Runaway

6 Capther Five


Notas iniciais
Tudo beleza pessoal? Mais um capítulo para vocês n-n Boa Leitura!

Mais um dia começava. Renji já havia se arrumado e descia as escadarias a procura de Byakuya. Adentra a sala de estar ouvindo vozes vindas da sala ao lado. Ele dá alguns passos até a porta e observa Byakuya e Zaraki sentados á mesa, tomando café. O ruivo recua, dando alguns passos para trás na tentativa de passar despercebido e não incomodar os dois, mas ouve a voz grave de Kenpachi chegar aos seus ouvidos:

– Bom dia Abarai.

– Bom dia senhores — Renji deu alguns passos até a porta e fez uma breve reverência aos dois.

– Sente-se conosco e coma alguma coisa. — Zaraki indicou uma cadeira de frente a Byakuya.

– E-eu não quero incomodá-los senhores. — o ruivo olhou da cadeira para Byakuya e depois para Kenpachi, dando alguns passos atrás.

– Ora, deixe de frescura e sente-se aqui. — Zaraki arrastou a cadeira com rapidez, e Renji e o Kuchiki se entreolharam enquanto tomava posse do lugar.

– O senhor vai ficar por aqui hoje? — o ruivo perguntou surpreso ao ver Kenpachi por ali àquela hora da manhã.

– Não, vou sair daqui pouco. — ele toma um pouco do liquido que está na xícara a sua frente. — E por aqui como vão as coisas?

– Vão muito bem senhor. — Renji respondeu olhando de relance para Byakuya.

– Já conheceu a cachoeira que há aqui perto? — Zaraki o indagou.

– Não senhor.

– Ah então é um ótimo lugar para irem hoje, está um belo sol lá fora. — Kenpachi tirou o guardanapo do colo e o colocando na mesa. — Byakuya sabe como chegar lá. — dito isto ele se levantou.

Caminhou até Byakuya, que sentava ao seu lado, se aproximando. Tudo aconteceu muito rápido. Zaraki se aproximou do moreno, roubando-lhe um beijo curto e profundo, esticando os lábios rosados um tantinho, para em seguida os largar. Lambeu de leve os próprios lábios, como se ainda provasse o gosto.

– Já estou de saída. — ele se pronunciou bem próximo de Byakuya. — Até mais tarde. — se afastou, pegando uma maleta que estava próxima. — Até mais Renji. — este só assentiu com a cabeça.

Assim que Zaraki saiu, o olhar perdido e envergonhado se voltou para Renji. Mas o ruivo estava terminando a sua refeição naturalmente, como se nada tivesse acontecido. Ele teria visto? Sim. Olhava diretamente para Zaraki quando tudo aconteceu, ou poderia estar enganado e naquele minuto em que Kenpachi assaltou seus lábios o ruivo estivesse encarando o prato, como fazia no momento. Ou estava disfarçando muito bem o constrangimento, agindo naturalmente.

Renji o encarava por trás das mechas de cabelos ruivos que encobriam seus olhos, vendo que o moreno o observava, intrigado e envergonhado. Mas após alguns segundos seu olhar não foi mais dirigido a ele. Parece que conseguira enganá-lo, agindo naturalmente.

– Renji...

– Vai querer ir até a cachoeira? — cortou o moreno, temendo que ele voltasse ao assunto.

– Sim, claro. — ele respondeu se voltando para o prato.

– Iremos depois do almoço, tudo bem? — o ruivo levantou da mesa.

Byakuya apenas assentiu com a cabeça e Renji saiu do cômodo em direção a biblioteca. Sentou-se, tentando disfarçar a altivez. Porque afinal se sentia tão agitado com o que aconteceu? Seria porque Byakuya trocou alguns olhares com ele ali naquela mesma biblioteca. Talvez tivesse interpretado mal o Kuchiki. Foi bom que viu com os próprios olhos que Byakuya pertencia a Zaraki de todas as formas, antes que se pudesse se iludir.

