Runaway

5 Capther Four


Notas iniciais
Olá pessoal, estou de volta n-n E trouxe o primeiro capítulo de 2014 comigo:D Quero me desculpar pela demora, afinal quase 3 Domingos sem atualização, mas sabem como é o fim de ano. Estava sem o meu PC, o que me impediu de postar os capítulos, já que tudo está salvo nele. E para piorar cheguei ontem de madrugada :/ Sei que mereço uns tapas dos leitores que acompanham, por isso eu estou atualizando hoje para me redimir ;-----; Mas nessa semana tudo volta ao normal e as postagens voltarão a ser aos Domingões ;) Feliz Ano Novo a todos :3 Boa Leitura!

No dia seguinte, assim que estava pronto para o trabalho, Renji saiu a procura de Byakuya. Deu uma olhada na pequena biblioteca, mas ele não estava lá. Caminhou até a porta do quarto dele, mas ela estava aberta e o cômodo vazio. Desceu as escadas intrigado, indo para fora e dando uma visão geral de todo o ambiente. Nada de Byakuya. Então voltou para dentro, encontrando Alissa no hall.

– Está procurando o Kuchiki? — Alissa perguntou.

– Sim, mas não o encontro em lugar nenhum. — o ruivo suspirou profundamente.

– Ah, tem um lugar que ele sempre vai. — ela ponderou meio segundo. — É uma colina um pouco afastada da casa, naquela direção. — ela apontou a sua direita.

Renji agradeceu a moça e se pôs do lado de fora seguindo até o estabulo. Selou um cavalo e foi cavalgando devagar. Depois de algum tempo avistou a tal colina e cavalgou até a metade, deixando o cavalo próximo a uma arvore.

Fazia um sol fraco lá fora, onde as sombras das poucas arvores se faziam fajutas. Logo avistou Byakuya, que permanecia sentado no gramado no topo da pequena colina. Caminhou um pouco para chegar até lá. Se aproximou de Byakuya, vendo-o observar o horizonte distraidamente.

– O que faz aqui sozinho? — Renji indaga o homem, se sentando ao seu lado.

– ''Quando em desgraça, sem sorte e afastado

Dos homens sozinho, em meu exílio,

Perturbo os Céus surdos, a gritar sem sossego,

E olho para mim, e amaldiçoo meu destino.'' — Byakuya o olha de soslaio para Renji, em seguida voltando-se para o horizonte.

– Shakespeare? — O ruivo indaga com uma sobrancelha arqueada.

– Sim. Mas acho que é uma parte de mim também. — houve alguns segundos de silêncio.- Vê o que tem bem ali? — ele indica a parte de baixo da colina.

Renji observou um pequeno vilarejo colina abaixo. A distância não era muita, era possível ver o movimento que havia, as carruagens circulando, os cavalos parados em frente ao cochos e bem de leve dava para ver as pessoas que caminhavam pelas ruas, tudo em tamanho mínimo, lembrando-lhe pequenos insetos.

– Um vilarejo. — o rapaz responde após algum tempo.

– Este é o meu lugar predileto. E sabe por que? — o indaga, mas o ruivo balança a cabeça negativamente. Suspira antes de dar lhe a resposta. — Porque aqui eu posso ver outras casas, ver outras pessoas, acompanhando suas atividades. Está é a minha convivência em sociedade. — ele baixa um pouco o olhar. Depois de alguns segundos, completa. — E aqui eu também posso me lembrar de onde e com quem eu vivia sem pesares. É como se eu criasse a tola esperança de que eles estão bem ali, no meu daquelas pessoas, e de que posso vê-los, mesmo que de longe. Que não estou só, entende?

– Por que não pode sair daqui e ir embora, voltar para sua família? — o ruivo finalmente pergunta.

– É uma longa história — Byakuya responde com um suspiro após a surpresa pela pergunta.

– Não importa — o ruivo levou uma de suas mãos ao ombro dele. — Eu tenho tempo e disposição para ouvi-la.

