Runaway
12 Capther Eleven
Notas iniciais
Quase duas semanas se passaram desta forma. Byakuya continuava ouvir desaforos de Madarame, fora as agressões das quais Renji tentava defendê-lo. Era impossível não revidar aquelas ações tão sem sentindo, que aparentavam ser arranjadas pelo puro prazer de praticar a violência. Nem o ruivo e muito menos o Kuchiki aturavam mais aquela situação.
– Olha só, onde a princesa está indo? — indagou ao moreno, deixando um sorriso de deboche aparecer em seu rosto. — Cadê o seu cachorrinho ruivo, hm?
– Ele não é meu ''cachorrinho''. — o Kuchiki respondeu, raivoso.
– eParece que ele cansou de você... — ele deu uma gargalhada. — Só mesmo o tonto do Zaraki que tá apaixonado feito um bobinho. — andou alguns passos para próximo de Byakuya. — E já que o seu cãozinho de guarda não está por perto, quem sabe poderíamos mudar a nossa situação, se você fizer tudo direitinho é claro... — acariciou a pele alva do rosto, encarando-o com um olhar malicioso.
– Saia de perto dele. — os dois viraram o rosto, vendo Abarai ali, parado ao pé da escada.
– Ah, vai me dizer que você também não pensa assim, hm? — Madarame caminhou alguns passos para perto de Renji, apoiando uma das mãos no ombro de Abarai. — Me conta vai, tenho certeza que você se diverte com ele, por isso que o tem na palma da mão, não é? — deu uma gargalhada. — Ou será que esse vadio já começou a se oferecer.
Renji perdeu o controle naquele instante, empurrando Madarame com força contra a porta, levando um braço dobrado ao pescoço dele, impedindo que escapasse.
– Cale a boca! — o ruivo disse em um tom firme, enquanto mantinha uma expressão superior. — Não diga o que você não sabe. Entenda de uma vez por todas que eu não sou gente como você, então pare de fazer esse tipo de suposições, pois eu não vou aturar essas ofensas por muito tempo. Não se intrometa, porque do meu trabalho cuido eu. — dito isto, ele soltou Madarame, subindo as escadas junto a Byakuya.
– É por isso que você está abusadinho. — Madarame se dirigiu ao moreno. — Porque tem alguém que te proteja. Mas você não perde por esperar seu maldito. — abriu um sorriso de escárnio, observando os dois subirem as escadas rapidamente.
Byakuya adentrou a biblioteca em passo de marcha de tão irado que estava. Não suportava mais aquele verme lhe maltratando e ainda por cima empatando seu plano. Tinha de fazer alguma coisa, mas até momento não tivera nenhuma ideia.
– Você está bem? — Renji perguntou, mas não obteve resposta, observando- o desabar no estofado de forma brusca, bufando em seguida, o que demonstrou seu grande nervosismo. — Precisa se acalmar. — sentou- se ao seu lado, levando uma das mãos ao ombro dele. — Quer que eu te traga um chá?
– Não. — respondeu entre um longo suspiro. — Não aguento mais esse homem.
– Eu também, mas não podemos fazer nada. — Abarai confessou, desanimado.
– Temos que dar um jeito de tirar ele daqui. — Byakuya levou a mão as têmporas. — Só assim teremos um pouco de paz e conseguiremos realizar nosso plano.
– Eu sei, mas não tem o que fazer por enquanto. — Renji acarinhou os cabelos negros. — Apenas tentar te defender dessas coisas horríveis que ele faz com você.
– E olha que ele já foi expulso daqui por causa disso.
– Então por que o Zaraki o deixou voltar? — o ruivo não recebeu resposta, já que dessa vez Byakuya se encontrava com os olhos fixos em qualquer coisa. — Byakuya? — chamou sua atenção, levando a mão ao ombro dele novamente.
