Running Away

4 Capítulo 3 - To run and hide


Notas iniciais
Como assim Running Away já recebeu uma recomendação??? Lola, nem sei dizer o quanto eu amei (e me diverti) lendo a sua recomendação! Espero muito que você se vicie cada vez mais nessa história... então para te agradecer por todo o carinho esse capítulo é especialmente para você! Obrigada a todos que tem comentado e favoritado! Sempre fico muito feliz com a resposta de vocês às minhas fics Espero que gostem desse capítulo! Me desculpem por ele ter ficado um pouco grande demais!

You trembled like you’d seen a ghost

And I cave in

I lacked the things you needed the most, you said

Where have you been?

You wasted all that sweetness to run and hide

I wonder why

I remind you of the days you poured your heart into

But you never tried

I’ve fallen from grace

Took a blow to my face

I’ve loved and I’ve lost

I’ve loved and I’ve lost

Explosions

On the day you wake up needing somebody

And you've learned it's okay to be afraid

But it will never be the same

It will never be the same

(Explosions — Ellie Goulding)


Felicity Smoak

Meu corpo inteiro tremia e eu não sabia dizer se era por causa do assoalho frio sobre o qual eu estava deitada, por causa arrepio de medo que subia por minha espinha e parecia se espalhar por cada célula do meu corpo ou ainda se era simplesmente um misto de ambas as coisas. Tentei me levantar, mas a minha cabeça girava, meu corpo estava mole e eu não conseguia o apoio das minhas mãos que estavam presas às costas para me sustentar. Meu estômago estava embrulhado e eu sentia um gosto horrível e amargo na boca como se tivesse bebido algo muito ruim e estivesse prestes a vomitar a qualquer momento.

Onde eu estava? Questionei-me assim que, após muito esforço consegui me sentar, ignorei a náusea e o cheiro de podridão que parecia inundar o ambiente e tentei assimilar o lugar: Estava escuro demais, a única luminosidade que eu via vinha de uma pequena janela muito alta, e ainda assim a luz fraca não era suficiente para me ajudar a identificar onde eu estava. Contudo por causa das poucas janelas deduzi que deveria ser algo como um porão.

Havia alguém ali comigo percebi quando tentei me movimentar. Um corpo deitado no chão ao meu lado, quem seria? Havia algo úmido e pegajoso sobre o chão perto dele. Será que a pessoa estava inconsciente? Será que eu conhecia essa pessoa? Ou talvez ela soubesse como viemos parar aqui?

— Hey, acorde! — tentei sacudindo o corpo com minhas mãos presas, mas a pessoa permanecia imóvel e silenciosa. Gastei um bom tempo gritando por ajuda, mas não parecia que havia alguém que pudesse me ouvir, ou que pelo menos estivesse disposto a me ajudar.

Minhas lembranças ainda estavam confusas. Tentei respirar fundo e forcei a minha mente a fazer uma recapitulação do dia, das minhas últimas memórias, talvez eu conseguisse respostas para o que estava acontecendo.

Eu havia discutido de novo com Cooper naquela manhã e depois não o encontrei em lugar nenhum da faculdade, eu estava preocupada porque ele não havia respondido minhas mensagens, atendido minhas ligações e sequer tinha aparecido às aulas daquele dia e por mais chateado que estivesse comigo, ele não era de me dar o gelo. Seus amigos também não o tinham visto e ele não compareceu ao trabalho também. Já era noite, eu voltava para o dormitório da faculdade determinada a ligar para a polícia e informar o desaparecimento dele, estava nervosa demais, distraída demais que nem percebi o momento em que meu corpo colidiu com o de outra pessoa.

— Você está bem? Parece nervosa. — senti o aperto firme de suas mãos ao redor dos meus braços, seus olhos analisadores sobre o meu rosto. Senti-me estranha com sua proximidade, não parecia certo.

— Me desculpe, professor. — eu falei nervosamente, me desvencilhando de seu toque, dei alguns passos para trás colocando certa distância entre nós. — Não consigo encontrar o Cooper, ele desapareceu o dia inteiro. — expliquei.

— Cooper Sheldon? Ele é seu namorado, certo? O rapaz que se senta ao seu lado durante a minha aula. — perguntou com o cenho franzido e eu apenas assenti confirmando. Ele pareceu pensativo por um instante, mas logo depois sorriu ternamente para mim.

— Faremos assim senhorita Smoak, você vem até a minha sala e se acalma um pouco enquanto eu faço algumas ligações, tenho conhecidos na polícia que podem ajudar a achá-lo mais rápido. — ofereceu educadamente.

— Obrigada, mas eu realmente não queria incomodá-lo. — comecei a negar.

— Não é incomodo algum. — interrompeu-me — É o mínimo que posso fazer para minha melhor aluna. — ele disse sorridente.

