Rule The World
11 "What the hell happened last night?"
Notas iniciais
Pov. Ally
– Ally — Austin chamava meu nome pela quarta ou quinta vez. — Ally, precisamos conversar.
Estávamos voltando para o hotel depois do dia passeando por Paris. Mas bem, não era exatamente no hotel que eu queria estar, era aonde eu não poderia mais fugir das perguntas de Austin. E eu estava me sentindo horrível porque desde a nossa discussão de ontem, simplesmente comecei a lembrar de tudo.
E não é lembrar como se eu tivesse esquecido de tudo o que tivemos, mas eu mantinha as lembranças guardadas em um lado obscuro do meu cérebro. Agora, tudo estava voltando como se tivesse me forçando a voltar pra ele.
Isso é muito ridículo, não é ?
– Você viu aquele lugar pelo qual passamos antes ? — Perguntei, desviando sua atenção e a minha também.
– Que lugar ? — Ele perguntou, suspirando, a voz completamente entediante e também era fofo. Mas esse era exatamente o tipo de coisa que eu queria ignorar.
– Era uma boate, eu acho. — Falei. — Eu achava porque o mais perto que eu tinha chegado de uma era a casa do Dez no seu aniversário de 18 anos. Mas bem, eu também achava que estava parecendo uma boate.
Parecia idiota eu estar observando meus passos ? Porque eu estava contando cada um para ocupar minha cabeça.
– O que você quer em uma boate ?
Era como se eu estivesse esperando por essa pergunta. Esperando para que eu pudesse lhe responder presunçosa como se eu estivesse mesmo. Me virei para Austin, mesmo que eu o tivesse o ignorado dia todo. Dei meu melhor sorriso maligno quando disse:
– Eu quero me divertir.
Então simplesmente me virei de volta. Podia me sentir poderosa agora, mas a verdade é que eu só era muito tola. Ele me seguio. Caminhava atrás de mim, passos largos como os meus e nunca se aproximava demais.
Pelo menos não até chegarmos no lugar.
Arregalei meus olhos só de ver a faixada, com as letras grandes e brilhantes. O barulho que saía lá de dentro já era alto o bastante para quem estava aqui fora. E tinha uma fila. Uma fila de pessoas para entrar, mostrando seus documentos para provarem que eram maior de idade.
Assumi um lugar na fila sentindo um calafrio. Era mesmo uma boa ideia ? Bem, tinha que ser. Algo novo. Algo diferente. Eu podia encarar isso. Atrás de mim, Austin grunhiu.
– Tem certeza disso ? — Perguntou, parecendo confuso. Talvez eu o tivesse confundindo agora mas era uma coisa boa.
– Claro. — Disse mesmo não sendo verdade.
Mostramos nossos documentos para o segurança na entrada quando chegou a nossa vez e pronto, já estávamos dentro. As luzes, o barulho, tanta gente parecendo feliz ou simplesmente bêbada parecia fascinante. Não queria pensar no quanto aquilo deveria dar dor de cabeça então me permiti a apenas ficar encantada com tudo.
Definitivamente eu não era uma adolescente normal.
– Tudo bem — Austin suspirou — , isso é uma boate. Tudo isso em volta são pessoas bêbadas e as luzes são incrivelmente fortes. Vai querer ficar ?
– Claro que eu quero.
Ele pareceu surpreso com a minha resposta. Parecia até mesmo ... admirado.
– Então você quer se divertir ? — Assenti, balançando a cabeça como uma louca e sentindo o enorme sorriso que estava se formando no meu rosto. — Acho melhor pegar algo para bebermos. — Apontou em direção ao bar. Isso devia significar bebida de álcool porque ninguém viria aqui apenas para tomar um refrigerante. E mesmo não estando 100% certa dessa combinação, aceitei a ideia do loiro e fomos até lá.
Não sabia o que ele tinha pedido mas não deveria ser boa coisa. O observei tomar o primeiro gole.
– Como é ? — Perguntei, segurando o copo e em completa dúvida sobre colocar aquilo na minha boca. (Acho que isso não ficou muito legal, mas deixa.)
– Arde. — Ele disse, normal. — Mas não é como se fosse a primeira vez que eu tomo isso.
Eu nunca conseguiria beber aquele líquido. Não sem um bom motivo e eu estava duvidando que existisse um que me fizesse gostar de ter minha boca no fogo, como se estivesse queimando e depois ainda ardesse como um remédio em uma ferida aberta. E não era exagero. Se Austin queria me provar que eu não conseguiria ficar num lugar como aquele, talvez ele estivesse certo. Mas eu não podia deixá-lo vencer tão facilmente. Então optei por fingir que estava bebendo aquilo.
