Running Away
13 Capítulo 12 - I think I'm falling
Notas iniciais
What time you coming down?
We started losing light
I'll never make it right
If you don't want me around
I'm so excited for the night
All we need's my bike and your enormous house
You said some day we might
When I'm closer to your height
'Til then we'll knock around, endlessly
If you're all I need
Don't you see me? I
I think I'm falling, I'm falling for you
Don't you need me?
I, I think I'm falling, I'm falling for you
On this night, in this light
I think I'm falling, I'm falling for you
Maybe you'll change your mind
I think I'm falling, I think I'm falling
(I'm falling for you — The 1975 )
Felicity Smoak
Uma semana tinha se passado desde que Oliver e eu decidimos parar de lutar contra a óbvia atração e simplesmente ver até onde aquilo iria. E eu ainda me surpreendia em como as coisas entre nós estavam dando certo. E eu não falo apenas pelo sexo que continuava a ser espetacular. Mas na forma em como parecíamos ter finalmente nos acertado e encontrado um meio termo, certa sincronia que deixava tudo perfeito. Antes tudo entre nós tendia a ser regado a muita discussão e um boa dose provocação, Oliver fazia muito bem o estilo macho alfa e eu tendia a contrariá-lo, simplesmente porque eu não era mulher de aceitar ordens de ninguém. Mas de algum jeito, eu acho que o sexo havia deixado tudo mais maleável. As discussões e provocações continuavam a acontecer, mas agora Oliver tinha uma arma secreta, ele usava sexo para me distrair. E eu? Eu ficava muito feliz em ser distraída.
Eu limpava o balcão do bar de Helena distraidamente enquanto cantarolava uma melodia suave apenas para mim. Tínhamos acabado de abrir o bar, não era provável que tivéssemos muito clientes naquele dia já que não era dia de jogo, provavelmente fecharíamos mais cedo, consequentemente eu voltaria para casa mais cedo e Oliver e eu... Apenas sorri para mim mesma, há muito tempo que eu não me sentia leve, e feliz com a perspectiva do que o futuro imediato me reservava.
— Felicity! — Eu praticamente pulei quando Helena gritou meu nome com a intenção deliberada de me assustar, eu estava com a minha mente viajando por um caminho muito bom, um com Oliver e eu.
— O que foi? — Questionei, me tornando reticente ao ver o sorriso amplo em seu rosto, e o modo como ela piscava seus grandes olhos azuis inocentemente para mim. Aquilo era perigoso, inocente não era uma palavra que eu atribuiria a Helena Bertinelli. Nunca.
— Eu estou pensando em fazer um estudo, uma análise comportamental na verdade — falou como se estivesse orgulhosa de si mesma, seu sorriso se tornando malicioso me dizia que da sua boca não sairia nada que prestasse. Ela puxou o banco a frente do balcão, colocou o queixo apoiado em umas das mãos e seguiu me encarando — “As maravilhas que o sexo faz para as pessoas.” Obviamente eu vou precisar de algumas cobaias, e de uma metodologia de estudo. — Seu ar era confiante, eu poderia realmente acreditar que aquilo era algo realmente sério se eu não conhecesse Helena melhor — Eu preciso de um patamar para analisar melhor a influência do sexo no humor de alguém, por exemplo. Diga-me Felicity, o quanto de sexo foi necessário para te deixar toda sorridente e cantando músicas bobas hoje? — Perguntou, pegando meu bloquinho de pedidos e uma caneta, e olhou para mim fazendo o seu melhor ar profissional. — Oh, e especifique se foi sexo regular do tipo papai e mamãe, ou mais selvagem com direito ao uso de algemas?
Abri e fechei a boca, sem saber o que dizer. Eu podia sentir meu rosto esquentando. Tinha sido assim ao longo dos últimos dias, eu pensei que já estava habituada a lidar com as provocações nenhum pouco discretas de Helena. Mas de alguma forma ela sempre conseguia se aprimorar naquele jogo.
— Vamos não seja tímida. — insistiu, batendo impacientemente com a caneta sobre o bloquinho, ainda esperando.
— Você me odeia! — Exclamei, revirando os meus olhos para ela. — É a única explicação racional para você ainda me atormentar com essa história com Oliver!
— Não odeio! Apenas estou curiosa. Você e o policial gostosão? Por favor, eu previ isso desde a primeira vez que o vi lançando um olhar faminto na sua direção. Ele sequer disfarçava, os olhos seguiam a sua bunda aonde quer que ela ia, era como um cachorro esfomeado observando o melhor pedaço de filé — comentou — Por favor, Felicity, eu preciso de detalhes. — pediu seu rosto cheio de expectativa. Oh merda! Helena era uma manipuladora de primeira categoria.
— Nós não usamos as algemas. — seu semblante caiu decepcionado com minha resposta — Ainda. — Acrescentei apenas para provocar Helena, e me virei começando a limpar as prateleiras de bebidas, com a estúpida ilusão de que ela se contentaria com isso e me deixaria em paz.
— Espera aí, você não pode me dizer isso e virar as costas Felicity! — Objetou, espalmando ambas as mãos sobre o balcão — Você precisa de algo? Alguns brinquedinhos? Conselhos sexuais? O que eu posso te dizer é verifique se tem as chaves das algemas antes de fazerem qualquer coisa, você não vai querer ficar presa à cabeceira da cama enquanto o idiota do seu namorado liga para a emergência porque ele perdeu a chave! — Me alertou.
— Oliver não é meu namorado! — Neguei rapidamente, mas para a minha sorte Helena não se atentou as minhas palavras, ela estava ocupada demais com o moreno que a enlaçava por trás, pegando-a completamente desprevenida.
— Você nunca vai esquecer isso não é? — Ele disse com um sorriso brincando nos lábios. — Eu não tenho culpa se o vendedor me vendeu as algemas sem a chave!
— E acabou toda a diversão. — Helena reclamou, ficando imediatamente mais mal humorada e se afastando de Tommy, que sequer parou de sorrir diante da distância que ela colocava entre eles.
— Eu posso resolver isso. Diversão é meu sobrenome. — Respondeu com seu ar confiante ainda inabalável.
— Eu pensei que era babaca. — ela retrucou acidamente.