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Após o almoço, Byakuya se dirigiu ao estabulo, encontrando o ruivo selando um dos cavalos tranquilamente. O moreno se aproxima de um cavalo albino, acarinhando-o perto das narinas. Logo em seguida o pega pelas rédeas e o traz para fora. Renji coloca uma sela no cavalo e arruma as rédeas. Byakuya se aproxima do cavalo fazendo menção de subir.

– Quer ajuda? — Renji chega bem próximo a Byakuya.

– Não, não precisa. — dito isto o moreno subiu no cavalo e saiu em disparada, curvando o corpo e impondo velocidade no animal.

– E-Espera! — Renji gritou, vendo a poeira subir na estrada. — Droga! — resmungou, lembrando-se de que Byakuya não sabia montar, pelo menos era o que achava. De qualquer forma, subiu no cavalo e disparou atrás do moreno.

Cavalgou por alguns minutos, adentrado a floresta. As arvores eram altas, de troncos compridos e suas copas se juntavam, bloqueando parte da luz do sol. A vegetação ao redor era muito baixa, o que ajudou o ruivo a encontrar uma trilha. Começou a segui-la até chegar a um lugar onde a vegetação era menos densa.

– Byakuya! — o ruivo gritava em meio as arvores. — Byakuya!

Houve alguns minutos de silêncio, enquanto ele cavalgava devagar por dentro da mata. Então ouviu um barulho e o seguiu. Visualizou o cavalo alvo de Byakuya, pastando tranquilamente próximo a uma arvore. Desceu do cavalo, e foi conduzindo-o, indo de encontro ao outro animal. O acarinhou, prendendo sua rédea em um galho baixo, repetindo o gesto com o outro cavalo. Deu mais alguns passos e se encontrou a frente de uma lagoa cristalina, acompanhada por uma queda d'agua mais acima. Logo avistou o moreno, que estava imerso nas aguas até o peito.

– Pensei que tivesse se perdido. — o moreno deu um sorriso, vendo a expressão de contrariada do ruivo. — Esse meu cavalo é meio estabanado.

– Fiquei preocupado com você, Byakuya — Renji disse com uma voz firme, se sentando em cima de uma grande rocha que ficava perto da cachoeira. — E até que você cavalga muito bem para quem não demonstra habilidade.

– Tem muita coisa sobre mim que você não sabe. — Byakuya deu um leve sorriso para o rapaz.

Renji ergueu uma sobrancelha. Realmente não sabia muita coisa sobre Byakuya, ele era sempre tão calado e misterioso. Deixou que seu olhar se perdesse observando o outro mergulhar em meio a agua tão limpa. Os cabelos negros estavam levemente bagunçados pela agua, que parecia realçar seus belos olhos. Admirava-o sem pudor, acompanhando cada movimento do Kuchiki. Queria poder tocar a pele. Queria poder descobrir o sabor dos lábios rosados e...Mas em que idiotice estava pensando. Não deveria esquecer que ele já pertencia a alguém. E não era nada decente deixar esses tipos de pensamentos dominarem a mente. Um discreto rubor tomou conta de suas bochechas ao ver que Byakuya o encarava intrigado. Tentou desviar o olhar para qualquer outro ponto, tentando se distrair. Voltou seu olhar ao ouvir a voz grave de Byakuya.

– Venha, dê um mergulho. — Byakuya meneou a cabeça.

– Não, obrigado. — o ruivo recusou com muito custo, pois o sol começava a esquentar. Puxou levemente a gola da camisa para o lado voltou a fitá-lo seriamente. — Além do mais, é melhor eu ficar de prontidão aqui caso decida fugir de novo...

– Daqui pode vigiar mais de perto, não acha? — Byakuya zombou com um sorrisinho. — Vamos Renji, está calor, a agua está tão fresca.

