Running Away
12 Capítulo 11- Start of Something Good
Notas iniciais
You never know when you're gonna meet someone
And your whole wide world, in a moment, comes undone
You're just walking around then suddenly
Everything that you thought that you knew about love is gone
You find out it's all been wrong
And all my scars don't seem to matter anymore
'Cause they led me here to you
I know that it's gonna take some time
I've got to admit that the thought has crossed my mind
That this might end up like it should
And I'm gonna say what I need to say
And hope to God that it don't scare you away
Don't want to be misunderstood
But I'm starting to believe that
This could be the start of something good
(Something Good — Daughtry)
Felicity Smoak
Eu não queria me levantar da cama.
Já fazia tanto tempo desde a última vez que eu ficara envolvida tão intimamente nos braços de alguém. Tanto tempo, que eu sequer conseguia me lembrar ou reconhecer aquela sensação de proximidade e calor, era parecido com conforto e algo mais, ainda indistinto para mim. Para ser justa, estar nos braços de Oliver parecia algo completamente diferente do que eu já tinha experimentado.
Os braços dele descansavam-se ao redor do meu corpo segurando-me pela cintura, unindo nossos corpos e mantendo-me junto a ele de forma protetiva. Seu abraço não era restritivo, não era sufocante. Seu abraço não era triste. Era quente e acolhedor, e fazia-me desejar nunca deixar o calor ameno dele.
Havia tanto tempo que eu não era abraçada daquele jeito, por um longo tempo tudo o que eu recebi foram abraços tristes, de consolo e de despedidas. Eu sequer notei o quanto estava carente de algo tão simples quanto um abraço que fosse nada menos do que carinhoso. O quanto eu estava carente de me deixar ser abraçada.
Aquela experiência havia me mudado, feito de mim uma pessoa mais distante e cautelosa. Tanto, que eu acabei recusando cada pequeno gesto, cada toque de pessoas que eu não conhecia, eu me tranquei num quarto escuro onde eu não deixava ninguém entrar. Simplesmente porque eu era incapaz de confiar em alguém.
Há muito tempo que o único abraço que eu sentia era o meu próprio, quando eu me encolhia num canto e me envolvia em meus braços após meus sonhos serem assombrados por minhas lembranças ruins. Eu me acostumei a ter somente a mim, porque eu sabia que quando ele viesse por mim mais uma vez, e eu tinha certeza que ele viria, eu seria a única a ter que lidar com cada parte quebrada e desfeita.
Mas era malditamente bom não ter somente a mim.
Era malditamente bom estar dentro do abraço de Oliver, e sentir algo diferente de um medo constante. De sentir aquela sensação boa que crescia em meu peito e traduzia-se em esperança de que momentos melhores viriam, momentos mais felizes. Momentos como este.
Sorri, erguendo o meu rosto que antes estava encostado na deliciosa curva do seu pescoço e apenas observei o semblante de Oliver. Ele era lindo, com uma beleza clássica e um charme meio cafajeste que por onde passava, eu tinha a certeza que incendiava a calcinha de todas as mulheres. Mas parecia haver algo diferente enquanto ele dormia, me permiti alguns minutos para assimilar a fisionomia tranquila, a respiração calma, o leve arquear em um dos lados seus lábios que se assimilava com um sorriso de satisfação. Havia uma leveza em Oliver, que eu nunca tinha percebido antes, eu estava acostumada a lidar com o seu lado autoritário, por vezes até mesmo rude e sexy, que acabei perdendo aquela doçura que ele tão cuidadosamente escondia.
Pensei em várias maneiras sensuais para acordá-lo. Beijos molhados e pequenas mordidas ao longo do seu pescoço, mãos deslizado por seu corpo e chegando até a região da virilha... Apesar da noite anterior, eu ainda sentia fome do corpo de Oliver, eu ainda desejava insanamente que pudéssemos passar o dia inteiro na cama testando todas as posições que ele disse que faríamos. Por um bom tempo sexo tinha sido algo que eu havia riscado da minha vida. Na verdade, relacionamentos com o sexo oposto em geral era algo que eu me esforçava para evitar. Ele havia quebrado algo dentro de mim, me tornara incapaz de confiar, ou aceitar o toque de alguém novamente sem me sentir amedrontada ou desconfiada.
O que havia de diferente em Oliver que não me fazia recuar, muito pelo contrário, me impelia para ele? Me fazia ansiar por seu toque? Me fazia sentir segurança em seus braços?
Eu sabia que eu me importava com Oliver, talvez até um pouco mais do que deveria. Eu não poderia...? Será que eu estava me apaixonando?
Oh, não. Neguei prontamente removendo aquele pensamento da minha mente, eu não podia me apaixonar, na verdade eu ainda duvidava se eu era capaz de fazê-lo. A imagem do meu ex-namorado Cooper morto ao meu lado, era algo que ainda me assombrava. Me permitir me apaixonar não seria nada inteligente.
Cheguei a conclusão que eu confiava em Oliver, porque ele era um policial e meu tio confiava nele. Provavelmente era daí que vinha a sensação de me sentir segura, era por isso que diferente de todos os outros homens, eu não corria de Oliver e sim para Oliver. E claro, havia aquela atração arrebatadora entre nós.
Eu deveria manter isso apenas no sexo. O que não deveria ser difícil considerando que Oliver era um mulherengo declarado que fugia de qualquer tipo de relacionamento mais profundo. A questão era se eu era forte o suficiente para não me deixar envolver, para trancar meu coração mantendo Oliver Queen o mais longe possível dele?
Será que eu já não estava mais envolvida do que gostaria de admitir?
Me desvencilhei de seus braços tomando o devido cuidado para não acordá-lo. Oliver resmungou ainda em seu sono, tentando manter suas mãos postas em minha cintura e meu corpo junto ao seu. Por fim, quando finalmente deixei a cama me recusei a dar uma segunda olhada no corpo tentador e completamente nu, que eu havia deixado lá. Bastava um olhar e eu sabia que me arrependeria e voltaria para o calor de seus braços, talvez até mesmo o acordasse e exigisse muito mais.
Eu tomei a decisão certa em fugir daquela cama. Eu não queria assustá-lo com a intensidade e confusão do que ele me fazia sentir e sendo ainda mais sincera, eu não queria me assustar ainda mais com aquilo.
Caminhei para o banheiro ao final do corredor. Eu iria tomar um banho relaxante, me permitir simplesmente não pensar em nada. Mas foi impossível, no instante em que a água quente correu sobre o meu corpo eu me lembrei com exatidão do calor das mãos de Oliver fazendo o seu percurso sensual por cada linha do meu corpo, lembrei-me de sua boca, quente e úmida beijando-me sensualmente, sugando minha pele. Seu corpo sobre o meu, movendo-se, arrancando suspiros e palavras desconexas levando-me a um nível de prazer que eu não sabia que era possível, e sua voz? Baixa e rouca dizendo o meu nome e fazendo cada pelo do meu corpo se arrepiar.
