Runaway
3 Capther Two
Notas iniciais
Renji acordou com o sol da manhã em seu rosto. Tomou um banho e se vestiu adequadamente. Prendeu os cabelos ruivos em um rabo baixo e desceu, atraído pelo cheiro de chá fresco sendo fervido. Passaria pela cozinha, afim de comer algo antes de começar o trabalho, assim que descobrisse aonde ela ficava. Seguiu, passando pelo hall, onde havia portas dupla que permaneciam abertas. Adentrou o cômodo que provavelmente seria a sala de estar, onde encontrou a serviçal, organizando-a.
– Com licença. — Renji pigarreou — Você é a Alissa?
– Sou sim. — a moça parou o que fazia — Você deve ser o Abarai, não? — sorriu.
– Sim. — respondeu observando-a. Era uma moça branca e magrinha, com os cabelos castanhos presos num coque. — Aonde fica a cozinha?
– Venha comigo, eu te mostro. — ela fez um gesto com a mão e ele a seguiu.
Entraram por uma porta, saindo em uma sala com uma grande mesa de vidro, certamente a das refeições, aonde havia um corredor estreito, que findava na cozinha. Lá uma mulher trabalhava de costas e parecia nem ter notado a presença dos dois.
– Aquela é a Yona, a cozinheira. — Alissa comentou num tom baixo. — Ela não gosta que a incomodem quando está trabalhando. — ela deu um sorrisinho. — Você deve estar com fome, não é? — Alissa pôs em uma pequena mesa uma algumas variedades de pães e bolos. — Sente-se e coma a vontade. — ela disse por fim.
Apesar da fome que sentia, Renji comeu pouco, se sentindo ansioso pelo seu primeiro dia de trabalho.
– Não é você quem vai cuidar do Kuchiki agora? — ela perguntou, se recostando na mesa aonde Renji comia.
– É sim, por que? — o ruivo respondeu curioso.
– É que os outros, ou melhor, as outras que cumpriam essa tarefa não ficaram aqui por muito tempo.
– Por que? — indagou, começando a ficar intrigado.
– Zaraki sempre desconfiava que as moças davam em cima do Kuchiki. Mas isso não vai acontecer dessa vez, parece que agora ele fez a escolha certa.
– E qual o problema nisso? Afinal o Kuchiki é um jovem...ehrrr...elegante... — o ruivo gaguejou um pouco, não sabia se era certo dizer o que ele pensava de Byakuya. Não queria ser mal interpretado.
– Não percebeu? Zaraki trata o Kuchiki como se ele fosse sua esposa, morre de ciúmes dele. — Alissa deixou escapar uma risadinha — É um pouco estranho, mas logo você se acostuma. — a moça deu uma piscadela para Renji.
– Mas por que Zaraki faz isso? — o ruivo coçou a cabeça intrigado — E por que o Kuchiki não pode sair daqui? — Yona parou de cortar os legumes para olhar para Renji.
– Bom...
– Nós não sabemos...- Yona atravessou a fala de Alissa — Por que não pergunta a ele?
Depois da resposta grosseira da cozinheira, Renji ficou mais intrigado. Elas sabiam de algo mas não queriam contar. Para não ficar mal com elas decidiu sair do aposento. Agradeceu pela refeição e deixou o cômodo. Ao retornar a sala, avistou o Kuchiki entrando na casa, certamente vindo de lá lado de fora.
– Bom dia, Byakuya. — o ruivo deu um sorriso.
Byakuya nada disse, apenas fitou o rapaz por alguns segundos e continuou seu trajeto. E Renji tratou de segui-lo.
O moreno subiu a grande escadaria e seguiu para o lado direito onde havia uma saleta que mais parecia uma pequena biblioteca. A esquerda, as estantes de mogno escuro, lotada de livros, pegavam toda a parede do fundo, enquanto a direita, um belo conjunto de estofado se localizava em frente a lareira. Nas paredes haviam alguns quadros e um tapete persa cobria a maior parte do aposento. Era bem aconchegante.
Byakuya caminhava lentamente diante das grande estantes parecendo escolher um livro. Pegou um de capa verde e em seguida se sentou em um dos estofados. Renji acompanhava tudo com os olhos, se sentando em uma cadeira próxima. Passado um bom tempo, o moreno colocou o livro sobre a mesa de centro que havia de frente para o estofado e se levantou, andando em direção às escadas. O ruivo se levantou também, indo atrás dele.
– Alissa? — Byakuya chamou de cima da escada.
– Senhor. — ela apareceu depois de alguns segundos.
– Traga um chá para mim.
– Sim senhor. — ela respondeu sumindo porta adentro.
Alguns segundos depois Byakuya se virou para retornar á saleta e topou com Renji, que estava parado bem atrás dele. Suspirou fundo, demostrando desgosto.
– Você não precisa me seguir para todos os lugares. — o moreno estreitou os olhos, encarando o ruivo.
Saiu, retornando a pequena biblioteca, com Renji atrás de si novamente. Pegou o livro que estava lendo nas mãos, encarando o rapaz parado á porta.
– Não compreendeu o que eu disse? — disse em tom frio, arqueando uma das sobrancelhas.
– Este é o meu trabalho. — o ruivo se pronunciou — E eu só estou tentando faze-lo.
– E não pode faze-lo discretamente?
– Para que? Afinal , acho que você já sabe porque eu estou aqui. — respondeu encarando os olhos cinza.
Agora o moreno o encarava com repugnância. Como ele podia ser tão grosseiro? Só queria um pouco de espaço. Já não bastava Zaraki atrás de si o dia todo? Segurou o livro com força e deixou a sala, com Renji em seu enlaço, e foi em direção a uma das portas que haviam do outro lado. Entrou em uma delas e a fechou com força antes que o ruivo pudesse dizer qualquer coisa.
E Byakuya passou o resto do dia trancado no quarto. Renji tinha se sentado em um dos degraus da escada, esperando que ele abrisse a porta ou saísse para fora. Mas nenhuma das duas aconteceu. Essa coisa de vigiar alguém era um tarefa fácil , mas cansativa. ''E constrangedora'', Renji acrescentou, se pondo por um momento no lugar de Byakuya. Esperou mais algum tempo. Vendo que já estava escurecendo e que ele não sairia, o ruivo decidiu se recolher e esperar que a situação se apaziguasse.
Fale com o autor