Rude Girl

49 Capítulo 49 — Coração ferido


Notas iniciais
PARA TUDO PESSOAL! Eu preciso dizer aqui e agora como amo uma leitora linderrima que veio e recomendou minha fic. ELLIE MEU BOLINHO DE MEL ♥ Obrigada sua maravilhosa. Sei que já disse isso várias vezes, mas é mais forte que eu. Tua recomendação está no meu coração pelo resto da minha life. E sobre aqueles comentários... Gente são demais! Adorei a forma como se envolveram e falar, e amei responde-los, desde as criticas até a positividade. Portanto muito obrigada. Agora sobre o cap, espero que se divirtam, e aproveitem, pois agora definitivo meu povo. Estamos na RETA FINAL! Dá para acreditar? Estou ansiosa para sobre isso, mas vamos ler primeiro né? Tenham uma ótima leitura e não pule as notas finais ok? Bjsss!

O caminho até a sala que mantinham Amélia, não foi longo. Na porta havia guardas, não dois, mas quatro recostados na parede. Seus olhos na parede na frente deles, tinham expressões sérias que entregava seus pensamentos de “Estou pronto para tudo!” Jared e Dana caminhavam juntos com os advogados quando eu me refreei e apenas encarei a porta que Gonzales estava prestes a abrir. Onde estava minha tia. A mulher que para todos os indícios, me enganara cruelmente.

Jimmy parou comigo e me olhou; Não precisei de muito para saber que ele estava preocupado, seus olhos estavam carregados de aflição. Mas o que eu podia fazer? Apesar dele ter se recusado a sair para fora com os nossos amigos — depois de Ethan sugerir isso — eu ainda sabia que nada daquilo era do seu agrado. Aliás, eu estava ciente de que ninguém ali queria que eu me envolvesse ainda mais com Amélia, e aposto que me afastar dela seria o mais sensato depois de tudo que havia ouvido. O problema era que eu não conseguia virar as costas para ela ainda, e por alguma razão absurda, achava que não poderia nunca.

— Harlow? — Ergui o rosto e Jimmy acariciou minha bochecha. — Está tudo bem? Quer desistir?

Pisquei. Eu queria desistir? Me perguntei mentalmente.

— Nós vamos entender se quiser, querida — Jared garantiu de onde estava — E para falar verdade, eu preferia que não fosse.

— Eu também — Dana me encarou com receio — Eu não gosto de nada disso. Tem certeza de que quer fazer isso?

Franzi o cenho, encarando então a porta a qual me deixava longe de Amélia. A única coisa que me impedia de ver a face dela.

Não! Eu tenho que fazer… Preciso saber o porque…

— Ah, vocês chegaram — Acho que saltei um pouco quando a porta se abriu e Meredith saiu de dentro da sala com uma cara insatisfeita.

Ela a fechou antes de se dirigir ao meu irmão.

— Fico feliz que tenha decidido vir.

— Não foi um desejo meu — resmungou ele com desgosto. A juíza olhou entre ele e Dana, e como se soubesse de tudo, levou a vista sobre o ombro dele e me fitou. Inesperadamente, ela sorriu, um sorriso suave e confiante ao andar para mim.

Ela não mais usava aquela beca preta, agora estava dentro de um conjuntinho cinza e social, uma saia batendo nos joelhos e um blazer que combinou com seus olhos escuros.

— Sei que está sendo difícil — falou e arrastou as mãos para trás das costas — Eu sinto que esteja passando por isso.

— Por que? — indaguei.

Seu riso foi suave, mas havia algo mais.

— Apesar de ser a juíza, eu ainda tenho sentimentos. Você é nova para enfrentar um problema desses, então eu lamento.

Assenti, sem saber ao certo o que dizer, mas ela provavelmente esperava isso, pois logo se virou para os outros ao dizer:

— Ela não quer dizer coisa alguma — Seus rosto ficou sério — Disse que não iria falar nada para ninguém, sem antes explicar as coisas para a menina, e também a vocês dois — Apontou para Dana e Jad, que fizeram careta — Sei que não é algo justo, mas peço que vão falar com ela. Minha intuição me diz que isso é muito mais que uma simples ameaça.

— O que está insinuando? — questionou Ethan, atento demais.

Meredith o olhou.

— Apenas um pensamento, sr. Corey. E ele diz que se Harlow não for vê-la, alguém vai entrar em maus lençóis, e não acho que seja Amélia. — Devagar, Meredith se dirigiu a mim — Vá e fale com ela. O detetive do departamento de policia logo estará aqui. Tem uma hora. Os guardas estarão aqui fora, qualquer coisa é só...

— Ela não vai me machucar — A interrompi.

A juíza se calou, e por um instante eu vi tudo nela suavizar, e então aquele olhar terrível que eu odiava preencheu suas iris. Pena.

— Vamos esperar que isso seja verdade. — falou, e se virou então para Gonzalez — Gostaria de trocar umas palavras com você a respeito de sua cliente. Encontre-me na minha sala.

O advogado assentiu — Estarei lá meritíssima.

— Sr. Corey, fique fora por enquanto. Amélia requisitou sua presença depois de falar com os sobrinhos — disse, e Ethan ergueu uma sobrancelha, obviamente surpreso.

— Claro meritíssima.

— O garoto fica. A tia só quer vocês…

— Não.

Mais uma vez a interrompi, mas ao contrario de antes, eu sentia o nervosismo começando a percorrer minhas veias. Se era por finalmente estar voltando ao meu ser “normal” eu não sabia, mas de qualquer forma, eu enfrentei com o olhar e agarrei mais forte a mão de Jimmy. Ele me observou confuso, mas fez a coisa sabia de permanecer mudo.

— Ele vem comigo.

— Ela quer falar apenas com vocês.

—Ela não pode decidir mais nada por mim no momento — contradisse, e puxando Jimmy pela mão passei por meus irmãos diretamente para porta. Não me dei tempo para hesitar, e apenas torci a maçaneta, tentando controlar minha emoções naquele instante.

