Running Away

3 Capítulo 2 - A little time to hold yourself


Notas iniciais
Hey leitores! Como estão? Obrigada por deixarem seus comentários carinhosos no capítulo anterior! Me deixa muito feliz o quanto vocês tem apreciado essa história! Eu gostaria de pedir algo para vocês, sejam mais educados e gentis na hora de cobrar uma atualização, eu sei que as vezes demora, mas pense no escritor como alguém que tem uma vida também. É sempre muito bom receber um comentário ou uma mp de um leitor dizendo que aprecia a sua escrita e que esta ansioso para a continuação da história, mas é realmente desanimador quando um leitor exige a atualização de forma grosseira e ponto final, como se o escritor fosse obrigado a escrever porque ele quer naquele momento. Eu nunca exigi um comentário, recomendações ou um favorito de nenhum de vocês, nunca exigi nada e sempre tentei tratar bem os meus leitores. Então eu agradeceria se vocês me tratassem da mesma forma, tenham mais paciência e tentem se colocar no lugar do escritor. Comentários grosseiros apenas me desestimulam a escrever. Eu não posso atualizar as fanfics todos os dias, e a única outra forma que eu conheço de não fazê-los esperar é se eu parar de escrever. Espero que entendam. Boa leitura!

When it's black

Take a little time to hold yourself

Take a little time to feel around

Before it's gone

You won't let go

But you still keep on falling down

Remember how you saved me now

From all of my wrongs, yeah

And if there's love, just feel it

And if there's life, we'll see it

This is no time to be alone, alone, yeah

I won't let you go, oh, no

Say those words

Say those words like there's nothing else

Close your eyes and you might believe

That there is some way out, yeah

(I won't let you go — James Morrison)


Felicity Smoak

Quando tio Gordon me disse que eu ficaria sob os cuidados de um amigo seu, eu logo imaginei um homem de meia idade, careca, barrigudo. Possivelmente um policial aposentado ou um ex-membro do exército. Esse era o tipo de amigos que ele costumava ter. O que eu não esperava era o loiro de trinta e poucos anos, alto, corpo atlético, olhos azuis intensos e que estava parado a minha frente sem camisa me dando uma visão do seu abdômen perfeito. Inferno! O cara era a personificação da beleza esculpida em forma de gente.

Ele era bonito. Ok, bonito é eufemismo, ele era quase um deus grego. Mas tinha algo nele que me fazia vê-lo como um predador, talvez tenha sido a forma com a qual ele não se importou com a morena que obviamente tinha passado a noite em sua cama e no quanto ela estava irritada com a minha presença ali. Ou talvez tenha sido o jeito deliberado com o qual ele me analisou com volúpia sem esconder seu evidente interesse, seus olhos percorreram meu corpo passando por minhas pernas, subindo por meu tronco, pairando sem cerimônia sobre o decote da minha camiseta e por fim se fixando em meus lábios. Eu me senti quase despida sobre o seu olhar intenso, carregado de calor e desejo. Tenho certeza de que essa era a intenção dele, ele agia como um típico pegador: Passo 1) Identificar a presa, 2) demonstrar o interesse e 3) Ataque. Passo 1 e 2 tinham sido cumpridos com maestria, era melhor eu agir antes que ele colocasse o 3 em prática.

Eu normalmente me sentiria incomodada com esse tipo de atenção, principalmente quando tão descarada, depois de tudo o que eu passei ninguém poderia me culpar por esperar sempre desconfiar do olhar de um homem. Porém, havia algo nele que me aguçava, que fazia meu corpo se regozijar com o seu olhar de desejo, eu me sentia quente e impelida a ir até ele.

Foco Felicity! Me repreendi. Eu precisava me lembrar que não estava aqui para me distrair, eu estava aqui para me esconder, até que tudo se resolvesse e eu pudesse voltar para a minha antiga vida. Pelo menos para o que havia restado dela, para aquela parte que ele não havia destruído. Tentei voltar a me concentrar no que era importante, mas era difícil quando aqueles olhos se recusavam a me deixar.

