Running Away
5 Capítulo 4 - I saw you and I want you
Notas iniciais
I see you there, don't know where you come from
Unaware of a stare from someone
Don't appear to care that I saw you and I want you
What's your name 'cause I have to know it
You let me in and begin to show it
We're terrified 'cause we're heading straight for it, might get it
You been the song playing on the background
All along but you're turning up now
And everyone is rising to meet you, to greet you
Turn around and you're walking toward me
I'm breaking down and you're breathing slowly
You say the word and I will be your man, your man
(Say When – The Fray)
Oliver Queen
Meu dia tinha sido tão fodido.
Capitão Lance havia incumbido Sara e a mim dessa tarefa, nós trabalhamos por longas e exaustivas semanas na operação que prenderia o Conde Vertigo e agora tinha sido tudo em vão. Aqueles malditos advogados! Com seus ternos caros, relógio rolex e olhar prepotente, sempre dispostos a procurar por uma brecha na lei. Devolviam bandidos às ruas e diziam que era apenas justiça! O inferno que era! E graças a eles eu tive que passar o dia inteiro revisando o inquérito policial simplesmente porque a defesa iria alegar uma doença mental e o desgraçado iria se safar.
Eu estava frustrado, irritado e a fim de descontar a minha raiva em alguém. Tudo o que eu precisava era de uma bebida, talvez uma boa foda para aliviar um pouco do estresse daquele dia. Ninguém da delegacia dessa vez, capitão Lance já havia me passando mais um sermão por causa de Mackenna Hall que havia requerido transferência para outra unidade, mas com sorte ele havia a convencido de apenas trocar o turno de trabalho. Eu estava pensando em algo diferente dessa vez, loira de preferência, com cabelos cortados a altura do ombro que emoldurassem uma face angelical, mas com uma boca sexy, aveludada e atrevida, que não fosse alta, mas que tivesse curvas bem definidas e uma bunda... Abri meus olhos abruptamente quando percebi o que eu havia feito: Eu tinha acabado de imaginar Felicity.
Cerrei as mãos em punhos tentando conter meus pensamentos, essa garota estava me levando à loucura.
Era normal eu me sentir atraído por uma mulher bonita, mas nunca tinha sido nessa intensidade. Eu não era do tipo que tinha relacionamentos, se havia uma mulher que eu desejava eu simplesmente transava com ela e ponto final. E depois de saciar o meu desejo eu simplesmente partia para outra.
O problema era na parte de saciar o desejo. Felicity estava fora dos limites.
Eu não conseguia não provocá-la quando estávamos juntos, simplesmente porque eu adorava as suas reações! Eu gostava da forma como ela me respondia sempre tão petulante e cheia de si, ou quando simplesmente corava com alguma insinuação mais sexual. Eu era ciente que precisava me afastar, ou em algum momento eu ultrapassaria os limites. Mas eu era tolo o suficiente para acreditar que era capaz de me controlar, de parar quando fosse necessário.
Eu deveria ir para um bar, beber algumas doses de uma bebida bem forte e depois encontrar uma garota disponível para uma transa rápida, o álcool no meu organismo não saberia que a garota em questão não era Felicity, talvez isso fosse o suficiente para tirá-la do meu sistema por um tempo. E foi exatamente o que fiz assim que meu expediente na delegacia acabou, sequer me despedi de Sara, apenas juntei minhas coisas e me dirigi rapidamente ao Huntress’ Bar.
Ela foi a primeira coisa que eu vi assim que passei pelas portas do bar. Era impossível não notá-la, aliás, todos naquele bar não faziam outra coisa que não fosse despi-la com os olhos famintos, homens a chamava em várias mesas disputando a sua atenção enquanto a garota parecia tentar atender a todos com rapidez e eficiência. Seus quadris balançavam de um lado para o outro na medida em que ela andava entre as mesas empunhando uma bandeja com bebidas. Suas curvas marcadas pela calça jeans justa me davam uma imagem perfeita de pernas bem torneadas, pernas essas que eram exatamente como as de Felicity.
— Ela é uma coisa linda, não é mesmo? Que bunda mais perfeita! — um homem ligeiramente embriagado e com uma expressão sacana no rosto me disse quando percebeu a linha do meu olhar — Eu não saio daqui sem tentar levar essa loirinha para minha cama!
Meu cérebro demorou dois segundos para assimilar sobre quem o homem falava. Mas minha boca demorou apenas um para revidar.