Eu sabia que tinha sido seguida por eles, e sabia que Jimmy acariciava minhas costas quando coloquei os olhos na mulher sentada na cadeira atrás de uma mesa, a face sem expressões, mas com os lábios bem apertados formando uma linha. Os olhos azuis fixos em seus pulsos com algemas, em cima da mesa de marfim. Achei que ela não havia notado nossa presença, mas quando dei passos a frente sem me preocupar em fazer silencio, e ela não ergueu o rosto, soube que ela estava muito bem atenta a quem havia entrado. Olhei para as três cadeiras em frente a ela e depois por cima do ombro.

Jad e Dana se colocaram ao meu lado, olhando seriamente para ela, Jimmy permaneceu atrás de mim, mas tinha um olhar de puro desgosto na minha tia, e mesmo que ele me incomodasse, eu não podia fazer nada contra dessa vez. Ele tinha um pouco de razão em olhá-la dessa forma. Infelizmente.

— Então vocês vieram — falou Amélia, baixo. Sob controle.

Jad fez um som no fundo na garganta que quase soou como um grunhido.

— Não foi por eu querer. Acredite — falou com rancor, e puxou a cadeira do meio para se sentar. Dana fez o mesmo com a da direita, mas eu não pude me mover para sentar na da esquerda.

Senti a mão de Jimmy enlaçar a minha e então seu nariz estava em meu ouvido, acariciando.

— Você pode fazer isso — sussurrou. Eu suspirei.

Será mesmo?

— O que quer da gente? —perguntou Dana quando finalmente sentei. Amélia ainda não nos olhou, ou devia dizer me olhou? — Já não basta o que nos fez passar no tribunal?

O rosto dela abaixou ainda mais.

— Eu sei que estão nervosos — Ela pausou — Mas o que eu tenho para falar é muito importante.

— Não vejo algo de bom saindo de você — cuspiu Jared — Por que devemos ouvi-la quando já sabemos de tudo que tramou?

— Acreditem em mim quando digo que não sabem nem sequer da metade. — disse, e Jad fez uma careta, como se fosse se opor a mais coisas que ela dizia, mas eu já havia ficado calada por muito tempo.

Jad começou.

— O que quer dizer…

— Acreditar em você? — A mirei, pela primeira vez, friamente, e como se sentisse isso, ela se encolhei — Eu não tenho feito isso desde que voltou? — indaguei ofendida — Eu não tenho feito tudo por você desde que bateu na minha porta? Devo lembrar do quando eu briguei com Jared e Dana por causa de você? Em Amélia? — Me coloquei mais para frente, esticando as mãos sobre a mesa quando ela fechou os olhos e respirou fundo. Eu bufei com indignação — Olhe para você… Nem mesmo consegue me olhar nos olhos. Depois de tudo isso ainda não consegue passar pelo próprio orgulho? Nem mesmo por mim?

O seu silencio foi a única coisa que realmente me tirou do sério até ali, quando ele somente prolongou, eu não pude ficar quieta. Saltei da cadeira, e bati com as mãos na mesa.

— OLHE PARA MIM!

Mesmo com o grito, ela não se assustou, ao contrario de Jad e Dana, que me olharam assustados ao mesmo tempo que Jimmy segurou meus braços.

— Harlow, tenha calma. — pediu. Eu o ignorei.

— Vamos Amélia, se quer conversar comigo, tenha coragem de me olhar nos olhos antes. Ou vou embora agora mesmo, e tenha certeza de que eu não voltarei — Essa foi uma boa jogada.

Amélia levantou o rosto no momento seguinte, e por um breve instante eu quis ter que esconder o meu para não ter que ver a indiferença que ouvi em sua voz quando Ethan deixou aquela gravação rolar para todos escutarem, eu não queria ter que ver que aquilo era seu verdadeiro sentimento por mim, mas eu não me movi para esconder nada, portanto seus olhos azuis cristalinos encontraram com os meus, e realmente vi a verdade.

Medo. Existia muito medo ali.

Com certeza medo de ir presa, deduzi. Eu também estaria, se estivesse em seu lugar.

— Eu não vou impedi-la de sair — falou a mim — E também entenderei se não voltar. Mas primeiro peço que me ouça apenas uma vez. Será que pode fazer isso?

Por mais que eu quisesse dizer não, algo em seu rosto me fez respirar fundo e sentar novamente, mirando-a com cautela quando essa pareceu minimamente aliviada. No entanto ela então percebeu que não era somente eles na sala, e olhou para Jimmy sobre meu ombro, não havia sentimentos na forma como ela o encarou, mas me perguntei se ela tinha algum rancor depois que ele testemunhou sobre ela a pedido de Ethan.

— Eu disse apenas vocês — ressaltou.

Agarrei a mão de Jimmy.

— Ele é uma exceção — disse Jared, para minha surpresa.

Amélia não tirou os olhos de Jimmy.

— Devo falar a sós com os três. Ele não pode…

— Ah cale-se — bufei com impaciência, e a forma como suas iris brilharam, ferida por meu tom, foi dolorosa para mim — Ele vai ficar. A não ser que queira que eu saia também.

Ela puxou o ar como se estivesse decidindo, e em nenhum instante Jimmy relaxou no aperto em meu ombro. Não precisava olhá-lo para saber que estava grato de ficar ao meu lado.

— Muito bem — Minha tia juntou as mãos algemadas em cima das pernas — Acho que devo começar então.

— Por favor — resmungou Dana.

Amélia assentiu.

— Primeiramente, vocês devem saber que não posso contar tudo agora… A única coisa que me é cabível dizer, é que devem estar protegidos.

— Protegidos? — Jared disse, tentando manter a voz regular — Você só pode estar brincando. Esta no dizendo para nos proteger da merda que você nos meteu?

— Sei que me odeia Jared, sei que todos vocês devem me odiar… Mas agora não existe espaço para brigas. Precisa manter os olhos abertos a cada instante, pois não vou estar mais aqui fora para protegê-los.

Dana deu um risadinha sarcástica,

— Como se estivesse fazendo isso antes, certo?

— Não irei discutir sobre isso, Dana. Não tenho tempo, e nem mesmo palavras para tal coisa.

— O que está acontecendo de verdade? — perguntei a ela. — Isso tudo é por causa daquele homem da gravação?