— Então... Vai responder a minha pergunta ou ficar me encarando com essa cara de idiota? — falei cruzando os braços defensivamente, quando percebi que os olhos dele deixavam meu corpo e agora estavam sobre os meus. E seu olhar sobre o meu era ainda mais intimidador, parecia ser capaz de ler as minhas emoções e isso me desestruturou. Eu podia lidar com a forma faminta com a qual ele me olhava momentos atrás, mas eu não sabia o que fazer com aqueles olhos azuis que pareciam querer me conhecer. E eu não podia permitir isso, eu não queria que ele me conhecesse, que ele visse as minhas fraquezas e meus medos. Eu não poderia permitir que ninguém entrasse.

Minha reação defensiva pareceu confundi-lo, seus olhos deixaram os meus e ele assumiu uma postura ainda mais descontraída, como se o meu desconforto o divertisse.

— Depende... Você é uma visão e tanto! Não me incomodaria de ficar a observando por mais um tempo, é claro que se você se despisse as coisas seriam mais interessantes. — provocou se encostando ao batente da porta dando-me uma visão perfeita de seu peitoral definido e seus olhos se fixaram em meus lábios novamente. Abusado!

— É oficial, você é um idiota completo. — pronunciei impaciente, a essa hora já rezava para que ele não fosse o tal Oliver Queen, para que o taxista tivesse me deixado no endereço errado, talvez eu tivesse batido na porta errada... Eu teria conferido o número do apartamento, se aquele corpo perfeitamente esculpido e tentador não tivesse bloqueando a minha visão. Mas a minha ligeira esperança de estar no lugar errado se esvaiu quando ele pronunciou as palavras seguintes.

— Sabe, se Gordon tivesse me avisado que a sobrinha era tão irritante, eu teria passado a tarefa para outra pessoa. — meu rosto ardeu de raiva com o seu comentário, eu odiava aquilo. Odiava o fato de que ele havia se referido a mim como sua tarefa, uma obrigação, o dever de casa que ninguém quer fazer durante as férias de verão.

— Então o pesadelo é real! Você é Oliver Queen. — Inferno! São sete bilhões de pessoas no mundo e tio Gordon escolhe a mais babaca entre todas. — Quer saber? Eu não preciso disso! Eu posso ficar em um hotel... — falei perdendo a paciência, dando-lhe as costas e puxando minha mala em direção ao elevador.

— Não seja estúpida! — Não cheguei a dar nem dois passos quando escutei a repreensão e seu toque firme em meu braço me forçando a virar e encará-lo.

— Você pode fazer o favor de me soltar? — exigi num tom ríspido. Eu não me sentia confortável quando pessoas desconhecidas tocavam em mim, mas dessa vez eu não estava desconfortável, muito pelo contrário, minha pele queimava onde seus dedos estavam, era uma sensação de calor parecia espalhar-se por todas as minhas células. E essa reação tão incomum me assustou ainda mais.

— Qual é o problema com você? — seu semblante estava franzido ele não entendia a minha reação, seus olhos se prenderam nos meus e tentavam me ler novamente.

— Me desculpe, sou eu quem está agindo como um Neandertal? — contrapus, mantendo meu olhar firme no dele, mas dessa vez erguendo uma barreira entre nós tentando impedi-lo de ver muito além.

— Uau, nos conhecemos a menos de um minuto e você já está me julgando?

— Eu estou errada? Porque me lembro muito bem de te pedir para que me soltasse e sua mão ainda continua em meu braço. — repliquei não conseguindo conter o ligeiro desespero em minha voz que não passou despercebido por ele.

— Me desculpe. — pediu soltando meu braço de uma única vez, seu tom era baixo e seus olhos se suavizaram, e vi um brilho fugaz de compaixão passar por eles, ele parecia um pouco mais calmo como se tivesse compreendido algo. — Será que nós podemos parar de atirar farpas agora e sacudir as bandeiras brancas? Eu tenho certeza que meus vizinhos não devem estar satisfeitos com nossa pequena discussão no corredor.

— Certo. — respondi ainda relutante, sua mudança repentina de comportamento havia me pegado desprevenida. — Sabe, talvez seja melhor eu ficar em um hotel. — ofereci, mesmo sabendo que na minha atual situação um hotel era uma péssima ideia. Mas nesse momento ficar no mesmo apartamento que Oliver não me parecia uma boa ideia também, ele aflorava um lado diferente de mim.