– É isso! — exclamou o moreno, voltando a si com um sorriso nos lábios. — Agora já sei o que fazer. Vou tirá-lo desta casa pelo mesmo motivo da outra vez.
– Como assim? — Abarai perguntou, confuso, coçando os fios vermelhos.
– Lembra-se de que eu te disse que Madarame foi o primeiro a exercer a mesma função que você? Pois bem, Zaraki o expulsou depois de alguns meses, por que ele fazia essas coisas e até piores, mesmo que estivesse proibido de tocar em mim. E disse ainda que não o perdoaria se houvesse uma próxima. — o Kuchiki explicou, torcendo para que o que estava pensando pudesse dar certo.
– Foi o que o Zaraki disse a Madarame quando ele chegou aqui. — Renji levou a mão ao queixo, relembrando.
– Então é isso. — Byakuya sorriu. — Eu provocarei a ira dele minutos antes do Zaraki chegar, para que ele possa pegá-lo no ato e assim expulsá-lo de uma vez por todas nessa casa. — se sentia revigorado em pensar que poderia arrancar aquele crápula de seu pé.
– Como sabe o horário que Zaraki vai chegar? — o ruivo perguntou, intrigado.
– Ele me disse hoje de manhã que teria que estar aqui as cinco da tarde sem falta para buscar algumas coisas. — o Kuchiki pegou nas mão de Renji. — O que você acha?
– Acho que pode ser uma boa ideia.
– Então esperamos até às cinco da tarde, e então faremos conforme o planejado. — o moreno sorriu abertamente. — Vamos conseguir.
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Faltava 5 minutos para as 17 horas. Byakuya olhava do relógio para Renji, que acenou positivamente com a cabeça. Começariam a colocar o tal plano em prática. Estava achando aquela ideia mirabolante, mas decidiu ajudá-lo assim mesmo.
Byakuya deixou a biblioteca e desceu as escadas devagar, com um livro em mãos. Pretendia que Madarame fizesse algum comentário desnecessário para agir. Enquanto isso Renji permanecia no andar superior, observando tudo a alguns passos da escada, para que não fosse visto. O homem tinha um pedaço pequeno de madeira na mão, o qual ia esculpindo aos poucos com um canivete.
– Aonde é que você vai princesa? Pode me dizer? — ele perguntou, sem desviar a atenção do que fazia.
– Não te interessa. — Byakuya respondeu, empinando o rosto num gesto soberbo enquanto passava por ele.
– Por acaso esqueceu com quem está falando? — puxou o moreno pelo braço, trazendo próximo a si num gesto brusco.
– Quem você pensa que é para me tratar assim? — revidou, fazendo Madarame cerrar os dentes, irritado, antes de lhe acertar uma bofetada.
O Kuchiki levantou o rosto vermelho, com um olhar vitorioso. Suspirou fundo e o encarou de volta no mesmo nível. — Zaraki vai ficar furioso quando souber disso, seu verme maldito.
– O que você disse? — franziu o cenho, fechando o punho com força, totalmente descrente no que ouvia. — Está brincando comigo? Ou será que perdeu a noção do perigo? — completou, num tom baixo e ameaçador.
– Eu faço questão de dizer a ele. — Byakuya sustentou o olhar cheio de ódio que os dois mantinham.
Ao ouvir tais palavras, o sangue de Madarame ferveu nas veias. O seu rosto se contorcia em ira e sua respiração era afoita. — Eu vou calar essa sua boca, seu desgraçado! — avançou sobre o moreno, mas ele desviou para o lado, correndo aos tropeços em direção á sala de estar, enquanto Madarame vinha atrás de si. O homem alcançou Byakuya, derrubando-o no chão da sala, usando a força física para conter seus braços. Sobrepôs seu corpo sobre o abaixo, fazendo uma leve pressão.
