Rude Girl

48 Capítulo 48 — Culpada


Notas iniciais
E la vai mais um capitulo lacre para acabar com seus neoronios. Ah, e antes que eu me esqueça. Quero dedicar esse cap a uma menina linda que fez aniversário uns dias atrás. Ela é uma das minhas melhores leitoras e por isso quero desejar tudo de bom na vida dela. Certo Ellie? Eu adoro você e espero e desejo muitas bençãos na sua vida. curta meu presente, mesmo que esse seja um pouco atrasado. Bjsss e vai lá surtar ♥

Eu sentia cada parte do meu corpo, mole no assento, enquanto vacilava para frente e para trás. Minhas mãos bem apertadas dos lados para que conseguisse me manter ereta até o final daquilo, mas estava difícil, e ficou pior ainda quando Ethan, — dando um suspiro de lamento depois da confirmação da juíza para falar — olhou para mim. Seus olhos verdes estavam tristes o suficiente para saber que ele não queria ter de fazer aquilo, mas que não tinha escolha, e por mais que estivesse apavorada com o que ele iria provar ali, eu não me levantei para impedir.

Pois agora, mais do que nunca, eu queria saber de tudo. Mesmo que esse tudo fosse me destruir completamente.

Ethan voltou a falar.

— Minha investigação sobre ela começou com mais afinco depois que Jimmy veio até mim alegando ter medo que Amélia fosse tomar algo de Harlow… A tiara. E bem, se ela o fizesse, a menina ficaria em pedaços. Então tentei ligar os pontos — Ele se recostou contra a mesa, o rosto pensativo — Em uma manhã, eu me reuni com Jared e ele me relatou sobre algo… Disse que talvez Amélia teria uma empresa na Califórnia, mas o estranho era que em todas empresas que pesquisamos, nenhuma havia o nome de Amélia como responsável… O que me fez pensar que talvez fosse uma alternativa falsa. E isso me deixou inquieto, pois ninguém pode ter uma casa em Malibu e trabalhar como uma simples empregada de lanchonete, ou vestir-se como ela se veste.

Lentamente, Ethan se absteve de olhar para Amélia e pegou uma pasta de cima da mesa, da qual ele tirou papeis e entregou a meritíssima e o advogado Gonzalez.

— Antes de saber desse fato, eu percebi algo de estrema importância. Amélia, durante cada mês, parecia sair para algum lugar, portanto acabei por ficar um pouco curioso sobre isso e tomei uma atitude mais drástica — Ethan respirou fundo como se sentisse um pouco culpado — Com a ajuda de um amigo policial, puxei os extratos por internet de Amélia, e descobri que essas viagem tem um padrão único. Ela vai todos os meses, sempre, para o mesmo lugar na mesma hora. E todas essas viagens apontavam para um hotel em Nova York.

Amélia demonstrou sua primeira emoção. Com o rosto transformado em uma mascara de gelo frio, ela encarou Ethan, olhos ardentes com um sentimento estranho, no qual eu tentei me aprofundar, mas não conseguia, porém tinha uma grande suspeita de que era desespero.

— O que você fez? — Ela exigiu saber.

Ethan a olhou completamente intocável.

— O que precisava fazer — falou. E tirando seu laptop da bolsa, ele caminhou até Meredith, que parecia muito concentrada em cada movimento de Amélia e Ethan. Ela observou em silencio enquanto ele acessava algo e então, o advogado disse — Jimmy, por favor, me diga o que fizemos no dia em que lhe chamei em meu escritório. Conte o que conversamos.

Jimmy engoliu em seco, mais não hesitou ao falar.

— Nós conversamos sobre o fato de Améllia se esconder tão bem e… — Ele abaixou os olhos, e eu realmente quis ir até ele para que pudesse fazê-lo falar tudo olhando para mim — Se ela abriu e ergueu uma empresa, teria que ter usado pelo menos seu nome para marcá-la como dona. E isso iria constar em cada site. Mas não existia nada. Por isso eu pensei em algo… — Seus olhos fizeram sua caminhada até mim, e ele pareceu tão triste, que meu coração se contorceu — Eu pensei se ela não poderia colocar o nome de uma outra pessoa como responsável.

— E o pensamento estava correto? — Meredith perguntou com os olhos em Amélia, essa mesma não parecia poder se mover.

— Sim meritíssima — Ethan respondeu por ele. — Obviamente, ela não deixaria algo tão importante nas mãos de uma pessoa qualquer… Então quem melhor seria, que sua própria sobrinha? A qual tinha a guarda, e poderia muito bem controlar.

— O QUE?! — Jared saltou da cadeira com seu rosto machado com vermelho brilhante.

Ele virou-se para minha tia, que agora olhava para ele fixamente.

— Você não pode ter feito isso sua… — Ele iria caminhar para ela e fazer Deus sabe o que, mas Ethan se colocou no caminho, assim como Gonzalez ficou na frente de sua cliente.

— Isso está passando dos limites! — disse ele a Meredith, essa apenas olhou.

— Eu exijo ordem aqui. — disse ela calmamente — Nós não estamos mais apenas falando da guarda da menina, mas de algo que envolve suspeitas a sua tia. Quero todos em seus lugares ou chamarei o Meirinho.

Insatisfação marcou nos olhos do meu irmão, e minha tia parecia não temer, no entanto, seu rosto estava pálido.

Quando todos voltaram ao seu lugar e o silencio ocorreu, Meredith correu os olhos por todos antes de falar.

— Dr. Corey, termine logo o que está sugerindo. Acha que a senhora Santino colocou uma empresa no nome da sua sobrinha? E se o fez, por que isso seria tão terrível, se ela é sua sobrinha?

Ethan não hesitou em dizer.

— Eu pesquisei, e encontrei uma empresa chamada Company C. & S. em Santa Mônica na Califórnia. Apenas pelo nome, eu tive a certeza de que era relacionado a Harlow.

— Por que? — Quem perguntou foi Jared, ele parecia tão furioso, que estremeci.