— Ela já tem alguém para levá-la para a casa. — rosnei entredentes, segurando-o pela gola da camisa e dando-lhe o meu melhor olhar ameaçador. Eu queria obrigá-lo a parar de pensar nela, queria que ele esquecesse a imagem dela e qualquer pensamento sujo que a mente dele tivesse formulado. Inferno! Eu queria chutar a bunda dele para fora desse bar e garantir que seu caminho nunca mais se cruzasse com o dela.
— Hey, calma aí cara eu não sabia que ela já tinha alguém. — tentou amenizar parecendo verdadeiramente amedrontado.
Eu controlei minha raiva respirando fundo e o larguei, dei passos duros na direção dela, eu não fui delicado quando a puxei pelo braço forçando-a a se virar para mim, e para ser honesto eu pouco me importei com o olhar de censura que ela me lançou, eu apenas não queria mais ter que assistir aqueles homens a olhando com tanto desejo, internamente planejando maneiras de levá-la para a cama, não queria o pequeno sorriso ainda que educado que ela lhes lançava que os enchia de esperança.
Inferno! Eu queria escondê-la em meu apartamento, tê-la apenas para mim. E agora precisava assistir a todos aqueles homens a desejando, cada um deles jogando seu charme e competindo ainda que silenciosamente para ver quem iria levar o grande prêmio da noite para casa? Eu acho que não.
Nossa discussão sobre o seu recém adquirido “emprego” não ocorreu como eu gostaria, ela protestou... Ela sempre protestava. Por que ela precisava ser tão cabeça dura? Eu sabia que perderia, Felicity ficaria ali nem que fosse apenas pelo prazer de me irritar. Então eu fiquei também, me convenci de que estava fazendo aquilo por Gordon, estava apenas garantindo que a garotinha dele não se envolvesse em alguma encrenca. Depois eu arrumaria uma forma de convencê-la a deixar esse emprego.
— Wooou. — a exclamação de surpresa veio de Sara que se sentava ao meu lado e me observava com um interesse incomum, como se eu fosse um animal exótico de um zoológico e precisasse ser estudado — Tem algo de muito errado com você.
— Não há nada de errado comigo. — falei cruzando os meus braços adotando uma postura defensiva, talvez eu estivesse apenas um pouco mal humorado, mas isso não era culpa minha. Felicity tinha conseguido arruinar a minha noite, aparecendo no meu território e arruinando meus planos de tirá-la da minha cabeça.
— Definitivamente há algo errado sim. — Sara apoiou o queixo sobre uma de suas mãos, estreitou seus olhos na minha direção na melhor expressão de quem está analisando algo — Você está sentado aqui sozinho, com a bebida ainda intocada à sua frente quando há pelo menos meia dúzia de mulheres nesse bar te lançando olhares lascivos, quase implorando para que você escolha uma delas para uma transa rápida e sem compromisso no banheiro feminino. Por que você está aqui, parado?
— Talvez eu apenas não esteja interessado em ter sexo sem compromisso, talvez eu precise de algo mais substancial para me satisfazer, ou talvez eu esteja apenas querendo aproveitar um tempo sozinho. — Como eu imaginei minha resposta deliberada fez com que Sara gargalhasse alto, senti os olhos de Felicity do outro lado do bar virem em nossa direção com curiosidade.
— Ou talvez você já tenha escolhido a presa da vez... — retomou quando em meu lapso Sara pegou meu olhar encontrando o de Felicity que nesse momento desviou rapidamente. Em minha defesa eu estava apenas mantendo meus olhos sobre ela, garantindo que estava bem e que não se meteria em nenhuma confusão — Está esperando o final do expediente para levá-la para a casa? Parece que vai ter um pouco de competição, não há um cara aqui que não esteja tentando algo com ela. — apontou com um sorriso.
Afirmação de Sara tornou a acender aquela estranha ira dentro de mim.
— Ela vai embora comigo. — assegurei convicto cerrando minhas mãos em punhos.
— Confiança é legal, mas você não acha que esta ficando um pouco prepotente? Como pode ter certeza de que ela não vai escolher nenhum outro cara daqui? — sua pergunta me incomodou mais do que deveria — O irmão de Helena parece ansioso para ajudá-la, e ele é um doce! — Segui o olhar de Sara apenas para ver um Roy sorridente a ajudando a empilhar todas as coisas sobre a bandeja. O garoto normalmente não ajudava no bar, quando o fazia era sob as ordens da irmã mais velha e nunca demonstrava animação para isso, mas hoje parecia como um cachorrinho mais do que animado a ajudar Felicity.
