Rude Girl
42 Capítulo 42 — Amizade verdadeira
Notas iniciais
(Pov’Harlow)
Em meio a minha grande e agradável sonolência, algo me tirou do sono sem sonhos. Um toque suave caia de minha bochecha até deslisar ao meu pescoço como se estivesse verificando as áreas mais sensíveis do meu corpo. Resmungando, me virei na cama, querendo me prender mais uns instantes na inconciencia, mas aquele toque então se tornou mais ousado, quente. Desceu pela linha entre minhas clavículas e então se perdeu por dentro da minha blusa.
Sentindo-me de repente muito quente, abri os olhos e dei de cara com o pôster enorme de Jimmy e eu, e somente aquele rosto me fez lembrar que não estava sozinha. Meu coração passou a bater mais rápido quando olhei para baixo e vi uma cabeleira loura sobre o meu peito, seus dedos deslisavam por entre o decote da blusinha fazendo com que tudo em mim se arrepiasse com expectativa. Prendendo a respiração para não demonstrar o quão descompassada ela estava começando a se tornar, levei a mão aos fios, mergulhando os dedos nele como sempre sonhei em fazer um dia.
Jimmy suspirou e sabia que ele já havia notado que estava acordada, mas ainda sim, permaneceu deitado sobre meu peito, sentindo minha mão deslisar por sua cabeça, seus olhos fechados e um sorriso doce nos lábios. Deleite marcava seus traços como se fosse um cachorrinho recebendo um afago.
Conhecidentimente, um som baixo veio da porta nos fezendo tensos. Jimmy levantou, estreitando os olhos com os arranhados na madeira, o que me fez sorrir, pois somente uma coisinha fazia aquilo.
— Tudo bem — falei a ele. — Só um minuto.
Me levantei da cama e corri até a porta. Abri uma pequena fresta, e no momento seguinte meu pug adorável entrava farejando tudo com alegria, isso até encontrar uma nova companhia em minha cama.
Slash rosnou.
— Porra. Esse monstro ainda está aqui? — Jimmy olhava para meu cachorro com uma carranca enquanto o mesmo apenas grunhia de volta, como se ambos quisessem demonstrar quem era o alfa do lugar.
Virando os olhos, me abaixei para pegar meu pug.
— Ele não vai embora. Damie me deu, e o nome dele é Slash.
Jimmy bufou, ainda fuzilando o animal.
— Claro. Me lembre de acertar Damien por isso — Slash latiu em desgosto — Foda-se cachorro!
— Pare de ser criança — censurei, mas era impossível não rir dessa cena — Vou colocá-lo para comer e já venho.
Como dito, peguei a arração de Slash e cuidadosamente sai do quarto. Desci até a sala e espiei Damien, tendo a certeza de que ainda estava dormindo no sofá. Na cozinha coloquei a ração no potinho e deixei que o gulosinho trabalhasse em devorar tudo. Enquanto comia troquei sua água e a posicionei logo ao seu lado. Com tudo pronto troquei seu jornal e o dispensei no lixo. No mesmo silencio de antes, passei pelo banheiro para escovar os dentes e retornei ao quarto amarrando meus cabelos em um coque, e assim que cheguei tive uma grande surpresa ao fechar a porta. Braços circularam minha cintura e não tive tempo para reagir ao ataque, apenas me agarrei ao pescoço dele e deixei que me levasse à parede, onde Jimmy não perdeu tempo em devorar minha boca.
Com surpresa, correspondi o beijo, sentindo a sensação deliciosa de borboletas voando em meu esttômago. Fechei os olhos e senti sua respiração próxima a minha, sua mão em minha nuca, me aproximei mais dele e levei minha mão até seu pescoço, segurando-o com firmeza e só o soltando quando estávamos sem fôlego algum.
— Bom dia — ele sussurrou sorrindo. Eu fiquei chocada.
O beijo havia sido seu “Bom dia”?
— Pode me dar bom dia assim todos os dias? — perguntei sem pensar.
Jimmy riu, e abraçando minha cintura, beijou levemente meus lábios.
— Farei o possível para cumprir seu pedido.
— Acho que vai ser meio complicado — pensei de repente, sentindo minha satisfação se esvair — Jared vai ficar no nosso pé.
— Eu dou meu jeito minha linda — falou empurrando uma mecha de cabelo para trás da minha orelha — Farei qualquer coisa para conseguir lhe dar um beijo de bom dia — promenteu.
Sem me conter, ri nervosamente.
— O que? — indagou.
— Ah, nada, é só que... É estranha a forma que está me tratando — confessou com timidez — É meio engrassado sabe.
Jimmy ergueu uma sobrancelha zombeteira.
— Vai me dizer que não gosta? — provocou, e eu sabia que minhas bochechas agora coravam.
Sem graça, soquei seu braço.
— Vai pra merda — resmunguei e ele riu.
— Amo quando é marrenta — Seu braço me circulou novamente e ele beijou meu pescoço — Uma pena que não poderei continuar te irritando para vê-la dessa forma. Gostaria de acalmá-la pessoalmente.
A malícia em suas palavras não passou despercebido, tanto que quase me perdi em seu olhar enquanto pensava sobre a opção de despi-lo agora mesmo. Estaria me tornando uma tarada depois de tudo.
— Vai embora? — Não consegui impedir o tom de descepção na voz.
Jimmy sorriu com tristeza.
— Preciso ir pequena. Não posso deixar que Jared me veja aqui agora, ele poderia surtar — Tocou meu rostou — Mas eu vou voltar em algumas horas. Só preciso de um tempo para ir em casa tomar um banho e me arrumar... Vou voltar e então conversaremos com ele. Tudo bem?
