Runaway
15 Capther Fourteen
Notas iniciais
No dia seguinte, logo de manhã, Renji acordou com os raios de sol no rosto, incomodando sua visão. Apagara completamente na noite passada. Levantou da cama e foi logo tomar um banho.
Em seguida, saiu do banho relaxante pensava no que faria de sua vida agora, pois já tinha planos com Byakuya, que foram despedaçados junto com seu coração. Amava tanto aquele homem, com tanta sinceridade para que ele o apunhalasse pelas costas? Por que não lhe dissera a verdade desde o início? Renji o ajudaria da mesma forma. Zaraki tinha razão, quando tentou alertá-lo, mas...
Seus devaneios foram interrompidos por batidas na porta. O ruivo coçou a cabeça. Não se lembrava de ter pedido serviço de quarto ou qualquer coisa semelhante, então quem poderia ser? Byakuya talvez? Ou pior: o teriam descoberto? Um arrepio percorreu a espinha de Abarai ao ouvir mais uma batida na porta. Seja lá o que fosse, era insistente, pois batia mais uma vez. Não lhe restava outra opção se não abrir.
– Você?! — o ruivo ficou surpreso ao abrir a porta e conferir quem estava a sua procura. Como aquele homem se atrevia a procurá-lo? Sim, aquele mesmo homem com Byakuya estava ontem. Mas que impertinência.
– Você é Abarai Renji não é? Posso falar com você por alguns instantes? — o homem se manteve parado a porta, mesmo com o olhar raivoso do ruivo sobre si.
– Como você ousa vir até aqui? — Renji aumentou o tom de voz, indignado.
– Vim para me explicar.
– Não quero ouvir suas explicações, guarde-as para outro idiota. — o ruivo virou a cara para o homem, num gesto soberbo.
– Não quer mais precisa. — o homem mantinha uma calma infalível estampada no rosto e em sua fala. Parecia seguro de si, na visão de Abarai. Então ele gesticulou com a mão, indicando ao homem que ele poderia entrar.
– Então diga, estou ouvindo. — ele fechou a porta atrás de si, encarando o homem alguns centímetros mais baixo que ele.
– Bem, eu vim para te dizer que você interpretou mal as coisas. — o homem começou. — Você provavelmente julgou o que viu à primeira impressão, e não deixou que nós nos explicássemos.
– Foi o Byakuya que te mandou aqui?
– Não, eu vim porque quis esclarecer esse mal entendido.
– Olha, eu nem sei quem você é, mas parecia ter intimidade com o Byakuya. — o ruivo suspirou profundamente. — As palavras que vocês trocaram...Se aquilo não é amor, eu não posso imaginar o que mais seja.
– Mas é amor.
– E você tem coragem de dizer isso na minha cara? — Renji cerrou os dentes, completamente enfurecido. Mordeu o lábio inferior, encarando aquele homem. Era engraçado como ele mantinha a calma e a elegancia mesmo diante com o olhar raivoso que lançava sobre ele.
– Sim, pois não é nenhuma mentira. Mas o fato é que eu jamais poderia ter algo com Byakuya.
– Como assim? — o rapaz franziu o cenho. — Por quê não?
– Porque ele é meu irmão.
– Ah...O QUE?! — o ruivo ficou sem reação. Se fosse possível seu queixo estaria no chão agora.
– Era isso que eu e Byakuya tentamos lhe explicar, mas você não nos deu a mínima chance. — o homem deu um pequeno sorriso.
– Não pode ser... — Renji olhava para o homem com os orbes arregalados. Prestando bem atenção, agora podia ver uma leve semelhança entre ele e Byakuya.
– Permita que eu me apresente devidamente. — o homem suspirou em meio a outro sorriso. — Meu nome é Kuchiki Leto, irmão mais velho do Byakuya. Ele já deve ter falado de mim para você.
