Run Devil Run
4 Capítulo 4 – Forbbiden Memories. (Primeira Parte)
Notas iniciais
Lembranças e alguma revelações do passado sobre Paul, assim como seu namoro com Matthew.
O Sol naquela manhã de agosto era perfeito. Ainda estava meio frio, mas o papai havia feito um casaco lindo pra mim. Mamãe disse que eu tinha ficado um gato e que as garotas iam adorar. Mamãe penteou meu cabelo, partido no meio. Ela não gostava que minha franjinha caísse sobre o olho, mas o papai gostava do meu cabelo desse tamanhão, por isso não deixava a mamãe cortar. Ah! Aposto que vocês vão querer conhecer meu mano, ele é bem mais velho do que eu, tem dezessete anos. Eu só tenho oito, poxinha. O nome dele é James e o meu é Paul. Ele sempre me leva pra escola, aonde eu vejo o meu melhor amigo de olhos puxados, o Kuro! E tem o Pietro, ele é meio engraçado, adora brincar de bonecas com as meninas. Falando em meninas, tem a Alice e a Regina. São minhas melhores amigas e a Regina é minha namorada, eu sou apaixonado por ela. Bom, eu também gosto de outra pessoa...
- Hey, posso jogar com vocês? – Meus olhos eram cabisbaixos. Eles nunca deixavam eu jogar futebol com eles. Mas poxa, eu adorava futebol e o papai também. Por que eles não deixavam eu jogar?
- Sai daqui garoto, não queremos um maricona como você no nosso time! – O mais alto se aproximou, olhando-me nos olhos.
- Por favor, me dêem uma chance! – Eu implorei com os olhos cheios de lágrima, molhando os meus pequenos pés.
- Eu já disse que não, bichinha! – Ele me empurrou, fazendo-me cair e ralar o meu pálido joelho. Mas aquela dor, que ardia em baixo do meu short não se comparava a dor da humilhação, a dor de ser excluído, a dor de ser ferido por dentro.
- Por que não se mete com alguém como você, Brad? – Matthew se aproximou, ajudando-me a se levantar. Ele era tão... Fofo. E seu cabelo castanho contrastava com as suas feições bravas e sérias para um garoto de dez anos. Matt, como eu o chamava, sempre me defendia dos garotos mais fortes e maiores que eu. Apesar de ser um ano mais velho, ele sempre disse que me defenderia e que seríamos amigos pra sempre.
~ Cinco anos depois.
- Isso não é errado Matt? Digo, aliás, somos meninos. Meninos podem se beijar? Meninos podem namorar? – Eu estava deitado sobre minha cama, os livros espalhados.
- Relaxa meu pequeno. Eu sempre prometi te proteger das coisas ruins, acha que eu faria algo de errado com você? Você acha que eu machucaria a pessoa que eu mais amo na vida? – Ele sussurrava ao meu ouvido, fazendo-me ter arrepios.
Tudo bem. Aquela não era a primeira vez que eu tocava o Matt. Desde os meus nove anos, eu o tenho como o amor da minha vida. Não que eu não goste disso, mas eu tenho medo das pessoas acharem isso estranho, digo, de acharem isso uma anomalia.
Namoramos até os meus dezessete anos, no dia que faríamos aniversário de um ano de namoro. Depois disso, minha vida se tornou um inferno. Estava lindo naquela noite. Trajava uma roupa de gala, havia feito uma festinha com os nossos amigos mais próximos. Pelo que eu fiquei sabendo, Olivier estava também ficando com Pietro, mas ao contrário de mim e de Matt, eles eram assumidos. Pegavam-se na porta da escola, dentro das limusines e nos brounch! Pietro me contou que transou com Olivier dentro das escadas de emergência da nossa escola, era irônico!
Matt havia preparado a melhor festa que alguém já tinha feito pra mim. Até por que, era meu namorado me dando um presente. Não era pouco tempo de união, era um ano inteiro com ele ao meu lado. Não ficamos muito tempo na festa, fomos para o quarto dele. Naquela noite eu estava decidido a perder a minha virgindade. Transamos a noite inteira, e tinha sido a coisa mais linda que já havia acontecido na minha vida. Mas tudo era uma ilusão.
No dia seguinte, estávamos deitados. Ele ainda dormia e eu pretendia fazer um café da manhã pro meu bebê. Chequei o celular, e não tinha nada. Fui caminhando pela casa carregando o aparelho e o deixei sobre a mesa. Coloquei a minha cueca que estava sob o tapete da sala. O celular tocou, e pela primeira vez na vida eu via aquilo:
“FLAGRADO:
Matthew Chambré se despede da amante Mc’Nayle Dodson no dia de aniversário de namoro com Paul Guttiër. Será que Matt está de olho no dinheiro dos Guttiër? Por que até onde eu sei, o moreno não curte comer viadinhos.
xoxo gossip girl.”
A foto era bem nítida. Ele se despedia da garota de cabelos laranja com um beijo de língua. Eu simplesmente não acreditei. Sentei ao sofá, chorando como nunca chorei em toda a minha vida. Matt, com um cigarro na mão, recostou-se sob o vão da porta, com um sorriso nojento na face.
- Bom, então agora que já sabe, pode se vestir e ir embora, amorzinho. – Soltou a fumaça, ao terminar a frase.
- Por que fez isto comigo, Matthew? – Levantei-me, chorando como nunca havia chorado em toda a minha vida.
- Não entende, não é amor? Eu apostei com os muléques que eu te comeria em um ano. E em um ano eu te comi. Se bem que eu poderia ter feito isso antes, mas era muito gostoso prolongar isso pra umas punhetinhas, e ás vezes umas chupadas. Entende-me não é? Claro que com mulheres é mais gostoso, mas você sabe como eu adoro elevar meu ego. – Ele tragou o cigarro, soltando-a e continuando a dizer – Era lindo ver você apaixonadinho por mim, e eu te dizia uma frase barata e você estava de boca no meu pau. Era maravilhoso. – Ele dizia dando risadas dentre tragadas. Era nojento.
Eu fui embora. E naquele dia, eu mandei pra garota do blog um vídeo que ele me pedia em noivado. Tudo bem que era tudo mentira dele, mas a garota do blog ia acreditar. E ainda ia fazer a escola inteira acreditar. E funcionou. Ele viajou durante seis longos meses. Agora voltou, e eu não sei o que será mais de mim.
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