— Roy é uma criança, além disso, sempre se mete em encrenca, ele já foi fichado algumas vezes. — desdenhei, mesmo sabendo que aquilo não era inteiramente verdade. Roy tinha se metido em algumas confusões, mas apesar do pavio um pouco curto e da propensão em estar no lugar errado e na hora errada, ele era um bom garoto.
— Vai ver ela gosta de um badboy. — Será que ela gostava? Sara estava conseguindo foder com a minha mente — E ainda temos Thomas Merlyn logo ali no balcão lançando seus sorrisos charmosos para ela, e ele além de rico é boa pinta. — Foi inevitável controlar um ranger de dentes quando o meu olhar os encontrou, eles trocaram meia dúzia de palavras, mas ainda assim eu percebi que ela lhe lançou um sorriso diferente, um sorriso doce. Um sorriso que eu queria que ela lançasse para mim.
— Ela é a Felicity, Sara. Ela vai para casa comigo não importa quantos caras deem em cima dela hoje, não importa se ela quer ir com algum desses caras, ainda assim ela volta comigo. — afirmei seguro e vi o rosto de Sara exibir um semblante mais compreensivo, seus olhos piscando algumas vezes assimilando a nova informação para em seguida se iluminar em uma expressão que me deixou confuso, ela tornou a olhar para Felicity dessa vez com um sorriso amplo no rosto.
— Eu quero conhecê-la! — exclamou entusiasmada, seu rosto parecia com o de uma criança em véspera de natal se recusando a dormir enquanto esperava ansiosamente pelo papai Noel.
— Não. — neguei.
— Por que não? — Eu não tinha uma resposta para aquela pergunta, eu apenas não queria que Felicity se envolvesse ainda mais na minha vida. Ela já havia tomado conta do meu apartamento, do bar em que eu gostava de ir, eu não queria que ela se envolvesse com Sara também, daqui a pouco ela estaria na delegacia me impedindo de me concentrar no trabalho. Já bastava a ter atormentando meus pensamentos, era pedir muito que uma parte da minha vida não sofresse alteração por causa dela?
— Oliver Queen você está com vergonha da sua parceira? — inqueriu parecendo verdadeiramente chateada.
— O quê? Claro que não Sara. — tratei logo de esclarecer.
— Acho bom! — exclamou ficando de pé e acenando para Felicity que estava do outro lado do bar. Eu sabia que ela estava evitando a minha mesa, desde o momento em que pedi para ela me servir, a frase saiu da minha boca com uma conotação mais carregada do que eu pretendia, era quase sexual. Eu não sei se ela notou isso, ou se apenas não queria ficar perto de mim para evitar uma nova discussão, o ponto é que ela manteve uma distância.
— Você consegue ser um pé no saco sabia? — comentei estressado, mantendo meus olhos em Felicity que agora atravessava o bar vindo em nossa direção.
— Essa é minha especialidade! Agora tire essa carranca e me apresente a sua garota. — Sara ordenou.
— Ela não é minha garota! — esclareci, demonstrando ainda mais irritação do que gostaria.
— Mas você quer que ela seja! — Não gostei do tom de Sara, era quase como se estivesse implicando comigo.
— Nós voltamos ao jardim de infância por acaso? — revidei e ela apenas exibia um sorriso vitorioso.
— Você parece que nunca saiu de lá. — Felicity se intrometeu e imediatamente me virei para ela, o canto dos lábios dela se erguia num sorriso contido — Então, posso anotar os pedidos? — Disse tentando soar distante e profissional.
Sara olhou para mim em expectativa, apenas esperando que eu fizesse as apresentações. Suspirei resignado, quanto mais rápido eu fizesse, mais rápido isso acabaria.
— Felicity esta é Sara. Sara esta é Felicity. — falei sei animação alguma.
— Oh, prazer em conhecê-la. — Felicity correspondeu ao aperto de mão de Sara um pouco incerta.
— Eu sou a parceira de Oliver. — Sara disse com um sorriso e imediatamente os olhos de Felicity vieram na minha direção. — E já que você mora com ele, eu achei que seria interessante te conhecer.
— Parceira? — ela questionou erguendo uma das sobrancelhas demonstrando confusão.
— Oh! Quando eu digo parceira, eu quero dizer no trabalho! Não parceira sexual ou algo assim... — Sara tratou logo de justificar — Não me leve a mal Oliver, você é bem gostoso, mas é muito bruto, sem contar que é tão irritante e me tira do sério!
