Rude Girl
50 Capítulo 50 — Loucuras
Notas iniciais
A manhã estava relativamente fria quando empurrei a bunda magra de Damien para que fosse se arrumar sem que ninguém percebesse. Enquanto isso acontecia, corri ao meu quarto e passei pela meninas dorminhocas até meu guarda roupa. Imediatamente empurrei todos os cabides com roupas novas que havia conseguido ao viajar, me enfiei no fundo dele até encontrar aquela caixa, e com ansiedade, a pousei em minha cama, sorrindo ao tirar minhas antigas roupas de dentro. Calças largas e camisetas enormes, jaquetas pretas e blusas perfuradas em alguns lugares… Olhar para elas e depois para o meu reflexo no espelho fez-me notar como tinha, realmente, mudado. Não o estilo, sem chance, ainda continuava com um toque punk, mas havia aquele toque mais feminino que nunca pensei um dia poder adquirir, e ele se mostrava nas minhas roupas agora.
Era isso que eu queria mudar. Hoje iria mostrar ao Damien como era minha vida antes de conhecê-lo, e da melhor forma.
Animada, me arrastei para fora das minhas roupas e vesti as antigas, puxando uma calça jeans que quase não segurou. Se não fosse pelo cinto, obviamente estaria arrastando aos meus pés. Vesti uma das minhas camisetas favoritas por cima da cabeça e em seguida aquela jaqueta a qual eu nunca me desgrudava antes, a da cor verde e com toca, em seguida tratei de deixar meu rosto limpo sem qualquer maquiagem, lembrando de como eu nunca fiz questão de usar. Para terminar passei uma toalha para secar o cabelo e calcei meu all Star branco.
Pronta, puxei a toca sobre a cabeça e me olhei no espelho. Por pouco não entrei num ataque de risos. Estava parecendo uma pequena marginal, como sempre fui antes. Com roupas grandes e quase sumindo em baixo da toca verde. Exatamente como gostava.
Satisfeita, puxei minha mochila especial de debaixo da cama e sai do quarto de fininho. Desci as escadas o mais em silenciosa possível, e quando não encontrei Damie em lugar nenhuma, decidi que talvez eles estivesse esperando lá fora, portando me apressei para sair e fechar a porta atrás de mim.
Como eu imaginava ele estava ali. Vestia um jeans branco e uma camiseta azul marinha, os cabelos a mesma bagunça de sempre, o que denunciava o fato dele nunca penteá-lo. Ele tinha as costas virada para mim e de inicio não percebeu que tinha chegado, então forcei a garganta e perguntei:
— Pronto?
Ele virou. E sua expressão de eterna confusão quando me olhou de cima a baixo foi cômica, mas então ele ergueu uma sobrancelha e sorriu divertido.
— Você parece preparada para fazer traquinagens.
Sorri largo para ele e ajeitei a mochila no ombro.
— Acredite. Nós vamos fazer mais que isso.
Damie me olhou.
— Eu acho que devo temer esse seu sorriso diabólico. — Comentou, e eu ri.
— Com certeza tem. Agora vamos, precisamos chegar lá antes das quatro da manhã — Puxei seu braço para que descesse a varanda, mesmo que esse se divertisse freando e me fazendo usar força — Damien!
— Você ainda não me disse onde vamos.
— Vai ver daqui a pouco. Agora mova sua bunda e ande.
Ele garalhou, e sem muitas opções, passou a andar, seu braço sobre meus ombros.
— Preciso de alguém gravando isso, assim posso mostrar ao seu garoto loiro e me gabar de ser sequestrado por sua namorada. — disse, e eu o acertei no estômago.
— Não seja mal. — resmunguei, mas não podia conter o sorriso curvando em meus lábios.
Ele riu e andou comigo até o ponto de ônibus mais próximo. Ao pegarmos um, ele já estava me perturbando novamente para onde estava o levando, e isso foi mais do que divertido até que finalmente descemos. Damien olhou para os dois lados como se não entendesse o por que de eu trazer ele para uma rua vazia e deserta, e ao me indagar com o olhar, eu sorri, dando de ombros.
— Antes de tudo, coloque isso. — Empurrei uma mascara de esquiar para ele, que me olhou como se fosse doida.
— Nós vamos mesmo assaltar uma loja? — perguntou, e eu bufei colocando minha própria toca.
— Coloque logo e venha — falei.
Corri para o meio da rua, sabendo que ele me seguia vestindo sua toca de esquiar. Parei onde mais poderia passar carros, sorrindo para o chão completamente liso e bem feito. Quando virei para Damie, ele tinha os braços cruzados.
— E agora? — perguntou, eu sorri por baixo da mascara e espiei o relógio. Abaixei a mochila no chão e quando abri, Damie ofegou — Você não vai fazer isso.
Olhei para ele maliciosamente.
— Qual é? Está fugindo de um desafio? — perguntei, e me ergui com duas latas de spray na mão — Onde está o cara que disse fazer muitas merdas ao lado do pai, e ainda ser divertir?
Damien bufou, pegando o spray da minha mão e chacolhando.
— Nós vamos nos ferrar. E se duvidar, morrer atropelados.
— Não se formos rápidos. Temos vinte minutos antes das pessoas começarem a realmente aparecer nessas bandas, incluindo qualquer policial… Portanto mãos a obra surfista.
Eu sabia mesmo sem poder ver, que ele estava sorrindo daquela forma sapeca que somente ele podia fazer, e quando chegou perto de mim e se ajoelhou, me olhou com uma expressão de eterno carinho.
— Você é completamente louca.
— O tempo todo loiro. O tempo todo.
Rindo, e ele começou a desenhar. Claro que nós não eramos ótimos desenhistas, mas o intuito não era esse. A única coisa que importava ali era a sensação de perigo, a forma como olhávamos para os lados rindo misteriosamente, com medo que alguém nos pegasse no flagra. Era a forma como movíamos nossas mãos no chão e então nos desafiávamos a fazer uma coisa louca, completamente juntos… Era isso que queria mostrar e ter com ele. Foi como se o tempo fosse precioso, e quando percebi estávamos nos mordendo com excitação ao formar um grande circulo no meio da rua, por cima de vários rostos disformes, e corações coloridos.
— Isso tem que ser assim — Damien puxou vários fios por cima da bola amarela, e eu sorri ao ver fomando-se um sol, um grande e imenso sol.
— Laranja — resmunguei, e pintei o meio. Ele sorriu e olhou para imagem gravada em seu pulso, para então me olhar.
