Runaway

8 Capther Seven


Notas iniciais
E ai pessoal, tudo ok? Preciso dizer que esse foi um capitulo que adorei escrever ;) As coisas vão esquentar e agora a história vai começar a ficar boa xD Boa Leitura!

Byakuya se espreguiçou, sentindo o corpo pesado de sono. Com dificuldade abriu os olhos e fitou o antigo relógio de parede do quarto. Parece que havia dormido até tarde. Quarto? Olhou envolta algumas vezes. Não se lembrava de ter ido até o quarto. Tomou um banho, se arrumou e desceu. A primeira pessoa a quem foi procurar foi Renji. E o encontrou vindo da sala de estar para o hall.

– Bom dia. — ele cumprimentou. — Renji, sabe se o Zaraki chegou ontem a noite?

– Não sei a hora que ele chegou, mas ele saiu bem cedo. — o ruivo respondeu.

– É que eu queria saber como fui para no quarto ontem, pois só me lembro de estra na sala e...

– Fui eu. — Renji respondeu rapidamente, mas de forma seca.

Byakuya arqueou uma sobrancelha e em seguida uma expressão intrigante toma conta de sua face, enquanto o ruivo abaixa o olhar. Depois de alguns segundos, o Kuchiki decide arriscar: — O que está acontecendo com você?

Renji o encara, mas não o responde. Simplesmente sobe a escadaria em direção a biblioteca, deixando para trás um moreno cada vez mais intrigado. Rapidamente ele sobe as escadas e adentra o cômodo, pisando com violência.

– Você vai me dizer o que está acontecendo de uma vez ou não? — Byakuya indaga, espalmando a mão sobre a mesinha de centro, chamando a atenção do ruivo, que tinha um livro nas mãos.

– Olha... — ele levantou o olhar e suspirou fundo. — Entenda que as coisas não podem ser mais como eram antes.

– Por quê?

– Porque simplesmente não podemos. — ele abaixou o olhar e passou a mão pela extensão do rabo de cavalo. Suspirou fundo mais uma vez. — Por que você não lê alguma coisa e esquece isso? — ele se levantou e atirou o livro que estava lendo na mesinha de centro. Logo após, caminhou até um canto mais afastado da sala, aonde havia algumas cadeiras e se sentou em uma delas, apoiando as mãos nas laterais da cabeça.

O moreno permaneceu paralisado por um tempo, o olhar baixo, tristonho. Não conseguia entender o por que do ruivo lhe dizer aquelas coisas. E o mais estranho foi a forma como aquilo o atingiu, como se houvesse um peso no coração. Sentou-se devagar no estofado, e ficou ali absorto nestes pensamentos, e em quase todos eles haviam um intrigante "por quê".

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Ali eles passaram a maior parte do tempo. Já era fim de tarde. Byakuya encarava as paginas de livro, lendo-as com um pouco de desatenção. O silêncio dominava o ambiente. O estofado onde o moreno jazia estava de costas para Renji. Não sabia o que ele fazia ou que expressão carregava no rosto, duvida que consumia o Kuchiki aos poucos. Pressionava o lábio inferior com os dentes. Não entendia, não queria entender. Talvez ele tivesse tentando se proteger. Será que Zaraki...?Não. Ele já teria feito algo. A cabeça de Byakuya agonizava nesses pensamentos. Tentou se voltar para as páginas do livro, batendo os olhos nos poemas que agora pareciam embaralhadas aos seus olhos. Mas eles rapidamente ressaltaram alguns versos.

– '' Escondo-me na minha flor,

Para que, murchando em teu vaso,

Tu, insciente, me procures-

Quase uma solidão''. — leu em voz baixa, em tom calmo, expressando o que estava sentindo de dentro para fora, em palavras. Arriscou um leve olhar para trás, observando o ruivo encarando-o. Ele se levantou e saiu caminhando para fora do cômodo, com certa rapidez.

