Runaway
4 Capther Three
Notas iniciais
Alguns dias se passaram da mesma forma. Byakuya mal dirigia a palavra a Renji e se mantinha na maior parte do tempo em seu quarto. Isso estava esgotando a paciência do ruivo, que tinha de ficar plantado em frente a porta do aposento no caso do Kuchiki sair. E pelo que parecia este seria mais un dia disperdiçado ali. Já era fim de tarde.
Renji estava perdido em seus pensamentos, até ver a porta do quarto se abrir e Byakuya sair de lá, descendo as escadas ao encontro de Alissa, que organizava qualquer coisa por ali. Desta vez não foi atrás dele, permanecendo parado no mesmo lugar. Depois de alguns segundos, o moreno subiu as escadas de volta, e seguiu em direção ao quarto, ignorando a presença do rapaz.
– Byakuya... — chamou a atenção dele. Mas mesmo assim ele sequer olhou para o ruivo. Apenas adentrou o cômodo e fechou a porta.
O ruivo se aproximou da porta de madeira branca, encarando-a. Tinha de fazer alguma coisa para mudar aquela situação, ou ficaria mais uma vez ali parado, naquele fim de tarde. Respirou fundo e bateu na porta.
– Byakuya. — o ruivo chamou diante da porta. Nenhuma resposta. — Eu sei que não quer falar comigo, mas eu gostaria de lhe pedir desculpas. — esperou alguns segundos e mesmo não obtendo resposta resolveu continuar. — Eu acho que começamos mal, mas queria que pudéssemos começar de novo e quem sabe nos conhecermos melhor. — suspirou encostando a cabeça na porta. "Provavelmente ele não deve nem ter me ouvido", Renji pensou, se afastando da porta.
Mas do lado de dentro do quarto, Byakuya ouviu atentamente cada palavra que o ruivo disse. Havia se levantado e caminhado sorrateiramente até a porta, procurando prestar atenção no que ele tinha a dizer. Tinha uma sobrancelha arqueada, surpreso com o pedido de desculpas. Ponderou um pouco sobre o assunto. Talvez ele tivesse razão quando disse que eles haviam começado mal. Afinal que culpa ele tinha, aquele era o seu trabalho. Pensando assim, abriu a porta do aposento, se colocando para fora. Viu Renji levantar o olhar e encarou os orbes castanhos por alguns segundos e foi em direção a biblioteca.
Depois de alguns segundos o ruivo adentra o cômodo, observando Byakuya se acomodar no estofado com um pequeno livro na mão.
– Posso? — ele indica as estantes com a mão.
O moreno olha para ele e apenas acena positivamente com a cabeça. O ruivo caminha então até as estantes e escolhe um livro médio de capa vermelha. Em seguida se senta em uma poltrona próxima a Byakuya. Este começa a observá-lo enquanto ele lê os escritos atentamente.
– Gosta de poemas? — o moreno pergunta, indicando o livro nas mãos de Renji.
– Sim. — ele responde com um leve sorriso. — Eu sempre lia algum para minha irmã.
– Você tem irmãos? — Byakuya arqueia uma das sobrancelhas, mostrando interesse.
– Só uma irmã, mais nova. — o ruivo responde em um breve sorriso.
– Vocês moram sozinhos? — o Kuchiki lança outra pergunta.
– Não. — respondeu meio intrigado com a curiosidade de Byakuya. — Moramos com minha mãe. Meu pai morreu quando éramos pequenos. — fez-se alguns minutos de silencio. — E você tem irmãos? — Renji devolveu a pergunta, a fim de saber um pouco sobre ele também.
Byakuya ponderou um pouco antes de responder — Tenho dois.
– E aonde eles estão? — o ruivo o indaga, curioso.
– No borough de Hammersmith.
– E por que não mora com eles? — perguntou intrigado.
Byakuya não respondeu, encarando Renji com seriedade por alguns instantes. Um toque de tristeza inundou os olhos acinzentado que se voltaram para o livro que ainda tinha nas mãos. O silencio dominou o ambiente por alguns instantes.
– Desculpe. — o ruivo se pronunciou. — Não quis magoá-lo. — completou, temendo que sua curiosidade o tivesse levado longe demais. Mal começara a se entender com o Kuchiki e já tinha estragado tudo.
– Tudo bem. — o moreno respondeu após alguns segundos. — Só não quero falar sobre esse assunto. — levantou o olhar para o ruivo e o encarou rapidamente, em seguida retornando seu olhar para o livro.
E Renji fez o mesmo, voltando-se para o livro. Começou a folhear as páginas, procurando algo. Pigarreou, chamando a atenção do Kuchiki para si. Este dirigiu seu olhar para o ruivo, quando ele começou a ler em voz alta:
– ''Quando, em silencio, penso, docemente,
Sobre fatos idos e vividos,
Sinto falta do muito que busquei,
E desperdiço todo o meu tempo precioso com antigos lamentos:
Então meus olhos naufragam sem mais saber chorar,
Por queridos amigos envoltos pela noite do esquecimento,
E novamente choro o amor há tanto abandonado,
Gemendo por algo que não mais vejo:
Assim, posso sofrer as velhas dores,
E lamentar, de pesar em pesar,
Uma triste história de antigas mágoas,
Que pranteio como se não tivesse as pranteado antes.''
Suas pupilas se dilataram. Todas as suas angústias foram trazidas a tona a cada verso lido. Nunca pode imaginar que haveriam palavras para descrever seu desgosto por completo. Era como se Renji sibilasse o que sentia em palavras em versos. Aquilo estava sufocando-o. Se ao menos ele soubesse, como sua amargura era tão melancólica quanto as estrofes do poema lido. Sabia que não teria sido intencionalmente. Não poderia.
– Está tudo bem? — Renji indaga intrigado, ao ver o olhar distraído de Byakuya.
– Sim. — ele procura disfarçar voltando a si. — Já está ficando tarde, eu vou me recolher. — o moreno se levantou e caminhou em direção a porta. — Boa noite, Renji.
– Ahn, boa noite. — O Kuchiki se foi, deixando para trás o rapaz intrigado.
Renji foi para seus aposentos, pensando no que teria acontecido com Byakuya. Será que estragara tudo outra vez? Não, ele não lhe parecia bravo ou chateado. O que importava era que as coisas se amenizaram entre eles, apesar da saída repentina de Byakuya da biblioteca. Ele o encantava, até nessas situações estranhas.
Parece que havia um certo ruivo que demoraria para pegar no sono.
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