— Felicity... — meu coração deu um salto ao ouvi-lo dizer meu nome de forma tão suave, onde estava o ogro de minutos atrás? — Conversaremos lá dentro. — seu tom era decisivo, não deixava margens para discussão eu poderia ter retrucado, porque eu simplesmente odiava quando as pessoas tentavam mandar em mim, porém e eu acabei assentindo, mas só porque já estava cansada demais de ficar em pé segurando as minhas malas.

O apartamento dele era mais organizado do que eu esperava para um homem. E espaçoso também, era bonito, mas a decoração deixava um pouco a desejar. Era tudo muito sem graça, preto e branco pareciam dominar o lugar, faltava certo calor, certa cor e personalidade. A sala e a cozinha eram integradas e havia um corredor o qual provavelmente levava aos quartos e banheiro. Havia imensas janelas na sala que permitiam que a luz do sol entrasse com facilidade, e também uma porta dupla de vidro que finalizava em uma pequena varanda.

— Me deixe pegar isso para você. — Oliver se adiantou até mim, retirando as malas das minhas mãos sem sequer me tocar, tentei não olhar para a forma como seus músculos se flexionavam enquanto ele abaixava e carregava minhas malas para dentro da sala.

— Você pode tentar bancar o cavalheiro agora, mas a primeira impressão é a que fica. — alfinetei.

— Você está certa. — disse, parecendo irritado e largando as malas no meio do caminho — Você pode usar as suas mãos e levá-las sozinhas já que é uma menina forte e independente. — aquilo era sarcasmo em seu tom de voz? Eu estava pronta para revidar, mas respirei fundo e pensei melhor. Talvez eu tenha pegado um pouquinho pesado, ele estava tentando ser gentil e eu estava sendo mesquinha.

— Me desculpe — falei por fim — Eu só estou um pouco estressada, foi uma longa viagem. — tentei amenizar, e Oliver suspirou enquanto caminhava pela casa e eu o segui até chegarmos a cozinha. Ele abriu a geladeira tirando de lá uma jarra de suco e despejando o seu conteúdo em dois copos, entregando o segundo a mim.

— Beba um pouco, você parece que vai desmaiar a qualquer momento.

— Não pareço! — neguei prontamente.

— Deus! Você gosta mesmo de discordar de mim, hein?! — falou divertido enquanto levava seu copo a boca e eu apenas brincava com o meu. Sorri, como quem concorda. Oliver tinha razão, eu o conhecia a menos de minutos e já sentia uma necessidade irracional de discordar dele a todo o momento. — Eu pensei que seu voo fosse chegar 8:00 horas. — comentou tentando iniciar um diálogo cordial.

— Sim, ele chegou às 8:00. — afirmei e o vi franzir o cenho e olhar para relógio na parede da cozinha que marcava 7:30. — Eu acho que tio Gordon esqueceu de levar em consideração as duas horas de diferença no fuso horário.

— Eu acho que foi isso. — deu um sorriso mínimo de quem se desculpa — Mas por que você simplesmente não me esperou no aeroporto? Jim disse que era impreterível que eu fosse te buscar, e andar sozinha numa cidade desconhecida não foi muito esperto, você poderia ter se perdido. — sua pergunta soava casual, mas era perceptível a curiosidade contida nela.

Eu não iria dividir com um estranho — por mais que tio Gordon tenha dito que ele era confiável — a verdadeira razão que me fez sair o mais rápido possível do Aeroporto. Parte de mim sabia que eu estava sendo paranoica, que a tensão da noite anterior ainda estava em mim, mas eu não conseguia me livrar da estranha sensação de estar sendo observada por todo o caminho. Eu não consegui dormir durante o voo, meu corpo se recusava a descansar e minha mente estava ocupada demais observando cada mínimo detalhe, gravando cada coisa que parecesse meramente suspeita. Então ficar num aeroporto, onde havia várias pessoas indo e vindo com uma rapidez absurda, não estava ajudando a me acalmar.