— Escolha o que preferir coração, ambos sabemos onde isso vai dar: Eu e você na sala de estoque, suas pernas ao redor da minha cintura e você tentando abafar seus gemidos contra a minha boca. Eu tenho a impressão que sou capaz de fazê-la gritar o nome do babaca aqui um par de vezes. — os olhos dos dois não se desviaram, eu podia sentir o clima mudar e ficar muito mais quente. Merda, alguém estava sobrando ali, e esse alguém era eu.
— Ou ainda melhor — Helena se aproximou, fazendo uma voz deliberadamente sexy enquanto alisava suavemente com as pontas dos dedos a o peitoral dele. Tommy parecia completamente envolvido, hipnotizado até, por cada mínimo movimento de dela. — Eu e você no tribunal, eu ganhando um belo processo milionário de assédio sexual.
Senti pena de Tommy. Ele suspirou pesadamente ao perceber que Helena apenas brincara com ele, seus olhos perderam um pouco daquele brilho divertido.
— Você sabe que não conseguirá resistir ao meu charme coração. Você ainda voltará para mim. — Ele piscou, tocou-lhe a ponta do nariz arrebitado com o dedo indicador, lançou-lhe um sorriso de canto bem menos confiante dessa vez, e então se afastou indo em direção ao estoque.
— Porque não dá uma chance a ele? — Perguntei o observando partir, eu já tenho notado a dinâmica dos dois fazia dias, e era sempre a mesma coisa. Tommy não economizava nos sorrisos galantes e nas provocações explícitas enquanto Helena fazia jogo duro e se segurava para não enchê-lo de tapas.
Ele a irritava. E ela não dava o braço a torcer.
Eu já tinha visto esse filme antes.
— Oh, por favor, Felicity. A única razão de Thommas Merlyn estar me cercando, é porque ele não sabe lidar com a rejeição. Como todo homem, ele quer provar a si mesmo que pode ter qualquer garota que quiser — seu tom soou um pouco amargurado, fazendo-me deduzir que aquilo era muito mais do que um simples caso de ego masculino inflado — Mas não se preocupe, eu vou soterrá-lo com toda a papelada do bar, documentos da vigilância sanitária, contabilidade... Rapidinho ele desiste daqui e volta para a vida de playboy desregrado de antes. — Completou com um sorriso polido demais para Helena.
— Helena... — Comecei cautelosa — Não me parece que Tommy vai desistir tão fácil assim de você. Ele comprou o bar, apenas para ter uma desculpa para estar próximo. Na verdade se eu entendi bem, tem muito mais nessa história de vocês dois, se eu estou certa há um passado aí — seu sorriso se contorceu em uma carranca, o que me dizia que definitivamente eu estava no caminho certo — Então, eu sou sua amiga e estou esperando você me contar toda a história desde o início. — Exigi, cruzando os braços.
— Eu tenho uma ideia melhor... Que tal conversarmos sobre tipos de algemas? — Meneei a cabeça suspirando, Helena era um caso perdido.
***
Helena tinha tido uma emergência com Roy, que aparentemente havia se encrencado com a polícia mais uma vez e ela teve que deixar o bar para ir chutar a bunda do irmão. Palavras dela, não minhas. Acontece que pelo pouco que eu entendi, Roy era um bom garoto, porém esquentadinho demais, e sempre acabava se metendo em alguma briga de rua. Para minha sorte o bar estava apenas com a clientela habitual, então eu tinha um tempo livre.
Terminei de servir uma mesa, e me vi sem absolutamente nada para fazer a não ser esperar por mais pedidos. Olhei para Tommy em uma das mesas do canto do bar e imediatamente algo fez um click na minha cabeça. Se Helena não estava disposta a me dar as respostas que eu queria sobre o porquê dela estar tão disposta a afastar Tommy, eu iria buscar por elas.
— Hey Tommy, — me aproximei dele, a mesa em que ele estava sentado tinha uma grande pilha de cadernos sobre ela. Helena não estava mentindo quando disse que o soterraria de trabalho. Ele me olhou desconfiado enquanto eu me aproximava.
— Porque eu tenho a impressão de que você não veio até mim porque está encantada pelos meus belos olhos azuis? — Inquiriu, semicerrando os olhos em minha direção enquanto eu puxava a cadeira e me sentava a sua frente.
— Porque eu já estou interessada em outro par de olhos azuis. — dei de ombros.
— Eu sei, e esse par de olhos azuis tem um belo soco de direita. — ressaltou — Então me diga, porque está aqui, arriscando a minha linda face de ser desfigurada pela ira do seu namorado? — Me questionou.
Eu poderia ter corrigido, Oliver e eu não éramos namorados, mas esse não era o ponto.
— Eu quero saber por que Helena é tão teimosa em te dar uma chance? — fui direta, e um imenso sorriso apareceu em seus lábios enquanto ele se inclinava para trás na cadeira, parecendo mais relaxado.
— Você também não entende como ela pode resistir a tudo isso. — Brincou apontando para si mesmo. — Então eu só tenho que te contar o que aconteceu há cinco anos entre Helena e eu, e depois sofrer com a ira dela quando descobrir que eu te contei tudo, provavelmente ela irá me deixar cheio de hematomas. — Ele se fez de pensativo como se avaliasse os riscos daquilo.
— Algo me diz que você iria gostar disso. — pontuei, fazendo-o se inclinar para frente com um brilho diferente nos olhos.
— Você é uma garota esperta, muito perceptiva... — começou a falar devagar — Eu vou contar, mas só porque eu gosto de você. — me sentei mais ereta — Mas toda informação tem um preço.
— É sério isso? — Olhei para ele descrente.
— Sim. Você vai ter que prometer que vai me ajudar, Felicity.
Maldita curiosidade.
— Eu prometo. — falei, e Tommy simplesmente despejou a coisa toda.
***
Eu entendia Helena muito melhor agora. Eu entendia a razão para o seu ar de “foda-se o mundo”, para o sorriso amplo que ela sempre ostentava no rosto, mas que nem sempre significava que era verdadeiro ou porque ela sempre queria falar da minha vida pessoal, mas nunca da dela. Eu compreendia seu lado selvagem e até mesmo aventureiro, embora por mais que ela me incentivasse a isso, eu nunca a via agir dessa forma. E agora eu entendia o porquê, ela tinha sua dose de dor e culpa em seu passado também, e ela lidava com isso blindando-se atrás de uma armadura impenetrável. Ela teve que encontrar um meio de ser forte, ela teve que superar a dor e continuar em frente.
