Runaway
11 Capther Ten
Notas iniciais
A manhã passou rápida aos olhos de Renji, que sentia decepcionado por não conseguir elaborar um bom plano para tirar Byakuya daquela casa. Estava na porta do quarto dele pela terceira vez, o observando dormir tão sereno, de forma que jamais aparentaria todo o sofrimento que passou por anos. Toda vez que relembrava as coisas que o moreno havia lhe contado, sentia o estômago revirar. Como alguém poderia ser tão medonho? Agora tinha mais do que certeza do que Zaraki era capaz e sabia que se não tomassem cuidado para que não acontecesse algo errado, estariam perdidos. E era por isso que precisava que o assunto fosse pensado com mais cautela.
Viu Byakuya se remexer na cama, fitando-o com seus orbes acinzentados ainda cheios de sono. Ficaram assim por alguns instantes, apenas sustentando um olhar terno, deixando um sorriso singelo tomar conta de ambos lábios. O moreno interrompeu essa linha invisível que os mantinha ali, se espreguiçando devagar e sentando-se no colchão em seguida.
– Não perde o costume de se levantar cedo, não é? — perguntou, sorrindo em seguida. — Será que algum dia terei você na cama comigo quando amanhecer? — deixou um resquício de um dramatismo tomar conta de sua voz naquele instante.
– Em breve. — Renji se limitou a responder, sorrindo.
– Pensou em alguma coisa? — se levantou da cama ao perguntar, curioso, enquanto procurava uma roupa para vestir.
– Nada de extraordinário. — respondeu meio aborrecido por não ter um bom plano em mente. Por mais que quisesse tirá-lo daquele lugar, não estava conseguindo ser criativo.
– Diga, pois não deixa de ser um plano afinal. — Byakuya o encorajou, levando uma das mãos ao ombro do rapaz.
– Não é nada de mais, só acho que deveríamos matar o dia na cachoeira ou noutro lugar, para que possamos agir depois que escurecer, o que facilita a nossa fuga. — suspirou, desiludido com o que acabara de falar. — Não levaremos muita coisa, apenas algumas roupas, um pouco de comida, se precisarmos nos esconder e algum dinheiro para quando chegarmos na cidade. Apesar de que ficaremos na minha casa.
– Na sua casa? Lá é o primeiro lugar que o Zaraki vai procurar.
– Sim, apenas uma noite. Não se preocupe, o borough de Brent fica a um dia e meio daqui. Quando ele descobrir que fugimos, já estaremos bem perto Hammersmith. — ele acariciou o rosto de Byakuya, tranquilizando-o.
– Descobriu como passar pelo dois homens que guardam o portão?
– Sim. Está tudo aqui, na minha cabeça. — deixou um sorrisinho escapar, quando aproximou o rosto do Kuchiki, tomando seus lábios levemente. — Vamos, coma alguma coisa para irmos até a cachoeira.
Byakuya não disse nada, apenas sorriu, contente.
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Havia sido uma tarde de sol quente, então Byakuya e Renji puderam aproveitá-la muito bem na cachoeira. Se divertiram tanto juntos que até se esqueceram que deveriam voltar para a casa e colocar o plano em prática. Renji via os olhos de Byakuya se encherem de esperança enquanto eles comentavam como as coisas aconteceriam quando chegassem a casa. Aquele plano de fuga tinha tudo para dar certo.
Mas eles não contavam com um obstáculo surpresa.
Quando chegaram a casa, estava quase anoitecendo, com apenas aquele manto escuro ameaçando apossar-se do espaço, tentando encobrir os poucos raios dourados que ainda pintavam o céu. Renji parou o cavalo próximo a escadaria de mármore que dava acesso a porta de entrada. Byakuya, que estava agarrado a cintura do ruivo e com o queixo apoiado em seu pescoço, se desgrudou do rapaz, acariciando um de seus braços e desceu do cavalo, se dirigindo a porta enquanto o outro seguia para o estabulo.
