Notas iniciais
Oieee!! Estou de volta com capitulo novo!! Como eu disse no cap passado, esse vai ser focado no Parrish e em uma nova OC minha, então espero que gostem dela tanto quanto eu já gosto kkkkkk Boa leitura!

Corey sempre gostou da praia, o cheio de maresia e a areia em seus dedos lhe fazia feliz como poucas coisas na vida, mas ele sabia que estar ali no meio do ano letivo não era sobre sua felicidade e sim sobre sua segurança.

Seu pai havia decidido fazer a viagem de última hora e até convidou Mason para ir junto. Tudo por causa das novas mortes em Beacon Hills.

O Senhor Bryant agia como se não soubesse de nada, no entanto Corey conhecia o pai muito bem, sabia o quanto era perceptivo, ele estava apenas agindo como se não soubesse...

Tinha feito a mesma coisa quanto à sexualidade do filho, sabia desde sempre, mas esperou que o menino estivesse preparado para contar.

Corey olhou para o pai assando alguns hamburguês na churrasqueira e sorriu, sabia que tinha sorte. Voltou os olhos para o horizonte e observou Mason falando ao telefone, enquanto tentava se livrar da areia em seu sapato.

Mason odiava a praia, o sal, o sol e o cheio de peixe, era até engraçado o contraste dos dois, mesmo assim fez questão de estar ali com Corey, tinham prometido estarem sempre juntos depois de tudo que tinha acontecido.

Corey percebeu que Mason parecia preocupado e se aproximou, ao mesmo tempo em que o outro desligava o telefone.

— Temos que voltar. — Mason declarou e sua voz, embora tensa e urgente, tinha aquele tanto de euforia e animação que Mason sempre teria para o sobrenatural. O garoto podia ter medo, mas isso não o impedia de se envolver.

— O que aconteceu? — Corey perguntou, caminhando descalço pela areia.

— Bom... Descobriam quem é o bruxo, era o filho do professor Blackwood. O bruxo tem o livro e falta apenas uma morte pra que ele possa trazer a tal Malvina de volta. O professor Blackwood está morto. Tem Berserkers por toda a cidade e Kate está de volta trabalhando com o inimigo, inimigo esse que tem um tipo de demônio que assume a forma de pessoas mortas e pode sugar toda a força de alguém... Argent e Deaton estão no hospital, Scott está ferido e sem força, Lydia teve um treco, mas está se recuperando... — Mason parou por um segundo para tomar folego. — Crystal e Derek são conectados desde o começo e Derek é um alfa outra vez. Theo quase morreu e é um beta do Derek agora... Mas pra resumir, eles estão ferrados e precisam de toda a ajuda possível, porque não se sabe quando o tal Bradley pretende atacar de novo.

— Só isso? — Corey erguei uma sobrancelha, em um gesto de ironia quase desanimada e Mason riu.

Não estavam realmente surpresos, com Beacon Hills era sempre assim.

— Bom, pelo que Liam falou, parece que ele finalmente se tocou que gosta do Theo... — Mason deu de ombros como se aquilo não fosse uma novidade.

— Já era hora... — Corey declarou, revirando os olhos e os dois riram.

— Liam disse que os outros acham melhor encontrarmos o Parrish, ele está por perto, mas está incomunicável, então temos que ir até ele e voltaremos todos juntos. — Mason terminou de explicar e passou a andar ao lado de Corey de volta para a casa. — Acha que seu pai vai se chatear de partirmos antes de irmos acampar?

Havia um itinerário feito pelo Senhor Bryant, começariam na praia e terminariam acampando, o tipo de coisa que manteria os garotos longe de encrenca por duas semanas no mínimo.

Corey se sentia triste por ter que decepcionar o pai, mas ao mesmo tempo já sabia que não conseguiriam se manter longe de toda a confusão de Beacon Hills por muito tempo...

Ele e Mason recolheram as coisas e colocaram no porta-malas do carro. Por sorte, Mason tinha resolvido vir com o próprio veículo, assim não teriam que usar o do pai de Corey.

— Hey, meninos, o churrasco está pronto! — O senhor Bryant veio avisar e então notou o porta-malas carregado. — O que estão fazendo?

Corey e Mason trocaram um olhar, não tinham conversado sobre o que diriam, nem sobre a desculpa que dariam.

— Pai... — Corey deu um passo para frente, enquanto pensava e então percebeu que continuar agindo como se não soubesse de nada não era o melhor jeito de lidar com aquela situação. — Nós temos que voltar para Beacon Hills.

— Por que? Eu falei com a escola, a diretora Martin está ciente das faltas de vocês. — Senhor Bryant retrucou, ainda agindo como se não soubesse o verdadeiro motivo dos garotos terem que voltar para a cidade.

