Runaway
14 Capther Thirteen
Notas iniciais
Após um sono pesado no sofá da sala, abriu os olhos devagar, fitando tudo ao redor com os olhos apertados devido ao sono intenso que ainda tomava conta de si. Se encontrava numa posição confotável, suspirando profundamente ao se endireitar. Nunca havia feito isso, dormir pela sala. Sempre subia tomava um banho e se aconchegava ao lado de Byakuya, e aí sim dormia, ou acabava por possuir o outro com vontade, e adormecer envolto no prazer.
Lembrando disso, se dirigiu as escadas, subindo devagar. Sentia uma grande dor de cabeça e sua visão estava um pouco embaçada por causa do sono. Não podia acreditar que havia se deixado levar por aquele velho bêbado, tomando inúmeras doses de Whisky até ficar nesse estado deplorável. Tinha de estar bem até de manhã, o que aconteceria dali a meia hora, de acordo com o relógio do corredor. Impossível. Olhou com dificuldade através da janela do quarto, ou pelo sono ou pelos raios de sol que já se sobressaiam no horizonte. Levantou o dossel da cama e deitou-se de barriga para cima e abriu os braços, se esparramando no colchão, aproveitando o espaço vazio e...
"Espaço vazio?"- o cérebro de Zaraki ligeiramente alterado pela bebedeira maquinou vagarosamente.
Virou a cabeça para o outro lado, franzindo o cenho ao encontrar a cama vazia. Levantou-se com rapidez, o que o fez sentir uma leve tontura, mas mesmo assim seguiu até o banheiro, escancarando a porta, para descobrir que ele também estava vazio. Saiu do quarto em passadas largas e foi até a biblioteca e depois aos outros quartos lá em cima, deixando-os em seguida ao não encontrar ninguém ali também. E foi assim com o escritório, com a sala de estar, de jantar e a cozinha. Não havia ninguém, nenhum pé de gente. Urrou furioso, virando os móveis e quebrando tudo ao redor. Depois que o ataque passou, a casa se fez silenciosa, sendo envolvida pelo sol do amanhecer. Olhou para uma porta que havia no hall, ao lado da escada. Era o único lugar que não tinha olhado.
Abriu a porta com pressa, que saia num pequeno corredor e olhou para uma das portas brancas: o quarto de Renji. Escancarou a porta e entrou com ferocidade, ofegando pesadamente ao ver o cômodo vazio. Os olhos de Kenpachi se estreitaram, cerrou os dentes, e num acesso incontrolável de fúria, virou a cama ao contrario, num urro raivoso, rasgando as roupas de cama e os travesseiros com violência. Passou as mãos no cabelo, fechando os olhos com força. Aquela tontura de novo. Balançou a cabeça, espantando a dor seus olhos vidraram em direção a cama, mas precisamente no chão, bem próximo dela onde uma coisa de cor metálica se fazia reluzente á luz que entrava pela janela. A arma.
Zaraki abaixou-se e a pegou nas mãos, observando na altura do olhos. Colocou-a no cinto, encarando a paisagem que se podia ver da janela. Iria atrás deles onde quer que estivessem. Até mesmo no inferno.
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Byakuya abriu os olhos devagar, percebendo logo a farta cabeleira ruiva ao seu lado. Deixou o olhar percorrer pelo quarto, na empolgação de constatar que não estava mais mesmo naquela casa. Permitiu-se sorrir de felicidade por alguns instantes.
Se sentou no colchão, observando Renji deitado ao seu lado, se remexendo devagar, acordando. Os olhares se encontraram e o ruivo sorriu.
– Bom dia.
– Parece que finalmente consegui acordar com você ao meu lado. — Byakuya sorriu.
– Eu disse que seria em breve. — Renji se espreguiçou, sentando-se na cama também e passando o braço pelos ombros do moreno. — O que é essa medalha? — ele a indicou com a cabeça.
– Foi minha mãe que me deu. — o moreno pegou-a entre os dedos. — Eu a achei guardada nas minhas coisas, o Zaraki não gostava que eu usasse — ele suspirou. — Ela dizia que enquanto eu a usasse estaria protegido. E que um dia eu teria de dá-la a quem eu amasse, e que essa pessoa estaria protegido pelo meu amor. — ele tirou a medalha do pescoço e segurou-a por duas pontas, a mantendo aberta. — E eu vou dá-la para você. — colocou no pescoço do ruivo, sorrindo.