Subiu os poucos degraus e atravessou a porta, com um sorriso surgindo nos lábios. No mesmo instante em que surgiu, desapareceu. Sentiu um calafrio percorrer a espinha, deixando-o paralisado. Sentiu uma presença se aproximar de suas costas, mas sequer olhou para trás. Seus olhos estavam vidrados apenas em uma coisa em sua frente: Zaraki Kenpachi. O nervosismo fluía nas veias e o clima era de tensão.
– Eu não sabia que chegaria hoje, pensei que fosse passar mais alguns dias fora. — Byakuya arriscou dizer alguma coisa diante do silêncio tortuoso entre eles.
– Saia daqui agora Abarai. — disse ameaçadoramente sem ao menos olhar para o ruivo. — Está dispensado por hoje.
Renji olhou de Zaraki para Byakuya, assentindo rapidamente com a cabeça e caminhando e atravessando o hall devagar, com o olhar baixo e temeroso com os momentos seguintes.
– E você, vem comigo. — Kenpachi estendeu a mão pegando com força o braço de Byakuya, que se soltou num movimento brusco. No mesmo instante o homem avançou com a mão, enroscando-a aos cabelos de Byakuya, puxando os fios negros com violência.
– Me solta! — o moreno exclamou numa tentativa inútil de escapar.
– Cale a boca. — Zaraki o puxou com força para próximo a si, obrigando o Kuchiki a subir as escadas até o quarto.
Renji estava ali escondido, presenciando toda aquela cena terrível. Quando eles subiram as escada, o ruivo seguiu para seus aposentos, com o coração acelerado e a angústia matando-o aos poucos, mais do que preocupado com o que aconteceria a Byakuya.
Kenpachi empurrou o moreno para dentro do quarto com violência, batendo a porta com força. Encarou os orbes cinza, suspirando para que tivesse a paciência de ouvir uma justificativa.
– Onde você estava? — o encarou, ofegando pausadamente.
– N-Na cachoeira. — se limitou a responder.
– Até tão tarde? — suspirou e se aproximou um pouco, o olhando nos olhos. — Qual é o seu plano?
– E-Eu não tenho nenhum plano. — abaixou o olhar, respirou fundo.
– Não minta para mim! — Se exaltou, aumentando o tom de voz. Tomado por um ímpeto, desferiu uma bofetada no rosto do Kuchiki, seguida de um tapa na cabeça. Na sequência o agarrou pelo pescoço apertando-o com vontade, enquanto o encarava nos olhos. — Eu tenho cara de idiota por acaso? Eu vi vocês dois da janela quando chegaram em casa. — aproximou o rosto do dele, rosnando. — Eu sei o que está planejando, mas não vai conseguir nada dele depois que eu acabar com esse seu rostinho perfeito. — largou-o no chão com força ao soltar seu pescoço.
– Você quebrou o acordo! — gritou, tentando se levantar.
– Você o quebrou primeiro. — se aproximou da porta, tirando a chave da fechadura. — Vai ficar trancado aqui até aprender a me amar de novo. — abriu a porta em menção de sair, mas sentiu os dedos longos de Byakuya agarrarem-se a sua blusa na tentativa de deixar o cômodo.
O barrou com um dos braços, lhe desferindo um soco na bochecha em seguida. E aproveitando o impacto que o soco havia causado no Kuchiki, se pôs para fora do quarto, trancando a porta. Byakuya correu até a porta, esmurrando-a aos berros. Estava preso ali outra vez. Não podia acreditar que voltara aquela situação. Escorregou pela superfície da porta, caindo de joelhos no chão em meio ao choro desesperado.
Enquanto isso, Kenpachi estava a caminho dos aposentos de Renji. Tentou controlar um pouco da ira, dando um grande suspiro antes de bater na porta. Ouviu uma permissão para entrar e abriu a porta, encontrando o ruivo deitado, com um livro aberto nas mãos. Ao vê-lo ali, levantou-se rapidamente.
– Abarai. — o homem o fitou com seriedade. — Sabe que me decepcionou muito, não sabe?
– Senhor, eu posso explic...
