Notas iniciais
Boa noite lindezas!! Tô de volta com capitulo novinho de Running e como podem notar pelo titulo atualizado da fic, não estamos mais em hiatus (eeehhhh), porque teremos atualizações um fim de semana sim e um não, então nada mais de esperar um mês por capitulo novo (amém kkkkk) Obrigada de verdade pela paciencia que tiveram comigo todo esse tempo! E sem mais demoras vamos ver o que espera o povo de Beacon Hills Boa leitura!

O camaro negro virou a esquina cantando pneu, no banco do motorista Derek Hale podia sentir a raiva correndo quente por suas veias. O sentimento era tão intenso e descontrolado, que era como se todos os outros sentidos do lobisomem estivessem anestesiados.

Mal acertou o carro na garagem e pulou para fora, subindo as escadas tão rápido que, em questão de segundos, estava dentro de seu loft.

Aquela garota é impossível! Gritou mentalmente, passando a mão pelo rosto.

Queria entender por que estava tão afetado pelas escolhas de Crystal, afinal não era como se Theo ainda fosse odiado por toda a alcateia de Scott... Na verdade, Derek nem tinha nada a ver com aquilo, sequer estava na cidade quando tudo aconteceu.

Mesmo assim, aquele assunto idiota tinha tirado totalmente seu controle. Como se fosse algo pessoal.

O próprio Derek tinha sua cota de vilões "regenerados" por perto, afinal Peter Hale fora três vezes pior que Theo...

Mesmo assim a raiva ainda estava lá, de um jeito que Derek não tinha como controlar ou entender.

Tinha noção que fora um idiota com Crystal e isso aumentava ainda mais sua raiva.

— Merda! — O moreno rosnou, passando a mão sobre a mesa e jogando tudo que estava ali no chão, incluindo o próprio notebook que espatifou alguns metros longe.

Queria correr em sua forma lupina, apenas para se acalmar, mas, depois da chegada de Crystal Green a cidade, todas as corridas acabavam perto dela. Sabia que tinha que pedir desculpas, afinal tinha descontado nela, mas não estava pronto para aquela conversa. Talvez no dia seguinte...

— Noite difícil, bonitão? — A voz feminina foi reconhecida imediatamente.

Derek percebeu no mesmo instante, que sua irritação tinha lhe tirado atenção para todos os detalhes que teriam denunciado aquela presença.

— Kate... — Ele se virou, já com os olhos brilhando em azul, pronto para uma luta.

— Minha nossa, que agressividade... — Kate Argent abriu um sorriso cínico. — Não sentiu saudades.?

— O que você quer? — Derek colocou as garras pra fora.

O último encontro com Kate ainda estava fresco em sua memória, ela tinha atirado nele...

Mas o ódio de Derek nada tinha a ver com o último encontro, tampouco com o penúltimo, quando Kate o sequestrou, arrancou suas memorias e quase o matou. Nem com o antes desse, que envolvia choque e tortura.

A raiva dele era anterior a tudo isso, bem antes de Kate ser transformada em jaguar por acidente e ficar conhecida como "La Loba", antes dela ter poder de transformar lobisomens em Berserkers...

Ela era apenas uma caçadora obstinada na época, tão decidida a ser a melhor e destruir qualquer ser sobrenatural, que tinha se aproximado de Derek quando ele ainda era um adolescente, então conquistado e manipulado o garoto, para ter acesso a sua casa e família.

Kate Argent era a responsável pelo incêndio na casa dos Hale, ela era a responsável por matar a mãe de Derek e toda a alcateia... E claro, também era responsável por matar os pais de Crystal.

— Ah Derek... Eu quero tanta coisa. — Ela abriu um sorriso ameaçador. — E você vai me ajudar a conseguir todas elas.

Derek estava pronto para atacar quando o cheiro de enxofre invadiu suas narinas, suas pernas ficaram moles ao mesmo tempo que ele ouvia uma voz masculina dizer algo em uma língua incompreensível.

Teve noção que a figura saiu das sombras, mas não viu realmente.

Tudo foi ficando escuro e o corpo de Derek atingiu o chão, ele não era capaz de se mover, não controlava seu próprio corpo.

