Rule The World
12 The truth about last night - Part 1
Notas iniciais
Pov. Austin
– Austin ? — Ouvi uma voz impaciente me chamando. Mas meu corpo nem mesmo se mexia. Não sei quantas horas eu estive dormindo, mas ainda estava completamente cansado. — Austin ?! — Ela continuava chamar, seu tom de voz aumentava e isso demonstrava que ela deveria estar mesmo apavorada.
O que ela falaria sobre a noite passada ?
– Ei! — Ela me deu um tapa mais forte, quase me empurrando pra fora da cama, e eu gemi de dor. Ally podia ser bem forte quando estava zangada. — Eu sei que você está acordado,idiota, para de fingir!
Me retorci na cama, abrindo meus olhos devagar para contemplá-la com a expressão furiosa e impaciente. Nada mais do que eu já esperava. Ela estava enrolada nos lençois quase até o pescoço, o que me fez rir. E acho que não foi uma boa atitude já que ela me bateu de novo e perguntou qual era a graça.
– Nada, nada! — Exclamei. — Pode parar de me bater agora ? Não é assim que se começa um bom dia.
– Eu já não estou tendo um bom dia! — Ela gritou. Realmente gritou. Arregalei meus olhos,um pouco surpreso, mas divertido. Ela parou, como se gritar a tivesse feito mal e colocou uma mão na testa. — Minha cabeça está explodindo.
– Fica deitada, você tem que descansar, sabia ? — Falei, ela se recostou na cama, deitando com a cabeça no travesseiro. Percebi que fazia muito tempo que eu não a via assim, tão linda acordando de manhã. O cabelo bagunçado era engraçado e seu rosto ficava completamente inocente e fofo. Mas por conta da noite passada, ela provavelmente teria dor de cabeça o resto do dia. — Vou pegar algo pra você.
Não a olhei novamente enquanto me levantava da cama, mas sabia que a mesma tinha seu olhar fixo em mim, e em meu corpo praticamente todo descoberto e eu até faria uma piada sobre isso, se eu não soubesse que ela deveria mesmo estar com muita dor.
Voltei com duas aspirinas na mão e um copo de água. Ally parecia desconfiada, ainda estava enrolada nos lençóis como se fosse um embrulho de presente, mas seus braços estavam descobertos, um pendia para fora da cama e o outro ela usava para apoiar a cabeça.
– O que é isso ? — Perguntei, seu rosto retorcido, e a voz fraca.
– Acho que alguém já perdeu sua energia — falei assobiando. — Quem mandou ficar me batendo, não é ?
– Rá rá. Como ele é engraçado ... — Murmurou, com os olhos fechados.
– Toma. — A entreguei o copo e os comprimidos. — Vão te deixar um pouquinho melhor.
Ela não foi resistente em tomar aquilo, mas ainda tinha algo a incomodando.
– Que tal um saco de gelo ? — Pediu, abrindo os olhos e fazendo uma cara fofa, como um gatinho manhoso. Eu não tinha percebido até agora como eu ainda parecia um babaca perto dela. Eu podia fazer piadas, brincar e até mesmo fingir estar bravo, mas eu sempre fazia exatamente o que ela queria. Acho que já posso fazer uma lista sobre as desvantagens de se estar apaixonado e colocar isso no topo.
Suspirei, passando a mão pelo rosto. Eu ainda estava praticamente dormindo, ainda estava com sono e não tinha nem mesmo colocado uma roupa, mas fui mesmo procurar alguma coisa aonde eu pudesse colocar gelo para tentar aliviar a dor dela. E nem foi tão difícil de se achar, essas suítes tinham praticamente tudo, até uma maleta de primeiros socorros.
– Você é muito mandona — reclamei, voltando para a cama ao seu lado e colocando o saco de gelo sobre sua cabeça. Ela riu, colocando sua mão por cima da minha para segurar o gelo, e mesmo depois de termos,hã, ficado (?) naquela boate estúpida, ainda parecia estranho quando nos tocávamos, ainda mais em simples e pequenos gestos como esse. Retirei minha mão com cuidado, sorrindo carinhosamente para ela.
