dos pais, e não havia ninguém que podia contar a história verdadeira.

— Você é conectada com o filho da Talia? — Edmund Blackwood perguntou, capturando a atenção de Crystal uma vez mais.

— Derek não é um alfa, eu não posso me conectar com ele. — Ela negou algumas vezes e era evidente a decepção em sua voz.

O professou abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Stiles e Lydia voltaram para a sala naquele momento e a conversa ficou sem um fim.

— Scott disse que os bersekers se espalharam, estão todos bem. Estão rastreando, mas é como se as criaturas só quisessem atrapalhar ou sei lá, criar uma distração... — Stiles explicou, dando de ombros.

— Distração pra que? Ou pra quem? — Theo questionou, apenas para disfarçar o alívio de saber que todos estavam bem, ou melhor, que Liam estava bem.

— Não sei... — Lydia admitiu, completando o discurso de Stiles. — Mas Scott disse que melhor levarmos o professor para o Deaton, até termos certeza que ele está dizendo a verdade.

Os quatro pares de olhos seguiram para Blackwood e ele ergueu as mãos em sinal de rendição.

— Eu não tenho nada a esconder, podem me levar. — Declarou solicito e Theo revirou os olhos.

— Como se você tivesse escolha... — Ironizou, apontando a porta.

Saíram todos juntos, até que Crystal lembrou que ainda estava com o grimório escondido consigo.

— Eu preciso levar isso para o cofre, lembram? — Ela bateu na jaqueta.

— Vão na frente. Eu vou com ela. — Theo declarou alternando seu olhar entre Stiles e Lydia.

— Lá embaixo, atrás da prateleira de produtos de limpeza. — Stiles explicou, seguindo com a namorada e o professor pelo corredor.

Crystal e Theo correram para o porão da escola. Não foi difícil encontrar a prateleira de produtos de limpeza, mas se Theo não estivesse ali, Crystal nunca teria conseguido afastar o móvel metálico e assim revelar a parede esculpida com um enorme triskelion.

— E então, como você vai abrir isso? — Theo questionou e Crystal meneou a cabeça em um gesto negativo, porque não tinha uma resposta.

Ela passou os dedos pelas marcas na parede e teve uma ideia, já que o cofre tinha o mesmo símbolo do baú, ela tentou abri-lo da mesma forma.

Quando pressionou o centro da triskelion sentiu a picada em seu dedo e viu seu sangue se espalhar pelas ranhuras, fazendo aquela parte da parede se mover como uma tranca se abrindo.

Theo terminou de abrir o cofre e os dois entraram juntos.

Não era o que Crystal esperava, porque não havia absolutamente nada de valor ali, eram apenas coisas empoeiradas e papeis. Olhou ao redor, procurando por um bom lugar para esconder o grimório, e resolveu deixa-lo na parte mais alta de uma das prateleiras do lugar, Theo teve que ajudar com essa última parte.

— Acho que isso vai resolver por um tempo. Melhor irmos. — Ele bateu as mãos na calça para tirar o pó.

Mas a voz de Theo pareceu distante demais para Crystal, por um segundo era como se ela não estivesse ali. Viu a casa dos Hale como se estivesse olhando para a construção naquele instante, um cheiro insuportável de gasolina adentrou suas narinas e ela se sentiu repentinamente enjoada. A pontada em sua cabeça foi tão intensa, que a jovem deu um passo para trás e emitiu uma exclamação de dor.

— Você está bem? — Theo a segurou, antes que ela tombasse para trás.

Crystal sentiu que seu coração sairia pela boca a qualquer instante. Talvez fosse apenas coisa de sua cabeça, talvez fosse apenas ansiedade ou preocupação, mas ela sabia que fosse o que fosse, não podia continuar ignorando aquilo.

— Eu não posso ir para a clínica com vocês. — Declarou, retomando o equilíbrio.

— O que? — Theo franziu as sobrancelhas, tentando entender a mudança repentina de planos.

— Eu acho que alguma coisa aconteceu com o Derek. Eu sinto isso no meu coração. Eu sei que é estúpido e que ele provavelmente pode se defender de qualquer coisa, mas... — Crystal não soube como explicar, então a frase ficou sem fim.

Ela ergueu os olhos para Theo e ele a observava calado, com as mãos nos bolsos da jaqueta jeans.

— Olha, eu entendo que você não gosta dele, vá com a Lydia e o Stiles, eu só preciso tirar uma suspeita da minha cabeça. Eu vou ficar bem. — A garota tentou passar confiança através de sua voz, mesmo que naquele momento ela não se sentisse nada confiante.