— Bom trabalho, senhorita Argent, quando "Ela" regressar, sua ajuda será recompensada. — Derek pode ouvir a voz masculina, mas tudo que ele podia ver eram os sapatos.

Horríveis mocassins azuis marinho. Ele pensou antes de apagar de vez.

✶ ✶ ✶ ✶ ✶

Era uma manhã particularmente quente em Beacon Hills e Malia Hale não estava no melhor de seus humores, claro que isso não tinha a ver com o clima, tampouco com a noite maravilhosa que tivera com Scott Mccall... Era tudo sobre seu destino, ou melhor, sobre quem encontraria em seu local de destino.

— Quer me contar de novo, por que aquela menina doce e meiga quer ser amiga justo do Theo? — Questionou para Liam Dunbar, que estava sentado no banco do passageiro, enquanto ela dirigia.

— A Crystal vê o bem nas pessoas, ela viu isso no Theo... — Liam respondeu.

A verdade é que ele próprio também não estava muito contente com Theo, mas as brigas que tinha com o garoto quimera eram normais e corriqueiras, Liam diria que era até rotina, por isso não podia deixar que isso influenciasse na verdade: Theo estava mudando aos poucos e merecia um voto de confiança.

— Ela procurou com um microscópio? — Malia devolveu com uma piada que em nada contagiou Liam.

— Não tem graça, Malia. Ele mudou. — O garoto tentou argumentar, mesmo que soubesse que a coiote era teimosa e guardava muito ressentimento de Theo.

— Ah tá, mas meio que a sua opinião não conta, porque você está apaixonado por ele. — Ela apontou e a surpresa de Liam foi tanta que ele engasgou com a própria saliva.

— O que? Eu não... Eu nunca... — Gaguejou algumas vezes e teve que respirar fundo pra se recompor. — De onde você tirou essa bobagem? Que absurdo!

Como ela sabia daquilo? Quer dizer, não que Liam admitisse para si mesmo que estava apaixonado por Theo.

— Sério? — Malia o encarou entediada. — Você fede a excitação quando está perto dele.

— Jamais! — Liam se defendeu imediatamente, usando um tom muito indignado. Será? Ele começou a ficar receoso e sua postura mudou. — Você andou falando isso para o Scott?

— Ah, pelo amor de Deus! — Malia jogou as mãos no ar, largando o volante por um milésimo de segundo. — Você acha mesmo que eu vou perder meu tempo com o Scott falando de você e do Theo? Se toca, Liam!

O garoto suspirou aliviado, mas tratou de manter a pose.

— Isso é bom, é ótimo na verdade, porque não está acontecendo, nada mesmo, nem sei de onde você tirou essa ideia... Que absurdo, eu e o Theo... Deus me livre... — Ele cruzou os braços e virou o rosto. Deus me livre, mas quem me dera.

— Além do mais, Scott tem nariz, se eu sinto ele sente. — Malia debochou com um sorriso superior.

— Não tem graça, Malia... — Liam retrucou, mas se preocupou de verdade com aquilo.

Não queria desapontar Scott, não depois de tudo que tinha acontecido... O fato de quase ter matado o próprio alfa ainda pesava na consciência de Liam, mesmo que soubesse que Scott já tinha esquecido isso há muito tempo.

Podia soar um tanto estupido, mas a opinião de Scott importava para Liam.

— O seu mau-gosto meio que tem graça sim, mas não estou aqui pra julgar. — Malia deu de ombros, não gostava de Theo por motivos pessoas, mas entendia que as pessoas não eram obrigadas a odiá-lo também. — Isso é tarefa daqueles seus amigos nerds, cadê eles falando nisso?

— O pai do Corey o tirou da cidade pra uma viagem e convidou o Mason pra ir junto... Eles vão passar uns dias fora. — Liam respondeu, feliz por mudar de assunto.

Na verdade, estava bem claro que aquilo era só uma desculpa para manter o filho longe de encrenca. O pai de Corey agia como se não soubesse de nada, mas no fundo ele sabia, por isso, quando as mortes começaram, ele não estava disposto a deixar o filho no fogo cruzado outra vez.

Liam não concordava com aquela forma de lidar com as coisas, mas cada um lidava com aquela bagunça do jeito que podia.

