Run Devil Run

5 Capítulo 4 – Forbbiden Memories. (Segunda Parte.)


Notas iniciais
Narração em primeira pessoa. - Pietro Vakoügger

Eu sempre fui muito mimado, desde que eu era bebezinho. Meu papai sempre me disse que eu era um menino especial. Mas poxa, por que eu era especial e não podia brincar de bonecas? Mamãe dizia que rosa, maquiagem e bonecas eram pra meninas! Mas eu não conseguia entender isto! Eu trocava com Alice muitas vezes o meu Max Steel por sua Barbie, e sempre levava pra casa escondido. Um dia o papai descobriu e me deu várias palmadas. Eu tenho apenas nove anos, será que é tão difícil entender que eu não faço nada por mal? Será que é tão difícil entender que eu apenas quero ser eu mesmo? A única pessoa que apesar dos “jogos” que ele tanto falava, era meu irmão Pierre. Ele era mais velho que eu, tinha dezesseis anos, era moreno, com o corpo atlético. Fazia sucesso com as meninas.

- Pietro! Vem aqui! – Meu irmão me chamava. Será que ele queria continuar com aqueles joguinhos?

Bom, isso tem acontecido desde um tempo pra cá. O papai tava viajando a serviço do exército, e não sei o que mamãe fazia que ficava o dia inteiro fora. Os jogos dele eram estranhos e me dava medo, muito medo. Tudo começou quando ele foi tomar banho. Eu tava jogando vídeo game.

- E aí mano, vamos tomar banho comigo? Quero te mostrar umas coisas. – De cueca e o membro absolutamente duro, dentro da mesma, ele tinha um sorriso malvado na face, que fez com que eu me arrepiasse completamente.

- Eu já tomei banho irmãozão, mamãe deixou a comida pronta e eu já esquentei no microondas.– Tentei disfarçar, aliás, por que teria medo do melhor irmão do mundo?

- Deixa de ser bobo, eu sei que você vai gostar. – Ele me pegou no colo, levando-me ao banheiro.

Chegando lá, a banheira estava cheia. Ele arrancou o meu pijama, e a sua cueca. Entramos na banheira.

- Esse vai ser nosso segredinho, não conta pra ninguém ta? Você não quer ver seu irmãozão triste, quer? – Ele dizia próximo aos meus lábios, eu podia sentir a sua respiração tocar os meus lábios.

- T-tá... Tudo bem... – Senti algo quente e duro tocar a minha coxa, suas mãos firmes colocavam-me sobre seu colo.

Os lábios dele me tocaram. Era estranho, aliás, eu nunca havia beijado alguém, e muito menos imaginaria que esse alguém seria meu irmão. Ele passava a mão por todo o meu corpo.

Esses joguinhos duraram muito, muito tempo. Tempo o suficiente pra eu me sentir usado, pra me machucar, pra sofrer danos irreparáveis. Não adiantava chorar, não adiantava suplicar. Ele me machucava sem piedade.

Certo. Anos se passavam e agora eu tinha quatorze anos. Meu irmão estava com vinte e um. Ele namorava uma menina muito bonita até e se chamava Anna. Eu achei que os jogos tinham se acabado, e que tudo ficaria bem. Grande engano. Aquele dia, havia sido o pior da minha vida. Foi tão horrendo que, á noite eu mal conseguia sentar, e com muito esforço deitar. Eu tive sangramentos a noite inteira.

Eu não podia contar isso pra ninguém. A vergonha de me sentir inferior aos meus amigos era muito maior. Aliás, eles sempre foram melhor em mim em tudo que eles faziam, exatamente tudo. E eu não queria mais motivos pra brincadeiras, pra zombações, pra motivos de piadas.

Um dia, fomos fazer uma social na mansão dos Stuart. Aí eu já tinha dezessete anos. Não me importava com o que meus já pensavam de mim, e meu irmão não fazia mais aquelas coisas nojentas. Maquiei-me perfeitamente e vesti um mini short com uma blusa pólo rosa. Naquele dia eu estava bem “light” devido ao calor excessivo que fazia. Lá, eu conheci Matthew, Barbie, Olivier e Cady Haron. Estavam todos brincando de verdade e conseqüência e pelo que eu percebi estavam tortos de bêbados. Sentei-me ao lado de Kuru, que estava agarrado com Cady. Sabia que aquilo terminaria em sexo. Quando dei por conta de mim, estavam todos pela casa, fazendo coisas indevidas. Menos eu e Olivier, que ainda insistíamos em continuar bebendo Vodka pura. Ele fumava algum cigarro mentolado, aquele cheiro me enojava e ainda por cima fazia deixava ele com a cara mais alcoolizada ainda.

- Cara, eu preciso ir embora... O Matt ta demorando com seu amiguinho lá hein? – Olivier se esgueirava ao vão da porta pra poder dizer algo, ele tropeçava nos seus próprios pés.

- É verdade, mas eles estão muito ocupados... – Ajeitei a franja, tentando quebrar o clima chato sobre nós dois.

Ele me puxou para o seu colo e me beijou. Olivier era o garoto perfeito. Galante, fofo, tímido e um bom cozinheiro. Ficamos juntos durante muito tempo até que...

- Que porra é essa Pietro? – Ele vinha correndo do outro lado da rua, apesar de não saber de nada do que ele falava.

- Do que está falando amor? – Disse, ao ver que ele já atravessara e se aproximava de mim.

Uma tapa fora dada na minha cara com tanta força, eu caí no meio da rua, bem em frente ao portão da escola. Todos olhavam para mim.

- É isso daqui seu desgraçado! – Ele pegou o celular e leu em voz alta – “Namorado de Olivier é pego usando cocaína com seu melhor amigo Paul no banheiro masculino do colégio. Minha fonte (CHPlastic07!) disse que os dois fazem isso freqüentemente.” – Ele ria alto, sarcasticamente – É isso que a Garota do Blog diz de você, seu desgraçado!

- Mas amor, você prefere acreditar em uma garota que se esconde atrás de um Blog pra acabar com a vida dos outros? – Eu ainda não havia me levantado, e eu estava tentando não chorar.

– Não me chame de amor, eu não sou seu amor! – As pessoas em volta riam, debochavam e ainda mais cochichavam – Ela nunca erra, por que faria isso logo com a gente? Quer saber Pietro? Tá tudo acabado! – Ele entrou em sua limusine, e esta teria sido a última vez que nos vimos.

Depois disso, meus pais descobriram sobre minha orientação sexual. Minha vida se tornou um inferno por causa dessa garota e agora, eu estou aqui deitado na cama de um quarto vazio na casa da minha melhor amiga Alice, pensando no que será da minha vida aqui pra frente.