— Felicity... — senti meu corpo se arrepiar em resposta aquele chamado, abri meus olhos confusa, imaginando se minha mente tinha sido capaz de reproduzir tão fielmente o timbre de Oliver — É a primeira vez que uma garota foge da minha cama. — Sua voz ecoou pelo banheiro e então eu soube que não era a minha imaginação, virei-me encarando pelo vidro do box um Oliver usando nada mais do que uma cueca.
— Eu estou nua. — Falei tolamente, e Oliver sorriu enquanto olhava descaradamente para cada parte do meu corpo através do vidro embaçado.
— Eu notei, geralmente é assim que as pessoas tomam banhos. — devolveu de forma tão displicente, que mais se assemelhava a um flerte.
— Que tal um pouco de privacidade? — Pedi. Eu tinha decidido tomar um banho para colocar a minha cabeça em ordem, embora tudo o que eu tenha feito foi apenas relembrar dos momentos de ontem a noite. Ainda assim, ter Oliver seminu, enquanto apenas uma parede de vidro nos separava, não me ajudava nada em minha tentativa de racionalizar o que estávamos fazendo.
— Não há nada aí que eu não tenha visto. Ou tocado. Ou melhor ainda provado — seus olhos varreram meu corpo com luxúria, fazendo cada parte de mim se regozijar com sua atenção. Mas por fim ele se virou de costas atendendo o meu pedido. Tomei uma respiração profunda. — Está arrependida? — Havia algo em sua voz, receio com uma pontada de tristeza que me tocou. Eu estava arrependida? Me lembrei da noite anterior, de como cada toque de Oliver me proporcionara um prazer único.
— Podemos falar disso depois? — Pedi, e notei que aquela tinha sido a resposta errada a dar. Seu corpo inteiro se tencionou ao escutá-la, as mãos se fecharam em punhos e eu escutei algo parecido com um bufo de frustração.
— É claro. — Assentiu, sua voz soando irritada enquanto ele deixava o banheiro, batendo a porta com uma força inesperada.
Encostei-me contra o vidro do box enquanto deixava a água quente cair sobre o meu corpo. Eu precisava apenas de alguns minutos a sós antes de voltar a realidade e conversar com Oliver sobre a noite passada, ou ao menos tentar já que sua mera presença ali fizera meu corpo inteiro despertar e ansiar por atacá-lo como uma louca desesperada por mais daquele sexo quente e viciante que ele me oferecia. Saí do chuveiro e enrolei meu corpo úmido ao redor da toalha, dei um grito surpresa no instante em que deixei o banheiro.
— Oliver! — Ele estava ali, encostado de forma displicente no corredor parecendo pensativo. No instante em que falei seu nome, no entanto sua postura mudou, tornando-se mais firme e determinada enquanto seus olhos caíam em mim.
— Agora já é depois. — Informou, sua voz se esforçando para esconder algo que eu deduzi ser orgulho ferido. — Vamos falar sobre isso. Você está arrependida? — Insistiu, dando passos até mim, invadindo meu espaço pessoal até que eu me vi completamente presa, não apenas porque Oliver restringia meu espaço, mas porque seus olhos estavam fixos nos meus, me impedindo de fugir deles — Está Felicity?
— Não. — neguei após alguns minutos em que apenas nos encarávamos. Sua respiração saiu de uma única vez e seu semblante imediatamente se tornou mais leve, embora ainda houvesse uma ruga entre as sobrancelhas — Nem um pouco arrependida, o sexo foi... — Não conseguia encontrar as palavras para definir.
— ...Incrível? Extraordinário? Quente como o inferno e consideravelmente o melhor sexo que teve em toda a sua vida? — Sugeriu, me fazendo sorrir. Ele não fazia ideia do quanto estava certo.
— Sem dúvidas. — Respondi sinceramente, recebendo de Oliver um olhar de surpresa que logo foi substituído por um brilho malicioso aliado a um sorriso de canto que eu classificava como malditamente sedutor.
— Então porque fugiu? — perguntou, e finalmente entendi a razão daquele cenho franzido.
— Eu só queria tomar um banho. — Desconversei, desviando o olhar do seu.
— Poderia ter me esperado e eu tomaria banho com você. Tem ideia do quão sensual teria sido? — Sua voz era suave e baixa, seus lábios havia indo até meu ouvido onde ele continuou falando de um jeito sexy que fazia pequenos calafrios de prazer subirem por minha espinha. — Há tantas coisas que poderíamos ter feito debaixo daquele chuveiro. — Eu me desfiz diante de seu tom claramente devasso — Eu adoraria fodê-la contra o box, o vapor quente do chuveiro se grudaria em nossos corpos e seria muito fácil fazê-la escorregar pelo parede enquanto eu metia duro em você. Consegue imaginar como teria sido excelente? — finalizou, seu olhos sedutores fitando os meus fazendo-me engolir em seco.
— Eu acho que vou ficar te devendo essa. — falei com a respiração entrecortada, eu não conseguia esconder que sua ilustração de como ele gostaria de me foder havia me deixado tão excitada que eu estava cogitando arrastá-lo de volta para o chuveiro, e obrigá-lo a honrar com sua palavra.
— Eu vou cobrar isso. — garantiu, sua mão traçando a linha superior da toalha, fazendo-me desejar que ele me livrasse logo daquele tecido inútil — Com juros. — Acrescentou, seus dentes puxaram a pele da minha orelha.
— Oliver... — Gemi seu nome em resposta aquele ato.
— Inferno Felicity! Não gema meu nome desse jeito como se estivesse desesperada por mim, que eu fico duro imediatamente — Falou pressionando seu corpo contra o meu, fazendo-me sentir o quanto seu pênis estava pronto para a ação.
— Oliver... — Gemi novamente, mas em minha defesa tinha sido um ato involuntário.
— Você está brincando com fogo. — Advertiu, sua boca se aproximou da minha, sua língua apenas traçando sensualmente o contorno do meu lábio inferior.