— E o Scott? — Questionou neutro, só para que Malia não continuasse com o assunto "Theo".

— Foi passar a manhã com a mãe dele... — Ela respondeu, ouvindo um som conhecido por perto. — O Stiles está vindo.

Liam logo reconheceu o barulho do jipe também e momentos depois o veículo virou e esquina e deu uma buzinada, como se estivesse cumprimentando os amigos.

Mas esse clima ameno não era o mesmo no interior do jipe.

— Eu não entendo por que você está tão brava...— Stiles tentou se defender do mau-humor da namorada.

Ele era como um cordeirinho assustado e Lydia uma leoa furiosa. Furiosa e linda, Stiles pensou evitando sorrir pra não piorar as coisas.

— Por quê?! Por quê?! — Lydia repetiu indignada, jogando as mãos para o ar. — Ah, por favor Stiles, você me fez passar a noite toda vendo Star Wars!

— A gente estava fazendo uma maratona. — Ele argumentou, dando de ombros e Lydia revirou os olhos.

Discutir com Stiles era inútil, ele era doce e adorável, era quase impossível ficar realmente brava com ele.

— A intenção era fazer maratona de outra coisa... — Lydia foi mais direta do que Stiles esperava.

Tinha fugido das investidas da namorada a noite toda, não porque não a desejava ou algo do tipo, era pura insegurança. Stiles tinha esperado a vida toda por aquele momento, queria que fosse perfeito, tinha até sonhado com isso algumas vezes, e deixar que acontecesse na cama de solteiro do seu antigo quarto, com seu pai roncando no sofá da sala não parecia nem ao menos romântico, quem dirá perfeito...

— Ah, é... Ah, eu... — Ele tentou não se enrolar com as próprias palavras. — A gente tem a vida toda pra isso. Tem que ser perfeito.

Lydia queria ter revirado os olhos, ou encontrado uma resposta inteligente, mas a verdade é que ela não pôde evitar um sorriso. Era fofo que Stiles estivesse tão preocupado com aquilo, não era a primeira vez de nenhum dos dois, e ambos sabiam disso, a preocupação do rapaz só provava que ele era diferente dos outros.

Então ela assentiu e Stiles assentiu de volta, simples assim. Tinham esperado tanto para que desse certo, podiam esperar mais um pouco para que fosse perfeito.

Assim que o jipe virou a esquina, com o carro de Malia logo atrás, Lydia apontou a casa vizinha a de Crystal Green.

— Para aqui, eu quero dizer "oi" para o Parrish. — Ela pediu.

— Ele não está na cidade. — Stiles respondeu, mas estacionou o veículo no local pedido. — Meu pai deu férias pra ele depois do Greenberg, um mês na casa de praia da delegacia e sessões semanais com um terapeuta. Pra garantir que ele esteja cem por cento quando voltar ao trabalho. Procedimento padrão.

Lydia assentiu algumas vezes, não tivera oportunidade de falar com Parrish sobre o ocorrido com Greenberg, mas saber que ele tiraria um tempo pra si mesmo a deixava feliz.

Quando os jovens desceram dos carros, Malia e Lydia foram as primeiras a se juntarem; iniciativa da ruiva, claro; que ainda tinha muita conversa pra colocar em dia, principalmente no que dizia respeito aos presentes que Malia trouxera da França.

— Amei aquele perfume que você me trouxe, já virou meu favorito. — Lydia comentou empolgada, enquanto todos eles caminhavam pelo gramado da casa de Crystal Green.

— Eu queria que você tivesse usado o frasco todo, assim eu não teria que sentir o cheiro do Theo. — Malia torceu o nariz assim que sentiu a presença do garoto quimera dentro da casa.

— Por que o Theo está aqui? — Stiles perguntou, abaixando o tom de voz.

— Eles dividem a casa. — Liam explicou assumindo a dianteira, prestes a bater na porta. — Sejam legais. Ele mudou, lembram?

— 'Tá bom, Liam, todo mundo sabe que você tem um tombo por ele, não precisa bancar o advogado do diabo. — Lydia revirou os olhos e ela mesmo tomou a frente e bateu, antes mesmo que Liam tivesse a chance.