— Somos bons nisso — falou e levantou a mão para que eu batesse.
O fiz rindo, mas antes que fizemos mais movimentos para continuar, um murmurinho alto vindo do outro lado da rua nos chamou atenção. Ao erguemos a cabeça, arregalei os olhos para as pessoas se formando e vindo até nós, chocados com a bagunça.
— Ok. Agora é hora de correr — disse me levantando e guardando as latas as pressas na bolsa.
Damien recuou comigo.
— Uma boa ideia.
— HEY! PAREM AI! — O grito de um cara nos fez tropeçar, e quando olhei, era um policial saindo de sua viatura.
— CORRE! — Berrei, e empurrei Damien para que corresse o mais rápido possível, sua mão agarrou-se a minha e nós corremos, passando por becos a frente, perfurando os espaços entre as pessoas que nos barravam.
Eu podia ouvir o som das sirenes nos seguindo, e isso só fez meu sangue correr em uma energia boa, e durante todo instante, Damien segurou minha mão, sem nunca desgrudar quando parávamos e olhávamos para os lados, decidindo para onde correr. Em meio ao caminho nós pulamos por um cachorro e quase derrubamos uma velhinha, só para logo em seguida Damien soltar um berro por causa de um carro vindo na nossa direção atravessar uma rua.
Momentos depois estávamos abaixados e sem fôlego, mas ainda sendo perseguidos. Engolindo em seco, olhei em volta.
— Ali! — Apontei para o ônibus que acabara de parar no ponto e tinha um fila de pessoas esperando para subir. Damien não perdeu tempo e me puxou para com ele, empurrando e furando a fila das pessoas para que pudéssemos entrar. Ao estar dentro, abaixamos em um dos bancos, ofegando e arrancando as tocas quando duas viaturas passaram correndo pelo o ônibus que começará andar.
— Uau. — respirei fundo, deixando a cabeça tomar em seu ombro — Essa foi por pouco.
— Sim. — Concordou sem ar — Muito pouco.
Só quando estávamos respirando normalmente e totalmente cientes das pessoas nos olhando com desconfiança, foi que a fixa do que tínhamos acabado de fazer, caiu. Olhamos de um para o outro, e no minuto seguinte risos borbulhavam das nossas gargantas ao ponto dos passageiros nos considerar dois loucos.
— Oh Deus, isso foi perfeito… — solucei, e ele segurou seu estômago concordando.
— Eu sei! Lembra como corremos?
— Oh, Jesus, nós quase morremos atropelados. E a pobre velhinha?
— Ela com certeza ainda está pensando no que aconteceu — falou, e eu suspirei finalizando um riso.
— Pode apostar que ela não vai esquecer dos braços de um surfista gostoso a sua volta para que não caísse — Brinquei e sua língua saiu para fora.
— Eu não acredito que me fez fazer isso — disse sorrindo e balançando a cabeça, eu apontei para seu rosto.
— Tenha em mente que é apenas o começo. Venha, vamos descer aqui — falei, e o puxei para fora do banco.
Acho que os passageiros ficaram aliviados quando descemos no próximo ponto. Não demorou muito para que estivéssemos em outro, e horas depois, ao próximo destino. Damie não parecia se cansar de me encarar sorrindo.
— Tenho medo do que vamos fazer aqui — disse, olhando para o shopping e as pessoas que entravam conosco.
Sorri, pegando sua mão para levá-lo para dentro mais rápido.
— Por enquanto vamos divertir, depois faremos algo que sempre quis fazer, mas nunca deu para trazer meus amigos. Acho que era um sinal para que fizesse com você — falei, e ele me puxou para seu abraço, me apertando forte ao beijar meu rosto.
— Caramelo, por mais que isso seja muito doce, eu ainda tenho medo de você — disse, e eu garalhei enquanto andava por entre as pessoas.
— Se acalme, não vamos fazer nada de terrível — garanti olhando as vitrines — Apenas vamos esperar todos saírem e passar a noite aqui dentro.
Os pés param atrás de mim e eu tive que prender um sorriso ao virar e encará-lo com tranquilidade. Ele me olhava incrédulo.
— Está falando serio? — perguntou, eu apenas olhei. Ele gemeu — Ela está falando serio. — respondeu a si mesmo, e eu voltei a andar, ouvindo-o murmurar coisas atrás de mim sem parar — Por que? Por que temos que passar a noite aqui?
— Experiencia. Nunca vi um shopping vazio.
— Essa é a desculpa mais ridícula de todas — contradisse, mas continuou andando comigo como se não fosse uma completa loucura só falar sobre isso — As vezes acho que é mais problemática que meu pai.
Virei os olhos.
— Por que não paramos de falar e vamos nos divertir? — perguntei, e quando esse sorriu, e u dei passos para trás — Que tal uma corrida até o playground?
Ele balançou a cabeça e riu.
— Aqui dentro?
Dessa vez eu bufei.
— Caramba, será que pode deixar de ser tão chato…
— Te encontro lá caramelo — me cortou ele, e no momento seguinte corria pelo lugar lotado de pessoas como se fosse uma simples e ensolarada tarde na praça. Sorri, e satisfeita demais, comecei a correr.
Nós passamos pelas lojas entre risos, Damien saltava sobre os bancos assustando todos enquanto eu me enfiava nos mais pequenos lugares. Foi a melhor experiencia que já tive, e sabia que depois que ele fosse embora eu me lembraria desse dia. Lembraria quando entramos em uma loja e fomos escolhendo roupas para provar, até que ambos vestiam praticamente toda a coleção de inverno… Eu lembraria, no momento que pensasse no tanto de dias que ia ficar se vê-lo, do instante em que assaltamos os bolinhos de um guarda dorminho em uma cadeira de frente para loja, e lembraria dos risos dele quando derrubamos um cara vestindo roupa de cachorro quente em frente a praça de alimentação… Lembraria de tudo isso quando quisesse ficar com ele, colecionaria todas essas lembranças para quando pudesse vê-lo no ano que vem, e dizer que realmente senti saudades.
Damien me concedeu as melhores horas ao me carregar nas costas por todo o playground, parando somente para brincar em cada brinquedo disponível. Não seria difícil alguém ali achar que eramos dois delinquentes, mas quem se importava? Eu apenas, pelo menos naquele dia, liguei o foda-se e corri atrás dele de loja em loja, deslisando em skates das lojas e alugando carros pequenos para seguir por todo shopping, e foi maravilhoso, na verdade foi a melhor distração que tive em dias.