– Sim...Eu, hmm...Me desculpe. — o ruivo passou a mão pelo rosto. Como poderia ter sido tão bobo e se deixado enganar? Logo ele, que era tão a favor da justiça sempre procurando ouvir os dois lados, fizera tudo ao contrário.
– Não precisa se desculpar, guarde isso para o meu irmão. — ele sorriu colocando a mão no ombro do rapaz. — Eu tenho certeza de que é o que ele está esperando. Vamos?
– Agora? — Abarai sorriu, meio desnorteado.
– Sim, sim. Pegue as suas coisas, eu te acompanho até lá. — Leto trocou um sorriso com o rapaz e os dois partiram. Estava mais do que na hora de dizer o quanto amava Byakuya.
~
O moreno tinha acabado de sair do banho, tristonho desde o dia anterior. Não acreditava que Renji pudesse ser tão irracional ao ponto de nem mesmo deixá-lo explicar que aquilo tudo foi um mal entendido.
Tinha medo. Medo de ter perdido o ruivo para sempre por causa de uma bobagem. O amava tanto, como jamais amara alguém. Foi ele que lhe mostrou que mesmo nesse mundo cruel, o amor ainda pode vencer. E o mostrou como esse amor tão avassalador poderia acontecer, quando o tocava e o amava, como ninguém nunca havia feito. Não sabia o que faria sem ele. E isso fazia seu coração pulsar desesperado por uma resposta.
Algumas batidas na porta fizeram com que Byakuya deixasse de lado os seus devaneios e voltasse a realidade. Não se apressou para abrir, pois provavelmente seria o Leto, dizendo que fracassou ao tentar falar com Renji, pois ele parecia tão...ferido.
Abriu a porta, arregalando os olhos em surpresa ao ver quem estava parado bem a sua frente, acompanhado de Leto.
– Leto, voc...
– Eu tenho certeza que vocês tem muito o que conversar, entre...- Leto sorriu, indicando o rapaz com a mão. — Bem eu vou voltar para casa, espero vocês lá mais tarde. — ele falou em meio ao olhar ansioso que os dois sustentavam. Saiu dali, encostando a porta em seguida.
– Renji... — o moreno ficou paralisado por alguns segundos procurando entender o que estava acontecendo. — O que voc...?
Foi abruptamente interrompido, sentindo os braços quentes e fortes de Renji o envolverem num abraço forte e aconchegante. Ele depositou um beijo em seu ombro e aconchegou o pescoço no mesmo.
– Me perdoe. — o ruivo suspirou, apertando os olhos enquanto intensificava o abraço. — Me perdoe por ter sido tão tolo. Mas eu amo você demais para te perder.
– Eu já perdoei, porque não consigo sentir raiva de você, Renji. — o moreno abraçou com mais força, encostando o queixo no pescoço dele. — Eu te amo.
– Eu também te amo Byakuya. — o ruivo sorriu e tocou o rosto pálido com a ponta dos dedos.
O trouxe mais para perto, beijando-o com vontade, enquanto as mãos se buscavam gentilmente. As bocas se devoravam de um modo vagaroso, mas intenso, numa fusão entre o amor e o desejo. Byakuya segurava com força a camisa de Renji na região das costas, como se não quisesse deixá-lo ir nunca mais. Principalmente quando o Abarai o atirou entre os lençóis da cama, projetando seu corpo forte por cima do dele, tão quente, eriçando os pelos ao contato com a corrente de ar assim que sua camisa foi tirada com agilidade pelo ruivo.
Seu pescoço era beijado suavemente, alternando com a boca e o peito, passeando as mãos grandes pelo seu corpo, num toque gentil, mas que não deixava o desejo de lado. E tudo com o mais grandioso amor que já conhecera. Sabia que naquele momento aconteceria a verdadeira reconciliação, dentro de um ato amoroso que unificava os dois de uma forma que nada e nem ninguém seria capaz de destruir.
#
Algumas horas se passaram até decidirem ir até a casa de Byakuya. Estavam preguiçosos depois da reconciliação tão calorosa. O que realmente importava era que tudo entre eles havia se resolvido, e com isso puderam ter mais do que certeza de que o amor deles era mais do que verdadeiro.