Teria ouvido o que ele havia lido? Decidiu ir atrás dele, caminhando sorrateiramente atrás do ruivo. Desceu as escadas viu o rapaz passar para o corredor aonde havia alguns cômodos, inclusive seus aposentos. Seguiu na direção contrária, abrindo uma porta no fim do corredor.

Desceu alguns degraus e se encontrou numa adega. Lá, varias garrafas de vinho empoeiradas e uma estante lotada de garrafas de Whisky. Byakuya estava parado a porta, apenas observando os movimentos de Renji. Ele pegou um copo e uma garrafa qualquer, despejando o liquido alaranjado no recipiente. Levou o copo a boca, tomando o seu conteúdo num único gole. Byakuya deu alguns passos para dentro do pequeno cômodo, encostando a porta e tateando a parede de pedra bruta em busca do interruptor. Uma luz fraca e amarelada se acendeu e nesse momento o ruivo olha para trás o encarando, sustentando um olhar intrigado e, ao mesmo tempo, carregado em angústia. O moreno caminha na direção dele, se aproximando lentamente, até se encontrar de frente para o rapaz. Espalmou as mão no peito dele e assaltou os seus lábios. Mas o momento não durou muito, sentindo as mão de Renji o afastarem com leveza.

– Isso não deve mais se repetir. — o ruivo deu alguns passos, se retirando da frente do moreno.

– Por quê? — pergunta ao se separar do ruivo.

– Porque você já pertence a alguém. — ele abaixa o olhar, mordendo o lábio inferior. O gosto dele estava fresco em sua boca.

– Eu? — Byakuya deixou que um leve sorriso tomasse conta de seu rosto. — Eu não pertenço a ninguém Renji.

– O que?

– Não percebe? — o moreno se aproxima, tocando o rosto do outro com as pontas dos dedos. — Eu quero pertencer a você, Renji.

A respiração do ruivo estava acelerada. Ele não acreditava no que tinha ouvido. Byakuya sorria para ele, um sorriso bobo, mas que demonstrava sinceridade em cada palavra. Acariciou o rosto dele e tomou seus lábios com fúria e desejo. Sentia um arrepio subir pela espinha e a paixão incendiar seu corpo. Assaltava a boca dele com vontade, deixando as línguas se encontrarem. O moreno o correspondia, cravando as unhas nas costas largas do ruivo, toda vez que o beijo se intensificava. Um provava o gosto do outro, sentiam se flutuando até que... ouviram alguns passos.

O Kuchiki se separou do ruivo no mesmo instante, ofegando devido o beijo partido. Renji também ofegava, levando a mão ao peito. Os passos se aproximaram e o moreno agiu rápido apagando a luz do aposento. Voltou para próximo do rapaz, levando o indicador aos lábios, num gesto de silêncio.

– Byakuya?

O moreno olhou decepcionado para Renji, revirando os olhos ao ouvir a voz de Zaraki chamar o seu nome. Os passos se afastaram, mas o moreno agiu rápido. Pegou uma garrafa qualquer e duas taças. Deu uma última olhada no ruivo, suspirou fundo e pediu que ele aguardasse ali por algum tempo. Deixou o aposento rapidamente. Assim que pisou do lado de fora encontrou com Kenpachi, deixando o corredor.

– Onde você estava? — Zaraki perguntou, erguendo uma sobrancelha.

– Vim buscar uma garrafa de vinho para nós. — o moreno ergue a garrafa. — O que você acha? — ele passou por Zaraki, seguindo em direção ao escritório, com o homem logo atrás de si.

– E o Abarai, onde está? — olhou de relance para trás, desconfiado.

– N-não sei, acho que está na cozinha. — o Kuchiki tentou disfarçar. — Vamos, tome um pouco do vinho. — sorriu levemente.