Por alguma razão, a mudança abrupta na expressão de Amélia se registrou: A mulher congelou e teve as costas retas, como se a menção daquela pessoa fosse o motivo de muitas coisas.

— É ele não é? — Questionei novamente — É ele que lhe assusta.

— Quem é ele? — Dana entrou no interrogatório — E por que quer a tiara da mamãe?

Amélia balançou bruscamente a cabeça.

— É difícil de explicar. Aquele homem o qual ouviram falando, é uma parte da minha vida que nunca consegui me livrar, uma parte que eu desejava que nunca conhecessem, mas com esse infortuno, nada foi como eu esperava.

— Chama isso de infortuno? — Jared parecia zangado — Sendo ou não uma parte de sua vida, você não tinha o direito de trazê-la para a nossa. Então nós merecemos mais que isso. Nos diga o porque de tudo isso. Você nos deve.

Sim. Ela devia, e estava ciente de que ela sabia disso, no entanto era como se falar disso a afetasse mais do que o fato dela ir presa, e de repente eu quis saber muito mais que o fato desse homem querer a minha tiara.

— Seu nome é Vennon — Começou ela, novamente fixando a vista nos pulsos — Ele é um homem ardiloso e… Meu superior. Meu chefe.

— Chefe? — Jad franziu o cenho — Ele trabalha naquela empresa da qual Ethan mencionou?

Ela negou.

— Não. É algo mais complicado — disse, e piscou muito.

Eu senti meu corpo gelar. Lembrei daquela voz com toque felino e perigoso dizendo algo sobre Amélia, algo que me fez arregalar os olhos com medo.

— O que é o mercado Negro? — perguntei, e todos os olhos foram para mim, incluindo os da minha tia, que agora eram inflexíveis.

— Acho que não preciso explicar sobre isso a vocês — disse ao invés.

Ao meu lado, Dana ofegou e Jad empalideceu.

— Não isso… Por favor, me diga que não está mesmo envolvida com trafico — suplicou, mas minha tia não moveu os lábios para negar. Jared esfregou os olhos — Meu Deus. Amélia, o que você fez?

Não pela primeira vez, notei como ela tentou disfarçar a tristeza nos olhar.

— Algo terrível — confessou — Não existe motivo para permanecer calada agora. Iram começar investigações e descobriram coisas… Mas no entanto, não iram encontrar Vennon. Ninguém o encontra.

— Como pode ter tanta certeza? — Dana perguntou rancorosa — O ajudou a se esconder? O que faz para ele? O que ele quis dizer quando falou que você era sua melhor vendedora?

— Dana, pare por um minuto — Jared tocou na mão da irmã e voltou-se para minha tia — Por que ele quer a tiara?

Os olhos dela caíram novamente.

— Devo confessar que é minha culpa. — disse, e minha irmã bufou alto e se levantou para caminhar pela sala.

— O que não é sua culpa aqui? — desdenhou ela.

Eu engoli a verdade dessa frase com amargura. Amélia não retrucou.

—Eu tenho uma história complicada com Vennon, de muito antigamente… Enfim. Acabei tendo uma conta muito grande a pagar. Um dinheiro que nunca conseguiria… E ele não é uma pessoa generosa, portanto me deu um prazo para pagar, ou… — Ela pausou. Jared se inclinou para frente.

— Ou o que? — Ele a mirava com o controle escapando — Ou o que Amélia?

— Ou ele tocaria em quem mais me importo — respondeu. E inesperadamente, seus olhos se arrastaram para mim.

Meu coração mergulhou em um piscina imensa de pavor e comecei a tremer. A mão de Jimmy apertou no meu ombro, e então ele se abaixou ao meu lado, querendo me tranquilizar quando Jared se ergueu da cadeira completamente louco.

— O que?! — Raiva transbordava dele — Quer dizer que ele está atrás da minha irmã por causa de uma maldita divida sua?

— Por que não pagou ele com seu dinheiro? — Dana se aproximou, completamente frustrada — Você tem aquela casa em Malibu, a merda da empresa. E essas roupas finas… Que vendesse tudo! Por que tinha de ser justo a tiara?

— Tudo que eu tenho foi dado ao trabalho que fazia para ele. — respondeu Amélia — E mesmo que vendesse não chegaria perto do que devo pagar. A empresa foi erguida para que eu tivesse um negocio, mas não podia atrair olhos para mim, ou iriam ter perguntas de como consegui erguer aquela empresa. Não poderia dizer nada, pois ela é uma das coisas das quais Vennon me ajudou a construir. Apesar da minha divida. Porém eu não ia permitir que o lugar fosse dado a alguém não confiável, por isso decidi colocar Harlow como a dona de tudo. Nada daquilo é meu, está no nome da Harlow, então pertence a ela. Mas ainda sim, a empresa não renderia a metade do dinheiro necessário por causa do prazo que ele deu, então depois de ficar sem opções, contei a ele sobre o diadema, e desde então meu intuito foi pegá-lo para poder acabar com essa divida.

— Então era mentira — Minha voz estava falha ao me dirigir a ela — Tudo que me falou na Califórnia sobre essa tiara… Era só para saber onde encontrá-la?

Dessa vez, Amélia se inclinou, negando vorazmente.

— Não. Harlow… Tudo que passei ao seu lado foi verdadeiro. — Ela tentou segurar minha mão, mas eu a puxei de volta — Eu não queria isso.

— Não pareceu verdade quando ouvi a gravação — Apontei ferida — Na verdade eu achei seu tom muito mais que ignorante. Parecia que não se importava comigo… E acho que ainda parece.

Fique absurdamente petrificada quando o brilho de lágrimas cresceram nos seus olhos azuis. Sem me conter, os meus também se enxeram de água, mas não permiti que essas descessem, assim como ela também não pareceu disposta soltar.

— Eu não posso mudar o pensamento de vocês sobre mim — falou então e respirou fundo. Logo em seguida eu não sei se me assustei, ou se fiquei surpresa, mas quando ela mudou completamente de desolada para uma mulher forte, eu fiquei dura na cadeira, encarando aquela face sem qualquer emoção. — Será que poderiam chamar o doutor Corey?

