Runaway
10 Capther Nine
Notas iniciais
Continuação do FlashBack
FlashBack On ~ Byakuya POV
'' Quando eu estava na casa, percebia que Zaraki estava sempre me observando, em cada movimento. No começo pensei que estivesse preocupado comigo, mas notei que isso acontecia em todos os momentos. Procurava sempre estar próximo a mim, com palavras gentis, elogios e gestos afetuosos. Eu achava estranha aquela aproximação repentina, mas não dei ao acaso a atenção necessária, pois outras coisas notáveis começaram a acontecer.
Algumas vezes, quando retornava do pomar ou de uma simples cavalgada, sempre havia algo de anormal em meus aposentos, como coisas fora do lugar. Ora, como tais coisas poderiam estar fora do lugar se eu mesmo as arrumei? Em uma dessas vezes, algumas peças de roupas estavam espalhadas pela cama e não havia sido eu. Observei as roupas amarrotadas, largadas de qualquer forma, como se tivessem sido deixadas ali as pressas. Aquilo me deixou muito intrigado.
Mas num dia desses, por uma mera coincidência, eu voltei mais cedo de uma de minhas saídas. Subi até o meu quarto, pensando no que encontraria dessa vez. Só que eu não imaginava que eu encontraria algo tão inusitado como aquilo. Zaraki estava lá, parado junto ao guarda roupa, com uma camisa minha nas mãos. Ele a levou próximo ao rosto e fechou os olhos, suspirando fundo como se aspirasse o perfume delas. Eu fiquei ali parado á porta, absorto e sem reação ao ver uma cena como aquela."
– O que pensa que está fazendo, Zaraki? — Byakuya adentrou o cômodo, os olhos graves fixos nos dele. Viu o corpo a sua frente estremecer e uma expressão espantosa surgir em sua face. Observou algumas camisas espalhadas pela cama.
– Me desculpe senhor. — ele abaixou o olhar e voltou a encará-lo com um leve sorriso. — É que a Alissa deixou aqui essas camisas aqui e, eu percebi que não gostou da outra vez que ela fez isso, então eu decidi guardá-las para o senhor. — pegou outra camisa de cima da cama e colocou em um cabide. — Mas não se preocupe, eu já conversei com ela sobre isso, não vai voltar a acontecer.
– Não estou me referindo a isso, Zaraki.
– Ah sim, é que eu acho que ela mudou a essência que normalmente usam para lavar a roupa. É um perfume tão bom, que eu não resisti. — ele sorriu meio sem graça. — Perdão senhor.
– Tudo bem. — o moreno respondeu, mesmo suspeitoso . — Agora vá. — acompanhou a saída dele com os olhos, suspirando em desconfiança. Sentou-se na beira da cama, observando as camisas que ainda estavam ali em cima. Logo em seguida, ouviu leves batidas na porta.
– Com licença senhor.
– Sim, Alissa.
– Eu vim trazer a sua roupa limpa. — ela deixou em cima da cama, próximo a ele, uma pilha de roupas limpas, passadas e bem dobradas, e em seguida se retirou. Byakuya arqueou uma das sobrancelhas, demostrando um leve surpresa.
''Deste dia em diante, não encontrei mais nada fora do lugar em meu quarto. Mas muitas vezes me sentia vigiado e ouvia passos a noite. Pensei estar enlouquecendo com tudo o que aconteceu ou aquela casa estava assombrada? Mas um dia eu tive a certeza de que toda aquela loucura não era minha. Acordei mais uma vez a noite, sentindo uma presença bem próxima a mim. Mas o quarto estava vazio. Levantei e imediatamente passei a mão por cima do dossel da cama, pegando uma espada que meu pai havia me dado quando eu comecei a praticar esgrima. Desci as escadas devagar, vendo uma sombra grande parada próxima a escada. Desembainhei a espada com cuidado e a empunhei, esperando o intruso se movimentar. Quando ele fez menção de se virar eu agi rápido e a lâmina alcançou o ombro do oponente. Ele se virou de frente para mim, me encarando em uma expressão de dor. Quando pude ver o rosto dele, fiquei mais do que surpreso."
