Rule The World
7 Can we be just friends ?
Notas iniciais
Pov. Ally
Pisquei os olhos algumas vezes para ter certeza do que eu estava vendo. Mas não era uma alucinação, eu tinha certeza. Embora parecesse uma total loucura.
Mas era ele. E o mesmo mantinha os olhos sobre mim.
A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: Talvez eu possa estar em um programa de tevê, participando de uma pegadinha ou sei lá. Cheguei a procurar por câmeras ou alguma coisa que fizesse daquilo uma brincadeira. Mas era tão ridículo. A segunda coisa que passou pela minha cabeça foi: Isso não parecia tão louco assim. Minha mãe falou sobre alguma surpresa, uma surpresa qual meu pai não parecia feliz em concordar.
Então, não parecia uma total loucura.
Não havia tirado meus olhos dele ainda. Que grande idiota eu sou! Eu podia estar usando aquele mínimo tempo para fugir, mas estava ocupada demais o olhando. Observando como ele parecia igual, mesmo com as claras mudanças. Parecia mais velho, com o cabelo maior do que era.
Mas eu também não estava exatamente com a mesma aparência. E todo mundo mudava, era inevitável.
Percebi que ainda estava segurando uma revista que estava lendo, mas logo a soltei em cima da mesinha á minha frente. Não havia nada de bom para ler naquilo a não ser fofocas sobre celebridades e dramas de relacionamentos que não chegavam a ser tão complicados como o meu.
Levantei dali o mais rápido possível e simplesmente corri pelas escadas.
A suíte aonde eu estava tinha dois quartos. Ou talvez seja ao contrário mas eu não dava a mínima pra isso. Lembro de achar grande demais só para mim. Mas agora tinha outro sentido, e tudo se encaixava como as peças de um quebra-cabeça. Fiquei imaginando se Austin subiria atrás de mim ou se talvez, me deixasse ter um tempo para processar isso.
E acho que foi uns 10 minutos. Mas nada mais passava na minha cabeça a não ser que eu tinha mesmo o visto. Pessoalmente.
E então, a porta se abriu e ali estava ele. Assim que decidi assumir minha posição mais brava, me senti mais forte. Talvez eu devesse bater nele ou gritar. Mas não sabia ao certo se isso ajudaria ou mudaria algo.
Ally — ele disse, e depois de 1 ano, era estranho ouvir meu nome saindo da sua boca daquele jeito. Não pelas raras vezes em que nos falamos por telefone, com a ligação extremamente ruim e os dois parecendo fingir alguma coisa.
Droga, eu senti falta dele. Mas isso não deveria ser considerado agora, não depois de tudo.
O que está fazendo aqui ? — Perguntei, tendo certeza que não tinha saído do jeito que eu queria. Era mais verdadeiro que aquilo, mas parecia errado. Acho que minha voz estava saindo cortada, não porque talvez eu fosse chorar, mas porque no final, não acho que eu estava brava. Confusa, parecia a palavra mais certa.
Bom, acho que é uma história longa. — Falou, e certamente não era sobre aquilo que ele queria falar. E nós dois parecíamos estar com medo um do outro. Isso também era errado.
Acho que se resumi na minha mãe. — Eu disse e ele assentiu. Levantei da cadeira aonde estava sentada. — Mas acho que eu ainda deveria perguntar o porquê.
O porquê ? — Austin riu, mas eu não via graça em nada daquilo. — Eu prometi a você.
A última mensagem que ele tinha me enviado a algum tempo atrás, perguntava se eu ainda acreditava naquilo. E é, eu acreditava. Depois de tudo, eu acreditava. Não era como se ele pudesse ficar todo aquele tempo fora, depois de temos decidido sermos apenas amigos, estando com outras garotas para depois se lembrar que eu existo e querer voltar como se eu estivesse de braços abertos esperando por ele.
Isso me dava raiva.
Grunhi dando a volta no quarto, com seus olhos ainda em mim, mas tudo o que eu queria era poder acabar com aquilo.
Promessas — murmurei. — Não sabia que você ainda se lembrava disso depois de tudo. Nem imaginava que você soubesse o que é isso.
Pensei que o loiro não fosse falar nada. Pensei que até mesmo ele achasse que eu estava certa em pensar daquele jeito. Mas claramente, ainda éramos instáveis e ainda discordávamos em quase tudo.
Na verdade, eu sei bem o que é. — Agora, ele tinha o mesmo jeito irônico e um pouco sombrio de antes. Não pensei que aquilo fosse me animar o bastante para me dar ainda mais raiva e ainda mais lembranças. — Eu te prometi que iria voltar. Não imaginei que estaria em Paris, não imaginei que tanta coisa fosse acontecer nesse tempo, mesmo que soubesse que era inevitável. Mas eu te prometi. E eu estou aqui, e eu senti muito a sua falta. — Parecia ridículo que ele estivesse zangado também, mas me passou pela cabeça que talvez, só talvez, ele também estivesse sofrendo.
Austin abriu a boca para falar alguma coisa, mas não continuou. Seus olhos estavam fixados em outra coisa. Não entendi o que era tão importante para fazê-lo se calar, mas então vi o que ele estava olhando.
O ursinho de pelúcia.
O ursinho que ele tinha deixado pra mim quando foi embora. O maldito ursinho cheio de memórias que eu tinha trazido para a Europa porque eu era idiota. "Pelos bons e velhos momentos inesquecíveis."