– Está animadinho. — Kenpachi levou as mãos a cintura de Byakuya. — Mas eu não posso. Só vim buscar alguns papéis e já vou sair. — ele retirou as mãos. Zaraki escuta alguns passos e se vira, encontrando Renji chegando ao hall. — Abarai, que bom que apareceu. — ele o encarou com seriedade. — preciso falar com você, tudo bem?

– Claro. — Renji e Byakuya se entreolharam.

– Vamos até o meu escritório. — Kenpachi caminhou até lá e assim que entraram ele fechou as portas.

– Pode dizer senhor.

– Bom, eu queria lhe avisar que eu vou passar alguns dias fora. — ele começa. — E também quero te pedir que tome conta do Byakuya direito. Sabe o que eu quero dizer não?- Ele enfiou a mão na parte de trás da calça e retirou uma arma. Colocou-a sobre a mesa e empurrou para perto de Renji. Viu o olhar surpreso do rapaz colidir com o seu, firme. — Sabe como usar não sabe?

– Sim senhor. — o ruivo sabia pouco, mas sabia. Tinha o costume de caçar com alguns amigos.

– Quero pedir uma coisa. — Zaraki espalmou as mãos sobre a mesa, olhando o nos olhos. — Se Byakuya tentar fugir enquanto eu estiver fora, quero que atire nele. Entendeu?

– S-sim senhor. — Renji engoliu seco encarando a arma. A pegou de cima da mesa, colocando-a na cinta.

– Eu confio em você. — dito isto ele abriu as portas do escritório. Saiu para fora, encontrando Byakuya ali, no mesmo lugar. — Já estou de saída querido. — se aproximou do moreno, assaltando seus lábios por um instante.

– Eu vou acompanhar você até lá fora. — Byakuya seguiu para fora junto com Zaraki, olhando de relance para Renji ao sair.

O ruivo aproveitou a deixa e foi até o seu quarto. Lá pegou a arma da cinta e ficou sentado a beira da cama, apenas observando o objeto. Um flash de memoria invadiu sua mente, fazendo-o lembrar que já vira essa mesma arma. Aquele dia que voltara para buscar o casaco, ficara espionando o que acontecia no quarto de Zaraki e viu quando ele a colocou na mesa de cabeceira. Lembranças horríveis. Colocou o objeto ao seu lado no colchão e levou as mãos a cabeça, transpassando os dedos nos cabelos ruivos.

Olhava para fora, pelo vidro da janela, com os olhos fixados na paisagem enquanto pensava a respeito. O pior de tudo era o pedido feito a ele. Meu Deus o que estava acontecendo ali? Estava lidando com um psicopata? Mas psicopata era uma palavra muito futura para aquela época. Ele era um louco mesmo. Quem simplesmente pede a alguém que atire em outra sem nenhum motivo? Estava com medo de se meter em maus lençóis. Saiu do transe, encarando o objeto em cima do colchão. A pegou em mãos novamente, pensando se deveria guardá-la ou carregá-la consigo, apesar de pensar que se a levasse consigo, seria que o mesmo que estar disposto a realizar o pedido de Zaraki. Mas também poderia a carregar por defesa. Droga! Nem sabia o que fazer com ela. Encarava a arma em suas mãos quando ouviu batidas na porta.

– Só um minuto. — respondeu, pensando num lugar para colocá-la. Deixou cair no chão na pressa de levantar e acabou chutando-a levemente para baixo da cama assim que a porta se abriu.

– Tudo bem por aqui? — Byakuya colocou a cabeça para dentro do cômodo, observando o ruivo, que vinha na direção da porta, abrindo-a por completo.

– Sim. — ele olhou de relance para baixo da cama, vendo apenas uma ponta prateada do cano reluzente ousando aparecer. Engoliu seco.

– O jantar está servido. — Byakuya pegou na mão do rapaz. — Vamos. — ele saiu puxando-o, enquanto Renji encostava a porta, puxando-a pela maçaneta.

