Runaway
7 Capther Six
Notas iniciais
Algumas semanas se passaram. Zaraki estava quase sempre em casa, deixando pouco trabalho para o ruivo. Enquanto isso o este aproveitava para conhecer os arredores da propriedade. Byakuya e ele mantiveram pouco contato após o episódio dia na cachoeira, já que Kenpachi passava a maio parte do tempo naquele escritório, e Byakuya tinha de permanecer ali, ao seu lado. E Renji achava que por enquanto era melhor que fosse assim. Teria menos chances de que Byakuya voltasse ao que acontecera naquele dia. E esse era um assunto que o ruivo não queria retornar, para não criar falsas esperanças.
Zaraki estava no escritório, distraído com alguns papéis. O homem parecia ocupado demais e ele agradecia mentalmente por isso. Mas também o Kuchiki já estava entediado de ficar ali plantado junto a ele. Ele não o deixaria fazer qualquer coisa sem sua presença ao seu lado. Olhava pela janela, observando o céu azul e o sol bonito que fazia lá fora, querendo aproveitá-lo. Queria tanto poder voltar a cachoeira, como naquele dia. Além disso, não havia mais falado direito com Renji desde que retornaram do passeio. Ainda mais com Zaraki sempre rondando próximo a ele, como uma águia em cima da presa. Como agora. Estava cansado de ficar ali, precisava inventar uma desculpa qualquer para sair daquele escritório.
– Eu poderia ir até o pomar? — o moreno fitou Zaraki, que revirava alguns papéis.
– Eu te levo quando eu acabar. — respondeu, sem olhar para Byakuya.
– Mas você parece estar tão ocupado e o dia está bonito lá fora. — suspirou, olhando da janela para Kenpachi.
– Você se lembra de como as coisas funcionam ou eu vou ter de recordá-lo? — Ele largou os papéis e encarou Byakuya seriamente.
Diante do olhar repreensor do homem, Byakuya se apressou em completar. — Pensei que o Abarai talvez pudesse me acompanhar até lá. — Kenpachi ergueu uma sobrancelha, o que demonstrava desconfiança. Isso preocupava Byakuya. — Não é para isso que ele serve afinal? Tem ficado tanto tempo em casa que ele não está tendo utilidade. — usou um tom de desprezo, tentando despistá-lo.
– Vá de uma vez, mas não se demorem. — ele desanuviou o cenho, voltando-se para os papéis.
– Com licença. — Byakuya se retirou da sala, deixando um leve sorriso tomar os seus lábios.
Se dirigiu para o lado de fora da casa, a procura do ruivo. O encontrou no estábulo, escovando um cavalo de pelagem negra. Parecia tão distraído com a atividade, que nem ao menos percebeu a presença do Kuchiki próximo a si, mas somente quando a voz grave dele chegou aos seus ouvidos.
– O que está fazendo?
– Nada de mais. — ele respondeu olhando de soslaio para Byakuya, enquanto guardava a escova em uma caixa.
– Poderia me levar até o pomar perto do bosque? — o moreno se aproximou do cavalo albino e o trouxe para perto de onde Renji estava. — Zaraki pediu que não nos demorássemos.
– Claro. — puxou um cavalo qualquer, que já estava selado e montou. — Te espero lá fora. — dito isto cavalgou lentamente para fora do estábulo, enquanto Byakuya o olhava intrigado.
Quando tudo estava pronto, ele e o ruivo seguiram por trás da casa, num pequeno e depois na descida levemente acentuada de uma colina, até um pouco antes da trilha para a cachoeira, onde havia algumas arvores frutíferas. Pareciam terem sido plantadas ali propositalmente, já que haviam os mais variados tipos e bem próximas umas das outras.
Byakuya desceu do cavalo rapidamente, deixando-o pastar em qualquer lugar por ali. Renji também desceu do cavalo, caminhando de uma certa distância de Byakuya, que andava em direção á uma grande arvore dentre aquelas outras, uma macieira. Ele parou, observando as frutas tão vermelhas penduradas aos galhos mais altos, fora de seu alcance. Deixou a mente viajar nas lembranças por alguns segundos. Via ele e os irmãos correndo por entre as arvores, em tentativas idiotas de subir um em cima do outro para conseguirem apanhar as frutas que estavam lá no alto. O que resultavam em tombos, risos e nenhuma fruta. Então seu pai chegava em seu cavalo branco, e vinha ao encontro deles, pegando-os nos braços, para que pudessem alcançar os galhos altos. Um pequeno sorriso esboçou a sua face. Tudo era tão mais fácil quando seu pai estava com eles.
– Algum problema? — o ruivo se aproximou, vendo o Kuchiki ali, paralisado diante da macieira.
– Não...as maçãs só estão um pouco altas demais para mim. — ele encarou o chão e o ruivo em seguida, vendo que ele passava diretamente por si. — Zaraki sempre acaba pegando-as para mim, então pensei que você...