Estava cansado do filho correndo perigo, das mortes misteriosas, da cidade fingindo que não sabia de nada, só queria proteger Corey, era pai afinal....

Mason e Corey se entreolharam por alguns segundos, íntimos o bastante para que Mason soubesse que Corey precisava de um momento com o pai.

Corey andou mais alguns passou e respirou fundo, era hora de enfrentar as coisas de frente e ser honesto.

— Lembra quando eu me assumi? Lembra do que disse pra mim? — Questionou em um tom ameno.

Senhor Bryant também suspirou, conhecia o filho bem o bastante para saber onde aquela conversa levaria.

— Eu disse que te amaria e te apoiaria sempre, porque você é meu filho, e nada mudaria isso, muito menos o fato de você gostar de garotos. — Ele repetiu o que tinha dito alguns anos antes e Corey sorriu.

— E você foi um pai incrível todos os dias e continua sendo. E eu sei que sabe o que está acontecendo, e só quer me proteger, mas esse é quem eu sou agora, pai. Eu não posso fugir disso. — O jovem declarou, convicto do que dizia. — Eu podia tentar, assim como eu podia tentar não gostar de garotos, mas então....

— Você nunca seria você de verdade. — O mais velho completou, prevendo o que o filho diria.

— Isso. — Corey concordou. — Eu preciso voltar, porque é assim que eu vou ser fiel a mim mesmo, e você me ensinou a sempre ser fiel a mim mesmo, então preciso que me apoie nisso, fique aqui em segurança e me deixe ir.

Senhor Bryant comprimiu os lábios, não gostava de deixar o filho voltar para o olho do furacão daquele jeito, mas Corey tinha o direito de tomar as próprias decisões.

Sabia que como pai não tinha o direito que controlar a vida do garoto, tudo que podia fazer era apoiar e amar.

Estendeu os braços e puxou o filho para um abraço apertado.

— Eu estou muito orgulhoso de você, garoto. — Declarou, tentando conter as lágrimas e chamando Mason para perto com um gesto, envolvendo o namorado do filho no mesmo abraço. — Mas que fique claro que se alguém morrer, vai ficar de castigo por trinta anos...

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Jordan Parrish tinha os olhos fixos na rua. Através da janela de vidro ele podia ver os carros dois andares abaixo, passeando pelas avenidas daquela cidade litorânea sem nenhuma pressa.

— Então, você não acha que está pronto para voltar para o serviço? — A voz feminina se espalhou pelo consultório, continuando uma conversa que os dois tinham iniciado naquela sessão.

Parrish tinha seguido o conselho do xerife Stilinski e viajara para a casa de praia da delegacia após o incidente com Greenberg. Lá ele recebera o encaminhamento para o consultório do doutor Harry Turner, um terapeuta que cuidava dos assuntos da delegacia de Beacon Hills há anos.

Era procedimento padrão da delegacia aquele tipo de licença, por isso a casa de praia justo ali, Noah Stilinski levava a sério e prezava a saúde mental de seus subordinados. Oficiais mentalmente estáveis faziam um trabalho muito melhor, era o que ele dizia.

— Não foi isso que eu disse... — Parrish se afastou dois passos da janela e olhou para a morena sentada, com a prancheta de anotações em mãos.

Quando chegara no consultório pela primeira vez, esperava encontrar o doutor Turner, mas ao invés disso, suas consultas foram marcadas com a filha do médico terapeuta, Rachel Turner.

Parrish chegou a duvidar que uma moça tão jovem seria mesmo eficiente em seu trabalho, mas bastou uma sessão com a doutora para que mudasse de ideia. Por algum motivo tinha estabelecido um vínculo de confiança com ela naqueles poucos dias.

— Não. — Rachel concordou, encarando Parrish por alguns momentos, seus olhos castanhos transmitindo calmaria e paciência. — Você disse que uma parte sua quer voltar correndo para Beacon Hills, o que implica que outra parte não quer.

Jordan Parrish manteve seu olhar na jovem de cabelos castanhos e semblante delicado por alguns momentos. Rachel Turner tinha uma beleza pacífica e singela, nada nela era exagerado ou altamente chamativo, Jordan apreciava isso nela, era realmente a calmaria.

Desejou poder contar que seu conflito interno era graças ao ser sobrenatural que estava escondido dentro de si, o Hellhound tinha desejos próprios e ficar longe de Beacon Hills não era um deles. Sempre haveria algo chamando essa parte de si de volta para a cidade.

Às vezes Jordan sentia que não era de verdade totalmente possuidor de seu corpo, mas isso não era algo que podia dizer para a doutora Turner, na verdade, isso não era algo que ele podia dizer para ninguém...

Então seguia tocando sua vida, as coisas eram como eram, tinha aprendido aceitar essa parte de si, viver em guerra com um Cão do Inferno não parecia uma boa opção de toda a forma.