Seu advogado o olhou compadecido.

— Company C. & S. — disse. — Nunca ninguém que soube o que significava as letras C e S, mas para mim é muito óbvio, apesar dos diretores quererem manter segredo da mídia. C. Abreviação de Cooper, e S de Santino. As famílias juntas em um só nome. Eles não falavam, pois poderia vazar em jornais e revista, e assim, chegaria aos ouvidos de Jared e Dana, e claro, aos de Harlow.

O silencio que se instalou ali fez com que tudo em mim congelasse, mas era um congelamento agonizante. Eu queria me mover, queria correr para Amélia, pedir que desmentisse tudo que estava sendo dito… Mas eu via seus olhos em mim. Eu via o medo tomando eles enquanto me encarava, e eu via a verdade.

Toda a maldita verdade.

— Ao ver que Harlow era mesmo a dona, entendi que o intuito de Amélia era se fazer de fantasma em qualquer rede social, colocando pessoas para responder por ela e a sobrinha nas entrevistas e reuniões, assim ninguém poderia encontrá-la. Porém lhe aconteceu um equivoco.

— O que está insinuando dr. Corey? — questionou Gonzalez com uma carranca.

Ethan o enfrentou.

— Não insinuando Antony, estou afirmando — Os advogados se encararam — Amélia sabia que em breve Harlow seria maior de idade, e por essa causa, ela quis se adiantar e aproximar-se da sobrinha, assim não correria o risco de perder sua preciosa empresa. Mas o que me preocupou mesmo foi o motivo dela vir até aqui depois de tanto tempo sem contar a própria sobrinha, que possuía uma empresa, e se infiltrar secretamente no quarto do irmão mais velho, tudo por causa de uma tiara.

Ethan mexeu em seu laptop rapidamente.

— O Diadema requerido custa no momento mais de um milhão de dólares. Então vendê-lo seria algo que pagaria sua vida por inteira. No entanto, Amélia tem uma ótima vida. A melhor devo dizer… Mas ainda sim, estava ali, segurando a caixa com a tiara. Por que? Bem, aqui está a resposta. A qual eu consegui depois de descobrir onde ela ia com tanta frequência a cada dia do mês. Cheguei no local primeiro, e pedi a um amigo no hotel para que instalasse uma pequena escuta no quarto. Ao fazer isso, consegui uma conversa interessante de Amélia com um homem, e creio que todos deviam ouvir — Ele apertou uma das tecladas do laptop.

Primeiramente nada aconteceu, mas então nós ouvimos ruídos e o som da daquela voz. Era masculina e um tanto rouca, se arrastava com um sotaque francês forte, evidente. E por mais que quisesse ter focado apenas na sua voz amedrontadora, não foi isso o que aconteceu.

Infelizmente. Havia muito mais para ouvir.

— Você tem estado sumida — A voz masculina carregava algo de feroz no soar, um perigo eminente que fez meus cabelos da nuca erguerem. Do outro lado do tribunal, Amélia se levantou novamente, e dessa vez, ela foi a pessoa a ser contida de avançar. Gonzalez a segurava firme pelo pulso — Não recebi suas ligações.

— Estava ocupada — Eu me assustei. Aquela era a voz da minha tia, mas ainda sim, mesmo que por uma gravação, eu podia distinguir a frieza em cada entonação — Não posso estar lingando a todo instante. Sabe disso.

— A única coisa que eu sei, ma chérie, é que tem estado muito atrasada em seu trabalho.

— Desliguem! — Arregalei os olhos quando minha tia tentou se soltar de seu advogado, o rosto mais apavorado que nunca — Por favor, desliguem isso!

Ethan não desligou, e Meredith não falou coisa alguma, pelo contrario, ela se inclinou para trás e sussurrou algo ao segurança, que saiu as pressas do tribunal. A gravação seguiu.

— Eu já disse que estou fazendo o mais rápido que posso — Ela nem mesmo soava nervosa ao falar — Eu disse que conseguiria o que quer, e farei isso.

— Ah, serra mesmo? — O sotaque dele foi acentuado, arrastando uma das palavras — Tenho notado certas diferrenças em você. O que me faz pensar se está mesmo apegando-se há aquela menina.

— Eu não faço as coisas para o senhor para saber de seus pensamentos — censurou Amélia, e reconheci bem o som de seus saltos quando ela caminhou, talvez, pelo o lugar em que estava — Então não se preocupe com meus sentimentos. Posso cuidar deles eu mesma.

O riso do desconhecido, no momento depois, fez com Dana se aproximasse e me puxasse para perto, mas eu não podia me mexer.

— Por isso gosto de você, chérie. Nunca se deixa levar por sentimentos tolos — Seu riso parou de repente — Até por que, você não poderia gostar realmente daquela garrota. Serria terrível parra quando finalmente tivesse que pegar minha tiara e deixá-la de lado.

— Harlow! Não escute. É mentira! — Amélia tentou vir até mim, mas do nada homens entravam no tribunal, e logo em seguida, a seguravam, tomando o lugar de Gonzalez, que sem saber o que fazer, se afastou.

— Pare de tentar me amedrontar com o que vai acontecer com Harlow no final — A gravação não escondia nada da falta de sentimentalismo que tinha na voz de Amélia — Eu sei o que devo fazer e as consequência que irei encarar. Portanto basta por hoje, estou aqui apenas para relatar que em breve, a audiência irá ser realizada. Conseguirei a guarda dela, e pegarei a tiara. O que farei a seguir diz respeito somente a mim.

— Bem. Bem. Eu não gostaria de estar na pele da sua sobrinha, a pobrezinha confia tanto em você — Seu tom desdenhoso e cheio de diversão me encheu de humilhação, me senti doente e tonta, a sala inteira rodava apenas em volta daquele video — Seria uma lastima se ela descobrisse que você é uma grande oportunista, e que só está lá por que eu mandei. Quebraria seu pobre coraçãozinho. É cruel, não acha?