Então, sim eu fui estúpida quando peguei o primeiro táxi e indiquei o endereço que estava dentro do envelope que tio Gordon me deu ao motorista. Mas tudo o que eu queria naquele momento era me sentir segura e por mais irritante que Oliver pudesse ser, eu me sentia segura aqui com ele, talvez fosse por causa dos seus braços fortes e musculosos, ou o “V” perfeitamente esculpido que levava em direção ao... Oh, Inferno, para o bem da minha sanidade eu precisava que vestisse uma camisa urgentemente!

— Eu não gosto de esperar. — menti desviando o olhar de seu corpo desnudo. Talvez, só talvez sua visão estivesse me fazendo hiperventilar.

— Certo. — falou ao perceber que eu não era a pessoa mais aberta a conversa. — Deixe-me te dar o tour pelo apartamento e mostrar o seu quarto assim você poderá descansar — Mudou de assunto e eu o segui tomando o cuidado de deixar o copo de suco ainda intocado sobre a bancada.

Oliver caminhava me indicando onde ficava cada coisa, eu finalmente pude ir até a pequena varanda anexa a sala, estávamos no sétimo andar, alto o suficiente para termos uma ótima vista da cidade, mas não tão alto para que outros prédios não a bloqueassem. Fomos em direção ao corredor ele indicou que o banheiro ficava ao final dele. Oliver parou em frente à uma porta de madeira abrindo-a revelando um quarto grande com uma cama king size desarrumada, ele entrou e pegou uma blusa que estava ao chão e a vestiu. Me senti frustrada quando a minha visão ao seu torso desnudo foi bloqueada, mas pelo menos agora eu possuía uma pouco mais de controle.

— Esse é o meu quarto, a cama é ótima, quer testar? — seu rosto era sério e me olhava com expectativa.

— Você é sempre assim tão direto com as mulheres?

— Sempre. Está funcionando com você? — falou intensificando o olhar sobre o meu e imediatamente entendi por que ser direto sempre funcionava. Não tinha nada em Oliver que não fosse atraente, desde seus olhos azuis decididos, seu corpo musculoso ao rosto belo e sorriso sacana. A boca era perfeitamente beijável — se é que esse adjetivo existia. — E toda essa áurea cafajeste exercia certo charme. Enfim, tudo nele parecia um convite ao prazer. E sim, aquilo estava funcionando muito bem comigo. — Você precisava ver a sua cara. — falou mudando a expressão para um sorriso amplo — Felicity... Nós vamos conviver juntos por... — suas sobrancelhas se uniram ao notar que ele não sabia por quanto tempo eu ficaria — ... um bom tempo. Será mais simples se você ao menos tentar relaxar um pouco na minha presença, eu não mordo, ao menos é claro, que você peça.

— Seria mais simples se você não fizesse insinuações tão sem graças. — falei mal humorada, mas o sorriso em seus lábios me disse que para ele elas eram engraçadas.

— E esse é o quarto de hóspedes e agora seu quarto. — indicou abrindo a porta que ficava exatamente em frente à porta do quarto dele. O quarto era simples, uma cama de casal, armários, uma escrivaninha com um abajur. O ambiente inteiro era bem claro, mas tudo parecia bem confortável.

— Cortinas bonitas. — elogiei me aproximando da janela, respirei um pouco aliviada ao descobrir que ali havia uma escada de incêndio e que as janelas tinham um tipo de tranca reforçada. Virei-me para Oliver e encarei seu olhar atento sobre mim, analisando cada movimento meu, tentando me decifrar. Pensei que fossem resquícios daquela estranha atração que tivemos num primeiro momento, que Oliver não tirava os olhos de mim porque estava interessado. Me senti envaidecida por alguns instantes até que a ficha finalmente caiu, não sei porque demorei tanto para perceber, era tão óbvio. — Você é um policial. — constatei e suas sobrancelhas se uniram, tentando compreender como eu tinha chegado a essa conclusão.

— E você acha isso por quê? — perguntou-me achando minha dedução divertida.