Ninguém se moveu, mas em seguida Jimmy beijou minha mão e se levantou, para então ir a porta e abrir. Ele colocou a cabeça para fora por uns instantes, e então se afastou. Ethan tomou todo o espaço da entrada ao colocar o pé para dentro, e quando seu rosto austero virou e os olhos verdes encontraram os de Amélia, ele se aproximou, completamente duro e intocável.

— O que deseja falar comigo? — perguntou.

Amélia o encarou.

— Nós dois sabemos que depois disso, eu não estarei mais solta. Certo? — disse, e Ethan apenas olhou — Apesar de tudo, você foi um bom advogado para Jared. E pelo que vi, tem amigos em quem pode confiar dentro da delegacia de policia.

— Sim — Ele ergueu uma sobrancelha — O que isso tem de importante?

— Quero que cuide para que eles fiquem seguros — falou. Jared tentou se apressar em recusar a ajuda, obviamente, mas Amélia não deixou espaço para que ele falasse — Esse homem é mais do que pode pensar. Ele é tudo que podem temer… Enquanto estava solta eu sabia mantê -lo longe, mas agora ele vai mover o céu e a terra para ter o que ele quer. E para isso ele pode passar por cima de qualquer um que me importo. Ele não irá perder tempo tentando me soltar, pois meu rosto seria inútil entre vocês agora que sabem sobre isso… Então me esqueçam por agora, e preocupem-se em se proteger. Pois Vennon pode ser o veneno de todos vocês, assim como passou a ser o meu no momento em que vi seu rosto. É a única coisa que tenho que ressaltar a vocês. Tomem cuidado, porque isso está longe de acabar. Tanto para vocês como para mim. Isso eu lhes garanto.

~*~

Assim que a pequena reunião entre Amélia se encerrou, nós fomos levados para fora. Eu sentia a mão de Jimmy nas minhas costas quando logo depois que saímos, um homem de aparência bruta adentrou a sala, juntamente de dois outros caras de rostos virados e expressões sombrias. Não precisava a confirmação de que aqueles homens faziam parte da policia, e que levariam Amélia para um lugar onde poderiam interrogá-la.

Juntamente aos meus irmãos, nós assistimos a esses homens levarem minha tia para fora do tribunal, e sem poder me conter, e eu os segui, ignorando o chamado de todos. Ao chegar fora do local, me deparei com três viaturas estacionadas, com policiais armados esperando. Em frente dessas estava a van de Jonah e o carro de Ethan, que era cercado por meus amigos, que também assistiam a cena da minha tinha sendo presa. Vi no rosto de todos como pareciam tristes, não por Amélia, eu sabia… Mas por mim, por meus irmãos. Cada um parecia carregar uma lamentação pelo fato de termos que enfrentar isso.

Amélia foi posta dentro da viatura momentos depois, e através do vidro da janela, seus olhos encontraram com os meus. E eu fiquei avida por me aproximar, mas algo me impedia. Se era a magoa ou raiva, eu não sabia. A única coisa que entendi, era que não daria um passo sequer, e por isso, teria que vê-la parti novamente, diante de meus olhos. E foi dito e feito.

Com apenas um olhar de adeus, eles a levaram. Depois de horas e horas de nada além de dor, perseguido por uma exaustão que era existencial, Jimmy me levou para dentro da van de Jonah, devagar, sem pressa. Não me preocupei em falar com ninguém ou sequer virar para saber o porque de Ethan ter que ir junto com o chefe de policia para o departamento, apenas deixei que me guiassem e me sentei no fundo da van, juntando as pernas perto do peito e sentindo o olhar preocupado de todos em mim. Fiquei grata que ninguém me forçou a falar depois de tudo, e fiquei ainda mais quando Dana e Jared entraram e pediram a Jonah que nos levasse para casa.

Tive a vaga consciência de ter caricias em meu braço e rosto, mas não registrei de quem. Apenas fechei os olhos, e me deixei cair na escuridão, notando apenas agora, que estava completamente exausta. Eu provavelmente dormi durante toda a trajetória de volta para casa, pois tudo que me lembrava quando abri os olhos, foi de ser carregada por dois braços fortes, e então, posta em uma superfície macia. Alguém deitou-se ao meu lado depois, e então tinha algo sobre mim, me protegendo do frio. Logo eu ouvi a voz suave de Dana chegar ao meu ouvido, junto com o toque constante das cordas de seu violão.

Exatamente como sempre tinha feito durante toda minha infância, ela cantou… e eu ouvi. Senti as outras presenças ao meu redor também. Como a de Jimmy deitado ao meu lado, — sabia distingui por conta de seu perfume — e Jared, que tocava sempre minha testa enquanto sussurrava em meu ouvido, não sabia o que, mas reconhecia sua voz.

Então acho que vão entender que abrir os olhos para a escuridão do quarto foi aterrorizante. Pensar que tudo que ouvi e senti, foi um sonho, e ao mesmo tempo um pesadelo. Por que se fosse sonho, Amélia talvez estivesse a salvo, e não presa, ela com certeza não teria feito nada daquilo. E um pesadelo por ter sofrido em cada instante, principalmente ao acordar.

Foi um breve momento de pânico que me fez chacoalhar na cama, com a testa suada. A crise de asma engolfando minha garganta.

—Amélia. Amélia!

Segundos depois meus braços estavam sendo segurados, meu corpo que convulsionava ao ser contido.

— Shh. Calma. Harlow, está tudo bem.

— Querida, estamos aqui.

As vozes. Conhecia. Sim. Eu as conhecia elas…

— Isso, muito bem. Vamos, use seu inalador… Com calma… Devagar — Eu respirei fundo, puxando o ar do pequeno frasquinho, e quando esse estava de volta aos meus pulmões, abri os olhos e o afastei.

Dei de cara com o rosto de Dana e Jodie a minha direita, e o de Lizze e Stef a minha esquerda. Todas elas respirando depressa como se tivessem levado o maior susto de todos. Elas seguravam meus braços ainda, mas a pressão era menor.

Engoli em seco.

— Estou bem — falei.

Elas soltaram o ar e deixaram meus braços, sentando-se ao pé da cama enquanto me puxava sentada. Olhei em volta do quarto, o reconhecendo agora como meu. Voltei-me para elas.

