Rude Girl

41 Capítulo 41 — Confusão


Notas iniciais
ESTOU DE VOLTAAAAAAAAAA! Minha gente, meu bebê voltou e devidamente arrumado e com internet, o que com toda gloria do senhor, que dizer que as postagens iram voltar a serem organizadas e sem atrasos. ALELUIA! Estou tão feliz que nem sabem. Mas agora, vamos desenrolar esse botões e ler, porque nesse cap só terá treta. Boa leitura queridos ♥

(Pov’s Jimmy)

A quentura dos braços a minha volta enquanto dirigia a moto com mais velocidade que nunca, fazia-me cinte apenas dela e seu riso abafado pelo vento. As luzes cortavam a nossa frente e por entre os carros que passávamos, o céu escuro proporcionava uma vista tão maravilhosa quando a que passava para um quadro naquela manhã. Harlow gargalhava, às vezes soltava-se de meu quadril para erguer os braços, abrindo-os em seguida como se estivesse querendo voar, os olhos fechados enquanto gritava para acelerar. Vê-las assim, tão feliz e a vontade ao meu lado, — se divertindo — fazia com que meu peito se inundasse com alegria, pois sabia que ela estar assim era por minha causa, eu finalmente podia dizer que ela estava contente e feliz por minha causa! Era melhor que um presente. Na verdade era um paraíso do qual eu nunca iria me cansar.

Quando finalmente chegamos a sua casa, eu já me lamentava em ter que deixá-la depois de tudo que aconteceu. Mas apenas o fato da casa ainda estar todo iluminada e que havia porção de carros em frente à calçada, já fez com que Harlow e até mesmo eu ficassemos tensos.

— Aquele não é o carro do seu...

— Sim — falei engolindo em seco. O carro de policia de meu pai estava estacionado ali, e logo atrás pude reconhecer a van de Jonah, a qual estava sobre os cuidados de Jack enquanto o amigo estava longe. O SUV de Ethan também se encontrava ali, porém o mais preocupante era o que estava atrás desses, o Porsche panamera de Amélia.

— Bem, isso vai ser interessante — Harlow murmurou, mas tinha uma careta como expressão, e os braços muito apertados a minha volta denunciavam sua falta de interesse nesse momento “interessante”.

Sorrindo interiormente por ela não querer me soltar, saparei-me dela para descer da moto, mas logo voltei para perto, ajudando-a a descer também para então aninhá-la sob meu braço.

— Vai dar tudo certo. Estarei com você.

— Você por a acaso soube o que aconteceu no colégio? Dana quase pulou no pescoço da Amélia — Ela disse com rancor, mas depois preocupação tomou seus olhos — Espero que ambas estejam ainda vivas.

— Dana não está doente? — perguntei.

Harlow riu amargamente.

— Não será uma doença boba que vai impedir Dana de saltar sobre minha tia, ainda mais depois de tudo que Amélia disse no colégio.

Sorri tristemente para ela e voltei a encarar a porta de sua casa.

— Só há uma forma de descobrir o que está acontecendo. — Segurei sua mão firmemente — Vamos?

Ela olhou para nossos dedos entrelaçados e então para meu rosto, suas bochechas coradas eram a coisa mais adorável que um dia já vi, e saber que podia deixá-la assim subia magnificamente meu ego.

— Vamos. — falou, e apertou minha mão dando um sorrisinho. Fiquei hipnotizado.

Naquele momento enquanto andávamos até a porta, eu não me importava com a merda que teríamos de enfrentar, porque tudo havia valido a pena. Ainda podia sentir seu toque, seu gosto e o modo como ela se encaixava perfeitamente comigo. O que importava era o fato que, naquela noite, Harlow conseguia estar mais linda do que qualquer dia em que eu já tinha à visto, era como se a felicidade a deixasse ainda mais radiante para mim.

Sem dizer nada, subimos a varanda, hesitantes, Harlow me olhou e respirando fundo, girou a maçaneta da porta. Nós mal havíamos pesado dentro quando o alvoroço alcançou nossos ouvidos, fazendo com que Harlow imediatamente arregalasse os olhos e então soltasse minha mão para ir correndo até a sala. Fui atrás dela, e assim que chegamos à entrada eu com certeza entendi o porquê no pânico da minha pequena garota.

A sala estava lotada de pessoas falantes e exaltadas, mas a que mais parecia mal, era aquela que Jared e Damien seguravam com tanto afinco, aquela direcionava olhares de fogo para uma Amélia calma e gélida ao meio da sala. Ao redor estavam nossos amigos. Jack e Stefany com rostos refletindo preocupação enquanto assistia a cena a frente, e Liam e Jodie ao lado de Michelle e minha irmã, Dolly.

As meninas mais novas olhavam com os olhos tão esbugalhados quanto Harlow, minha pobre irmã parecia pálida com tanta confusão enquanto Mitchie parecia tentar acalmá-la com um carinho no braço. Não somente Dolly ali, assistindo a discussão, mas meus pais estavam ali também; A mãe tentava conversar com uma Dana alterada, Kane e Ethan encontravam-se ao lado de Amélia com expressões nervosas, e Caroline tocava o rosto de Dana para fazê-la tirar a atenção da tia.

— Eu já disse para sair daqui! — Dana gritava, e fiquei preocupado com como ela parecia realmente mal, os olhos fundos e escurecidos. Os lábios secos e rosto raivoso muito cansado. — Não a quero aqui! Saia! Você já fez de mais. Tudo isso é culpa sua...

— Você pode me culpar por quantas vezes for necessária Dana — Amélia a interrompeu com uma expressão vazia — Mas ficarei aqui até minha sobrinha voltar, caso contrario chamarei as autoridades.