— Eu estava começando a cogitar que você devia fugir — tentei soar divertida, por mais que uma parte de mim quisesse dizer aquilo — Você poderá terminar morto no final dessa conversa.
Ele riu.
— Serei corajoso e enfrentarei o monstro terrível que Jared é — brincou sorrindo e me apertou em seu abraço — Afinal, eu quero ficar com a preciosa princesa dele.
— Erg. Princesa não.
— Sim. Princesa sim — tocou meu nariz — Uma bem nervosinha.
— Eu não tenho cara de princesa. — reclamei. Ele sorriu maliciosamente.
— Realmente. — Ele tocou meu queixo, pensativo — Acho que Penelope Charmosa é melhor.
Cerrei os olhos para ele com força quando meu rosto queimou. Ele escondeu um sorriso, observado minha reação totalmente alterada e óbvia.
— Você tinha que mencionar isso. — Ele gargalhou
— É óbvio! Você me provocou durante anos, agora é minha vez.
— Não se atreva há falar na frente das pessoas. — ameacei. Ele piscou com inocência.
— Por que eu faria isso? — Havia desafio e travessura em seu olhar, o que denunciava suas ideias sem ao menos fazer força.
— Estou avisando — Me aproximei dele. Esse deu passou para trás, sem nunca deixar de sorrir — Não fale.
— Com certeza. — falou, mas sua expressão era quase zombeteira — Minha penolepe charmosa.
Ofegando com raiva, me atirei nele, que começou a rir enquanto tentava se proteger dos socos que eu tentava, em vão, acertar em seu peito.
— Não me chame assim!
— Você fica linda nervosa — Cutucou ele.
Eu estava pronta para acertá-lo novamente quando uma batida veio da porta, nos congelando no lugar. Arregalando os olhos, voltei-me para Jimmy. Ele tinha os lábios estreitados e agora parecia muito sério.
— Harlow?
Relativamente meu corpo se aquietou, mas o rosto de Jimmy se fechou. Sua postura ficou dura como pedra e as íris brilharam com insatisfação ao reconhecer a voz de Damien.
— Ignore — resmungou. Eu virei os olhos.
— Escutei isso garoto loiro — Damien falou do outro lado da porta — Que tal deixar que Harlow descida quem fica em seu quarto?
— Ótimo — Jaime sorriu largo — Vá embora então. Já tem alguém no quarto dela.
— Jimmy. — suspirei ao perceber o segundo sentido de frase — Cala a boca.
— Toma essa idiota.
Bufando, marchei até a porta e permeti que Damien entrasse. Ele tinha um sorrisinho triunfante ao olhar para Jimmy, que agora parecia mais que insatisfeito comigo.
— Você devia tomar um suco de marucuja para melhorar essa cara — Como sempre, Damien foi o que falou, tentando tirar Jimmy do sério mais do que já estava.
— Foda-se. — resmungou o outro, o que fez Damie rir e me deixar entendiada.
— Séra que podem não se matarem apenas hoje? — questionei cansada — Não ajam como crianças.
— Diga ao seu... Seja lá o que ele é — Olhou Jimmy com uma sobrancelha erguida — que se contenha com seu olhar assassino e leve sua bunda magra para fora daqui. Jared acordou, e não acho que queria vê-lo por aqui. Ainda mais quando minha irmã teve que sair e não estará aqui para acalmá-lo — Acho que Jimmy poderia com toda a certeza, saltar para cima de Damien a qualquer momento, mas antes que isso acontecesse, caminhei para ele e o toquei no peito, o levando para trás.
— Vai. Faça o que tem que fazer e volte — Quando me olhou, seu olhar suavizou.
— Desculpe ter que deixá-la agora.
— Tá tudo bem — balancei a cabeça — Só vamos resolver isso com calma. É muita coisa para fazer Jad digerir, portanto vá e depois nos falamos.
Ele estava hesitante, era mais do que obvio como não queria ir.
Tentando confortá-lo para que não arrumasse uma confusão, segurei sua mão e a apertei. Sorri para ele e o empurrei para janela, que sem vontade, acabou por aceitar.
Observei como ele passava uma perna para fora e depois outra, me senti de repente muito triste pela forma como ele estava tendo de ir embora, como se fosse um entruso. Tinha mesmo que concertar as coisas aqui o mais rapidamente possível.
E enquanto pensava nisso, mais uma vez Jimmy me pegou totalmente desprevenida. Ele conseguia isso como muita facilidade. Mas desde que ele sempre colasse nossos lábios como estava fazendo agora, eu não iria reclamar, jamais.
Suspirando, mergulhei os dedos em seus cabelos, sentindo a macies das pontas. Quando nos afastamos ainda com os olhos fechados, sua mão acariciou meu rosto.
— Até mais tarde Penélope — E com um ultimo beijo em minha testa, ele saltou da janela para a grama lá em baixo. Fui até o batente da janela e assisti-o se afastar cada vez mais, sentindo como se um pedaço de tivesse indo embora. E para falar a verdade, talvez ele fosse mesmo um grande pedaço de mim.
— Então — Atrás de mim, Damien caiu deitado em minha cama e me olhou — Isso é definitivo?
Mordendo o lábio, caminhei até ele e sente-me na ponta da cama, olhando para minhas mãos enquanto pensava sobre suas palavras.
— Eu não sei se é definitivo — confessei meio indecisa — Mas... sei que eu faria qualquer coisa para que dure.
Damien assentiu e encarou o teto, mais precisamente o pôster que estava grudado lá, em seguida se voltou para mim e sorriu aquele sorriso que somente ele sabia dar, o sorriso que me deixava à vontade e totalmente em tranquila.