— Todos vocês tem esse olhar observador, nunca perdem nenhum detalhe, analisam tudo desde o comportamento corporal a forma como a pessoa fala, você não dá muito valor as palavras, pois na sua área de trabalho está ciente que as pessoas mentem o tempo todo, mas nem por isso deixa de procurar o significado oculto contido nelas. Você está fazendo isso agora não está? Tentando descobrir o que eu estou escondendo. — falei e Oliver estava sério — E, além disso, o seu distintivo esta quase caindo do bolso da sua calça. — falei e ele pareceu um pouco mais aliviado.

— Você deveria ser policial também, ótimas observações. — elogiou.

— Não, eu prefiro ficar escondida atrás de uma mesa, deixando toda a ação e o drama para pessoas como você. — afirmei categoricamente.

— Isso não é verdade. — negou — Todo mundo ama um pouco de adrenalina.

— Só aqueles que precisam dela para satisfazer o próprio ego. – Provoquei.

— Você se esforça para ser chata ou é algo natural à sua personalidade irritante?

— Eu não sei. Você gosta de ser um babaca ou apenas é parte do pacote cretino irresistível? — retruquei irritada.

— Você me acha irresistível. — concluiu com um sorriso convencido e quis me chutar mentalmente por aquele deslize.

— Para quem gosta do estilo lindo, mas que não vale nada. — tentei desmerecer, mas o sorriso irritante permaneceu em seu rosto, então eu decidi ser honesta — Você é atraente, sabe disso e se aproveita das mulheres que se jogam aos seus pés. Você sequer precisa se esforçar para conquistá-las, para tê-las, agora mesmo você nem se deu ao trabalho de ir atrás da morena que saiu daqui irritada após me ver a sua porta. Ou você ficou excitado demais em me ver que se esqueceu dela, o que faz de você um sem vergonha desesperado por sexo fácil. Ou você não se importa o suficiente com os sentimentos dela, já que ela é apenas um passatempo para você, o que te faz um cretino. — expliquei aborrecida — E qualquer das duas opções não me agrada. Então não, Oliver, eu não gosto do seu tipo.

— Bela análise, deixe me tentar também. — voltou-se para mim — Você é a típica filhinha de papai que cresceu acreditando que o príncipe encantado existe, mas acabou quebrando a cara com o primeiro homem que teve. Pela sua reação retraída, posso dizer que não teve muita experiência sexual. Ou pelo menos elas não foram satisfatórias. — Minhas bochechas arderam de raiva com a insinuação quis desmenti-lo na hora, mas ele me impediu — Você criou essa imagem de como um homem perfeito deve ser, e agora se acha no direito de criticar todos os outros que não alcançam o seu patamar inalcançável de perfeição.

— Eu não busco perfeição. Eu apenas prefiro caras com conteúdo intelectual e o mínimo de senso moral. — justifiquei, embora a verdade fosse que eu não buscava por ninguém.

— Você quer um príncipe, assuma isso. — ainda sustentando o olhar que estava tão próximo ao meu. Me assustei ao perceber isso, quando havíamos rompido a distância entre nós?

— Você não me conhece. — murmurei.

— Você está certa, eu não a conheço. Mas ainda assim eu sei que um príncipe pode te trazer flores no seu aniversário e ser o genro perfeito para a sua mãe. Mas nada disso importa se ele não souber te tocar nos pontos mais excitantes — seu tom era rouco e parecia carregado de desejo, ele se aproximou ainda mais, nossos corpos a distância de poucos centímetros um do outro. Oliver curvou cabeça em direção à minha orelha não segurei o ofego quando a tocou levemente com a ponta da língua, enquanto sussurrava o restante da frase. —, se ele não te proporcionar o prazer que o seu corpo clama e te fizer gemer implorando por mais. E nisso docinho, eu sou perito. Apenas o fato da minha boca estar agora tão próxima a você já te deixa excitada, esta desejando saber como seria se eu a tocasse? Não está? Você me quer. — minha respiração me traia, porque por mais que eu tentasse esconder ele estava certo eu não conseguia controlar a reação do meu corpo a ele. Ele realmente era bom nisso, mas eu preferia ir no inferno do que assumir.

— Você está errado. — falei entredentes tentando mostrar alguma dignidade, eu me negava a lhe dar a satisfação de estar certo.