Nossas histórias não eram parecidas, ela era o meu oposto, e ao mesmo tempo exatamente como eu. Ela estava quebrada. Mas Helena havia sido forte, se erguido e sozinha conseguido colar cada pedacinho de si mesma. Eu ainda não havia chegado lá.
— Oh não, você não vai lançar esse olhar cheio de pena para ela. — Tommy advertiu enquanto analisava meu rosto com seriedade — Ela vai saber no instante em que te ver. E falando no diabo... — Seu olhar virou-se na direção da porta por onde Helena entrava, trazendo um Roy com um rosto coberto de hematomas, Oliver e uma jovem garota em seu encalço.
Levantei-me da cadeira de pronto e fui até eles, Tommy me seguiu embora sua atenção tenha ido diretamente para a garota de cabelos curtos e escuros que eu desconhecia.
— O que você faz aqui? — seu tom era mandão e aliado aos seus braços cruzado e sua expressão sisuda, ele não parecia nenhum pouco contente com a presença dela aqui.
— Oh, deixe o drama do irmão mais velho para depois Merlyn. — Helena objetou — E Felicity pode, por favor, me trazer um pouco de gelo? — Pediu, enquanto sentava Roy em um dos bancos. De perto o rosto do garoto parecia muito pior.
— Claro. — Assenti dando a volta no balcão e pegando o gelo no freezer, colocando num saco plástico e o entregando a Helena que o pressionou contra o rosto machucado do irmão.
— Aí, precisa ser tão agressiva? Um pouquinho de delicadeza não mata! — Roy reclamou.
— Delicadeza? Você merecia era mais alguns tabefes para aprender a não ser tão estúpido! Você poderia estar morto seu idiota! — Xingou o irmão.
— Deixe que eu faço isso Helena. — A garota nova se ofereceu, e a vi assumir o lugar de Helena.
— Alguém vai me explicar o que está acontecendo aqui? — Tommy se intrometeu, seu olhar indo direto para a jovem que pressionava o saco de gelo com suavidade. Roy não reclamava mais, muito pelo contrário, ele sorria contente por ter ganhado uma nova enfermeira.
— Ele se meteu numa briga feia ao tentar salvar a garota de ser assaltada lá no Glades — Oliver explicou.
— Você foi assaltada? E que inferno estava fazendo num lugar como o Glades tão tarde da noite? — Semicerrei o olhar ao observar a preocupação de Tommy com a garota, porém a sentença seguinte esclareceu minha confusão.
— Menos irmãozinho, eu já sou uma garotinha crescida.- Deu de ombros.
— O inferno que é! Para mim você ainda é minha irmãzinha, que anda pela casa vestida de Cinderela. Terei que conversar com papai, ele tomará uma atitude! — Disse, meneando a cabeça e tirando o celular do bolso.
— Ah é? Isso seria interessante... Papai iria adorar saber que você se demitiu da Merlyn Global para começar a trabalhar num bar! — A garota jogou a informação com um ar superior, fazendo Tommy calar a boca, era óbvio que ela o estava manipulando. — Sem ofensa, Helena.
— Porque apenas não acalmamos os ânimos por aqui? — Helena assumiu o controle da situação, o bar podia não estar muito cheio, mas a pequena confusão começava a atrair olhares — Roy, você pode se limpar em casa e Thea se não for pedir muito pode cuidar dos ferimentos dele? Há uma caixa de primeiros socorros no banheiro principal.
— Claro. — Thea confirmou rapidamente e seguiu puxando Roy pela mão.
— Vai deixar minha irmã sozinha com o seu irmão? — Tommy exclamou ultrajado, ao ver sua irmã deixar o bar.
— Oh, o que eles podem fazer? São apenas adolescentes, lembra de como nós éramos nessa época? — Helena pontuou e isso pareceu deixar Tommy ainda mais nervoso.
— Merda. Eu vou atrás deles! — falou determinado.
— Se insiste. — Deu de ombros — Eu estava esperando que pudéssemos conversar um pouco sobre toda a papelada que eu te dei para analisar hoje. — Sorriu coquete para Tommy — Nos estoque, onde é mais privado.
— Helena... — Ele parecia hesitante no começo, mas no fim acabou cedendo — Ok, vamos conversar. — E no instante seguinte os dois desapareceram atrás da porta do estoque.
Era difícil acompanhar esses dois. Mas ao menos, toda a pequena confusão tinha se dispersado, e bem só havia sobrado Oliver e eu. Analisei seu porte displicente, seu braço apoiado sobre o balcão, a blusa escura de manga curta deixava seu braços fortes expostos enquanto os jeans escuros e justos aderiam com perfeição a suas pernas e coxas musculosas.
Eu o olhava com cobiça.
E era ótimo não ter que esconder mais esse olhar. Era melhor ainda receber esse mesmo olhar de volta dele.
— Então, Helena revogou a sua suspensão? — Perguntei, enquanto meus dedos ganharam vida própria e acariciavam seu braço suavemente. Era difícil estar ao redor de Oliver e não me aproximar, e não tocá-lo. Era uma necessidade profunda.
— Ela precisava de alguém que convencesse o Capitão Lance a liberar o irmão dela. Então ela ligou para mim, e eu não ia fazer esse favor de graça. — Deu um sorriso de canto, ele estava orgulhoso de sua esperteza.
— Eu fico feliz com isso, desde que você me prometa que não irá fazer nenhum tipo de cena novamente. — Eu havia relevado aquele incidente, apenas porque os dois homens haviam se revelado cretinos com ficha policial. Sim, Oliver se deu ao trabalho de verificar os nomes nos cartões de créditos que usaram para pagarem a conta do bar e depois pediu para checarem os antecedentes criminais.
— Eu prometo não fazer nada que não seja absolutamente necessário. — Aquilo não era uma afirmação e seu sorriso de canto me dizia que aquilo seria o melhor que eu iria conseguir.
— Hey loirinha! Traz outra cerveja nessa mesa! — um homem há poucas mesas de distância gritou seu pedido, Oliver rangeu os dentes ao escutar a forma que ele havia se referido a mim.
— Você prometeu. — o lembrei, o obrigando a se comportar.
— Você me prometeu algumas coisas que ainda não foram cumpridas. — E eu ri ficando corada, sabendo exatamente a que promessa ele se referia.