— Isso quer dizer que a marrenta esta mesmo apaixonada? — indagou com diversão. Eu sabia o que ele estava fazendo. Estava tentando melhorar aquele climão desconfortável, e eu com certeza fiquei grata por isso ao pegar o travesseiro e acertá-lo no rosto.
— Cala essa boca — resmunguei envergonhada.
Ele gargalhou.
— Olha só, ela está ficando vermelhinha — caçoou, e eu tive de atirar mais coisas nele para que não reparesse em como desconcertada eu estava.
— Damieeee. — gemi em frustração.
— Diga para mim caramelo. — Ele segurou meus pulsos — Como foi sua noite?
E ai a coisa que eu mais desejei, foi ter um buraco para me esconder para sempre. Meu rosto demonstrou isso, pois o surfista filho da mãe passou a rir mais alto, me deixando ainda mais constrangida.
— Eu vou socar sua fuça, Damien.
— Tente fazer isso depois de um banho, querida — Ele mexeu seu nariz de uma forma engraçada e se levantou — Esta precisando tirar esse cheiro horrível de bebida.
Minha boca caiu.
— Seu idiota! — Gritei tentando lhe acertar novamente com meu ultimo travesseiro, mas ele desviou, rindo ao ir até a porta.
— Também te amo, caramelo — berrou de volta e sumuiu.
Eu bufei insatisfeita.
Estava começando a perceber que ninguém iria esquecer o fato de que passassei à noite fora, e que passei ela com o Jimmy. O que me fazia lembrar que precisava passar no medico com urgência, ou Jimmy tornaria-se um louco por achar que eu poderia lhe dar um pirralho como filho.
Resmuguei uma lamuria de frustração.
— Minha vida é uma merda — E bota merda nisso.
~*~
Logo após Damien sair do meu quarto, tive de respirar várias vezes antes de realmente levantar e começar a me arrumar. Não estava muito ansiosa para encontrar Jared e muito menos Dana, mas em algum momento teria que acertar essas desavenças, portanto contei até dez e fui tomar meu banho, no qual demorei umas boas horas, pois o cheiro de vodica e gim não queria deixar meu cabelo. Depois de muito shampoo e condicionador, sai do chuveiro e me enfiei em uma roupa simples, opitando por uma calsa jeans e camiseta regata.
Ao chegar na lavanderia depositei minhas roupas na lavadeira, mas hesitei ao olhar para a jaqueta de Jimmy, que ainda não tinha coragem de devolver, porque ela era simplesmente maravilhosa para mim. Sorrindo de lado, coloquei junto das roupas e colquei para bater. Enquanto isso, dei uma rápida penteada em meu cabelo e calcei meus tênis. Pronta para descer e enfrentar a fera, parei na porta quando meu celular passou a tocar em cima da escrivaninha.
Eu não precisaria ver para saber quem era. Sabia que uma hora outra Amélia tentaria conversar, e com certeza iria fazer isso, mas não agora. Com um suspiro, recusei a ligação e enfiei o celular no bolso da calça, tentando não me sentir culpada por estar a ignorando.
Assim que cheguei à sala, estranhei por não encontrar Damien, por isso caminhei até a cozinha, onde acabei por encontrar Jared encostado na mesa franzindo a testa em sua caneca de café.
Cruzando os braços, me recostei contra o batente da porta, o observando. Ainda usava sua roupa de dormir larga. Sempre gostava de vê-lo com ela, o deixava mais relaxado e bonito, mas agora ele parecia tudo, menos relaxado em sua calça branca de ioga e sua blusa sem mangas, azul.
— Devo encarar que essa expressão e por causa do café que está amargo?
Jared olhou para cima e me encarou.
Seu olhar era tão triste que me senti estremecer no mesmo lugar.
— Vai falar alguma coisa ou apenas me ignorar? — indaguei inquieta.
Ele fez careta e balançou a cabeça. Virou e caminhou para pia, onde deixou seu copo e se apiou, os olhos fixos na janela logo a cima. Fiquei onde estava esperando que começasse a gritar comigo sobre responsabilidades, união e promessas, mas ele não fez isso, o que me fez descobrir que preferia ouvi-lo a ter seu silencio sombrio.
— Jad, faça alguma coisa! — Implorei, indo para mais próximo dele — Grite comigo, xingue, mas não me deixe nessa situação. Não finja que não existo.
Lentamente, ele se virou novamente e cruzou os braços, assim como eu estava há cinco minutos antes.
— Eu devo gritar Harlow? — indagou para minha surpresa — Devo xigar quando você Já sabe o que penso?
— Apenas diga o quer que eu faça para me perdoar — falei tentando fazê-lo entender — Eu não fiz nada para prejudicá-lo, eu só estava me divertindo.
— Custava muito ter avisado? — Jared parecia nervoso agora — Sabe o que passmos aqui? Sabe o que Dana passou quando não voltou para casa à noite? — Sua voz ameaçou a aumentar — Estava a ponto de chamar a policia quando Jackson me informou que Jimmy também estava desaparecido desde a noite retrasda. Eu tive que aguentar aquela mulher na minha casa, me insiultando! O que diabos tinha na cabeça Harlow?!
— Eu tinha paz! — gritei de volta, o calando na hora — Eu tinha a merda de uma paz sem igual antes de chegar aqui. Na verdade eu estava mais do que bem Jared. Desculpe se eu queria ter um tempo desse problema que você chama de família, desculpe ter feito Dana se preocupar, sinto muito que não suporte nossa, ou devo dizer, minha tia? Eu não fiz de proposito, tudo que eu queria era resolver minha vida quando nenhum de vocês parece facilitá-la.
— E tentou isso ficando fora a noite toda com Jaime? — Ele perguntou incrédulo, e isso assionou meu botão de alarme.