— Quer horas são?

— Provavelmente já passa da meia noite — respondeu Dana, e bocejou — Está tudo bem mesmo?

Pisquei, assentindo.

— Sim. Desculpe assustá-las — Virei então para todas e para seus pijamas e colchões espalhados no chão. Franzi o cenho — Por que estão dormindo aqui?

Lizze deu um sorriso gentil.

— Achamos melhor ficar ao seu lado essa noite. — falou, e apontou para a porta — Os meninos estão lá em baixo.

— Todos eles? — indaguei surpresa. Elas confirmaram — Não era necessário isso. Eu estou bem…

— Não precisa fingir para gente Harlow — disse Stef o mais suave possível — Sabemos que está doendo.

— Somos amigas — Eloise tocou meu ombro — Entendemos você.

Merda. Como elas faziam isso? Como podia ser tão chatas, mas ainda serem magnificas? Eu não queria falar, não queria encarar essa porra de frente, mas elas me faziam querer fazer tudo isso, só pelo fato de que estavam ao meu lado.

— Chorar não é crime sabe — Apontou Jodie, e sorriu — Acredite em mim que eu mesma demorei para descobrir isso. E sabe, essa uma das minhas verdadeiras armas para não ter que matar alguém. Faz com que a raiva vá embora, entende?

Entendia; Só não queria ter que fazer isso. Eu precisa estar contida, ou não conseguira voltar a mim.

— Onde está Jared?

— Ele teve de ir ao departamento com Ethan. — Dana disse com tristeza — Amélia foi interrogada, mas não os deu muitas respostas. Queriam alguém para relatar o que aconteceu, me chamaram para ir, mas Jared não aceitou e foi em meu lugar. Car foi com ele para dar apoio, e Jimmy foi também.

Minha cabeça pulou para cima em alerta.

— Por que? O que ele tem haver com isso? — perguntei com um pouco de medo. Não gostava de ter Jimmy envolvido nessa confusão.

— O chefe de policia queria o relato dele sobre o dia que viu Amélia com Vennon. Querem chegar na aparência dele pelo visto — respondeu Stef, e também não parecia feliz — Ele não queria deixar você aqui, mas não lhe deram escolhas.

— Kane está com ele — Lizze tentou me acalmar. — Ele é policial, então vai saber como ajudar o filho.

Isso realmente me tranquilizou, então relaxei na cama.

— E… Amélia? — perguntei hesitante — O que vai ser dela?

Elas trocaram olhares aflitos.

— Não sabemos — Dana abaixou os ombros — Jad ligou meia hora atrás e disse que ficará em prisão provisoria. Até que encontre mais pistas contra ela, que ajude capturar o tal de Vennon. Por enquanto, estamos andando as segas.

Isso era ruim. Conclui. Andar as segas queria dizer muitas quedas a frente.

Suspirando, voltei a olhá-las, só para então me lembrar.

— Lizze — Tomei a mão dela, que me olhou surpresa — Está tudo bem? Gonzalez pegou um pouco pesado com você.

Seus lábios curvaram um pouco.

— Tudo bem, eu já superei. Eu apenas estou muito sensível — disse, eu tive de sorrir a menção disfarçada da gravidez, porém não deixei de falar.

— Não quero que fique daquele jeito de novo. Já disse que nada daquilo foi sua culpa — Ela suspirou, como se discordasse. Apertei sua mão — Vamos. Repita comigo: Não foi minha culpa.

Ela fez careta.

— Isso é uma bobagem…

— Não foi minha culpa — insisti. Ela apertou os olhos.

— Harlow, pare com isso…

— Não foi minha culpa — Risadinhas das meninas fez Lizze rolar os olhos e gemer de frustração.

— Harlowww…

— Irei levar isso até falar. Vamos: Não foi minha culpa — Tive vontade de rir quando ela me olhou irritada e cruzando os braços, murmurou sem vontade.

— Não foi minha culpa — Eu me estiquei o pescoço.

— Ah, desculpa, eu não ouvi. E vocês garotas?

— Nem um pio — Concordou Jodie.

— Nadinha — Riu Stef.

— Absolutamente nada — Acrescentou Dana.

E Eloise nos olhou completamente indignada. Eu sorri.

— E então? — Ergui uma sobrancelha.

Ela bufou alto e jogou as mãos para o alto.

— Okay. Okay. Não foi minha culpa — Ela nos mirou emburrada — Satisfeitas?

Sorrindo, assenti, e sem me conter puxei a loira para cama, a abraçando.

— Apenas eu posso de perturbar patricinha. Lembre bem disso — falei, e senti-a rir contra mim, sem mais estar brava ao retribuir o abraço.

Quando me afastei, olhei para Jodie e sorri.

— Obrigada pela força que deu lá. Você foi perfeita e acabou com Gonzales, como sempre. — falei.

Sem graça, Jodie engoliu em seco.

— Er. De nada… Eu acho. — responde e teve as duas bochechas coradas inesperadamente, mesmo no escuro era capaz de ver como meu agradecimento a deixava constrangia, e isso me fez rir enquanto ela recebia várias lamurias das meninas.

— Onwt. Ela está vermelha— Stef apertou as bochechas de Jodie que grunhiu.

— Eu não estou!

— Sim. Está — Apontou Dana com um sorriso — Brilhante no escuro querida.

— Ah, a nossa marrenta, não é tão marrenta — Fungou Lizze falsamente — Que coisa linda. Estou emocionada.

— Vão se ferrar todas vocês — E atirou uma almofada.

Eu gargalhei. Fique observando enquanto elas mexiam com a armadura de durona de Jodie, e aos poucos, respirei melhor. Sabia muito bem o que elas estavam fazendo. Tentavam me manter ao máximo ocupada e sorrindo, assim não precisaria focar nos problemas que haviam se formado a minha frente. E estava feliz por isso, pois sorrir daquela forma foi a melhor coisa que acontecerá no dia inteiro.

