Rude Girl
31 Capítulo 31 — Suspeitas
Notas iniciais
(Pov’s Jimmy)
A tarde passou mais depressa que o esperado, mas não podia dizer que estava prestando muito atenção no sol que se esvaia do lado de fora da janela. Tudo que meus olhos queriam e desejam ver, estava naquela cama ressonando tranquilamente. Harlow havia apagado completamente no colo de Jared depois de tomar seus medicamentos, e como Jared não podia deixar seu turno, ele colocou-a em um quarto no segundo andar para que pudesse ligar para Dana, alegando que precisava ir para casa. Depois de alertar a irmã, Jared retornou ao quarto com aquela expressão triste e preocupada, mas também podia ver irritação e desgosto enquanto alisava a testa de Harlow.
— Dana não vai poder sair agora então... — Ele comprimiu os lábios com amargura — Amélia chegará a nossa casa em algumas horas, pode levar ela para lá, por favor? — Eu nem sequer pensei em recusar, como também não pensava em sair da casa de Harlow enquanto essa não acordasse.
Jared demorou mais algumas horas com ela antes de enfim, me liberar para levá-la. Ele parecia de alguma forma perdido quando olhava para ela, e eu não era burro para não adivinhar que eles andaram brigando, o que me fazer perceber que talvez fosse esse o motivo de Harlow ter estado tão mal no sábado de manhã. Além do fato que Jared deve estar fervendo por Amélia ter que ir para sua casa cuidar de Harlow, eu podia ver o ciúme brilhando em seus olhos, na verdade ele queimava tanto quando o fogo em uma lareira.
O motorista do diretor ainda estava lá quando saíram e não se importou de levá-los para casa de Harlow. Eu fiquei apreensivo, esperando que Damien estivesse lá, mas graças a Deus a casa estava vazia, portanto apenas a abri com a chave que Jared havia me dado e carreguei a pequena adormecida até seu quarto. Não posso negar que o sorriso se espalhou em meu rosto quando percebi que ela não havia retirado o pôster do teto e nem arrancado às luzes da parede. Meu coração quase viu aquilo como um sinal de que aos poucos, eu estava conseguindo amolece-la.
Com esse pensamento, à ajeitei na cama e tirei seus tênis, em seguida puxei um cobertor por cima dela, olhando em seu rosto com carinho e retirando mexas de seu cabelo claro do rosto. Eu não sei quantas horas permaneci sentado ali, olhando seu rosto, mas queria poder fazer sempre isso.
Ela parecia tão diferente. Sua face mais magra e a pele mais corada... Estava maravilhosa, no entanto, ali, dormindo agarrada aos cobertores, ela parecia à mesma Harlow de sempre. Aquela com o rosto meigo e sorriso suave, aquela que fazia bico birrento para mim e franzia a testa em desgosto ao me ver, aquela que fazia meu mundo rodar por causa de um simples olhar. Parei para pensar em sua reação por causa serenata; Foi surpreendente que ela não tivesse me jogado um balde de água na cabeça, foi surpreende que ela não tivesse me chutado a bunda para fora de seu gramado, e foi surpreendentemente bom que ela tivesse me sorrido daquela forma doce e verdadeira.
Não tinha à visto sorrir assim para mim desde sua viagem para Califórnia, e ver naquele instante me fez querer beijá-la até que não existisse aquela distancia entre nós. Eu quis e ainda quero ela para mim.
As horas ali foram passando e eu não me importei, apenas fiquei segurando sua mão em meio ao silencio e escuridão do quarto, e continuaria assim se Amélia não tivesse entrado no quarto mais quieta que um rato.
Levantei-me e a olhei, ainda pasmo por ela parecer tão jovem e bonita. Existia algo em Amélia que fazia-me confuso. Não sabia se era o jeito culto, ou a dureza em seu olhar, mas com certeza tinha algo.
Ela vestia jeans e um sobretudo preto, seu cabelos escuros estavam presos e os olhos azuis pousados em mim antes de virarem para Harlow.
— Você deve ser Jaime? — indagou contida. Eu assenti — Como ela está? — perguntou, e caminhou até o outro lado da cama, seus saltos fazendo sons contra o piso.