Um silêncio devastador se instalou durante alguns minutos. Eu podia ver, pelo jeito como ela mordia o lábio e olhava para os próprios pés esticados na cama, mesmo que cobertos também pelo lençol, que essa proximidade entre nós sendo que ironicamente eu estava vestindo apenas uma cueca e ela apenas suas roupas íntimas, a incomodava.
– Austin — ela pronunciou meu nome devagar. Era quase delicioso ouvir meu nome saindo de sua boca daquele jeito, já que me lembrava de outras coisas. — O que ... — Começou, mas se calou rápido. Seu rosto tinha assumido uma cor avermelhada e eu não podia acreditar que ela estava mesmo com vergonha de me perguntar algo. – O que aconteceu noite passada ?
Tinha um "quê" a mais em sua pergunta. Ela enfatizou cada palavra com êxito, sua voz estava normal de novo mas ela ainda estava corada. Mesmo assim, foi curiosa o bastante pra perguntar. E ah, é claro que ela não lembrava de nada já que tinha ficado completamente bêbada, eu acho que tinha esquecido disso nessa manhã.
– Ah — falei, meio constrangido em ter que contar toda a história. — Bem ... Muitas coisas acontecem quando alguém bebe demais. — Eu disse, tentando tornar aquilo agradável para nós dois e até mesmo divertido. Só não sabia se ela ia achar isso.
– Tipo o quê ? — Ela insistiu, uma ponta de nervosismo em sua voz. Quase como se uma parte dela não quisesse saber mas estivesse sido vencida pela parte que realmente precisava de uma resposta. — Austin, nós ... Nós fizemos sexo ?
Arregalei meus olhos um pouco de mais, talvez a assustando um pouco. Então pensei que obviamente a memória dela havia sido apagada por causa da bebida e que o jeito como acordamos essa manhã também não parecia muito bom. Quer dizer, era bom, mas não para o que estava passando pela sua mente, e que eu nem menos teria me incomodado se ... Ah, esquece. O que eu podia responder ela ? "Não, não aconteceu nada, mas não posso negar que fiquei com uma puta vontade." Bom, isso era verdade, mas não era a história do jeito que ela precisava ouvir.
– Não — falei, simplesmente. Eu tinha que falar mais alguma coisa, eu precisava. Mas o quê ? Ela suspirou de alívio e me perguntei se seria tão ruim assim se tivesse mesmo acontecido. Mas cara, ela estava bêbada, como eu poderia ... ?
– Austin — ela pronunciou meu nome de novo, dessa vez havia mesmo até alegria presente em sua voz. — O que exatamente aconteceu ontem a noite ?
Respirei fundo, talvez eu não estivesse com muita vontade de falar sobre tudo, mas bem, ela precisava saber. Me concentrei exatamente no que aconteceu logo depois que ela se afastou de mim e foi até o bar.
"E ela simplesmente saiu.
Me deixando completamente sozinho, parado, encostado naquela parede que parecia incrivelmente dura e fria quando eu não estava distraído em seus lábios e seu corpo — seu corpo, que eu sentia tanta falta — extremamente perto de mim.
Suspirei de frustração. O que tinha sido aquele beijo ? Aquele. Beijo. Aqueles poucos minutos de amassos que tinham tomado conta da minha mente completamente agora ... Ela me deixava louco. Depois de todo esse tempo, de todas as minhas burradas, nossas brigas, nossas idiotices e todo o jeito com qual sempre usávamos para nos afastar, embora nenhum dos dois entenda o porquê.
Ally estava ali, junto a mim a alguns minutos. Eu a disse o quanto queria a beijar, não sei quando foi que tomei a decisão de lhe falar, talvez nem tenha tomado, simplesmente saiu da minha boca. E não me arrependi. Mas bem, imaginei que ela fosse ficar sem graça, não que me pediria para beijá-la, muito menos que me agarrasse pela jaqueta daquele jeito e me deixasse tomar conta dos seus lábios. Seus lábios doces e macios ...
