Run Devil Run

6 Capítulo 4 – Forbbiden Memories. (Terceira Parte)


Notas iniciais
Narração em primeira pessoa - Kurushimi Suicidal.

Nevava! Desde que eu vim do Japão com meus pais isso não acontecia. Eu estava muito feliz com isso, apesar dos meus pais não me deixarem sair pra não me gripar. Mamãe já morava aqui antes, por isso está acostumada. Aliás, eu puxei os cabelos loiros prateados dela, e os olhos azulados também. Minhas feições são orientais. Meus pais dizem que eu sou o misto das raças mais bonitas do mundo, os orientais e os europeus. Concordo com eles!

Quando eu nasci, meus pais me contaram que se mudaram para cuidar dos negócios aqui, na Inglaterra. Mas eu li algo que me entristeceu no diário da mamãe. Tinha algo sobre Howaito, era quando um bebê era impuro sendo gerado por duas raças diferentes. E tinha algo sobe Kuro, quando esses bebês eram de raça pura, de uma linhagem de sangue japonesa. A máfia Saku (佐久), não admitia esses bebês onde nós morávamos – Harajuku – e seguiu papai e mamãe até nosso apartamento destruindo tudo. Meus pais haviam sofrido demais, tudo pra ter o filho que eles tanto amavam? Eu era tão especial assim? Eles insistiam em dizer que sim, e que sou a criança que eles sempre quiseram e desejaram, e que o amor deles por mim era incondicional. Assim, fugiram do Japão pra cá, pra ver se podiam ter uma vida normal, ao meu lado.

Cheguei à escola, ainda meio atordoado por aquele assunto. Não tinha com quem conversar, precisava desabafar com alguém. Foi quando vi Paul, e tínhamos que desenhar a bandeira de nossa nacionalidade preferida. Paul desenhava a França, onde seu pai havia nascido e na outra metade da folha, desenhava a bandeira inglesa. Eu fiz o mesmo, desenhei o lindo Sol nascente japonês e na outra metade a bandeira da Inglaterra. Aproveitei e puxei assunto, explicando tudo aquilo que machucava profundamente o meu coração.

- Pra mim você é um Kuro! – Ele responde feliz, me dando um abraço.

- Sou? – Sorrí, corando minhas pálidas bochechas.

- É sim! Não importa se dizem o que você é ou não é Kuru, o que importa é que você é “Kuro” de alma, você é o amigo mais “Kuro” que eu já tive, eu te amo muitão! – Ele me abraçou forte, e daquele dia em diante, eu prometi defender aquele meu amigo, que agora, e pra sempre seria o meu melhor amigo.

~ Quatro anos depois.

- Otõsan¹! Mama²! – Era dia do meu aniversário de treze anos. Meus pais pelo visto não estavam em casa.

Obs¹: Papai.*

Obs²: Mamãe.*

O estalar do meu salto alto de bico fino chocava-se contra o assoalho amadeirado. Nossa casa era um misto de Europa e Ásia. Papai e mamãe pediram para uma decoradora montar a nossa casa de acordo com a nossa cultura. Havia ficado linda! Fui caminhando até o quarto da minha mãe. Tinha algo estranho no ar.

Caminhei até o vão da porta do quarto de mamãe. E vi algo horrendo, algo que eu jamais queria ter visto. A minha mãe, a mulher que eu mais amo na minha vida, estava ali sob a cama, morta. Os lençóis brancos, com desenhos florais esverdeados estavam ensopados de sangue. Eu tonteei, mas a força de chorar foi muito maior. Caminhei até o corpo dela, e a abracei. Sujar-me com seu sangue foi o mínimo que eu poderia ter feito por ela naquele momento. Havia um bilhete com a seguinte escrita:

“あなたはのろわれた破壊的な純血種をしています。彼の汚れ遺伝学だけでなく、その不純物として、我々エンド。”

- 佐久 (Saku...)*

Você é uma desgraçada destruidora de raças puras. Assim como sua impureza, demos fim em sua sujeira genética.*

- Saku.