– Zaraki? — olhei confuso para o rosto do homem. — O que está fazendo acordado.
– Eu ouvi um barulho estranho e vim verificar. — ele respondeu levando a mão ao ombro numa expressão de dor. — O senhor também ouviu?
– Sim. Você está bem? — perguntou, guardando a espada na bainha.
– Estou. — ele tirou a mão de cima do ferimento, quando Byakuya se aproximou. — Foi só de raspão.
– Desculpe, eu me equivoquei. — o moreno deu alguns passos para trás. — Vou buscar os curativos. Não saia daqui.
'' Eu fiz um curativo no braço dele, mas o corte sangrava muito, mesmo sendo superficial. Teria de trocar as bandagens de hora em hora a julgar pela situação. Depois daquela pequena confusão, fomos dormir. O restante daquela noite foi perturbadora, senti algumas coisas esquisitas e acordei varias vezes assustado. Eu poderia jurar que por vezes sentia algo tocar em mim. No dia seguinte eu me levantei e me troquei, tudo parecia normal. Mas quando caminhei até a porta, vi algo um tanto atípico. Parei por alguns segundo e me abaixei para conferir. Um rastro de pingos avermelhados que seguiam até a porta. Sangue. Me levantei, ignorando aquilo por alguns instantes. Desci as escadas que davam para o hall e encontrei com Zaraki, que vinha de lá de fora."
– Bom dia senhor. — Kenpachi se pronunciou, adentrando o hall. — Pelo visto não dormiu muito bem ontem. — observou o rapaz, notando leves manchas escuras abaixo de seus olhos.
– Não. — Byakuya soltou um suspiro. — Fiquei cismado com o que aconteceu ontem, então não dormi direito.
– Entendo. — suspirou. — Eu também não dormi ontem. Aliás já faz algum tempo que eu não tenho uma boa noite de sono.
– Dever...O que é essa mancha na sua camisa? — o moreno interrompeu a fala, apontando o braço esquerdo de Zaraki.
– É o corte. — ele olhou para o ombro, e em seguida o pressionou, vendo que o sangues escorria pela manga da camisa. — O sangue ainda não estancou.
Os orbes acinzentados de Byakuya se alarmaram, observando o sangue escorrer pelo braço de Kenpachi. Imediatamente se lembrou do fino rastro de sangue no chão do seu quarto e logo presumiu de onde ele teria vindo. ''Eu também não dormi ontem. Aliás já faz algum tempo que eu não tenho uma boa noite de sono.'' Então era isso. Os passos, a presença, as coisas fora do lugar, a sensação de estar sendo vigiado. Era ele?
– Com licença senhor. Eu vou trocar as bandagens.
Byakuya despertou de seu devaneio, o encarando com uma expressão espantada na face. Abaixou o rosto e uma expressão seria tomou conta de sua face. — Vá até o meu quarto quando terminar. — em seguida subiu as escadas de volta, em direção ao aposento.
– Sim senhor. — Zaraki assentiu, se retirando em seguida.
Byakuya só precisou esperar alguns minutos, logo ouviu batidas na porta. Suspirou fundo e pediu que ele entrasse. O homem encostou a porta ao entrar, encarando Byakuya com um olhar intrigando, desejando saber o motivo de tal seriedade que ele demonstrava.
– Quero te fazer uma pergunta. — encarou o olho descoberto de Zaraki — E espero que seja sincero.
– Claro senhor. — ele deixou um leve sorriso aparecer. — Não tenho motivos para mentir.
– Esteve aqui ontem a noite? — o moreno indagou, observando suas reações.
– Eu? — ele franziu o cenho em uma expressão surpresa. — Não, por quê eu haver...
– Não minta! — ergueu levemente o tom de voz. — Eu sei que você esteve aqui ontem. Tem um rastro de sangue no chão do meu quarto e você é o único que está sangrando aqui, Zaraki. — via ele arfar e seu rosto estava contorcido por traz daqueles cabelos selvagens. — O que estava fazendo aqui?
– Velando seu sono.
– O que? — Byakuya franziu o cenho.