– Um outro dia, Renji. — ele deu um leve suspiro. — E por enquanto, eu simplesmente não posso sair daqui. — o moreno se levanta encarando o horizonte. — Mas eu ainda tenho a esperança de que um dia eu deixarei este lugar. — ele olha rapidamente para o ruivo,, deixando um lampejo triste tomar conta de seus olhos.

Em seguida Byakuya começa a descer a colina, com Renji logo atrás de si. Em um dos pontos da colina, o rapaz caminha até uma arvore, encontrando o cavalo no mesmo lugar, pastando tranquilamente. Ele pega o cavalo pelo cabresto e o leva próximo de Byakuya.

– Quer uma carona? — o ruivo sorri subindo no cavalo. O moreno sorri levemente de volta e sobe no cavalo, se posicionando atrás de Renji.

Os dois seguiram cavalgando de volta para casa, devagar, observando a passagem em volta. Quando chegaram a casa, deixaram o cavalo no estábulo e subiram para a biblioteca, onde a serviçal os serviu uma xícara de chá.

Byakuya se levanta indo até uma das estantes, procurando algum livro que lhe interessasse, enquanto Renji vinha na direção contrária, também a procura de um livro, e só pararam quando se encontraram lado a lado, trocando um olhar. O moreno encara alguma prateleiras acima, desviando do olhar do ruivo e visualizando o que desejava, mas este estava fora de se alcance. Esticou um dos braços tentando alcança-lo, mas foi em vão. Tentou outra vez, vendo um braço alheio junto ao seu, capturando o livro. Acompanhou o movimento do braço, descendo o próprio ao mesmo tempo, até seu olhar encontrar o de Renji, que estava á suas costas, bem próximo a si, agora com o livro em mãos.

– Era este? — o ruivo pergunta direcionando o livro em sua direção.

Byakuya apenas acena positivamente com a cabeça, fitando-o. Renji o encarou de volta e eles ficaram sustentando aquele olhar por alguns longos instantes. O moreno sorriu e pegou o livro, voltando a se sentar. Renji escolheu um livro de capa preta e se sentou em uma poltrona próxima a Byakuya. Ele folheia algumas páginas do livro, e observa uma delas por um instante. Renji observa o Kuchiki, que corresponde ao seu olhar. Então faz uma leve menção de que vai ler o que encontrou, conseguindo a atenção do outro.

– ''Cansado do trabalho, corro ao leito

Para repousar meus membros exaustos de viagem;

No entanto, inicia-se uma jornada em minha mente,

Depois que a atividade de meu corpo cessa: '' — Renji lia pausadamente cada verso do poema, observando o moreno vez ou outra. — ''Assim, meus pensamentos (vindos de muito longe)

Começam uma lenta peregrinação até onde estás,

E fazem que meus olhos sonolentos não se fechem,

Encarando o negror do que veem:

Exceto que a visão imaginária se minh'alma

Traz tua sombra invisível,

Que como joia suspensa no escuro,

Adorna a noite turva, a renovar seus traços.'' — ele termina a leitura e após alguns segundos de silencio, completou ao final. — Este é um dos meus favoritos.

– É muito bonito, Renji — Byakuya respondeu distraidamente, ainda ponderando as palavras do poema que o ruivo acabara de ler.

O ruivo olhava para ele, observando seus olhos cheios de vivacidade. E Byakuya sentia uma comoção boa dentro si, como se todas as palavras que deixaram os lábios dele fossem puras e verdadeiras. Deixara um sorriso sutil aparecer em seu rosto. As coisas pareciam diferentes naquele momento. Renji devolveu o sorriso, que não passou despercebido aos seus olhos tão atentos as reações dele. Ficaram perdidos em um olhar que dizia muitas coisas e ao mesmo tempo não dizia nada, mas que era gostoso de se manter, por se sentir acobertado por aquele olhar tão atraente. Assim que despertaram do que mais parecia um transe, cada um voltou para seu livro. E assim ficaram, apenas por vezes observando um ao outro.