— Sim, Jared. Foi com ele, porque Jimmy foi o único que quis me mostrar como esquecer esse ninho de aranha. Ele que me levou para me divertir, e é ele que me compreende quando digo que preciso de um tempo. E com certeza é ele que me seguira onde que eu for não se importando com quem é minha família ou onde eu moro.
— Mas acontece que essa sua noite de diversão acabou por criar essa confusão gigantesca entre Dana e Amélia — Apontou com rancor — Me diga o que devo fazer sobre isso agora?
— Eu não sei! — exclamei exaltada — São vocês que estão brigando como se estivessem em uma guerra, quando tudo que quero é uma tregua. Portanto eu não tenho nada a haver com isso, porra!
— Abaixe esse tom mocinha. — Ordenou ele, mas não podia me conter agora.
— Não Jared, eu não sou uma criança! Meu tom vai continuar o mesmo até que você, Dana, e qualquer imbecil agindo com burrice, entenda o que quero mostrar nessa merda de família — E sofregando, sai da cozinha pisando duro até a saída. Ele não me chamou sequer uma vez, não fiquei surpresa apesar disso.
Sair de casa foi uma boa coisa, pude respirar o ar puro do dia e tentei me consetrar na minha respiração quando essa desandou um pouco. Isso me alertou de que estava sem minha bombinha de asma, pois havia esquecido no loft de Jimmy dentro da bolsa do violino. Praguejando, sentei na escada da varanda, obrigando a mim mesma a pensar em outra coisa que não fosse na forma como Jared me olhou quando gritei. Aquela situação estava desandando novamente e dessa vez, eu não fazia ideia de como concertar.
— Parece que a conversa não foi muito boa — Levantei a cabeça.
Damien sorriu de lado e se sentou comigo, os cabelo sendo soprados pelo vento quando me voltei para as mãos.
— Acho que já esperava por isso — confessei — Jad é impulsivo... Ele age com o coração, não com a cabeça. Não posso dizer que sou diferente.
O silencio caiu sobre nós enquanto olhávamos a rua movimentada.
— Como está Dana? — perguntei então.
— Magoada — respondeu somente. Mordi o lábio inferior.
— Acha que ela me odeia? — quis saber. Damien cerrou os olhos para mim.
— Não. Ela só está confusa, agiatada e muito sentimental — Ele piscou um tanto pensativo — O problema de Dana é a insegurança.
Franzi o cenho — Insegurança?
Ele assintiu.
— Sim. Ela provavelmente tem medo que você vá embora por ela não ter sido, uma mulher boa o suficiente para fazê-la sentir-se amada. — Ele comprimiu os lábios — Ela acha que falhou com você, apenas não admite.
— É isso que ela não entende — disse com frustração — Dana não é minha mãe, portanto não é sua obrigação passar-se por uma... Ela não tem que ser uma, porque tudo que quero é minha irmã — Abaixei os olhos — Só minha irmã.
— Então talvez devesse mostrar isso a ela — sugeriu, e eu suspirei.
— Eu tento... Não sabe como Damie.
Sua mão tomou a minha e o olhei, sendo pega por seu carinho constante.
— Tente com mais força então — falou — Sei que pode fazer isso.
— Não tenha tanta certeza — resmunguei, ele riu e beijou minha mão.
— Eu tenho. — garantiu — Acredite.
Sorrindo, deitei contra seu ombro e aproveitei a quietudo bem-vinda entre nós, mas ela não durou muito, como sempre. Meu celular voltou a tocar, e mais uma vez, o nome de Amélia estava ali. Ignorei novamente, não querendo discutir com ela também, não teria forças.
— Esta a evitando. — deduziu Damie.
Balancei a cabeça.
— Apenas preciso de um tempo... Só isso.
— Todos precisam — disse sorrindo — Mas poucos conseguem, caramelo. — Não havia palavras mais verdadeiras. E claro que pude ter a confirmação disso dois minutinhos depois que Damien falou.
Um carro que conhecia muito bem parou em frente à calsada e me fez levantar, os olhos estreitados com expectativa quando as portas abriam-se e exatamente quem eu pensava que sairiam, deu as caras. Tio Julian desceu primeiro para abrir a porta para Ellie, que usava um sobretudo preto por cima de um vestido azul.
Como sempre, assim que vi os pais de Lizze, eu pude ter um pouco de ideia de onde a beleza da patricinha vinha. Ellie era a que possuía os cabelos loiros cheios de ondas, tão lindos quanto os da filha e a mesma pele pálida, Eloise era a copia perfeita da mãe, mas, no entanto, ela não possuía uma única coisa dela... Os olhos castanhos, pois esses eram azul água como os do pai, Julian.
Tio Julian era um homem aristrocata, do tipo totalmente elegante e certinho, nada para ele podia sair errado, o que dava uma pista de onde Eloise havia puxado a sua personalidade unicamente exótica. Tinha uma cabeça com fios escuros quase completamente raspados e olhos azuis. Quando esse olhava em sua direção com disgosto, você poderia saber no mesmo instante, pois suas íris pareciam jogar fogo para fora como se quisesse queimá-lo, portanto não era bom mexer com a mente inteligente dele. Fora o fato que ele quase sempre era perfecsonista como a filha, o homem era maravilhoso. Amigo, um bom pai, e educado, não poderia ver um homem com uma personalidade melhor que Julian Phoenix. Porém naquele instante eu podia ver de longe como seu rosto estava preocupado ao abrir a porta traseira do carro para a próxima pessoa sair.