— Parece que você me ensinou bem então — desdenhou ela, e o homem riu suavemente ao lado.

— De fato. — refletiu ele — Assim que terminarmos nosso trabalho aqui, precisaremos nos preparar para voltar para Califórnia. Preciso que trate de um assunto com um comprador.

— O que? — Amélia pareceu exaltada — Deixamos claro um para o outro que terminaria minha divida se lhe desse a tiara. Somente isso. E então estaria livre para ir.

— As coisas mudaram — Ele não parecia preocupado com o nervosismo de Amélia — Poderá deixar tudo depois que isso estiver feito. Você fara isso, e só então, ira se livrar do mercado negro. A final. Você é a minha melhor vendedora, tenho de aproveitar. E fique ciente, cara Amélia, que não podemos ter mais nenhum erro, principalmente com relação a sua tão, amada, sobrinha. Faça o que digo, e pague o que me deve, ou não será somente você a ter que sofrer.

O que aconteceu a seguir foi passando como borrão. Estava ciente de Ethan desligando a gravação, em seguida meu irmão se levantava e ia contra minha tia, que agora era cercada por seguranças, seus olhos tão abertos que poderia se dizer que estava prestes a ter um ataque. Vozes se tornaram altas e a juíza Meredith gritava ordens enquanto acertava seu martelo contra a mesa de mogno. Meus amigos estavam agitados, uns com mãos sobre as bocas, outros chocados e outros enraivecidos, enquanto Jimmy, lá na frente, tinha seus olhos grudados em mim, me assistindo, e talvez ele tenha sido o único a perceber quando eu realmente quebrei, pois por mais que Dana se mantivesse com os braços firmes a minha volta, ela olhava para a briga de meu irmão para chegar a Amélia, escutava seus xingamentos enquanto eu me via cair no buraco escuro.

Jimmy se levantou, obviamente para me alcançar, mas Meredith o impediu.

— TODOS PAREM COM ISSO! — A algazarra não se encerrou por completa até que Ethan e mais seguranças seguravam com braços de ferro ao meu irmão. — Eu disse que quero ordem!

— Ela colocou minha irmã em perigo!— Jared rugiu ensandecido — Depois de tudo que eu fiz por elas… Depois de tudo que vivi tentando dar a elas. Você teve a coragem de aparecer apenas para nos enganar? Como pôde?!

— Jared.. Eu posso explicar… — Amélia nunca me pareceu doente como naquele instante. — Eu juro, eu posso…

— CALA SUA BOCA! — Meu irmão tentou chegar a ela, mas quando não houve sucesso, ele grunhiu, levando seus olhos vermelhos e inundados com lágrimas aos da tia — Você fez isso! Sua louca! Nunca vai chegar perto dela. Nunca mais!

— Silencio! — A juíza estava tão furiosa quanto Jared — Esse julgamento saiu totalmente do que eu esperava. Portanto eu não tenho outra escolha, a não ser fazer o que demanda a lei. — Brevemente, ela me olhou, e o que tinha sua face amedrontou tudo em mim. Tudo.

Meredith olhou Amélia.

— Por conta das acusações contra a tia materna da menor, eu decreto a prisão provisoria de Amélia Santino até que as provas sejam averiguadas e revistas. Por tal ação, a guarda da menina recai para o irmão mais velho, Jared Cooper. A reunião está encerrada por hoje — E o som do martelo foi alto.

Tão alto, que quis me encolher. Com olhos arregalados, assisti os seguranças algemarem Amélia, que estava me encarando, apavorada, em pânico. Pânico esse que finalmente me fez levantar de onde estava. E como antes, tudo que aconteceu a seguir foi como um borrão. Em um momento eu estava parada ao lado de Dana, e no seguinte tentava ultrapassar a barreiras que me impediam de alcançar Amélia.

Tinha vaga consciência de mãos tentando me impedir, mas eu não podia parar… Não podia. Amélia. Ela… Iria presa? Oh Deus. O que estava acontecendo? Não. Não. Não…

Como um trem ganhando velocidade, minhas emoções passaram rasgando de dentro para fora, minha mente sofreu uma faísca e começou a queimar ao ponto de querer gritar de dor, a sensação de impotência total e todos os meus arrependimentos começaram a espumar ao longo de um caminho definido, ganhando velocidade e intensidade até que pensei estar enlouquecendo.

Em meio a meu surto psicótico eu notava as coisas mais banais. Como a forma como eu odiava os homens segurando Amélia. Ou como odiava ver Jared chorando. E a forma como odiava ver a expressão no rosto da minha tia… Ela denunciava que tudo dito e apresentado, era verdade. E percebi tarde demais… que odiava, com todo fervor, aquela maldita verdade.

Ainda com as mãos e a voz suave de Dana tentando me impedir de sair de onde estava, eu explodi. Um grito violento me dominou, silenciando a todos no tribunal enquanto levavam a Amélia, mas eu não queria isso… Estavam levando a pessoa que mais confiei e tentei ajudar durante esse tempo, estavam levando a mulher que escolhi amar, estavam levando minha tia.

E por isso, eu corri. Me soltei de alguma forma de Dana, e corri. Querendo alcançá-la, ouvindo os gritos a volta para que parasse, mas não… Era minha tia. Minha tia…

Tudo se reduziu em chegar perto dela, e para fazê-lo, eu passei pelas pessoas que tentavam me impedir. Eu provavelmente acabei acertando o rosto de alguém com o cotovelo quando tentaram me segurar, mas eu pouco me importava. Agora. Eu precisa estar perto dela.

— Amélia — Eu saltei em meio aos seguranças que a prendiam, eles tentaram me afastar, mas houve vozes, e uma mais forte sobre todos… Meredith. Sim. Ela.

Eles se afastara então, o suficiente para que eu pudesse cair contra a mulher, ofegando, sofregando. Exausta.

Minhas pernas falharam, mas ela me agarrou, mesmo com as algemas, me firmou, e olhou para mim com seus olhos azuis brilhantes, cheios do que eu sabia, era preocupação. Mas depois de tudo que tinha ouvido, não podia saber se era real ou coisa da minha cabeça. Não sabia se estava enlouquecendo.