– Vou te dar uma lição para aprender a nunca mais me desafiar. — um sorriso de escárnio misturado a um ódio intenso surgiu no rosto de Madarame. Partiu para o ataque, se colocando entre as pernas do Kuchiki, abrindo o hobbie, esgarçando o tecido tamanha a violência. O Kuchiki que se debatia, na tentativa de escapar dos braços daquele verme. Mas tudo o que conseguiu foi mais uma bofetada no rosto. Nesse momento, Alissa adentrou o cômodo, se deparando com aquela cena perturbadora. Soltou o vasilhame no chão, levando as duas mão á boca, após um pequeno grito abafado.
O homem olhou para trás, não dando a mínima importância á presença da serviçal ali. Quando Madarame se preparava para dar mais um golpe em Byakuya, Renji apareceu, puxando o homem pela gola da camisa, na tentativa de separá-lo de Byakuya. Ele encarou o ruivo, raivoso, em seguida, se atracando com ele num encontro violento. Abarai o atirou contra a parede, desferindo um soco no rosto dele. Logo, Madarame revidou, acertando dois socos de uma vez no rosto do ruivo, e aproveitando o desequilíbrio repentino de Renji, jogou o corpo do sobre uma mesa de vidro, que se espatifou em mil pedaços. Ao ver Madarame empunhar uma arma, o moreno tentou separá-los, mas acabou por levar do homem um golpe da arma na cabeça. Se afastou para um canto da sala, levando uma das mãos a testa, aparando o sangue. A serviçal se direcionou cômodo adentro, voltandocaminhando rapidamente, na direção de Byakuya com uma pequena caixa branca nas mãos. Mas obrigada a parar no meio do percurso ao se deparar com a cena.
O ruivo permanecia estirado no chão, meio tonto por causa da pancada brusca. Sua visão começava a ficar turva e sua cabeça latejava, mas não poderia se dar ao luxo de desmaiar agora, tinha de ser forte para proteger o moreno daquele homem. Mas não podia negar que aquele homem parecia ser de fato mais forte que ele. Madarame engatilhou a arma e a apontou bem no meio dos olhos de Renji, ofegando pesadamente, deixando a fúria dominá-lo por completo. Encarou o ruivo e colocou o dedo sobre o gatilho.
– O que está acontecendo aqui? — uma voz grave e bem conhecida ecoou por aquele cenário desesperador.
Byakuya nunca pensou que sentiria tanto prazer ao ouvir a voz de Zaraki Kenpachi. Ele estava parado a porta, intrigado com a cena que avistava. Olhou diretamente para Madarame, que ainda mantinha a arma apontada na direção de Renji. Byakuya estava num canto da sala, com uma das mãos na testa, melecadas de sangue. Alissa estava parada próximo á Byakuya, segurando uma caixa de primeiros socorros na mão.
– Madarame, largue esta arma. — Kenpachi se pronunciou, franzindo o cenho.
– Mas senhor eu...
– É uma ordem.
No mesmo instante ele soltou a arma no chão e Renji se levantou dele, com um pouco de dificuldade. Olhou para o ruivo, raivoso e em seguida para Byakuya, que se mantinha no mesmo lugar. Zaraki caminhou até ele e se agachou em sua frente. Via o sangue escorrer pela testa, em contraste com a pele alva. Afastou os cabelos negros da região, avistando um calombo alto, com uma grande incisão que era de onde o sangue fluía lentamente.
Passeou os dedos pela bochecha de Byakuya, olhando-o nos olhos. — O que aconteceu?
– Senhor... — Madarame se adiantou, raivoso, desejando explicar a sua maneira.
– Calado Ikkaku, estou perguntando para ele. — no mesmo instante ele se calou, fechando a cara.
– Conte-me. — ordenou a Byakuya, que soltou um suspiro.
– Tudo começou porque eu disse ao Madarame que você ficaria furioso se soubesse que desde o dia em que chegou aqui está me agredindo. Então ele disse que ia me dar uma lição e tentou...hm...me subjugar. E teria conseguido, se o Abarai não tivesse chegado a tempo. Os dois começaram a brigar feio, e eu até tentei separá-los, mas aquele maldito Madarame me golpeou com arma na testa. — abaixou o olhar, olhando para suas mãos sujas de sangue. — Se você não tivesse aparecido eu nem sei o que poderia ter acontecido.