O restante da noite passou tranquilo. Como eu havia previsto o bar não teve grande freguesia, mas ainda assim eu não passei grande parte do meu tempo com Oliver. Embora eu tenha sentindo o seu olhar quente por onde eu fosse, Oliver não era discreto sobre o que queria, e eu estava começando a perceber que eu gostava disso nele, a forma crua como ele não escondia seus desejos.
— Ei, tudo bem com você? — Me aproximei de Oliver que estava sentado num banco próximo ao balcão com um copo de whisky ainda intocado. Ele parecia particularmente carrancudo nessa hora. Deixei minha mão cair em sua coxa realizando um movimento suave enquanto esperava que ele respondesse a minha indagação. Em minha defesa eu não conseguia estar próxima de Oliver e não encontrar alguma forma de tocá-lo, não era um ato racional, era instintivo, meu corpo simplesmente agia de acordo com o que queria.
— Poderia estar melhor... — Seu tom era sugestivo, enquanto Oliver colocava sua mão sobre a minha, seus olhos fitaram os meus. Eu amava seus olhos, eram cristalinos e sem segredos — Nós podemos fugir rapidamente para o banheiro, ninguém nos notaria... — insinuou, sua outra mão me puxou pela cintura para mais perto, seu olhar seguindo para a porta lateral e por um instante, enquanto eu sentia nossas peles se tocado eu cogitei aceitar sua proposta, simplesmente porque minha vontade de estar com Oliver parecia nunca ter fim.
Por sorte, meu cérebro pareceu se lembrar de inúmeros motivos para não fazer isso.
— Oliver... — o alertei — Eu não conseguiria ser silenciosa. — Oliver riu deliciosamente ao escutar a razão da minha recusa.
— Tem razão, você não conseguiria não gritar o meu nome. — Confirmou orgulhoso, o riso divertido ainda em sua voz — Mas é um verdadeiro inferno ter que ver você assim tão provocante, desfilando entre as mesas... Porque você insiste em usar saias para trabalhar? É para aumentar meu tormento? — recriminou, tirando um pouco da minha lucidez quando sua mão descia um pouco mais abaixo da cintura — Eu não gosto da ideia de todos cobiçando essas suas pernas, na verdade eu não gosto da ideia de ninguém cobiçando o que é meu.
— Você é tão estupidamente ciumento. — comentei, empurrando o seu ombro numa tentativa de repreendê-lo. Mas Oliver foi mais rápido, sua mão me puxou para mais perto dele, de modo que estava quase em seu colo agora.
— Eu só tenho ciúmes do que eu não quero perder. — Sua frase significativa, a tonalidade baixa de sua voz, seu olhar que não desviava. Todo o conjunto era de uma intensidade única e inesperada, meu coração se comportou de uma forma diferente, como se entendesse e se sentisse feliz com o real significado daquilo. Oliver me puxou um pouco mais para perto dele, meu corpo quase caindo sobre o seu, suas mãos se prendiam ao redor da minha cintura com certa força, impedindo-me de me afastar. E então sua boca tomou a minha, eu esperava por aquele beijo avassalador e sexy de sempre, mas não. Pelo menos não completamente. Seu beijo era tranquilo, provava-me sem pressa. Mas ainda assim o toque quente da sua língua deslizando sobre a minha, o gosto de nossas respirações que se misturavam, seus lábios macios como pequenas montanhas de travesseiros pressionados contra os meus, sugando completamente toda a minha sanidade e me fazendo desejar que aquele beijo jamais terminasse.
Um pigarrear de garganta me fez retomar o controle da situação e me afastar, ao menos o tanto que as mãos de Oliver me permitiram fazer.
— Só porque eu permiti que voltasse ao bar, não significa que eu quero ver vocês dois trocando saliva na minha frente. Deixem a promiscuidade para dentro de quatro paredes. Felicity, você precisa voltar a trabalhar e não ficar beijando o seu namoradinho. — Helena repreendeu.
— Nós não somos namorados. — Neguei. Senti as mãos de Oliver soltarem a minha cintura de uma única vez. Seu rosto não parecia satisfeito, havia uma pequena ruga entre suas sobrancelhas e seus olhos pareciam magoados.
— Não somos? — Oliver me questionou diretamente.
— Oh, por favor, você moram juntos e fazem sexo. Muito sexo. Do tipo de sexo que deixa Felicity sorrindo e cantarolando músicas bobas — destacou me envergonhando — são quase como casados. — Helena interferiu, jogando a informação na minha cara.
— Você não está ajudando Helena! — A repreendi.
— Ok, eu vou dar uns minutinhos para vocês terem uma DR, o bar está quase vazio mesmo. — Disse, saindo. Oliver continuava me encarando, esperando uma resposta. Mas o que eu deveria dizer?
— Felicity! — Maldito tom que tinha o dom de arrepiar cada pelo do meu corpo. — Não morda os lábios quando estivermos discutindo, isso tira completamente a minha concentração. — ele disse, seu polegar traçando a linha do meu lábio, obrigando-me a desprendê-lo dos meus dentes. — Agora me responda por que você acha que não estamos namorando?
Porque ele tinha que ser tão incisivo? A força do seu olhar me fazia sentir como se eu estivesse numa sala de interrogatório policial.
— Porque você nunca namora? — O que era para ser uma resposta acabou soando como uma pergunta. Oliver continuou a me olhar, esperando que eu esclarecesse aquilo um pouco melhor. Eu tomei uma respiração profunda antes de dizer. — Você não namora. — afirmei mais convicta desta vez — Você é o tipo de cara que apenas se preocupa com sexo, e obviamente você consegue isso facilmente. — não controlei meu tom ligeiramente ciumento — Você tem a dose de sexo que precisa e quando se cansa, você simplesmente dispensa a garota. Eu já o vi fazer isso algumas vezes, sem contar que essa é a sua fama.
Oliver estava carrancudo depois de escutar meu pequeno discurso. Ele, com toda a certeza não estava contente com o que eu tinha dito, mas não poderia negar que era a verdade. Eu me preparava para a discussão, era assim que sempre agíamos. Mas eu não estava pronta para as palavras doces que vieram a seguir.
— Eu pensei que fosse óbvio Felicity. — Ele pegou a minha mão e a segurou na dele, deslizando seus dedos por sobre a pele da palma — Você é diferente para mim.
— Por quê? — Pisquei, sem entender.