— Eu não... — Ele tentou se defender, mas percebeu que não deixar que tudo aquilo chegasse alguns ouvidos de Theo era mais importante. — Será que dá pra falar mais baixo?

Cruzou os braços e deu alguns passos para trás emburrado.

— Não é possível que esteja tão óbvio... — Disse pra si mesmo, levando em conta que Lydia não tinha qualquer olfato aguçado, então, se ela tinha percebido, qualquer um perceberia.

— Mas quer saber? Não estou preocupada, se ele for um cretino idiota você soca a fuça dele e pronto... — Lydia falou diretamente para Malia que abriu um sorriso satisfeito.

— Eu gosto dessa ideia... — Stiles concordou e Liam negou algumas vezes, desistindo de argumentar com os amigos.

Do lado de dentro, Theo já tinha ouvido os carros estacionarem, mas sua preocupação era Crystal, que estava sentada no chão, entre várias almofadas, muito abatida e com olheiras profundas.

A garota tivera pesadelos horríveis durante toda a noite e sua cabeça doía como se a martelassem constantemente.

Podia ser apenas uma gripe ou algo assim, mas Crystal nunca tinha sentido nada parecido, era mais que físico, era um pressentimento horrível que tomava conta de todo o seu corpo.

Theo teve que deixar a amiga por alguns instantes para atender a porta. Não esboçou reação alguma quando viu Stiles, Lydia, Malia e Liam parados ali.

— Oi — cumprimentou apenas, abrindo passagem para os quatro. — Entrem.

— Eu já posso socar a fuça dele agora? — Malia murmurou quando passou por Theo e Liam fez um movimento exagerado para que ela parasse de besteira.

— Oi pessoal, que bom que vocês chegaram. — Crystal saudou assim que os convidados entraram na sala, ela já estava cercada dos diários.

Lydia foi a primeira a notar que havia algo errado,

— Você está bem? — Ela perguntou preocupada, vendo que a menina alegre da noite passada parecia outra pessoa de tão abatida. — Você parece...

— Péssima. — Malia completou sem filtro algum.

— Malia! — Lydia repreendeu e a coiote deu um passo para trás e ergueu as duas mãos.

— Sem ofensas. — Se desculpou.

— Não, tudo bem. — Crystal abriu um sorriso que não lhe chegou aos olhos. — Eu só não dormi bem, e tem essa dor de cabeça... Está me deixando louca. Mas já vai passar, eu já tomei remédio. Sentem por favor.

Os jovens foram se sentando espalhados no sofá, Theo assumiu o lugar próximo a Crystal.

— Por que não tirou a dor dela? — Stiles questionou para o rapaz em um tom levemente acusatório.

— Eu tentei... Não deu certo. — Theo respondeu, e foi quase uma surpresa que ele não tenha usado um tom agressivo ou irônico. Na verdade, ele parecia bastante preocupado.

— Mas você tinha aprendido a fazer. — Liam argumentou, já tinha visto Theo ter sucesso em tirar a dor de outra pessoa, não era algo que se desaprendia.

— Incompetente... — Malia falou baixinho, dando um cutucão discreto em Lydia. — Posso socar a fuça dele agora?

A ruiva negou sutilmente e Malia revirou os olhos.

— Eu não disse que não consegui fazer, só não deu certo. — Theo admitiu e não pareceu feliz com aquilo.

Malia bufou para o garoto e se levantou do sofá, seguindo até Crystal.

— Saí pra lá, tá na cara que você não fez direito. — Empurrou Theo para o lado e segurou o braço da garota loira.

Ela se concentrou, já tinha tirado a dor de pessoas, não era difícil, mas absolutamente nada aconteceu, era como se não houvesse dor alguma em Crystal para ser tirada.

Malia pareceu contrariada.

— Não significa que você fez direito... — Ela olhou Theo de cima a baixo e voltou a se sentar.

Crystal trocou um olhar com o amigo e ele apenas deu de ombros, naquele ponto a rixa com Malia parecia apenas uma birrinha besta, não era mais tão importante.

— Posso tentar? — Liam se ofereceu e Crystal não viu mal em lhe estender a mão.

Mas a mesma coisa aconteceu, ou seja, nada, Liam não tirou coisa alguma, Crystal continuou sentido que a dor era capaz de explodir sua cabeça.