~ * ~

A noite chegou e a lua estava alta no céu. Renji se voltou para Byakuya, que dormia com o livro em mãos. Uma corrente fria de ar entrava pela janela aberta. Renji se levantou do estofado colocando seu livro na mesa de centro a frente. Tirou o livro das mãos de Byakuya com cuidado e o colocou em cima do seu. Em seguida tirou o casaco e colocou por cima do Kuchiki, cobrindo-o. Acariciou levemente seus cabelos negros, tão sedosos e foi descendo pelo rosto. Ele era lindo, parecia um anjo dormindo. A pele era tão incrivelmente branca e macia, e os traços de seu rosto eram perfeitos. Sim, era isso o que ele era: perfeito. Sorriu abobado para si mesmo.

Pegou os livros em mãos. Passou pela janela, fechando a parte de vidro. Foi até uma das estantes, colocando os livros em um espaço qualquer. Ouviu alguns passos, mas ignorou, pensando que o som teria vindo do andar de baixo. Se virou, e se assustou ao encontrar Zaraki parado á porta do aposento.

– Parece que temos um belo adormecido. — Kenpachi adentra a sala, se aproximando do estofado onde Byakuya estava adormecido.

– Quando o senhor chegou? — Renji o indagou intrigado, se aproximando.

– Há uns 15 minutos. — Zaraki respondeu, retirando o casaco de cima de Byakuya.

– Eu já iria chamá-lo para seus aposentos, senhor — o ruivo se pronunciou, vendo Kenpachi mexer nos cabelos de Byakuya.

– Tudo bem Abarai. Eu cuido disso agora. — Zaraki pegou Byakuya nos braços. — Pode se recolher.

– Boa noite senhor, com licença. — o ruivo se retira em seguida.

Assim que chega na porta do quarto se lembra do casaco e volta para buscá-lo na biblioteca. Pega o casaco em cima do estofado e segue seu caminho de volta quando ouve algum vozes, inclusive a de Byakuya. Se aproximou sorrateiramente da porta, observando por uma pequena fresta.

Via Byakuya em pé, reclamando baixinho, algo quase inaudível para Renji. Zaraki o encurralou na parede próxima a uma grande janela. Eles se encararam por alguns instantes, e logo em seguida o homem trouxe o moreno mais para perto, provando de seu pescoço com os lábios, enquanto as mãos percorriam o corpo esguio, acariciando-o sem pudor. Em seguida troca de lugar com o Kuchiki, fazendo menção de beijá-lo, mas ele desvia da investida de Kenpachi com alguns passos para trás, ficando a beira da cama. O homem tira o casaco, o jogando em qualquer lugar, em seguida tira o colete e da parte de trás da calça uma arma e a coloca na mesa de cabeceira, ao lado da cama. Byakuya acompanha o movimento de Zaraki ao deixar a arma sobre a mesa, voltando a encará-lo. Logo após, Kenpachi se aproxima do moreno, derrubando-o entre os lençóis e se livrando da parte de cima da roupa.

Renji da alguns passos par trás após presenciar toda essa cena. Se virou de costas, passando a mão sobre o rosto. Desceu as escadas rapidamente e foi até os seus aposentos. Se sentou á cama, suspirando um pouco afobado, tentando se recuperar do que vira. Não sabia se estava surpreso ao saber que Zaraki e Byakuya estavam...juntos daquela forma ou por saber que o homem anda por aí armado. Seu corpo se arrepiou todo, como se em estado de alerta. Fechou os olhos por um instante, tentando se acalmar.

''Não percebeu? Zaraki trata o Kuchiki como se ele fosse sua esposa, morre de ciúmes dele. — Alissa deixou escapar uma risadinha — É um pouco estranho, mas logo você se acostuma.'' Sua mente reviveu certo momento. Agora as palavras da serviçal faziam sentido para o ruivo. Mas não adiantava ficar ali pensando nisso, como Alissa mesmo disse, logo ele se acostumaria. Teria de se acostumar.

Notas finais
~ Soneto 29 e 27 de William Shakespeare Isso é tudo pessoal! Beijos e até os reviews