E agora ela tinha saído por aí, no meio da multidão. Talvez brava comigo, talvez consigo mesma por ter permitido aquilo. Mas por que ? Por causa da estúpida ligação de alguém que talvez eu soubesse de que ela gostava ? Aquilo me enfurecia. A sensação de ciúmes me invadia fortemente, mas eu não podia negar que me sentia no mínimo vitorioso, pois quando ele ligou, era comigo que ela estava. Me beijando, parecendo adorar aquilo.
Ainda assim, não diminuía o ciúmes.
Recolhi minha jaqueta do chão e a coloquei sobre meus ombros. Eu tinha perdido Ally de vista. Não podia enxergar mais nada no meio de toda aquela gente louca dançando e se pegando. Fiquei um pouco preocupado. Ela nunca tinha estado em um lugar assim antes ... E se ela se machucasse ? Se metesse em alguma encrenca ? Ela precisava de mim ao seu lado para a ajudar. Eu deveria tomar conta dela, é esse meu trabalho, não é ? Eu sempre cuidei dela.
Comecei minha busca no meio da multidão, pensei em perguntar para alguém, mas ninguém deveria estar sóbrio ou ao menos ia parar para me ouvir ou ao menos conseguir. Peguei meu telefone rápido e a liguei. Tocou várias vezes antes de dar na caixa postal. Ela não atenderia.
Acho que já tinha se passado quase 1 hora. Uma. Hora. Como eu poderia a perder tão rápido ? Me sentia como um tonto. Mas então, eu a vi. Um pouco longe da onde eu estava, mas era impossível não vê-la, a atenção de todos estava voltada pra ela. Em cima de alguma bancada, ou sei que lá que merda era aquilo. Ela não estava sã, com certeza. A Ally não dançaria como uma louca em cima de alguma coisa tomando a atenção de todo mundo daquele jeito. Ela tinha um copo na mão. Eu pensei em rir, honestamente. Era engraçado. Ela parecia tanto com outra pessoa, e aquilo tudo parecia como em um filme quando a mocinha finalmente "se liberta".
Mas tinha muitos caras em volta dela. Cada um a olhava de um jeito diferente e todos me davam nojo e raiva. Quem eles pensam que são pra olhar daquele jeito para a minha garota ?
Eu corri até lá.
– Austin! — Ela exclamou, parecendo uma criança de tão feliz. — É tão bom de te ver! — Gritou, ainda dançando. Ela falava como se não tivéssemos juntos até uma hora atrás. Eu não podia negar que era divertido, mas eu não podia rir, não podia deixá-la daquele jeito.
– Ally, precisamos sair daqui — falei, o mais sério possível.
Ela riu, jogando as mãos pro alto, recebendo assobios e muitos gritos. Eu realmente não queria precisar a arrastar para fora dali, mas era tudo o que eu podia fazer.
Agarrei suas pernas, a puxando, a fazendo cair meio sentada em cima da bancada, e ela fez uma cara brava, mas completamente idiota e infantil.
– Você é muito mau! — Exclamou, fazendo biquinhos e encruzando os braços. Recebi algumas vaias e palavras nada agradáveis por ter feito ela parar, mas ignorei, tudo o que eu queria era tirar ela dali, não entrar em um briga.
– Ally, precisamos voltar para o hotel, lembra ? — Tentei falar devagar, como se estivesse mesmo convencendo uma criança a guardar seus brinquedos de uma forma gentil. — Você ia adorar a sua cama agora, quentinha e confortável ... — Tudo bem, eu acho que nunca tinha me sentido mais ridículo do que naquele momento.
Então, ela mudou o feitio rapidamente, passando de rosto de criança birrenta para uma garota normal, ela fez um olhar sexy e mordeu os lábios. Os olhos selvagens presos em mim. Acho que nunca a tinha visto tão ... tão diferente.
– Minha cama só vai ser confortável se você estiver nela também. — Piscou pra mim, descendo da bancada por completo e praticamente correndo para outro lado.
Isso ainda ia demorar ...
Continua ...
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