— Está dormindo há um tempo — Respondi, e cerrei os lábios quando ela tocou a testa de Harlow e alisou sua bochecha — É normal... É por causa do medicamento.
— Sim. Sei disso — Seus olhos nunca deixavam o rosto da sobrinha — Ela ficou bem cansada quando eu levei para tomar. — Lentamente, ela se afastou e então olhou em volta, piscando para as prateleiras nas paredes e para o guarda-roupa. Em seguida me olhou — Você pode ir agora, agradeço que tenha cuidado da minha sobrinha enquanto não chegava.
Eu hesitei no lugar a olhando, depois virei-me para Harlow e engoli em seco. Não queria deixa-la, não agora.
— Não eu... vou ficar aqui — Não precisava olhá-la para saber que estava me observando — Quero ficar mais com ela.
Quando ela não fez ruído nenhum, ergui a cabeça; Ela me encarava com olhos inteligentes e gélidos, tão gélidos que senti o meu corpo arrepiar.
— Ela dormirá a noite inteira. — falou calmamente — Jared ficará de plantão, mas Dana em breve estará em casa. Portanto, acho que pode permanecer uns minutos a mais. — Espiou a sobrinha rapidamente — Ficarei na sala. Qualquer problema basta me chamar.
E sem mais palavras ela saiu do quarto e sumiu nas escadas. Esperei até certeza que estávamos sozinhos antes de andar até a cama de Harlow, onde voltei a me sentar e depois deitar ao seu lado. Sorri, alisando o dedo indicador por sua bochecha enquanto ela ressonava. A cada minuto que se passava era um movimento preguiçoso dela, e a cada um deles eu me encontrava sorrindo como um grande bocó.
Respirando fundo, virei-me o suficiente para estar bem perto dela. Harlow se espreguiçou e jogou uma de suas pernas por cima das minhas, seus braços serpenteando por meu quadril até que ela estava com a cabeça descansada em meu peito. Sua boca estava aberta, ela roncava levemente e uma linha fina de baba traçando o seu rosto. Meu coração inchou no peito. Eu nunca tinha visto nada mais adorável em minha vida.
Sorrindo de orelha a orelha, circulei os braços em volta dela, aproveitando o contato quente de seu corpo e a macies de sua pele. Era como estar em um sonho e não queria ter que acordar nunca mais. Nunca.
Um misto de prazer e deslumbramento levou meus dedos ao contorno de seus lábios. Eram tão absolutamente perfeitos.
Coração pulsando acelerado. Pele em chamas. Mãos suando. A urgência de trazê-la para ainda mais perto. Tocá-la em tantos lugares quantos pudesse alcançar. A necessidade de querer continuar... Prendendo a respiração, levantei a mão para pousar em cima daquele cabelo claro que tanto me chamava. Queria saber se ele era macio como me lembrava, queria saber se Harlow continuava a se arrepiar quando o alisava de cima para baixo até chegar à nuca, onde ficaria brincando com seus fios menores. Deus, era demais, e eu absolutamente não aguentava a pressão de tê-la tão perto sem me aproveitar um pouquinho, portanto toquei-a com cuidado para não acordá-la, mas antes de eu sequer aproveitar a macieis dos fios, algo puxou a barra da minha calça e depois começou a roer meu pé como um maldito rato.
Olhei para baixo na cama quando o rosnado tomou o quarto, e com uma careta olhei para o pequeno demônio em forma animal.
— Sai daqui! Shô! — Balancei o pé, mas ele apenas rosnou para mim e tentou pegar meu tênis. Praguejei um xingamento e tentei ignorá-lo, voltei-me para Harlow e sorri na intenção de tocá-la novamente no rosto, mas eu não havia chegado perto e o cachorro mordeu minha canela. — Mas que porra... — Ele latiu. Eu o fuzilei com olhos assassinos. Eu estava indo fazer um pão com um cachorro quente se essa pulga acordasse a Harlow.
Levantei-me da cama lentamente e me coloquei de pé, querendo trancar o animal do lado de fora do quarto, mas quando me voltei para ele, encontrei-o se aconchegando a onde eu estava antes, bem perto de Harlow e com seus olhos pretos e brilhantes presos em mim. Ele parecia estar me desafiando a tirá-lo dali.