Caminharam até a sala das refeições onde a mesa estava posta em dois lugares. Renji não entendeu a principio o por quê de Byakuya ter chamando-o, pois sempre jantava depois de todos lá na cozinha. Rapidamente, Byakuya toma um dos acentos á mesa e fica olhando para Renji, com uma sobrancelha levemente arqueada.

– Não vai se sentar?

– Ah, não obrigada. — o ruivo recusa ao perceber o convite.

– Eu sempre acabo jantando sozinho, então pensei que teria a sua companhia esta noite. — o moreno abaixou o olhar.

– Se é assim... Eu te faço companhia. — Renji sorriu e se sentou a frente de Byakuya.

Um sorriso se formou nos lábios do Kuchiki. Eles jantaram, tomaram um pouco de vinho, aquele mesmo que Byakuya tinha pegado na adega mais cedo. Conversaram sobre qualquer coisa e disso Renji estava gostando. Queria conhecer mais do outro e ali estava uma bela oportunidade, já que o vinho o ajudou a ficar mais falante. Entre essas conversas, Renji avisou Byakuya de que Zaraki ficaria alguns dias fora, o que alegrou o moreno ainda mais do que já estava, deixando um sorriso bobo aparecer no rosto.

Depois de ficarem ali por um bom tempo, subiram em direção a biblioteca. O moreno caminhou em direção a janela, fechando-a e observando a chuva começar a cair, respingando o vidro. Despertou do rápido devaneio e se sentou ao lado de Renji, que pegou um livro qualquer em mãos. Se aconchegou no peito quente do ruivo, vendo-o passar as páginas vagarosamente, como se procurasse algo. Parou em uma das páginas e começou a recitar baixinho.

– ''Há uma união entre o que vejo e sinto,

E o bem que cada coisa verte de uma em outra:

Quando meus olhos anseiam por um olhar,

Ou o coração apaixonado, brando, a suspirar,

Meus olhos celebram a imagem do meu amor,

E, diante do banquete, se rende a minha emoção; — Renji lia em tom baixo e provocante, bem próximo ao ouvido de Byakuya. Este fechou os olhos, deixando-se levar pelo som da voz do ruivo. — ''Em outro tempo, meus olhos se aninham ao sentimento,

E se unem aos seus pensamentos amorosos:

Então, seja por tua imagem ou pelo amor,

Estás, mesmo distante, sempre comigo;

Pois não corres mais do que meus pensamentos,

E estou sempre com eles, e eles, contigo;

Ou, se adormecem, a tua imagem a minha frente

Desperta meu amor para a alegria dos olhos e do coração'' — terminou, olhando para baixo, a procura dos olhos de Byakuya. Mas eles estavam fechados e ele dormindo serenamente. Um sorriso fino desenhou seu rosto e ele se levantou, indo em direção aos seus aposentos e depois voltaria para colocar o moreno em sua cama.

Assim que adentrou o quarto foi direto para o banheiro, onde tomou um banho demasiado demorado, relaxando o corpo e pensando em tudo o que estava acontecendo. Parecia uma loucura. Uma doce loucura. Estar ali com Byakuya daquela forma, tão perto de si. Parecia um sonho. Saiu do chuveiro, com a toalha enrolada na cintura. A agua ainda escorria pela pele, ressaltando o formato e a rigidez do corpo do ruivo. Ouviu batidas na porta e logo foi atendê-la, sem se importar com a forma que estava. Abriu a porta, deixando a surpresa invadir o seu rosto. O Kuchiki estava ali parado, trajando apenas um hobbie de cetim branco.

– Byakuya.

~ Continua ~

Notas finais
~ A Letter Is A Joy Of Earth - Emily Dickinson e Soneto 47 - William Shakespeare Espero que vocês tenham curtido o clima de suspense no ar, mas eu acho que já dá para saber o que os aguarda no próximo capítulo né? Beijos e até domingo!