– Você pediu sinceridade. Estou sendo sincero. — deixou um leve sorriso de escárnio aparecer, vendo a expressão aversiva no rosto do Kuchiki. — Estava velando seu sono, porque você fica lindo enquanto dorme, e ainda mais quando acordado.
– Então era você o tempo todo? — Byakuya estava perplexo ao confirmar suas suspeitas. Deu as costas ao homem, passando a mão pelos cabelos negros. — Eu achei que estivesse enlouquecendo. — suspirou fundo e passou as mãos pelo rosto. Estava chocado, mas ainda restava uma única pergunta a fazer. — Por quê? — deu alguns passos, encarando-o de perto.
– Porque eu gosto de você. — Zaraki respondeu, deixando um leve sorriso aparecer. Ouviu um suspiro de deboche vindo de Byakuya, o que o fez continuar. — Eu gosto mesmo de você, do seu rosto, do seu corpo.
Os olhos de Byakuya se encheram de um fastio inigualável. Balançava a cabeça em negação, diante daquelas afirmações. Se virou, mas logo foi trazido de volta com um puxão em seu braço, o fazendo ficar perigosamente próximo de Zaraki. Numa fração de segundos o homem avançou sobre si, colando os lábios aos seus por alguns segundos, até sentir as mãos do moreno o afastarem com força, se desvencilhando de seus braços.
– Eu te am...- sentiu o rosto se projetar para a direita, juntamente com o ardor causado pelo atrito da mão de Byakuya com sua face. Suspirou algumas vezes, esperando que os formigamentos em sua bochecha parassem. A dor que contagiava todo o lado esquerdo do rosto não importava. A verdadeira dor daquele tapa atingiu em cheio o seu coração.
– Jamais repita isso de novo, entendeu? Jamais! — o tom de voz de Byakuya estava acima do normal e ele ofegava devagar, depois de ter juntado alguma força para desferir aquele tapa. Saiu do aposento, seguindo até o pé da escada. — Alissa! — chamou, deixando a ira transparecer em seu tom de voz. Ela respondeu prontamente, deixando o que limpava de lado. — Pegue todas as minhas coisas e traga aqui em cima, rápido! — ela obedeceu imediatamente e Byakuya voltou ao quarto, se deparando com Kenpachi parado no mesmo lugar. — E você, o que ainda está fazendo aqui? Saia agora! — completou irritado.
O homem deixou o cômodo ainda encarando o Kuchiki, que juntava algumas coisas em cima da cama. Desceu as escadas, e se apoiou em uma das paredes, levando finalmente a mão ao rosto. Ainda tinha resquícios de dor da bofetada que levara. Seu coração estava em frangalhos, mas logo outro sentimento o preencheu, a ira. Uma revolta tão grande, que afetava todos os fragmentos do seu corpo. Como ele poderia recusar o seu amor? Como não poderia dizer que o amava, se ele sempre fora tão afetuoso com ele. Isso não era justo. Desejava muito aquele rapaz e estava disposto a fazer o que quer que fosse para tê-lo ao seu lado, para que ele fosse seu. Observou uma foto de Byakuya em um dos porta retratos, um pano branco e um utensilio com um líquido transparente e de cheiro forte que Alissa sempre usava para limpar a casa. Manteve seus olhos fixos ali e avançou para a pequena mesa e em seguida ouviu a serviçal seguindo em direção as escadas com uma pilha de roupas e mais algumas coisas.
– Alissa. — ele abordou a moça no meio do caminho. — Que coisas são essas?
– O Kuchiki pediu que eu levasse as coisas del...
– Me dá isso aqui que eu levo. — ele começou a tomar as coisas dos braços dela.
– Mas...
– Suma daqui. — Zaraki a encarou raivoso e subiu as escadas em direção ao quarto de Byakuya.
A porta estava aberta. Ele adentrou o cômodo , amenizando as expressões e fechou suavemente a porta atrás de si. Colocou as coisas em cima da cama.
– O que você está fazendo aqui? — o moreno o encarou indignado ao vê-lo ali parado.
– Vim conversar.
– Não temos mais nada para falar. — o Kuchiki pegou mais uma pilha de roupa e colocou na mala.