E mesmo com as horas se passando ele nunca, em nenhum instante, mencionou nos meus problemas, assim como havia prometido. Ele fez tudo que eu queria e apenas se divertiu, e não pela primeira vez eu vi uma parte de Damie que nunca poderia viver sem. Aquela áurea divertida, seu senso para problemas e a forma como se preocupava em somente me ver sorrir. Aquilo fazia compensar todas as merdas que estavam tomando percurso, fazia-me esquecer que ao chegar em casa, teria que encarar o fato de que tinha uma tia presa e irmãos exaustos. Por isso eu não percebi a hora passar, e mesmo que o céu estivesse escurecido, Damie não recuou em minha ideia e sorriu quando o puxei para um esconderijo, atrás de um grande cartaz de cinema que poderia nos esconder até que apagassem as luzes.
E assim ficamos sentados no chão, respirando devagar de acordo com as vozes que iam se diminuindo até que o eco podia ser feito no lugar.
— Que horas são? — perguntou ele em sussurro.
Espiei o relógio.
— Faltam dez para as onze. Provavelmente estão revistando o lugar antes de irem. — disse. Damien deu um risadinha. No escuro eu não podia ver muito de seu rosto, mas sabia que ele teria uma expressão completamente atordoada por causa da nossa loucura.
— Eu nunca pensei em fazer isso — falou, e senti seu olhar por um tempo — Só você para me enfiar em algo sim.
— Admita. Hoje foi divertido. — provoquei, mas o seu silencio me deixou insegura. Será que ele não tinha gostado?
Como se detectasse meus pensamentos, ele se aproximou de mim e se recostou na parede comigo, ainda sussurrando.
— Hoje foi um dos melhores dias que já tive — confessou. Acho que ele poderia ter visto meu sorriso mesmo no escuro, pois sentia minhas bochechas doerem por causa da maldita coisa se alongando a cada instante.
— O meu também — falei.
Ele ficou quieto novamente. Mas esse silencio durou mais tempo, e quando voltou a falar, eu sabia o que ia dizer, sabia muito bem.
— Então… Vai me dizer o porque dessa Harlow que vai contra as leis resolveu aparecer? — perguntou e eu olhei para baixo, mesmo que não pudesse ver minhas mãos, permaneci assim — Eu não posso ver você, mas sei que está se preparando para morde as unhas. Portanto não as perca, diga o que está acontecendo.
Ele não via isso? Ele realmente tinha esquecido que ia embora amanhã?
— Harlow — Ele falou novamente. Mas agora senti a sua mão enlaçando a minha, a apertando — O que foi caramelo?
Eu não sei se foi o apelido, ou se foi a forma carinhosa com a qual falou, ou talvez por que eu andava sensível o suficiente para desabar a cada coisinha lançada. Só sei que no momento seguinte eu estava deitando contra seu ombro e prendendo as lágrimas nos olhos.
— Não lembra qual dia é amanhã? — perguntei, ele ficou mudou por um tempo, e então um xingamento.
— Merda. Me diz que não é cinco de outubro — implorou, e apertou-me em seu abraço. Eu deixei que ele tivesse a própria resposta — Então foi por isso. Todo esse dia ao meu lado… É por que vou embora?
Me encolhi ao ouvir ele falar isso, era como se falasse que iria parti para sempre.
— Eu queria ter um tempo com você antes que fosse — sussurrei, mas mesmo assim, minha voz ainda ecoava um pouco no silencio — Nossas próximas férias são apenas em junho e… Eu ainda não me acostumei com o fato de que vai ter que ir para longe de mim.
— Meu Deus, Harlow — Ele soprou, e então estava me tendo mais apertado contra si e me embalando como se fosse uma criancinha — Acha mesmo que deixaria você com todos esses problemas? A faculdade que se foda. Posso me preocupar com isso quando estiver bem.
Eu sorri. Foi impossível não fazê-lo ao constatar que ele seria capaz de abandonar a coisa que mais lhe cedia desejo, só para me ter bem. Era grata por isso, mas nunca deixaria que isso acontecesse.
Com cuidado, me afastei dele e procurei por seus olhos na escuridão.
— Não. Você precisa ir sim — disse, e pude ver a indignação dele se formando — Não discuta comigo. Eu nunca pediria que deixasse a faculdade para ficar comigo.
— Eu não faria por que pediu — contrabateu, e segurou meu queixo — Faria porque você é minha garota, e não vou deixar que fique sozinha para cuidar dessa merda que caiu em suas costas. Nem que me obriguem. — Sua mandíbula torceu.
Eu respirei fundo.
Bem. Agora eu tinha um problema dos grandes. Claro que iria amar que ele ficasse, mas isso era sobre seu futuro. Jimmy já havia desistido do dele por minha causa, não iria admitir que Damien fizesse o mesmo. Tinha que mudar seu pensamento, e faria isso nem que fosse necessário enfiá-lo dentro do porta-malas do avião.
— Muito bem, escute isso — falei, e me dirigi aos seus olhos — Eu não estou vendo você larga a maldita faculdade.
— Minha bunda.
— Cala a boca — acertei seu braço — Esqueceu-se de Apolo? Ele precisava voltar para sua casa. Além disso, você tem seu emprego e precisa continuar de onde parou. Eu nunca vou permitir que fique quando tem uma vida na Califórnia.
— Parte dela esta aqui também — disse, e eu suspirei.
— Car vai embora também esqueceu…
— Não falo só dela — me cortou. Eu me calei, olhando muito parada até que ele sorriu — Querida, quando vai perceber que agora você é parte da minha vida? Assim como seus amigos e… — Ele hesitou, franzindo a testa como se não entendesse o que fosse falar.
— E o que? — Insisti, ele corou fortemente. Eu arregalei os olhos — O que foi? Por que está corando?
— Não estou corando — rebateu emburrado, eu ri.
— Sim. Está, e quero saber o por que.
— Não tem nada para que saiba. — Sismou e eu bufei.
— Ora, vamos, isso não pode ser tão ruim. Eu sei que passou tempo o suficiente com meus amigos, não é vergonha considerá-los família — Mais uma vez, Damien teve o rosto tão vermelho que brilhou no escuro. Me segurei para não rir — Não vai me dizer que passou tempo com outra pessoa? Uma garota?
— Não. — respondeu. Rápido demais.