– Para mim? Não precisava. — o rapaz sorriu de volta.
– Precisava sim, porque eu te amo. — beijou levemente os lábios de Abarai, olhando-o nos olhos. — Agora você está protegido pelo meu amor. — sorriu.
Os dois trocaram um olhar cheio de ternura, ambos com um sorriso nos lábios. Tomaram um banho e se aprontaram, descendo em direção a cozinha. Mary e Andy já estavam de pé, colocando a mesa para o café da manhã.
– Já estão acordados tão cedo? Não são nem 8 horas. — ela colocou as xícaras nos pires brancos. — Eu pensei que fossem descansar mais um pouco.
– Sim, mãe. — Renji se sentou á mesa. — E não vamos demorar. Eu e Byakuya temos de ir para Hammersmith, e quanto mais cedo melhor. Quando terminarmos de tomar café, quero que peguem suas coisas pessoais e me encontrem aqui em baixo.
– Mas eu e a Andy também?
– Sim. — o ruivo respondeu, dando mais um gole na xícara de chá.
Logo após os quatro tomarem café, eles subiram e arrumaram seus pertences pessoais rapidamente. Depois de algum tempo, eles se encontraram na sala, cada um com uma pequena bolsa, segundo as orientações de Renji.
– Eu ainda não entendi o porque de sairmos daqui meu filho. Eu e sua irmã ficaremos bem. — ela sorriu e Andy concordou com a cabeça.
– Eu não posse deixar que corram esse risco, mãe. — o rapaz envolveu as mãos de Mary nas suas.
– Renji tem razão. — o Kuchiki se pronunciou. — Zaraki é um homem perigoso, e não vai medir escrúpulos para conseguir o que quer. Eu só lamento por ter envolvido vocês nessa história. — ele abaixou o olhar, preocupado por envolver a família do ruivo nessa confusão. Não se perdoaria se algo acontecesse a eles.
– Peguem uma carruagem e se hospedem em algum lugar longe daqui, pois ele vai vir atrás de mim. — o ruivo deu a mãe um pequeno maço de dinheiro. — Eu as procurarei quando tudo estiver em paz.
– Nós podemos procurar por Ichigo e ficar com ele. — Andy sugestionou a mãe, que concordou com a cabeça.
– Não acho que seja uma boa ideia. — o ruivo discordou com a cabeça. — Se ele encontrar o meu irmão, encontrará vocês também. — ele suspirou e deu a mão ao Byakuya. — Todos estão prontos? Se estiverem podemos ir.
Todos concordaram com a cabeça e se dirigiram para fora da casa. Renji beijou a testa da irmã e a da mãe, abraçando-a com força em seguida. Ele e Byakuya esperaram até que a carruagem chegasse para apanhá-las. E assim que ela chegou, os dois montaram no cavalo, observando elas se aconchegarem na carruagem. Deu uma última olhada para as duas.
– Boa sorte filho. — Mary sorriu ternamente, antes da carruagem partir.
O ruivo sorriu por um instante, vendo a carruagem se afastar. Segurou com firmeza as rédeas do cavalo, colocando-se a caminho do Borough de Hammersmith.
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Era começo de noite quando Byakuya e Renji chegaram no borough de Hammersmith. O moreno olhava tudo ao seu redor atentamente. Muitas coisas mudaram em oito anos, mas aquelas velhas ruas eram exatamente as mesmas. Um sentimento bom tomava conta do Kuchiki. Ali estava a sua história, as suas lembranças. Por mais que tivesse sido tirado daquele lugar elas continuavam vivas em cada esquina. E isso alimentava a sua esperança.
Pediu para que Renji parasse em um ponto da cidade, perto da praça central. Byakuya foi o primeiro a descer do cavalo, deixando as memória dominarem sua mente enquanto os olhos capturavam cada cena, cada rosto que passava por eles. Sentia-se livre.
– Eu vou procurar um lugar para nos hospedarmos, tudo bem? — o ruivo acarinhou o ombro do Kuchiki. — Não é seguro ir até a sua casa agora não é?
– Sim, claro. — ele respondeu distraidamente.