Estava em cima da mesa, aonde eu podia ver sempre que levantava de manhã ou quando fosse tomar café. Lembro que nas primeiras semanas depois de que ele foi embora, eu dormia abraçada naquilo.
Andei até a mesa e tentei pegar aquela coisa, mas antes que eu pudesse tocar, Austin pegou minha mão. Eu também não tinha notado que ele estava tão perto antes de me virar, e estávamos praticamente cara a cara. Meu coração acelerou, minhas mãos tremiam e talvez eu tivesse borboletas no estômago como uma garotinha idiota com a sua primeira paixão.
Mas era maior do que isso.
Minha boca estava aberta, como se eu quisesse falar algo que simplesmente não ia sair. E eu acabei deixando seus dedos se entrelaçarem nos meus. Precisava de alguma coisa que me trouxesse de volta para a terra, que me lembrasse de que eu podia ser mais forte do que isso. Que eu não precisava ser tão fraca quanto meu coração.
Nick.
Seu nome me passou pela cabeça e não pude deixar de ficar um pouco assustada. O que eu tinha feito com ele ? Eu tinha o beijado. E antes de ir, ainda tinha falado pra ele que resolveríamos nós quando eu voltasse. Mas a que nós eu estava me referindo ? Nada que pudesse ter entre mim e ele entrava na minha cabeça quando Austin Moon estava bem na minha frente. Quando ele sorria pra mim, quando eu podia sentir sua respiração, seu hálito, quando seus lábios estavam perto demais ...
Não. — Eu falei, tentando me afastar, tentando tirar minha mão da sua, mas ele me segurou.
Não por que ?
O olhei. Cometi esse erro porque eu simplesmente me esqueci o que eu ia falar quando o olhei nos olhos. Estava perdida.
Você precisa sair daqui. — Falei, tentando não o olhar. — Eu preciso sair daqui.
Você não precisa. — Ele disse. — Ally, eu não quero que seja assim. — O que você não quer que seja assim ? Queria ter perguntado isso. — Ei, olha pra mim. — Falou, levantando meu queixo, me fazendo o olhar. — Não precisamos complicar ainda mais.
Pisquei, meio confusa.
O que ? Do que está falando ? — Eu não sabia se estava me referindo ao que ele tinha acabado de dizer ou se eu não sabia o que estava falando porque estava hipnotizada.
Eu e você. — Austin disse. Senti um arrepio na cintura, aonde sua mão estava agora. — Eu sei que fui idiota, ainda sou. Mas eu não quero perder o que tenho com você. Isso é egoísta ? Deve ser, mas não me importo. Não quero confundir você mais ainda, não quero que continuamos a agir como estranhos. Alls, você me conhece melhor do que ninguém. — Não tinha entendido do que ele estava falando, porque era confuso demais. Mas fazia sentido, eu só precisava pensar. E eu não conseguia pensar olhando pra ele.
Me soltei de sua mão e coloquei as minhas duas no meu rosto. E agora ele tinha as duas mãos em volta da minha cintura.
Não posso olhar pra você. — Falei e ele riu. — Sério, eu não posso. — Percebi que aquele momento tinha passado de estranho e dramático pra confuso e engraçado.
Tudo bem, não quer me confundir ? Como assim ?
Ele suspirou.
Não quero que você ache que estou tentando fazer tudo voltar a ser como antes. Tudo mudou, eu entendi. — Austin tirou minhas mãos do meu rosto e as segurou. — Mas Ally, eu ainda sinto o mesmo por você, do mesmo jeito que você também sente o mesmo por mim.
Você não pode afirmar por mim. E também não pode querer que eu te perdoe tão fácil.
Não quero nada disso. — Falou, me deixando mais confusa. — Quero sua amizade. — Eu ri. — É sério, Alls. Se eu tenho que te conquistar de novo, vai ser desse jeito. — Semicerrei os olhos, mas ele parecia estar sendo verdadeiro. — Agora, como amigo, não acha que me deve um abraço ?
Eu ainda estava desconfiada. Muito mesmo. Não sabia se valia a pena, se tinha algum truque ou se ele merecia.
Isso era tão tosco, pensei. Nem sabia se estava usando a palavra do jeito certo. Mas eu faria mesmo isso ? O abraçaria como se o último ano não tivesse existido ? Eu poderia ser superior ? Não, mas eu poderia fingir. Eu obviamente queria aquele maldito abraço, mas não podia deixar que fosse só. E que tudo ficaria bem.
Sem perdão. — Falei. — Mas aceito o abraço, amigo.
Austin me olhou tão desconfiado como eu estava naquele momento. Mas nos abraçamos. E droga, foi tão bom sentir suas mãos em volta de mim e poder ter as minhas em volta dele também ... Por um segundo, eu poderia esquecer de tudo.
Mas isso ficaria guardado dentro de mim e seria pior se eu explodisse depois.
Isso é um jogo, não é ? — Ele perguntou, quando nos afastamos.
Talvez. — Falei, surpresa por ele pensar naquilo tão rápido.
Não sabia o que estava fazendo. Austin também não. Mas me perguntei quanto tempo duraria até eu acabar dando um soco nele ou nós dois acabarmos em outra discussão, com cada vez mais problemas.
Uma parte de mim gritava pra acabar com aquilo porque era errado. Eu tinha prometido ao Nick. E já estava pensando em acabar com essa promessa agora, então, quem era eu pra falar do Austin ?
Amigos, amigos, amigos ... Eu podia deixar assim, não podia ? Não podia ?
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