Lydia e Stiles trocaram um olhar preocupado, mas não chegaram a qualquer conclusão.

— Tudo bem, gente, não tem problema, sério. — Crystal fez seu melhor para tranquiliza-los — Logo vai passar.

Os jovens tentaram acreditar naquilo e seguir com o que tinham ido fazer ali.

— Esses são os diários? — Stiles apontou os exemplares dispostos na mesa de centro.

— São sim... — Crystal assentiu e fez um gesto dando permissão para que eles pegassem os objetos.

Ainda não estava muito à vontade com aquela coisa de todo mundo lendo a vida de sua mãe, mas se aquilo podia impedir que mais pessoas inocentes morressem, era o certo a ser feito.

Viu cada um deles pegar um dos diários e seguir em sua própria leitura e decidiu fazer o mesmo, contudo, era incapaz se de concentrar, não só porque sua cabeça doía demais, mas também porque todo o seu corpo parecia em alerta, como se estivesse em uma situação de perigo.

Era uma sensação estranha, que tinha começado durante a madrugada, logo depois do pesadelo sem sentido que a assustara demais, porém do qual não se lembrava, nem vagamente, era como se a lembrança estivesse presa em um lugar da sua mente, bloqueada por alguma coisa.

Ao mesmo tempo estava preocupada com Derek, tinha tentando contato com ele logo pela manhã, para saber se o moreno estava mais calmo e disposto a conversar para resolverem as coisas. Era ridículo ele seguir naquela postura por causa de Theo.

Mas Derek não havia visualizado as mensagens, por isso Crystal decidiu esperar um pouco mais... Sem entender por que aquilo a estava deixando tão ansiosa, afinal não era a primeira vez que Derek deixava de responder mensagens.

Tentou se concentrar no diário. Logo os jovens notaram que, no período de guerra contra as bruxas, Rosalyn não tinha escrito nada, eram apenas passagens aleatórias que não ajudavam em nada e que não contavam das lutas, ou davam nomes.

Era como um beco sem saída.

Mesmo assim prosseguiram procurando, afinal, qualquer informação, mesmo anterior, podia servir de pista.

No entanto a cada segundo que passava Crystal ficava mais inquieta, a dor de cabeça piorava e aquele aperto no peito, que ela tentava ignorar, se tornava mais insistente.

E, ao mesmo tempo, a preocupação com Derek também aumentava, o que era ridículo, afinal não fazia nem um dia inteiro ainda...

Crystal resolveu se levantar, sob a desculpa de trazer alguns quitutes para que todos beliscassem. Caminhou até a cozinha e, enquanto preparava as coisas, colocava comida nova para o Senhor Bigodes e tomava outro analgésico, tentou ligar para Derek.

O telefone sequer chamou, caiu direto na caixa postal e Crystal preferiu não deixar recado. Ninguém ouvia aqueles recados mesmo...

Enquanto isso, na sala, uma conversa paralela acontecia:

— O que você fez com ela, Theo? — Stiles questionou baixinho. — Nem parece a mesma menina de ontem.

— Eu não fiz nada, 'tá legal! Acha que eu gosto de ver minha única amiga assim? — Theo se defendeu, e a frase saiu tão natural que surpreendeu ele próprio. — Estava tudo bem antes dos pesadelos... Ela acordou gritando...

O tom preocupado de Theo foi algo que não passou despercebido para Liam, mesmo que ele tenha ficado quieto. Mesmo Malia não sentiu vontade de socar o garoto quimera daquela vez.

Lydia por sua vez, focou em outro ponto, naqueles anos envolvida no sobrenatural, tinha aprendido que sonhos não eram apenas sonhos...

— Que tipo de pesadelo ela teve? — Questionou interessada.

— Não sei bem, com o Derek eu acho... — Theo respondeu, lembrando de ter acordado Crystal no momento em que ela gritava pelo lobisomem Hale.

— Sabia! — Stiles quase pulou do sofá. — Eu não disse que eles estavam juntos?

Lydia revirou os olhos e meneou a cabeça, pior do que ver Star Wars tinha sido ouvir Stiles falar por horas que estava na cara a paixão de Derek por Crystal.

Theo ouviu que a amiga estava voltando e foi enfático com os outros:

— Não fale disso com a Crystal, eles brigaram e as coisas não estão bem...