Caminhamos até a sua sala onde ele me ofereceu um copo de suco dizendo que eu precisava me acalmar que ele iria ligar para a polícia e notificar o desaparecimento de Cooper. Tudo aconteceu numa questão de segundos, em um momento eu sentia o líquido adocicado descer por minha garganta e no outro eu já não conseguia mais me equilibrar em meus próprios pés, o copo caiu ao chão espatifando-se em milhares de pedacinhos, tudo pareceu girar ao meu redor, minha visão foi ficando turva, mãos me apoiaram me impedindo de cair pisquei meus olhos várias vezes, tentando focalizar em alguma coisa, mas tudo o que vi foi um par de olhos assustadores e depois disso só restou a escuridão.

Eu havia sido drogada, constatei aturdida. Precisava sair daqui urgentemente antes que algo pior acontecesse, não entendia o porquê de ele ter feito isso comigo, eu pensei que ele era alguém confiável! Arrastei-me pelo chão e comecei a tatear as paredes desesperadamente em busca de uma saída. Mas minha procura foi interrompida com o ranger de uma porta sendo aberta, a pessoa que passou por ela não era mais do que uma sombra, um vulto indistinto na escuridão. Eu escutei os passos descendo vagarosamente os degraus da escada, eu podia sentir que ele estava se aproximando, e a cada ecoar de um passo seu eu sentia o desespero dentro de mim se tornar maior e o medo se apoderar de mim. Escutei um clique e o cômodo inteiro se iluminou.

— Você... — foi tudo o que consegui dizer quando olhei para seu rosto sério e perfeitamente barbeado, o terno com corte impecável davam-lhe um ar distinto. Como eu não percebi o monstro por detrás da fachada educada? Como podia ter convivido um semestre inteiro com ele e não saber? Todos o tinham como um modelo a ser seguido, alguém admirável. Acho que é como dizem as aparências enganam, porque nesse exato momento eu não via meu professor, eu via uma pessoa completamente diferente. Um ser completamente diferente. — Eu confiei em você! O que você quer de mim?

— E você ainda pode confiar em mim! — se aproximou de mim a passos largos e um sorriso asqueroso nos lábios. Imediatamente comecei a me arrastar para trás, tentando ficar o mais longe possível dele. — Tudo o que fiz foi por nós. — ele justificou.

— Você me sequestrou. — acusei ainda tentando me afastar dele que agora estava a menos de um metro, parei quando senti o corpo atrás de mim, meu coração deu uma falhada quando desviei meu olhar para ele. — Cooper? Cooper? — chamei seu nome várias vezes numa espécie de choro e desespero — Oh, meu Deus... Ele está...? — Não consegui terminar a pergunta, senti um bolor preso em minha garganta era óbvio que Cooper estava morto, dava para ver o corte reto em seu pescoço e o sangue empoçado ao redor de seu corpo. Seus olhos sem vida estavam abertos e eles olhavam diretamente para mim como se dissessem que era tudo minha culpa.

— Morto? É claro que sim. — respondeu levianamente se abaixando e apoiando em um joelho bem a minha frente, ele tocou meu queixo com o seu dedo indicador forçando o meu rosto a virar-se na direção do dele, era como se não quisesse que eu olhasse mais para o corpo sem vida de Cooper. — Você merece mais querida, não vê o quanto ele estava nos atrapalhando? Sempre ao seu lado, te distraindo durante as minhas aulas, usurpando o tempo que eu tinha com você! — ele falava de Cooper com um ódio mortal, inclusive até mesmo o aperto em meu queixo se tornou mais opressor. — Então eu o tirei do nosso caminho! E você agora pode ser minha... — terminou o discurso com um sorriso afetuoso. Suas mudanças abruptas de comportamento me assustavam, iam de extrema raiva à suavidade num piscar de olhos.

— Você é doente! — cuspi as palavras com nojo.

— Não, não, não! — bradou irritado — Eu sou apenas um homem perdidamente deslumbrado por você. — seus olhos passeavam por meu rosto com certa adoração.

— Eu quero vomitar. — falei quando percebi que ele realmente acreditava no que dizia.

— E agora que estamos juntos, eu posso provar o meu amor por você! — sua mão deslizou do meu queixo indo até meus cabelos os colocando para trás da orelha. Meu estômago revirava, seu toque me provocava repulsa.

— Isso não é real. Não é real. É apenas um pesadelo. — fiquei repetindo a mim mesma na esperança de acordar logo. Mas o medo ainda era o mesmo, por mais que eu soubesse que aquela era uma lembrança, o terror, a sensação de impotência tudo era real. Todas as sensações que eu sentia eram reais, era como viver tudo mais uma vez. Eu odiava dormir, porque quando eu dormia, eu não tinha controle da minha mente, e era nesse momento que ela liberava aquelas lembranças terríveis que eu tão cuidadosamente escondia.