— VOCÊ NÃO TEM O MALDITO DIREITO! — Ela tentou se soltar, mas foi segurada por seu irmão e Damien.

— Dana por favor, você está doente — Jared estava angustiado, mas a irmã não lhe dava atenção.

— Pouco me importa! Eu não a quero aqui novamente! Podemos achar Harlow sem a ajuda dela e...

— Não pense que ficarei parada quando Harlow está desaparecia há praticamente quarenta e oito horas. — Amélia soou mais fria que nunca — Que tipo de cuidado vocês tomam com ela? É a segunda vez em que acontece algo parecido. Disseram que iam cuidar dela.

— Não tente nos dizer como criá-la — Jared disse rancoroso — Fizemos isso por todo esse tempo sem sua ajuda.

— Esse foi o meu erro — Ela falou como que fala com um desconhecido — Devia tê-la criando de sempre. Olha como tudo isso acabou. Ela está sem dar noticias desde ontem à noite! — Pela primeira vez desde que conheci Amélia, a vi erguer a voz uma oitava a cima, e até mesmo Jared ficou um pouco branco — Como pôde ser tão irresponsável Jared?! Não devia deixar que ela saísse assim sem mais nem menos.

Ao meu lado, a boca de Harlow caiu enquanto ela encarava chocada a sua tia, e pensei que ela fosse dizer algo, mas permaneceu calada, assistindo como Jared parecia se sentir envergonhado e ao mesmo tempo muito puto por estar sendo censurado por sua tia. E foi por causa dessa pequena distração, que Dana finalmente conseguiu se soltar, e puxar seu outro braço do aperto de Jared e Damien, que ao ver o que ela pretendia a segurou mais firme, porém ele não esperava que a morena o certasse no estômago com o cotovelo.

— Hupff! — Damien a soltou enquanto engasgava, e as coisas aconteceram tão rápido que não pude compreender tudo de cara.

Primeiro Damie se curvou, depois Caroline correu até ele e no mesmo instante Dana marchou até a tia, e sem hesitar ergueu a mão e a desceu diretamente para o rosto da mulher. O estalo contra a bochecha dela fez com que Harlow gritasse pronta para pular em meio à roda, mas eu a segurei quando os homens apressaram-se em puxar Dana de volta para trás, que ofegava enquanto olhava com ameaça para Amélia.

Essa mesmo tinha o rosto virado pelo tapa, um pouco de cabelo cobria a bochecha avermelhada e o peito subia e descia quando Dana tentou se soltar. Harlow esperneou novamente.

— Me solte! — Quando ela gritou novamente, todos notaram e dessa vez olharam para nós, assustados e alterados. — O que estão fazendo, porra?! — Ela gritou revoltada — O que merda pensão estarem fazendo?!

— Harlow... — Dana sussurrou, os olhos agora cheios de culpa, arrependimento. Ela parou de se remexer nos braços dos homens — Harlow me desculpa...

— Vocês estão saindo de controle! — Ela ignorou suas desculpas — Estão agindo como se não fossemos família por minha causa! Vocês estão ficando malucos?

— Nós não somos a família dela — Dana cuspiu com desgosto. — Eu nunca vou ser.

— Isso não lhe dá o direito de bater nela! — Gritou Harlow totalmente puta. Tive que segurá-la com mais empenho, temendo que essa também partisse para cima da própria irmã — Pare de agir assim Dana — Ela implorou, torcendo-se contra mim em vão. — Me solta Jimmy!

— Acho melhor não.

— Eu não estou agindo de forma alguma — defendeu-se Dana. — Apenas quero deixar claro que essa mulher não pertence a nossa família, e então não tem a porra do direito de criticar ou ensinar Jared cuidar de você.

— Eu não sou mais uma criança! — Exclamou uma Harlow frustrada, tentando dar passos até a irmã. — Ninguém tem que cuidar de mim. Tente entender isso e pare de ser idiota por um minuto, você não é assim.

— Harlow! — Jared frisou com espanto.

Dana por outro lado tinha os olhos tão tristes que lágrimas apareceram, mas então algo mudou, e logo uma torrente de fúria cresceu ali, os lábios franziram e ela passou a respirar tão rápido que pensei estar passando mal. Ela olhou para Harlow como nunca pensei ser possível um dia ver, a camada de carinho e amor foi afastada para dar lugar à raiva quente e vivida, e talvez a própria Harlow também tivesse notado, pois aos poucos seu rosto bonito ficou amedrontado.

— Dana...

— Quem é você para dizer que sou idiota? — Dana berrou revoltada. — Você prometeu ficar conosco! Prometeu que podíamos usar todos os nossos meios para que conseguirmos a sua guarda. Disse que tínhamos chance! Mas o que está fazendo é muito diferente do que prometeu, Harlow — Dana se soltou, olhando profundamente nos olhos da irmã, ninguém falava ou sequer se mexia. De onde estava, pude ver que Jared assistia tudo como se fosse desmaiar a qualquer instante, e provavelmente fosse verdade, pois ele parecia muito doente de forma que eu pensasse que ele com certeza assistia a um de seus piores pesadelos se tonar realidade.

— Dana eu...

— Pare de falar! — Voltou a gritar a irmã mais velha, tocando os ouvidos como se estivesse com dor — Chega de desculpas. Chega de fugas. Não vê o que está criando? Está dando mais motivos para ela... — Apontou para Amélia — tirar você da gente. Não parou para pensar que tudo isso que está acontecendo, ela pode apresentar no tribunal como um modo de nos tornar incapazes de controlar você? Como acha que Jared vai se defender disso sendo que é absolutamente verdade? Como acha que vamos mostrar ao juiz que tudo só foi à merda de um mal entendido? Ele vai ceder a sua guarda para ela e não vamos ter como lutar, e tudo isso vai ser sua culpa! A sua maldita culpa, Harlow.