Alguns segundos depois, percebeu um aproximar repentino, sentindo braços fortes envolvendo seu corpo, o endireitando, e uma das mãos cobriu seu nariz e boca, impedindo o contato da pele por um tecido que era pressionado contra essa região. Sentiu suas costas se encontrarem com o peito largo de Zaraki, se debatendo desesperadamente em vão. O cheiro que exalava do tecido era muito forte, quase insuportável, fazendo Byakuya sentir uma pontada na cabeça e se sufocar devagar enquanto tentava escapar daqueles braços. Depois de alguns segundos de agonia, o corpo amoleceu, suas reações se aquietaram aos poucos e fechou os olhos involuntariamente, escurecendo a visão. Assim que o corpo afrouxou, Kenpachi o trouxe mais para junto, permitindo que o rosto afundasse nos cabelos negros e macios, deixando que eles acariciassem sua face enquanto aspirava profundamente o perfume daquela região.
– Você é meu. E somente meu.
'' Depois de algumas hora eu acordei em um lugar escuro. Minhas mãos estavam amarradas para frente. Meus olhos percorreram cada canto daquele aposento, com o qual me familiarizei e conclui que era o quarto de meu pai. As janelas haviam sido fechadas e pequenas frestas permitiam a entrada de luz. Não pude evitar que as lágrimas escorressem pelo rosto, pois não sabia o que me aconteceria e nem qual pretensão disso tudo. Logo a porta se abriu e em seguida ele entrou, trancando a porta.
– Parece que você acordou. — Kenpachi disse enquanto acariciava a bochecha do moreno. — Estava louco por um beijo seu. — aproximou o rosto devagar, sentindo a respiração alterada do moreno bem próxima. — Se fizer tudo direitinho, vai ficar tudo bem.
– Saia de perto de mim.
– Olha aqui — ele tirou a arma da cinta, engatilhando-a. e apontando para a cabeça dele. — Se você não ficar quietinho e me obedecer, você vai acabar igual aquela sua namoradinha, porque se você não for meu, não vai ser de mais ninguém, entendeu?
Byakuya abaixou o rosto, sentindo os olhos marejarem, assustado. Não podia acreditar no que estava ouvindo. Como alguém poderia ser tão sórdido? Sentia-se mórbido naquele momento, observando Zaraki se aproximar e avançar sobre sua boca. Virou o rosto, tentando em vão se esquivar do beijo.
– Um dia você há de me amar. Mas não se preocupe, eu sou paciente. — um sorriso de escárnio surgiu e ele deixou o quarto, assentindo que voltaria mais tarde.
Ficou solitário naquela penumbra por algumas horas, o olhar fixo em qualquer coisa, o pensamento á milhão, pensando nas mais diversas situações, tentando processar e compreender tudo o que estava acontecendo á sua volta. Ao cair da noite, Zaraki retornou. Parecia feliz ao vê-lo ali daquela maneira, talvez para ele não tivesse importância, desde que o moreno estivesse ao seu lado. Acendeu a luz fraca de uma arandela , deixando o cômodo em um clima sombrio.
– Já estava com saudades. — não obteve resposta. Abaixou-se perto do Kuchiki, levantando seu rosto levemente pelo queixo. — Espero que o tempo que passou aqui sozinho tenha servido para que pensasse direito e percebesse o quanto me ama não é? — Kenpachi deixou um sorriso fino aparecer. — Você vai me obedecer, não vai? — tirou uma arma do cinto e, sob o olhar de Byakuya, pousou-a em uma das coxas do moreno, bem próximo a virilha, acariciando toa a extensão. Ele o encarou de volta. Seu rosto estava pálido e seus olhos assustados. O nervosismo fluía em suas veias. — Você não deve ficar nervoso, mas feliz, pois nesta noite vamos consumar o nosso amor.
O moreno abaixou o olhar, perplexo pela forma que ele se referia aquilo naturalmente. Deixou as lágrimas correrem pelo rosto, desenhando a tristeza e o medo que sentia diante daquele homem, embaladas por um suspiro fundo.