— Se fosse um pesadelo... — ele disse lentamente com um sorriso sádico nos lábios — Eu poderia fazer isso? — seu rosto se aproximou do meu, seu nariz se aprofundando em meu pescoço e ele inspirou pesadamente. Eu queria morrer naquele momento. — Você tem cheiro de rosas vermelhas...

— Não! Não! Não! — eu gritava na medida em que tentava afastar o seu corpo do meu me agitando e o chutando, mas era inútil, cada esforço que eu fazia, cada grito que eu dava, nada parecia fazer o mínimo efeito. Eu não conseguia machucá-lo, eu não conseguia fazê-lo desistir de mim.

— Você está muito agitada querida, precisa se acalmar. — Sua mão direita veio bruscamente até meu pescoço apertando-o, arfei em busca de ar, mas respirar se tornou algo doloroso e quase impossível. — Não vai doer nadinha. — falou enquanto senti a picada de uma agulha em meu braço, uma lágrima quente e solitária escorria por meu rosto e novamente a escuridão voltou a ser minha única companhia.

***

— Não! — eu gritei a plenos pulmões.

— Hey, fique calma! — Eu não reconheci aquela voz de imediato, mas fiquei feliz por não ser a voz dele, por aquela ter sido apenas mais uma das minhas coleções de lembranças ruins. Deixei-me ser acolhida por um abraço quente, sentindo toda aquela proteção que emanava dos braços fortes que estavam ao redor do meu corpo. Deitei a cabeça sobre a curva do pescoço e respirei profundamente o perfume almiscarado na esperança de que aquele cheiro se sobrepusesse ao cheiro de sangue que parecia impregnado às minhas memórias. Deixei as lágrimas verterem aliviando o aperto opressor em meu peito. Aos poucos minha pressão sanguínea foi diminuindo, o movimento leve e rítmico de mãos me acalentando foi gradativamente me acalmando.

— Eu acho que deveria levar você a um médico. — a voz era intencionalmente suave e brincalhona, mas não escondia no fundo dela aquela nota de preocupação. Demorei alguns instantes para assimilar que estava nos braços de Oliver e então congelei. — Primeiro você bateu forte com a cabeça e agora está me abraçando. Eu te conheço a pouco, mas sei que esse não é seu comportamento habitual comigo.

Desvencilhei-me de seus braços rapidamente, mas não sem esforço. Havia uma parte de mim que queria permanecer aninhada em seu abraço quente e me aproveitar um pouco mais da sensação de ter ser corpo musculoso contra o meu.

— O que você faz aqui? No meu quarto? Mais especificamente na minha cama? — inqueri, eu precisava me situar, minha mente estava uma confusão só.

— Você não se lembra? — Oliver disse com falsa mágoa enquanto um sorriso sacana brincava em seus lábios. — Eu passei a noite aqui, você gemeu meu nome a noite inteira... E ainda pediu por mais! Eu não sabia que você era tão insaciável senhorita Smoak... — O tom rouco e sexy da sua voz enviou uma onda de arrepio por meu corpo, era tão difícil me concentrar com ele agindo assim.

— Oliver... — cruzei meus braços sobre o corpo e tentei olhar séria para ele.

— É assim tão difícil acreditar que dormimos juntos? — Engoli em seco. Não, não era difícil acreditar que isso tivesse acontecido, ainda mais pela forma com a qual meu corpo parecia responder ao dele, nesse exato momento a sua simples proximidade tinha o poder de bagunçar todos os meus sentidos e o seu cheiro parecia me atrair como uma abelha para um pote de mel, e sim eu queria me lambuzar... Mas eu tenho certeza que se tivesse dormido com Oliver eu me lembraria perfeitamente de cada detalhe, meu corpo se lembraria. Além disso, eu tenho certeza que nenhum de nós estaria vestido nesse momento. Oliver me observava atentamente, corei ao perceber que pelo sorriso contido dele, talvez ele estivesse ciente da direção nada pura que meus pensamentos tomaram.

— Você mesmo disse que não estava interessado. — optei pela resposta segura, devolvendo o que ele já havia me dito antes.

— Então é só isso que está nos impedindo de fazer sexo? Sua crença no meu desinteresse? — seu sorriso se ampliou na medida em que ele se aproximava de mim apoiando ambas as suas mãos sobre a cama ao redor do meu corpo, mas sem em nenhum momento me tocar. Sua boca estava tão perto da minha que eu era capaz de sentir o gosto de hortelã que vinha do seu hálito enquanto ele falava comigo. Oh, merda! O filho da mãe gostava de me provocar e para o meu tormento ele era muito bom nisso! Tudo o que eu queria fazer nesse momento era puxá-lo pela camisa, romper a distância e colar meus lábios nos dele. Mas ao invés disso me segurei fechando os olhos e respirando fundo, concentre-se Felicity. — Você desmaiou, e eu como o bom cavalheiro que sou te carreguei até a cama, eu pensei em te acordar com um beijo, mas você gritou como louca e se atirou em mim. — provocou.