E nós permanecemos assim durante toda noite. Elas não se importaram de ficar conversando comigo, nem ousaram fechar os olhos, elas só me escutaram e me fizeram rir. Foi bom, na verdade foi ótimo. Portanto quando percebi o cansaço nelas, aleguei sono e fingi ir dormir. Elas ainda permaneceram acordadas, até que tiveram certeza de que eu não me moveria, e só então, tombaram para o próprio descanso.

Quando o sol finalmente apareceu, todas elas estavam emboladas nos colchões com seus cobertores e coletando a sua cota de baba nos travesseiros, eu não podia deixar de sorrir para aquilo. Todas se preocupando comigo ao ponto de esquecerem do próprio sono, isso me fez observá-las por um tempo antes de me levantar sem fazer barulho. Sai do quarto com uma muda de roupas e uma toalha, segui para o banheiro já pensando no banho que iria tomar. Fiz isso o mais rápido possível, e ao sair comecei a me sentir um pouco mais normal.

Penteando o cabelo molhado, olhei pelo corredor vazio e silencio, meus olhos cairão na porta do quarto do meu irmão. Hesitante, caminhei para ele e abri. Como esperado estava vazio, mas pela primeira vez encontrava-se uma bagunça sem igual, então com um suspiro cansado, comecei a pegar as peças de roupas dele do chão. Até consegui sorrir ao encontrar uma camisola de tecido fino pendurada no abajur, obviamente de Caroline. Foi engraçado imaginar em como ele havia parado lá.

Quando tudo estava no lugar, arrumei a cama e fui até o guarda roupa para guarda as que tinha dobrado, no entanto, assim que coloquei dentro, a visão da caixinha me refreou no lugar. Tremula, peguei-a com cuidado, olhando para gravura na superfície macia.

Hope S.

Sentei-me na cama, olhando para aquela caixa com um pouco de ressentimento. Ela era o motivo daquilo. O motivo de Amélia mentir, o motivo de Vennon querer vir até mim, o motivo de tudo relacionado a mentira de Amélia. Seria mentira se falasse que não senti um pouco de ódio ao abrir a caixinha e pegar o a tiara na mão. Minha vontade foi de apenas de destruir aquela coisa, mas era algo de Hope, algo que ela se importou de me deixar num intuito de me fazer mantê-lo seguro.

Como podia eu jogá-lo fora sabendo disso?

— Harlow?

Me atrapalhei com as mãos por um instante. Em seguida virei, e encontrei Jad na porta, olhando em volta do quarto agora arrumado. Ele então notou o que eu tinha em mãos, e se aproximou, afrouxando a gravata no pescoço.

— Como foi no departamento? — perguntei.

Ele balançou a cabeça.

— Nada de produtivo. O chefe de policia está se comunicando com o departamento de policia na Califórnia, querem revistar a empresa, a casa… Tudo que é relacionado a Amélia.

— Levaram ela mesmo, então? — Olhei mais uma vez para tiara — Ela foi presa?

Eu pude sentir o olhar dele em mim, quente, triste.

— Sinto muito, querida.

Sem me conter, soltei uma risada sarcástica.

— Não precisa dizer isso. Sei que não se importa com ela, sei que se sente aliviado com isso e não lhe tiro a razão — O silencio dele foi minha confirmação. Um sorriso desdenhoso cobriu meus lábios, notando como a vida podia ser dura.

— Confesso que estou aliviado de ter você comigo, mas… — Ele pausou, e quando o olhei, ele tinha o rosto baixo — Não queria que fosse dessa forma. Desse jeito. Apesar de tudo, ela ainda é irmã da nossa mãe, nossa tia. Sinto por ela ter tido esse destino, pois ela era um pessoa que nossa mãe amava, e posso dizer isso pois me lembro bem de como ela chorou agarrada a Amélia no dia que a conheci. E lamento também porque agora você está sofrendo. Eu sei que a ama Harlow, e não julgo você. Eu queria poder saber gostar dela assim, mas… é tão difícil. Ela não foi quem eu precisava como você disse, ela não parece a pessoa que poderia me ajudar a ter uma vida. E isso machuca tanto quanto o fato de você estar sofrendo.

Quietamente, mordi o lábio inferior. Eu estava ciente que meu irmão podia perfurar qualquer coração com esses tipos de palavras, e sabia que isso feria também. Suspirando, olhei de novo para tiara, erguendo-a.

— É errado querer me livrar dela?

Jad deu um sorriso pequeno, e pegou a tiara das minhas mãos, olhou de vários ângulos antes de falar.

— Eu faria isso se desejar .

Encarei-o por um tempo, e depois de uma olhada na tiara, gemi em frustração, caindo para trás nas cama.

— Não. Deixe ela onde está — Olhei para o teto fixamente — Acho que a mamãe não ia querer que isso acontecesse com ela. Por enquanto, apenas a guarde para mim, ok?

— Como quiser — Ele sorriu, e colocou a tiara de volta na caixinha. Ele foi até o guarda roupa e a deixou onde havia pegado. Em seguida voltou para meu lado e se deixou cair deitado no colchão, fazendo-me pular com o impacto de seu corpo. Rindo, rolei para seu lado, sentindo quando esse me abraçou. — Não sabe como gosto de ouvi-la rir — disse, e quando ergui o rosto para olhá-lo melhor, ele tinha os olhos fechados — Até sua risada parece com a dela. Me tranquiliza.

Sorri, e subindo por seu peito beijei sua bochecha.

— Bom, eu vou rir mais quando estiver perto de você então — falei, e ele abriu um olho e me encarou.

— É o que mais quero querida — disse, e voltou a fechá-los, para então respirar profundamente e bocejar. Fiquei o observando até pegou no sono, me sentindo um pouco culpada por ele parecer tão acabado, exausto na verdade.

— Ele dormiu?

Me virei. Caroline estava recostada na porta, nos observando. Me arrastei com cuidado para a ponta da cama, e dei mais uma olhada em Jad, que ressonava pesadamente.

— Sim. — respondi.

Foi como se tivesse tirado um peso enorme de suas costas, eles estranhamente caíram para baixo como um saco de batatas pesado, fiz careta para forma como o rosto dela se tornou totalmente sem cor, e em seguida, ela deslisava para o chão como se não estivesse com força nas pernas.