No mesmo momento a garota loira apareceu na sala, trazendo refrigerante e alguns salgadinhos.

— Então sobre o que vocês estavam falando? — Ela perguntou inocente, enquanto Stiles e Malia abriam espaço na mesa de centro.

— Nada. — Liam respondeu imediatamente. — Você sabe... Coisas...

Crystal procurou Theo com o olhar, como se ele fosse explicar alguma coisa, mas o rapaz apenas deu de ombros como se não soubesse de nada. Então ela resolveu deixar pra lá e voltou a se sentar.

Tinham voltado a focar nos diários, quando o gato amarelado de Crystal apareceu na sala como se fosse o dono do mundo. Olhou para os jovens e obviamente não ficou satisfeito com aquela invasão.

Passou se esfregando em Crystal e por incrível que pareça não lançou um olhar de total desprezo para Theo, afinal o rapaz tinha lhe dado comida algumas vezes, então seguiu, se afastando de Liam com um olhar desconfiado e seguindo direto para o sofá oposto, onde Lydia estava sentada.

Senhor Bigodes pulou ao lado da ruiva, e garantiu um lugar no colo dela como se fossem velhos amigos.

— Acho que ele gosta de você... — Crystal comentou, estranhando o comportamento do felino, que não era exatamente amigável com o povo de Beacon Hills.

Lydia sorriu, acariciando a barriga do gato, que parecia muito confortável e à vontade em seu colo. Malia observou o bichinho por alguns segundos e estava decidida a acariciá-lo também, quando Senhor Bigodes lhe lançou um olhar quase assassino.

— Ele não gosta de mim. — Ela tirou a mão no mesmo instante.

— Dever por causa da parte coiote. — Stiles opinou alisando o pelo amarelado, enquanto o animalzinho de estimação se embolava ainda mais no colo de Lydia.

— Eu nem gosto de gatos mesmo... — Malia deu de ombros em um tom desinteressado, que nada tinha de verdadeiro.

Crystal soltou uma risada fraca e encarou a tela do celular, talvez pela trigésima vez aquele dia, e ainda nada de sinal de Derek Hale.

Massageou as têmporas por alguns segundos e decidiu que perguntar não faria mal algum.

— Então... — Ela tentou mascarar a preocupação na voz. — Algum de vocês falou com o Derek hoje?

Ao passo que Lydia, Malia, Stiles e Liam olharam ao mesmo tempo para Crystal, Theo aproveitou que estava um pouco atrás da garota e fez gesto exagerado para os outros.

— Eu não falei, mas posso ligar. — Stiles se prontificou, ignorando Theo e agarrando o celular no mesmo instante, fazendo a ligação tão agilmente que Crystal nem teve tempo de responder.

No entanto, a voz robótica do outro lado da linha informou que aquele número estava desligado ou fora de área.

Stiles pareceu tão decepcionado quanto Crystal.

— Talvez ele só tenha esquecido de carregar... — Malia deu de ombros, como se não fosse nada demais. — Até ano passado Derek nem tinha celular.

Crystal assentiu algumas vezes, tentando aceitar aquilo como verdade, mas sentindo cada átomo do seu corpo dizer que tinha algo errado.

Cada um voltou para sua própria leitura, e o assunto ficou para trás, mesmo que Crystal não tenha conseguido se concentrar em uma simples linha depois disso.

— Olhem isso. Tem algumas datas aqui. — Malia mostrou um dos diários, onde uma lista de datas podia ser vista. — O que acham que significa?

Imediatamente Stiles e Lydia alcançaram seus celulares e digitaram uma pesquisa no google.

— São uma sequência de luas cheias daquele ano. — A ruiva foi a primeira a declarar.

— São datas de assassinato. — Stiles completou mostrando o próprio aparelho, onde ele tinha feito uma pesquisa bem diferente de Lydia.

Com exceção de Crystal, ninguém ali se surpreendeu com o fato do casal ter ideias diferentes que acabaram se completando.

— Então, eles estavam matando pessoas na lua cheia? — Theo tentou encontrar alguma lógica, enquanto todos os outros estavam pensativos

— Talvez as bruxas tenham que fazer as coisas durante esse tipo de evento natural. — Crystal sugeriu, recebendo olhares questionadores e completando totalmente sem jeito. — Pelo menos é assim nos filmes e séries.