— Eu não sei. Tudo o que sei, é que nunca pareço ter o suficiente de você. Não apenas na cama, mas nos meus dias. Eu gosto de acordar enroscado em você e sentir seu corpo contra o meu, gosto de provocá-la, de discutir com você, ou de simplesmente vir aqui nesse bar e observá-la servir as mesas. Eu gosto de ser aquele, que todas as noites depois do seu turno a leva para casa. Eu não sei o que você mudou em mim, mas definitivamente você não é uma garota qualquer que eu levei para minha cama e tive alguns bons momentos. Eu quero mais do que sexo com você. — seus olhos prenderam os meus em sua intensidade, eu não conseguia desviar ou piscar, apenas fitar aquela imensidão azul que causava em mim as mais preocupantes reações — Você quer mais do sexo comigo?
Meu coração se atreveu a ficar exultante.
Eu me atrevi a exibir um sorriso bobo.
Esse era o jeito dele perguntar se eu queria ser sua namorada?
Eu estava tentando manter meu coração longe de Oliver, eu convenci minha mente de que eu era perfeitamente capaz de ter um relacionamento puramente sexual com ele.
Eu nunca estive tão errada.
— Eu quero. — Deixei que meu coração respondesse aquela pergunta.
***
Oliver Queen
Eu sabia que Felicity era diferente na primeira vez que meus olhos caíram sobre ela. Eu me senti atraído, mas não apenas pelas curvas perfeitas de seu corpo, ou seu rosto angelical, ou seus lábios carnudos que fizeram minha mente ter os mais pecaminosos tipos de pensamento. Era algo mais. Ela era jovem, mas ainda assim carregava tanto em seu olhar. Havia tantos segredos, tantas partes dela que ela se recusava a mostrar. Aos poucos eu fui sendo envolvido por ela e eu sequer notei. Mas agora, tendo-a aqui em minha cama, nua e exporta a mim, eu soube que não havia outro modo disso terminar.
Mas eu queria mais.
Eu queria as partes que ela ainda escondia de mim. Eu não queria apenas seu corpo, eu queria sua confiança.
Eu queria a merda de um futuro com ela, e isso levava o inferno para fora de mim, porque eu não fazia ideia do que estava fazendo, eu não entendia o que isso significava. Com trinta anos, eu nunca tinha tido uma namorada, embora alguns relacionamentos tenham durado por um tempo mais longo eles nunca tinham chegado a ser mais pessoais, eram simples amigas de fodas, não havia laços de fidelidade, os planos mais longos que fazíamos era sobre quando e onde seria a próxima foda. E agora eu me via com o corpo dessa loira em meus braços, e eu simplesmente não queria deixá-la ir. Mas eu sabia que sua estada aqui era temporária. Seu tio havia pedido um lugar para ela ficar por um tempo, ele nunca especificou quanto tempo e nem mesmo Felicity me disse, mas o que eu faria se ela tivesse que ir? Ou ainda, porque ela estava aqui?
Havia partes de Felicity que ainda eram um completo mistério para mim.
Deslizei meus dedos suavemente por seu braço, eu não queria acordá-la ainda. Eu gostava de vê-la pela manhã, de me aproveitar um pouco mais de seu corpo quente junto ao meu e da sensação gostosa que era tê-la aninhada em meus braços. Eu gostava de ver seu semblante sereno e o pequeno sorriso satisfeito que parecia sempre amanhecer em seu rosto depois de fazermos sexo na noite anterior até cairmos exaustos no sono.
Eu me sentia orgulhoso de ser o responsável por aquele pequeno sorriso.
Eu sabia que normalmente ela tinha pesadelos. Eu já a escutei gritando e se debatendo durando o sono muitas vezes, mas estranhamente isso nunca aconteceu enquanto ela estava dormindo comigo, em meus braços ela dormia tranquilamente.
Eu vinha mantendo Felicity em minha cama todas as noites, impreterivelmente. Não apenas pelo sexo, com ela nunca era apenas pelo sexo. Mas porque eu amava a sensação de acordar pela manhã e sentir seu corpo pressionado ao meu. Eu amava saber que se quisesse poderia ter um pouco mais dela pela manhã, e eu não entendia o que ela fazia comigo, eu sempre queria mais dela pela manhã. Afastei um pouco dos cabelos de Felicity, e pressionei meus lábios contra sua nuca, decidido a acordá-la de uma maneira mais sensual. Chupei a sua pele delicada, deslizando a boca pelo pescoço e ombro, fazendo um belo estrago por onde passava. Subi minha mão por sob a barriga lisa e agarrei um de seus seios, massageando-o e brincando com o mamilo que aos pouco ficava túrgido respondendo a minha carícia. Pressionei meu corpo contra o dela, fazendo-a sentir o quanto eu já estava excitado.
Felicity gemeu meu nome num suspiro lânguido e desejoso me fazendo sorrir.
— Você acorda pronto e insaciável todas as manhãs. — Falou, com a voz arrastada e preguiçosa de quem tinha acabado de acordar.
— Eu não tenho culpa se ver seu corpo nu faz isso comigo. — a culpa era totalmente de Felicity por ser tão linda e tentadora, e fazer meu corpo reagir instintivamente ao dela.
— Talvez eu devesse dormir em minha cama então. — Falou enquanto se virava dentro do meu abraço, o sorriso em seu rosto tirou meu fôlego por alguns segundos.
— Sem chances disso, amor. — determinei, vi um brilho surpreso em seus olhos, mas não tive tempo de investigar o significado daquilo porque tomei seu belo sorriso em minha boca. Eu gostava de beijar Felicity lentamente, por mais que meu corpo normalmente estivesse desesperado pelo dela, eu gostava da sua reação à minha apreciação lenta. Eu seguia um ritual. Primeiro eu tocava seu lábio inferior com a língua, tracejando o contorno, Felicity sempre suspirava entreabrindo seus lábios para mim, convidando-me a explorar mais, porém eu gostava de ir devagar, gostava de escorrer os lábios um no outro, de permitir que nossas exalações se misturassem e sentissem o gosto uma da outra. E quando finalmente eu tinha minha língua dentro da sua boca morna, provando seu gosto e explorando, eu via Felicity se inclinando para mim, oferecendo mais.
Era como se Felicity se rendesse aquele beijo, e se entregasse completamente. Eu gostava disso, de sua total entrega. Da confiança que ela tinha em mim, na cama.
Na cama. Apenas na cama.