— Estou? — perguntou sabendo que eu mentia, se afastou e voltou a me olhar com um sorriso divertido nos lábios que quebrava um pouco da tensão entre nós — Que bom, então nossa convivência não será um problema já que você não me deseja e eu não pretendo tocar na garotinha do Gordon.

Bati a porta na sua cara babaca, o xinguei mentalmente. Oliver sem dúvida era um babaca de marca maior, mas eu não podia negar que ele estava parcialmente certo. Apenas ouvir a voz rouca dele em meu ouvido e o toque úmido de sua língua ali havia me deixado excitada. O que havia de diferente nele?

***

Oliver Queen

Felicity Smoak.

Ela estava nesse momento dormindo em meu apartamento e para meu desapontamento não era na minha cama.

Essa era a razão pela qual eu não conseguia me concentrar em nada desde que havia chegado ao trabalho, eu tinha alguns depoimentos para rever, relatórios para fazer, mas apenas ela tomava conta dos meus pensamentos. E não era porque eu a havia achado absurdamente sexy num primeiro momento. Ok. Não vou mentir, eu ainda estava com a imagem de seus lábios carnudos em minha mente, a forma como ela reagiu as minhas pequenas provocações ainda me atordoava, ela tentava fingir que eu não era atraente a ela, mas falhava miseravelmente.

Eu a queria, nua em minha cama, seu corpo pequeno embaixo do meu. Eu queria ouvi-la gemendo o meu nome enquanto eu explorava cada ponto sensível de prazer do seu corpo. Mas há limites que um homem não pode ultrapassar.

Gordon tinha sido categórico ao pedir que eu cuidasse dela. Eu devia minha vida a ele, não o decepcionaria. Eu sei que havia ultrapassado alguns limites. Sejamos honestos, foram muitos limites. Não deveria tê-la provocado da forma que fiz, mas em minha defesa ela havia começado e eu apenas segui dali. Quando eu voltasse eu tentaria restaurar a paz entre nós, precisaríamos disso para conviver sem nos matarmos ou acabarmos transando no sofá.

Voltei meus pensamentos para a outra razão de não conseguir tirá-la da minha mente: seus atos que me confundiam. Eu me sentia impelido a tentar descobrir a razão daquela postura esquiva e defensiva dela. Eu sei que Gordon não quis me dizer o que aconteceu a ela, e eu mesmo havia deduzido que provavelmente deveria ser nada mais do que rebeldia juvenil ou pais super protetores. Mas eu tinha essa ligeira impressão que estava enganado, que havia algo mais naquela história. Porque por mais que Felicity tentasse disfarçar seu olhar parecia me contar outra história, uma história triste e ela podia tentar esconder isso de todos à sua volta e se fazer de forte, mas havia algo diferente por detrás de seus olhos azuis cálidos, eu tinha essa sensação de que ela estava com medo.

Eu sou um policial, eu já interroguei vítimas o suficiente para reconhecer os padrões. A forma como ela parecia não gostar de ser tocada, a recusa expressa a bebida que eu lhe ofereci indicava sérios problemas de confiança. Ou ainda como o seu olhar percorreu a casa atenta a todas as janelas se fixando naquela em que havia a saída para incêndio. Localizando todos os pontos de fuga.

O que tinha acontecido a ela?

Talvez fosse testemunha de algum crime? Ou até mesmo participado?

Felicity Megan Smoak, joguei seu nome na rede interna da polícia de Gotham City esperando que seu arquivo me desse maiores informações. Mas todos os seus documentos estavam restritos. Alguém, que eu tinha certeza havia sido Gordon, tomou o cuidado de manter tudo o mais sigiloso possível. E quanto maior o segredo, maior o perigo. Me inquietei com esse pensamento.

Tudo o que consegui acessar foram algumas informações pessoais como o enderenço antigo, os dados da faculdade onde ela cursava psicologia. O curso estava trancando há mais de um ano, o que significava que possivelmente que, seja lá o que aconteceu a ela no passado, deve ter sido naquela época. Verifiquei uma foto dela e me surpreendi. Parecia uma garota completamente diferente. Cabelos castanhos longos que caiam em ondas suaves por sobre os ombros, óculos de grau que lhe davam um ar nerd adorável e um semblante feliz e despreocupado. Em nada parecia com a loira de cabelos curtos e olhar assustado à minha porta. Tentei acessar mais dados, mas tudo o que recebi foi uma irritante mensagem de acesso negado piscando na tela do meu computador.