Coloquei o copo na boca e apenas molhei meus lábios, apenas sentindo o cheiro daquilo e me senti enjoada. Mesmo assim, o manti ali por mais poucos segundos, como se eu tivesse mesmo tomando.
Austin preferia se exibir realmente tomando tudo de uma vez só. Contorcendo um pouco o rosto, mas rindo no final. Não parecia ter nenhuma droga de efeito nele e eu estava realmente tendo um ataque para tomar um gole ?
– Isso pode ser divertido — Austin disse, olhando em volta. Por mais que estivéssemos em um lado da boate aonde tivesse pouca gente, eu mal conseguia ouvi-lo. Quando tive a ideia maluca de vir aqui — qual me arrependo agora,- não imaginei que ele pudesse gostar. O que era completamente tolo da minha parte. Era Austin Moon, e ele podia se dar bem em qualquer lugar. Eu era a única deslocada. — Mas só vai ser você tomar isso de verdade.
Sorri, sem graça. Sendo pega no flagra. Ele me olhava intimidador, a jaqueta parecia brilhar com todas aquelas luzes saindo de vários lugares — ou pelo menos parecia -, ao mesmo tempo. Mas qual é, como ele poderia saber se eu estava mesmo tomando ou não ?
– E como você sabe ? — Arrisquei.
– Você não sabe mentir — ele riu — ,e se estivesse mesmo bebendo, com certeza não sorriria assim.
– Claro que não, se eu estivesse bebendo, provavelmente morreria engasgada.
– Vamos lá, Alls, isso é uma grande experiência pra você. Talvez a segunda maior. — Ele piscou pra mim, e eu sabia no que estava pensando porque era o mesmo que passava pela minha cabeça.
Olhei para o copo. Não podia ser tão ruim né ?
Estava tudo bem, eu acho. Eu não estava sendo tão ridícula nesse momento, estávamos nos falando normalmente. Mesmo que os dois ainda parecessem tensos.
E eu só precisava tomar a droga de uma bebida.
O primeiro gole passou pela minha garganta rasgando, queimando todo o caminho como se eu tivesse engolido fogo. Minha cara devia estar horrível agora porque Austin não parava de rir.
– Isso não tem graça — respondi, a voz cortada pois parecia que o gosto não passava.
– Claro que tem. — Ele disse. — Bebe mais. — Balancei a cabeça em forma negativa já que não conseguia mais falar. — Por que estamos aqui, afinal, Alls ? Não é tão ruim depois de mais uns goles.
Eu já tinha ouvido ou visto isso em algum lugar antes. Mas na minha mente, simplesmente não entrava por que alguém ia querer beber uma coisa ruim que ardesse tanto nas primeiras vezes só porque tinha álcool. Não era muito mais fácil tomar um refrigerante ? E de qualquer jeito, essa teoria de não ser mais tão ruim depois de alguns goles era terrivelmente falsa. Estava comprovando isso agora.
– Isso não fica melhor — reclamei. Mesmo assim, eu estava engolindo aquilo então eu certamente merecia algum crédito, no entanto, tudo o que ele fazia, era rir.
Eu não queria que isso tivesse acontecendo, mas droga, eu podia sentir. Eu podia sentir tudo voltando e não tem nada que fizesse isso mudar, mesmo que eu quisesse esquecer.
Mas eu estava condenada. De novo. Eu estava me apaixonando por ele. De novo.
Merecia um tapa na cara por isso.
– Imagine como se você estivesse se libertando. — Austin disse, próximo ao meu ouvido. Podia sentir o cheiro do seu perfume e o seu hálito quente próximo ao meu pescoço me dava arrepios. — Você sempre foi a garota perfeita, lembra ? Não gostaria de mudar isso um pouco ?
Eu estava me sentindo quase demasiada. E talvez o que ele tivesse falando fizesse mesmo sentido.
– Você gostaria que eu não fosse tão perfeita ? — Não faço ideia do porquê eu tinha perguntado aquilo. Preferi acreditar que era efeito da bebida, mas sabia que eu estava perfeitamente si do que estava falando agora. Era efeito dos meus sentimentos, de todos aquele renegados.
Austin franziu a testa e então, com a mão na minha cintura, se aproximou ainda mais de mim,colando sua boca em meu ouvido. Sussurrou com sua voz sedutora:
– Eu gosto de você de qualquer jeito.
Estremeci.
Ele era como um predador que não desperdiçava a chance de atacar.