Com o rosto molhado por lágrimas, Dana deu as costas e correu para escadas, subindo em seguida enquanto nos deixava no vazio daquele silêncio. Comecei a ficar preocupado com a quietude de Harlow e me aproximei, querendo envolvê-la para selar a dor que eu sabia que sentia, mas algo me fez ficar onde estava, e talvez fosse como ela olhava para a tia, que também retribuía o olhar sem hesitar.

— Vá para casa Amélia — A voz da minha pequena estava baixa e repleta de tristeza. — Depois nós nos falamos okay?

A feição de Amélia pareceu se contrair, mas então ela respirou fundo e assentiu, pegou sua bolsa e se aproximou de onde estávamos. Tive de me esforçar para não puxar Harlow para mim quando Amélia lhe tocou no ombro e perguntou.

— Está tudo bem com você?

— Antes eu estava — respondeu ela e olhou em volta da sala — Não estou mais.

Amélia teve sua cabeça baixa e assentiu, então suspirou.

— Sinto muito.

— Eu também tia. — murmurou — Eu também.

Ambas se olharam por um longo tempo até que Amélia se inclinou e beijou sua testa, e sem mais nenhuma palavras, saiu da casa, fechando a porta com um ruído baixo. Virei para todos na sala e notei que todos tinham os olhos em Harlow, como se esperasse que ela desabasse a qualquer momento, mas ela não fez isso, tudo que minha garota se prontificou em fazer, foi caminhar até onde estava Caroline e Damien, que ainda esfregava o estômago com uma careta.

Observei como ela se abaixava a sua frente e como sorria de canto, o olhando com preocupação.

— Está tudo bem? — Franzi o cenho quando o ciúmes deu as caras, mas obriguei a ficar quieto, olhando interação deles.

— Você está perguntando isso para mim? — Damien parecia divertido, mas por mais que eu detestasse admitir, ainda via a aflição e a solidariedade que ele tinha por ela em seus olhos — Eu devia estar perguntando isso a você. Onde se meteu caramelo?

Respire Jimmy. Eles só estão conversando.

— Eu explico isso depois, mas agora queria pedir uma coisa. — Damien envolveu a mão dele com a dela.

— Diga querida. Sabe que posso tudo por você — Um. Não posso matá-lo... Dois. Não posso, caralho, matá-lo...

Harlow olhou profundamente nos olhos dele e pareceu apertar sua mão.

— Fique com Dana — pediu dando uma espiada nas escadas e surpreendendo não só a mim, como todos a volta — Ela não está bem, e eu a conheço o suficiente que está se lamente e culpando a si mesma. Não deixe que ela o faça, por favor. Preciso explicar umas coisas a Jared, mas mesmo assim acho que ela não ia me querer por perto.

A expressão surpresa de Damien durou pouco, e suspirando ele se inclinou e a apanhou em um abraço. Não sei ao certo qual foi minha expressão para aquilo, mas sabia que incrivelmente, o ciúme havia partido e dado a lugar à gratidão. O louro surfista podia ser uma pedra no meu sapato, mas ele ainda fazia bem a Harlow, e naquele instante, quando a vi se agarrar a ele como se o abraço realmente ajudasse, me segurei no lugar grato por aquele infeliz estar abraçando a minha menina no momento de tristeza, mesmo que o desconforto me fizesse querer matá-lo por isso.

— Vou fazer isso. Mas não estresse muito caramelo, seu humor é um pouco azedo quando está triste — brincou Damie, e tive que sorrir quando ouvi o riso baixo dela, ele fez o clima ali dentro ficar menos pesado.

— Obrigada. — Ela sussurrou.

— Sempre aqui para ajudar.

E com um beijo na sua bochecha, ele se levantou e seguiu rumo a escadas depois de trocar uma ou duas palavras com Caroline e Jared. Não me importei, tudo que estava me martirizando era o fato dela ter ficado ali, ajoelhada no chão enquanto encarava as mãos. Se me conter, caminhei para ela e toquei seus ombros, puxando-a para dentro de meus braço e afundando meu nariz em seu pescoço, sentindo seu cheiro tão viciante. Ela não se afastou, pelo contrario, apenas se agarrou a minha cintura e deitou em meu peito, respirando lentamente.

Não queria ter que me mover daquela posição, mas o som de espanto de alguém me fez erguer a cabeça, e então estava olhando um Jared totalmente branco e de olhos arregalados.

— Por favor, me diga que não é o que penso. — Ele realmente parecia amedrontado, o que me fez estreitar um sorriso no rosto enquanto acariciava os cabelos de Harlow.

— Acho que agora devo lhe chamar de cunhado, certo? — provoquei, e recebi um beliscão na barriga de Harlow. — Hey!

— Cala a boca — ralhou ela, mas seu lábio tremia.

Ao contrario de Jared, que caiu na sua poltrona recém recuperada com as mãos na cabeça. Car logo estava ao seu lado, sorrindo com humor.

— Deus, de novo não.

— Até que fim! — Jodie soltou logo de trás, e sorrindo maliciosamente como se quisesse que a briga de antes fosse totalmente esquecida — Agora está explicado o motivo da demora em encontra a porta de casa. Aposto que comemoraram muuuuito.

—JODIE! — O grito de todos fez a menina arregalar os olhos. Mas isso não era o importante, e o fato de que meus pais e principalmente de Jared, me olhavam com o rosto vermelho.

Ah porra...

— Jared escuta, eu... — comecei desesperado, mas já era tarde, o homem parecia o próprio demônio.

— Vo-vocês...

— Jad, respire — Agora Harlow também parecia aflita e por isso se levantou, me levando para trás de suas costas quando o irmão se pôs de pés. — Jared, você está virando um tomate.