— Não é verdade… — Engoli em seco ao perguntar — Ou é?

Minha tia parecia tão acabada, sua feição destruída, as iris molhadas. Por que estava chorando? Por que?

— Eu sinto muito, Harlow — Seus lábios tremeram, as mãos tocaram meu rosto com força — Me desculpe. Por favor, me desculpe.

— O que? — Balancei a cabeça, sentindo as lágrimas agora descerem por minhas bochechas quentes, a confusão e a decepção misturando-se. — É mentira. É só dizer a eles. Tia, por favor, diga eles. — Ela baixou a cabeça, deixando suas próprias lágrimas caírem.

Apertando seus braços, eu a chacoalhei

— DIGA! — Chorei, os soluços partindo para fora com desespero — TIA, POR FAVOR. FALE PARE ELES.

— Harlow… — Alguém me tocou, mas eu me afastei bruscamente, abraçando a cintura de Amélia.

— Não. Me deixem! Amélia é inocente… Ela me ama! — Apertei os olhos com força, querendo me convencer dessas palavras — Ela não poderia fazer isso. Não poderia.

— Ah querida... — O choramingo de Amélia contra mim foi quase como um sussurro. Eu nunca a tinha visto chorar assim, e ver agora causou meu completo abandono. A apertei mais — Harlow, eu amo você. Eu amo demais. Mas precisa me deixar ir. Eu irei explicar tudo mais tarde, mas querida… por favor, vá com seu irmão.

— Amélia… — funguei, balançando a cabeça — Não. Eu não posso. Por que? Por que tá fazendo isso? Por que fez isso comigo? Eu disse que ficaria com você. Eu queria te ajudar, eu aprendi a gostar de você. Por que está partindo meu coração?

Eu pude sentir quando ela respirou fundo, e ao olhá-la, vi seus olhos totalmente fixos a frente, lágrimas descendo, mas o rosto congelado e cheio de temor.

— Amélia…

— Eu irei explicar. — falou somente, e me olhou — Mas agora preciso ir. Me perdoe. Por tudo.

Eu fui agarrada por trás. Braços fortes, um cheiro familiar… Eles me obrigaram a me afastar. Me levaram para longe dela.

— O que… Não… — Me chacoalhei, olhando para Amélia com pavor. Deus, mas estavam levando ela. Estavam levando…

— Me soltem… me soltem! Não. Não. Não… Por favor — Tentei me soltar, mas era tão em vão.

— Harlow, fique quieta… Querida é o melhor…

— Não. Não! Não! — Senti os soluços saírem entre engasgos enquanto tentava chegar a minha tia, mas era impossível, já estavam a levando. Eu não pude fazer nada, a não ser olhar ela desaparecer entre os seguranças, e depois porta a fora.

Os tremores recomeçaram e meus joelhos cederam, me levando ao chão, onde eu nem sequer encostei, pois tinha quem me segurar. Fiquei entorpecida enquanto braços me envolviam em um abraço, mas eu não queria toques em mim, não queria…

— Me solte… — supliquei, fechando os olhos enquanto tremia — Me solte.

— Harlow — Jared… Era ele. E estava chorando. Eu sentia o solavancos de seu peito, a sua respiração rápida — Querida, não faça assim, eu estou aqui.

— Me solte — pedi novamente, e não sei se foi a voz desesperada, ou o fato de que o empurrei, mas de repente eu me via no chão. Sozinha. Ajoelhada. Olhando fixamente para o carpete escurecido. As lágrimas deixando gostas redondas nele enquanto respirava, ou pelo menos tentava.

Parei de tentar me mover, e apenas tomei consciência do que tinha acontecido. Amélia realmente havia me enganado. Tinha sido presa. Eu fui idiota assim?

— Oh Deus… — Apertei forte os olhos, tocando com testa no chão, respirando com dificuldade. Eu sabia que as pessoas me olhando queriam que eu me levantasse, e eu sabia que estava sofrendo um crise de asma naquele instante, mas eu não vi nenhuma vontade de aliviar a falta de ar. Na verdade, eu apenas queria que ela tomasse conta de mim, e assim estaria desmaiada para o mundo. Para tudo o que havia acontecido.

Jared havia se ajoelhado junto com Dana, e ambos falavam algo, mas não era como se eu ouvisse. Mas uma coisa eu sabia ao vê-los me mostrando meu inalador, eles queriam que eu usasse.

— Não… Saiam… — Empurrei sua mão, me negando.

O assombro em seus olhos foi tão horripilante. Mas então eu não conseguia olhá-los, pois a faltar de ar foi tanta, que meus olhos giraram. Me encontrei caindo.

— Harlow… Harlow! Vamos, use — Eu continuei me negando, eu só queria cair desligada. Nada mais que isso.

— Me dê ela… — Uma voz caiu ao meu lado.

Eu abri os olhos quando fui passada de braços. Ah, lá estava ele. Ele também parecia desesperado quando me olhou, mas também havia nervosismo, e sobre tudo, tristeza;

— Você vai usar esse inalador agora — falou, e eu apenas o olhei. Seus olhos ficaram escuros e insistentes — Estou falando sério Harlow. Faça isso! — Ele trouxe a bombinha ao meus lábios, mas eu não os abri.

— Oh, Jesus. Harlow. Tome a porra do inalador — Ele me apertou, seus olhos enchendo-se de medo e lágrimas — Isso não vale a pena, me entende? Sua saúde é mais importante que isso. Por favor, não seja tola e se salve para poder compreender essa merda. E sobre tudo, não tente me deixar. Eu não vou permitir! Eu estou aqui entendeu? Por isso quero que não se sacrifique. Sei que está doendo, sei que a ama… Mas tudo vai se resolver. Acena com a cabeça se me entende.