E então lá estavam eles. Jonah pulou para fora, mas não estava com sua atenção à frente, e sim em quem circulava seu braço. Eloise, a tão bonita Lizze, parecia completamente irreconhecível com sua cabeça baixa, os cabelos presos por um lastico atrás da cabeça, e os olhos vermelho e com manchas ao redor. Ela não usava os tão adorados saltos ou um vestido na moda, pelo contrio. Usava calsa moletom, um agsalho que eu bem reconhecia sendo como de Jonah, e tênis nos pés. Eu senti meu coração apertar para sua forma acuada, tudo nela gritava insegurança e medo.
E Jonah. Pobre Jonah. Ele a olhava com preocupação e confusão, e sabia que aquele olhar era de quem não entendia o porquê da mudança de sua namorada ou porque ela estava tão mal. Mas o aperto que ele tinha a sua volta dizia que não a deixaria sozinha nem sequer um instante.
Com a pele arrepiada, o coração doendo, eu corri até eles, os olhos em Lizze assim que essa notou que alguém se aproximava. Como esperava, lágrimas logo apareceram, mas notei como ela as deteve, o que me fez sentir ainda mais por ela.
— Lizze — Me aproximei, sabendo que logo atrás, Damien permanecia observando.
Os pais de Lizze viraram e sorriram simpáticos, junto a Jonah, que mesmo cansado, acenou.
— Hey garota. Aposto que sentiu nossa falta — brincou, e só o fato dele tentar fazê-lo me fez sorrir com orgulho, e logo em seguida estava os abraçando.
Não passou despercebido por mim e muito menos para Jonah, como Eloise se agarrou a mim, como se o abraço de alguém que conhecesse há muito tempo fosse o que precisava para se ancorar. Eu entendia seu desejo, tanto que retribuiu, mesmo sendo muito baixa para aquela posição, acariciei seu cabelo, sentindo suas lágrimas caírem em meu ombro lentamente.
— Você parece muito acabada, patricinha — sussurrei tentando fazê-la sorrir. Funcionou, pois ela riu suavemente em meu ombro.
Vi Jonah sorrir com satisfação para mim.
— Como está? — perguntei, me afastando para olhar em seu rosto. Ela piscou, mordendo o lábio com nervosismo. — Lizze?
— Ela tem uma consulta marcada para amanhã — respondeu Jonah, alisando o ombro da namorada, essa olhou para os pés — Mas tenho certeza que não será nada de mais — falou, e eu não consegui tirar os olhos de Lizze, que pareceu levar um soco no estômago quando me encarou.
— Ele está certo — Ellie se aproximou e tocou o rosto da filha — Pode ser uma virose, nada mais.
— Querida, porque não vai à casa de Harlow?— Julian sorriu para Eloise e alisou seu rosto molhado — Jonah ira me ajudar com a bagagem, assim podem matar a saudade.
Percebi como o genro não gostou nada da ideia. Ele olhou para Julian e então Lizze, que suspirou e tomou sua mão.
— Eu não vou sumir. Ajude meu pai, Harlow está comigo. Não é como se não fosse ir atrás de nós — falou suavemente. Jonah alisou o cabelo azul para trás como se essa ideia fosse terrível para ambos, quando minha casa era aqui do lado, mas logo ele assentiu e a beijou na testa.
— Eu termino isso rápido.
Lizze sorriu — Não tenha pressa. Vamos chamar os outros também, certo Harlow? — Me olhou esperançosa.
Eu sorri.
— Claro. Queremos detalhes dos dois de como é ser um nerd de Havard — falei. Jonah riu.
— Ok. Vou daqui a pouco então — disse, e olhou por cima do meu ombro — Legal te ver Damien.
Me virei e vi que Damien estava ali ainda obsevando. Ele deu uma asceno com a cabeça e sorriu em resposta, e logo Jonah estava ajudando os pais de Lizze a descarregar o carro.
— Vem. Vamos entrar — disse, e abracei-a, levando em direção a minha casa.
Damien veio conosco e abriu a porta, mas assim que entramos, eu me arrependi totalmente, pois ao colocar o pé na sala, dei de cara com Dana e Jared, que pareciam envolvidos em uma conversa séria, o que queria dizer que falavam sobre mim. Dana me encarou com seu rosto doente, parecia quase tão frágil quanto Lizze, mas eu sabia que essa sabia brigar mesmo naquele estado. O que aconteceu ontem a entregava.
— Oi gente — Lizze olhou com a sobrancelha erguida entre nós, e sabia que já havia notado o clima ruim.
Jared, que estava sendo em sua poltrona, suspirou e sorriu, tentando não parecer mal educado.
— Eloise, como vai?
— Bem... na medida do possível — Ela respondeu. O silêncio voltou.
Eu virei os olhos.
— Bem eu vou... subir — Dana se levantou sem me olhar — Bem vinda de volta Lizze.
— Obrigada Dana. — Ela assentiu, e sem mais, virou e desapareceu na escada. Suspirei.
— Eu vou deixá-las à vontade. — Jared disse, e como a irmã, saiu sem mais, enquanto eu ficava descidindo se gritava minha fúria ou se simplesmente os ignorava.
— Certo. Isso foi totalmente estranho — Lizze comentou quando a fiz sentar no sofá ao meu lado. — O que aconteceu entre vocês?
— Nada de muito novo — resmunguei, e vi como Damien me olhou de canto — Mas acho que podemos deixar minha vida para mais tarde, e conversar sobre o que realmente importa. — Sem me conter, meus olhos caíram para seu estômago nada visível pela nblusa de Jonah. Como se advinhasse meus pensamentos, as mãos dela foram a sua barriga e os olhos voltaram a embaçar quando suspirou.
— Exite tanto a dizer — sussurrou desanimada.
Eu tomei sua mão e sorri.
— Vamos trabalhar em concertar isso, no entanto... — Virei para Damie — Pode nos dar um minuto? — Lizze deixou o ar sair como se tivesse ficado aliviada por meu pedido. — Aproveite e ligue para o pessoal por mim.