— Eu quero me queimar. — Respondi, Oliver sorriu ao escutar aquilo e num movimento rápido despiu-me de minha toalha, deixando meu corpo nu e ainda um pouco úmido totalmente pressionado contra ele. Sua boca voltou a minha, faminta e desesperada. Sua língua não mais traçava gentilmente meus lábios em sua provocação sexy e lenta, agora ela estava dentro da minha boca enrolando-se na minha, provando meu sabor, sugando todo o meu ar. Eu simplesmente não conseguia parar de beijá-lo, de querer mais e mais de seu gosto mentolado, de seu hálito fresco misturando-se ao meu, beijar Oliver tinha se tornado uma necessidade básica, tanto que era um verdadeiro tormento vê-lo se afastar, meu corpo, minha mente, tudo em mim lutava contra aquela pequena distância que ele nos impunha.
— Diga-me, Felicity, qual parte da noite anterior especificamente você gostou mais? — Minha respiração ainda era irregular, era difícil focar em suas palavras quando meus lábios ainda latejavam como efeito daquele beijo passional. Fitei seus olhos, encontrando desejo ali, e um pouco de diversão. Oliver estava a fim de brincar comigo percebi, na verdade eu deduzia que aquela era uma pequena punição por tê-lo deixado sozinho na cama — Foi quando eu a despi? Quando finalmente seu corpo estava livre das barreiras das roupas e finalmente pode sentir o calor dele junto ao meu? — Não respondi, meu cérebro funcionava lentamente principalmente porque eu tinha as suas mãos grandes passeando lentamente por meu corpo enviando ondas de calor e um arrepio bom por cada parte de mim. Até que elas se colocaram espalmadas eu minha bunda apertando a carne com tanta vontade que não seria surpresa se as impressões de suas mãos ficassem marcadas ali. E então, elas me impulsionaram para cima, enrolei minhas pernas ao redor da cintura de Oliver, já que agora a única coisa que me impedia de cair ao chão era a pressão de seu corpo comprimindo-me contra a parede do corredor.
— Oliver... — Eu era uma vergonha, eu simplesmente não conseguia não gemer o seu nome a todo momento. Mas em minha defesa, essa posição fazia cada parte de mim sentir seu corpo, principalmente seu pênis completamente excitado, embora para a minha tristeza ainda estava coberto pelo tecido da cueca box.
— Ou foi quando eu tomei seus seios em meus lábios? — continuou sua provocação, sua língua trilhando um caminho perigoso da minha clavícula até que sua boca alcançou meu seio, sugando até que o bico estivesse molhado e túrgido. Senti seus dentes rasparem pela pele delicada e então prenderam o mamilo, arrancando de mim um grito de prazer enquanto minhas unhas agarraram em seus ombros largos, extravasando um pouco da dor — Você gosta disso, não gosta? — apenas mordi o lábio inferior, segurando a resposta — Responda a pergunta Felicity. — Exigiu, naquele tom autoritário que em situações normais me deixava irritada com ele, mas que agora, quando eu estava nua eu seus braços o único efeito que produzia era excitar-me ainda mais.
— Sim. — respondi simplesmente, vi um sorriso satisfatório tomar conta de seu rosto, seus olhos assumiram um brilho quase predatório. Seu rosto se escondeu na curva do meu pescoço raspando sua barba por fazer enquanto seus lábios se concentravam num ponto atrás da minha orelha, descobri que Oliver tinha um lugar favorito. Me permiti ser levada por todas aquela sensações, seus lábios em minha pele, seu corpo másculo comprimindo o meu, aquele desejo crescente de ter sexo com Oliver fazendo-me esquecer de cada pequeno motivo que minha mente poderia listar sobre o porque daquilo ser um grande e chamativo erro.
Os lábios de Oliver escorregaram buscando a minha boca e a tomando com propriedade. Seu beijo era exigente, dominador. Na verdade, tudo em Oliver era assim, possessivo. Quando seus lábios estavam nos meus, sua língua deslizava sobre a minha e suas mãos apertavam fortemente em minhas coxas, eu sentia o aviso nada sutil de seus atos: eu era dele, cada parte de mim.
Uma de suas mãos deixou a minha coxa percorrendo minha barriga, Oliver afastou seu corpo alguns centímetros dos meus, permitindo que ela seguisse um caminho perigoso indo mais para baixo, no meio das pernas. Ele arrancou de mim suspiros de prazer quando acariciou meu clitóris com o polegar, enquanto os outros dedos massageavam meu sexo fazendo-me rebolar contra aquele toque.
— E disso? Você gosta? — falou baixo contra meus lábios — O quanto gosta dos meus dedos lhe proporcionando prazer?
— Muito. — admiti de pronto, querendo que Oliver parasse de falar e apenas continuasse. Mas como se soubesse exatamente o que eu queria, e se negasse a me dar, suas mãos deixaram meu sexo, sua boca se afastou completamente da minha e ele apenas me observava com um sorriso sutil nos lábios — Você está me punindo?
— Como?
— Por tê-lo privado de sexo no chuveiro.
— Eu só quero deixá-la tão excitada a ponto de me implorar por sexo. — Mordi o lábio inferior, Oliver me conhecia bem o suficiente para saber que eu era teimosa o bastante para lhe negar algo assim. Mas considerando o meu atual estado de desespero era bem provável que ele conseguisse — E claro, puni-la por ter me negado sexo assim que eu acordei, e sexo no chuveiro, sobre a bancada da cozinha, no sofá da sala...
— Entendi seu ponto. — Falei rapidamente, tentando evitar que aquelas imagens entrassem em minha mente.
— Não acho que entendeu. — seu tom era travesso, sua mão voltou ao meu sexo, penetrando-me com dois dedos — Sempre tão molhada e pronta para mim. Me diga, como foi? Como você se sentiu ao me ter dentro de você batendo fundo, e...
— Humm... — eu não me sentia capaz de formular qualquer pensamento coerente, seus dedos estavam dentro de mim, e ele evocava imagens do melhor sexo da minha vida.
— Você se excita quando em falo sujo. — Constatou, mas a vergonhosa verdade era que eu me excitava com qualquer coisa que Oliver dissesse.
— Você venceu. — concedi, não aguentando mais a tortura, meu sexo doía em necessidade do seu — Por favor Oliver. — Pedi.
— Por favor o quê? — Ergueu uma das sobrancelhas, fazendo-se de desentendido.
— Me fode. — Seus olhos faiscaram em desejo ao ouvir aquilo.
— Seu desejo é uma ordem. — ele desceu sua cueca liberando o membro completamente excitado, colocou ambas as mãos em minha cintura e abaixou um pouco meu corpo em seu colo posicionando minha entrada em seu pênis. Um leve roçar foi o suficiente para me fazer perder o controle e tentar me abaixar um pouco mais forçando Oliver a me penetrar.
— Merda. — Oliver disse, fechando os olhos e forçando seu corpo a se afastar um pouco do meu.