– Você não precisa ter medo. — usava um tom terno, enquanto enxugava delicadamente as lágrimas que molhavam a face de Byakuya. — Vai dar tudo certo, afinal, você me ama nã... — fechou os olhos, sentindo algo molhado acertá-lo no rosto. Abriu os olhos meio segundo depois, ofegante, ao perceber a saliva do Kuchiki escorrer pela sua bochecha.
Sua reação foi imediata, pesando a mão em uma bofetada diretamente na cara do moreno, projetando-o para a direita. Seus olhar estava indignado e seu rosto pulsava, dolorido. Ninguém nunca havia lhe dado um tapa no rosto na vida. Observou o outro se levantar, puxando-o pela manga da camisa.
– Levanta daí e vem para cama. — Zaraki ordenou, se aproximando da cama de casal e atirando as para fora dela. Em seguida olhou para o lado, vendo que o Kuchiki não tinha reação alguma, apenas o encarando com desprezo. — Eu mandei você levantar! — se aproximou, puxando Byakuya violentamente pelo braço, o arrastando pelo chão até a cama, na sequência, o jogando em cima dela.
O moreno se levantou, na tentativa de escapar, mas foi atingido por um golpe certeiro na face, afundando-a no colchão. Sentia um pouco de sangue escorrer pelo canto dos lábios, se misturando com as lágrimas. Zaraki o virou de frente, montando por cima dele e deixando todo seu peso recair por cima do corpo abaixo, o aprisionando. Byakuya começou a se debater desesperadamente, tentando escapar, contorcendo o corpo de um lado para o outro, enquanto os braços de Kenpachi tentavam paralisá-lo e sua boca se aproveitava de seu pescoço. Logo suas mãos desceram pelo corpo, sedentas, até as coxas. Byakuya esperneava, implorando aos tropeços em meio ao choro, enquanto ele retirava com violência e agilidade a parte inferior de sua roupa.
Uma das mãos de Zaraki mantinham as pernas do Kuchiki abertas, enquanto a outra se livrava das próprias roupas. A respiração de Byakuya era curta e rápida , entre soluços do choro desesperado, sentindo Kenpachi roçar o membro em sua virilha, demonstrando toda a sua concupiscência. Após alguns segundo pode sentir a dor lancinante de uma única estocada, tendo o membro todo dentro de si de uma só vez, sem conseguir impedir um grito agudo fugir de seus lábios.
Toda aquela tortura acabou em menos de 10 minutos, assim que Zaraki conseguiu chegar ao seu ápice. Depositava beijos famintos no pescoço e no peito de Byakuya, apertando entre os dedos, os cabelos negros da nuca dele. O moreno estava jogado de qualquer forma por baixo de Kenpachi, abatido, e seu rosto estava virado para o lado, vermelho e molhado pelo rio de lágrimas que não pararam um segundo sequer depois que aquilo começou. Cogitou que não conseguiria derrubar mais nenhuma delas.
Zaraki se sentou na cama, de frente para o corpo alvo de Byakuya, o observando por alguns segundos, enquanto suspirava o prazer que estava sentindo. Passou um dos braços pelas costa dele trazendo-o para si e o aconchegando desajeitadamente em um abraço não correspondido pelos braços amarrados dele, que pressionavam seu peito no momento. Deixou que ele apoiasse a cabeça em um de seus ombros de qualquer forma, beijando-lhe os cabelos negros, enquanto um sorriso de satisfação tomava conta de seu rosto.
– Agora o nosso amor está consumado. — soltou um longo suspiro, apertando- o em seu abraço. — Eu te amo. Te amo muito.
Naquele instante Byakuya corrigiu seus pensamentos, sentindo uma única lágrima desenhar o seu rosto.
'' Depois daquele dia, Zaraki me obrigou a escrever uma carta para meu irmão mais velho, comunicando que eu passaria a morar nesta casa, por vários argumentos ridículos, e me fez terminá-la de forma agressiva, dizendo que eu não gostaria da visita de ninguém, e que nem tentasse me convencer a mudar de ideia. Na semana seguinte o meu irmão apareceu. E mais uma vez Kenpachi me forçou a ser rude com ele, até ele decidir que não tentaria me tirar dali e nem viesse me incomodar com visitas, o que acabou por cortar os laços tão fortes que eu tinha com o meu irmão. Após essa única visita do meu irmão, ele passou a me violentar todos os dias, fora as agressões físicas e alguns castigos que ele me dava por tentar revidá-lo, como me deixar passar fome e sede."