— Agora mesmo, caramelo. — Sorriu de lado e acenou um adeus a Lizze, que sorriu e fez um gesto hesitante com a mão. Só aquela ação foi mais uma prova de que Eloise não era a mesma depois que começou a suspeitar da suposta — E quase confirmada — gravidez.
— Por que não vamos preparar aquele brigadeiro que você adora primeiro? — sugeri tentando amenizar aquele clima triste — Eu nunca consigo deixar o meu como o seu — Eloise pareceu grata pela mudança de assunto que eu havia aberto.
— Seria ótimo — falou mais animada.
Nós seguimos juntas até a cozinha onde comecei a caçar por uma panela na qual poderíamos colocar o chocolate, Lizze não se manteve parada ao ir para o armário e pegar o que precisava, o que só me fez sorrir ao ver que ela ainda conseguia se manter confortável dentro da minha casa. E isso era bom, porque naquele instante estava topando qualquer coisa para fazê-la sorrir como antes.
Com esse intuito a ajudei a misturar o leite condensado no fogo enquanto ela mexia em minha geladeira atrás da manteiga, porém quando essa se voltou para mim com olhos arregalados, congelei no lugar.
— O que foi?
— Aqui tem batada? — perguntou piscando muito. Eu ergui uma sobrancelha.
— Hum, acho que sim. Veja no... — Ela mal me deixou terminar e já abria o congelador e sorria largo ao tirar a caixinha com as batatas congeladas. Eu apenas observava.
— O que vai fazer?
— Fritá-las ora — falou, e rapidamente fez isso enquanto também verificava o chocolate. Eu ri quando seu rosto começou a ficar meio sonhador enquanto olhava as duas panelas ao fogo, e totalmente divertida, sentei-me em uma cadeira e observei enquanto ela levava o chocolate ao congelador e depois se ocupava com as batatas.
— Por favor, me diz que não vai misturar isso — falei bem humorada. Eloise mordeu o lábio, culpada.
— Estou realmente curiosa com como será o gosto disso — Confessou, e eu não pude ficar séria ao ver sua expressão faminta na panela.
Oh, essa gravidez ia ser muito divertida.
— Aposto que daqui a dois meses você vai querer provar o gosto de tijolo — provoquei, e recebi um pano no rosto.
Eu gargalhei o jogando de volta.
— Não brinque comigo — fez biquinho choroso.
— Não faça essa cara patricinha — ralhei. Ela mostrou a língua.
— Chata.
— Fresca.
— Fresca? Mas eu estou a ponto de quebrar minha dieta comento chocolate com batatas fristas e gordurosa! — Ela fez uma careta para o prato cheio que colocava na mesa. — Eu vou virar uma bola — resmungou e enfiu a batata na boca quando eu ri.
—Acho que isso você viraria mesmo se comecesse fritas — Apontei, e ela me fuzilou com os olhos me fazendo encolher — Errr. Pode virar uma bolinha estilosa, certo?
Eloise gemeu e deixou a cabeça cair contra a mesa ao sentar, eu suspirei, tocando no ombro quando latidos e ganidos vieram da sala e logo em seguida o som da campainha. Slash apareceu na porta bufando irritado e me olhando como se disse para me livrar de seja lá quem estivesse na porta, o que me fazia pensar em somente uma pessoa.
Sem me conter, um sorriso cortou meu rosto e me levantei. Lizze ergueu uma sobrancelha e olhou entre mim e a pulga que pulava aos nossos pés em revolta.
— Eu devo perguntar? — indagou, e eu só pude suspirar ao lembrar que Eloise ainda não estava a par dos acontecimentos com meus irmãos e principalmente com Jimmy.
— Você já vai entender. — falei, e me arrastei para fora da cozinha o mais rápido possível, com medo que Jared descesse para atender a porta. Slash veio ao meu enlaço e achei que estava indo para ter certeza que eu chutaria a bunda de Jimmy na direção contraria de nossa casa, mas eu estava para descepicioná-lo — Você precisa fazer amizade com ele, sabe — falei.
Slash espirrou em indgnição e eu abri a porta. Como eu pensava ele estava lá, e imediatamente sorriu para mim. Seu cabelo estava uma confusão molhada, e suas roupas eram diferentes das que usava ao ir embora. Um jeans escuro e camiseta dos The Beatles, a mão esquerda desaparecia dentro de um bolso na calsa e a direita segurava a minha bolsa de violino, que eu sem perceber, havia deixado em seu apartamento.
Não que eu sequer tivesse pensado nela depois das horas que tive dentro de seu cantinho secreto. Na verdade aquilo nem mesmo importava.
— Oi — suspirei.
Cacete! Eu suspirei porra! Eu estava me tornando uma molega apaixonada apenas por olhá-lo, e isso não podia acontecer em nenhum milhão de anos...
E todas minhas indignações caíram por terra quando ele deu passo à frente e segurou meu rosto, fazendo com que Slash começasse a latir alto, mas o loiro nem mesmo se importou, pois o maldito manipulador estava focando em mim, e tocando os lábios suavemente nos meus. E daquela fomar eu me derreti, e desejei que fosse cumprimentada por ele assim todos os dias, pois beijá-lo nunca seria cansativo, tocar seus cabelos ao ficar nas pontas dos pés não seria cansativo, ter ele me tocando assim, não seria jamais, e de forma alguma, cansativo.
— Desculpe se me atrasei — Ele falou quando me deixou sem folego, e eu só podia encara-lo — Tive de passar em meu apartamento para pegar algo, e vi que deixou isso lá — Ergueu a bolsa de violino.
— Eu poderia ter pegado depois — disse. Um sorriso malicioso curvou seus lábios.
