Rule The World
13 The truth about last night - Part 2
Notas iniciais
Suspirei, realmente cansado. O sono estava começando a me dominar e eu estava quase considerando a ideia de dormir em um desses sofás em que os casais (ou completos estranhos que se conheceram a apenas 5 ou 10 minutos, talvez menos) usavam para se pegarem. Seria nojento, mas eu não aguentava mais ...
Desde que Ally tinha fugido de mim de novo, eu dei voltas por esse lugar. Empurrando pessoas, recebendo palavras desagradáveis de caras mais velhos que eram realmente enormes, alguns com tatuagens espalhadas pelo corpo e pose zangada que preciso confessar, me assustaram de verdade.
E eu não conseguia a acompanhar.
A impedi de beber mais uma ou duas vezes, mas ela acabava me xingando, me dando socos no braço ou dizendo o quanto eu estava sendo cruel. Blá blá blá. Ela não estava bem. Isso certamente renderia uma enorme dor de cabeça pela manhã ... E ela também não se lembraria de nada. E provavelmente ficaria chocada quando soubesse tudo o que fez.
Suspirei, me encostando no balcão do bar. O garçom (que devia ter só uns 6 ou 7 anos a mais que eu) me olhou quase compreensivo, com um sorriso como se dissesse: "Sinto muito por você, cara, acho que sua noite vai ser mesmo péssima e eu vou continuar aqui, assistindo tudo e me divertindo ás suas custas." Talvez não exatamente isso, mas era só o que eu podia pensar.
– Por que garotas precisam ser tão complicadas ? — O perguntei. E me senti ainda mais otário. Eu estava mesmo tentando desabafar sobre meus problemas com Ally para um cara desconhecido que era garçom de uma boate enorme em Paris ? Então me toquei que talvez ele nem me entendesse. França = francês.
– Acho que é algo como a natureza delas. Nunca vou entender também. — Ele respondeu, sem sotaque nenhum. Talvez ele fosse de algum outro lugar também. — Vai querer alguma bebida ?
Olhei para Ally de novo, correndo por aí, dançando como uma louca. Eu até poderia beber alguma coisa mais forte, ficar louco como ela e talvez nós dois pudéssemos nos meter em problemas e sermos deportados para os Estados Unidos ou algo assim. Mas quando ela voltasse ao normal, com certeza iria me odiar por isso. Até porque eu sempre tinha a culpa de tudo. Então eu precisava ficar sóbrio. Precisava cuidar dela.
– Um refrigerante — respondi, entendiado.
O garçom olhou de soslaio para Ally também.
– Boa escolha. — Falou.
Eu esperei mais ou menos 15 minutos. Mas não dava mais, eu precisava levantar daquele banco e tirá-la dali. Meu refrigerante já tinha acabado mesmo. Me preparei mentalmente para lidar com uma criança ou só com uma doida, já que meus braços já estavam meio que arranhados graças as maravilhosas unhas dela. Que noite, não é mesmo ?
– ALLY! — Gritei com ela. Realmente usando o tom mais zangado e rancoroso que eu podia. E estava sendo uma droga, eu estava me saindo péssimo nisso. Ou pelo menos era o que eu pensava antes de perceber que estava dando certo. Ela tinha parado, me encarando com aqueles olhos marrons arregalados como uma criança perdida ... Não, eu não podia me amolecer agora.
– Qual o problema ? — Ela sussurrou, baixo demais já que o som da boate era ensurdecedor, mas eu consegui a entender com um pouco (lê-se muito) esforço. Sua voz já estava quase destorcida graças a porcaria da bebida.
– Precisamos ir. Agora. — Falei, ainda usando o tom duro.
Do jeito que ela me olhava achei que ou ela iria me ignorar completamente ou começar a chorar. Mas não. Ela apenas sorriu, como uma criança travessa.
– Tudo bem, mas meus pés doem. — Ela olhou para seus pés, fazendo um beiço fofo. — Eu não posso andar.
Revirei os olhos. Eu estava quase conseguindo a tirar daqui ...