— Bom, mas que o que importa é o que você acha, certo? — Ele desconversou, abrindo um sorriso que era verdadeiro. — Acha que eu estou apto a voltar para o serviço?

Gostava das sessões, imaginou que seria como no exército, um terapeuta que mais parecia um robô, quase mecânico em seus movimentos e palavras, como se dissesse a mesma coisa para todos os seus pacientes.

Mas Rachel Turner era diferente, ela escutava de verdade, se interessava, deixava que Parrish andasse pelo consultório para se expressar melhor. A verdade é que ele gostava de conversar com ela, gostaria ainda mais se pudessem conversar fora daquele lugar.

— Acho. — Rachel assentiu depois de alguns momentos, fazendo seus fios castanhos claros se moverem sutilmente. — Conversei com você esses dias e ficou claro que a morte do garoto não é algo que te agrada, comportamento comum para quer pessoa com um pingo de empatia. Mas você entende o seu trabalho, Parrish, entende o que está em jogo e sabe que às vezes é uma decisão de vida ou morte. Você é uma pessoa consciente de suas ações e do peso delas, lidou com as consequências. Está psicológico e fisicamente pronto para voltar ao trabalho na delegacia...

— Porém...? — Parrish a incentivou a completar, quando sentiu que havia algo mais ali, como se a doutora quisesse dizer algo que não disse.

— Eu não disse "porém"... — Rachel sorriu, no entanto ela tinha pensando em um porém...

Havia algo sobre Jordan Parrish que a intrigava. Ás vezes ele falava como se fosse duas pessoas, como se estivesse em constante conflito, mas não havia mais nenhum indício de qualquer distúrbio mental, de modo que nenhum sinal apontava para um problema psicológico ou nada assim, no entanto, Rachel permanecia curiosa sobre aquele homem.

Tinha se pegado pensando nele durante a noite, depois das consultas, tentando enquadrar seu comportamento em qualquer quadro conhecido, mas não se encaixava totalmente em nenhum... Por fim, depois de todas aquelas sessões, Rachel se convenceu de que aquele interesse e curiosidade deviam ser apenas por causa dos belos olhos verde azulados de Parrish e por causa do sorriso honesto e encantador que ele tinha.

Rachel gostava de homens bonitos, Jordan Parrish era um homem bonito. Isso era tudo. Não havia um mistério para desvendar ali...

— Mas tem um "porém" não tem? — Ele quis saber.

Rachel se viu tentada a dizer que tinha, quis dizer que Parrish ainda precisaria de sessões, mas seria antiético de sua parte, e levava seu serviço a sério. Não podia permitir que um flerte e uma curiosidade inoportuna fossem mais importante que seu profissionalismo.

— Não, é só isso. — Ela tirou uma autorização médica de uma das gavetas e preencheu rapidamente, assinando e carimbando. — Você está oficialmente liberado da terapia.

Entregou o papel para Parrish, e ele leu rapidamente, notando que era uma autorização para que ele voltasse ao trabalho e declarando encerrada todas as sessões.

— Obrigado, doutora Turner. — Agradeceu, mas não sabia se realmente gostava de estar partindo e de não poder ver Rachel outra vez.

Ela assentiu com um sorriso calmo e doce, enquanto tinha um pensamento parecido em mente.

Parrish estava caminhando em direção a porta quando uma ideia lhe ocorreu... Por que não? O que tinha a perder afinal?

— Ahn... Eu estava pensando... — Ele parou, segurando a maçaneta. — Agora que não sou mais seu paciente, por que não saímos pra jantar?

— Jantar? — Rachel abriu um sorriso de canto, que era infinitamente diferente de seu sorriso profissional.

— Você tem que comer, não tem? — Parrish questionou com uma postura charmosa e então levantou o papel que Rachel tinha acabado de lhe dar. — E aparentemente eu volto para casa essa semana, então seria legal conhecer a cidade pelos olhos de alguém daqui.

Ela pensou sobre aquilo por alguns instantes, sair com pacientes era antiético, mas Parrish tinha razão ele não era mais um paciente, havia uma lacuna ali... Geralmente Rachel era muito rígida quanto a sua postura profissional, nunca misturava o trabalho com a vida pessoal. Mas Parrish era uma incógnita muito grande, e ele estava prestes a ir embora... Era a última oportunidade e Rachel não gostava de se arrepender de coisas que não tinha feito.

— Um drink, hoje ás sete, eu passo para te pegar na casa de praia. — Ela decidiu com toda a certeza que uma jovem mulher de vinte e cinco anos podia ter.

— Você sabe onde fica? — Parrish questionou e então se sentiu idiota, claro que ela sabia, havia um arquivo extenso sobre ele ali e o endereço da casa de praia da delegacia certamente estava entre as informações.