– Não, obrigado.

Byakuya ergueu as sobrancelhas e nadou até o centro do lago. Renji voltou a observá-lo, enquanto ele se afastava da margem. ''Ele é perfeito'', concluiu, enquanto seus olhos o acompanhavam. Droga, já estava se perdendo naquela visão novamente. Fechou os olhos. Não deveria ficar olhando o outro daquele jeito. O silêncio reinou por alguns minutos, e o ruivo o aproveitou, relaxando o corpo e esvaziando a cabeça. Aquele lugar estava tão calmo. Nem mesmo o barulho da agua sendo remexida por Byakuya parecia não chegar aos seus ouvidos. Realmente não estava. Isso alarmou o ruivo, fazendo-o abrir os olhos imediatamente.

Olhou para a lagoa, e em todas as direções, mas Byakuya não estava lá. E nem em lugar algum. Se levantou dando mais uma olhada ao redor. Dali pode visualizar os cavalos no mesmo o lugar onde os tinha deixado. Então ele não saíra da agua?

– Byakuya! — Renji olhava para a agua calma, esperando alguma resposta, mas nem sinal dele.

Não pensou duas vezes. Tirou os sapatos e pulou na agua. Mergulhou por um tempo, procurando -o , mas logo subiu a superfície, olhando de um lado para outro. Uma angústia bateu em seu peito, o que acabou por desespera-lo. Ofegava rapidamente, olhando ao redor. De repente sentiu dedos longos tocarem seu ombro, fazendo com que se esquivasse, enquanto se virava para trás.

– Resolveu entrar? — O moreno com um pequeno contentamento estampado na face.

– Droga! — o ruivo franziu o cenho, irritado. Passou a mão pelo rosto, suspirando aliviado. — Eu pensei que você...- se calou quando o Kuchiki se aproximou dele.

– Bobo — deu um pequeno sorriso.

Os dois nadaram em circulo na agua, sustentando um olhar significativo. Então Byakuya segurou a respiração, afundando dentre a agua lentamente. Renji logo foi atrás dele, mergulhando. As aguas eram tão límpidas, que conseguia ver tudo perfeitamente. Os braços e as pernas se moviam devagar, fazendo com que mergulhassem lada a lado, por vezes deixando que os olhos se encontrassem. Observavam tudo ao redor, como alguns peixes que passeavam por perto, ou os que se afastavam assustado pelo movimentar dos braços abrindo caminho pelas aguas. Se colocaram frente a frente, com o olhar preso um ao outro, ao passo que subiam a superfície. Ao quebrantarem a agua calma, se entreolharam. Estavam tão próximos.

O ruivo sentia a respiração quente e acelerada do Kuchiki, tentando recuperar o fôlego. Renji observava os olhos de Byakuya, que o seduziam involuntariamente, fazendo-o se perder. Levou a mão ao rosto do dele, acarinhando o queixo com leveza, para em seguida os lábios se encontrarem sutilmente. Se moviam vagarosamente , aproveitando o momento, até Renji abrir espaço com a língua, apoderando-se da boca do moreno e descobrindo seu gosto maravilhoso. O Kuchiki passou os braços envolta do pescoço de Renji, agarrando os fios rubros. Logo eles se separaram, sem romper o olhar que sustentavam. Byakuya deu um sorriso discreto assim que o ruivo abaixou o olhar.

– É melhor irmos. — ele disse se afastando. — Já está ficando tarde.

O moreno nada disse, apenas observando-o enquanto se dirigia a margem. Renji saiu do lago, com Byakuya logo atrás dele. Vestiram as peças que haviam retirado para entrar na agua e caminharam até os cavalos. O ruivo ajudou o Kuchiki a subir no cavalo, e logo em seguida montou também, acomodando-se a frente do moreno, assumindo o controle das rédeas. Pegou o outro cavalo pela comprida guia e trouxe o animal mais próximo, fazendo com que o acompanhasse pelo percurso de volta. Byakuya encostou o queixo no ombro do ruivo, envolvendo um braço em seu tronco forte. Renji virou levemente a cabeça, olhando de soslaio para trás.