— O quê foi agora Oliver? Vai me fazer implorar novamente? — choraminguei frustrada.
— Não. Eu... — fitei seus olhos, era claro que ardiam em desejo por mim, então porque ele hesitava? — Nós não usamos preservativos ontem à noite. Eu estava tão extasiado por finalmente estar dentro de você que agi como um moleque precipitado e me esqueci disso. E eu estava indo fazer a mesma coisa agora. — Falou sério. Ele estava muito preocupado com aquilo.
— Oh.
— Felicity, não é apenas “oh”, sabe o que sexo sem camisinha resulta? Filhos. — Prendi a respiração, e pressionei os lábios me impedindo de rir do semblante alarmado de Oliver ante aquela possibilidade.
— Não se preocupe Oliver. — falei tocando seu rosto suavemente — Você vai ser um excelente pai. — afirmei e vi seus olhos se arregalarem para mim.
— Felicity, eu...
— O controle de natalidade está em dia. — o interrompi, acabando com a brincadeira, por mais que eu gostasse de ter minha pequena vingança por ele ter me feito implorar por sexo, meu corpo tinha uma necessidade mais urgente e eu não queríamos que parássemos agora — Apenas me foda. — ordenei, vi um momento de hesitação enquanto Oliver absorvia as minhas palavras e então no instante seguinte estava gemendo audivelmente enquanto sentia a extensão do pênis de Oliver entrar fundo dentro de mim. — Oh, agora sim, me sinto muito melhor.
— Eu não poderia discordar. — falou, também em êxtase por estar tão enterrado dentro de mim — Mas não deveria ter brincado comigo sobre a questão de filhos, Felicity. — ralhou assim que abriu os olhos e me fitou.
— Podemos apenas esquecer isso e nos concentrar no momento? — pedi
— Você brincou comigo... — falou saindo lentamente de dentro de mim, meu corpo todo sentiu sua falta — Se aproveitou do meu desespero... — encostou apenas a cabeça do seu pênis ali, fazendo-me arfar querendo muito mais.
— Oliver... — Seu nome escapou de meus lábios, era incrível como o seu nome sempre escapava quando eu sentia prazer.
— Inferno! — praguejou — Não faz ideia do que ouvi-la gemer meu nome faz comigo!
— Oliver... — Repeti novamente, o provocando intencionalmente.
— Eu vou ser mau com você Felicity, por me provocar assim. — Avisou, e logo em seguida se afundou dentro de mim. A posição em que estávamos facilitava a penetração, fazia-me senti-lo ainda mais do que na noite anterior. Oliver começou a se mover num ritmo tão lento que chegava a ser um tormento, embora fosse igualmente prazeroso, nós havíamos ficado por muito tempo nas preliminares, e meu corpo estava desesperado por algum alívio.
— O que você quer Felicity? — Sussurrou sensualmente em meu ouvido.
— Mais fundo. — Pedi. — Mais rápido. Apenas preciso de mais de você.
E foi o que Oliver me deu.
Mais dele. Tudo dele. Cada parte de si. Sua boca se prendeu na minha, e não a deixou por nenhum momento, e nos beijamos de forma desesperadora, como se nossos lábios necessitassem um do outro, como se estivéssemos famintos e a única forma de aplacar a fome era nos lábios um do outro. E assim fizemos, nos devoramos.
Oliver começou a se mover com muito mais força e selvageria, atendendo ao meu pedido. Ele investia contra mim, seu pênis afundando completamente, fazendo meu corpo subir contra a parede. E quando ele se retirava, eu escorregava novamente para baixo, só para ser erguida novamente quando ele tornava a se enterrar fundo dentro em mim. Continuamos assim por um tempo, minhas costas ardiam um pouco ao deslizar pela parede, mas eu não me importava, o prazer de ter Oliver dentro de mim era maior, me fazia ignorar todo o resto. Sua mão se moveu entre nós, o polegar alcançando a região sensível, que Oliver sabia seria capaz de me deixar totalmente refém dele. Seu dedo acariciou a carne, e isso aliado ao ritmo insano de suas estocadas teve o poder de me desfazer. Eu gritei novamente enquanto sentia cada parte de mim se regozijar com aquele orgasmo intenso.
Deixei meu corpo exausto cair sobre o colo de Oliver. Minha cabeça tombando na curva de seu pescoço, respirando afobada enquanto meu corpo dava os últimos espasmos de um orgasmo magnifico, Oliver continuou acabando comigo enquanto se movimentava em busca do próprio prazer, suas estocadas continuaram firmes e desesperadas, até que ele grunhiu, seu corpo se tencionou e ele me apertou ainda mais contra a parede. Ficamos assim por um logo tempo, ainda unidos, não falamos nada ambos envoltos naquela áurea de sexo e prazer luxurioso, até que Oliver caminhou comigo em seu colo levando-me de volta para o seu quarto e deitou-me sobre a sua cama, deixei meu corpo aos poucos relaxar.
Após alguns minutos, quando minha respiração e meu ritmo cardíaco haviam se normalizado, virei-me de lado observando seu corpo nu, seria um tormento conviver com Oliver e não deixar minha mente despi-lo a todo o momento. Como eu poderia sequer sair dessa cama, se bastava olhá-lo e minha mente começava a ter pensamentos impuros? Nesse momento, eu imaginava como seria montá-lo.
Eu não me lembrava de ser insaciável com sexo desse jeito.
Eu culpo Oliver por isso.
Ele havia despertado essa parte de mim, e me tornado uma tarada por sexo.
— O que está pensando? — inspecionou provavelmente curioso com o olhar faminto que eu lhe lançava. Ele puxou meu corpo para o seu, colocando suas mãos ao redor de minha cintura, fazendo-me aconchegar em seu peito. Eu ainda me surpreendia com isso em Oliver, novamente havíamos acabado de transar contra uma parede, tinha sido sexo unicamente passional e quase selvagem, mas ainda assim ele era capaz de agir de forma doce logo depois.
Deslizei meus dedos em seu peitoral enquanto ignorava deliberadamente sua pergunta. Era tão bom estar nos braços de Oliver, sentir o calor que emanava de sua pele, e aquele de cheiro de sexo cru e intenso que agora estava em nós dois.
— Eu quero mais. — me vi respondendo sem qualquer inibição, enquanto erguia meu rosto para o seu, um sorriso safado surgiu em seu rosto ao ouvir o que eu havia dito.
— Então pegue o que quer, Felicity. — Falou, e eu imediatamente me coloquei sentada sobre ele, inclinei meu corpo ansiosa por me perder em seu beijo e pronta para usar mais daquela droga viciante que era sexo com Oliver Queen.