– Vamos? — Renji se pronunciou, abotoando a camisa. — Temos de voltar antes do escurecer.
– Sim eu já estou indo. — o moreno saiu do banheiro, penteando os cabelos. — Estou pronto. Mas tenho que fazer uma coisa, antes que eu me esqueça. — ele fuçou dentro da sacola aonde estava suas roupas, retirando alguma coisa de lá. — Pelo que me lembro, isto pertence a você. — o moreno abriu a corrente dourada, segurando-a pelas pontas.
– Eu nunca mais vou deixar de usá-la. — o ruivo sorriu, assim que Byakuya terminou de colocá-la em seu pescoço. — Eu te amo. — roubou um beijo rápido dos lábios dele e deixaram o quarto.
~
Partiram da hospedaria, cavalgando em direção á casa dos Kuchiki, que Renji pôde constatar que não era uma simples casa, ao pararem diante dos grandes portões. Era uma casa imensa, de um jardim bem cuidado e fachada impecavelmente luxuosa. O ruivo se sentiu até um pouco constrangido ao perceber que Byakuya era muito bem de vida. Sabia que sua família tinha dinheiro, mas não imaginava que era tanto a ponto de ter uma mansão enorme como aquela. Em pensar que na noite passada ele tinha dormido em sua casa, que é tão simples...
Abarai balançou a cabeça, deixando o devaneio de lado assim que Byakuya desceu do cavalo. Também desceu, mas ficou parado ali por alguns segundos, apenas observando as reações do moreno, e se preocupou no momento em que ele arregalou de leve os olhos e franziu o cenho.
– Algum problema? — o ruivo perguntou, vendo que Byakuya parecia imóvel diante do que via, como se estivesse pensando em algo.
– Bom, era para ter um guarda aqui na porta de entrada e dois no portão. — ele levou a mão ao queixo. — Não era para o portão estar aberto.
– Será que...?
Byakuya não pensou duas vezes e escancarou a porta de uma vez. A casa estava silenciosa, como se não houvesse alguém morando ali há algum tempo. Deu alguns passos pelo pequeno cômodo que precedia o hall da escadaria, observando os cacos de um vaso quebrado e algumas coisas fora do lugar, os tapetes manchados em grandes círculos vermelhos. Na parede da esquerda havia um homem estirado no chão, envolto por uma poça de sangue. Renji arregalou os olhos preocupados, e Byakuya segui mais a frente, chegando próximo a escadaria, onde encontro mais um corpo estirado no chão, o qual reconheceu imediatamente.
– LETO! — o moreno gritou em desespero, correndo em direção ao corpo. — Leto, acorda por favor. — se ajoelhou ao lado do irmão, sacudindo-o de leve. Seu rosto estava vermelho, e de sua boca escorria um filete de sangue, e o mesmo brotava vagarosamente de um ferimento na barriga, que aparentava ter sido uma facada.
– Temos que tirá-lo daqui agora. — Renji perguntou, também ajoelhado ao lado do corpo.
– Leto, fala comigo meu irmão, por favor! — sacudia-o pelos ombros, dando leves tapinhas no rosto dele, mas nada, ele continuava desacordado. — Vamos Leto, eu vou te tirar daqui. — o moreno fez a menção de levanta com o corpo do irmão entre os braços, mas parou imediatamente ao sentir a parte de trás da sua cabeça em contato com algo frio e metálico. Virou vagarosamente a cabeça, tentando ver o que acontecia pelo canto dos olhos, e logo estes se alarmaram, chocados ao presenciar algo que jamais desejava ver de novo.
– Pensou que ia se livrar de mim, Kuchiki? — a voz rouca de Zaraki ecoou pelos seus ouvidos, e então o encarou de frente, vendo a arma apontada agora bem perto de sua testa, o que gerou um calafrio em sua espinha.
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