— Ele... você... — O pobre o homem gaguejava como se estivesse tentando compreender seus próprios pensamentos. Foi quando vi meu pai afastar minha mãe para longe e se colocar na frente de mim e Harlow, as mãos para cima como se quisesse acalmar os nervos de Jared.

— Jared, não haja sem pensar. — pediu, mas sabia que até mesmo meu velho segurava um sorriso de diversão no rosto. Sabia por que Ethan, ao seu lado, não conseguia conter o seu próprio ao tomar o ombro de Jared.

— Isso é uma coisa normal, homem. Acredite.

— Normal? — Os olhos de Jared agora saltavam quase fora das orbitas.

— Ele está dizendo isso, porque está cansado de me ver sair do quarto de Liam — Jodie comentou e ao seu lado Liam ficou da cor de uma maçã ao olhar para o pai e em seguida para irmã, que começará a rir junto.

Foi quando notei que minha irmã também parecia muito atenta à conversa.

— Fique com seus próprios comentários Jodie — falei engolindo em seco, ao perceber que isso só aumentava a fúria nos olhos do meu novo cunhado.

— Oh, não! Mas agora que está interessante. Não seja mal Jimmy! — resmungou Dolly, o que fez meu pai virar no mesmo instante com uma expressão sombria.

— Vá para o carro Dol — ordeou, e eu riria de sua expressão se não estivesse mais preocupado com a de Jared.

— O QUE?!

— Isso não é assunto de criança.

— Qual é pai. Eu já sei de tudo isso. — Ela parecia entendia ao falar e nem ao menos notou o olhar de desespero que Kane deu a mamãe, que parecia realmente se contorcendo em seu riso. — Diga a ele Mitchie.

— É sim tio. A escola ajuda um bocado, mas claro que tenho minhas experiências — disse com o queixo empinado, e dessa vez foi a vez de Ethan oscilar no lugar ao mesmo tempo em que todos olhavam-na chocados.

— Do que está falando Michelle? — Ethan estava pálido.

Mitchie virou os olhos.

— Eu não sou cega e nem surda pai. Aliás, se eu contasse quantas vezes eu já peguei Michael e Lilah se pegando, eu ficaria aqui o dia inteiro. Oh, sem falar que minha irmã tem o sério problema de chamar pelo nome de Liam toda ver que ele...

— MICHELLE!! — Liam esbravejou chocado, enquanto Jodie se esgoelava com uma gargalhada descontrolada.

— Oh... mas eu não consigo me conter mana. — soluçou ela.

— Já chega! — Ethan gritou com uma voz grossa e muito nervosa enquanto pegava o celular e discava um numero, para depois colocar no ouvido. Seus olhos em Michelle enquanto hiperventilava. — Nós estamos indo em embora agora. Liam, cala a boca da sua namorada e vamos. Alô? — Ele se virou para porta com uma careta — Michael seu irresponsável, venha para casa para uma pequena reunião entre pai e filho. — E sumiu na porta.

Liam gemeu logo atrás.

— Porra. — Esfregou os olhos parecendo frustrado — Você tinha que comentar sobre isso Mitchie?

— Mas o que eu fiz?

— VAMOS LOGO LIAM!

— Eu tô muito fodido — resmungou meu amigo, e guiou sua irmã e namorada para fora, que ainda não se aguentava de rir ao passar por mim e sussurrar uma boa sorte.

— Isso foi interessante — Dolly sorria. Kane bufou de irritação e coçou os olhos.

— Leve ela Erin. Pelo amor de Deus, leve-a e pense em alguns desenhos a animados para fazê-la assistir até que volte ao normal — falou, e minha mãe sorriu balançando negativamente a cabeça. Ela acenou para que Dolly a seguisse, que de má vontade, caminhou para fora murmurando como todos ali eram loucos.

— Cuide do nosso filho — Erin deixou claro antes de sair, e piscando para mim, se foi.

— Acho que vamos também — Jack se aproximou com Stef rindo. — Acho que precisam bater um papo tenso aqui. Então não precisam mais de nós.

— Parabéns! — Stef pulou em mim antes que pudesse sequer pensar o que faria, me apertou tanto que tive de afastá-la para não sufocar — Eu sabia que iam acabar juntos.

— Quem não sabia? — brincou Jack, e acertou nas minhas costas — Estava na hora seu idiota.

— Vai à merda Davis — praguejei o fazendo rir.

— Parem de ser tão dramáticos. Não estamos casando — Harlow bufou, mas ainda aceitou o abraço de Stef. — Vocês são mesmo idiotas.

— Seus idiotas, nanica — Jack riu e deu um abraço apertando nela. — Boa sorte com a conversa. Espero que esteja vivo até amanhã, Jimmy.

Engoli em seco sentindo o olhar de Jared ainda em mim.

— Também espero.

— Pare de ser medroso — Harlow me cutucou e depois apontou para Jack — E você pare de gracinha.

— Sim, senhora. — Ele fez continência e sorriu. — Vamos Stef, antes que participemos da guerra.

E rindo entre abraços os dois saíram, restando apenas eu — atrás de uma Harlow desconfiada —, meu pai, Caroline, e Jared, que ainda se encontrava na mesma posição depois de toda aquela inteiração.

— Certo, acho que já pode surtar — Harlow falou quebrando o silêncio.

Foi como se ela tivesse permitido que um fogo se estabelecesse por toda casa, por que em um momento Jared estava ao lado de Car, e no segundo seguinte estava tentando capturar meu pescoço com as mãos enquanto meu pai tentava a custo afastá-los a gritos. Arregalando os olhos, me apressei em afastar Harlow do caminho, com medo que aquela confusão resultasse nela ferida, mas ela realmente ódiou minha preocupação quando a empurrei contra o sofá.

— Jimmy!