— Mas que inferno, Gordon! — reclamei jogando uma caneta no monitor do computador, já estava irritado com aquela falta de respostas. Aquela parte de mim, a parte acostumada a investigar tudo estava frustrada. Como eu poderia protegê-la sem saber do que ao certo ou se sequer precisava de proteção? Aliás, era por isso que Gordon a tinha mandado para mim? Por que queria escondê-la?

— Hey, o que o computador fez a você? — escutei a voz de Sara logo atrás de mim — Ou não fez, já que pelo visto você não consegue acessar a base de dados da polícia de Gotham.

— Eu só estava pensando em algo. — desconversei.

— Isso é algo que não se vê todo dia, Oliver Queen pensando. — provocou sentando em minha mesa e olhando curiosamente para a tela do computador. — Felicity Megan Smoak. — pronunciou o nome vagarosamente — Isso é sobre a loira que apareceu em seu apartamento hoje? Ela deve ser bem quente para ocupar os seus pensamentos e ainda te fazer buscar por seus antecedentes.

— Como você sabe disso? — questionei girando a cadeira e a encarando.

— Bem... As fofocas correm soltas por aqui. — explicou não dando muito importância ao caso.

— Sara. — falei seu nome num tom que deixava claro que eu queria maiores informações

— Sua ex, Mackenna. — explicou e não resisti ao impulso de revirar os olhos — Primeiro me deixe parabenizá-lo por isso. Finalmente ela recebeu o pé na bunda que tanto merecia e em grande estilo, aliás. — piscou para mim sorrindo — Mas ela passou por aqui toda chorosa e desabafou com uma amiga, dizendo o quanto você a magoou e partiu o pobre coração dela. — dramatizou — Foi algo patético de se ver.

— Merda. — xinguei — Ninguém deveria saber dela.

— Por que você a está escondendo? Ela está grávida? Ela é algum amor do passado que voltou? Ela é um amor do passado que voltou grávida? — inspecionou com seus olhos curiosos.

— Não! — neguei prontamente todas as opções — Por que você pensaria nisso?

— Hey, não desconte em mim, eu não tenho culpa! — ergueu as mãos para o alto num sinal de rendição — Essas são as opções da aposta e é claro há a opção de que a garota seria apenas uma parente distante, mas pela forma como Mackenna descreveu que você a estava despindo com os olhos eu duvido muito que ela seja da sua família. Então, estou esperando, Oliver, quem é ela? Eu quero apostar na resposta correta.

— Uma aposta?

— Sim. Você sabe como o pessoal que trabalha no administrativo é desocupado. — justificou rapidamente — Então, quem é a garota? — falou piscando seus olhos tentando ser encantadora.

Sara sabia ser irritante quando queria e ela não desistiria de ter sua resposta. Eu normalmente não teria problemas em falar com ela, éramos parceiros e não tínhamos segredos um com o outro, mas essa era uma situação diferente.

— Ela é uma amiga. — expliquei e Sara gargalhou tão alto, que as pessoas na delegacia começaram a nos olhar com uma cara ruim.

— Você não tem “amigas”. — ergui uma sobrancelha com sua afirmação — Eu sou a única exceção aqui, mas só porque na maioria das vezes eu gosto do mesmo sabor que você, e também porque te conheço bem, se não você já teria tentado algo comigo!

— Ok, ela é sobrinha de um amigo. — expliquei vagamente — Ele pediu que cuidasse dela durante a estadia na cidade.

— E esse amigo confiou ela à você? — questionou com incredulidade — Deus! Ele não te conhece muito bem! Não sabe o que você pode fazer à pobre garotinha dele...

— Cale a boca, Sara. — respondi com mau humor, não por causa da sua provocação, ela estava certa, mas porque aquela afirmação me frustrava. Desde o primeiro momento em que eu vi Felicity eu a desejei, meu corpo nunca correspondeu tão imediatamente a alguém, se ela não fosse quem era eu certamente estaria movendo meio mundo para tê-la em minha cama essa noite. Mas para a minha frustração ela era território proibido.