Eles trocaram um sorriso e assentiram como se Rachel soubesse exatamente em que conclusão Parrish tinha chegado.

— Tudo bem, parece ótimo para mim. — Ele respondeu sem disfarçar a animação. — Te vejo mais tarde, doutora Turner.

— Rachel. — Ela corrigiu antes que ele virasse as costas. — Você não é mais o meu paciente, lembra, Jordan?

Fez questão de usar o primeiro nome dele e ficaram ali se olhando por alguns segundos, até que Parrish desse um passo para trás.

— Até mais tarde, Rachel. — Ele saiu fechando a porta logo depois.

A doutora negou algumas vezes consigo mesma e abaixou a cabeça enquanto sorria, decidindo focar em sua agenda para o final daquele dia.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Era pouco mais de seis da tarde e Parrish já estava pronto. Usava uma camiseta verde escuro, o tipo básica, calças jeans de tom claro e uma jaqueta preta.

Estava feliz, era bom fazer algo normal com uma moça normal para variar, desde que toda aquela coisa de Hellhound dominara sua vida não teve mais tempo ou ânimo para coisas normais, era tudo sobre o trabalho ou sobre o sobrenatural. Às vezes podia ser cansativo.

Tinha a atenção no espelho, arrumando o cabelo, no momento em que ouviu a campainha no andar de baixo. Abriu um sorriso sincero e desceu os degraus de dois em dois, sem se importar por Rachel estar adiantada.

Ajeitou a roupa uma vez mais e abriu a porta, mas seu sorriso murchou assim que viu os dois garotos parados ali, com o maior sorriso cara de pau.

— Oi! — Mason acenou e Corey copiou o movimento do namorado.

— O que vocês dois estão fazendo aqui? — Ele questionou, franzindo as sobrancelhas em desconfiança.

— Bom, podíamos ter ligado, mas ninguém conseguiu contato com você. — Mason explicou o motivo de terem ido pessoalmente, o mesmo motivo pelo qual Lydia ou Stiles não tinham entrado em contato direto com Parrish.

— Eu estava de licença, fui instruído pelo xerife a não usar o telefone nesse tempo, não teria sentido de me afastar dos problemas se pudessem me ligar e falar dos tais problemas. — Parrish respondeu neutro, no início tinha sido contra aquela proposta do xerife Stilinski, mas depois que chegou na casa da praia percebeu que se desligar da realidade um pouco podia ser bom.

No entanto, os problemas sempre achavam um jeito de chegar, por telefone ou de carro.

Parrish encarou os dois rapazes, esperando que eles explicassem por que estavam ali.

— Podemos...? — Mason apontou para o interior da casa e Parrish deu um passo para trás, abrindo passagem para os outros dois.

— Então? — Ele questionou, quando os jovens já estavam no meio da sala.

— Então... — Mason juntou uma mão com a outra, enquanto procurava por um jeito de começar.

— Beacon Hills precisa da gente. — Corey foi direto ao ponto.

Mason não sabia ao certo se teria começado daquele jeito, mas aproveitou a oportunidade e despejou tudo que sabia...

Jordan ouviu com atenção e sequer ficou realmente surpreso, tanta coisa acontecia em Beacon Hills que, quando saiu da cidade, ele já sabia que teria que voltar cedo ou tarde e que haveria uma crise em que o Hellhound seria necessário.

Nunca fugia de seu dever, isso era fato, também não deixaria Scott e os outros na mão; no começo era apenas o dever, eram adolescentes e ajudá-los e protegê-los era o certo, mas depois de algum tempo, Scott, Stiles e principalmente Lydia se tornaram mais que isso, viraram seus amigos...

No entanto Jordan Parrish não podia mentir para si mesmo, tinha que admitir que naquele momento, partir lhe causou um certo desapontamento.

— E o Liam disse que tem um tipo de criatura que pode virar pessoas mortas... — Mason ainda continuava tagarelando. — E você é um Cão do Inferno; inferno, gente morta, meio que te relação, não é? Talvez você possa ajudar de verdade.

Parrish assentiu algumas vezes, tinha a mão na cintura e o peso apoiado em uma perna.

— Bom, eu já ia voltar de todo o jeito... — Declarou, já decidido.

Mandaria uma mensagem para Rachel, dizendo que o drink teria que ficar para outro dia, não era o que queria fazer, mas não via outra alternativa...

— Ótimo, então vamos! Nós te damos uma carona. — Mason já seguiu caminhando para a porta com Corey, e Parrish encarou as malas que tinha feito mais cedo e deixado aos pés da escada.

Mason foi na frente, abriu a porta de entrada e estancou ali, seus olhos se arregalando como se tivesse visto um monstro.

— Temos um problema... — Ele disse em um fio de voz.