— Vamos ter um encontro hoje. — Comuniquei ao separar nossos lábios por um momento.
— Por quê?
— Ambos estamos livres, eu suspenso e você de folga. Porque você simplesmente não aceita ao invés de questionar tudo? — Havia riso em minha voz, era algo que eu adorava nela, sua incapacidade de me dar uma resposta simples.
— Porque eu estou curiosa... De onde isso veio? — Como dizer a ela que eu queria mais do que bons momentos na cama? Eu não queria apenas conhecer cada pedacinho de seu corpo, mas também de seu coração.
— Não é isso que namorados fazem? Eles têm encontros e conversam um pouco sobre si mesmos, sobre suas vidas. Eles confiam um no outro, Felicity. — respondi.
— Hum... E precisamos disso? — Ela ainda estava sendo cautelosa comigo, eu notava isso pela forma que seus dentes se prenderam sob os lábios que a pouco eu beijava. Tentei não me distrair com aquilo.
— Se nós somos namorados, sim, nós precisamos. — Não a deixaria escapar disso, eu queria dar um passo a frente, não era porque eu havia derrubado um de seus muros que eu iria desistir de descobrir o que ela escondia atrás dos outros.
— Então sim, Queen. Você pode me levar para um encontro, feliz? — Concedeu, mas pude notar que Felicity ainda estava reticente com aquilo.
— Muito, agora que esclarecemos isso podemos continuar de onde paramos. — Movi meu corpo para o dela, desejando saciar a minha fome sem fim de seus lábios.
— Não. — Ela negou, suas mãos espalmadas em meu peito.
— O quê? — Questionei ainda mais confuso ao vê-la se enrolar no lençol e caminhar para fora da minha cama.
— É um primeiro encontro Oliver, não se transa antes do primeiro encontro. — Explicou como se aquilo fosse óbvio.
— Há outras coisas que podemos fazer... — sugeri, mas ela negou com a cabeça — Merda, eu não sei se aguento esperar por esse encontro, Felicity. — Respondi ficando imediatamente mal humorado.
— Também não se transa depois do primeiro encontro, Oliver. Normalmente sexo é só depois do terceiro ou quarto encontro...
— O quê? — Repeti incrédulo, e vi Felicity segurar seu sorriso.
— Não queremos ir contra as regras, queremos? — Ela estava se divertindo com aquilo. — Como você disse, primeiros encontros servem para nos conhecermos melhor, a não ser que você queira desistir do encontro nós não teremos sexo... — Felicity deixou o lençol cair ao chão, enquanto vestia lentamente suas roupas espalhadas pelo chão.
Ela estava tentando me manipular com sexo. E merda, eu era totalmente manipulável com sexo.
***
Felicity falou sério quando disse que não iríamos transar, eu tentei dissuadi-la e algumas vezes eu quase consegui, ela poderia se fazer de forte, mas ela também não era tão boa em resistir a mim, pelo menos não quando eu jogava com artilharia pesada. Por fim, ela aceitou a verdade e passou o dia todo covardemente fugindo das minhas investidas.
Eu aceitei, a contragosto aquilo. Porque, por mais que eu gostasse de ter sexo com Felicity, eu sabia que precisávamos de uma noite para nós dois simplesmente conversarmos. Eu precisava fazê-la ver que isto que estava acontecendo entre nós, era algo mais sério e que poderíamos fazer dar certo. Só precisávamos abrir nossos corações e confiar um no outro.
Eu aproveitei que Felicity estava mantendo certa distância e pedi ajuda a Sara. Eu não era exatamente experiente nessas coisas de primeiros encontros, obviamente minha melhor amiga não perdeu a oportunidade para se divertir as minhas custas. Mas de todo modo ela me ajudou, me indicando um restaurante italiano. E até mesmo me aconselhando a usar uma roupa mais formal.
Eu me olhava no espelho me questionando se eu tinha a aparência adequada para um encontro. Eu nunca tinha tido dúvidas sobre a minha aparência, qual era o problema com Felicity? Porque ela me deixava tão nervoso com a simples ideia de um encontro com ela? Por fim deixei o quarto antes que minha anormal insegurança fizesse com que nos atrasássemos. Assim que cheguei a sala, todo e qualquer pensamento tolo em minha mente havia se desvanecido, eu só tinha olhos para ela, meu pensamento unicamente concentrado nela.
— Você está linda. — Elogiei, desejando encontrar uma palavra melhor para descrevê-la. Felicity era linda, mas hoje ela estava simplesmente deslumbrante. O vestido vermelho ia até o meio das pernas e aderia com perfeição às curvas de seu corpo, valorizando ainda mais o seu traseiro empinado. Inferno, ela estava sexy pra caralho!
Como era suposto que eu conseguisse me concentrar em termos um encontro normal, em fazê-la confiar em mim se apenas olhar para seus lábios cheios pintados de vermelho me faziam desejar tê-los em mim? Se ver suas pernas desnudas me faziam imaginá-las ao redor de minha cintura enquanto eu me afundava dentro dela?
Sim, normalmente minha mente vivia na sarjeta. E ver Felicity assim, tão provocante não estava ajudando nenhum pouco a controlar meus pensamentos safados e tirar minha mente de lá.
Mas eu tinha que tentar.
— Você não está nada mal. — ela disse, mas seus olhos mostravam-me certa fascinação.
— Podemos ir? — Respirei fundo e ofereci minha mão, satisfeito por ter sido forte o suficiente para simplesmente não puxar Felicity para mim e carregá-la para o quarto mais próximo ou apenas tê-la no sofá.
— Oliver Queen sendo um perfeito cavalheiro, quem diria. — Ela murmurou surpresa com minha atitude, mas aceitou a minha mão. Eu estava começando a cogitar que talvez Felicity estivesse tentando sabotar o nosso encontro. Que talvez ela tivesse se vestido de forma tão inadvertidamente sexy, na esperança de que eu simplesmente não resistisse aos seus encantos e desistisse.
O restaurante que Sara havia me indicado era exatamente o que eu queria. Não era cheio demais, havia uma música suave ao fundo, o clima era tranquilo e intimista, e muito mais romântico do que eu esperava, mas ao menos tudo isso permitia que Felicity e eu tivéssemos uma conversa calma.
— Ainda nervosa com a minha ideia de termos um encontro? — Eu comentei ao ver Felicity beber um pouco rápido demais do vinho que o garçom havia acabado de trazer.