– Está bem. Esquece seus pés, você nem precisa andar. — Ela me olhou confusa por um instante e eu parecia mesmo desesperado para sair desse lugar. — Sobe nas minhas costas.
Me virei de costas a dando espaço para subir, e foi isso o que a garota fez. Completamente desequilibrada e tonta, mas ela fez uma comemoração quando conseguiu, seus braços em volta do meu pescoço e eu segurei firme nas suas pernas.
O caminho até o hotel foi incrivelmente tortuoso. Eu não a deixei descer das minhas costas nem mesmo por um segundo. E a cada passo, era uma nova coisa, ela queria olhar uma flor caída no chão, um homem fumando sentado em um banco, queria até mesmo entrar em um petshop, mesmo sabendo que estava fechado. Ou pelo menos eu achava que ela sabia. Não fazia ideia do que entrava na sua cabeça e o que não.
Dei graças a Deus pelo hotel ser perto do lugar aonde estávamos. Foi apenas uns 10 minutos a pé. Era tarde, devia ser quase duas horas da manhã. E apenas o porteiro do lugar estava no saguão. Ele arregalou os olhos quando nós entramos. E devo acrescentar que ele deveria achar que éramos marginais, sei lá.
Ally desceu das minhas costas, gritando por ter achado o lugar bonito. Como se não tivesse estado aqui antes.
– Seigneur, ce est bien ici ?¹ — O porteiro da noite perguntou, ainda um pouco chocado, olhando para a Ally um pouco temeroso, como se ela pudesse quebrar alguma coisa do saguão assim, era tudo muito caro ali e talvez ela pudesse mesmo fazer isso.
– Bien sûr, pourquoi pas ?² — Respondi, rindo, como se tudo fosse uma piada, tentando não deixá-lo preocupado ou algo assim. — ALLY! — Gritei, quando a mesma estava quase subindo em cima de uma mesinha no centro do lugar. Fui até lá e ela sorriu, se jogando nos meus braços, provavelmente achando que eu tinha virado um burro de carga ou algo assim. De qualquer jeito, a ajeitei em meus braços e caminhei até a escada. — Bonsoir! — Falei para o porteiro, já subindo as escadas, ele sorriu, ainda estranhando tudo, mas nos desejou boa noite também.
Abri a porta da suíte quase caindo com a morena em meus braços. Ela ficava se remexendo, parecia querer brincar comigo e já estava falando tão enrolado que eu quase não entendia nada.
– Seu cabelo ... — Ela murmurou, logo depois de eu a colocar de pé, já dentro da suíte. — É loiro! — Ela exclamou, como uma grande descoberta e começou a rir. Ela chegava a dar pulinhos de felicidade.
– Você precisa mesmo dormir — falei, me permitindo ao menos sorrir um pouco.
– Está quente aqui, não acha ? — Falou, começando a tirar a sua roupa e jogando em qualquer lugar no meio do que eu chamava de pequena sala, que separava nossos quartos.
– Acho que acabou de ficar — murmurei, só para mim.
Ela realmente tinha tirado toda a roupa, ficando apenas com as peças íntimas. Se virou pra mim, me olhando desafiadora. Se aproximou devagar, e nós dois estávamos uma bagunça e ridículos.
– Você quer me beijar, Austin ? — Perguntou. — Eu quero muito beijar você.
Eu ri. Mesmo que eu realmente quisesse a beijar. (E como eu queria!) Mas ela estava bêbada, maluca, provavelmente não se lembraria disso amanhã e eu seria um aproveitador se tirasse vantagem disso.
– Você precisa dormir — falei, a segurando pelos ombros e a levando até seu quarto.
– Eu não quero dormir!
– Mas você precisa. — Insisti. — Amanhã vai estar pensando direito.
– Mas eu sei o que eu quero agora. — Reclamou, se virando de novo para mim, ela já estava a poucos passos da cama, se eu pudesse fazê-la dormir logo ... Eu já estava mesmo cansado e com sono.