Lágrimas salpicaram minhas bochechas novamente, mas mesmo com a falta de ar, e a tontura me dominando, eu assenti devagar, olhando-o profundamente quando abri a boca. Alivio foi evidente em seu rosto, e ele novamente me ofereceu o inalador, e dessa vez eu não recusei. Me agarrei ao pequeno objeto e trouxe ar aos meus pulmões, e como se esse ar desse corda as minhas emoções, mais do choro de antes partiu da minha garganta, e dessa vez era tão mais doloroso que não podia deixar os olhos abertos, eu sentia tudo na alma. Tudo.

— Está tudo bem — Ele me abraçou, me balançando, apertando meu rosto contra seu peito enquanto beijava minha cabeça — Estou aqui com você meu anjo, todos nós estamos.

Era uma pena que mesmo aquilo, não acalmava meu tolo e manipulável coração. Na verdade, achava que nada poderia acalmá-lo a não ser a própria mulher que o fez começar a sangrar. E isso doía mais que o fato de ter sido enganada.

Doía muito mais.

~*~

O mundo parecia ter parado. Eu não ouvia muita coisa enquanto tinha a cabeça no ombro de Jimmy e seu braço a minha volta. Não estava bem, e admitir isso a mim mesma era decepcionante.

Nós não estávamos mais no tribunal, mas sim no gabinete que Ethan havia levado a mim e Jared mais cedo. Porém dessa vez todos meus amigos estavam ali, juntamente de meus irmãos, que pareciam mais exaltados que nunca.

Dana estava sentada comigo e Jimmy no sofá, ela acariciava meu braço lentamente, mas eu via sua expressão e sabia quando encontrava-se furiosa. Já Jared não parava em um só lugar enquanto grunhia e rosnava para seu advogado e Jimmy, que não estava realmente muito interessado com sua raiva enquanto me embalava.

— Deviam ter me falado! — Ele olhava para os dois com olhos de fogo — Fiquei no escuro durante todo esse tempo enquanto escondiam provas de que Amélia era uma bandida. Permitiram que eu deixasse ela perto de Harlow. Eu não posso acreditar nisso, Ethan!

— Entenda que foi para um bem maior — O advogado não estava exaltado ou sequer ofendido por meu irmão estar querendo arrancar-lhe a cabeça fora. Pelo contrario, ele ouvia tudo o mais sereno possível— Eu não podia arriscar que você estragasse tudo afastando Harlow dela, e sei que era o que faria.

— Mas é claro que sim! — Gritou ele. — Ela é minha irmã, porra!

— Eu sei disso. Mas esse ato faria com que Amélia desconfiasse, e se ela desconfiasse, poderia armar um escudo a sua volta, fazendo com que eu nunca descobrisse o que descobri. Tente pensar direito, Jared.

— A única coisa que estou pensando agora, — Jared respirou fundo — é que existe um homem lá fora esperando conseguir aquela maldita tiara. E esse homem pareceu garantir que se não tivesse a tiara, ele iria fazer muito mais que machucar aquela mulher. Ele iria vir atrás da minha irmã.

— Nós não podemos ter certeza disso — Caroline chegou perto dele e tocou seu ombro, a expressão solidaria — E se for esse o caso, existe meios de protegê-la. Certo, Ethan?

— Claro. Eu troquei umas palavras com a juíza e ela me garantiu ajuda. Estão apenas esperando que o departamento de policia chegue com o chefe deles. Mas é certeza que colocaram policiais vigiando sua casa.

— Quer dizer que agora iremos parecer foragidos da policia? — questionou Dana com rancor — Acha mesmo que isso vai ser o suficiente?

— Por hora, vai — Ethan respirou fundo e coçou os olhos — Precisamos nos inteirar de quem é esse homem, e nos preparar para o pior.

— O que é o pior? — Jimmy perguntou, mas não foi Ethan quem respondeu, e sim Car.

— Acho que o pior vem se Amélia for dada realmente como culpada. — Ela cruzou os braços e franziu a testa — Se ela for presa, quem quer que seja a pessoa na gravação, provavelmente vai tentar soltá-la, ou resolver o problema ele mesmo.

— Ou seja — Liam moveu seu grande corpo até a janela, uma carranca fazendo sua cicatriz mais evidente — Ele vai querer pegar a tiara ele mesmo.

— Por isso temos que pegá-lo primeiro — apontou Jodie, mas isso logo fez Ethan se sobressaltar.

— Nada de nós nisso, Jodie. Fique fora dessa merda, e não faça nenhuma loucura — Avisou com um olhar duro — Isso não é uma brincadeira.

— E quando eu disse que era? — Jodie perguntou com nervosismo — E mesmo que eu pudesse fazer algo, eu não seria tão idiota, sogrinho. Eu sei o que isso se trata, e você devia saber disso, pois se não se lembra, eu vivi perigo o bastante para saber a gravidade de uma situação.

— Eu não quis dizer isso… — Ethan tentou se repor, mas era tarde, Jodie já havia sido cutucada no tribunal por Bryan, então obviamente estava nervosa e, — por mais que não confessasse — triste.

— Poupe-me Ethan. Quero que pare de pensar em mim como uma garotinha que gosta de brincar com fogo, e lembre que sou, em primeiro lugar, uma jornalista, portanto gosto de fatos, e os fatos aqui são que para manter Harlow e seus irmãos seguros, precisamos colocar esse homem na cadeia, ao lado de Amélia. E a forma melhor de fazer isso, é falando com ela, mas já que não deseja minha opinião ou minha falta de “mentalidade adulta”, faça o que quiser, apenas lembre que tentei ajudar. Desculpe pessoal, mas preciso de um ar.

— Jodie… — Ela não se virou quando Liam tentou chamá-la, apenas saiu e bateu a porta.

Liam bufou, esfregando o rosto ao olhar para o pai com nervosismo.

— Você precisa mesmo fazer isso, não é?

— Ela precisa entender, que em certos assuntos, não existe espaço para que se meta — disse Ethan, mas ainda sim, olhava com o cenho franzido para porta, como se estivesse arrependido por ter magoado a nora — Ela é muito impulsiva.