— Eu não me atirei em você! — me defendi rapidamente — Espera aí... Como assim eu desmaiei?

— Bem... Essa é uma história engraçada! — Oliver se remexia, parecendo um pouco desconfortável com aquele assunto — Não te ensinaram que não se deve correr em direção a uma porta? As pessoas abrem as portas a qualquer momento, não são obrigadas a adivinharem que tem alguém atrás dela...

— Você bateu com a porta em mim! — acusei.

— Só por que você estava lá em primeiro lugar! — apressou-se em justificar — Aliás, aonde você pretendia ir? O prédio inteiro estava sem energia e...

A presença de Oliver, a nossa pequena discussão somada às provocações que ele fazia a todo o momento tinham tido o poder de bagunçar meus pensamentos por um tempo. Ele acendia algo em mim, uma vontade de contestá-lo, de bater de frente e provar que ele estava errado talvez isso seja produto dessa atração absurda que eu sentia por ele, uma forma de lutar contra esse desejo, mas o importante é que isso tinha me feito esquecer tudo por um momento, a lembrança que eu tive, a sensação de estar sendo observada, de que ele estava aqui. De que ele havia cortado a energia do prédio, como fizera da outra vez e que tinha vindo me pegar.

Oliver com suas provocações irritantes tinha me feito esquecer dele.

— Quando você chegou havia mais alguém aqui? — perguntei nervosamente interrompendo Oliver que parecia estar no meio de um sermão. Ele parou de falar imediatamente, um vinco se formou entre suas sobrancelhas, a mandíbula se enrijeceu seus olhos se escureceram na minha direção. Ele estava irritado, eu podia dizer isso pela forma que suas mãos apertaram o lençol da cama, eu só não entendia o porquê dessa reação.

— Por quê? Você convidou alguém para cá? — questionou-me falando entredentes, lançando-me um olhar duro e intimidador que tenho certeza era o que ele reservava aos bandidos quando os interrogava.

— O quê? — exclamei confusa — Eu estou aqui a menos de vinte e quatro horas! Como eu poderia sequer...

— Bom. — cortou-me bruscamente — Porque você não tem permissão para fazer isso. — declarou com autoridade.

— Permissão?! — eu praticamente gritei a palavra e imediatamente me sentei mais ereta, quem ele pensava que era para falar comigo desse jeito? — Pare de agir como se fosse o meu pai! — esbravejei e Oliver imediatamente se enrijeceu.

— Vai por mim, eu não quero esse tipo de ligação com você. — falou irritado seu rosto se aproximando ainda mais do meu, suas pupilas se dilataram a respiração ficou pesada e por um momento eu pensei que Oliver fosse me beijar, mas então abruptamente ele se afastou se levantando da cama. — Mas o que eu posso fazer se Gordon me liga no meio da noite, preocupado porque a garotinha dele não atende ao maldito telefone? Então eu sou obrigado a parar o que eu estou fazendo e vir até aqui e checá-la!

— Me desculpe se eu arruinei a sua noite. — ironizei com falsa simpatia.

— Sim, você arruinou, tinha uma ruiva que teve que ir para casa insatisfeita porque eu tive que deixá-la para vir conferir se a garotinha do Gordon estava bem. — suas palavras me fizeram bufar de raiva, não porque eu me importava com quem Oliver transava ou deixava de transar (talvez o pensamento me incomodasse, mas eu não estava a fim de descobrir o porquê.) mas eu me irritava com a forma que ele insistia em me tratar como uma criança mal criada.

— Pare de me chamar de garotinha. — bradei irritada ao mesmo tempo em que jogava um travesseiro na direção dele.

— Então pare de agir como uma. — retrucou com um sorriso vitorioso nos lábios enquanto agarrava o travesseiro em suas mãos. Merda, qual era o meu problema? Por que Oliver tinha esse poder de me fazer agir da pior maneira possível?

— Bem, você já viu que estou bem! Pode voltar para a sua ruiva, talvez um pouco de sexo diminua o seu mau humor. — revidei.

— Se sexo for cura para o mau humor, docinho, você devia fazer um tratamento intensivo. — retrucou quando já estava com a mão sobre a maçaneta da porta. — Talvez eu até me ofereça para fazer o trabalho. — ele disse um pouco antes de sair e fechar a porta atrás de si.

— Idiota! Arrogante! Cretino! — xinguei.

— Eu ouvi isso. — A voz dele soou divertida e não sei porque, mas não consegui conter um ligeiro sorriso.

Depois que Oliver saiu do quarto eu liguei para tio Gordon expliquei que estava bem e apenas havia dormido muito e por isso não atendi ao telefone. Resolvi omitir o incidente com a energia do prédio, não fazia sentido preocupá-lo com algo que provavelmente tinha sido apenas fruto da minha mente paranoica. Eu estava segura aqui, tentei me convencer disso.