— Uns dos grandes! — Corey concordou exasperado, puxando o namorado para o lado, segundos antes que um berserker se jogasse sobre eles.

A criatura olhou ao redor, já em posição de ataque e Parrish também se preparou, ambos se encaram por dois segundos, antes que o berserker partisse para cima de Parrish que naquele momento começava a pegar fogo, assumindo sua forma de Hellhound.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Quando Rachel Turner estacionou o carro em frente à casa de Jordan Parrish, ela olhou o celular por alguns segundos e notou que faltavam pouco mais de cinco para as sete, não estava muito adiantada e isso era ótimo.

— Eu não quero que ele pense que eu estava ansiosa por isso. — Falou consigo mesma, usando o retrovisor para retocar o batom.

Desceu do carro se equilibrando nos scarpins azul marinho, que combinavam com casaco da mesma cor, e faziam um contraste suave com o vestido preto de um modelo discreto.

Jogou o cabelo para o lado e caminhou pelo gramado da frente, notando que a porta estava escancarada.

— Jordan...? — Chamou, colocando o pé na soleira da porta. — Tem alguém aí?

Rachel viu o que parecia uma mesinha de centro quebrada no meio da sala e se preocupou, parecia que algum tipo de briga tinha acontecido ali.

Deu um passo para dentro da casa, chamando Parrish novamente, já com o celular em mãos para chamar a polícia, quando ouviu os sons no andar de cima, segundos depois um corpo praticamente voou escada a baixo, batendo com tudo na parede.

O grito de Rachel ficou preso em sua garganta, quando a surpresa foi maior que o medo; era Jordan Parrish ali no chão, com o corpo chamuscado, olhos alaranjados e presas caninas.

Rachel piscou algumas vezes, pensando que era algum tipo de alucinação, mas quando olhou para as escadas seu coração quase parou de susto.

Uma criatura bizarra, com um tipo de armadura feita de ossos descia os degraus enquanto rosnava. Rachel percebeu que era o alvo do ser meio homem e meio animal.

Deu alguns passos para trás, por puro reflexo, e sentiu uma mão segurar seu pulso e a puxar, levou dois segundos para que tudo ficasse em um tom etéreo de verde, quase como se estivesse em uma realidade paralela.

A criatura olhou ao redor, confusa, como se não tivesse mais ninguém ali.

Rachel olhou para o lado e notou dois rapazes, um deles segurava seu pulso assim como o do outro garoto, que lhe fez um sinal de silencio.

Atônita ela voltou a observar a cena, bem no momento em que Parrish se levantava e atacava a criatura, fazendo seu corpo entrar me combustão, rosnando como um animal e se jogando contra o corpo do outro, os dois rolando em direção a cozinha e sumindo ali em uma briga violenta.

— Mas que porra está acontecendo aqui?! — Rachel questionou exasperava, puxando o braço de volta e notando que tudo voltou imediatamente a cor normal.

— Okay, moça, se acalma. Respira... — O garoto que antes segurava seu braço pediu, erguendo as duas mãos em direção a ela.

— Eu não quero respirar, eu quero respostas! — Rachel foi ainda mais enérgica, beirando o descontrole.

Os dois garotos se olharam e assentiram um para o outro.

— Eu sou Mason, esse é o Corey. — Um deles se pronunciou. — Pra resumir bem: O sobrenatural existe, lobisomens e todo o resto. Parrish é um Hellhound, também conhecido como Cão do Inferno, ele é como um protetor do sobrenatural.

Rachel piscou algumas vezes, como se desconfiasse do que tinha acabado de ouvir e mal teve tempo de processar tudo antes que Corey completasse:

— E aquela criatura atacando o Parrish é um berserker, um lobisomem bem mais forte que é controlado por uma Jaguar. E ele provavelmente está tentando matar o Parrish, porque tem uma bruxa maligna querendo voltar para a terra e dominar o mundo....

— Mas nós somos os mocinhos e o Parrish também. — Mason terminou, usando um tom casual, como se tudo aquilo não fosse nada demais.

Rachel caiu na gargalhada, o tipo descontrolado de risada, como se tivesse ouvido uma piada ou algo assim.

— Muito engraçado, onde estão as câmeras? — Ela colocou a mão no peito tentando se controlar. Por um segundo tinha mesmo acreditado, mas pensando melhor devia ter uma explicação lógica para tudo aquilo, mesmo para o ambiente mudando de cor do nada. — Aposto que meu pai está metido nessa pegadinha, onde ele está?

Ela olhou ao redor, mas tudo que havia era a destruição da luta, que pelos sons continuava acontecendo na cozinha.

— Isso é verdade, moça, você acabou de ficar invisível com a gente... — Mason apontou para Corey e Rachel continuou rindo e negando repetidamente.