***
— O que estamos fazendo? — verbalizei a pergunta que não saía da minha mente, contra os lábios de Oliver. Estávamos apenas nos beijando preguiçosamente agora, a última rodada de sexo havia drenado completamente as nossas energias.
— Eu acredito que o nome disso é sexo. — Respondeu displicente, espalhando pequenos beijos em meu pescoço — Do tipo de alta qualidade. — acrescentou, enquanto deslizava suas mãos por meu corpo, fazendo-me suspirar. — Você disse que não estava arrependida. — lembrou interpretando erroneamente o meu suspiro. Senti seus olhos em meu rosto me inspecionando, buscando por qualquer indício de dúvida em meu olhar.
— Eu não estou. — Garanti.
— Mas ainda tem pensado muito nisso. — Ele estava certo, eu estava pensando, eu estava analisando. Volta e meia, a minha parte racional tentava me dizer que eu não deveria estar fazendo aquilo, que era um erro me envolver com Oliver. Mas aí suas mãos estavam em meu corpo, sua boca na minha e eu me esquecia de tudo — Precisa parar de racionalizar e apenas aproveitar essa química absurda que temos. Como algo tão bom pode ser ruim? É sexo Felicity, não precisa complicar apenas aproveitar e ver até onde isso nos leva — Ele disse tudo isso enquanto deslizava sua mão lentamente sobre a minha coxa, seu pequeno movimento gerando calor, e me provando o seu ponto.
— Eu vou para o inferno por sua culpa. — acusei sorrindo.
— Não se preocupe, eu vou estar lá com você e poderemos cometer o pecado da luxúria várias vezes... — Buscou meus lábios, roçando-os levemente, deixando-o sua língua prová-lo, eu sabia que era assim que Oliver começava a sua provocante sedução, se continuássemos desse jeito, era provável que nunca mais deixássemos a sua cama.
— Estou com fome. — falei enquanto espalmava minhas mãos em seu peitoral, tentando me afastar um pouco, evitando que as coisas evoluíssem.
— Eu também. — disse puxando a parte inferior do meu corpo para si, mostrando-me o tipo de fome que sentia.
— Fome de comida, Oliver! — Repreendi. — Eu preciso de energia se quero acompanhar seu ritmo. — Expliquei.
— Meu ritmo? — Questionou erguendo uma das sobrancelhas e adotando um ar falsamente ofendido. — Se eu estou me lembrando bem, foi você quem usou e abusou do meu corpo nu da última vez. Você fez todo o trabalho, eu fui apenas seu objeto sexual Felicity...
— Você não estava exatamente reclamando... — soquei seu peitoral fazendo-o rir. Oliver aproveitou da minha guarda baixa para tomar meus lábios com os seus, em um beijo perigoso. Suspirei contra seus lábios, se eu me permitisse me perder em seu beijo novamente, eu não saberia dizer se conseguiria sair dessa cama um dia.
Girei meu corpo sobre o de Oliver, ficando por cima. Senti um sorriso em seus lábios enquanto ele me beijava, ele gostava muito de me ter por cima eu havia percebido isso na última vez. Quase me senti culpada pelo que faria a seguir. Sentei-me sobre ele, me afastando de seus lábios e no instante que Oliver parou para me observar, eu saí de cima rapidamente. Peguei uma blusa dele que estava jogada ao chão, juntamente com minha calcinha e as vesti.
— Trapaceira! — Oliver acusou enquanto eu deixava o quarto, lancei-lhe um sorriso por cima do ombro e me surpreendi ao vê-lo sentado na cama, com um reluzente sorriso estampado no rosto.
***
Olhei o relógio que ficava na parede da cozinha, já passava das quatro horas da tarde. Sexo com Oliver havia me distraído de tal forma que eu havia me esquecido completamente de comer. Mas agora que estava na cozinha, tudo o que meu estômago fazia era roncar desesperadamente. Procurei por algo rápido e fácil na geladeira, e decidi por uma lasanha de micro-ondas. Eu preferiria algo mais caseiro, mas eu não era a melhor cozinheira do mundo e estava com pressa.
Estranhei que Oliver não tivesse aparecido ainda na cozinha, embora eu estivesse um pouco agradecida. Sua presença me confundia, despertava coisas em mim que eu nem sempre estava disposta a enfrentar.
Era bom, era muito bom. E por enquanto eu estava satisfeita em fazer das palavras de Oliver as minhas. Como algo tão bom poderia ser ruim? Eu iria seguir seu conselho e apenas aproveitar isso, sem preocupações, sem julgamentos. Me concentrar no que era bom, para variar um pouco. Esse pensamento me fez sorrir, como há muito não sorria. Me concentrar em coisas boas era algo incomum para mim, mas era uma mudança bem-vinda. Sentei-me sobre a bancada enquanto esperava pelo almoço, peguei meu celular onde encontrei uma mensagem de Selina, piscando na tela:
Selina Kyle: Como está o seu dia? Eu já estou indo para Gotham, mas quero todas as informações! Se me lembro bem você voltou para casa acompanhada ontem, tem algo mais a me dizer?
Eu estava contente por ter com quem conversar sobre Oliver. Helena seria inconveniente demais, e eu deduzia que um pouco irritante também se eu lhe contasse algo. Já Selina era muito mais racional, e durante o tempo em que vivi em Gotham, ela foi o mais próximo de uma amiga que eu tive.
Felicity Smoak: O dia está ótimo! Isso talvez tenha um pouco a ver com o fato de eu não ter dormido sozinha...
Enviei a mensagem, e poucos segundos depois escutei o bipe que anunciava a chegada de uma nova mensagem. Eu a teria lido, se naquele momento Oliver não entrasse na cozinha, devidamente vestido para o bem da minha sanidade, embora seus cabelos molhados me dissessem que esse não era o caso a pouco tempo.
— Parece que alguém tomou um banho sem mim... — Provoquei. Era estranho, pouco tempo com Oliver e eu já me sentia desinibida.
— Banho gelado. — informou enquanto se aproximava, fazendo-me sorrir. — Mas não se preocupe, eu ainda não me esqueci da sua dívida comigo, vou cobrá-la na hora certa. — Ele parou a minha frente, suas mãos se apoiando displicentes em minhas coxas enquanto ele deixava um beijo suave em meus lábios. Aquilo era novo. A suavidade do beijo, o jeito carinhoso, a leveza do toque. Eu continuava a me surpreender com esse lado dele.
— Eu gosto de você aqui, sentada nessa bancada, aberta para mim. — E pronto, ali estava o Oliver safado que eu conhecia tão bem.
— Podemos ter uma conversa menos sexual? — Revidei, o fazendo sorrir de canto.