— Bola te pelo irritante — resmunguei. Fiz menção de pegá-lo, mas a peste grunhiu e depois tentou me morder — Filho da... Você não pode ficar ir — sussurrei irritado. Como se para provar que podia, ele esfregou-se contra o colchão e lambeu o nariz de Harlow, essa mesma se remexeu e então sorriu, erguendo os braços para abraçar o cachorro exibido.
Agindo como uma criança birrenta que discutia com um cachorro, caminhei para o outro lado da cama e sorri maliciosamente para o animal, levando a mão ao rosto de Harlow e depois a beijando suavemente na bochecha. Slash rosnou, tentando pegar meu rosto com aquelas patinhas terríveis, mas eu me afastei antes, piscando para o animal que Damien tinha colocado em meu pé. Todos os me amavam, principalmente os animais, mas aquele em particular parecia querer me ver mortinho da silva só por tocar em sua dona.
— Terá que se acostumar companheiro. — murmurei — Ela não é só sua — Slash rosnou mais uma vez, não gostando da ideia, e em seguida se encolheu nos braços de Harlow, descansando a cabeça nas patas sem nunca deixar de me vigiar. Percebi que tinha ganhado mais um inimigo. Porra, Damien.
Eu estava tentando pensar em como me livrar dele quando ouvi um ruído alto vindo do quarto ao lado. Franzindo a testa, olhei mais uma vez para Harlow e o cachorro. Percebendo que o pestinha não ia sair de lá, dei meia volta e sai do quarto, olhando pelo corredor atentamente. O som vinha do quarto de Jared, o que me fez perceber que talvez ele tenha conseguido sair mais cedo afinal de contas.
Minha conclusão foi por água a baixo quando me aproximei da porta e encontrei Amélia inclinada sobre a penteadeira velha de Jared, suas mãos corriam por dentro da gaveta rapidamente e seus olhos eram atentos. Ela com certeza procuravam por alguma coisa, portanto fiquei onde estava, querendo muito descobrir que merda a mulher estava fazendo.
Ela fechou a gaveta e olhou em volta do quarto, à expressão vazia quando os olhos caíram no closet de Jared. Ela seguiu para ele, seus saltos de repente estando muito suaves para fazer ruídos. Intrigado, me aproximei mais quando ela sumiu dentro do closet e começou a mover os cabides para os lados, suas mãos sempre apalpando o fundo dele como se procurasse uma parte oca na parede. Chocado, entendi que era isso mesmo. Mas por que ela se importaria se Jared tem um fundo falso no guarda-roupa?
Talvez o que tenha dentro que interesse a ela. Essas palavras foram como uma luz em minha cabeça no mesmo instante em que Amélia saiu do closet segurando uma caixa preta. Ela tinha uma pequena fechadura e se não tivesse louco, havia gravada as iniciais H e S. Eu era inteligente o bastante para saber que elas eram as iniciais do nome da mãe de Harlow antes de se casar e ganhar o nome de casada: Cooper.
H e S.
Hope Lopez Santino.
Amélia ficou olhando para caixa de veludo por minutos, mas depois quando finalmente foi tentar abrir, a voz de Dana veio do andar de baixo.
— Oi? Alguém em casa? — Amélia ergueu a cabeça e eu me escondi onde estava. Respirei fundo antes de voltar a olhar. Ela tinha levado a caixa de volta ao closet e o fechado.
Rapidamente me levantei e fui para a porta do quarto de Harlow para que ela achasse que eu estava apenas saindo. Ouvi Dana subir as escadas bem no momento em que Amélia fechava o quarto de Jared e eu “Saia” do de Harlow.
Nós nos olhamos, Amélia com seus olhos azuis gelo e eu com meus castanhos escuros, que com certeza brilhavam com suspeita para ela.
— Onde você estava? — indaguei como não quer nada.
Ela piscou, sem demonstrar nada.
— Apenas conhecendo a casa. — explicou, e passou por mim para ir até Dana, mas essa já tinha chegado ao fim das escadas e tinha uma careta para Amélia.
— Por que não responderam? — questionou. Eu permaneci quieto querendo saber o que a tia responderia. Ela nem sequer hesitou.
— Estava indo ao seu encontro, apenas não queria acordar Harlow — falou tranquila. Dana franziu a testa para ela e então me olhou, ergueu uma sobrancelha como se notasse que eu tinha mais alguma coisa na cabeça.