– Pode ficar aqui se quiser... — ele se colocou de frente para o moreno, interrompendo seu olhar vidrado em um ponto qualquer. — ...desde que fique atento. O Zaraki pode aparecer a qualquer momento. A uma hora dessas ele já deve saber que fugimos, então procure ficar em alerta, tudo bem?
– Sim, eu estou, não se preocupe. — Byakuya sorriu, acariciando o rosto do outro. — Obrigado.
O ruivo apenas sorriu e se distanciou rapidamente, caminhando pelas ruas estreitas.
~
Algum tempo depois, Renji conseguira um quarto para eles em uma hospedaria bem próxima da praça. Procurariam não ficar expostos e talvez, depois de mais ou menos uma semana, levaria Byakuya ao encontro de sua família, sempre em cautela constante para que Zaraki não os encontrasse. Virou a rua, seguindo até o local aonde havia deixado o Kuchiki. Foi se aproximando, chegando até uma rua estreita e curta, que saia bem em perto da praça, e consequentemente, no lugar onde Byakuya estava.
O ruivo franziu o cenho, ao ver que o Kuchiki conversava com alguém. Se aproximou mais alguns passos pela rua estreita, chegando tão próximo a ponto de vê-los e ouvi-los passando despercebido. Byakuya conversava com um homem elegante e muito bem vestido, com quem parecia ter intimidade. Ele parecia ser um pouco mais velho que o moreno, também tinha uma longa cabeleira negra e cheia, mas comportada, traços perfeitos que se esboçavam sobre a pele alva e olhos seriamente maliciosos, de um azul claríssimo que Renji nunca vira igual. Se concentrou, tendo ouvir a conversa deles em meio aos barulhos da cidade.
– ...ah, eu senti tanto a sua falta! — Byakuya disse, enfeitando os lábios com um sorriso terno.
– Eu também senti muito a sua falta...- o homem suspirou. — Pensei que nunca mais fosse vê-lo de novo! Estou muito feliz ao ver que está bem e que finalmente voltou. — ele sorriu, acarinhando o ombro do moreno.
– E voltei para nunca mais deixar este lugar. — o rosto do Kuchiki se contorceu numa expressão terna.
– Ficaremos juntos de novo, como nos velhos tempos. — o homem sorriu e abraçou Byakuya. Um abraço aconchegante e apertado.
– Eu te amo. — o moreno disse ao se aconchegar nos braços do outro.
– Eu também te amo, meu... — a fala foi interrompida, ao ver um rapaz ruivo parado á sua frente, com um olhar indignado. No esmo minuto encerrou o abraço em que envolvia Byakuya, o que o fez virar para trás, podendo ver aquela cena também.
– Renji? — o Kuchiki se desvencilhou dos braços do homem e o encarou com um sorriso. — Que bom que está de volta, tem uma pessoa que eu gostaria de te apresentar. — se aproximou dois passos, puxando o homem pela mão na direção de Abarai.
– Esse aí eu não faço questão de conhecer. — o ruivo falou indignado. — Como você pôde? — ele franziu o cenho, suspirando raivoso. — Eu fiz de tudo para te tirar daquele lugar e te dar a liberdade, e é assim que você me agradece? Me enganando, fingindo tudo o que passamos, sendo que você já tinha alguém aqui fora!- ele abaixou o olhar, tristonho. — Eu simplesmente não posso acreditar.
– Renji, o que você está dizendo? — Byakuya franziu o cenho. — Eu não sei como, mas está interpretando mal as coisas aqui...
– Não, não estou. Eu ouvi Byakuya! — o ruivo ergueu um pouco o tom de voz. — Todas aquelas palavras que eu ouvi vocês dizerem, palavras ternas, de afeto, são mais do que suficientes para que eu chegasse a essa conclusão, não acha? Não acredito que foi capaz de me enganar assim dessa forma, enquanto eu fui tão sincero! — ele esbravejou choroso.
– Renji... Não diga isso, eu amo você e somente você!
– Chega! Não faz mais sentido mentir, Byakuya. — fez-se alguns segundos de silêncio, então Abarai arrancou a medalha no pescoço e atirou-a na direção do Kuchiki. — Eu acho que não vou precisar mais disso.