— Eu não vou pra lugar nenhum sem você. — Theo retrucou de imediato. — E é, eu não sou o fã número nenhum do Derek mesmo, mas você é minha amiga, lembra? Eu vou com você.

O rapaz não estava preparado para a reação de Crystal e, se não fossem seus reflexos sobre-humanos teria tombado para trás quando a garota se jogou nele para um abraço.

— Okay... — Ele a afastou depois de alguns segundos. — Vamos ter uma conversa sobre essa coisa de abraçar quando isso acabar, mas agora onde acha que Derek está?

— Na casa dele... — Crystal sequer teve que pensar para responder.

— Peter disse que não tinha ninguém lá... — Theo pensou que ela estivesse se referindo ao loft.

— Não é nessa casa. — A garota negou e não foi preciso que ela dissesse mais nada. Os dois deixavam o cofre e se certificavam de deixar tudo como estava do lado de fora.

Saíram da escola pelo campo de lacrosse, assim não correriam o risco de serem impedidos por Lydia e Stiles, mas quando estavam longe o bastante, Theo ligou dizendo que se encontrariam na clínica depois, omitindo o que estavam indo fazer.

Tiveram que apressar o passo na reserva de Beacon Hills, ou melhor Crystal teve que apressar o passo, porque Theo estava usando apenas metade de toda sua velocidade.

Felizmente a antiga casa dos Hale não era assim tão distante, alguns quilômetros dentro da reserva e Crystal pode ver a construção ao longe. A jovem sentiu o coração sair do compasso quando reconheceu a figura masculina usando a inconfundível jaqueta de couro preta. Ele estava dentro da casa e mesmo que Crystal só pudesse ver costas e ombros, ela sabia que era ele.

— Derek! — Ela gritou, correndo em direção a casa.

— Crystal, não! — Theo tentou impedir, assim que notou um cheiro diferente no ar.

Era tarde demais, antes que Crystal conseguisse alcançar a varanda da casa, uma mulher pulou do telhado com uma agilidade impressionante e impediu a passagem da garota.

— Bem que o meu novo amigo falou que alguém apareceria... — A estranha de cabelos loiros sorriu de canto. Um sorriso que era uma mistura de deboche e ameaça. — Mas eu pensei que seria aquele enxerido do Scott.

Crystal não fazia ideia de quem era aquela mulher, naquele instante seus olhos verdes estavam fixos em Derek, que ela podia ver passando dentro da casa, alheio ao que acontecia do lado de fora.

Theo já estava perto o bastante, ele sim sabia muito bem quem era aquela, mas não entendia o que Kate estava fazendo ali, tampouco o que ela tinha a ver com todo aquele assunto de bruxas.

Só então a jovem Green viu o que estava acontecendo: Derek tinha um galão de combustível na mão e espalhava o liquido pela casa toda. Crystal soube que ele estava sendo controlado. Só podia ser isso.

— Me deixa passar, ela vai se matar lá dentro! — Ela deu alguns passos para a frente, mas a mulher entrou em seu caminho.

— Essa é a intenção, gatinha. — Kate sorriu novamente, os olhos fixos em Crystal, sabendo que a menina não era uma das amigas antigas de Scott McCall. — Mas se serve de consolo, Derek já devia ter morrido em um incêndio nessa casa há muito tempo. Pena que dessa vez eu não vou ter o prazer de acender o fosforo.

Crystal deu alguns passos para trás, ela entendeu rápido demais o que aquela frase significava e sentiu seu estômago embrulhar.

— Foi você... — Acusou com um misto de pavor e ódio na voz. — Você ateou fogo na casa dos Hale anos atrás.

Crystal sentiu todo o corpo tremer, nunca imaginou que ficaria cara a cara com a pessoa que tinha assassinado seus pais.

— Você não é muito atualizada das coisas, não é? — Kate ficou surpresa por ver a garota tão chocada ao descobrir algo que todos os seres sobrenaturais de Beacon Hills sabiam. — Não sabe mesmo quem eu sou?

— Essa é a Kate Argent. — Theo declarou, se aproximando mais alguns passos de forma cautelosa, não sabia qual era o propósito daquela mulher ali.

— Argent, como o...? — Crystal não precisou terminar, Theo soube que ela se referia a Chris Argent.

— Ela é irmã dele.

— Chris é meio que a vergonha da família, se quer saber... — Kate deu de ombros, mas foi rápida o bastante para entrar na frente de Crystal, quando a garota tentou alcançar a casa novamente.

Derek passou outra vez pela janela, carregando uma caixa de fósforos.

— Derek, não faz isso, está me ouvindo? — Crystal tentou chamar a atenção do moreno, mas foi em vão.

— Ele não está te ouvindo, amor. — Kate retrucou em um tom de deboche. — Ele está enfeitiçado.