— Tudo bem Jimmy? — perguntou. Eu hesitei. Amélia se virou.
O olhar que ela me deu foi a certeza de que ela suspeitava que eu tinha visto algo. Eu a encarei de volta, debatendo se devia ou não contar o que ela realmente estava fazendo, porém percebi que não tinha provas. O que me deixaria como um idiota e também faria Harlow me odiar por acusar injustamente a sua tia. Não correria esse risco.
— Tudo — respondi. Deixei o olhar de Amélia e sorri para Dana — Como foi o trabalho? Você parece horrível — falei querendo descontrair.
Dana nos olhou ainda curiosa, mas depois respirou fundo e alisou o rosto cansado. Em seguida puxou os grampos que prendiam seus cabelos e os deixou livres acima dos ombros.
— John foi terrível hoje, e eu estava tão preocupada com Harlow que quase não pude trabalhar direito — Seu olhar aflito segurou-se na porta atrás de mim — Como ela está? Não aconteceu nada grave enquanto estava fora, certo?
— Ela está bem. Dormindo como uma pedra — garanti. Ela suspirou aliviada, mas depois voltou-se para a tia.
— Obrigada por ter vindo quando Jad ligou... Foi gentil. — Ela não parecia feliz em dizer isso.
Amélia por outro lado não se importou, apenas assentiu e disse:
— Harlow também é minha família. Não a deixaria no momento que mais precisa da minha ajuda — Ela deu um passo à frente — O mesmo garanto a você e seu irmão Dana. Saiba que ficaria muito feliz em ajuda-los se precisarem. Afinal eu sou a sua tia e vocês meus sobrinhos. Eu os amo.
Dana torceu os lábios e engoliu em seco, suas mãos caíram ao lado do corpo e ela virou o rosto.
— Obrigada por vir Amélia. — disse friamente.
Pela primeira vez desde que Amélia chegou, uma emoção intensa cruzou seu rosto e demonstrou aflição, seus olhos ficaram tristes e magoados, e por um momento achei que ela fosse falar alguma coisa, mas tão rápido quanto a emoção apareceu, mais rápido ela sumiu. Foi como um flash quase não visível.
— Certo — falou. — Diga a Harlow para ir até mim amanhã. Estarei esperando.
E com um aceno ela se foi sem sequer olhar para trás. Dana estremeceu quando a tia passou por ela, suas mãos apertaram e os olhos foram focados no chão com um grande empenho. Percebendo que ela tentava não chorar, caminhei e a acolhi nos braços, esfregando seu ombro tentando lhe dar conforto.
— Vamos bonita. Não quer ver sua irmã? — perguntei querendo sua distração. Ela fungou e sorriu, deixando-me leva-la até o quarto de Harlow.
Lá dentro ela não precisou ser guiada, pois assim que viu a irmã encolhida na cama, ela sorriu e se arrastou para perto, ficando atrás das costas da garota adormecida. Notei com um pouco de irritação que o cachorro nem sequer latiu para Dana, na verdade ele continuava me olhando como se dissesse que aquele território já era dele.
Bola de pelo infeliz.
Sentei-me no puf preto que tinha ali e observei as duas, sorrindo quando Dana beijou a testa da irmã com tanto carinho. Harlow se remexeu, resmungando e franzindo a testa.
— Dan? — Ela ainda dormia, mas parecia conhecer o abraço da irmã, e isso fez com que Dana sorrisse e chegasse mais perto.
— Tudo bem, querida. Durma mais um pouco — Alisou o cabelo dela suavemente. — Que tal ouvir aquela história, hum? Estava com tantas saudades de poder fazer isso. — Eu não fazia ideia do que ela falava, mas Harlow pareceu entender, pois com os olhos fechados ela sorriu e acenou, voltando a relaxar no enlaço de Dana.
— Bem, bem... Ai vai. — Dana sorriu e não tirou os olhos dela — Era uma vez um bebê Estrela que morava perto do sol — Sorri, observando enquanto Dana acariciava minha Harlow — E todas as noites, antes de dormir, o bebê Estrela queria brincar um pouco. Ele brilhava e brilhava, caia e disparava, e seu brilho era tão forte, que ele disse: Mamãe, vou fugir se me obrigar a dizer boa noite.