Ele deu as costas para os dois, choroso e enraivecido, caminhando até o cavalo em passadas largas e duras, que demonstravam sua decepção e desespero.
– Renji, não faz isso... — ele seguiu o ruivo em direção ao cavalo, observando ele montar, sem ao menos encará-lo de volta em meio as suas súplicas. — Você entendeu tudo errado, eu...
Byakuya não teve a chance de terminar, pois o ruivo saiu em disparada, cavalgando por entre as ruas estreitas até sumir de vista. O morenos suspirou desesperado, segurando a medalha entre os dedos, deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto silenciosamente.
– A culpa foi minha. — o homem se aproximou, abraçando Byakuya novamente. — Não se preocupe, eu resolverei isso amanhã, agora já está tarde, temos que arrumar um lugar para você ficar.
Enquanto isso, o ruivo se dirigiu até a hospedaria onde tinha conseguido um quarto. Subiu um lance de degraus, chegando a um imenso corredor e entrando em uma das portas. Jogou-se na cama do jeito que estava. Não tinha vontade de fazer mais nada a não ser deixar as lágrimas correrem pelo rosto até dormir. Não acreditava. Como o homem que julgava ser o amor de sua vida poderia ter feito aquilo com ele, o enganado daquela forma, o fazendo de bobo apenas para conquistar seus objetivos. Tinha repugnância de pessoas assim, e não acreditava que tinha caído na armadilha de uma delas. Estava completamente abalado, e tudo o que lhe restava era fazer o que já havia pensado: ficar ali se debulhando em lágrimas até o sono chegar.
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Já era noite a algum tempo quando Zaraki chegou a mais uma das pequena cidade do borough de Brent. Parara algumas vezes, perguntando nas cidadezinhas anteriores pelo ruivo, mas até então, sem resultados. Estava cansado e irado, mas não iria parar de forma alguma.
Deixou o cavalo em frente a um bar, no qual passava pela porta no momento. Estava pouco movimentado, com apenas alguns bêbados que acabariam por dormir ali mesmo. Acomodou-se em uma das banquetas e pediu uma dose caprichada de um bom Whisky para um senhor bigodudo que atendia no balcão. Era tudo o que precisava agora.
– Você não é daqui. — o senhor colocou o Whisky no copo, dirigindo-o á Zaraki em seguida. — Conheço todos desta cidade. O que procura por aqui senhor?
– Uma boa dose de Whisky. — respondeu de cara fechada. — E uma informação talvez. — ergue a sobrancelha para o velho.
– Pode perguntar.
– Por acaso há algum Abarai por aqui? — perguntou, vendo o velho franzir o cenho. — É um rapaz alto de cabelos ruivos, traços marcantes. Difícil não lembrar.
– Ah sim, o senhor procura pelo Renji não? — o velho deu um sorriso.
– Isso mesmo. — Kenpachi deu um gole na bebida. — O senhor o conhece?
– Claro. — o velho abriu mais o sorriso. — É um bom rapaz. Vinha aqui com frequência, mas faz algum tempo que não o vejo. Ouvi seus amigos comentarem que ele arranjou um emprego.
– Sabe aonde ele mora?
– Sim senhor. É na décima casa á esquerda. Só seguir em frente. — o velho deu uma piscadela.
– Eu agradeço. — Zaraki virou o conteúdo do copo de uma só vez, colocando-o no balcão, juntamente com o dinheiro para pagar a conta.
Saiu para fora se sentindo vitorioso. Montou no cavalo e seguiu por alguns metros, logo avistando uma casinha de madeira pintada em branco e marfim. As luzes estavam apagadas. Na verdade parecia que não havia ninguém por ali. Desceu do cavalo, se aproximando da casa.
Forçou um pouco a porta, conseguindo abri-la com facilidade. Acendeu as luzes e percorreu o andar de baixo da casa. Estava vazio. Subiu até o segundo andar e revistou todos os cômodos, que se encontravam tão vazios quanto o resto da casa. Retornou para o lado de fora, raivoso. Só havia duas possibilidades: ou eles nunca estiveram ali, ou estiveram e já foram embora. Em sua percepção, a segunda opção era a mais óbvia E agora só restava uma escolha para Zaraki: seguir para o Borough de Hammersmith. E foi o que fez, sem perder tempo.
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