Eu não dormi muito durante aquela noite, já tinha dormido a tarde inteira, ainda estava agitada demais e para minha surpresa Oliver não tornou a sair. Depois de toda a nossa “conversa” eu pensei que a primeira coisa que ele faria era ir ao encontro da tal ruiva, mas não, ao invés disso, e para minha completa surpresa e estranhamente meu alívio também, ele ficou.

***

Os dias passaram com uma rapidez surpreendedora e quando notei eu já estava em Starling City há pouco mais de uma semana. Aos poucos eu estava me adaptando a minha “nova vida” se é que dá para chamar de vida ficar trancada todos os dias dentro de um apartamento, tendo como única companhia uma televisão sem canal a cabo e um ogro em forma de gente. Eu nunca admitiria isso em voz alta, mas discutir com Oliver era o ponto alto dos meus dias, é deprimente eu sei.

Mas se havia algo ao qual eu ainda não estava acostumada era a visão de Oliver seminu todas as manhãs. Um fato importante sobre Oliver é que ele odeia camisas, blusas ou qualquer coisa capaz de esconder seu físico perfeitamente esculpido. Não que eu esteja reclamando, mas vê-lo assim era demais para a sanidade de qualquer garota. Então quando Oliver entrou na cozinha naquela manhã me permiti um momento para apreciar o belo espécime masculino a minha frente. Ele havia acabado de sair do banho seus cabelos estavam úmidos e pequenas gotinhas de água brilhavam em seu torso, era uma pena que ele arruinava todo o encanto sempre que abria a boca.

— O quê você disse? — perguntei, já que não havia prestado atenção em nada do que ele dissera desde que entrara na cozinha.

— Eu mandei você descer da bancada. — exigiu.

— Por quê? — devolvi petulante, era sempre assim eu me negava a obedecê-lo sem, pelo menos uma justificativa plausível, e ainda quando havia uma eu dava um jeito de contornar.

— Porque esse é o local de colocar a comida. — ele disse se aproximando e parando a minha frente entre minhas pernas, mas sem se aproximar o quanto eu gostaria, suas mãos deslizaram sobre a pedra de mármore na qual eu estava sentada seus braços esbarraram acidentalmente em minhas coxas deixando nada mais do que uma trilha de calor onde nossas peles se tocaram, quando seus olhos se ergueram famintos em minha direção e aquele sorriso sacana brincou em seus lábios, eu já sabia o que estava por vir. — E já que você está aqui estou deduzindo que...

— Inferno! Qual é o seu problema que tem que levar tudo para o lado sexual? — Eu questionei pulando da bancada e rapidamente me arrependi de ter feito isso. Porque agora estava frente a frente com Oliver e o calor do seu corpo parecia me atrair como imã, foi necessária muita força de vontade para conseguir resistir ao impulso de erguer minhas mãos e tocar em seu peitoral, será que era tão duro quando parecia?

— Mas eu não disse nada. — ele ergueu as mãos se defendendo e dando dois passos para trás, respirei aliviada com a distância que ele havia colocado entre nós, eu estava prestes a fazer algo que possivelmente me deixaria muito envergonhada. — Acho que é a sua mente que anda mais pervertida do que a minha. — provocou.

Merda. Por que quando Oliver falava algo o meu primeiro pensamento era associar à sexo? Posso dizer que a culpa era toda dele, afinal era ele quem ficava desfilando quase nu pela casa. Eu ainda me lembrava do dia que o vi saindo do quarto vestindo apenas uma cueca box branca me dando uma visão perfeita das suas coxas musculosas, da bunda perfeita e do contorno do... Café. Eu precisava me distrair com café, ou qualquer outra coisa que me fizesse não pensar em Oliver vestindo somente cueca. Dei a volta na cozinha indo até a cafeteira e me servindo de uma xícara generosa.

— Você não está esperando que eu sirva você, está? — falei olhando para a caneca nas mãos de Oliver que ele esticava para mim. — Eu sou sua hóspede, não sua empregada.

— Podia pelo menos tentar ser simpática?

— Me desculpe, por algum motivo inexplicável pela ciência, você tem o dom de aflorar o pior em mim.

— Eu acho que existe uma explicação científica para isso... — comentou parecendo rir de uma piada que ele não compartilhou.

— Hum? — pisquei sem entendê-lo.

— Isso é ciência básica, mas esquece... Eu vou sair e não tenho hora para voltar. — não contive um suspiro quando ele vestiu a camisa que estava jogada sobre o sofá. — Precisa de algo?

— Não se preocupe, eu vou passar todo o dia trancada nesse apartamento. — falei amarga.

— Ótimo. — Oliver disse me ignorando propositalmente. — E atenda ao seu telefone. — acrescentou — Eu não quero Gordon me interrompendo em um momento importante porque a garotinha dele não atendeu ao telefone.