— Caroline! — Saltei da cama para alcançá-la, olhando em seu rosto com preocupação — Meu Deus, o que foi? Está passando mal? — Ela não pareceu me ouvir no entanto, agora ela que parecia aflita quando arregalou os olhos e espiou por cima do meu rosto.

— Shh! Fale baixo, ele precisa dormir. — disse, e eu fiquei chocada que ela estivesse mesmo se preocupando com meu irmão quando parecia prestes a vomitar.

— Car, você está pálida — disse, mas dessa vez sussurrei, querendo deixá-la mais tranquila. — O que esta acontecendo?

Ela respirou fundo e abaixou as pálpebras, como se quisesse descansar um instante. Dei seu tempo e então ela voltou a abri-los.

— É minha pressão obviamente… Ela deve ter caído por um momento. — falou, e eu a encarei sem acreditar.

— Tem certeza disso? — indaguei e toquei seu rosto. Não estava quente nem nada, mas ela parecia tão cansada quanto Jared. — Vou chamar Damien. — Me preparei para levantar, mas ela me segurou, puxando-me de volta.

— Não. Eu estou bem — garantiu, e como se quisesse provar seu ponto, ela usou a parede para se erguer, respirando devagar — Não chame ninguém. Damien vai ficar louco e querer acordar Jad para cuidar de mim, e meu pai… Ele está estranhamente sensível desde que levaram Amélia. Ele disse que não gostou de ver levarem ela… Está preocupado. Não dê outro motivo para que eles se perturbem.

Apolo estava preocupado com minha tia?

Essa era nova, mas não me surpreendeu. Apolo era um homem bom e por mais adulto que fosse, não conseguia ver maldade em minha tia. Isso me fazia crer que talvez ele tivesse sofrendo tanto quanto eu, se fosse possível.

— Por que não vem a cozinha? — sugeri, não gostando de como ela tinha o rosto branco — Posso fazer algo para que coma

Ela sorriu, e suavemente tocou meu ombro.

— Não a necessidade disso. Acho que só preciso descansar e… — Ela virou o rosto para Jared que não havia movido um músculo em cima da cama. Ela permaneceu daquele jeito até que eu comecei a ficar tensa ao ponto de tocar em sua mão, ela virou, e eu me encontrei totalmente perdida ao ver as suas lágrimas presas. — Eu não quero ir. — Murmurou ela de repente, e eu fiquei ainda mais confusa.

— O que?

Seus lábios apertaram e ela engoliu em seco.

— Hoje é meu ultimo dia aqui — sussurrou, e eu fiquei parada no mesmo lugar tentando entender aquilo — Tenho que voltar… Minha faculdade, meu emprego… — Uma respiração irregular — Mas Jared, ele está tão mal, triste… Vocês precisam de ajuda e eu tenho que deixá-los aqui. Eu me sinto horrível por isso.

Eu não sei se registrei todas a palavras que ela disse, no entanto tinha entendido uma coisa. O prazo de Caroline aqui tinha se encerrado, e se o dela tinha acabado, então o de Damie…

— Ah não. — Senti meu peito se afundar em lamento, e no momento seguinte eu quis correr para alcançar Damien. Ele estava indo embora… Oh não. — Mas… Vocês…

Caroline me olhou, e só depois de um tempo assim ela pareceu entender o que tinha feito. As lágrimas pigaram de uma vez.

— Eu sinto muito Harlow — Ah, eu sabia que ela dizia a verdade, mas não fazia doer menos. Porém, usando todas as minhas forças, fiz o possível para sorrir, e pegar sua mão, olhado-a de baixo com todo o carinho que ela conseguiu conquistar de mim.

— Tudo bem Car… Eu sabia que um dia vocês teriam que ir. Jad também, ele vai entender — falei, ela abaixou o rosto, como se duvidasse disso. — Vamos, Jared te adora. É claro que ele vai ficar chateado, mas não podemos prendê-la aqui por causa dos nossos problemas. Você tem uma vida também.

— Mas ele está tão frágil. Durante toda essa noite ele nunca soltou minha mão — Seu sorriso quase podia ser considerado doloroso — Sabe o que isso significa para mim? Pela primeira vez alguém me quer por perto, e estou fazendo o que sempre acabo fazendo. Indo embora. E pior de tudo é quem não faço de proposito… Eu realmente quero ficar com ele.

Inclinando a cabeça para o lado, eu a assisti secar as lágrimas como se não tivesse o direito de deixá-las cair. Eu quis falar alguma coisa para tranquilizá-la, mas eu não era a pessoa certa a fazer isso, tanto que eu não me surpreendi quando Jared apareceu com seu corpo cansado atrás dela, ele me olhou triste, mas sorriu, como se me confirmasse que tinha ouvido tudo, e que agora, ele iria assumir dali.

Sorri de volta, e suspirando, toquei o braço da loira.

— É uma mulher maravilhosa para ele. Saiba que eu sempre vou apoiar isso Car… Não se preocupe conosco quando for, apenas vá cuidar de si mesma e então, retorne para nós. Você tem uma casa ao nosso lado agora, lembre disso — A pobrezinha ficou me olhando como se estivesse doida, obviamente não esperando tal confisão, mas deixei que ela encarasse isso sozinha e acenei — Agora descanse. Cuide dela Jad.

— Pode deixar querida.

A voz dele fez com que tudo nela congelasse e seu rosto voltasse a cor pálida, no entanto dessa vez eu sabia que ela ia ficar bem, ela tinha um médico ao seu lado para cuidar dela. Sorrindo, os deixei e tratei de caminhar na direção contraria, ouvindo minutos depois quando a porta do quarto dele fechou, e na mais que silencio foi ouvido. Sabia que eles iam se acertar. Mas ainda sim, tinha que ver outra pessoa.

Tinha que ir me despedir do meu amigo.

Correndo escada a baixo para a sala, pisquei em volta para o tanto de moleque espalhado na minha sala. Estavam todos ali como disseram as meninas, roncando e profundos em seus sonhos. Parei ao lado do sofá, Damien encontrava-se aos pés desse, com seus cabelos loiros sobre os olhos e sem camisa assim como pai, ambos largados da forma mais identificas no sofá e colchão. Slash estava encaixado de baixo do braço do surfista, e parecia totalmente confortável.