— Saí da minha frente! — Crystal tentou empurrar a mulher. — Derek!

— Não. Não. — Kate segurou o pescoço da garota com uma só mão, erguendo-a no ar.

— Tira as suas mãos dela! — Theo rosnou, garras e presas a mostra, seus olhos brilhando em um tom de amarelo vivo.

Ele se lançou contra Kate, mas nunca atingiu o alvo, um berserker o atacou, vindo das árvores.

— Theo! — Crystal gritou, vendo o melhor amigo rolar metros longe, e entrar em uma briga corpo a corpo com a criatura que tinha uma armadura de ossos.

Ela tentou se livrar do aperto de Kate, mas a mulher era muito mais forte. Em pânico, Crystal viu que Derek estava fora de seu campo de visão.

— Derek, me escuta! — Gritou a plenos pulmões, se debatendo, sentindo que o ar começava a faltar em seus pulmões.

— Ah, que gracinha. Você se importa. — Kate debochou, trazendo o corpo da jovem facilmente para perto do seu. — Ele é uma delicinha mesmo, amor, eu sei bem disso, mas você encontra outro.

Crystal não se importou com o que aquela frase significava, em seu coração ela sabia que não havia tempo. Eles estavam perdendo e a vida de Derek corria perigo.

— Por favor, diga pra ele parar... — Ela implorou, sem se preocupar se parecia patética ou fraca, desde que Derek se salvasse, valeria a pena.

As lágrimas brotaram nos olhos verdes, enquanto Crystal tentava inutilmente chamar o nome do moreno o mais alto que podia.

— Oh... Não me diga que é amor? — Kate zombou exibindo um sorrisinho falso. — Mesmo que eu quisesse, ele não me ouviria, ele não vai ouvir ninguém. É tarde demais para ele.

Ao ouvir a última frase algo queimou dentro de Crystal, um misto de ódio e determinação que a fez reagir com brusquidão instintiva.

— Não! — Ela gritou, sentindo algo em seu braço esquentar.

Foi um segundo. Crystal sentiu a pulseira de sua mãe desenrolar de seu pulso e, como se fosse apenas uma extensão de sua fúria, o objeto se acendeu, um brilho incandescente e dourado, atingindo Kate no rosto.

O golpe queimou a pele da mulher, fazendo-a soltar Crystal e dar alguns passos para trás. Kate colocou a mão na bochecha e viu que havia um corte aberto ali.

— O que você é? — Perguntou, soltando um rugido enquanto todo seu rosto se transformava e ela assumia a forma de jaguar.

Crystal não teve tempo de reagir, mesmo com a pulseira brilhado em sua mão, ela não teve como desviar do ataque de Kate Argent.

Foi atingida em cheio por um golpe da mulher e teve o corpo jogado longe, sentindo o impacto quando suas costas bateram em uma das madeiras da varanda.

Crystal tentou se erguer, ignorando a dor que irradiava para todo seu corpo, mas não obteve sucesso, Kate não demorou nada para alcança-la.

— Pelo visto você não passa de uma piada... — Riu, pisando na barriga da garota.

O grito de Crystal ecoou pela floresta e se misturou com a gargalhada da mulher. Theo queria ajudar, mas estava com os próprios problemas com o berserker.

Foi nesse instante que um tiro ecoou pela mata, passando raspando ao lado de Kate.

— Deixe a garota ir, Kate! — Chris Argent surgiu dentre as árvores, com sua shotgan em punho. Não esta realmente mirando na irmã, o primeiro tiro era apenas um aviso.

Kate tirou o pé de cima de Crystal e deu um passo para trás.

— Como você me encontrou? — Ela perguntou, voltando a sua forma humana e já pensando em um plano que para despistar o irmão e as duas crianças chatas.

Não podia ser pega. Não era culpa dela se o bruxo idiota não sabia montar planos direito.

— Achou que espalharia berserkers pela minha cidade e eu não rastrearia você? — Chris respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Kate revirou os olhos, não sabia mais quantas vezes encontraria o irmão e ele ainda hesitaria em atirar. Mas ela não ia ficar ali para descobrir... tirou uma coisa do bolso e a jogou chão, imediatamente fumaça tomou conta de tudo ali e Kate teve sua oportunidade de fugir.

Ela nunca contava apenas com seus dons sobrenaturais, era isso que fazia dela tão boa.

Argent teve que esperar a fumaça dissipar um pouco, mas assim que conseguiu visão apontou a casa para que Crystal tirasse Derek de lá e começou a correr atrás da irmã.

Crystal teve alguma dificuldade em levantar, não podia ver Theo de onde estava, mas ouvia o som da luta, o que provava que ele ainda estava enfrentando o berserker.