O avaliando eu comecei a pensar. Quem ele mais tinha passado tempo desde que terminamos, e que parecia fazê-lo sorrir quando não estava aos arredores?
— Não posso imaginar em ninguém para deixá-lo constrangido… Você passou tanto tempo me ajudando com Dana que não vi se estava de olho em outra pessoa e… — Parei em meio a minha conclusão quando ele virou o rosto. Foi só então que a luzinha brilhou em minha cabeça — Espera… Dana?! — Ele fechou os olhos e os apertou. — Dana?!
— Por favor, pare. — Gemeu derrubando a cabeça para trás.
— Está afim da Dana? — Eu estava chocada.
Damien negou rapidamente.
— Não! — Falou, e se encolheu quando a sua voz ficou alta. A abaixou novamente e voltou a dizer — Não estou a fim da sua irmã… Eu só… — pausa.
— Desembucha!
— Pela amor da porra, Harlow. Eu só me preocupo com ela — suspirou, e baixou os ombros — Ela é uma mulher legal e… sensível. Admito que me apeguei um pouco a ela, mas só porque ela parece uma grande amiga para mim.
— Seu discurso é totalmente patético — Eu ri com gosto e ele tentou morder meu nariz — Ei!
— Não estou a fim dela.
— Podemos conversar sobre isso enquanto tenta negar o que está escrito na sua testa — Zombei, e fiquei surpresa que a ideia de Damien e Dana juntos não fosse de toda horrível, na verdade eu até que estava pensando em ótimos meios para que isso acontecesse caso ele realmente não tivesse a fim da minha maninha.
— Você é impossível — vaiou, e eu sorri. Mas então voltei a ficar séria.
— Você não vai ficar — falei, e ele grunhiu como se tivesse voltado a uma etapa perturbadora. — Por mais que eu goste da ideia de que fique com minha irmã…
— Eu não vou ficar com ela.
— Fecha a boca e escuta — ralhei. Ele resmungou emburrado — Não existe mais nada o que fazer até que Amélia tenha seu julgamento final. Jared tem minha guarda, o que significa que não voltarei para Califórnia, diferente de você. E trate de desmanchar esse bico, não estou aceitando um não como resposta. Eu juro que farei o que for preciso para ir visitá-lo nas férias, mesmo que para isso eu tenha de montar na cabeça de Jared, ele vai me deixar ir, pois mesmo que eu quisesse, eu não poderia perder essa oportunidade, pois você é um dos meus melhores amigos e nunca, jamais deixaria de ir até você — Peguei sua mão, com força — Me entende Damien? Eu amo você, mas vou arrastar seu traseiro para o avião, de um jeito ou de outro.
O fôlego que tive de tomar ao final foi longo, mas por uma boa razão. Quando notei que ele me encarava, senti minha bochechas corarem.
Ele sorriu.
— Agora quem está corando? — zombou, e em seguida me puxou para um abraço, circulando minha cintura e enterrando o rosto em meu pescoço — Amo você também caramelo. E eu acho bom que me ligue todo o santo dia, ou voltarei para arrastá-la pelos cabelos. E juro por Deus que a deixarei careca.
Sorrindo, deitei contra seu ombro, sentindo quando a lágrima deslisou solitária por minha bochecha quando disse.
— Eu prometo. Prometo.
Com certeza vocês pensam que depois desse momento absolutamente lindo, eu e Damien continuamos abraçados e dizendo coisas bonitas de um para outro, mas a coisa era que aquela era minha vida, o que queria dizer uma grande quantidade de azar, portanto quando menos esperávamos, uma luz brilhante quase nos cegou completamente, enquanto uma voz que dava arrepios falou:
— Saiam dai com as mãos na cabeça. Agora!
E agora sim. Nós nos ferramos bonito.
~*~
— Caroline vai arrancar cada pedacinho da minha pele — Damien gemia em seu lugar e deixava a cabeça cair para trás em lamento. Eu bufei.
— Está preocupado com ela? Espera até Jared chegar — falei, e ele pareceu um pouco pálido ao olhar para mim.
— Acho que vou ficar doente. — disse, eu sorri.
Ele tinha razão para estar assim. Estávamos indo em uma viatura para uma delegacia de policia, o que fazia da nossa situação um tanto precária. Comecei a pensar arduamente em uma forma de fazer com que Jad lembrasse como eu era sua irmãzinha mais nova e querida, mas não obtive muitas ideias, e tudo piorou quando fomos empurrados para dentro da delegacia por um careca metido a besta que ficava resmungando como adolescentes eram incorrigíveis.
— Sentem. — Ordenou apontando para uma fileira de cadeiras recostada em uma parede. Fiquei tentada a responder rudemente, mas Damien me puxou até a cadeira e me fez sentar.
— Não piore as coisas. Você é menor então podem apenas chamar o responsável, ao contrario de mim que sou maior de idade, o que quer dizer cadeia e fiança. Caroline não vai gostar disso mesmo. — falou, e eu bufei.
— O que tem ai Peter? — perguntou a mulher que estava atrás de um balcão quando o cara que chegou e se apoiou ali. Ele fez um gesto rude para nós.
— Esses marginais estavam escondidos dentro de um shopping em pleno anoitecer. A menina é menor, mas o rapaz pode ser levado para sua jaula particular, já que é dono do próprio nariz.
— O que?! — gritei me levando — Ele não vai a lugar a algum.
— Isso não vai funcionar sabe — comentou Damie, lhe fiz uma careta.
— Você não está ajudando.
— Quietos os dois — O careca chamado Peter esfregou os olhos — Eu não posso mais ouvir vocês falando. Mercy, por favor, chame logo Kane para fazer a fixa dele enquanto chamo os responsáveis por ela.
— Kane não está em um de seu melhores dias, sabe — A mulher sorriu maliciosamente, mas eu não dei muita importância a isso, pois estava ocupada demais tentando ter a certeza do nome que ela tinha acabado de falar.
— Ouvi falar disso — disse Peter, e suspirou — Pobre homem.
— Espere. Espere. Vocês disseram Kane? — perguntei, eles não me deram atenção enquanto a Mercy pegava um radinho para parecendo com um comunicador. — Irei contatá-lo agora e… Oh, espere, olha ele ali.
Com o sangue gelado me virei na direção que ela apontava e quase cai para trás quando, em toda sua gloria, Kane Rory, mais conhecido agora como meu sogro, saiu de uma porta com uma expressão que espantaria até o mais duro bandido.