— Preciso concordar com você nisso. — Felicity disse e vi as duas dividirem um olhar cúmplice. Para meu desespero Felicity já se envolvia em mais uma parte da minha vida.
— Então você me acha gostoso? — revidei para ela num tom provocativo, o qual sabia seria suficiente para diminuir a sua satisfação.
— Bruto e irritante são características mais latentes. — falou dando de ombros, tentando não dar muita importância ao que acabara de confessar. Mas eu sabia que ela estava apenas querendo mudar o assunto.
— Você me acha gostoso! — tornei a afirmar, mais convicto dessa vez, prendendo seus olhos com os meus.
— Cresça, Oliver! — ela exclamou aborrecida, um segundo após quebrar nosso contato visual — Preciso ir, Helena está me chamado. — Olhei para trás de Felicity, e me deparei com uma Helena com um semblante desconfiado — Foi um prazer conhecê-la, Sara. — acrescentou mais docemente.
— Igualmente. — minha parceira retribuiu.
Eu observava Felicity se afastar em direção à Helena que a esperava no balcão do bar, novamente eu me vi hipnotizado pelo movimento de seus quadris, pela barriga lisa coberta apenas parcialmente pela camisa que estava amarrada em um nó sobre sua cintura, minha mente se viu envolta a pensamentos pouco inocentes. Voltei a encarar Sara rapidamente quando percebi que não devia olhar Felicity da forma faminta que eu olhava. Minha amiga tinha no rosto um semblante indecifrável, os olhos dela também tinham seguido Felicity enquanto se afastava, mas diferentes dos meus os dela continham apenas um misto de curiosidade feminina e um pouco de diversão. Sara virou-se para mim e deu um amplo sorriso, quando pegou meu olhar indo novamente até Felicity.
— Eu a adorei. — Sara decretou e estranhamente fiquei contente com sua aprovação — Será que ela gosta de garotas? — segurei minha respiração, cerrei os punhos e olhei seriamente para ela assim que ouvi a sua pergunta. Inferno, até mesmo a Sara?
***
Felicity Smoak
— Tudo bem entre você e o Christian Grey ali? — Helena me perguntou tão logo eu cheguei ao balcão, seus olhos ainda estavam fixos em Oliver averiguando se ele não iria fazer mais alguma cena.
— Você não fez uma referência a cinquenta tons de cinza, fez? – revidei divertida — E eu pensando que nós poderíamos ser amigas...
— Não critique até experimentar! — deu uma piscadela sugestiva que me fez gargalhar — Agora dê a volta que eu preciso falar com você no estoque.
Fiz o que Helena me pediu, subindo a parte móvel da bancada e passando para a parte de dentro do bar. O lugar ainda estava movimentado, o jogo que a maioria dos homens tinha vindo assistir já havia acabado e agora o que se via era algumas discussões acaloradas sobre o resultado da partida. Eu tinha um punhado de pedidos para atender, e eu provavelmente teria um monte de caras bêbados bem irritados se a conversa com Helena demorasse muito. Para minha sorte esbarrei em Roy, ele poderia ser a minha salvação.
Eu o tinha conhecido há apenas algumas horas atrás, o irmão do meio de Helena, ela me disse que tinha uma irmã mais nova também, Sin, porém como ela era menor de idade não permitia que ela ajudasse no bar. Já Roy fazia o estilo jovem um pouco revoltado, mas bastava olhar em seu rosto para notar que ele na verdade era um doce.
— Roy, você pode, por favor, levar esses pedidos? — pedi indicando o pequeno bloco de notas em minhas mãos. — Eu não vou demorar muito, só preciso ver o que Helena quer comigo. — expliquei.
— Claro que sim. — ele disse sorrindo, retirando o bloco e a bandeja de minhas mãos e se apressando a preparar cada uma das bebidas indicadas.
— Você é um anjo. — agradeci, e percebi que ele corou.
— Eu nunca o vi tão ansioso para trabalhar, geralmente eu preciso implorar ou dar algo em troca para que ele me dê alguma ajuda no bar — Helena comentou achando um pouco de graça, ela estava parada em frente a uma porta nos fundos — Garota eu deveria ter te contratado antes!
Segui Helena passando pela porta que ela fechou logo atrás de si, o lugar era espaçoso e bem iluminado com prateleiras e mais prateleiras com as mais variadas bebidas, havia também algumas caixas ainda fechadas empilhadas ao chão. Helena sentou-se sobre uma mesa que ficava encostada em um canto e indicou-me a cadeira a frente. Havia um notebook ali, uma calculadora e alguns livros, deduzi que aquele espaço era usado como um pequeno escritório de contabilidade.