— Eu vou esfolar a merda da sua pele fora! — Jared rosnava como um animal tentando sair dos braços de meu pai.

— Jared, se acalme, por favor. — Caroline estava realmente se desesperando quando tentou tocá-lo, mas como se ele previsse o que ela pretendia, recusou ser encostado, se afastando.

— Me deixem. Meu assunto é com ele!

— Meu filho pode ouvir o que tem a dizer, não a necessidade de agressão — disse Kane, na sua calma policial impressionante, enquanto firmava seus braços ao redor do homem. — Ponha sua cabeça no lugar filho.

— Eu estou com a porra da cabeça no lugar. Mas a dele eu quero arrancar do pescoço — cuspiu Jared, e eu jurava que ele estava realmente falando muito sério.

Achando que aquilo devia terminar logo, pois ainda existia o fato de que Harlow parecia muito cansada e triste para mais uma briga, eu me pus à frente, nervoso como um garoto virgem, mas ainda assim sem dar para trás.

— Eu já disse isso a você uma vez e vou dizer de novo, Jared — O olhei profundamente, tentando ultrapassar sua camada de raiva — Eu não vou machucá-la. Eu juro.

— Me prometeu isso antes — grunhiu ele nervoso — Só que com minha outra irmã, lembra? Vai fazer a merda novamente, mas dessa vez com Harlow?

Sua pergunta pegou profundamente no lugar certo. Bem no peito. Doeu sua desconfiança depois do que já tinha revelado a ele há meses atrás. Ele ainda desconfiava, e isso por algum motivo me incomodava quase quanto o fato de saber que um dia maltratei Harlow.

— Eu já fiz de tudo para que confie em mim — disse um pouco derrotado. Sem saber como agir diante a sua fúria. — Me diga o quer de mim, Jared? Diga. Eu não sei como fazer que acredite quando digo que sou mesmo, completamente apaixonado por Harlow.

Não sei se talvez tenha sido a forma como falei ou se foi o que eu falei, mas Jared se deteve no aperto de meu pai e me olhou, ainda de cara fechada, mas parecia um pouco mais calmo enquanto entreolhava entre mim e Harlow, que tinha se aproximado de mim e de forma bem sutil, tomou minha mão. Eu queria sorrir para seu ato. Ela não estava acostumada em demonstrar qualquer tipo de afeto por mim, então o fato dela ter se movido para isso já era mais do que um bônus para toda aquela situação.

Jared não deixou de perceber seu movimento e suspirou, abaixando a cabeça e a esfregando, parecendo de repente muito exausto. Talvez Caroline tenha percebido isso também, porque se aproximou dele e passou a sussurrar algo, sua mão alisando-o nas costas. Como se aquilo fosse seu calmante, Jared se inclinou contra ela e respirou fundo em seu pescoço, mesmo que ainda olhasse para mim.

— Certo — quando ele falou, não parecia mais exaltado. — Hoje foi um dia cheio e não tenho cabeça para mais essa discussão. Na verdade não quero falar sobre nada, pois pelo cheiro que vem de vocês, eu provavelmente me arrependeria de perguntar — Harlow se encolheu ao meu lado e eu não pude deixar de ficar constrangido ao lembrar que tanto Harlow quanto eu, estávamos com certeza cheirando a bebida alcoólica.

— Não é isso que está pensando Jad. — Minha garota tentou explicar — Só estávamos nos divertindo e...

— Poupe-me dos detalhes por hoje, Harlow — resmungou Jared balançando a cabeça e sem olhar ninguém em especial — Kane, sinto muito pela confusão.

— Não a necessidade disso — falou meu pai — Estamos falando de meu filho também. Claro que ajudaria.

Jared assentiu, e eu estava começando a achar que preferia sua raiva do que a indiferença, pois a forma como agia, sem nunca me olhar, estava começando a me preocupar.

— Claro. Mas ainda sim, desculpe a indelicadeza. Agora preciso ir ver Dana, Caroline o acompanhará até a porta. Tenha uma boa noite e obrigada por ajudar na busca de Harlow.

Ele subiu as escadas sem nos olhar assim como Dana havia feito minutos atrás. Quando ele sumiu, Harlow caiu sentada no sofá, os olhos vazios pregados na direção que ele havia ido.

— Meus irmãos me odeiam. — murmurou.

Troquei olhares com meu pai e ele percebeu como vê-la daquela forma me destruía.

—Eles estão apenas triste, querida — Ele tentou consolá-la — Dê um tempo a eles.

Ela assentiu, mas não parecia que tinha ouvido de verdade, pois se levantou, e caminhou para as escadas. Ela sumiu, e nem mesmo se despediu de mim, e mesmo que isso me machucasse, eu ignorei, pois sabia que a minha garota estava enfrentando uma pequena batalha com seu interior, e com certeza ela iria se lamentar assim que chegasse ao quarto e deitasse sozinha na cama.

Ela ia sofrer. E saber disso me torturou enquanto Caroline nos guiava para a porta da casa.

— Eu não posso deixá-la — disse aflito.

Car e Kane me olharam com compreensão.

— Se ficar aqui, Jared não vai voltar a se acalmar — Caroline disse, tentando soar gentil, mas sua fala queria dizer muita encrenca — Ele pode ter liberado agora, porque está preocupado com Dana e muito nervoso, mas se encontrar vocês juntos...

— Ele não vai!

— Nick — Meu pai tocou em meu ombro e apertou — Ela vai ficar bem. Venha amanhã e trate das coisas com calma. Precisa resolver esse problema com Jared primeiro.

— Harlow é mais importante — censurei nervoso — E nesse momento ela deve estar triste e sozinha. Por favor, me deixe ficar.