— Oh merda. — praguejei, e Damien ergueu um sobrancelha olhando para o homem enorme que seguia na direção de Mercy e Peter, que caminhavam para ele.
— Eu devo perguntar? — perguntou Damien, eu gemi. Claro que ele não estaria em pânico, ele nem mesmo conhecia o pai de Jimmy, e claro, não teria muito a temer, pois apesar de tudo, não era o sogro dele que estava recebendo um relato de dois marginais que invadiram o shopping durante a noite.
Eu vi a expressão dele se tornar a mais desconte possível antes de virar o rosto na direção que Peter apontava freneticamente. Quando esse finalmente colocou os olhos em mim, eu vi a mudança de seu semblante para choque e então, ele estava caminhando as pressas para mim, com as mãos no cinto sustentando um revolver.
Engoli em seco quando ele parou justamente em minha frente.
— Então — Ele olhou do meu rosto para o de Damien — Esses são os tais marginais, Peter?
— Sim senhor. Não achei que fosse necessário avisar ao delegado, por isso quis reportar a você antes de levá-los para a cela e…
— Eles não vão a lugar algum — Kane olhou ameaçador para o careca, que quase engoliu a língua quando o homem cruzou os braços e pareceu maior — Eu cuido deles por agora. Mercy, quero que ligue para esse numero e chame por Jared Cooper. Relate que sua irmã está aqui juntamente do amigo, Damien. Ah, e avise a ele que alguém vai ter uma fiança a pagar — disse com os olhos em Damien, que encolheu os ombros.
— Sim senhor. Agora mesmo — A mulher saiu sem hesitar, mas Peter continuou onde estava como se não entendesse nada.
— O que está havendo? — perguntou. Kane se virou, e dessa vez me encarou com uma sobrancelha erguida, eu sorri amarelo, e com as mãos algemadas, balancei os dedos em saudação.
—Hey sogrinho. Vim fazer uma visita, como anda o trabalho?
Ele fechou os olhos e segurou o nariz, como se sua noite tivesse se tornado mais que péssima. Ao seu lado, Peter arquejou.
—Espera… Ela é a nora a qual você se referiu estar precisando de muito amparo e carinho por causa da sua tia presa? — perguntou, e na mesma eu pisquei completamente chocada.
Kane grunhiu e mandou um olhar ao homem.
— Peter, cala a maldita boca.
— Claro. Sim senhor. — Mas ele não fez isso, ele olhou sobre meu ombro — Esse não pode ser seu filho… Podia jurar que o garoto era mais baixo.
— E mais feio — Enfatizou Damien com um sorriso.
Eu o fuzilei para que ficasse quieto.
— Ele não é meu filho — resmungou Kane — Mas estou tentado a tratá-lo como um, para ver se toma um pouco juízo.
Atrás de mim, Damien riu.
— Desculpe, mas já tenho um pai, e gosto do fato dele parecer mais doido que eu.
— Damien, pare de falar — reclamei, ele piscou um olho para mim — Você é impossível.
— Ia falar o mesmo de você — Demandou Kane, e eu corei. — Você tem ideia do que aconteceu?
Sorri de lado.
— Err… Fomos deixados dentro do shopping de proposito?— Brinquei. Damien gargalhou.
— Boa.
—Obrigada — Sorri. Kane balançou a cabeça olhando seriamente.
— Isso não é uma brincadeira. — ralhou, eu fiquei rígida.
— Oh, eu sei sogrinho… Não precisa agir tão duro — falei, e o homem só faltava se atirar no chão em sinal de rendição, talvez desejando que aquilo fosse apenas um sonho.
Ele respirou fundo e segurou o nariz entre as sobrancelhas.
— Peter, tire as algemas deles.
— Mas senhor, eles…
— Cara você deseja muito a morte — murmurou Damien, olhando para como o pai de Jimmy encarava o careca. — Acho melhor se mover antes que se dissolva sobre o olhar dele. Agora sei onde aquele mauricinho loiro conseguiu o olhar fuzilante.
— Não chame Jimmy assim — briguei o acertando, ele fez careta — Esse olhar dele é sexy.
— Oh, eu realmente não precisava saber disso, caramelo — sorriu, e Harlow deu de ombros.
— O que posso fazer se ele é lindo?
— Me polpe. Por favor, estou prestes a vomitar arco ires.
— Não seja dramático — falei quando ele fingiu tossir sobre os pés.
— Será que dá para todos ficarem em silencio? — reclamou Kane massageando as têmporas — Eu ganho muito pouco para isso.
Eu quase senti pena dele enquanto Peter retirava nossas algemas e nos fazia sentar novamente nos bancos. Nesse momento o celular no bolso de Kane começou a gritar, e ao retirar e olhar para a tela, ele ficou meio doente.
— E a noite só começa — resmungou e atendeu — Jared. Como vai?
Fazendo careta, assisti enquanto ele dava as costas e seguia para longe de nós com o celular, e acho que até podia até imaginar a fúria que Jared estaria sentindo enquanto vinha para a delegacia. Estava começando a me conformar da minha tremenda morte aos poucos.
— Os irmãos de vocês estão a caminho — Kane disse ao voltar se aproximar e me olhou — Podem me explicar por que fizeram isso?
Relutante, olhei para Damien, e então me voltei a Kane.
— Ok. Eu vou explicar — falei. Então comecei a contar como queria apenas um dia legal com Damien, tentando parecer uma menina doce e triste por ter seu amigo indo embora. Mas eu não enganava Damie, e ele estava se corroendo para rir, mas permaneceu mudo enquanto eu falava a Kane como estava, realmente, desolada por Damie ir embora.
Não demorou para que o homem estivesse tranquilizado e sentado conosco em dos bancos, seus olhos repletos de solidariedade.
— Eu sinto que esteja tão mal querida. Quer que eu chame Jimmy para que…
— NÃO!— Eu praticamente gritei ao erguer as mãos. Kane se afastou assustado. Tentei sorrir — Não o chame. Ele vai ficar preocupado e vai querer, mais que tudo, arranjar confusão.
Kane franziu a testa.
— Como assim? Com quem ele arranjaria confusão? — perguntou, e Damien ao meu lado limpou a garganta.
— Comigo — disse erguendo uma mão — Não somos muito amorosos um com o outro.
— O que ele quer dizer é que Jimmy iria querer quebrar ele por inteiro se descobrisse que fui presa e ele estava ao meu lado — falei, e Damien riu quando Kane ergueu uma sobrancelha e se recostou no encosto da cadeira.