— Mas então eu não teria chance de mostrar o que eu encontrei dentro da bolsa — falou, e meu coração errou uma batida quando tirou a mão do bolso e mostrou a correntia a qual eu tinha sido incapaz de jogar fora. Senti o rosto queimar quando o pigente rodou em seus dedos e as palavras brilharam para mim como no dia em que ele confessou que me queria.
MINHA GAROTA RUDE.
— Não pensei que havia guardado — murmurou parecendo surpreso. Eu pisquei.
— Eu tentei jogar fora — Admiti — Mas algo me impediu, então logo em sequida você fez aquela serenata idiota — Balancei a cabeça envergonhada quando ele riu. — Não consegui me desfazer de nada que fez para mim.
— Nem mesmo o pôster — Lembrou ele, e eu voltei a corar. Queria me enfiar em um buraco por parecer tão boba. Jimmy não parecia se importar com minha vergonha, pois puxou meu braço direito e com cuidado, encaixou a correntinha em meu pulso. Onde devia ter ficado desde o começo.
O olhei, corando horrores quando sorriu.
— Sabe o que quero fazer com você agora? — perguntou em um tom rouco.
Encarei ele e dessa vez, não me senti nada de envergonhada, pois estava ocupada demais lembrando de tudo que fizemos em seu loft, no pub, e no banheiro desse. Sem conter aquela pontada de satisfação e desejo, um sorriso que considerei depravado cortou meu rosto, e o dele no mesmo instantante se acendeu, mas antes que esse chegasse a me agarrar, como sabia que faria, uma risadinha veio detrás de mim.
— Isso é melhor que pornô barato — Eloise murmurou enquanto enfiava um punhado de batata com chocolate na boca, e tentava não engasgar ao rir.
Meu rosto virou uma mancha vermelha e Jimmy arregalou os olhos com surpresa, mas depois se deu conta de que era mesmo nossa amiga pirada se empanturrando de calorias.
— Eu sabia que um dia isso ia acontecer! — Ela falava sozinha totalmente concentrada no prato — Já estava na hora não acham? Eu estava cansada de ter que empurrar os dois para ficar juntos no mesmo lugar. Puff! Desnecesario quando o tesão era tão visível no rosto dos dois quando se olhavam.
Minha boca caiu
— Lizze! — Jimmy gargalhou em seu lugar e eu o acertei no estômago. — Eu não olhava assim para ele.
— Ahm sim, olhava!
— Quem olhava o quem em quem? — A voz de Jackson apareceu atrás de nós e eu estava começando a querer correr ao virar e ver que todos estavam parados a porta sorrindo para loira linguaruda.
— A forma como os dois se olhavam. — Apontou de mim para Jimmy — Tesão puro.
A explosão de risadas me fez querer virar as costas e acerta a cabeça na parede, mas como não podia, bufei e cruzei os braços quando Jimmy me olhou de forma maliciosa e cheia de diverção.
— Eu não sei se fico ofendida por não ter sido avisada disso ai, ou agradecida por finalmente terem se resolvido — falou Eloise.
— Não foi proposital — Jimmy pareceu culpado de repente ao ir até a loura e deixar o violino no canto. — Não faz muito tempo que nós...
— Se pegaram e sumiram das nossas vistas durante quase dois dias — Jodie interferiu passando por nós e indo até a Lizze, que riu quando a marrenta roubou uma batata, mas fez careta — Isso é chocolate?
— Quando chegou? — Stef apareceu, sua expressão cheia de preocupação pela prima. Eloise sorriu suavemente para ela.
— Agora pouco, Jonah está ajudando meus pais com as malas — respondeu, e como se o nome do namorado desencadeasse uma porção de pensamentos, Lizze parou de comer e nos olhou fixamente, passando de rosto em rosto até chegar ao da prima. Todo aquele humor que ela havia tido ao me ver com Jimmy, se discipou e seus olhos voltaram a ficar tristes e sem vida, e logo em seguida, as lagrimas tomaram conta e caíram pelo rosto da garota silenciosamente, fazendo todos ao redor se impetigarem para frente quando ela disse, com uma voz quase derrotada.
— Eu estou perdida Stef... Completamente perdida — E assim começou a chorar de verdade na nossa frente. Eu mesma senti meus olhos marejando quando Stef tirou o prato das mãos temulas de Lizze e a abraçou, Jodie, que estava ao lado, ariciou as costas dela e eu não perdi meu tempo ao me aproximar para leva-la sob nossos toques de conforto, para o sofá.
— Lizze, não fique assim — Jimmy se abaixou ao meu lado e tocou a mão de Lizze, que fungava sem parar. Jack e Liam se prostraram logo atrás do sofá com Jodie, tomando os ombros da amiga.
— Isso mesmo prima, nós vamos dar um jeito — Stef limpou o rosto dela — E outra, a gente não tem certeza, então pare de se desesperar.
— Ma-mas, eu sei... — Eloise disse entre soluços — Eu sinto. Eu... O que vou fazer pessoal? Eu não sei nada sobre isso, nunca me preocupei ou sequer pensei... Minha vida era a faculdade, meu futuro era a minha carreira e minha vida pessoal o Jonah. Nós não estamos prontos para isso.
— Primeiro a gente vai fazer um exame — falei agarrando sua mão — E depois podemos nos preocupar, por agora, vamos pensar em fazer você se acalmar. Olhe para você Lizze, está diferente e preocupando todos nós, principalmente o Jonah. — Olhei em seus olhos — Precisa contar para ele.
O medo dela afligiu cada um na sala.