– Que tal nós nos divertimos um pouco, hm? — pegou o corpo de Byakuya entre os braços, sem resistência, totalmente maleável. Observou os olhos semicerrados e a boca seca. — O que aconteceu com você? Está tão molenga.
– Estou faminto. — o moreno respondeu num sussurro fraco, lançando um olhar abatido em direção ao homem.
– Ah, claro. — ele largou Byakuya, se levantando. — Ainda está de castigo não é?- suspirou. — Como eu amo muito você vou ver o que posso fazer. — Zaraki sorriu, acariciando o rosto alvo. — Tome um belo banho enquanto isso. — se dirigiu até a porta, deixando o aposento. Assim que desceu as escadas encontrou com a serviçal. — Alissa, prepare um prato de comida, um jarro d'agua e leve para o Byakuya. — ele entregou uma chave em suas mãos. — Só entregue a bandeja e saia em seguida, porque se alguma coisa acontecer eu acabo com a sua raça entendeu?
– Sim senhor.
– E desta vez não se esqueça de que não deve colocar garfos e muito menos facas entre os talheres, pois isso me deu muita dor de cabeça e acrescentou mais sofrimento pra ele...E para você também se eu bem me lembro, não é? — ela balançou a cabeça positivamente, abaixando o olhar assustado. — Então se você tem amor a sua vida, seu corpo e pena daquele homem lá em cima não se esqueça. — Zaraki caminhou até a porta de entrada, e antes de sair, completou. — Volto em meia hora.
Byakuya se dirigiu ao banheiro devagar e com um pouco de dificuldade devido a tontura que sentia, pois estava a muitos dias sem comer e nem beber nada. Abriu a torneira para que a água enchesse a banheira, enquanto se acomodava lá dentro. Se distraiu por alguns segundos, observando o movimento da água, subindo aos poucos por seu corpo, tão fresca que não pode resistir, levando um punhado dela á boca com um pouco de dificuldade e bebendo com vontade. Sentiu o líquido fresco descer umedecendo a garganta sedenta por dias. Pegou mais um punhado, desta vez atirando-o no rosto, misturando-a com algumas lágrimas que decidiram aparecer depois de muito tempo. Desde o tempo em que decidi não me importar mais, a não chorar mais por causa dele, apenas tentar fugir dali de alguma forma.
Terminou o banho, vestindo um hobbie de cetim branco, que era apenas o que podia usar no momento. Logo ouviu um barulho vindo da porta, então rapidamente se sentou na cama, pensando ser Zaraki. Mas quem apareceu foi Alissa, para o alívio de Byakuya.
– Trouxe a sua comida, senhor. — ela colocou a bandeja em cima da cama, próximo ao moreno. Após alguns segundos observando a gana com que ele devorava o prato de comida, não resistiu em perguntar. — Quantos dias desta vez? — ele apenas parou de comer por um segundo, deixando os dedos sinalizarem a resposta. — Três dias?! — levou a mão a boca, horrorizada. Depois de alguns segundos deixou um suspiro escapar. — Eu já disse para o senhor que se usasse a cabeça, sairia dessa situação.
– Você sempre diz isso.
– E o senhor nunca escuta.- Alissa pegou nas mãos gélidas de Byakuya por um instante. — Zaraki não vai deixa-lo sair daqui tão cedo, então use a cabeça para que não sofra.
– Como?
– Seja obediente e dê a ele o que ele quer. — um barulho vindo do andar de baixo fazem os dois encararem a porta. — Eu tenho que ir agora. Pense no que eu disse, senhor.- Alissa se levantou, recolhendo a bandeja e saindo rapidamente, deixando um Byakuya pensativo para trás.