— Ah, tá bom. Conta outra. — Ela abanou a mão no ar.

— É verdade! — Corey reforçou, então trocou um olhar com o namorado, que assentiu, segundos depois o garoto desapareceu.

Rachel piscou algumas vezes e olhou ao redor, mas não podia ver Corey em lugar algum, até que algo tocou seu cabelo, balançando uma mecha no ar e o garoto voltou a aparecer do seu lado.

Ela deu dois passos para trás, sentindo que estava prestes a ter um colapso nervoso.

Fechou os olhos e contou até dez, montando as peças em sua mente e finalmente entendendo porque Parrish parecia tão estanho e misterioso.

Ainda estava com isso em mente, quando Jordan voltou para a sala, carregando a criatura estranha em seu ombro, como se não pesasse nada.

Ele jogou o berserker no carpete e as chamas de seu corpo se apagaram e seus olhos voltaram a ser verde azulados.

— Ele está... — Mason apontou a criatura no chão, temendo que fosse um cadáver.

— Desacordado. — Parrish completou apaziguador.

Seus olhos se encontraram com os de Rachel e um silêncio desconfortável se espalhou pela sala. Ele a tinha reconhecido assim que a viu aos pés da escada, mesmo enquanto estava na forma de Hellhound, e talvez isso tivesse lhe dado mais força e motivação para acabar com o berserker.

— A gente vai... — Mason apontou a porta um tanto sem jeito.

— Esperar lá fora... — Corey completou.

Os dois seguiram para o berserker e arrastaram seu corpo em direção a porta, no intuito de colocá-lo no carro e leva-lo de volta para Beacon Hills, afinal deixar um ser sobrenatural ali não parecia boa ideia.

Rachel observou o corpo sendo arrastado para fora, o que deixou o ambiente ainda mais bizarro.

Parrish esperou que os dois garotos saíssem e fechassem a porta para se aproximar dois passos.

— Rachel, eu... — Ele tentou, mas ela se afastou rapidamente.

— Não se aproxime. — Advertiu com o dedo em riste.

Ele voltou alguns passos, se sentindo péssimo por assustar a doutora.

— Sinto muito, de verdade.

Rachei o encarou por alguns segundos e começou a andar de um lado para o outro da sala.

— Eu sabia que tinha algo estranho com você. Eu sabia... — Ela começou a resmungar consigo mesma. — Tudo explicado agora.

Parou, olhou a porta por alguns segundos e Parrish teve a certeza que ela sairia e então ele nunca mais a veria.

Mas Rachel Turner era alguém que tinha sede de conhecimento, tudo sobre a mente humana lhe interessava, e ali, na sua frente, tinha um mundo todo de possibilidades.

Um mundo de possibilidades com um belo peitoral, diga-se de passagem. Admitiu para si mesma. Sabia que não se perdoaria se deixasse tudo aquilo esvair por suas mãos.

Havia toda uma realidade secreta para ser desvendada, quem em sã consciência deixaria isso escapar?

— Então... como é? — Ela ergueu a cabeça e se aproximou de Parrish. — Como é ser um Hellhound?

Ele admirou a coragem de Rachel, o controle que ela tinha sobre as reações. Sorriu. Era como se um fardo tivesse saído de suas costas, poder falar abertamente sobre o Hellhound com alguém era tudo que desejava.

— Ele é uma parte de mim, mas é como se tivesse desejos próprios, no começo eu sequer sabia o que eu fazia quando me transformava... — Explicou, sentindo que cada palavra era como um tipo de libertação.

— É como uma segunda personalidade... — Rachel concluiu, deslumbrada com as possibilidades psicológicas que aquilo abria. — Incrível!

Parrish não respondeu, apenas pousou os olhos sobre a doutora por algum tempo, se perguntando como ela poderia estar tão maravilhada com algo que ele pensava ser um farto...

Rachel deu dois passos para frente e encarou o peitoral chamuscado de Jordan. Ergueu a mão tocando a fuligem na pele dele.

— Doí? — Questionou, dando outro passo para mais perto e Parrish apenas negou uma vez.

Rachel suspirou, olhou a porta que tinha acabado de ser fechada e se deu conta de uma realidade bem desapontadora.

— Acho que não tomaremos aquele drink, não é? — Ela comprimiu os lábios desanimada.

— Eu preciso voltar para casa, a cidade precisa de mim. — Ele respondeu em um tom semelhante ao dela.

Queria ficar e conversar mais, conhecer Rachel melhor, no entanto sabia que não havia tempo pra isso.

— Por causa da bruxa maligna que quer dominar o mundo? — A doutora lembrou de algo que um dos garotos dissera e Jordan riu de canto.

— Quase isso. — Ele moveu a cabeça de um lado para o outro.

Se encararam por alguns segundos, sabendo que tinham muito a dizer, mas não havia tempo o bastante.