– Austin — sussurrei. Eu o queria perto agora, muito mais do que já estávamos. Não parecia que nós dois estávamos em um lugar cheio de gente dançando alguma música eletrônica agitada e que não fazia nenhum sentido pra mim. Pra mim, era apenas eu e ele. E todas as lembranças que não saem da minha cabeça.
Nossas testas estavam coladas.
– Você não faz ideia do quanto eu queria te beijar agora — ele disse. Será que era mesmo possível depois de tudo eu ainda sentir borboletas no estômago ? E ainda era como se meu coração estivesse saindo da boca.
Eu não me importava com nada que tivesse acontecido naquele ano. Ali,agora, era como se nunca tivéssemos nos separado. Aquela boate não era o melhor lugar para termos aquela conversa. Mas pensando bem, conversar era a última coisa que eu queria agora.
– Faça isso — sussurrei de volta.
Eu me sentia completamente perdida. Eu queria seus lábios, queria sentí-lo próximo a mim de novo como era antes de tudo.
Eu tinha um plano, tinha algumas ideias e estava confusa. Mas agora com a proximidade dos nossos corpos, nada disso importava.
Eu o segurei pela jaqueta, o puxando para mim até nossos lábios finalmente se encontrarem. Depois disso, não tinha mais o que fazer ou pensar. Era como acender fogo. E se você não cuidasse, logo a chama tomaria conta de tudo.
Podia sentir que ele estava em uma posição díficil, no meio de todo aquele barulho e aquela pequena multidão a nossa volta, éramos só mais duas pessoas, não tinha nenhum foco em nós. Mas bem, eu tinha o foco nele e ele em mim.
Austin me empurrou (ou carregou ?) até a parede, então tudo o que eu podia sentir eram suas mãos no meu corpo. Suas mãos incrivelmente habilidosas e rápidas passando por todo o meu corpo, me puxando: me apertando. Seus lábios quentes no meu pescoço me dava arrepios, suas mãos me tocando daquele jeito me dava arrepios ... E definitivamente as coisas que passavam pela minha cabeça me davam vontade de continuar com aquilo muito mais.
Já tínhamos largado nossas bebidas em algum lugar, acho até que ele já tinha bebido tudo. Mas tudo passava incrivelmente rápido e eu apenas podia sentir, mas não ver. Longos suspiros escapavam da minha boca, sorrisos satisfeitos surgiam em seus lábios.
Um pequeno intervalo para recuperarmos o fôlego e nós dois sorrimos um para o outro, como cúmplices. Droga, eu estava adorando aquilo. Mesmo que fosse só agora, estava perfeito.
Voltamos a nos beijar em menos de um minuto, percebi que estava mesmo muito quente ali, não sei se pelo tempo, clima da boate ou bem, Austin e eu.
O ajudei a tirar aquela jaqueta e acho que devia ter caído no chão. Não tenho ideia. E droga de novo, porque estávamos em um lugar público. Mas quem se importava ? Certamente não nós e não tinha sequer uma pessoa nos olhando como se fosse errado.
– Será que não tem nenhum quarto por aqui ? — Austin perguntou no meu ouvido. Eu ri, o som abafado por estar com o rosto no seu pescoço. Eu pensei que talvez pudéssemos voltar pro hotel porque, você sabe, eu não estava pensando direito e o queria mesmo. E eu estava prestes a dizer isso quando meu celular vibrou no meu bolso. Era o Nick. — Você vai atender ?
Olhei para Austin. Ele sorria, presunçoso. Mas que droga estávamos fazendo, de qualquer jeito ?
Recusei a ligação.
– Preciso de mais uma bebida — falei, tirando seus braços da parede em que estavam me prendendo e em meio de tanta gente bêbada e maluca, fui de volta até o bar.
( ... )
Me mexi inquieta.
Eu estava acordada a apenas alguns segundos mas sabia que tinha algo errado. Eu não me lembrava de praticamente nada depois da ligação do Nick e a minha ida ao bar.
Quando finalmente abri meus olhos, confirmei de que eu estava em uma cama e era no hotel. As cortinas cobriam a janela, impedindo que o sol me cegasse e logo agradeci por isso já que minha cabeça não parava de doer.
Só tinha um probleminha: Eu estava usando apenas as peças íntimas da minha roupa. O lençol estava me cobrindo mas o levantei para poder ver. Bom, eu sabia que meu cabelo deveria estar uma bagunça e minha cara não deveria estar das melhores.
E só restava mais um probleminha: Austin estava dormindo do meu lado. Sem camisa, o cabelo também bagunçado e o lençol o cobrindo só até a cintura ...
Congelei. E seja lá o que tivesse acontecido, eu estava sentindo exatamente os efeitos da bebida.
"Mas que diabos aconteceu noite passada ?"
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