– Guarde suas justificativas Abarai, elas não me interessam. — interrompeu o ruivo, deixando sua voz sobressair. — Eu vim aqui para te alertar. — viu o cenho dele franzir, intrigado, mas logo retomou ao que dizia. — Sei o que Byakuya está planejando, tentando seduzi-lo para que consiga alguma coisa de você. — deu um suspiro fundo e aproximou seu rosto do rapaz. — Se cair nos encantos dele, pode se considerar um homem morto. — dito isto saiu pela porta do quarto, deixando um Renji totalmente abalado e horrorizado.
Byakuya estava deitado no chão, encolhido, vermelho e com dor de cabeça devido ao choro que parecia não ter fim. Sentia-se fraco e destruído. Parecia que tudo o que tinha conquistado durante todos estes anos tivesse ido por agua abaixo quando se viu naquele quarto, preso novamente. Mas agora era tarde para se arrepender, para voltar atrás. Assim que saísse dali colocaria o plano em prática. Ouviu a porta se abrir, não se dando nem mesmo o trabalho de direcionar seu olhar e nem mesmo de se mexer. Viu Zaraki se aproximar, encarando-o com um olhar raivoso.
– Você me estressou muito hoje. E vai pagar por isso. — rosnou, com o rosto bem perto do moreno. — Levanta daí e vem pra cama.
Sem dizer nada apenas se levantou, encarando-o de volta, a cabeça já imaginando o que estava por vir. Zaraki o pegou pelo braço com força e o atirou na cama, deixando seu corpo pesar sobre o abaixo, arrancando a camisa dele com voracidade e encarando os olhos cinza em seguida.
– E vai ficar bem quietinho, pois não quero que os seus gemidos fiquem ecoando pela casa. — disse assim que levou a mão a boca dele, tapando-a, gerando uma leve pressão.
Virou o rosto para o lado, permitindo que uma lágrima desenhou o rosto de Byakuya como a muito tempo não acontecia.
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O dia seguinte logo veio. Byakuya acordou, sentindo o corpo dolorido e indisposto. Se levantou e tomou um banho, vestindo um hobbie branco. Sentou-se na cama, passando a mão entre os cabelos negros, imaginando qual seria o próximo passo do Zaraki, apesar de que ele não era do tipo de pessoa previsível. Ouviu um barulho na porta e logo pode vê-lo entrar, com um olhar serio no rosto.
– Trouxe outro hobbie para você. — deixou a vestimenta dobrada em cima da cama. — Vou deixar você sair do quarto. — o encarou sério durante alguns segundos — Suponho que tenha aprendido que não deve me subestimar.
Byakuya levantou o olhar, encontrando olhar rígido de Zaraki a lhe encarar com superioridade. Sentiu seu coração bater mais rápido em pensar que sairia daquele quarto e logo mais ele e Renji estariam vem longe daquele lugar.
– Mas digamos que perdeu alguns privilégios, como sair lá fora. Quero você sob o alcance dos meus olhos. — ele fez menção para que Byakuya saísse do quarto, e ele encostou a porta assim que se puseram do lado de fora. — E nem pense em tentar sair quando eu não estiver, pois eu coloquei um vigia na porta. — eles desceram as escadas juntos. — Já estou de saída. — beijou lhe os lábios rapidamente e saiu.
Byakuya se dirigiu até a sala de refeições, onde encontrou Renji. O ruivo o observou, notando ima tristeza em seu olhar. Então se aproximou dele, acarinhando a pele alva do rosto, e colocou algumas mechas do cabelo negro atrás da orelha.
– Você está bem? — segurou com leveza o rosto de Byakuya e o virou devagar para o lado, notando uma marca arroxeada.
– Não se preocupe. Estou bem. — ele tirou a mão do ruivo de seu rosto.
Em seguida os dois retornaram em direção ao hall. Quando chegaram lá, puderam avistar um homem recostado na porta de entrada. Ele era branca, careca e tinha altura mediana. Demonstrava virilidade e um sorriso de escárnio que não deixava seus lábios em momento algum. Byakuya ficou ali parado por alguns segundos mediando aquele verme desprezível parado a sua frente.
– Mas olha só quem ainda está nessa casa. — o homem deu um sorriso debochado, mostrando todos os dentes. — Pensei que já tivesse morrido, mas até que você aguentou bem não é minha princesa?