— E você faz muitas suposições dela — disse o filho com ressentimento — Sabe o por que dela sempre querer ajudar a todos, é como se não suportasse ver-nos sofrer. Sabe como ela se sente e ainda sim aponta tudo o que ela faz como uma brincadeira. Precisa parar de pensar que ela é burra e começar a confiar mais a palavra dela, ou não terá o ódio somente dela, lembre-se que a irmã, a sua filha, odeia que a machuque.

Quando Liam saiu batendo a porta, Ethan não pareceu feliz consigo mesmo, na verdade ele parecia muito nervoso ao fechar os olhos e apoiar as mãos na mesa, como se estivesse completamente perdido. E acho que todos ali estavam uma pilha de nervosos, por isso tudo em volta parecia dar errado.

— Apesar de tudo… — Ele não nos olhava ao falar — Jodie está certa. Temos que falar com Amélia.

Como se essa rápida conclusão fosse certa, uma batida na porta interrompeu meus pensamentos. Damien caminhou até ela e abriu, dando espaço então para que o doutor Gonzalez entrasse na sala, segurando sua pasta e ajeitando a grava de seu terno.

— O que faz aqui?— resmungou meu irmão.

O advogado o olhou fixamente.

— Sei que sou uma das ultimas pessoas que deseja ver agora, mas estou aqui para dizer que Amélia deseja falar com vocês — Olhou entre Jared, mim e Dana — Os três sobrinhos.

Meu coração saltou um pouco dentro do peito.

— Mande ela ir se ferrar — Dana contradisse.

Ethan limpou a garganta.

— O que ela deseja deles? — perguntou.

Gonzalez falou.

— Tudo que sei é que precisa falar com eles.

— Eu não vou permitir que minhas irmãs fique no mesmo lugar que essa oportunista — rosnou Jad, mas pela primeira vez, eu não queria que ele me defendesse, por isso sai do abraço de Jimmy e me levantei.

— Eu quero ir — falei. Jared me olhou chocado.

— O que?

— Eu quero falar com ela.

Dana se levantou, olhando-me profundamente.

— Depois de tudo que ouviu, ainda quer olhar na cara dela? — perguntou ofendida, eu não vacilei

— Eu quero e vou — encarei-os decidida — Amélia fez o que fez por uma razão, e quero saber qual. Olhando nos olhos dela, quero saber porque me enganou dessa forma.

— Mas… — Jared começou, mas eu me apressei para chegar ao seu lado. Peguei sua mão e tentei sorrir, mas não foi possível.

— Estou bem o suficiente para ouvir isso Jad — garanti — Ela me machucou. Me enganou. Não pode tirar de mim o direito de saber o por que. Então por favor, vamos comigo… os dois — Me virei para Dana suplicante — Vamos ver o motivo disso, pois se não o fizer, irei enlouquecer.

Os olhos de ambos suavizaram e eles trocaram olhares, em seguida Jad estava suspirando e esfregando os olhos. Completamente exausto.

— Okay — Dirigiu-se para Antony — Mas se ela tentar algo contra elas...

— Não ira acontecer — garantiu ele. — Seguranças ficaram presentes na porta. Pode ficar tranquilo.

— Nunca ficarei tranquilo enquanto essa mulher estiver ao nosso lado — falou com rancor, e virando-se tomou meu rosto e beijou minha testa. Me olhou nos olhos com lamento — Eu sinto muito por tudo isso, e desculpe por ter estado afastado de você durante todo esse tempo. Fui um idiota.

— Eu também — Dana se aproximou e tinha lagrimas nos olhos — Não queria me desculpar dessa forma, depois do que aconteceu… Mas não suporto estar longe de você. Desculpe querida, eu sou uma burra por ter lhe inorado e sido tão egoísta para com seus sentimentos. Agora eu entendo o que queria nos dizer.

Arregalei os olhos para ela, sentindo-os arder.

— Entendeu?

Ela sorriu e olhou Jad, que parecia culpado também.

— Não paramos para pensar no quanto estava apegada nela… Só realmente notei que a amava quando… — respirou fundo, fechando os olhos — quando levaram ela para fora do tribunal. Ver você chorando daquela forma me dilacerou a tal ponto que não podia fazer nada, a não ser querer te abraçar. Percebi que estava sendo boba por pensar que preferia ela ao invés de mim… Entendi que não sou mesmo sua mãe, e que não cabe a ninguém tomar esse posto. Pelo menos não para você. Me perdoe por entender isso só quando teve o coração partido, me perdoe por ser tão chata, e me perdoe por ter lhe virado o rosto quando estava triste. Eu prometo nunca mais fazer isso, independente do quanto gosta de Amélia. Independente de qualquer discussão, só saiba que eu amo você. E eu quero que fique bem e segura.

Mordi o lábio quando um soluço ameaçou sair, e sorrindo de lado, alcancei minha irmã em um abraço, grata por finalmente poder fazer isso de novo.

— Eu amo você também — sussurrei em seu ombro, e isso fez com que ela se desmanchasse em lágrimas até que estava me apertando e soluçando. Senti uma mão em minha cabeça, e quando me afastei, encontrei os olhos orgulhosos de meu irmão — Eu devo desculpas a vocês também. Eu fui cruel ao pedir que me deixassem com ela, fui uma irmã ruim quando resolvi defendê-la. Mas saibam que nunca foi porque os amava menos. Era porque queria todos juntos. A família reunida, por que nós nunca tivemos uma completa… Claro que sou feliz com vocês, mas ver que Amélia estava tão sozinha me fez notar que precisávamos de mais alguém. Não somente para chamarmos de tia, mas para ter alguém com quem contar, ou para que você Jad, parasse de se prender tanto a promessa que fez ao papai de cuidar de tudo. Entenda que você é nosso irmão, e não um deus… Você falha e você levanta, mas esta na hora de cuidar de si mesmo. E era isso que desejava… Que os dois tivessem uma vida e não somente a mim. Eu não sou a única coisa importante sabe? E Amélia precisava disso tanto quanto vocês, pois estava solitária — Eles fizeram caretas — Podem agir como se não acreditassem, mas eu sei o que vi e sei que estava certa. Ela precisa de mim, de nós. E apesar dela ter feito o que fez, eu não posso deixar de amá-la, ou renegá-la como parte da minha família, mesmo que tenham raiva dela… mesmo que ela tenha me machucado. Eu sinto aqui dentro — toquei meu peito, onde mais doía — Que ela precisa de ajuda. E sinto mais ainda que ela deve estar gritando por uma, mas ninguém olha de volta para ela. Portanto eu vou fazer isso. Por mim, por vocês, e por ela. Por que ela é minha tia, e quero ver se ela também me considera como uma sobrinha.