— Eu não estou nervosa — Mentiu.
— Então porque você passou todo o caminho trocando mensagens ao celular e, evitando qualquer conversa direta comigo? — Comentei tentando manter o meu tom neutro, enquanto a verdade é que eu estava enciumando com seja lá quem fosse que estava roubando a atenção dela de mim.
— Eu não... — sorri vitorioso ao escutar o bip do celular evidenciando a chegada de mais uma mensagem.
— Ok, você venceu. É Selina, uma amiga de quando eu trabalhava em Gotham ela esteve aqui semana passada. — Explicou, mas me deixou contente vê-la desligar o celular e guardá-lo em sua bolsa.
— Certo, a garota que te levou para a boate e te deixou sozinha na pista de dança com vários caras querendo se aproveitar de você. — Falei, eu não a conhecia, mas não podia negar que não gostava muito dela. — Então você contou a ela sobre nós?
— Um pouco.
— Felicity amor, não morda seus lábios, é cruel demais fazer o que eu estou morrendo de vontade de fazer — joguei para ela, fazendo-a piscar os surpresa para mim — Então o que exatamente você disse à sua amiga? — Perguntei, tentando manter a conversa normal.
— Eu disse que iria a um encontro com o meu namorado hoje. — Ela comentou num tom simples de mais, porém com um sorriso ao estilo de Monalisa, fazendo-me questionar que havia muito mais por trás de uma sentença tão simples.
— Porque eu tenho a impressão que não foi apenas isso o que você disse a ela? — Felicity sorriu mais amplamente confirmando minhas suspeitas. — Felicity... Você disse a ela que o sexo entre nós é muito bom?
— Não. — negou seriamente, e depois sorriu divertida se aproximando de mim como se confidenciasse um segredo — Eu disse que era excelente!
Felicity estava me provocando de propósito, respirei fundo e tentei encontrar meu foco para continuar.
— Eu suponho que ela deve ser uma boa amiga, já que ainda mantem contato com ela. — Comecei, desejando fazer com que Felicity se abrisse um pouco mais comigo.
— Ela é. Eu morei em Gotham por um ano apenas, Selina e eu trabalhávamos juntas na Wayne Interprise, mas foi tempo o suficiente para criamos uma boa amizade, desde que reencontrei ela aqui em Starling City temos mantido o contado, é bom ter alguém um pouco mais racional que Helena para conversar as vezes. — Eu sorri ao escutá-la falar. — O que foi? Porque está sorrindo?
— Você geralmente não fala sobre Gotham ou fala sobre o seu passado no geral. — Senti Felicity recuar um pouco, mas tomei sua mão por cima da mesa, acariciando-a levemente, eu queria que ela confiasse em mim. — Muitos de nós temos coisas em nossos passados que preferem esquecer, ou ao menos preferimos não falarmos sobre. A questão é: você pode confiar em mim Felicity, você pode me dizer qualquer coisa.
— Eu pinto o cabelo — Sorri com a pequena revelação, eu já sabia disso. Eu havia pesquisado sobre ela assim que ela chegou, e encontrei a foto da garota de cabelos castanhos compridos que usava óculos. Eu queria que ela me dissesse por que ela mudou o visual, porque Gordon havia a mandado para Starling City. E eu não queria perguntar isso diretamente, eu queria que viesse dela, que ela decidisse dizer a mim. Porque eu sentia que havia uma parte de Felicity que eu não conseguia alcançar. Uma parte que parecia fugir de mim, e de todos.
— Que tal se eu começar contando algo sobre mim? — Ofereci, enquanto seguia acariciando sua mão. Eu gostava do seu toque, da sensação de relaxamento que ele causava em mim. Felicity assentiu, e eu respirei fundo antes de falar. — Eu te disse que devo muito ao seu tio Gordon, que ele me ajudou num momento difícil, mas eu nunca contei exatamente como ou o porquê. — Seus olhos estavam em mim, e no instante que eu olhei no dela, eu percebi algo, algo que tinha sido estúpido demais para não ter notado antes. A razão para eu estar tão desesperado para que Felicity confiasse em mim, a razão pela qual eu já confiava nela. Eu estava me apaixonando.
Eu estava me apaixonando, e já fazia um certo tempo.
Era a única razão para explicar porque eu não conseguia não tocá-la, não sorrir de volta quando ela sorria para mim, ou a maneira que meus olhos não se afastavam dela por nenhum momento. Porque eu a queria que ela dormisse todas as noites abraçada a mim, ou ainda esse estranho e constante medo que crescia dentro de mim fazendo temer que ela fosse embora.
— Oliver? — Felicity chamou meu nome, ao perceber que eu não havia dado continuidade ao que estava falando.
— Desculpe, eu me distraí. — respirei fundo enquanto me obrigava a focar no assunto ao invés das minhas recentes descobertas sobre meus sentimentos — Quando eu tinha quatorze anos eu cheguei da escola, eu chamei por minha mãe e ela não respondeu. Eu busquei por ela em todos os cômodos até encontrá-la em seu quarto com seus pulsos cortados — Contei e os olhos de Felicity olhavam para mim de forma compassiva, eu sequer havia reparado que tinha virado a mão dela sobre a mesa e agora acariciava suavemente a linha fina da cicatriz que seguia do seu pulso até metade do antebraço.
— Oliver... Eu sinto muito — Felicity disse com certa urgência — Eu falei sério quando eu disse que não ganhei essa cicatriz tentando tirar a minha vida.
— Eu sei. Mas não foi totalmente honesta ao me responder que foi num acidente de bicicleta quando criança.
— Tem razão no fui honesta. — Confirmou, mas não contou o que realmente aconteceu. — Me diga, o que aconteceu depois da morte da sua mãe? — Perguntou suavemente apertando nossas mãos, como se desejasse passar força com aquele toque.
— Eu não queria ir para um orfanato, por isso fugi por um tempo, eu dei algum trabalho a polícia. Mas no fim, Gordon me achou, me livrou de algumas encrencas, me deu um teto para dormir e comida no prato. Fez de mim o policial que sou hoje. — Resumi. Felicity me olhava com um pequeno sorriso e um brilho diferente nos olhos — Agora que eu contei um pouco da minha história, será que posso saber da sua?
***
Felicity Smoak
Eu sabia que esse momento chegaria.