— Entendo. — Murmurou. Fiquei aliviada por isso. Mas minutos depois, eu tinha outra coisa com que me preocupar.
— HARLOW!
— DAMIEN!
Tanto eu quanto Damien estremecemos, e quando olhamos a frente, Jared e Caroline passavam pelas pessoas da delegacia as pressas, Jared vermelho e Caroline com um olhar fulminante ao encontra o rosto de seu irmão ao meu lado.
Damien segurou minha mão.
— Foi bom te conhecer caramelo.
Assenti.
— Foi bom ser sua amiga durantes esses dias. Saiba disso Damie. — Ele concordou e nós nos preparamos para ser mutilados. E pela primeira vez ali, quen riu foi Kane enquanto nos assistia e balançava a cabeça.
Como esperado, ambos estavam uma fera, Jared nem mesmo deixou que explicássemos aquela confusão, ele apenas andava e rugia indignado. Já Car estava quieta na dela, mas encarava fixamente ao irmão com o pior olhar que já vi, e notei que aquilo parecia o pesadelo do próprio Damien.
— Eu não posso acreditar que invadiram um shopping a noite — resmungou meu irmão a mim, eu abaixei a cabeça.
— Na verdade, não invadimos, esperamos as pessoas saírem para que estivéssemos sozinhos — Ressaltou Damien, e o fuzilamento que recebeu dos dois foi terrível — Ok. Fechei a boca.
— Como pôde fazer algo tão impudente Damien? — Caroline finalmente falou — Sabe o susto que me deu? Eu devia matá-lo.
— Você sentiria minha falta — Ele sorriu. Soquei seu estômago.
— Não está ajudando de novo — sussurrei.
— Vocês… — Jared respirou fundo e fechou os olhos, em seguida voltou-se para Kane — Onde devo assinar para ir para casa? Quero acabar com isso logo.
— Vou acompanhar os dois. Caroline, vai pagar a fiança do seu irmão, creio? — Car cruzou os braços e olhou para Damien, que de repente parecia seriamente preocupado.
— Ei, mana. Sabe que eu te amo né? — bajulou. Eu sorri.
Caroline virou os olhos.
— Eu devia deixá-lo aqui uma noite inteira para ver se aprende a não fazer loucuras — reclamou, mas suspirou — Mas eu tenho um homem choramingando na casa de Jared pensando que você pode levar um tiro de algum policial, portanto preciso que venha comigo inteiro ou ele terá um pequeno ataque de nervos.
Damien teve seu sorriso sugado e preocupação o fez encolher os ombros.
— Tão ruim assim?
— Pedi a Dana que cuidasse dele por um instante — Car esfregou a testa parecendo cansada — A pobre moça… Teve que ficar lá totalmente preocupada por minha causa. Não podia trazê-lo comigo ou ia ser pior.
— O que? — Damien pareceu horrorizado agora.
— Dana não se importa em cuidar uns minutos de Apolo, querida — disse Jared, e mesmo que ainda estivesse bravo, a beijou no rosto e acenou para Kane. — Vamos logo com isso.
Kane assentiu e guiou Jared e Car até um canto para assinar papeis e enquanto esperávamos. E foi somente nesse instante que percebi as vestimentas que ambos os usavam. Arregalando os olhos, mirei o vestido preto e elegante de Car, que caia em suas coxas e a fazia brilhar com sedução naquela delegacia. Em seguida notei o smoking tão engomado de Jad, lembrava tão bem dele que soube na hora que era do papai, o que Dana guardava a muitos anos no seu guarda roupas. O cabelo dele estava arrumado e a gravata borboleta ajeitada.
Meu estômago torceu.
— Damien, olhe para eles — falei.
Damien o fez, e por instante ele não entendeu o que via, mas só depois percebeu o mesmo que eu e seus olhos ficaram ainda maiores que antes.
— Espero que não tenhamos feito o que penso. — falou, e eu desejava ferozmente o mesmo quando nossos irmãos voltaram para nossos lado e nos mandaram segui-los. Me despedi de Kane e os segui até fora, onde estava o carro lindo de Caroline.
— Entrem — Jared soou completamente irritado quando se dirigiu para o banco carona e Car o volante. Damien me olhou penalizado quando subimos no carro e seguimos para casa.
Foi um caminho longo e pesado, mas ao chegarmos eu não pude mais aguentar aquilo e sai e batia a porta do carro quando eles começaram a andar para entrar na casa.
— Esperem — disse.
Eles viraram. Não estavam feliz.
— Nós estragamos algo, não é? — Perguntou Damien, Car abaixou olhar como se lamentasse tanto que não pudesse falar sobre.
Já Jared piscou, olhou-nos com cansaço.
— Não importa mais. Agora entrem logo que está tarde.
— Jared — Chamei novamente, ele puxou o ar de forma que parecesse pedir paciência aos céus.
— Harlow, por favor, já chega por hoje — pediu, e tomou a mão de Caroline para que pudessem entrar. Eu não estava aceitando isso.
— Conseguiram passar o dia juntos? — perguntei, nenhum respondeu — Por que? É o ultimo dia de vocês.
Jad virou o rosto, como se não pudesse suportar o fato de que isso era a verdade.
— Não conseguimos muito a não ser a parte da manhã — Car sussurrou e suspirou — Jad foi chamado por Ethan então.
—Passaram o dia inteiro sem se ver? — Damien parecia chocado — Carol, você estava pensando tanto sobre isso e…
— Damien. — Ela o interrompeu — Pare. Acabou. Não conseguimos, mas já agradeço por poder passar uns minutos com ele.
— Iam sair essa noite né? — perguntei angustiada, eles não me olharam. Suspirei, olhando a hora no relógio entendi que a essa hora nenhum restaurante estaria aberto agora, se não tivemos os feito ir a delegacia, eles poderiam ter chegado a tempo, mas agora…
— Nem pensar. — Me negava que isso acontecesse. Olhei para eles, e comecei apensar em uma forma de ajudá-los, foi então que tive uma ideia maravilhosa. — Já sei! Fiquem aqui, não saiam por nada nesse mundo, ouviram?
Eles não entenderam nada, mas eu estava indo fazer aquela noite a melhor para eles, assim como o meu dia foi divino. Arrastando Damien para dentro de casa, fui até a sala. Como esperava meus amigos haviam indo embora, mas Apolo e Dana estavam ali, minha irmã sussurrava coisas para um homem que choramingava em seu ombro.