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Quase um mês depois daquela conversa com Alissa, Byakuya decidiu seguir o seu conselho, refletindo sobre cada palavra. E parecia que havia conseguido uma solução, mas só saberia se ela funcionaria quando Zaraki se encontrasse com ele. Não precisou esperar muito, logo pode vê-lo adentrar o cômodo tranquilamente, se sentando ao seu lado, pronto para fazer o mesmo de todas as noites tortuosas: obrigá-lo a lhe aprazer, dizer que o ama e dormir como um porco em seguida. Não podia mais aguentar isso e esperava que sua solução funcionasse. Mas tinha de coloca-la em prática naquele momento, pois Zaraki já começava a alisá-lo e querer dominar seu corpo.
– E-Eu quero falar com você.
– Mas olha só quem está querendo falar. — Kenpachi desfez o abraço em que envolvia Byakuya com um sorriso debochado. — Tinha até me esquecido de como era a sua voz. — soltou uma gargalhada, jogando a cabeça para trás.
– Eu tenho uma proposta para te fazer. — o moreno o fitou seriamente.
– Você vai me fazer uma proposta? — jogou a cabeça para trás mais uma vez, deixando outra gargalhada invadir o cômodo.
– É serio.
– Desembucha. — cessou a gargalhada, encarando-o. — Espero que seja boa.
– A minha proposta é... — Byakuya suspirou em nervosismo, retomando as palavras. — ...Eu me deito com você todas noites por livre e espontânea vontade e sempre o obedecerei, desde que não me agrida e não me deixe passar fome nem sede, nunca mais.
– Hm. — Kenpachi levou a mão ao queixo, pensando por alguns segundos. — É uma bela proposta.
'' Por fim ele aceitou a minha proposta, o que me fez ver a luz no fim do túnel. Alissa tinha razão, bastava eu usar a minha cabeça e ela estava funcionando melhor do que nunca. Agora eu poderia conseguir tudo o que eu quisesse dele, mesmo que aos poucos. Mas é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Depois de algum tempo, ele começo deixando que eu fizesse as refeições na sala de jantar e que pudesse ir a biblioteca escolher um livro, mas apenas sob sua presença. Mas o nosso acordo continuava, todas as noites eu tinha de me deitar com ele e fazer o que ele quisesse. Por um tempo, até tentei me favorecer da situação, buscando algum prazer naquelas relações descomedidas, mas era impossível, pois ele era muito egoísta, só pensando em seu bel-prazer, o que nunca permitiu que eu chegasse ao meu verdadeiro ápice quando tínhamos essas relações.
Logo que ele pegou mais confiança, deixou que eu transitasse pela casa, até quando ele não estava, mas as janelas e portas que davam acesso a parte externa eram trancadas, o que fazia da casa um mausoléu, sempre em meio a escuridão. Havia até um homem que guardava porta de entrada. Estava sempre de olho em tudo e em todos, mesmo que não pudesse sair dali. E ele foi o primeiro a ter o trabalho de me vigiar, pois ele era de extrema confiança de Zaraki, e com isso eu tive a permissão para sair para fora, com aquele homem me seguindo aonde eu fosse.
E é o se passa até hoje, mesmo depois de quase oito anos vivendo aqui. O acordo com Zaraki continua sendo cumprido fielmente por ambas partes. Eu tenho minha liberdade que demorei muito a conseguir, mesmo que pouca, mas o suficiente para me dar motivos de viver."
FlashBack Off ~
– Está aqui a oito anos? Longe de tudo e de todos? — Renji abaixou o olhar, analisando todo o sofrimento por qual Byakuya passou durante todos esses anos. — Eu nem sei o que te dizer.
– Agora entende porque eu tenho que fugir daqui? — o moreno segurou ambas mãos de Renji. — Não vai ser fácil, mas se você estiver do meu lado, tenho certeza de que vamos conseguir.
– Eu prometo que pensarei em algo até amanhã. Vamos aproveitar que Zaraki está fora de casa. — o ruivo beijou o rosto alvo, se levantando. — Vamos para dentro, já está ficando tarde.
Byakuya se levantou do banco, sentindo um dos braços do ruivo envolver os seus ombros, protegendo-o da brisa fria de fim de tarde, até eles entrarem na casa.
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