Já na casa, o ruivo levou os cavalos para o estábulo e Byakuya foi andando em direção a porta de entrada, com um sorrisinho bobo no rosto. Mas esse sorriso sumiu rapidamente ao se deparar com Zaraki no hall. O homem o encarou de cima a baixo. A camisa branca estava meio colada ao corpo, com uma certa transparência, já que Byakuya a vestiu com o corpo ainda molhado. Os cabelos úmido estavam em desordem, devido ao vento.

– Não sabia que já estava em casa. — o moreno pigarreou, tentando disfarçar. — Chegou mais cedo hoje?

Quando Zaraki abriu a boca para responder, eis que Renji aparece a porta, fitando o homem com orbes arregalados pela surpresa de vê-lo ali. Kenpachi esticou o pescoço um tantinho, observando o estado do rapaz com olhos superiores. Suas roupas estavam encharcadas e a cabeleira ruiva solta, ainda molhada.

– Sim. Já fiz o que tinha de fazer. — respondeu a Byakuya, desviando seu olhar de Renji. — Vejo que foram até a cachoeira, pelo estado em que se encontram.

– Nós fomos sim, senhor. — Renji respondeu, abaixando o olhar em seguida.

– Tudo bem. — a voz dele parecia mais amistosa apesar de manter o cenho franzido. — Abarai, está dispensado. Cuidarei do Byakuya agora. — ele disse pegando Byakuya pelo braço e trazendo até si, para que pudesse abraçá-lo.

Renji foi para seus aposentos, tirando a roupa molhada. Se dirigiu para o banheiro e ligou o chuveiro, deixando a agua quente correr pelo corpo, enquanto relembrava o beijo que dera em Byakuya. Os lábios quentes de encontro aos seus, as mãos alvas e molhadas tateando seu pescoço, se enredando em seus cabelos. Levou a mão aos lábios, ainda com resquícios do gosto dele em sua boca. Queria tanto beijá-lo outra vez, mesmo sabendo que não deveria. Suspirou profundamente, tirando esses pensamentos da cabeça e terminando seu banho. Vestiu uma roupa seca e se dirigiu em direção ao lado de fora de casa.

Ao passar pelo hall, observou pela porta entreaberta, Byakuya e Zaraki sentados num estofado, conversando bem de perto. Não precisou se aproximar muito para ver as grandes mãos e Kenpachi deslizando maliciosamente pela perna de Byakuya. O moreno não o impedia, só ficava olhando-o de soslaio, com a cabeça levemente abaixada. Renji ficou paralisado por um momento, mas num ímpeto deixou a casa rapidamente, intrigado. Sentou-se embaixo de uma grande arvore perto da casa, pensando no que vira e se recriminando mentalmente por pensar em Byakuya a segundos atrás. Não, não deveria se envolver daquela forma. Como poderia gostar tanto de alguém, sem nem saber se era recíproco? Um simples beijo não era o suficiente. Não se arriscaria por algo incerto. Esse era realmente o trabalho mais complicado que Renji já tinha feito. E o trabalho deveria ser o seu foco de agora em diante, afinal, estava ali para cuidar dele e não para se apaixonar, por mais encantador que ele fosse. Apaixonado? Estaria apaixonado? Não poderia. Teria seu pescoço bem longe do corpo se isso acontecesse, pois Byakuya pertencia a Zaraki. Só restava engolir esse sentimento, e esquecer o que passou antes que se perdesse. Mas no fundo, no fundo, o ruivo sabia que já era tarde de mais para voltar atrás.

Notas finais
Isso é tudo por hoje pessoal ~ Obrigada por lerem ;) Até os comentários :3 Beijos Gaby