— Pai — Damien foi até eles, e imediatamente, Apolo se iluminou.
— Filho! Graças aos céus está vivo — gritou e abraçou Damie enquanto esse ria.
— Claro que estou, meu velho. Agora se recomponha — disse batendo nas costa dele levemente. Apolo fungou e assentiu.
Dana me olhou questionadora. Virei os olhos.
— Oh, por favor, sei que está brava, mas estamos resolvendo isso depois. Vamos fazer um jantar — falei, ela piscou.
— O que?
— Eu e Damien interrompemos o encontro de Jad e Car e vamos fazer um aqui, e precisamos de você e suas magicas na cozinha. Enquanto isso vou ligar para Lizze dizendo que vamos dormir em sua casa enquanto Damien organiza a sala. Eu quero luzes apagadas e malditas velas em uma mesa redonda. Aposto que a aquela no seu quarto é ótima. Por favor, vamos fazer isso, por favoooor.
Juntando as mãos em frente ao rosto, olhei para ela, que ficou muito parada, e tão saltou no mesmo lugar com um gritinho animado.
— EU ADORO ISSO! — Ela tinha os olhos brilhantes para nós — Jantar romântico a luz de velas é meu maior fetiche entre todos. Farei espaguete à carbonara, aprendi isso com Mônica, ela é minha melhor amiga e uma ótima cozinheira. É um prato tão amorzinho — Ela suspirou, e não deixei de perceber dessa vez, o sorriso que crescia nos lábios de Damien ao assisti-la em suas loucuras — Preciso de duas horas para isso, portanto mande os pombinho caminharem e voltar daqui a pouco. Oh, tenho que improvisar com tudo, e…. VINHO! Nós não podemos ter um jantar romântico sem vinho ou champanhe.
— Posso arrumar o vinho — disse sorrindo. — O pai de Jack tem um adega em casa. Ligarei para ele.
— Ah, isso é tão emocionante — Ela novamente quicou no mesmo lugar e veio a até mim — Essa é uma ótima ideia querida, mas ainda temos que conversar sobre essa sua prisão repentina.
— Com certeza. — Assenti, ela sorriu, e ainda radiante ela bateu palmas.
— Vamos começar. Apolo, por que não me ajuda a lavar umas saladas? Damien, oh, você avise a Jad para sumir daqui por no mínimo duas horas enquanto eu Harlow organizamos tudo, depois venha nos ajudar. Agora, mãos a obra pessoal.
E assim tudo começou. Eu corri para o telefone e fiz uma rápida chamada com Lizze, que somente faltou saltar através da linha com a ideia de um jantar romântico sendo organizado. Ela nos garantiu um teto, e em seguida liguei para Jack. Depois de uma explicação por acordá-lo no meio da noite, ele se ofereceu para trazer duas garrafas do melhor vinho da adega de seu pai. Ao desligar comecei o trabalho na sala, depois que Damien dispensou nossos irmãos tratamos de empurrar os sofás para longe, onde não atrapalhasse e desse para ter espaço o suficiente para colocar a mesa redonda e duas cadeiras. Damien se encarregou de trazer a coisa para baixo e depois estávamos a cobrindo com uma das toalhas favoritas da mamãe. Ela de tecido fino e branco, com um relevo suave, rosas estavam bordas nas pontas.
Com uma hora e trinta minutos faltando para que Jad e Car retornasse, a comida de Dana já adquiria um cheiro divino e Damien colocava os pratos sobre a mesa com a ajuda de Apolo, que sem querer, acabou por quebrar um ou dois no seu caminho para a sala Talheres e velas postas na mesa, Jack chegou com o que faltava e algo mais.
Dana praticamente saltou sobre ele para abraçá-lo.
— Oh meu Deus, é perfeito! — Ela suspirou ao cheirar o buque de rosas vermelhas — Ficaram lindas espalhadas no chão. Obrigada Jack.
— Longe disso. Minha mãe pensou a mesma coisa, por isso cedeu elas de seu jardim e sugeriu colocar duas na mesa também.
— Me lembre de agradecê-la — falei, e vi Dana por as rosas em um vazo enquanto eu pegava o vinho. Ela colocou duas no meio da mesa e sorriu — Valeu pela ajuda Jack. — disse mais do que agradecida.
— Estamos juntos Harlow. Boa sorte com isso.
Quando ele partiu, quase tudo estava pronto, apenas faltava o mais importante. Fechei as cortinas e passei a acender as duas velas na mesa e as que Damien achou legal colocar na estante. Foi uma ótima ideia, pois quando desligamos tudo, a luz que emanava das velas deu um ar sofisticado e romântico a sala, exatamente como queríamos.
Dana estava terminando de espalhar as pétalas de rosa desda porta até a sala onde estava a mesa, Apolo saltou em seu lugar na janela, animado.
— Eles estão voltando! — Exclamou. E Dana e eu rimos de emoção.
— Vá lá fora e os prepare para entrar — Ela instruiu a mim e apontou para Damien — Você fica para me ajudar a servi-los e Apolo — Ela hesitou, e então sorriu — Fique onde está assim não sofrera mais acidentes. Ok?
O pobrezinho pareceu decepcionado, mas concordou. Respirando fundo trocamos olhos e corri para fora no mesmo instante que Jared se preparava para abrir a porta. Ele arregalou os olhos ao me ver.
— Harlow! O que está tramando?— indagou, eu sorri largo para eles.
— Um pedido de desculpas meu e de Damien por destruir a noite de vocês — disse, ele piscou e olhou Car, que agora tentava sorrir.
— Tudo bem querida, haverá outras oportunidades — Tanto eu quanto Jad notamos a falta de entusiasmo em sua voz, meu irmão tomou sua mão.
— Sinto muito — sussurrou em lamento. Car apenas balançou a cabeça.
Eu chamei a atenção deles.
— Tirem essas expressões desoladas do rosto. Vocês queriam um encontro para passar o tempo juntos, e terão isso — Garanti, e eles me encararam confusos.
— Harlow… querida. Nenhum restaurante está aberto a essa hora — falou, e eu sorri, segurando a maçaneta da porta.
— Sim. Mas eu não disse nada sobre restaurante — Eles continuaram perdidos, mas tudo mudou quando, lentamente, abri a porta e deixei que eles passassem— Bem-vindos ao jantar de vocês.