— Eu entendo. — Rachel assentiu conformada. — É quase como se você fosse o Hulk...

Parrish riu, um sorriso aberto e bonito que fez com que Rachel sorrisse também.

— Eu nunca tinha pensando nisso. — Ele admitiu, mas em seu íntimo até que gostou da comparação.

— Queria nunca ter escrito aquele formulário de retorno, aposto que nossas sessões ficariam muito mais interessantes agora. — Rachel comentou bem-humorada.

Jordan encarou o rosto delicado dela por alguns instantes. Queria poder sair dali e apreciar a beleza dela junto à orla da praia, mas entendia que tinha muito em jogo naquele momento.

Mas fazer planos para o futuro não era um pecado, era?

— Sabe, as coisas em Beacon Hills são meio loucas, e tem essa coisa da bruxa agora... Não sei como vai ser, mas acho que vou precisar de terapia quando tudo isso acabar. — Ele deixou a ideia em aberto e Rachel entendeu perfeitamente o que aquilo queria dizer.

— Bom, eu conheço uma ótima terapeuta... — Respondeu com um sorriso radiante.

— Acha que ela aceita uns drinks como pagamento? — Jordan perguntou e ambos riram juntos, gostando das possibilidades que estavam no ar.

— Direito a perguntas ilimitadas? — Rachel devolveu a pergunta,

— Com certeza. — Ele assentiu.

— Me soa como um bom plano então. — Ela fez o mesmo movimento com a cabeça e deu um passo para trás, sem conseguir parar de sorrir. — A gente se vê, Jordan...

— A gente se vê, Rachel... — Ele acenou, enquanto ela seguia para a porta.

Rachel colocou a mão na maçaneta e percebeu que aquilo era um daqueles momentos que não voltariam mais... certas oportunidades não se repetem e não devem ser desperdiçadas, repetiu mentalmente algo que sua mãe dizia e soltou a maçaneta, dando meia volta em direção a Jordan.

Ele franziu as sobrancelhas, vendo-a se aproximar tão decidida, mas assim que notou o que Rachel pretendia, também deu alguns passos na direção dela.

Se encontraram no meio da sala, agindo ao mesmo tempo quando se puxaram para perto e uniram seus lábios em um beijo que foi intenso desde o primeiro segundo.

Rachel sentiu Jordan envolver seu corpo com os braços fortes, a apertando contra si, ao mesmo tempo em que ela explorava os músculos masculinos ao seu alcance.

Não durou muito, embora os dois quisessem que tivesse durado, sabiam que Parrish tinha que partir.

Rachel deu um passo para trás e sorriu de canto, lançando um olhar cheio de promessas para Jordan.

— Tchau... — Ela acenou, caminhando de costas em direção a porta.

— Tchau... — Ele moveu a mão esquerda com um sorriso bonito e honesto que chegava a fazer seus olhos brilharem.

Rachel deixou a casa e passou pelos meninos, se despedindo cordialmente deles.

Jordan deixou a casa de praia pouco depois e assim os três, junto com o berserker desacordado no banco de trás, voltaram para Beacon Hills...

Rachel teve dificuldades de dormir aquela noite, não eram apenas as centenas de perguntas que tinha formado em sua mente, sobre tudo que envolvia aquele mundo sobrenatural misterioso. Era sobre Parrish também...

Percebeu que não conheceria outro homem como ele na vida.

Pela manhã, Rachel já sabia o que tinha que fazer, sempre tinha sido uma mulher decidida, que assumia a responsabilidade sobre sua própria vida, nunca precisou protelar ou negar sentimentos. Nunca teve medo de sair da zona de conforto e correr atrás do que queria, não importava o que fosse.

Pegou o telefone celular e discou para o consultório.

— Louise? — Ela falou assim que a secretaria atendeu. — Eu preciso que passe meus pacientes para o meu pai pelos próximos dias, surgiu um imprevisto e eu preciso viajar.

— Para onde você vai, doutora? — Louise questionou em um tom profissional.

— Beacon Hills. — Rachel respondeu com um sorriso decidido.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

O esconderijo de Bradley Blackwood estava na penumbra, iluminado pelas velas espalhadas pelo lugar, enquanto ele parecia muito concentrado no Grimório de Malvina.

Kate Argent tinha o nariz torcido em um canto, estava impaciente, algo a incomodava e não era o fato de ter mandado um de seus Berserkers caçar um Hellhound, também não era apenas o cheiro de enxofre do lugar, tampouco a penumbra desnecessária das velas, mesmo que admitisse para si mesma que queria apenas ascender as luzes e abrir a janela, sua preocupação era outra, algo que guardava em seu íntimo desde seu confronto com o irmão...