Era estranho como de repente eu tinha me tornado tão possessivo em relação a Harlow, mas não me importava em nenhum sequer instante, aquilo tinha haver com uma parte enorme do meu coração, e deixá-la solitária para encarar a tristeza não era um opção. Caroline com certeza entendeu, pois suspirou, e como se estivesse derrotada, olhou sobre o ombro e falou:

— Okay. Espere aqui. Assim que todos dormirem, eu venho abrir a porta para você. Mas precisa me prometer que vai embora antes de todos acordarem.

— Eu prometo — garanti mais esperançoso.

Ela sorriu, como se minha alegria fosse engraçada, e depois de um aceno para meu pai, ela entrou.

Respirando fundo, me virei com ele para acompanhá-lo até o carro onde minha mãe e Dolly ainda esperavam. Comecei a contar até dez lentamente, esperando quando ele pararia e tomaria a palavra para finalmente me esculachar, mas ele não fez isso, apenas virou-se quando chegamos ao carro e disse tão calmo, que tive de encará-lo por muitos minutos.

— Conseguiu a garota. — Ele sorria. E talvez fosse loucura, mas podia ver satisfação em sua íris.

Ergui uma sobrancelha.

— Eu fico quase quarenta e oito horas fora de casa e você foca exatamente nisso? — questionei com surpresa, mesmo que meu próprio sorriso não coubesse em meu rosto.

Ele riu alto — Você é meu filho. Tenho que parabenizá-lo por sua insistência. Ela o ajudou a ficar com a menina, e estou orgulhoso.

Sem me conter, senti aquele sentimento de orgulho também, mas por ter feito com meu pai ficasse feliz por minhas ações, mesmo quem essas fossem de alguma forma, um pouco loucas. Sabia que e o que tinha feito hoje ao levar Harlow para o pub acabou por causar essa complicação, mas ainda sim, ela tinha estado comigo, e talvez ela pudesse me perdoar por ter causado mal a ela através da minha brilhante e idiota ideia.

— Volte para casa depois que resolver isso — Kane apontou para casa e sorriu — E volte inteiro. Não quero apenas o corpo do meu filho. — E deixando um aperto em meu ombro, ele entrou no carro e o manobrou para fora da calçada.

Eu suspirei, pensando em como ia fazer com que Jared não me matasse assim que me visse amanhã. Com certeza teria que parti para a parte em que me ajoelhava e implorava por perdão. Afinal, ele havia acabado de descobrir que sua irmãzinha já não era tão pura como antes, e eu havia sido o cara que tirou sua pureza, claro que ele queria me esquartejar com uma de suas pinças de cirurgia. Eu estava completamente fodido.

Porém por enquanto, eu não me importava muito para o quão ferrado eu estava, apenas queria ver como Harlow estava enfrentando mais esse problema. Ter que esperar que Caroline acalmasse Jared estava tirando minha doce paciência, e o pior é que eu fiquei assim por intermináveis cinco horas. Era meia noite e meio quando a porta da casa abriu lentamente, nenhuma luz foi acesa, mas Caroline apareceu ali ainda nas roupas que usava mais cedo durante a discussão. Enquanto me aproximava percebi duas coisas óbvias.

Primeiro, ela tinha um rosto cansado, como se tivesse passado um longo tempo sem dormir, e segundo, ela não estava sozinha. Damien olhava penetrante para mim, os lábios cerrados enquanto me mirava, pela primeira vez que o vi, sem expressão de deboche.

— Você pode ir — Car sussurrou quebrando a linha de olhar entre nós — Mas lembre-se. Saia antes de todos acordarem.

— Vou fazer isso. — prometi.

Ela suspirou e se afastou, dando passagem para mim, mas assim que ia correr para dentro, senti uma mão envolver meu braço. Com uma careta olhei para os dedos envolta de mim e depois para o rosto de Damien, sabia que demonstrava a mais pura insatisfação quando falei em um tom baixo, mas ameaçador o suficiente para fazer Caroline ficar tensa.

— Tire sua mão de mim.

Damien não se afastou, apenas apertou mais.

— Não a machuque de novo — falou, mas ao contrário de mim, ele parecia calmo até demais, no entanto havia uma gota de veneno em seu aviso. — Se fizer, eu machuco você. Estamos claros?

Não vou negar que o primeiro pensamento que se passou por minha mente foi de socá-lo bem na fuça, só por cogitar que iria ferir Harlow, mas de alguma eu me segurei e respirei fundo, olhando em seus olhos enquanto puxava meu braço de seu aperto. Notei que não podia acertá-lo, pois compreendia a forma como ele precisava de uma confirmação, de uma promessa de que não faria besteira de novo, não que eu fosse obrigado a dá-lo isso, mas talvez eu também quisesse que ele soubesse disso, pois Harlow era mais importante que meu orgulho.

— Não vou fazer isso — disse o mais sinceramente possível. — Eu amo Harlow, e não vou fazer nada que possa prejuducar ela.

Uma das sobrancelhas dele ergueu.

— Bem. Parece que você fez exatamente o contrario quando não a trouxe para casa no horário certo — apontou com aquele toque amargo e cheio de indiferencia que eu sempre via nele. — Agora ela está lá em cima remoendo o que fez de errado para que a família dela tenha agido dessa forma. Talvez você deva treinar um pouco mais essa forma de “Não fazer mal à ela”, porque até agora você não acertou.

Ele se virou e saiu andando para a cozinha, deixando que essas palavras me acertassem como uma bala. A verdade nelas só fazia com meu peito doesse ainda mais, e o fato de ter sido ele a me jogar isso na cara trouxe aquela camada de vergonha e raiva à tona. Quis bater em algo, principalmente e mim mesmo.

— Não ligue para ele — Caroline tentou se redimir e deu um sorriso triste — Ele está preocupado com ela, apenas isso.