Depois de tudo, o esforço valeu mais do que a pena quanto vi o espanto e a incredulidade no rosto de ambos quando caminharam por cima da trilha de pétalas vermelhas. Jared tinha uma boca ligeiramente aberta e quanto chegaram a sala, o rosto de Car quase sucumbiu em lágrimas, e podia ver isso pelo esforço que fazia ao morder o lábio, olhando desde as velas até os pratos postos na mesa. E o mais engraçado foi quando Apolo, parado na entrada, deu um sorriso enorme e se curvou, ainda seu pijama enquanto indicava a mesa.
— Caminhem até a reserva de vocês por favor.
Caroline riu, assim como Jared, que também parecia querer mergulhar nos próprios risos, mas depois ele se virou, e sutilmente, estendeu uma mão a Car.
— Me daria a honra? — perguntou.
A mulher brilhou ao por a mão sobre a dele. Assim que estavam sentados, Dana apareceu na soleira da mesa com uma bandeja de prata enquanto Damie vinha todo pomposo com o vinho e as taças.
— Oh meu Deus — Car cobriu os olhos e fungou quando o irmão parou seu lado, levantando as sobrancelha e dando um sorriso.
— O que é tudo isso? — perguntou Jared, tão emocionado quanto sua parceira. Dana se curvou assim como Apolo, sorrindo de orelha a orelha.
— Isso caro irmão, é o jantar de você — falou, e passou a servi-lo enquanto falava —Uma deliciosa receita de espaguete feito com bacon, creme de leite, cebola, queijo e cogumelos. O espaguete à carbonara é italiano e todo mundo conhece e adora. Portanto espero que apreciem.
Jad olhou para tudo aquilo totalmente sem reação, e quando pareceu passar horas assim, ele me olhou, e entendi que havia descoberto de quem fora ideia, pois a gratidão que lançou para mim foi emocionante.
— Eu agradeço — Ele falou — Está tudo perfeito.
— Sim — Car fungou, e olhou em um pequeno estado de emoção não contida — Obrigada por salvarem nossa noite.
— Apenas aproveitem — falei, e acenei em volta — A noite e a casa é de vocês certo?
Ambos ficaram hesitante quanto a isso.
— Mas e vocês?— Car olhou o pai, aflita. Damien sorriu e puxou o homem para longe da filha.
— Não se preocupe, estaremos seguros.
— Acho que esqueceram rapidamente de onde vinhemos poucas horas atrás — Murmurou Jad, e eu e Damie nos encolhemos. Dana tomou parte.
— Estou no comando então. Cuido desses cabeças de banana, e vocês se divertem. Ok? — Eles se olharam ainda sem saber o que fazer, mas não eram como se dessemos escolha. Portanto tratei logo de me despedir.
— Agora boa noite aos pombinhos. Estamos indo dormir na Lizze, byeee.
Nós saímos da casa sabendo que eles estariam completamente preocupados, mas isso mudaria com um pouco de chamego e carinho entre eles. Sentando-me na varanda, suspirei um pouco cansada. Damien e Dana caíram ao meu lado e Apolo seguidamente.
— É, hoje foi um dia e tanto — murmurou Damie, sorrindo.
Eu concordei e olhei no relógio.
— Ainda tenho tempo — sussurrei. Eles me olharam confusos quando levantei.
Olhei para Dana.
— Preciso que me dê cobertura. Vou em outro lugar agora.
Ela arregalou os olhos, saltando de onde estava.
— O QUE? Não! Eu sou sua responsável e Jad vai queimar minha bunda se descobri que saiu a noite para… Onde vai?
— Um lugar — Olhei Damie — Estarei aqui antes de ir. Quero ir para o aeroporto com vocês — prometi.
Ele sorriu.
— Eu vou esperar; — avisou.
Assenti, e acenando, me virei para ir.
Dana gritou, ou pelo menos tentou sem que fizesse Jad ouvir.
— Harlow!
— Não vou fazer besteira, prometo — sorri para ela mordi o lábio — Preciso ir para ele entende?
Dana franziu a testa, e então uma compreensão pareceu brilhar. Ela me avaliou e bufou.
— Por Deus. Esses adolescentes. — resmungou e então me encarou — Use camisinha.
— DANA!
No fundo, tanto Damien quando Apolo passaram a rir escandalosamente enquanto eu corava. Balancei a cabeça.
— Ok. Esqueça. Até amanhã. — Voltei a andar, dessa vez mais rápido.
— Estou falando sério. Use a camisinha!
Rindo, comecei a correr. Eu não precisava ligar para pergunta onde ele estaria me esperando como disse mais cedo. Portanto eu apenas tive que pegar um táxi e dar o endereço ao motorista. Ele me levou rapidamente, e quando desci não perdi tempo. Subi o hotel pelo elevador, adicionando o numero do andar. Caminhei pelo corredor que antes andara acompanhada e parei de frente para a porta. Estava escuro por baixo, mas ainda sim, movi meu dedo e toquei a campainha.
Ele não demorou nem cinco minutos a abrir. Jimmy apareceu em um moletom escuro e sem camisa, o cabelo e rosto manchados com tinta, e quando me encontrou, o sorriso rasgou em seu rosto e ele cruzou braços, olhando-me de cima a baixo e para minha toca.
— Você me lembra tempos de brigas agora — sorriu ele. Tocou minha blusa — Eu realmente gosto de você vestida assim.
— Lembrarei disso — garanti sincera, e tirei a toca para olhá-lo melhor.
Ele me encarou seriamente.
— Cumpriu a promessa — constatou — Voltou para mim — Meu coração pulou, mas ainda sim, eu ergui o queixo.
— Não sou de quebrar promessas. Agora, será que vai me deixar entrar, ou teremos que partir para os toques aqui nesse corredor? — perguntei. Ele me olhou daquela forma perturbadora, a qual eu realmente achava sexy como inferno.
— Será um prazer ter você em meu quarto, minha pequena Penélope. Mas com uma condição.
Ergui uma sobrancelha.
— Qual?
Ele mostrou todos os seus dentes e me olhou por inteira.
— Assim que estiver com os pés dentro, comece a tirar a roupa.
Cada partezinha que antes estava fria de meu corpo, instantaneamente se esquentou, e olhando em seus olhos, mordi os lábios ao dar um passado a frente, ficando a poucos centímetros do quarto, Jimmy me fitou.
— Combinado — respondi. E as próximas horas foram, como todo aquele dia, pura e prazerosa, loucura.
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