Eu sorri, olhando, mas antes que me aproximasse, mãos circularam meu quadril, e o perfume que conhecia muito bem me invadiu. Tomei mais deles nos pulmões e fechei os olhos, me apoiando contra o peito até que tinha certeza de que não estava mais sendo sustentado por mim, e sim por ele.

Me virei, e não hesitei em aproximá-lo de mim quando pude. Jimmy tomou minha boca sem relutância, foi suave, carinhoso, e me teve por minutos, talvez horas até que precisávamos de ar. Ele se afastou, e seus olhos encontraram os meus, e devem ter visto que algo mais aconteceu, pois me apertou.

— O foi?

Molhei os lábios, contendo a tristeza.

— Damie e Car eles… Vão embora. — falei. Ele franziu a testa e espiou ao homem dormindo, e então a mim. Ele suspirou, como se entendesse o que estava sentindo.

— Quando? — indagou.

— Amanhã — Minha garganta falhou, e me apoiei contra ele, olhando para Damien deitado — Eu… Só tenho o dia de hoje com ele, depois nós só vamos nos ver ano que vem e… Eu não quero que ele vá Jimmy. Não quero. Todos parecem estar indo, e não entendo por que.

Ele me abraçou, assim como todos a minha volta estavam fazendo. Sempre me abraçando em um modo de me deixar feliz, querendo que eu não chorasse. Mas porra se não era uma tarefa completamente difícil. Isso tudo estava sendo difícil, e ter que ver as pessoas que mais estiveram a ao meu lado, ir embora… Iria me matar mais um pouco.

Mas claro que eu não os culparia. Longe disso. Damien tinha seu emprego e a faculdade, Car não era diferente, e existia Apolo… Ele precisava voltar com o filho para seu trabalho também, eles precisavam seguir com as vidas deles, e não poderiam ficar apenas por que eu precisava.

Não podiam.

— Por… que não se despede dele? — perguntou Jimmy, tão baixo que mal ouvi.

Eu tive que olhá-lo fixamente.

Jaime Rory, aquele que mais odiava a ideia de Damien estar ao meu lado, estava me dizendo para ir me despedir, quando podia dizer qualquer pensamento negativo sobre o fato dele estar melhor longe?

— Como é? — perguntei. — Está doente?

Ele bufou, obviamente notando o sarcasmo em minha voz.

— Eu não sou insensível Harlow — resmungou, e acenou na direção de Damien — Realmente não gosto dele com você, mas… Eu sei que ele é importante para você. E agora, depois do que passou por ver Amélia ir presa eu… Não suporto a ideia de tê-la triste por não se despedir… Eu não sou tolo sabe? Sei que Damien faz parte de você, e quero vê-la sorrindo, não chorando. E se vai sorrir por ficar esses últimos minutos com ele, que seja assim. Só peço que não se esqueça de voltar para mim no final do dia.

Por um momento totalmente longo eu pensei que as horas haviam parado. Momento no qual eu olhei com o coração trovejando no peito, porque os olhos dele, aqueles em forma de amêndoas, os belos olhos negros, estavam brilhando com amor para mim.

— E então? — disse com sua voz suave — Vai se lembrar de mim, e voltar. Certo?

Com a visão ondulada por causa das lágrimas, senti ele roçar minhas bochechas com os nós dos dedos. E com a garganta seca, pousei a mão sobre a sua.

— Eu voltarei — respondi, e seu sorriso foi minha eterna recompensa. Ele se debruçou e escovou a boca com a minha.

— Eu amo você — sussurrou. E como em todos os instante que ouvia essas palavras, tudo em mim se esquentou, e torci os dedos em seu terno, olhando em seus olhos.

— Também amo você — disse.

E com um último e demorado beijo, ele se afastou. Me deu um sorriso e passos para trás. No momento seguinte ele estava fora da casa e eu no mesmo lugar, onde havia sido beijada. Tocando os lábios lentamente, suspirei, só para então passar por cima dos meninos e me abaixar onde Damien dormia. Slash logo se agitou para me saldar com uma lambida, e sorrindo, assoprei contra o ouvido de Damien, que com um susto esfregou a orelha, ri suavemente e continuei até que esse abriu um olho e me encontrou ao seu lado.

Ele voltou a fechar, mas seus lábios estavam repuxados dos lados.

— Caramelo, não é educado acordar os outros tão cedo — sussurrou, com a voz arrastada de sono. Cheguei mais perto e assoprei novamente. Dez vez, ele riu — Harlow!

— Acorde logo — falei ansiosa — Quero te levar a um lugar.

Seus olhos voltaram a abrir.

— Me sequestrando em plena madrugada? O que seu namorado acha disso? — Brincou.

Eu ri e o puxei.

— Pare com isso e vamos. — O fiz se sentar a força — Não temos muito tempo.

Sua sobrancelha ergueu com diversão, mas ainda se desmanchava com preocupação.

— Tem certeza disso? — Ele sorriu — Não quer passar o dia deitada? Ficarei com você se quiser.

Neguei, o puxando de novo.

— Não — insisti — Hoje o dia será apenas nosso. Portanto nada de Amélia ou problemas, certo? — Estendi a mão e ele sorriu largamente, como se essa ideia fosse uma das melhores que tive. E com essa mesma felicidade, ele alcançou minha mão e apertou.

— Como queira caramelo — disse sorridente — Sou seu pelo resto dia. Agora, pode me dizer onde vamos?

~*~

Notas finais
Estão chorando pela noticia da partida do Damien e da Car? Eu meio que to sabe. Venham falar o que acharam e o que esperam para o próximo cap. Agora sobre a finalização da fic. Ela está mesmo chegando ao final, maaaas como todos sabem, terá uma outra shot-fic, portanto estou aqui para avisar, que assim que chegarmos no veredicto de termino, estarei falando de quem vai ser a história e quando virei a postar o primeiro cap. Espero que estejam ansiosos, pois estou me corroendo aqui. Por enquanto, é só isso, mas qualquer duvida venham falar por MP. Um beijo apertado e até a próxima segunda ♥