— O que está rolando entre você e Oliver Queen? — perguntou a queima roupa assim que me sentei.
— Nada. — respondi honestamente, mas Helena não pareceu satisfeita com essa resposta.
— Vocês dois estão morando juntos, Felicity, obviamente esta acontecendo alguma coisa.
— Não está acontecendo nada, Helena, eu apenas precisava de um lugar para ficar aqui na cidade, meu tio o conhecia e pronto Oliver me emprestou um quarto. É apenas isso! — Estava começando a ficar aborrecida com esse interrogatório de Helena, qual era a relevância disso? Ainda que estivéssemos juntos qual seria o problema? A não ser que... — Vocês dois estão saindo? É por isso que está tão preocupada com a minha... hum... situação com Oliver?
— É claro que não! Oliver e eu tivemos algo no passado, mas que garota daqui não teve? Não durou muito, ele não é cara para nada sério, e nem eu... — Suas palavras apenas confirmaram o que eu sempre pensei de Oliver: ele era um mulherengo — Meu ponto é que eu estou preocupada. O comportamento dele hoje no bar foi um indicativo de que Oliver sabe agir como um homem das cavernas, urrando e batendo no peito para dizer que algo é seu...
— Eu não sou propriedade dele! — intervi deixando aquilo claro.
— Eu só não quero confusão dentro do meu bar, Felicity. — explicou calmamente — Oliver é um policial e eu não quero meus clientes fugindo daqui porque ele resolveu agir como um babaca por causa de uma garota. — esclareceu.
— Isso não será um problema Oliver e eu nunca teremos nada. — garanti, embora todo meu corpo tenha se manifestado contrariamente a esse meu propósito.
— Não diga isso! Eu vi a forma que você olha para ele e Oliver não é particularmente discreto quando quer transar com uma garota. E ele olha para você como se estivesse disposto a carregá-la para um beco escuro e fazer você implorar para que ele tire a sua inocência.
Suas palavras trouxeram um sorriso em meus lábios, Helena não podia estar falando sério. Existia atração? Claro que sim eu não era burra de negar isso, Oliver era lindo, sexy e todo o meu corpo se despertava sempre que ele estava próximo, mas Oliver claramente me via apenas como a garota que ele se viu obrigado a cuidar. Ele gostava de me provocar, mas eu era apenas um problema que ele estava ansioso para se livrar.
— Você não me disse agora mesmo para não me envolver com Oliver? — a questionei, fazendo Helena revirar os seus olhos irritada.
— Eu só não quero ter problemas no meu bar por causa disso. — me alertou — O que vocês fazem fora daqui não é da minha conta. Ou no banheiro. — acrescentou e me vi erguendo uma das sobrancelhas esperando por maiores explicações. — O banheiro é como a Suíça, uma área neutra. O que acontece na Suiça, fica na Suíça?
— O correto não seria Rússia?
— Você entendeu o que eu quis dizer.
— Estamos mesmo discutindo um relacionamento que não existe? — apontei com um pouco de humor.
— Mas que pode vir a existir. — balancei a cabeça ao ouvir sua afirmação, ela não entendia, aliás como poderia? Eu não teria um relacionamento com ninguém, não depois do que aconteceu ao Cooper. Não enquanto ele não estivesse fora da minha vida. — E você seria muito tola de não aproveitar, tem um especialista do sexo morando com você, não precisa ir até os finalmentes com ele se não quiser... — arregalei os olhos com as suas palavras, como tínhamos mudado tão drasticamente de assunto? — ...Mas eu aposto que não conseguiria resistir, Oliver faz certas coisas com a língua que deixa qualquer garota alucinada. — seus olhos se fecharam como se lembrasse de um momento muito, muito bom.
— Já é o suficiente Helena, não precisa entrar em tantos detalhes! — cortei incomodada, me levantando da cadeira e indo em direção à saída. Pensar que Helena e Oliver já estiveram juntos me causava uma estranha irritação.
— Ok, ok. Mas você precisa saber o pênis dele é... — começou a dizer e involuntariamente movi minha cabeça em sua direção esperando que ela concluísse a frase. Helena abriu um gigantesco sorriso de vitória. — Para quem não queria detalhes você está bem interessada no tamanho do equipamento dele.
Fechei meus olhos para não ver o sorriso vitorioso de Helena. Merda ela havia me pegado nessa.