– Madarame. — o moreno pronunciou seu nome com repulsa, deixando-a tomar conta de si por alguns segundos.
– Não sei como o Zaraki consegue gostar de alguém como você. — encarou o outro de cima a baixo.
– Talvez do mesmo jeito que ele goste de alguém como você. — Byakuya retrucou, o encarando com o canto dos olhos.
Os olhos de Madarame se estreitaram, deixando que uma fúria imensa tomasse conta dele. Pegou o moreno pelo braço, puxando-o contra seu corpo com violência pela roupa, aproximando bem seu rosto do dele.
– Não brinque comigo, seu vadio. — deferiu um tapa no rosto do Kuchiki, o que o fez desiquilibrar, mas foi amparado por Renji. — Já vi que está muito malcriado, então eu vou colocá-lo na linha.
Byakuya encarou o homem, encarando-o raivoso, levando uma mão rosto. Em seguida se virou e saiu disparado pelas escadas rumo ao andar de cima. Parecia que as sombras do passado estavam rondando-o para achar alguma brecha para voltar. Agora tinha mais um obstáculo no caminho: aquele maldito homem.
Renji ainda estava no pé da escadaria, intercalando seu olhar com o segundo andar e o tal Madarame, ainda sem entender o que havia acontecido. Quem era aquele homem e quem lhe dera o direito de fazer isso com o moreno? Encarou o sujeito em desaprovação. Mesmo não o conhecendo, já pode concluir que ele era desprezível e não duvidava que fosse do mesmo bando que Zaraki.
– Por quê fez isso? — o ruivo não resistiu em perguntar, indignado. — Zaraki disse que o proibia de tocar nele.
– Ai, ai. — ele suspirou, logo em seguida abrindo um sorriso. — Você deve ser novato por aqui não é? Não sabe como as coisas funcionam. — o careca se aproximou de Renji, medindo-o de cima a baixo. — É assim que tratamos vadias como esse aí. Só aprendem a servir e obedecer na base da pancada. — em seguida deixou uma risada alta e debochada escapar. — Deveria praticar.
– Isso vai contra tudo que sei e que sou, e além do mais, eu não tenho motivos para maltratar o Kuchiki desta forma e eu não costumo me utilizar de ações tão baixas como essas. — o ruivo respondeu seriamente, encarando aquele olhar cheio de malícia depois que o sorriso desapareceu do rosto dele.
– Hum. Já percebi o tipo de pessoa que você é. — Madarame desviou o olhar para o lado. — Mas eu sinceramente pensei que pudéssemos ser amigos.
– E se enganou, porque eu não me misturo com gente da sua laia. — Renji o fitou por alguns segundos, vendo seu rosto se contorcer em uma mistura de raiva e desgosto. — Com licença. — se retirou em seguida para a biblioteca, vitorioso, mesmo que se sentindo mal por ter agido de uma forma tão superior. Aquele homem era realmente desprezível.
Subiu as escadas, a procura de Byakuya e o encontrando na biblioteca. Ele parecia frustrado, andando de um lado para outro, exalando uma ira que abatia todo o seu corpo. Abarai se aproximou, pedindo para que ele se sentasse e se acalmasse para que pudesse lhe explicar algumas coisas que gostaria de saber.
– Você está bem?
– Eu estava. — o Kuchiki respondeu, deixando a voz sobressair, devido ao nervosismo. — Até descobrir que esse maldito Madarame está aqui de novo.
– De novo? — Renji o indagou intrigado. — Ele já esteve aqui?
– Sim, ele exercia a mesma função que agora há alguns anos atrás. — pegou nas mãos grandes e quentes do ruivo, as apertando em aflição. — Madarame é um homem perigoso, Renji. Ele é muito fiel a ele, quase seu braço direito. Temos de tomar cuidado, muito cuidado e estar sempre alerta. Principalmente se quisermos colocar nosso plano de fuga em prática. — o moreno encarou o Abarai no fundo dos olhos. — Se quisermos fugir, teremos que nos livrar dele.
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