Eu não era boba, sabia que as coisas entre Oliver e eu estavam evoluindo rapidamente. E parte de mim estava exultante com isso, eu gostava de Oliver, gostava de como ele me fazia sentir. Não era apenas sexo, eu sabia que se continuássemos assim em pouco tempo eu estaria apaixonada por ele. Para ser honesta, eu já desconfiava que estava, porém mantive-me decidida a não analisar esses sentimentos. Eu era idiota o suficiente para acreditar que se os ignorasse, talvez pudesse fingir que eles não estavam lá.
Mas ficava cada vez mais difícil ignorar. Principalmente quando o meu coração parecia gritar dentro do peito o quanto Oliver já era importante para mim. Principalmente quando Oliver, inconscientemente parecia deixar a palavra amor escorregar de seus lábios quando ele falava comigo, fazendo malditas borboletas baterem suas asas freneticamente dentro do meu estômago.
Em momentos como esse, tudo o que eu queria era abrir meu coração para Oliver. Mas parte de mim estava apavorada demais, estava com medo de que ele surtasse, que fugisse ou ainda passasse a me tratar de modo diferente quando soubesse de toda a história.
— Felicity... Você pode me contar qualquer coisa. — assegurou, apertando minha mão ao perceber que eu havia ficado calada por um tempo longe demais.
— Qualquer coisa? — Eu precisava de uma confirmação.
— Felicity... — Seus olhos estavam apreensivos, como se de alguma forma eles soubessem apenas de fitar os meus, que meu passado não teria uma história feliz. — O que aconteceu? — perguntou, parecendo preocupado. Senti meu coração se apertar dentro do meu peito.
Eu iria dizer a Oliver. Eu precisava contar a ele, não era justo que ele não soubesse. Ele tinha razão, estávamos começando um relacionamento, eu confiava nele, não fazia sentido continuar a hesitar. E se eu queria que isso desse certo, eu precisava que ele me aceitasse, com cada parte de mim, partes inteiras, partes quebradas e partes que faltavam.
— Oliver... — Mas eu não tive tempo de sequer pensar por onde começar, porque no instante seguinte som alto de sirenes se fez audível enquanto a polícia entrava no restaurante.
***
Era uma tragédia. O corpo de uma jovem tinha sido encontrado no restaurante. Pelo que Oliver me contara, a polícia havia recebido uma ligação anônima informando sobre o crime. Esse foi o fim do nosso encontro, o restaurante foi fechado e os clientes dispensados.
Era um péssimo desfecho para um encontro que estava indo tão bem.
Tirei meus sapatos de saltos assim que voltamos para o apartamento. Eu os tinha colocado apenas porque Oliver era muito mais alto do que eu, e também porque valorizavam minhas pernas e eu sabia o quanto Oliver gostava de olhá-las.
— Você está bem? — Ele perguntou, sentando ao meu lado no sofá.
— Pés doloridos. — Expliquei esticando as pernas.
— Me deixe resolver isso. — Disse me surpreendendo ao pegar minhas pernas e colocando-as sobre o seu colo, suas mãos começaram a massagear os meus pés deliciosamente. O efeito de seu toque foi quase instantâneo, meu corpo começou a relaxar imediatamente e toda a tensão simplesmente desaparecia.
— Eu amo as suas mãos, não importa onde elas me toquem, elas simplesmente fazem maravilhas. — Oliver deu seu melhor sorriso safado para mim.
— Você ia me dizer algo no restaurante, antes de sermos interrompidos. Ainda quer falar sobre isso? — Perguntou casualmente, ele não estava exatamente me pressionando, ele só queria saber.
— Podemos retomar essa conversa outro dia? — pedi, eu vi que Oliver não estava exatamente de acordo com aquilo, mas ele aceitou, eu estava satisfeita por ele ser tão paciente comigo — É apenas uma conversa longa demais, e tudo o que eu quero agora é uma cama confortável... — Falei num tom mais sugestivo.
— Vai dormir no seu quarto hoje? Você disse que primeiros encontros nunca terminam em sexo. — Ele estava jogando minhas palavras contra mim e mais do que isso, ele estava deliberadamente me provocando. Suas mãos já não estavam em meus pés, fazendo sua massagem suave. Elas haviam subido por minha panturrilha, chegado até a região da coxa e agora brincavam com o tecido do meu vestido.
— Mas esse encontro foi interrompido, foi apenas metade de um encontro. — Comecei a explicar, um pouco distraída pela sensação das suas mãos em minha pele.
— Certo. E isso significa...? — Continuou segurando um sorriso, suas mãos subindo por minhas coxas se insinuando por baixo da barra do vestido. Não seria o meu Oliver se ele não me forçasse a dizer com todas as letras.
— Significa que podemos esquecer todas essas regras estúpidas e ir direto para a parte do sexo. — Falei cansada demais daquele joguinho, ergui-me do sofá e coloquei-me sentada em seu colo.
— Eu gosto disso. — Oliver disse sorrindo de um modo sem vergonha, suas mãos que antes estava sobre minha coxa começaram a subir por minha coluna, puxado meu corpo para mais perto dele enquanto deslizava o zíper do vestido por minhas costas.
— Oliver? — Perguntei, aproximando meus lábios dos dele eu estava ansiosa pelo seu beijo que tinha o poder de incendiar cada célula do meu corpo, mas havia algo martelando em minha cabeça, e eu precisava disso antes que ele me fizesse esquecer.
— Sim?
— Você tem alguma algema com você? — Perguntei um pouco envergonhada, e seus olhos azuis arderam como chamas flamejantes para mim. Eu não queria confessar, mas desde que Helena havia trazido o assunto eu não conseguia não pensar naquilo.
— Definitivamente. — Confirmou parecendo muito animado com aquilo. Me ergueu em seu colo e me levou para o seu quarto.
Eu sabia que logo eu teria que conversar com Oliver, esclarecer tudo. Mas por hora, eu apenas queria viver um pouco mais de tempo na ilusão de que tudo ficaria bem. Eu sabia o que estava me fazendo ser tão cautelosa com Oliver, tão hesitante em contar meu passado. E não era porque era uma parte de mim que eu não gostava de mostrar as pessoas, não era apenas medo de que ele me visse diferente.
Eu estava me apaixonando, mesmo contra todo o meu bom senso e minha razão, eu estava me apaixonando por Oliver.
E se ele descobrisse isso, ele iria tirar Oliver de mim.
Fale com o autor