— Já podemos ir? — perguntei mal humorada, ansiosa para me ver livre de Helena e de suas provocações sobre Oliver. Ela apenas assentiu ainda com aquele sorriso nos lábios, tínhamos acabado de sair do estoque quando a parei me lembrando de algo.
— Oh, antes que eu me esqueça, o moreno charmoso perguntou por você. Na verdade ele especificamente pediu para falar com você. — Eu disse à Helena.
— Que moreno charmoso? — suas sobrancelhas negras se uniram quando ela fizera essa pergunta.
— O que tem olhos azuis meigos e está sentado no final do balcão. — indiquei, e nesse exato momento como se pressentisse que eu estava apontando para ele o homem ergueu sua cabeça em nossa direção.
— Tommy. — Helena falou com um suspiro. — Me lembrei de que esqueci algo no estoque! Volte a trabalhar, Roy parece estar tendo alguns problemas em levar todas as bebidas sozinho. — ordenou fugindo rapidamente e desaparecendo pela porta. Voltei a olhar para o moreno, que agora tinha um nome: Tommy. Ele parecia um pouco magoado, era óbvio que Helena o vira e que se esquivara propositalmente.
O restante do trabalho ocorreu sem problemas, ocasionalmente eu desviava meu olhar até Oliver, e o encontrava sentado no mesmo lugar, até mesmo quando Sara partiu ele permaneceu lá. Eu encontrava seu olhar às vezes, mas tentava ignorar aquela força que me fazia querer ir até ele. Helena expulsou o último cara do bar às três da manhã, e assim que ele saiu eu fui oficialmente liberada do trabalho. A primeira coisa que fiz foi consertar a minha blusa, me despedi de Roy e Helena logo em seguida e fui para fora do bar. Fiquei um pouco decepcionada por Oliver ter ido embora, ele havia ficado por tanto tempo que cheguei a cogitar que estivesse esperando por mim para irmos embora juntos. Agora teria que ir embora sozinha, me arrependi de não ter trazido uma blusa de frio assim que sai a rua fui atingida por uma lufada de ar gelado que me fez estremecer.
— Finalmente! — escutei a exclamação dita pela voz conhecida. Oliver estava encostado à parede do bar em uma postura um pouco relaxada — Pensei que Helena nunca fosse fechar. — falou andando em minha direção.
— Eu não pedi que esperasse por mim. — revidei mal humorada começando a caminhar de volta para casa, Oliver rapidamente se juntou a mim ficando ao meu lado. Qual era o meu problema? Há poucos momentos eu estava decepcionada por ter pensado que ele tinha ido embora. Oliver, sempre fodia com meus sentidos!
— Eu não ia deixá-la voltar para a casa sozinha durante a madrugada, seu tio nunca me perdoaria se... — suspirei aborrecida enquanto escutava Oliver listar cada um dos motivos pelos quais ele me esperara.
— Felicity! — parei me virando imediatamente ao escutar Helena me chamando e dando passos rápidos até mim. — Eu acho que você conquistou alguns corações essa noite, garota!
— Como? — perguntei confusa, estávamos de frente uma para outra agora.
— Deixaram isso para você sobre o balcão. — Helena disse puxando minhas duas mãos e colocando algo dentro delas. — E vocês dois... — disse apontando para Oliver e eu — ... é melhor não irem para algum beco escuro! — aconselhou maldosamente lançando-nos uma piscadela sugestiva antes de nos dar as costas.
— O que ela quis dizer com isso? — Oliver me perguntou, não compreendendo bem a insinuação de Helena. Eu estava pronta para dizer que não era nada e que deveríamos apenas ir embora logo, mas quando abri minhas mãos e vi o que Helena havia colocado dentro delas eu estanquei, o ar de repente desapareceu dos meus pulmões e tudo o que via era a pequena rosa vermelha ali. — Há algo errado, Felicity? — Oliver me perguntou parecendo verdadeiramente preocupado com minha reação, ou melhor a falta dela já que eu sequer me movia — Você não gosta de rosas? É isso? — Insistiu, eu conseguia sentir a força de seu olhar sobre mim buscando por respostas.
— Não, eu não gosto de rosas. — respondi jogando a flor no chão e pisando sobre ela com toda a força e raiva que eu tinha. — Eu as odeio na verdade. — Quando terminei o trabalho de destruir totalmente a flor foi inevitável não mover meu olhar desesperadamente para todos os lados da rua em busca dele.
Você tem cheiro de rosas vermelhas...
Ele havia me dito certa vez.
Será que ele estava aqui?
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