— Ele não vai me perdoar — sussurrou em pânico — Vocês não o viram na faculdade. Todos os dias ele chegava em meu quarto e contava como a sua aula foi maravilhosa... — Lagrimas pingaram de seu queixo — Ele mostrava seus desenhos, os trabalhos que fazia com tanto orgulho, não se casava de falar no dia em que virasse um grande disigner de games profissional. — Um riso baixo, mas cheio de tristesa veio de sua garganta — Ele prometeu que iria criar um game usando meu rosto como inspiração, ele até mesmo me pediu para ir com ele em varias viagens, para que pudéssemos ambos conhecermos o mundo, assim tanto ele como eu poderíamos ser conhecidos. Eu cantando e ele distribuído seu conhecimento em games, ele praticamente tem sua vida planejada e eu... — Abaixou a cabeça e deu um suspiro — Eu achava que tinha também, mas agora com esse empecilho...
— Não diga isso — Jodie caiu ao lado de Stef no sofá com uma careta — Seu filho não pode ser chamado de empecilho, Eloise. Eu entendo que esteja assustada, mas colocar a culpa nele não é certo.
— Eu não estou pondo Jodie — Lizze parecia nervosa — Mas eu não quero isso para nossa vida. Sei que é minha culpa e eu não vou abandona-lo se for verdade, mas eu não posso abaixar a cabeça para o fato de que tudo o que planejei vai por água a baixo, e juro, eu acho que não me importo de estagar a minha vida, mas eu só não queria ter que fazer o mesmo com a dele. Tudo que importa, é ele entende?
Eu vi que Jodie entendia, e como entendia.
— Ter uma criança pode mudar as coisas — Jack acariciou sua cabeça — Mas isso não quer dizer que precisam desistir de tudo. Podem fazer a faculdade durante a gestação, e quando chegar o ponto que não podera mais ficar, termini-a oline. Jonah não iria se opor a isso, Lizze.
— Jack estar certo — Liam agora tentava sorrir confortante para a amiga, sua cicatriza se tornou mais percepitivel quando alisou seu rosto — Não é o fim do mundo garota, na verdade é apenas o começo para vocês. E sabe por que? — Lizze negou — Todos os dias depois que me levanto, minha mãe vem até mim e beija meu rosto, ela sorri e me deseja um bom dia, logo em seguida procura por Mitchie e faz a mesma coisa, sempre. E esse gesto tão pequeno mostra o quanto ela ama os filhos que tem mesmo que tenha sido difícil nos criar. Ela ficou gravida de Michael aos de dezessete anos, e sofreu um grande preconceito ao contar para sua família, o que resultou na espulção dela de casa, mas ela continuou a gravidez e foi bem recebida pela família de meu pai. Logo depois eu nasci, mas em um momento delicado para família por meu avô ter falecido, o que surgiu problemas, mas ela não desistiu e novamente cuidou de mim com todo o amor. E então ela voltou a engravidar, e estava tudo maravilhoso, ela estava feliz, mas então surgiu um acidente que levou essa cemente que ela tanto amava... E isso a deslaceirou. Mas ainda sim, ela percistiu, e mesmo que não pudesse mais gerar filhos, ela foi atrás de um, e então veio nossa Michelle — Ele sorriu com lágrimas nos olhos — Eu quero que você entenda, que ter um filho não é fácil, eu sei com base ao que ela passou, com a forma como Jodie, e como Harlow e sua família acabou de frente para tribunal. Filho é responsabilidade, mas também é amor. É saber como viver sem ficar triste, e seguir em frente... Eu não sei como é a experiencia, mas desejo um dia conhecer...
— Nos seus sonhos — Jodie resmungou ao lado, fazendo com que um pouco do gelo quebrassse, e todos risse.
Liam beijou a namorada no rosto e a mesma não conseguiu ficar séria por muito tempo.
— Eu desejo uma menina com o rosto dessa moleca rabugenta — Apertou as bochechas de Jodie, que parecia uma pouco horrorizada com a ideia — Ou um moleque com seus cabelos...
— Eu não vou ter um filho— Se recusou Jodie, e Eloise gargalhou.
— Quero uma família — Liam continuou ignorando completamente Jodie — E sei que em algum momento, você já desejou isso, então pense que apenas irá realizar esse desejo um pouquinho mais rápido que eu. — Um sorriso malicioso então se formou quando ele se aproximou e sussurrou — E por isso, quero ser o padrinho.
E só foi mencionar isso, que a algazarra realmente se fez presente e todos estavam gritando em idignação enquanto Eloise, que antes chorava até as estribeiras, agora encontravá-se sem fôlego de tanto rir. Feliz demais por ver seu sorriso novamente, me atirei nela a abraçando forte, dando a deixa para que todos fizessem o mesmo pulando um em cima do outro enquanto Jodie xingava Deus e o mundo por ser esmagada. Slash latia ao fundo querendo participar da loucura, e Lizze não parecia em nada a como antes. Agora tinha as bochechas coradas e os olhos brilhando com alegria, alegria que nós havíamos colocado ali.
E enquanto estava naquele meio, me senti tranquila. Me senti como se finalmente tivesse encontrado minha verdadeira casa, e tal essa não era a de Amélia ou a de Jared e Dana. Minha casa, meu lugar... Era ali, nos braços de todos os meus amigos. E o desejo de ter Jonah para completar a corrente de energia foi tão forte, que cinco minutos depois de pensar isso, a porta da casa foi aberta e Jonah apareceu ali, congelando completamente ao ver sua namorada enterrada pelos corpos dos amigos.
Seu o rosto cansado se transformou naquele de antes, e como queria, ele riu e abriu os braços e gritou com animação típica de Jonah.
— ABRAÇO COLETIVOOO!!! — E se atirou em cima de todos, fazendo uns urrarem e outros rirem escandalosamente enquanto aqueles risos e toques, faziam meu coração bater mais rápido e mais forte.
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