Abaixei a cabeça.

— Mas ainda não deixa de ser verdade — engoli em seco — Eu sou um babaca e realmente não sei como cuidar da Harlow. Ele só me mostrou o que percebi há muito tempo.

Caroline franziu o cenho e me encarou por longos minutos, em seguida me surpreendeu com o que falou.

— Se ele tem razão, talvez esteja na hora de levantar a cabeça e parar de se lamentar.

— O que? — Ela se aproximou.

— É isso que ouviu. — disse séria — Acha que é fácil cuidar de quem ama? Não é Jimmy. Todos cometem erros, é humano, okay? Se acha que fez merda, admita isso e vá concertar, não fique lamentando-se e esperando que outro lhe jogue isso na cara. Meu irmão não tem esse direito assim como nenhuma outra pessoa. Está apaixonado pela Harlow, faça por merecer, porque talvez ela venha ser seu único verdadeiro futuro. — Um sorriso cortou a expressão dura da loura, amenizando a culpa em meu interior — Vá ver sua garota agora. E faça a coisa certa dessa vez.

Ela não precisou dizer duas vezes.

Sem fazer ruídos ao passar pelas portas dos quartos de Dana e Jared, fui direto para a do quarto de Harlow. Não havia luz ligada passando por de baixo da porta, mas abri da mesma fora, tomando cuidado ao entrar para não fizer barulhos caso ela estivesse dormindo, não queria que ela acordasse.

Não corri esse risco, no entanto, pois a cama estava vazia quando olhei para dentro da escuridão. Olhei em volta começando a me preocupar, pensando se ela tinha pulado a janela e fugido mais uma vez sem ninguém ter visto sua sombra. Meus pensamentos se refrearam quando vi um movimento entre a parede da janela e o guarda roupa, a luz que passava pela vidraça dava a visão de uma silhueta encolhida como se fosse uma pequena bola.

Meu coração apertou quando cheguei perto e uma sensação de dejá-vu passou por mim quando me agachei a sua frente e a encarei. Harlow tinha uma trilha de lágrimas secas nas bochechas e dormia com a cabeça recostada no guarda-roupa, suas pernas estavam juntas perto do peito e meu casaco parecia guarda-la dentro de um casulo perfeitamente, suas mãos estavam em volta dos joelhos denunciando sua fragilidade. Ela parecia tão inocente daquela forma.

— O que vou fazer com você pequena? — Com lentidão, cariciei seu rosto corado, e como se reconhecesse meu toque, ela se mexeu contra minha mão, aos poucos piscando os olhos com sonolencia.

— Jimmy? — Sua testa franziu com confusão e voltou a fechar os olhos, suspirando — O que faz aqui?

Sorri, alisando seu rosto.

— O que acha? Vim ver como está. — Olhei para cama e para ela novamente — Por que está aqui, linda? Pode ficar dolorida dormindo dessa forma. Venha, eu ajudo você — Gentilmente, toquei seus braços e a puxei para mim. Não foi difícil erguê-la do chão considerando a forma que ela estava mole, mas assim que me coloquei de pé, algo caiu no chão aos meus pés e um som suave cantou por todo o quarto. Harlow resmungou. — Ok, espere um instante.

Ajeitei-a na cama e voltei para onde estava o objeto que caiu. Logo reconheci o quadro que ela nunca retirava da escrivaninha e a caixinha de música deixada por sua mãe. Me sentindo mais acabado que antes, fechei a caixinha e voltei para o lado de Harlow levando seus pertences. Os coloquei na escrivaninha ao lado e a trouxe para meu colo, embalando-a como o tesouro que era para mim.

— Como entrou aqui? — sussurrou ela em meu peito.

Acariciei seu cabelo, sentindo-a suspirar em deleite.

— Eu tive uma ajuda — respondi. Quando o silencio retornou pensei que ela havia dormindo novamente, mas nesse momento sua voz voltou baixa e hesitante — Eles nunca vão se aceitar.

A certeza em sua voz era triste, cheia de magoa e desesperança. Abracei-a mais forte.

— Não pense assim — tentei soar confiante — Sempre podemos pensar em alguma coisa.

Sua cabeça balançou freneticamente contra mim.

— Não há mais o que fazer Jimmy. Não enxerga o que está acontecendo? — A derrota em sua voz me torturava — Eles nunca vão se acertar. Dana não vai me perdoar e Jared não perdoará Amélia. É um circulo de ódio que não consigo acabar.

— Isso, porque eu acho que não seja você a pessoa certa a fazer isso — falei tentando confortá-la. — Provavelmente eles que tenham que dar o primeiro passo para uma reconciliação. Nem tudo depende você, Harlow.

— Infelizmente — falou com um suspiro — Estou ficando cansada. Tudo que queria era ter a família reunida.

— Entendo isso pequena, mas querer não é poder — Beijei a testa — Eu sinto muito que eu tenha causado essa confusão. Me perdoe.

— Que? — Harlow se mexeu em meus braços e tentou se afastar. Não queria que o fizesse, mas quando ela usou as mãos para empurrar meu peito eu fui obrigado a permitir que afastasse o rosto de meu tórax — Por que acha que foi sua culpa?

Desviei os olhos dos dela.

— Eu não devia ter lhe levado até o pub... Poderia ter avisado Jared antes para que não ficasse preocupado, eu... fui tão malditamente egoísta. Tudo isso foi aconteceu por minha causa e...

— Pare com isso — Ela me interrompeu com uma expressão nervosa. Aquela era a Harlow que eu havia passado anos cobiçando, a Harlow provocadora e marrenta, a aquela que eu tinha negado e pintado em segredo, a que tinha amarrado meu coração da forma mais fácil de todas — Eu não quero suas desculpas.

— Mas...