— Até faria sentido, mas os novos assassinatos aconteceram em dias aleatórios. — Liam mostrou que tinha feito as próprias pesquisas. — Nada de conexão com luas.

Os jovens voltaram a ficar pensativos, tentando encontrar qualquer conexão entre os assassinatos da época de Rosalyn e os novos assassinatos, até que Theo se lembrou de uma coisa:

— Deaton disse que que Rosalyn e Talia contaram que as bruxas tinham encontrado um novo meio de trazer a líder deles de volta mais rápido, não é? Talvez estejam usando outro evento natural, um que ocorra mais frequentemente do que uma vez por mês.

Malia cruzou os braços, detestava concordar com Theo, mas fazia sentido... Ao mesmo tempo, todos começaram a procurar a conexão entre algum evento natural e a data das mortes recentes.

Stiles por outro lado, enquanto pesquisava, também abriu um dos diários e arrancou uma página, para anotar suas próprias pistas, gostaria de estar fazendo isso em seu próprio quadro, mas já que não tinha um, teria que improvisar com papeis.

Ao colocar todas as informações juntas, ele teve uma ideia ousada que colocou em pratica imediatamente...

— Ou talvez eles não estejam usando os eventos naturais, mas os elementos naturais em si... — Declarou depois de vários minutos, enquanto tinha os olhos fixos no celular.

— O que isso quer dizer? — Liam questionou, e Stiles sentiu toda a atenção da sala em si.

— Eu estou olhando a autopsia das vítimas e... — Começou, mas foi bruscamente interrompido por Lydia.

— Como você conseguiu a autopsia das vítimas? — Ela questionou, então revirou os olhos e meneou a cabeça, fazendo um movimento amplo com a mão. — Deixa pra lá, não quero saber, continua...

— Uma das vítimas morreu afogada, certo? — Stiles voltou a rabiscar, enquanto colocava suas teorias para fora. — Ou seja, água nos pulmões. A outra vítima morreu enforcada... O que significada, asfixiada...

Percebeu que ninguém estava entendo nada, ninguém, exceto Lydia Martin, é claro.

— Sem ar nos pulmões — Ela completou com um sorriso de quem também tinha entendido tudo.

Malia, Liam e Theo por outro lado, encaravam o casal como se falassem grego, apenas Crystal conseguiu captar a ideia.

— Água e ar. — A jovem Green resumiu as duas mortes recentes. — Eles estão usando os quatro elementos.

Só então os outros três compreenderam aquela teoria e encontraram logica naquelas palavras.

— Isso significa que as próximas vítimas vão morrer por fogo e terra, só precisamos descobrir quando e onde. — Stiles resumiu tudo.

Ótimo, eles sabiam o método que as bruxas estavam usando, mas isso não os levou muito longe, saber o método só mostrava que, seja lá quem fosse o inimigo, ele estava muito perto de alcançar o objetivo.

Stiles voltou a pensar, os olhos fixos no papel rabiscado, enquanto apertava a caneta freneticamente, fazendo a ponta entrar e sair do tubo, produzindo um som ritmado que acabou atraindo atenção de Lydia.

Ela se perdeu ali por alguns segundos, a mente vagando para longe, deixando-a em um estado de transe que despertou a curiosidade de Crystal.

— O que ela está fazendo? — A garota apontou e os outros quatro olharam na direção da ruiva.

— Ah não... — Malia suspirou, sabendo que aquilo era coisa de banshee, ou seja, não era nada bom. — Lydia?

Ela passou a mão na frente do rosto da amiga algumas vezes, mas nada aconteceu, mesmo que Stiles tivesse parado de apertar a caneta, Lydia continuava perdia na própria premonição.

— Alguém vai morrer... — Ela murmurou letárgica. — Hoje a noite.

Se não bastasse a tensão no ar e o clima que tinha envolvido todos os presentes, alguém bateu insistentemente na porta, assustando todos os jovens na sala. Lydia acabou saindo do transe por causa do grito involuntário de Stiles.