— Sim, mas não será tão divertida, e eu terei que ficar um pouco afastado para me controlar — passou uma das mãos por seus cabelos e para a minha completa surpresa, deu um passo para trás se afastando um pouco de mim, embora suas mãos tenham permanecido em minhas coxas, seus dedos desenhando pequenos círculos sobre a pele, seu calor me distraindo — Então qual o tópico da conversa?
— Hum... Você não está atrasado para o trabalho? — Questionei, Oliver normalmente saía antes de mim para o trabalho, isso quando não recebia ligações para checar algo na delegacia.
— Estou suspenso. — deu de ombros — Próxima pergunta.
— Espere... Suspenso por quê?
— Primeiro porque meu chefe achou que eu precisava ficar fora do caso do Conde Vertigo, eu discordei e ainda assim o prendi.
— Mas você fez algo bom, porque ainda está suspenso?
— Digamos que Sara teve a brilhante ideia de pegar o carro da polícia “emprestado” ontem a noite, quando não estávamos autorizados. Capitão Lance não ficou muito contente com o nosso desrespeito pelas normas. — explicou — E você? Não está atrasada para seu trabalho no bar? — Tentei ignorar o tom hostil dele, Oliver ainda não gostava do meu emprego.
— Helena perdeu o bar e consequentemente eu não tenho mais o meu emprego. — Oliver sorriu abertamente quando escutou aquela informação.
— Você podia ao menos disfarçar a felicidade. — Apontei.
— Não posso. — neguei — Nós dois estamos livres essa noite, e eu tenho planos... Muitos deles. O primeiro envolve essa bancada... — Ele se aproximou se colocando no meio de minhas pernas, sua boca indo para o que eu achava ser seu lugar preferido, logo atrás da minha orelha esquerda. Suas mãos subiram por minhas coxas, e logo se fixaram no elástico da calcinha, deslizando-a por minhas pernas. Oliver estava com pressa.
— Meu celular... — Resmunguei, ao escutar o aparelho tocar.
— Deixe-o tocar. — Oliver sugeriu, abaixando-se a minha frente, tocando o meio de minhas pernas com seus dedos e me dando um motivo muito bom para fazer o que ele dizia.
— Pode ser importante. — falei, observando o número desconhecido piscar na tela.
— Eu não vou parar Felicity. — Senti o sopro de sua respiração quente bater contra a minha intimidade e estremeci, agora era tarde, eu já tinha apertado o maldito botão.
— Alô? — Atendi com a voz afobada, Oliver não estava me ajudando.
— Ei Felicity, é Helena, eu sei que ontem disse que você estava demitida, mas algumas coisas mudaram. — informou vagamente— Tem como vir ao bar hoje?
— C-claro. — gaguejei, mordendo o lábio inferior me impedindo de gemer quando a língua de Oliver tocou em um lugar muito sensível.
— Está tudo bem? Sua voz parece distante...
— Humm. — Não consegui segurar o gemido abafado, porém ainda assim audível — Está tudo bem, maravilhoso na verdade. Incrível. Melhor impossível. — minha voz subiu alguns oitavos ao sentir os dedos de Oliver, trabalhando em mim. Olhei para baixo, e vi um sorriso divertido brincando em seu rosto — Helena? Eu preciso desligar — avisei desligando logo em seguida, puxei Oliver para cima, colando meus lábios nos sues.
Era impossível resistir a ele.
***
Oliver não gostou nenhum pouco do fato de eu ter que ir trabalhar no bar. Mas ele resolveu isso da forma mais machista possível. Ele simplesmente declarou que iria comigo. Eu tentei dissuadi-lo disso, não que sua presença lá me incomodasse, de modo algum, era eu que não estava pronta para ver Helena analisando Oliver e a mim. Ontem, bastou olhar em meu rosto e ela soube que algo havia acontecido entre nós. Eu teria muito o que aguentar dela se ela soubesse que fizemos sexo, muito sexo, do tipo de sexo terrivelmente bom.
— Você vai entrar no bar ou ficar apenas olhando a fachada? — Oliver perguntou, ao me ver ali parada a porta, sem coragem para entrar.
— Antes eu preciso que me prometa algo. — Virei para ele que olhou para mim desconfiado, mas assentiu.
— Ok.
— Não diga a Helena que transamos. — Pedi, e o vi franzindo o cenho.
— E porque eu diria isso a ela? — Devolveu.
— Apenas não dê trela a ela, manteremos isso... essa.... hum... — não achei uma definição certa — ...nós dois em sigilo. Pode ser? — Esperei apreensiva por sua resposta, Oliver se aproximou de mim, aquela tensão boa que sempre me percorria meu corpo quando ele estava próximo demais, voltou.
— Vai fazer de mim seu segredinho sujo? — sussurrou sensualmente em meu ouvido — Eu deveria me sentir ofendido, mas para a sua sorte eu gosto da ideia de que escondido é sempre mais emocionante. — Se afastou de mim e seguiu para dentro do bar, não sem antes piscar para mim e lançar-me seu melhor sorriso sedutor.
Meneei a cabeça tentando me livrar das imagens que aquele sorriso evocava. Respirei fundo e entrei no bar. Lancei um olhar de soslaio para Oliver, que já havia se sentado em uma mesa ao canto, eu sentia seu olhar queimando sobre mim enquanto eu caminhava em direção ao balcão.
— Hey, Felicity! — A voz masculina aliada ao homem que simplesmente apareceu do nada de trás do balcão, me assustou.
— Tommy! Você não deveria estar aí. — alertei, Helena ficaria uma fera assim que visse o moreno ali ainda mais com uma garrafa de o whisky nas mãos. Ela já não admitia que clientes em geral passassem para a parte de dentro do balcão, o que diria se visse justo Tommy, o cliente que ela parecia evitar a todo custo?
— Ele é meu sócio, agora — Helena disse relutante, saindo da porta que dava ao estoque — Thommas comprou o bar no leilão essa manhã. — Explicou.
— Eu prefiro o termo parceiro. — Tommy virou-se para ela com um sorriso imenso em seus lábios.
— Parceiro nos negócios, então. — Helena revirou os olhos para ele, ignorando intencionalmente seu sorriso adorável.
— E em outras coisas espero... — Falou mais descarado dessa vez.
— Vai sonhando Merlyn. — ela respondeu, não contendo a irritação. Aquilo era algo interessante de se ver, Helena geralmente tendia a fazer piada com tudo, e era difícil tirá-la do sério. Mas Thommas Merlyn parecia ter doutorado nisso.