– Ally — murmurei. — Cama. Dormir. Você precisa.
Ela ergueu as mãos se rendendo. E se ela deitasse mesmo e finalmente dormisse, eu poderia parar de tentar não olhar para seu corpo descoberto e passar por toda essa situação complicada.
– Tudo bem — ela falou. — Mas só se você dormir comigo.
– Eu não posso. — Eu disse, eu não podia mesmo, eu a queria tanto ... E ela estava bêbada, quase nua ... Eu me odeio por ter todos esses pensamentos com ela.
Mas ela se aproximou de mim — de novo, de novo e de novo — ela sussurrou algo como: "Claro que pode", no meu ouvido, passou as mãos pelos meus braços me fazendo tirar a jaqueta e também a camiseta.
– Satisfeita ? — Perguntei, torcendo para que ela simplesmente dissesse sim e me desse alguns minutos de descanso. Eu estava sendo quase que a babá dela, e sim, estava sendo bem difícil. Ela fez que não com a cabeça e apontou para as minhas calças. Sorriu safada enquanto eu desabotoava os botões.
Eu quase gritei de felicidade quando ela deitou na cama, ela ainda parecia ligada demais para dormir, mas já era um começo.
– Deita aqui — implorou.
Me deitei ao seu lado um pouco relutante, mas parecia ser a única maneira de ela finalmente parar. Eu ia dizer alguma coisa, mas quando a olhei, a mesma já estava dormindo. Suspirei de alívio e felicidade. Tinha acabado. TINHA FINALMENTE ACABADO! Pensei em levantar dali e ir para o meu quarto, mas mal consegui mexer as pernas.
A última coisa que pensei antes de cair no sono foi que eu tinha conseguido. Eu tinha cuidado dela."
Terminei toda a história. Não ocultei nenhum detalhe porque sabia que para Ally, tudo, até mesmo a menor coisa, faria diferença.
Ela tinha uma das mãos cobrindo a boca, parecendo surpresa e os olhos marrons arregalados como na noite passada, mas agora ela sabia exatamente o que estava acontecendo e parecia se sentir envergonha.
– Ai. Meu. Deus. — Sussurrou, com a boca ainda coberta. — Austin ... Sinto muito.
– Tudo bem — dei de ombros. — Foi uma droga cuidar de você na hora, mas sei que fiz o certo e lembrando aqui, nem pareceu tão ruim.
– O porteiro da noite deve me achar uma louca! — Ela exclamou. Segurava o lençol com força e tudo ainda parecia não se encaixar bem na mente dela, e só de lembrar, eu começo a rir de como ela parecia manhosa.
– Você é louca — falei — , com ou sem bebida.
Ela me deu um tapa forte no braço. De novo. Será que ela não percebe que é forte o bastante para me machucar de verdade ? Ai. Doía mesmo.
– Cala a boca — resmungou, brava, mas estava sorrindo. — Não acredito que fiz mesmo todas essas coisas, me sinto como se estivesse num filme.
– Nossa vida toda sempre foi como os filmes, Ally. — Falei a verdade. Parecia mesmo. Era a primeira vez que pensava nisso e fazia todo o sentido. Mas nos filmes, sempre tem um final feliz, não é ? Então, cade o nosso ? Espero que não tão distante quanto parece. Ela não falou nada, era como se refletisse sobre isso, mas ainda tinha um sorriso no rosto. — Bom, acho que preciso tomar um banho e ... Pôr uma roupa.
Ela riu. O saco de gelo não estava mais sobre sua cabeça e supus que talvez a dor estivesse passando um pouco. Eu já estava saindo do quarto quando ela me chamou de novo.
– Sim ?
– Obrigado. — Ela falou, o sorriso tão largo que iluminava seus olhos. Percebi também o quanto eu amava tudo sobre ela. Ally não percebia isso ? O quanto era torturante ficarmos agindo assim ?
– Pelo o quê ? — Perguntei com a testa franzida.
– Por cuidar de mim. — Disse, apenas.
E pra mim, sinceramente, era o suficiente.
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