Todos eles se entreolharam, mas ninguém se moveu para abrir a porta, até que Malia reconheceu o cheiro do outro lado, revirou os olhos e ela mesmo foi atender.

— Eu achei, eu achei! Aqui está! — Peter Hale entrou feito um furacão, sacudindo uma papelada na mão.

— Aqui está o quê? — Malia cruzou os braços.

A cabeça de Crystal doía tanto, que ela mal prestava atenção na conversa e tampouco se importou com o tio de Derek entrando ali como se fosse o dono da casa.

— Eu disse que descobriria se alguma das famílias de bruxas tinha voltado a cidade com outro nome, não disse? — Peter jogou a papelada sobre a mesa, como se aquilo explicasse alguma coisa. — Aqui está, Edgard Black, ele sequer deixou a cidade, o canalha e a namoradinha dele faziam parte do grupo de bruxas que a gente derrotou. Ele apenas trocou de nome.

Crystal se esforçou para manter sua atenção no que importava e esfregou os olhos se colocando de pé.

— E qual nome ele está usando agora? — Malia não parecia impressionada.

Tinha ido na prefeitura com Peter e aquilo não dera em nada, ele disse que continuaria procurando, mas ela não achou que teria resultado.

— Edmond Blackwood — Peter revelou com raiva palpável na voz. — Assim que eu colocar minhas mãos nele eu vou...

— O professor de artes? — Crystal e Liam disseram ao mesmo tempo.

Era uma surpresa e tanto para a garota, afinal o professor Blackwood não parecia um assassino, tampouco alguém com poderes mágicos malignos.

Para Lydia e Stiles não foi surpresa alguma, era sempre o professor mesmo...

— Então é lá que o desgraçado se esconde, não é? Ótimo! — Peter gritou, tão perdido na própria raiva que não tinha noção do que acontecia em volta. — Malia, você e o Derek vem comigo!

— O Derek não está aqui e eu não vou pra lugar nenhum sem um bom plano. — Malia cruzou os braços e não deu um passo sequer.

Crystal estava totalmente focada na conversa naquele momento.

— Como assim o Derek não está aqui? — Peter parou finalmente e deu alguns passos para trás.

Ele encarou a dona da casa como se buscasse uma resposta. Pensou que Derek estaria com ela, afinal, por mais que tivesse aconselhado o sobrinho, Peter sabia que Derek não ficaria longe da Delta.

— Ele deve estar no loft... — Stiles tentou argumentar, mas Peter negou lentamente.

O coração de Crystal começou a bater disparado, era como se o ar entrasse depressa demais por seus pulmões, mas ao mesmo tempo ela não conseguia respirar.

— Eu acabei de vir do loft, estava uma bagunça e ele... — Peter não terminou a frase, reviu a imagem do loft em sua mente e soube que algo estava errado.

Teria percebido antes, se não estivesse não focado em Edgard Black, ou melhor, Edmond Blackwood.

Não foi preciso uma só palavra para que todos ali chegassem na mesma conclusão, algo que Crystal já sabia em seu íntimo, mas não tinha dado ouvidos: Algo tinha acontecido com Derek...

E, como um sinal de mau agouro ou má sorte, nesse mesmo momento três uivos ameaçadores cortaram o ar. Todos os olhos da sala encararam as janelas ao mesmo tempo. Mesmo que os vidros estivessem cobertos com cortinas as três silhuetas eram visíveis do lado de fora.

— Berserkers? — Malia reconheceu e trocou um olhar preocupado com os amigos.

Já haviam enfrentado aquelas criaturas antes... Aquilo não era bom. Não mesmo.

— Acho melhor eu ligar pro Scott, tá na cara que a gente tem um problemão. — Stiles declarou, alcançando o celular.

Mas Crystal não se importou com o perigo iminente batendo a sua porta, sua única preocupação era: Onde está o Derek?

Notas finais
Kate de volta (vcs acharam que eu ia perder a oportunidade de trazer uma vilã feito ela? kkkkkk) Derek encrencado, Crystal com pressentimentos estranhos e Lydia prevendo uma morte, é parece que a treta chegou de vez em Beacon Hills kkkkkk E aí, será que é o professor gente? Teremos algumas respostas e muitas tretas no próximo, então, nos vemos em breve Bjss e até!