Eu precisava encontrar alguém para me distrair, para tirá-la da minha mente e me dar alguma satisfação, assim eu não corria o risco de me excitar apenas com a ideia de Felicity deitada na cama, sozinha no meu apartamento.

***

Felicity Smoak

Eu nunca havia dormindo tanto em toda a minha vida, eu estava até mesmo um pouco grogue na hora que acordei, tanto que demorei para me lembrar que não estava mais em Gotham na casa do meu tio. Eu havia simplesmente apagado depois de fechar a porta na cara de Oliver, ele havia me irritado a tal ponto que todos os meus pensamentos sobre a última noite haviam desaparecido, algo pelo qual eu era agradecida já que eu sequer tive um dos meus usuais pesadelos e pude recuperar o sono perdido. Sentei-me e tateei a cama em busca do celular que tio Gordon havia me dado, suspirei ao ver as vinte e sete chamadas perdidas dele, eu havia me esquecido de ligar para avisar que eu havia chegado. Eu estava pronta para retornar a ligação quando o barulho do meu estômago me chamou atenção para uma necessidade mais urgente.

Há quanto tempo eu não comia?

Caminhei até a cozinha pensando em procurar algo para comer, e rezando para que Oliver não fosse um daqueles caras cujo a alimentação se limitava a cervejas e salgadinhos. Notei que havia um bilhete pregado à geladeira assim que ia abrir a porta “Fui ao trabalho, volto às 19:00. Coma algo.” Que irritante, até mesmo numa simples nota ele havia colocado um tom imperativo.

— Pois bem, Oliver Queen, eu vou comer, mas porque estou com fome e não porque você me mandou! — não consegui conter meu lado rebelde.

Retirei o queijo da geladeira e fui em direção aos armários a procura de pão. Olhei para o relógio fixado na parede da cozinha, percebendo que já passava das nove da noite, quando sai do meu quarto notei a porta do quarto dele aberta e não havia ninguém por lá. Oliver deve ter decidido esticar a noite com alguém, conclui incomodada. Espere, eu não estava incomodada. De modo algum, eu estava aliviada de que ele tenha tido a decência de não trazer alguém aqui. Seria muito constrangedor ficar escutado os gemidos de sexo quente e selvagem que viriam de seu quarto.

Ele devia ser bem quente na cama. Oh, Deus! Por que eu estou pensando nisso?

As luzes piscaram uma vez e prendi a respiração quando Oliver e sexo saíram da minha mente e meus pensamentos tomaram outra direção.

As luzes piscaram uma segunda vez, fazendo um tremor percorrer minha espinha.

Quando se apagaram pela terceira não voltaram a se ligar, e eu senti o sangue correndo ainda mais rápido em minhas veias, as batidas do meu coração se aceleraram. E rapidamente fui transportada a um outro momento da minha vida, há um ano atrás, antes de me mudar para Gotham. Eu tinha escapado dele pela primeira vez e estava na casa da minha mãe me recuperando. Pensei que estivesse segura lá. Mas como sempre ele me achou, ele veio até mim, numa noite escura assim como essa, ele cortou a energia da casa para que eu não percebesse a sua presença se esgueirando.

Mas eu percebi. Eu sempre percebia, meu corpo parecia ter desenvolvido uma espécie de sensor a ele, uma espécie de frio gelado que percorria a espinha seguido de um enjoo incontrolável. Tinha sido por pouco, eu sempre escapava dele por muito pouco.

Não, eu estava errada. Ele não poderia ter me encontrado assim tão rápido, com certeza tinha sido um apagão geral. Tentei me acalmar indo até uma janela, a cidade inteira estava iluminada. Parecia que apenas esse prédio estava sem luz.

Eu precisava sair daqui antes que ele chegasse, corri em direção do que eu achava ser a porta, mas não cheguei a abri-la pois senti uma pancada forte em minha testa e milésimos de segundos depois eu estava caindo na inconsciência.

Notas finais
Gostaram...? Não gostaram? Tá bom? Tá ruim? Enfim, deixem seus comentários me dizendo o que acharam =D Beijos e até o próximo!