Bufei, esse era o jeito de Oliver me dizer que iria se atrasar porque provavelmente estaria transando com uma garota qualquer.

— Não se preocupe, eu não vou arruinar a sua rapidinha. — respondi colocando a xícara de café dentro da pia com mais força do que deveria.

— Não será uma rapidinha. — provocou-me com um meio sorriso.

— Que seja! Eu não me importo. — dei de ombros me jogando sobre o sofá e ligando a tv apenas com o intuito de não escutar mais a voz de Oliver. Desliguei a televisão assim que ele deixou o apartamento, caminhei por todos os cômodos me certificando de que todas as janelas estavam devidamente fechadas, tranquei a porta passando o trinco e então chequei se a bateria do meu celular estava carregada caso precisasse pedir ajuda. Antigos hábitos dos quais eu nunca me livraria, pelo menos não enquanto ele estivesse vivo.

O dia passou lento e tedioso, eu sentia falta de ter algo para ocupar a minha mente, um emprego, amigos com quem conversar, pensei em Selina, cogitei ligar para ela e conversar, queria ter de volta um pouco daquela normalidade. Peguei meu celular, dizer um oi não faria mal, ele não iria me encontrar só porque liguei para uma antiga amiga... Para a minha sorte nesse exato momento o telefone tocou em minhas mãos.

— Oi, tio Gordon! — atendi ao celular forçando certa animação, ele vinha me ligando todos os dias e sempre parecia muito preocupado comigo. — Como estão as coisas?

Estão indo bem. — respondeu formalmente, escutei o barulho de algumas vozes agitadas ao fundo e deduzi que ele deveria estar no trabalho. — Eu não devia te dizer isso, mas... — praticamente sussurrou — ...acho que temos uma chance de pegá-lo Felicity. Estamos montando uma operação. — Prendi a respiração. — Ele foi visto ontem por uma câmera de rua na cidade de Metrópoles.

Isso fica bem longe de Starling City. — constatei.

É, fica praticamente do outro lado do país. — não consegui evitar um suspiro aliviado, ele não sabia onde eu estava. — Felicity eu sei que você ainda está com medo, foi tudo muito recente, mas está segura aí. Ele não faz ideia de onde você está, e no que depender de mim ele vai estar atrás das grades antes que possa sequer pensar em procurá-la novamente. — garantiu com firmeza, fui tomada por um sentimento de gratidão imenso por ele, pela forma paternal com a qual ele havia tomado a responsabilidade de tudo isso para si. — Não se preocupe querida, está segura aí e Oliver manterá os olhos sobre você.

— Obrigada, tio. — agradeci por aquela informação, saber que o homem o qual eu mais temia estava longe abrandava a pressão em meu peito. Eu sabia que não estava livre ainda, mas pelo menos eu me sentia um pouco mais tranquila.

Falando em Oliver, eu acho que deveríamos contar a ele. Não é certo ele não saber sobre o que lhe aconteceu... — Suspirei, tio Gordon vinha tentando me convencer disso desde o momento em que eu cheguei em Starling City.

— Não. — cortei prontamente, eu estava decidida a esconder essa parte dele.

Eu não te entendo querida. Por que não? — Perguntou suavemente.

— Eu não quero que ele sinta pena de mim. — confessei num tom baixo, odiaria vê-lo me lançar aquele olhar de pena ou me tratasse diferente por causa disso.

Felicity... — seu tom era condescendente, eu sabia que ele estava pronto para argumentar. E ele provavelmente tinha um milhão de bons argumentos, mas eu apenas não queria revelar essa parte de mim.

— Não. Eu contarei se achar necessário, mas vocês estão quase o pegando não é mesmo? Então não há motivos para ele saber. — conclui, me sentindo um pouco mal por jogar a responsabilidade para ele.

Ok, ok. — concordou em desistência — Apenas respire um pouco e me prometa que não vai parar a sua vida por causa dele, é isso que ele quer, que você sinta medo, que se isole, que não tenha nada nem ninguém exceto ele.

— Eu prometo.

***

Deixei o apartamento decidida a cumprir a promessa que fiz a tio Gordon. O sol estava se pondo e calor ameno do fim de tarde me dava certa energia, também era bom respirar um pouco de ar, não necessariamente puro já que Starling era uma cidade bem grande e como requisito para todas as cidades assim, era bem poluída. Mas ainda assim era muito bom não me sentir confinada. Talvez eu devesse procurar por um emprego, nada fixo demais como na Wayne Interprise, algo informal dessa vez que não requeresse meus dados. Eu tinha a ligeira impressão que tinha sido assim que ele havia me encontrado em Gotham. Então seria bom tentar ser o mais invisível possível em Starling Ciity.