— Eu sonho, você não faz ideia do quanto. — Sua voz soou sonhadora, como se ele realmente estivesse se lembrando de algum sonho muito bom e até mesmo um pouco pervertido naquele momento. — Aí. — Ele reclamou de dor, no momento em que Helena bateu em seu peito com um caderno grosso e de capa dura. — Sabe que eu gosto quando você banca a agressiva, não sabe? É extremamente sexy. — Sorriu malicioso, percebi que dessa vez Helena demorou um pouco mais para se recuperar, parecendo realmente abalada por um momento.
— Aqui está a contabilidade dos últimos seis meses. — Falou mais controlada, evitado olhar para Tommy. — Eu sugiro que você a analise, já que seremos sócios...
— Parceiros... — a corrigiu.
— Parceiros de negócios, — enfatizou — você precisa estar ciente de tudo o que acontece aqui.
— Peça-me o que você quiser, querida, que eu faço com prazer... — Disse, pegou o caderno em suas mãos, piscou para Helena antes de se afastar e puxar um banquinho enquanto parecia levar a sério a tarefa que ela havia lhe dado.
— Então... Você quer falar sobre o que acabou de acontecer?
— Não. — Negou de pronto.
— Não fuja Helena, eu sei que há algo aí! Custa me contar um pouquinho dessa história entre você e Tommy? — Quase implorei, eu estava num nível alto de curiosidade sobre isso.
— Você quer conversar sobre você e o Queen, que não tirou os olhos de cima de você por nem mesmo um segundo que fosse? — parei. — Ele poderia estar em qualquer lugar, mas ele está justo aqui... — estreitou os olhos para mim — Quer que eu fale o que eu acho que mudou entre vocês? Eu diria que tem algo a ver com as muitas marcas em seu pescoço — Merda, Helena era ótima nessa coisa de inverter o foco da conversa.
— Não sei do que está falando. — Desconversei, mas me entreguei quando puxei meus cabelos para frente dos ombros.
— S-E-X-O — soletrou a palavra, com um sorriso vitorioso — Pelo seu ar de satisfação eu diria que foi muito bom, e regado a muitos orgasmos. — Provocou.
— Ok. Eu vou ali atender os clientes. — Saí de mansinho antes que Helena visse, pela cor em minhas bochechas o quanto ela estava certa.
O movimento no bar não estava muito grande quando eu cheguei, mas isso mudou drasticamente. Era dia de jogo, logo o bar se viu cheio dos mais variados tipos de torcedores. Mas havia uma constante, todos eles bebiam muita cerveja e gritavam alto. Roy não estava ali para me ajudar, e eu tive que me desdobrar para atender todas as mesas. Eu sentia o olhar de Oliver sobre mim a todo o momento, seguindo os meus passos, ele continuava em seu canto apenas me observando parecendo bem irritado com algo. As vezes eu lançava meu olhar a ele, que sorria para mim, um sorriso cheio de promessas pecaminosas.
Me vi desejando que essa noite acabasse logo e que pudéssemos ir para casa. Queria desvendar o que seu sorriso tanto me prometia.
***
Oliver Queen
Como eu odiava o emprego dela.
O bar de Helena sempre foi um bar decente, diferente de muitos outros. Mas eu odiava ter que ver Felicity andando por entre as mesas, enquanto homens analisavam descaradamente o seu traseiro. Porra! Aquele traseiro era meu! Só eu podia olhar e tocar, não gostava da ideia de alguém mais desejando aquele traseiro para si. E havia as cantadas, algumas discretas e outras mais descaradas. Já era difícil suportar isso quando eu apenas desejava Felicity, imagine agora que eu a havia tido em minha cama? Que tinha provado de seu gosto doce? Era uma verdadeira merda assistir aquilo.
O homem das cavernas dentro de mim rugia apenas em vê-la sorrir ainda que educadamente aos outros. Eu queria levantar-me e ir até ela, beijá-la na frente de todos ali deixando claro a quem ela pertencia. Merda. Porque eu havia concordando em ser seu maldito segredinho sujo?
Observei o momento em que ela foi atender uma mesa próxima a mim, seus dentes se afundaram sob o lábio inferior quando me olhou por menos de um segundo. E eu soube que ela estava pensando em mim, relembrando nossos momentos, deixei isso inflar meu ego por alguns instantes até que a conversa da mesa que ela havia acabado de atender chegou aos meus ouvidos.
— Essa garota é uma delícia. — um deles comentou, até mesmo inclinando a cabeça para analisá-la melhor. Me remexi na cadeira, sentindo-me incomodado, fechei as mãos em punho tentando conter a raiva que crescia.
— Já viu aqueles lábios carnudos? Como eu queria senti-los ao redor do meu pau, parecem que foram feitos para isso. — O segundo homem foi mais direto, me coloquei de pé, crispando de raiva — O que acha, esperamos o turno dela acabar e a abordamos? Oferecemos uma carona e a levamos a minha casa, são dois contra uma ela não terá a menor chance... — começou a falar num tom malicioso, eu não escutei o resto de seus planos, porque no instante seguinte meu punho ia de encontro ao seu rosto presunçoso.
— Você não vai tocar nela! — Rosnei, voltando a socá-lo novamente. Nessa hora um tumulto já havia se formado a nossa volta, as pessoas exclamavam xingamentos e incentivos, mas eu estava focado demais em bater no idiota.
— Faça alguma coisa Tommy! — Escutei a voz de Helena, eu sabia que ela ficaria puta comigo, por fazer isso no bar dela. Mas eu não poderia deixar aquele cara sair impune.
— Porque eu? Finalmente algo de divertido está acontecendo no bar. — A voz divertida vinha de Tommy, que parecia estar bem próximo a mim.
— Qual é o seu problema? — O projeto de homem que eu havia socado cuspiu o sangue no chão. O puxei pela gola trazendo o seu corpo para perto do meu.
— Eu escutei você, os seus planos para a garota e eu não vou deixar você encostar em um fio de cabelo dela seu filho da puta! — Dei um ultimato, e ele riu seus dentes sujos de sangue — Eu sou da polícia, e eu não vou esquecer esse seu rosto. Na verdade eu vou checar o seu nome, e tenho a ligeira impressão que posso achar algum processo contra você...
Ele parecia bem menos sorridente agora. Eu o soltei deixando-o cair ao chão, quando vi o olhar de Felicity em mim, o homem aproveitou o meu lapso e fugiu o mais rápido que conseguiu, aos poucos a multidão ao meu redor, ao perceber que o espetáculo havia acabado, começou a se dispersar.
— O que deu em você! — A reprimenda veio de Helena, que como eu desconfiava estava puta comigo.