Lembrou do momento exato em que o atacou, reviu a cena diversas vezes em sua mente, assim como tinha feito incessantemente nas últimas vinte e quatro horas, e a mesma certeza permanecia: atacar Chris não tinha sido sua decisão.

Nunca atacaria o próprio irmão daquele jeito, assim como sabia que Chris nunca atiraria nela, eram irmãos acima de tudo e nunca machucariam um ao outro. Mas o fato é que tinha acontecido, Kate atingira o irmão no peito com as próprias garras.

Olhou para a mão e apenas uma teoria lhe veio à mente, Bradley tinha usado um feitiço não apenas para proteger aquela parte dos efeitos do Grimório, ele tinha usado um feitiço que controlava Kate.

Ela não sabia como, não sabia quanto tempo duraria e nem se afetava outras partes do corpo, mas sabia de uma coisa: não podia deixar que Bradley desconfiasse que ela tinha ciência que estava sendo controlada. Achou melhor guardar aquele trunfo para si mesma, pelo menos até que conseguisse o que queria...

— Então, já tem o Grimório, quando vai cumprir sua parte do acordo? — Questionou em voz alta, atraindo a atenção de Bradley.

— Achei que caçadores deviam ser pacientes, senhorita Argent. — O rapaz retrucou com um sorriso superior. — Seu momento chegará, não se preocupe.

Kate não achou a resposta satisfatória, por isso cruzou os braços e encarou Bradley deixando clara sua irritação.

O rapaz revirou os olhos e se colocou de pé, caminhando até Kate com passos vagarosos, como se estivesse pensando no que dizer.

— Esse tipo de feitiço de purificação requer um poder ao qual eu não tenho acesso agora. Mas não se preocupe, em breve a própria Malvina honrará o acordo e você será perfeitamente humana outra vez. Até lá sua ajuda ainda é necessária. — Ele explicou sem receio algum na voz.

Confiava plenamente em Malvina, tratava a bruxa morta como algum tipo de ser sagrado, idolatrando tudo sobre ela, era doentio. Kate achava patético.

— Achei que não precisaria mais de mim agora que tem o seu... — Ela não soube como chamar, então apontou a caixa dentro do círculo, que continha os ossos de uma criatura desconhecida, um ser encapuzado e sem rosto, que podia assumir a forma de pessoas mortas.

— O Espectro é, de fato, um aliado valioso. — Bradley assentiu. — Ele sente medos, dores e arrependimentos e se transforma na representação corpórea de um ente querido falecido, então ele pode se aproximar o bastante e sugar a energia vital da vítima. Nesse momento ele está fortíssimo graças ao Alfa Genuíno. Ainda assim, o Espectro falhou em matar o garoto, então precisarei de todo o reforço possível para o momento da volta de Malvina, duas alcateias e dois Alfas podem se tornar um problema. Por isso preciso que você e seus Berserkers estejam lá.

— E quando vai ser isso exatamente? Por que não traz a bruxa de volta agora que Scott e parte da alcateia ainda estão se recuperando? — A impaciência de Kate era perceptível em cada gesto dela.

Bradley deu um sorrisinho de canto, como se Kate não soubesse de nada.

— O ritual de ressureição tem que ser feito durante um evento natural, usarei a lua cheia daqui há uns dias, além disso o ultimo sacrifício, o por terra, precisa ser feito na mesma hora e o mais importante, Malvina precisa de uma hospedeira para sua alma, pelo menos em um primeiro momento. — Ele explicou, como se já tivesse pensado em tudo.

— Como é? — Kate franziu as sobrancelhas quando achou bizarro demais a coisa do hospedeiro.

— Eu não tenho poder o bastante para restaurar o corpo de Malvina, então eu trarei a alma dela de volta e a colocarei em uma hospedeira, assim a própria Malvina pode restaurar o corpo... — Bradley abriu um sorriso sádico, como se soubesse que algo grande e terrível estava para surgir.

Kate sentiu os pelos arrepiarem e não gostou desse pressentimento, talvez Chris estivesse certo, talvez confiar naquelas pessoas fosse um erro, no entanto era tarde demais para voltar atrás...

Notas finais
Essa coisa de ficar esperando o boy voltar não é com a Rachel não kkkkk ela vai atrás do que quer, literalmente kkkkkkk Vcs gostaram dela? Corey e Mason são muito amorzinhos s2 Kate tá começando a ficar preocupada com as coisas... tenso. E parece que teremos uma pausa das tretas, já que o senhor Bradley precisa de uma lua cheia kkkkkkk No proximo a gente volta pra Beacon Hills pra ver como anda a nossa mais nova alcateia e pra sabermos se o Liam vai cumprir a promessa dele neh (tbm vai ter um pouquinho de FairyWolf que eu sei que vocês estão com sdds já kkkk) Nos vemos em breve! Bjss e até!