Ela correu para dentro da casa dos Hale e encontrou Derek no meio da sala, tudo fedia a gasolina e ele jogava o restante do conteúdo do galão sobre si mesmo;

Crystal sabia que ele estava sendo controlado, mas mesmo isso não a preparou para o impacto de ver o moreno com os olhos totalmente vermelhos.

— Derek, Derek. — Ela tentou chamar a atenção dele. — Para, por favor me escuta. Derek!

Agarrou o braço do moreno e se esforçou para tirar o galão das mãos dele, mas Derek era muito mais forte, com um simples empurrão ele jogou Crystal no chão. Ela caiu entre alguns pedaços de madeira que faziam parte dos destroços da casa, mas não desistiu, se levantou e seguiu até o rapaz novamente, segurando o rosto dele com as mãos

— Por favor, você tem que acordar. Você é mais forte que isso. — Implorou, mas era como se Derek não pudesse sequer vê-la ali.

Ela tentou arrancar o galão dele novamente e dessa vez obteve sucesso, apenas porque o próprio Derek largou o galão, descartando o objeto e a própria Crystal, como se ambos fossem lixo.

Crystal não sabia o que fazer, e percebeu que não teria tempo pra nada, porque Derek estava riscando um fósforo naquele instante. A jovem teve uma ideia, uma ideia bem arriscada.

Jogou o galão no chão e pegou um dos pedaços de madeira, o maior e mais pesado que encontrou.

— Desculpa... — Pediu antes de acertar a nuca de Derek com toda a força que tinha, ao mesmo tempo em que ele riscava o fósforo. — Espero que você cure.

O moreno caiu desacordado, mas era cedo para comemorar, o fósforo aceso atingiu o chão e o fogo começou a se espalhar depressa demais.

Crystal se esforçou para puxar Derek pra fora, mas não era tão forte assim para carregar um homem de quase dois metros. Ela sabia que o fogo os alcançaria primeiro, principalmente porque Derek estava coberto de gasolina.

Estava prestes a gritar por ajuda, quando Theo entrou na casa atrás dela. Não tiveram tempo de conversar, ele arrastou Derek pra fora e os três acabaram caídos na grama em frente à casa em chamas.

— Ah, meu deus, você está bem? — Crystal perguntou, vendo que o amigo estava coberto de sangue.

— Já estive pior... — Theo deu de ombros e sentiu todo o corpo doer. Tinha conseguido vencer, mas também levara uma surra daquelas. Contudo deixou isso de lado e apontou Derek desacordado ali no chão. — O que você fez com ele?

— Eu bati na cabeça dele com um pedaço enorme de madeira... — Crystal se sentou e começou a se certificar que o moreno estava mesmo bem.

— Boa ideia. — Theo admitiu, tentando um sorriso de canto que o deixou ciente que havia ao menos três dentes quebrados em sua boca.

— Derek. Derek... — Crystal chamou, batendo de leve no rosto do moreno, mas ele não deu qualquer sinal de consciência.

Ela e Theo tentaram por vários minutos, mas absolutamente nada aconteceu, já estavam no limite da preocupação, quando Chris Argent voltou.

— Ela fugiu, mas eu a encontro depois. — O ex-caçador declarou, se aproximando do trio no chão. — O que aconteceu com ele?

— Não sei, ele não acorda. — Crystal soou um tanto desesperada. — Será que eu bati muito forte?

Argent quase riu da ingenuidade da garota, como se ela fosse mesmo conseguir matar um lobisomem com uma paulada na cabeça. Ele sabia que a inconsciência de Derek não tinha a ver com o golpe...

— Vamos levá-lo para o Deaton, deve ter a ver com o tal feitiço. — Presumiu, pedindo ajuda para Theo com um aceno. — Vamos, meu carro não está longe.

Quando entrou no carro e apoiou a cabeça de Derek em seu colo, enquanto Argent e Theo assumiam os bancos da frente, Crystal suspirou, sua dor de cabeça enfim tinha passado e aquele pressentimento de que algo terrível estava acontecendo também tinha sumido...

E, embora a antiga casa dos Hale queimasse novamente, ninguém tinha morrido.

Talvez Lydia estivesse errada ou talvez Crystal Green fosse muito ingênua para achar que as coisas realmente se resolveriam tão facilmente...

Notas finais
Pois é, pois é, parece que não é o professor kkkkkkk (ou será que é?) Crystal finalmente ouvindo seus pressentimentos e salvando o mozão na última hora (com ajudinha do Theo e do Argent é claro) Agora o Derek além de pedir desculpas vai ter que agradecer kkkkk, isso é, se ele acordar neh... Vamos tratar disso no proximo... Bjss e até!