Decidi não ir além do que poucos quarteirões do apartamento, não queria me perder e acabar tendo que vergonhosamente ligar para Oliver e pedir por ajuda, ele com certeza ficaria aborrecido se eu ligasse bem na hora que ele estivesse transando com uma mulher qualquer. Apenas pensar nisso me irritou, eu precisava ocupar minha mente com coisas que não fossem relacionadas a Oliver, ou sexo, ou Oliver fazendo sexo.

Parei e sorri quando vi a distração perfeita numa placa escrito “precisa-se de garçonete” ergui os olhos para o letreiro sobre a porta dupla de madeira onde os dizeres “Huntress’ Bar” se destacavam em letras luminosas. Aquilo parecia ser exatamente o que eu precisava.

Empurrei a porta e entrei no ambiente, era meio escuro com a iluminação amarelada, algumas mesas de madeira espalhadas e uma televisão bem grande apoiada em uma das paredes do fundo. Tinha toda aquela vibe de Pub inglês. Dirigi-me até balcão onde uma mulher de cabelos pretos parecia estar tendo sérios problemas em guardar todas as bebidas no armário atrás.

— Sinto muito amiga vodca — ela disse erguendo uma garrafa que tinha menos da metade — Não tenho lugar para guardar você então é melhor acabar com o seu sofrimento. — Virou parte do líquido sobre a boca.

— Com licença. — falei hesitante.

— O bar só abre às 19:00. — respondeu-me sem se dar ao trabalho de se virar.

— Ah não, eu vim pela vaga de garçonete. — expliquei, e imediatamente a morena se virou me encarando com seus grandes olhos azuis.

— Você tem alguma experiência? — inqueriu.

— Não. — fui honesta.

— Pelo menos tem idade para beber?

— Eu tenho vinte e dois. Quer ver minha identidade?

— Não precisa, você está contratada. — declarou virando um pouco mais da bebida, fazendo uma careta logo em seguida.

— Sério? Simples assim? Não vai querer saber se tenho antecedentes criminais ou se sou uma assassina nas horas vagas? — perguntei surpresa, nunca tinha conseguido um emprego tão fácil na minha vida.

— Você tem antecedentes criminais ou é uma assassina nas horas vagas? — questionou-me parecendo achar graça daquilo.

— Não, mas eu poderia...

— Garota, você tem certeza de que quer esse emprego? — ela riu alto.

— Eu quero! — garanti.

— Ótimo, então pare de pare de procurar uma desculpa. — disse sorrindo — O salário é uma merda, mas as gorjetas compensam e você é bonita então deve faturar bastante. O horário é das 19:00 à 1:00 da manhã, às vezes 2:00, depende muito do movimento. Suas folgas serão aos domingos, segundas e terças. E você não pode beber no horário de trabalho! — não consegui evitar um arquear de sobrancelhas com a última frase, afinal era exatamente isso o que ela estava fazendo.

— Eu sou a dona, eu posso tudo. — defendeu-se parecendo ler meus pensamentos. — Aliás, sou Helena Bertinelli. — esticou a mão na minha direção e sorriu abertamente.

— Felicity Smoak. — respondi correspondendo ao cumprimento.

— Você começa hoje, teremos um jogo de futebol e o lugar vai ficar bem cheio e barulhento, algum problema com isso?

— Não, nenhum problema. — Oliver provavelmente nem voltaria para casa então não havia nenhum problema.

— Vamos precisar dar um jeito em você primeiro. — ela disse com um olhar avaliativo me analisando dos pés a cabeça, e fazendo uma careta como se não gostasse muito do que visse. — Você é bem bonita, mas as suas roupas são um belo desastre.

— O quê? — Do que ela estava falando? Eu estava usando meus melhores jeans e uma camisa xadrez com botões que era quase nova.

— É tão sem graça. — deu a volta no balcão e parou a minha frente. — Talvez devêssemos... — disse esticando as mãos e desabotoando os dois botões de cima da minha blusa.

— Oh merda! — xinguei me afastando dela — Que tipo de bar é esse? — Minha pergunta fez Helena gargalhar alto.

— Não se preocupe, definitivamente não é o tipo de bar que você está pensando. — respondeu-me, mas ainda assim eu estava um pouco desconfiada. — Sabe por que homens vem à bares, Felicity?

— Para beber, passar um tempo com os amigos e assistir aos jogos. — respondi rapidamente.

— Sim, mas principalmente para ter algo que eles não possuem em casa: uma linda garota lhe servindo bebidas. Não vendemos apenas bebidas aqui, vendemos o sonho masculino. — anunciou a última frase com certo orgulho.

— Isso é um pouco sexista. — apontei.

— E ainda assim é a verdade universal. — deu-me um meio sorriso o qual me vi correspondendo. Helena podia parecer um pouco louca, mas eu meio que gostava disso nela.