— Eu não vou me desculpar, aquele cara era sujo, e mereceu. — Ela me olhou esperando por uma explicação melhor — Eu o ouvi dizendo algumas coisas, coisas ruins que ele planejava fazer com Felicity quando ela saísse daqui. — Expliquei olhando para Felicity. Helena suspirou alto, e balançou a cabeça.
— Eu entendo o seu ponto Oliver, mas eu não posso ter um policial raivoso aqui dentro. É ruim para os negócios. — informou.
— Está me expulsando do bar? — Falei descrente.
— Com toda a certeza. — respondeu, sem se intimidar. — Felicity, se despeça do seu namorado e depois arrume a bagunça que ele fez. E você Thommas Merlyn, — Seus olhos se desviaram acusadoramente para o homem atrás de mim que apenas observava tudo com genuíno interesse — eu vou ter uma conversa muito séria com o senhor!
— Eu estou ansioso! — Disse Tommy que seguiu sorridente uma Helena irritada.
— Oliver... — Felicity disse meu nome de forma cuidadosa, enquanto se aproximava de mim. Havia algo em seus olhos que eu não identifiquei, temi que pudesse ser decepção ou até mesmo medo.
— Me desculpe por isso. — Me apressei em dizer, antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa.
— Eu pensei que você tinha dito que não iria se desculpar. — ela me lembrou, fiquei aliviado em perceber o pequeno ar divertido em sua voz, ela não estava irritada comigo.
— Eu não vou me desculpar pelos meus atos. Não com Helena, certamente não com o babaca que teve o que mereceu — seus olhos estavam em mim, absorvendo atentamente cada palavra que eu dizia — Mas eu me desculparei com você. Porque você não precisava ter visto isso.
— Tudo bem, — Deu de ombros — eu acho que toda garota já teve o sonho de ver um homem defendendo a sua honra. — Brincou, deixando um belo sorriso escapar de seus lábios. Sorri com ela.
Foda-se a merda da ideia de ser seu segredinho sujo.
Eu queria que todo mundo ali soubesse que ela era minha. Assim ninguém se atreveria a tocá-la, ou sequer pensar nela.
Enlacei Felicity pela cintura puxando o seu corpo pequeno para o meu, e pegando-a completamente de surpresa. Reivindiquei a sua boca como minha, e a beijei intensamente fazendo uma verdadeira exibição.
***
Encostei o corpo na parede ao lado de fora do bar. Helena poderia ter me colocado para fora, mas eu ainda ficaria próximo. Vai que o idiota de antes resolvesse voltar e tentar algo? De qualquer forma era bom ficar um pouco longe de Felicity. Não era normal a facilidade com a qual eu era envolvido por ela.
Noite passada eu havia dito a ela que descobriríamos juntos o que estávamos vivendo, mas minha mente era uma verdadeira bagunça quando o assunto era ela. A única coisa que eu tinha certeza era de que eu queria Felicity. Eu não conseguia distinguir aquela necessidade que parecia ultrapassar o desejo carnal, eu gostava da companhia dela, do som da sua risada embora fosse algo raro de ouvir, ou simplesmente de vê-la sorrindo para mim. Felicity não era como tantas outras que eu já tive em minha cama. E eu não sabia que merda isso significava.
Eu me importava com ela.
Tinha sido isso que eu havia dito. Mas porque parecia ir muito mais além?
Em anos da minha vida, eu nunca tinha conhecido uma mulher como ela. Uma mulher que me fizesse ser algo diferente para ela. Eu sempre fui sincero em meus relacionamentos passados, eu nunca ofereci mais do que sexo casual as mulheres. Embora vez ou outra aparecesse uma querendo ter muito mais do que eu estava disposto a dar, eu sabia que não era o tipo de homem para relacionamentos de longo prazo. E nunca houve uma mulher que mudasse minha cabeça quanto a isso.
Mas Felicity apareceu e ela havia colocando ao chão todas as verdades que eu pensei que saber sobre mim mesmo. Eu achei que era eu quem estava derrubando os muros de Felicity, eu estava tão focado nisso, que sequer notei que ela havia feito exatamente o mesmo para mim.
Ela havia derrubado cada maldito tijolo. E agora eu me via completamente exposto à ela.
— É um lugar estranho para ficar, do lado de fora de um bar. — Olhei em direção a voz que vinha do meu lado oposto e interrompia meus pensamentos. Num canto mais escuro, embaixo de uma árvore eu identificava a silhueta de um homem fumando. Apenas isso, seu rosto era impossível de ver, mas uma parte do meu cérebro pareceu reconhecer a voz.
— Estou esperando alguém. — eu respondi, forçando meus olhos até ele tentando obter qualquer tipo de detalhe ou uma visão mais nítida.
— Sua garota, eu suponho. — Eu não tinha uma definição do que Felicity era para mim. Nós havíamos transado, não parecia certo nomeá-la como uma amiga de foda. Felicity era bem mais importante do que isso. Namorada? Eu não podia chamá-la assim, não quando eu sequer conhecia o real significado disso. Mas eu gostava do pronome minha. Sim, ela era minha, apenas minha.
— Sim, a minha garota. — confirmei, o som soando malditamente perfeito em meus lábios.
— Boa sorte com isso. — o homem saiu das sombras pisou em seu cigarro, e me deu as costas logo em seguida. Havia um tom sarcástico em sua voz que me incomodou, eu o teria seguido, e exigido uma explicação melhor para as suas palavras, mas senti um toque suave e conhecido em meus ombros que me fez me virar para trás, ansioso para ver a dona daquelas mãos delicadas.
— Hey, Helena me liberou mais cedo. — Ela falou com animação — Podemos ir para casa?
— Claro. — Respondi.
Felicity se colocou ao meu lado e começamos a caminhar enquanto conversávamos banalidades, apenas estar com ela era algo bom, num movimento inesperado eu me vi buscando por sua mão e entrelaçando nossos dedos. Eu notei uma ruga surgir entre suas sobrancelhas, mas ela preferiu não dizer nada. O que era ótimo, já que nem mesmo eu compreendia o impulso que me levara a fazer isso. Mas eu gostava de estar assim com ela, eu havia notado que algo dentro de mim se agitava feliz quando estávamos de mãos dadas. Era uma verdadeira bagunça o que ela fazia comigo, eu não era homem de entrelaçar as mãos.
Mas aqui estava eu, andando de mãos dadas. Com a minha garota. Sorri, ao dizer aquilo ainda que apenas para mim.
— Porque você está sorrindo? — Felicity me perguntou, observando com curiosidade meu rosto.
— Eu não sei. — Respondi honestamente, apertando um pouco mais a mão dela na minha. Eu ainda não sabia o que era aquilo, mas sentia que era o começo de algo bom.
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