Renji se virou para trás, interrompendo o moreno ao encará-lo. Chegou bem próximo a ele e puxou levemente o galho da macieira para não quebrá-lo e pegou uma das maçãs, soltando o galho em seguida. Esticou a mão que segurava a fruta em direção ao Kuchiki, que a pegou para si, trazendo para perto do peito. Após isto o ruivo continuou seu trajeto, que findava em um pé de pêssego, observando uma cerca alta ali. Byakuya o acompanhava com os olhos, enquanto o cenho permanecia franzido. Ele estava estranho demais. Será que Zaraki teria o repreendido por estarem tão próximos? Ou será que estava agindo dessa forma por causa do que aconteceu entre eles na cachoeira? Teria se precipitado ao beijar o ruivo? Varias coisas se passavam por sua cabeça enquanto o observava.
– O que você tem? — o Kuchiki arriscou.
– Nada. — respondeu.
– Porque está agindo assim então? Ou pensa que não percebi? — Byakuya se pôs a frente de Renji, encarando-o.
Ele abaixou os orbes castanhos, caminhando em direção aos cavalos. — Vamos embora antes que fique tarde.
Byakuya assentiu, montando no cavalo. O trajeto de volta foi realizado em silêncio, mas algumas vezes o moreno arriscava apenas alguns rápidos olhares em direção ao ruivo. Quando se aproximam da casa, avistam Kenpachi do lado de fora, selando um cavalo negro. Logo ele veio ao encontro dos dois.
– Que bom que já voltaram. — ele os recepcionou. — Abarai eu preciso da sua ajuda, poderia me acompanhar?
– Agora? — o rapaz coçou a cabeleira.
– Sim. — Zaraki montou no cavalo. — E quanto a você querido, guarde seu cavalo e vá para dentro. — se dirigiu a Byakuya, o encarando.
Ele não respondeu, apenas acatando a ordem com a cabeça levemente abaixada, observando os dois sumindo pela colina. Eles cavalgam até um certo ponto do terreno, onde havia uma cerca de madeira, interligada por vários fios de arame farpado, bem rentes. Kenpachi desce do cavalo, caminhando até a cerca com uma pequena maleta de ferro, tirando dela um rolo de arame e um alicate.
– Pode me ajudar a deixar essa cerca mais alta? — o homem estende o rolo de arame para o ruivo.
– Claro, senhor. — Renji começa a ajudá-lo a trançar o arame mais acima. — Qual o motivo desta cerca?
– Demarcar o território da casa. — Zaraki respondeu, mas percebeu a feição intrigada do rapaz. — Só para garantir.
– Garantir? O que, senhor?
– Que Byakuya não fuja. — ele finaliza num tom frio, encarando Renji pelo canto dos olhos enquanto trabalhavam. O ruivo olhou para o lado e engoliu seco. — E por falar nisso, como vão indo as coisas? Estão se dando bem?
– As coisas estão bem, não se preocupe. Byakuya passa quase o dia todo na biblioteca. Quando não é isso, fica em seu quarto. E quanto a nós...não ficamos próximos. — mentiu. — Ele é muito calado, quase não conversamos. É indiferente a maioria das vezes. — olhou para baixo, ao perceber o olhar desconfiado de Kenpachi sobre si. Ele ficou assim por alguns instantes, mas logo suas feições se normalizaram.
– Entendo. — voltou seu olhar para o que fazia. — Temos de ser rápidos. Ainda vou até a cidade hoje.
– Perdoe a minha curiosidade senhor, mas o que faz na cidade? — Renji perguntou, arrumando os fios de arame.
– Um pouco afastado da cidade central Hillingdon tem algumas minas. Há uma lá que pertence a família Kuchiki. — começou a contar. — O pai de Byakuya investiu nessa mina durante anos, acreditando encontrar algo valioso. Mas sempre era menos do que o esperado. Tudo o que encontravam era levado diretamente a grande joalheria do borough de Hammersmith, que pertence aos Kuchiki. O filho mais velho de Ginrei cuida dessa parte. Quando ficou doente achou que isso seria uma sobrecarga nas costas do filho, foi então que pedia a mim que administrasse a mina, mantendo o mesmo sistema, e que cuidasse da casa também. — terminou.
– Interessante. — o ruivo terminou de esticar o último fio de arame. — Bom, parece que terminamos, senhor.
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Quando regressaram a casa, já era fim de tarde. Zaraki apanhou seu cavalo negro e saiu. O ruivo tomou o seu cavalo pelas rédeas e o levou até o estábulo, retirando suas selas e lhe dando de comer. Saiu lá fora, percebendo o céu já escuro, manchado em pontinhos brilhantes, um verdadeiro manto estrelado.
Assim que adentrou em casa, tratou de tomar um belo banho, subindo a escadaria em seguida. Caminhou até a biblioteca, vendo uma luz bem fraca vindo do cômodo. Pensou em Byakuya, que talvez estivesse acordado até essa hora lendo um livro qualquer. Mas deixou um leve sorriso preencher seus lábios ao encontrá-lo repousando serenamente no estofado, em uma posição nada confortável. A iluminação fajuta fazia-o ficar mais bonito do que de costume. Não tinha como disfarçar o que sentia. Queria tocá-lo. Mas sabia que não devia. Tocou no braço com as ponta dos dedos. O moreno não teve reação. Passou os braços envolta do tronco com cuidado para não acordá-lo. O pegou nos braços sem esforço e o carregou para o quarto. O colocou em sua cama, deitando-o devagar. Ele abriu os olhos e balbuciou alguma coisa, mas voltou a dormir. Renji o observa mais alguns instantes e deixa o cômodo, indo se recolher.
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