Falar dessa forma depois da confusão no tribunal fez com que uma parte do meu peito não estivesse tão dolorida quando Jared suspirou em derrota. E apesar dele não gostar da ideia, eu conseguia ver bem o orgulho em seus olhos, não de novamente estar querendo ajudar Amélia, correndo risco de me ferrar de novo, mas talvez pelo fato de eu estar pensando como a mulher que um dia ele sempre sonhou que me tornaria; Decidida, insistente, e totalmente incorrigível.

— Certo — Ele tinha um expressão dolorosa e relutante — Vamos ver ela, mas somente porque insiste. Vamos com você.

— Sim. — concordou Dana.

Sorrindo, apertei a mão deles e então me virei para meus amigos. Eles sorriram, e assim que me aproximei, Damien estava circulando meu pescoço e beijando minha testa.

— Minha garota corajosa — disse, eu sorri, mas quando ia apertá-lo, uma mão circulou meu pulso fui puxada de encontro a outro corpo.

— Toque nela, que farei com que se afogue na água que tanto adora nadar — resmungou Jimmy, rabugento.

Damien deu um sorriso malicioso, e ao seu lado, Apolo olhava confuso.

— Filho, ele quer te afogar?

— Ameças meu velho. Apenas ameaças — provocou, e balançou as sobrancelhas provocantes para Jimmy, que grunhiu.

Não permiti que saísse de meu alcance no entanto. Existiam coisas que tinha de tratar com ele antes de ver Amélia.

— Harlow? — Dana chamou da porta, juntamente de Jad e Ethan, e mais o advogada da minha tia — Vamos?

— Vão indo. Eu os sigo em um instante — garanti,e então virei para olhá-lo. Seus olhos não se desviaram dos meus, pois no mesmo momento ele pareceu entender que eu queria uma explicação sobre o que ele tinha falado — e escondido de mim— durante o tribunal.

O vi olhar por cima de meu ombro seriamente, para nossos amigos.

— Nos dê um minuto. — pediu.

Silenciosamente, todos saíram do escritório, sussurros vindo até mim, mas alguns soando como “boa sorte” para Jimmy. O que me fazia pensar se ele realmente precisava ter esse consolo.

— Me desculpe — Ele falou assim que ouvi a porta da sala fechar com um baixo ruido. Suas mãos apertaram nos lados de meu rosto, o olhar fixo em mim — Eu juro, eu quis te contar.

— E por que não contou? — indaguei, e por mais incrível que parecesse, não soava como se quisesse arrancar sua pele. Na verdade eu realmente não desejava isso, e acabei por chegar a conclusão de que estava cansada demais de brigar com as pessoas que amava por causa de alguma ações.

Então naquele instante nunca havia me sentindo tão neutra. Jimmy pareceu achar essa reação assustadora, pois ficou um pouco branco.

— Ethan disse para não falar! — disse apressado, mas então engoliu em seco e fechou os olhos, balançou a cabeça como se quisesse organizar as ideias — Não… desculpe. Eu iria falar que era apenas isso, mas a verdade era que tinha medo.

— Medo? — pisquei.

Ele assentiu, se aproximando, tocando nossas testas.

— De se magoar e ficar zangada — disse tristemente — Desde que chegou, sua proteção para com Amélia ficou tão grande, que um breve olhar torto a ela fazia com você brigasse com todos… Eu sinto muito, fui tolo, mas não podia arriscar contar isso quando estava tentando me aproximar de você. Iria me matar ver que estava começando me odiar por acusar sua tia de calunias, e ainda mais sem provas. Por favor, pequena, acredite em mim.

As iris deles brilharam escuras.

E nesse momento notei que essa razão era volúvel, e que mais uma vez, desde o primeiro momento que Amélia voltou, tudo o que aconteceu, e como aconteceu, somente seguiu tal rumor por conta das minhas próprias escolhas.

Melancolia inundou cada parte de meu peito e abaixei a cabeça, sentindo o frio rondando juntamente da magoa, da tristeza.

— Hey — Meu queixo foi erguido por seu polegar e seu olhar encontrou com meu. — Querida, não fique assim.

— Está doendo de novo — falei a ele — Meu peito. Doí como antes de conhecê-la… Doí como no dia que descobri da minha mãe. Doí como quando meu pai morreu, doí demais Jimmy.

— Ah pequena — Soprou ele.

Fui envolvida por seus braços pela sei lá que vez. Me encontrei afundando o rosto em seu peito, sentindo seu cheiro, querendo saber o motivo da ardência em meus olhos não serem sanadas com lagrimas. Pela primeira vez, eu queria chorar, mas não haviam mais lágrimas para derramar. E minha frustração era tão grande que me apertava ao quadril de Jimmy, buscando algum conforto ou alguma saída… no entanto somente aquilo não era o suficiente, então ergui o rosto para ele, enfrentando sua face cheia de preocupação.