No fim Helena conseguiu me convencer a deixar a blusa um pouco aberta, revelando um decote discreto e a amarrar a base da camisa em um nó, deixando a barriga parcialmente despida, ela me disse para usar saltos da próxima vez, porque homens amam mulheres de salto. Não estava tão ruim quanto pensei que ficaria, constatei ao olhar meu reflexo no vidro do armário de bebidas. Ela não mentiu quando disse que o bar estaria bem cheio, eu andei entre as mesas anotando os pedidos, servindo bebidas e ganhando gordas gorjetas. Eu estava carregando uma bandeja com alguns pedidos quando senti um puxão em meu braço que quase me fez derrubar tudo.

— O que você está fazendo aqui? — o tom de Oliver era reprovador, e sua expressão não estava diferente: seus lábios estavam apertados em uma linha fina de claro desgosto e o brilho escuro em seus olhos deixava claro que ele não estava nenhum pouco contente com o que via.

— Eu trabalho aqui. — eu respondi dando de ombros, eu teria dito mais se não tivesse sido interrompida por um “Ei coração, onde está aquele whisky que eu pedi?” vindo de um homem levemente embriagado na mesa ao lado.

— Conserte sua blusa e pegue suas coisas, eu vou te levar para casa agora. — Oliver sentenciou em um tom imperativo que não abria margens para discussão.

— Não. — bati o pé, eu vi que Oliver estava pronto para me arrastar pelo bar afora, só não o fez por que outra coisa lhe chamou a atenção.

— Meu docinho... e a minha bebida? — O homem da mesa tornou a dizer lançando um olhar significativo para mim.

— Ela não é seu docinho! — Oliver bradou tão furioso que fez o homem se encolher de medo em sua cadeira. E para ser honesta até eu mesma me assustei com a sua atitude irracional.

— Que merda você pensa que está fazendo? — chamei-lhe a atenção o puxando para o canto antes que ele fizesse uma cena, e só então seus olhos voltaram para mim. Ele ainda estava furioso, eu sabia disso por causa da sua respiração ofegante e da pequena veia que parecia pulsar em sua têmpora esquerda.

— Que merda você pensa está fazendo? — retrucou irritado.

— Temos algum problema aqui? — Nós fomos interrompidos por Helena que deduzi tinha sido atraída pela nossa nada discreta discussão. Ótimo, provavelmente Oliver me faria ser demitida no meu primeiro dia de trabalho!

— Helena, como você permitiu isso? — Oliver virou-se para ela, e me surpreendi ao perceber que eles já se conheciam. — Ela não pode trabalhar aqui é apenas uma criança. — Minhas bochechas arderam com o seu comentário.

— Vocês se conhecem? — os olhos de Helena iam de Oliver para mim.

— Ela está morando na minha casa. — Helena ergueu sugestivamente a sobrancelha — Não, definitivamente não é o que você está pensando. — Negou rapidamente.

— Se você não é um namorado ciumento e ela é maior de idade, Oliver, então ela pode trabalhar aqui se quiser. — Deu de ombros o ignorando.

— “Ela” está bem aqui. — falei aborrecida e atraindo a atenção dos dois, vê-los falarem sobre mim como se eu não estivesse ali ou não fosse capaz de opinar estava me irritando — E é capaz de fazer as próprias escolhas.

— Parece que o caso está encerrado. — Helena sorriu docemente para Oliver e pegou a bandeja de minhas mãos dando meia volta e nos deixando a sós. Fiz menção de sair, mas novamente fui impedida por sua mão em meu braço me restringindo. Inferno! Ele não desistia?

— Seu tio sabe disso? — Oliver inqueriu duramente.

— Ele está de acordo. — aquilo não era uma mentira completa, ele me disse para e não ficar em casa me escondendo e viver a minha vida, eu estava fazendo exatamente isso. Mais ou menos.

— Duvido muito. — revidou descrente — Eu vou conversar com ele.

— Vamos deixar algo bem claro Oliver: você não manda em mim. — explodi irritada com a ameaça velada de falar com Gordon, qual era o problema dele? Nós apenas dividíamos um apartamento, por que ele agia como se eu fosse sua propriedade? — Você tem duas opções nesse momento, pode sentar-se e pedir uma bebida como um cliente normal ou sair daqui fingindo que não me viu. O que vai ser?

Oliver me olhou crispando de raiva, em nenhum momento a postura rígida dele se alterou. Ele pareceu avaliar as suas opções e então após alguns minutos ele puxou uma cadeira e sentou-se sem nenhum momento desviar seu olhar do meu.

— Sirva-me. — disse-me com um sorriso desafiador.

Eu havia vencido aquela batalha, mas por que parecia que eu havia perdido?

Notas finais
Já podem riscar o Cooper da lista de suspeitos! ;) e acrescentar professor da Fel na lista de características do perseguidor. E aí o capítulo tá aprovado? Deixem seus comentários =D