~ No mesmo ano, alguns meses depois.

- Não importa como você se veste meu filho, e nem que tipo de pessoas namora. Eu vou te amar, assim aonde quer que sua mãe esteja te amaria também. Aliás, se você gosta de se vestir como uma menina, o que vai importar é a pessoa maravilhosa que você é. O filho que eu sempre quis, o filho que não importa o que seja eu vá amar. Por que, o que julga as pessoas é o caráter, não suas vestimentas e muito menos sua orientação sexual, mesmo você gostando de meninas, meu pequeno Kuru. – Meu pai dizia emocionado, derramando algumas lágrimas.

- Eu te amo Otõsan! – Abracei meu pai, derramando lágrimas em seu ombro.

~ Neste ano.

- Ah, eu estou realmente gostando muito dela Paul, mas sei lá, eu tenho medo dela me magoar, entende? Eu sei que não sou o cara mais correto do mundo, mas antes dela se apaixonar por mim ela já sabia disso. Agora, eu não sei se ela é hoje a garota pela qual eu me apaixonei, entende? – Eu tentava me concentrar, fazendo o molde da nova bota que eu venderia pra grife dos Guttiër.

- Eu entendo. Acho que você tem que ficar mesmo com um pé atrás em relação às pessoas, você viu o que o Matt fez comigo, não viu? – Ele sentou-se sobre a mesa, olhando o desenho.

- Eu te prometo Paul, que quando eu ver o Matt, eu vou dar o tapa na cara dele que você não deu. E se ele se meter a machinho pra cima de mim, eu vou quebrar ele. – Disse dando umas risadas, mas o que eu dizia era a mais pura verdade.

- Own, falando assim eu me apaixono por você e vou ter que disputar você com a Brittanny Thompson! – Ele riu, mostrando aquele sorriso que sempre me colocava pra cima.

- Ah, você é um palhaço Paul! – Dei uma tapa na sua coxa, me levantando e estirando o molde no mural.

Aquele dia seguia normal, cheguei em casa e meu pai ainda não havia chego. Preparei o jantar: Razania, uma espécie de lasanha japonesa. Coloquei ao forno e escutei alguém batendo na porta, corri com certa dificuldade, pois minhas pantufas de cachorrinho me faziam deslizar pelo assoalho de madeira. Assustei-me quando vi a Brittanny á porta, ela chorava muito. Abri a porta assustado.

- Você é um canalha, eu nunca mais quero olhar na sua cara! – Ela me bateu com o guarda-chuva, como ela era baixinha e frágil, quase não doeu.

- O que aconteceu meu bebê, o que houve? – Puxei-a pelo braço tentando controlar sua raiva, mas o que doía mais em mim eram suas lágrimas.

- Não me chama de bebê e me solta! – Ela me empurrou, fazendo-me pender para trás – Entra no Gossip Girl e você vai ver querido!

Ela saiu correndo debaixo daquela tempestade, deixando o guarda chuva caído no chão. A minha reação foi pegar o meu laptop, acessar o site e me surpreender com a fofoca recente:

“FLAGRADO!

Kuru a andrógena lésbica, traiu sua namorada na boate com a sua melhor amiga Hill. Aqui está a foto do beijo.

xoxo gossip girl”

Eu não acreditei que aquilo tinha acontecido comigo. Mas eu ia caçar até a morte quem fez esse blog, era minha segunda promessa, que eu tinha feito a vida inteira. Vou me arrumar, daqui a pouco tem aula, ainda tenho que passar na casa do Paul.

Notas finais
Vocês acreditam que, apesar do do Kuru não ser o personagem que eu me idêntifico mais, eu chorei escrevendo esse capítulo? Tudo bem que no final ele fica menos pior, mas poxa, ficou lindo demais.