— Jimmy — Meu sussurro nunca forá tão desolado e sabia bem disso. Assim como o próprio Jaime. — Me beija. Apenas, me tenha até parar de sentir tudo isso. Só me beija…

Não foi preciso ter dito duas vezes. Ele tomou-me, inclinando-se para a frente, agarrou minha nuca, curvando-a para trás, me apertando nos braços e pousando a boca sobre a minha carne. O beijo foi profundo, furioso, um toque intenso de paixão que fez não somente minha mente rodar, mas como revirou-me o estomago como se borboletas dançassem por dentro. Fique subjugada por seu aroma, pela suavidade de seus deliciosos lábios quando estiquei a língua para encontrar com a sua.

Agarrando-me nas lapelas de seu terno, o trouxe baixo, sentindo suas mãos me tocando, acariciando, me amando. Seu toque majestoso aqueceu o coração antes dolorido, e no momento seguinte, toda a quentura se espalhava por meu corpo, como fogo devorando palha. Zonza e ao mesmo tempo totalmente focada, fui contra ele, sentindo quando esse tropeçou para trás até se recostar na mesa de marfim, sua bunda batendo na lateral enquanto eu afundava em seu peito. Tão embrigado quanto eu, Jimmy soltou um ruido da garganta, e no instante seguinte suas mãos agarravam meu quadril, apertando-se ali para que conseguisse me erguer sobre ele.

Montei em seu corpo, escalando como uma gata atrás de sua caça. Ofegando, procurando e necessitando. Ondulando contra o volume em minha bunda, fazendo-o enrijecer.

— Oh, Doce Jesus, — ele arfou. Rolando os lábios em meu pescoço e tentando-me ao descer mais. No entanto, ele parou, agarrando meu rosto entre as mãos — Espere.

O que?

Tentei alcançá-lo novamente, mas fui impedida.

— Jimmy…

— Espere. — Ele segurou minhas mãos, e vi como ele lutava consigo mesmo para fazer aquilo — Não posso fazer isso.

Foi como um tapa em minha cara. Ser recusada por ele quando mais precisava.

— Por que? Você não me quer mais?

Sua expressão foi totalmente desolada quando alisou minha bochecha.

— É claro que quero pequena — Sua boca pousou na minha, me tirando um beijo alucinótico. — Mas não assim… querida, você está mal. Não sou tão insensível ao ponto de me aproveitar da sua fragilidade e pegá-la em cima de uma mesa depois que passou por uma experiencia dessas… Eu te respeito.

— Mas eu quero você — As lágrimas realmente voltaram, juntamente a lamentação sobre a tia, e agora pelo fato de estar sendo recusada quando mais queria um abraço… E o abraço dele. O corpo dele.

Jimmy contorceu-se como se estivesse sendo torturado.

— E eu a você Harlow — Baixou beijos em meu pescoço lentamente, me fazendo suspirar e fechar os olhos com satisfação — Amo você, mas agora o que precisa é resolver as coisas com Amélia. Sei que quer descansar, mas infelizmente, não é o momento. Mas lhe prometo uma coisa.

Ele me agarrou firme, prendendo-me com convicção, a promessa demarcando seus traços.

— Eu sou seu, e serei seu sempre. E mesmo que não a tenha nua agora, estarei esperando fora da sala para tê-la depois. Farei o possível para que não lembre de nada, tentarei com todo meu coração, fazer você esquecer, amarei você pelos minutos que quiser… E se quiser que eu me submeta para que se sinta melhor, para que não chore, eu farei… Apenas não se sinta rejeitada, pois nunca, na minha vida, eu farei isso de novo. Porque eu amo você, e amo estar com você. E dizer que esta me matando deixar que vá enfrentar seus medos, é pouco comparado ao que estou tendo que enfrentar agora, pois tudo que mais quero é levá-la embora, e tê-la somente em meus braços. Só para mim.

Os soluços partiram da minha boca novamente, sem que eu realmente percebesse, e no minuto seguinte estava deitada contra o ombro dele, sendo abraçada tão forte que me preocupei que minhas costelas fossem partir ao meio.

— Eu não quero fazer isso… — choraminguei em seu ouvido, molhando seu terno — Eu não eu quero ter que olhar no rosto dela e perceber que ela não me ama mesmo. Se isso acontecer…

— Shhh. Não diga isso — Sua mão acariciou minhas costas e os cabelos — Ela seria louca se não a amá-la. Essa é minha maior benção, e pode ser a dela também. Mas se caso isso acontecer, estarei do outro lado da porta, assim pode vir correndo até mim. Irei ampará-la. E amarei você o dobro do que ela poderia amar… Eu prometo, okay?

Assenti, e com surpresa, deixei um sorriso curvar meu lábio, fugando ao olhar ele.

— Obrigada por não me deixar — murmurei, ele sorriu, acariciando meu rosto ao me beijar.

— Nunca farei isso.— falou por cima da carne. Ao se afastar, me deu um olhar encorajador e secou minhas lágrimas — Que tal eu te acompanhar até onde está Amélia?

Assenti. — Pode ser.

— Vamos então.

Me colando novamente no chão, Jimmy parou por um minuto para tocar meus lábios mais uma vez, e então segurou minha mão, sorrindo para mim. Aquele gesto me deu coragem o suficiente para seguir ao seu lado para fora da sala. Todos meus amigos estavam fora, e pareceram preocupados ao ver meu rosto avermelhado, mas ninguém cruzou nosso caminho quando seguimos a frente ao meio da fileira que ele faziam. Meus e irmãos e Ethan esperavam um pouco mais a frente, junto de Gonzales.

— Esta tudo bem? — perguntou Dana, olhando para meu rosto com preocupação.

Olhei entre meu corpo e o do Jimmy para nossas mãos juntas e fortes.

Respirei fundo.

— Está. — respondi.

Dana e Jad trocaram olhares, e Jad ainda olhou para Jimmy questiona dor, mas depois resolveu que isso não merecia uma discussão, e começou a andar.

~*~

Notas finais
E então pessoal. Chocados? Aposto que sim. Venham falar comigo a respeito, duvidas, não deixem de perguntar. Estarei disposta a responder. Um grande beijo a todos e Ellie. Novamente, meus parabéns mi amore ♥ Até a próxima.