– Isso é verdade? — voltou o rosto para trás, olhando de Renji para Alissa, raivoso e intrigado. Os dois acenaram a cabeça positivamente.
Na sequência, Kenpachi se levantou devagar e caminhou na direção de Madarame, pegando a arma do chão. Sem dizer nada, o pegou pela gola da camisa, arrastando-o para o hall. Renji pegou a caixa de primeiros socorros das mãos trêmulas da serviçal, dispensando-a. Correu até Byakuya, abrindo a caixa e pegando algumas coisas que precisaria.
– Você está bem? — Renji perguntou, encostando o algodão embebido em algum remédio em cima do machucado, limpando-o.
– Não se preocupe comigo, estou bem. — o moreno deu um pequeno sorriso, e eles sustentaram um olhar terno por alguns segundos. Mas logo voltaram a si, ao ouvirem Zaraki e Madarame discutindo no hall. Fizeram silêncio, na tentativa de ouvir a conversa.
'' Não quero saber, Ikkaku, eu te proibi de tocar nele! Além de desobedecer as minhas ordens ainda repetiu o mesmo erro. Se eu bem me lembro, eu te disse que não haveria perdão da próxima vez.''
'' Mas a culpa não foi minha, eu só...''
'' Não tinha o direito de toca nele daquela forma, ele é só meu, será que não entende isso? Eu confiei cegamente em você e em troca você usava e abusava não é? Isso é mais que um erro, é uma traição! Eu não tolero traições, então você já deve saber qual vai ser o seu destino não é? ''
'' Não, não por favor, fomos amigos durante tantos anos...Não acredito que vá acabar com tudo por causa de um homem, um homem que nem se quer te ama!''
'' Cale essa boca, seu desgraçado. Para mim o que você fez não tem perdão! Agora vem comigo...''
A última coisa que se pode ouvir foi a porta batendo e após isso, um silêncio tortuoso. Renji apenas deu continuidade ao que fazia, pressionando o algodão levemente sobre a ferida e Byakuya apenas o observava, na expectativa dos próximos acontecimentos. Depois de alguns minutos, Zaraki apareceu. Byakuya e Renji o encararam, principalmente pela mãos, completamente banhadas em sangue. O ruivo desviou o olhar, e os dois se entreolharam, assustados.
– Alissa! — ele esbravejou e a serviçal apareceu imediatamente. — Traga uma bacia d'agua e um pano qualquer. — ele observava Byakuya e Renji com o canto dos olhos. Logo ela apareceu com a bacia e ele lavou as mãos, tingindo a agua em vermelho, enxugando as mãos no pano e dispensando a serviçal em seguida.
– Tudo bem Abarai, cuide se si agora. — Kenpachi se aproximou, abaixando-se ao lado de Byakuya. O ruivo se levantou imediatamente, com os olhos fixos em Byakuya. Ele estava acabado, com o rosto cheio de marcas.
– Obrigado Renji. — o moreno deu um pequeno sorriso, sem se importar com a presença de Zaraki.
O ruivo apenas retribuiu o sorriso e se retirou. Voltou seu olhar para Kenpachi e eles se entreolharam por alguns segundos.
– Não se preocupe. Ele nunca mais vai te importunar de novo. — Zaraki abraçou o moreno, que apoiou a cabeça em seu ombro.
Pensava no que Kenpachi teria feito com Madarame, pois afinal sua intenção não era a pior. Queria apenas que aquele homem saísse de seu caminho, mas não poderia se culpar do comportamento violento e doentio que ele tinha. Mas ao menos, finalmente estava livre para realizar o tão esperado plano de fuga, que seria colocado em prática em pouco tempo.
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