— Sabe quando foi à vez que você ficou tão sincero comigo ao ponto de confessar que me via em outras mulheres? — indagou com rancor, mas havia aquele sinal de satisfação que temia em brilhar em seus olhos — Nunca Jimmy. Nunca pensei que teria isso de você, então eu pouco me importo com as consequências. Eu sabia desde o inicio que ia dar problema, era mais do que óbvio como Jared e Amélia ficariam putos, mas eu não mudaria isso.

— Tem certeza disso? — Eu quase não conseguia encontrar voz para falar — Dana tem razão, Amélia vai usar isso contra Jared no dia do julgamento e...

O rosto de Harlow continuou impassível, mas para minha surpresa suas mãos foram para minha nuca, onde ela passou a brincar com os fios, enrolando-os nos dedos enquanto não tirava a atenção dos meus olhos.

— Acredite quando digo que eu não poderia estar mais certa — Ela me cedeu um sorriso e eu pude sentir minha pele arrepiar quando chegou tão perto que podia ouvir as batidas rápidas do seu coração — Hoje foi a melhor experiência que já tive. Então não se desculpe, por favor. Eu gostei. Gostei de tudo, eu posso arcar com as consequências sozinha. Não me importo.

— Não — Tomei seu rosto entre as mãos — Não está sozinha. Eu vou ajudá-la com isso. Eu posso, sei lá, depor a favor de Jared no dia do tribunal. Posso dizer que foi minha culpa o seu sumiço, não dele. Faço qualquer coisa para ficar com você.

Ela sorriu, e seus braços passaram por meu pescoço, como se me ouvir falar assim a deixasse mais feliz que nunca. E eu estava disposto a fazê-la feliz por todos os dias.

— Obrigada — sussurrou contra minha boca.

— Eu amo você — Puxei seu quadril para mais perto — Não sei o que faria sem você. — admiti, era tão bom poder fazê-lo. Mas de alguma forma acho que minhas palavras a fizeram ficar nervosa, pois seu sorriso diminuiu e seus olhos abaixaram. — Hey, o que foi? — Ergui seu queixo. Ela mordia o lábio nervosamente — Conheço essa expressão. O que quer me contar?

— Eu... — Ela hesitou. Permaneci quieto e dei seu tempo, não querendo apressá-la, mesmo sabendo que havia algo muito errado — Tenho que contar uma coisa. — Ela não parecia realmente querer.

— Estou ouvindo — disse. Ela ainda ficou quieta por um tempo.

— Eu... — Respirou fundo — Eu pedi a Jared que me deixasse ficar com Amélia.

Eu não esperava por isso. E tinha certeza que demonstrei esse fato, pois vi o medo crescendo e amontoando nos olhos de Harlow enquanto me olhava.

— Você... O que? — Não sabia se tinha ouvido bem.

Harlow se remexeu no meu colo.

— Depois que cheguei de viajem eu... Falei a Jared que queria que ele me deixasse com Amélia — Ela parecia completamente temorosa enquanto falava — Mas antes de se zangar preciso que saiba que eu só pedi isso, por me preocupa com minha tia. Ela parecia tão triste e sozinha quando fui morar em sua casa, e nós ficamos amigas. Eu queria... eu quero estar perto dela.

— Então quer ir embora? — Até mesmo eu podia sentir o som de incredulidade no modo que falei — Concordou com isso mesmo sabendo que iria deixar seus amigos? E quanto a mim, Harlow? Você pensou em mim?

— Por favor, me escuta — Ela ergueu as mãos e segurou meu rosto com força — Eu não estaria deixando ninguém... Tudo que queria era passar um tempo com ela, convencê-la a vir morar aqui conosco. Mas para isso precisaria de tempo, ela tem uma vida na Califórnia, mas Jared nunca desistiu da minha guarda e jamais o fará... Eu conheço meu irmão, ele pensa que me entregar a Amélia seria descumprir a promessa que fez ao papai de cuidar de mim. Por isso eu desisti de pedir que ele me deixasse partir... Falei que poderia lutar, usar tudo que tinha e que se ele ganhasse eu ficaria com a opção de ainda me deixar ver Amélia. Ofereci o mesmo para minha tia. Não quero deixar ninguém, mas juntar eles requer um sacrifício Jimmy, me entenda, por favor.

Engoli em seco, sentindo seus dedos alisarem meu rosto e seus olhos devorarem os meus com um pedido. A raiva ainda revirava por meu estômago, saber que ela iria embora por livre espontânea vontade e sem me dizer nada, era como se fosse um soco, mas ainda sim, compreendia o que ela queria com isso, mesmo que fosse difícil, ela havia me perdoado por ter feito merda, por que eu não faria o mesmo agora?

Suspirando, agarrei sua nuca e encostei a testa contra a dela.

— Eu entendo — falei por fim, tirando-lhe uma respiração longa de alívio — Mas saiba que onde for, eu vou atrás de você.

Ela piscou. — O que quer dizer?

Sorrindo, rocei os lábios nos dela, sentindo-a estremecer com nossas respirações misturadas.

— Se for com Amélia... — arrastei-me até sua orelha, sussurrando com suavidade —... Eu vou atrás de você.

E eu sabia que não hesitaria em segui-la para onde quer que ela fosse.

~*~

Notas finais
E terminamos com a fofura desse dois. Quem ta curtindo o casal Harmy levanta mão :) Espero que tenham gostado e que esse cap tenha esclarecido algumas lacunas que ainda estavam abertas no relacionamento de Jimmy e Harlow, como o fato dos "Segredos escondidos", agora eles sabem tudo um do outro, só vamos esperar para ver o que vai sair disso. Um beijo de luz, e até a próxima. Se tiver muitos comentários, posto na sexta ♥ Deixo o veredicto para vocês.