— E então a mãe beijou seu nariz brilhante e disse: Não importa onde vá, não importa o quanto cresça, e mesmo que se desvie muito, eu o amarei para sempre porque você sempre será o meu bebê Estrela.” — Dana se inclinou quando Harlow bocejou e ela mesma seguiu o mesmo caminho, os olhos parecendo pesados quando ela beijou a testa da irmã, ainda acariciando seu cabelo — Esta na hora de ir dormir bebê Estrela — Ela sussurrou, e com um último beijo, puxou o cobertor para cima de ambas e fechou os olhos, falando entre um bocejo e outro — Bons sonhos, Harlow.
E eu fiquei ali, fascinado enquanto observava ambas dormirem juntas. Admirando que pudesse haver tanto amor entre elas e que ainda existia alguém para acabar com isso.
Sentindo meu rosto escurecer, quis me bater quando me aproximei da cama. Slash rosnou, mas eu estava pouco me fodendo para ele, só toquei no ombro de Dana e a remexi.
— Ei, Dan. — Ela resmungou, cansada demais para saber o que dizia. Ótimo. — Querida, o que há naquela caixa preta dentro do quarto do seu irmão? Aquela com as iniciais da sua mãe?
Ela franziu a testa, e aos pouco abriu os olhos para me olhar.
— Como sabe que ela está lá? — perguntou sonolenta. Eu hesitei.
— Eu... — franzi o cenho — Apenas vi ela um dia, só que não me lembro o que era. Estou com medo de ser de vocês e eu ter sei lá, feito merda. — Ela não pareceu engolir aquilo, mas suspirou e bocejou.
— Ela é uma coisa que minha mãe deixou para Harlow — falou com calma e sorriu. — Minha mãe deixou uma coisa para cada filho. Para mim, sua caderneta com musicas e o violão. Para Jared, seus livros favoritos e para Harlow...
— Uma caixinha de música e a tiara — terminei por ela, recordando-me quando a própria Harlow mencionou isso para mim. Dana ergueu uma sobrancelha e eu sorri — Harlow me contou sobre isso. — falei. Ela assentiu.
— Sim. Claro... Bem, Harlow tem a caixinha sempre com ela. Mas a tiara é valiosa demais para que ela fique andando para lá e pra cá na bolsa. Portanto, quando soubemos com certeza que ela viajaria com Amélia, Harlow deu o Diadema para Jared guardar, tinha medo de perder ou quebrar... Mas enfim. Jad o tem guardado no closet.
Acho que eu sentia minha mente começando a trabalhar em um turbilhão de pensamentos enquanto olhava Dana voltar a adormecer.
— Então está me dizendo que o Diadema está naquela caixa? — Ela não respondeu, pois já dormia profundamente de novo, e também nem precisava. Havia acabado de perceber que Amélia poderia estar interessada naquela tiara mais do que em sua sobrinha. O Diadema explicaria tudo.
Explicaria o motivo de Amélia ter aparecido tão de repente. Explicaria seu interesse repentino em Harlow e também a sua insistência em ter a sobrinha morando com ela. Com certeza a tia queria apenas informações para saber onde se encontrava o diadema que custava uma pequena fortuna.
Porra!
Eu precisa mesmo falar com Ethan. Tipo agora.
Respirando fundo, me levantei de onde estava e enfiei a mão no bolso atrás do meu celular. Com cuidado, beijei a testa de Harlow e pedi desculpas silenciosamente por sair assim, porém era exatamente para o bem dela que eu estava indo. Sai do quarto e desci as escadas sem fazer barulho, o dedo agiu pronto para ligar para Liam quando a porta da casa se abriu.
Senti toda minha ansiedade mudar para irritação. Damien entrou na casa como se fosse dono de tudo e tinha os olhos em mim, e logo atrás tinha sua irmã gêmea Caroline, que estava vestindo jeans e uma jaqueta de couro preta. Se fosse comparar os estilos dos irmãos, com certeza ficariam intrigados. Damien usava um moletom cinza e uma blusa azul e fina de mangas, seu cabelo bagunçado enquanto o de Car estava trabalhado em um penteado para o lado.
Nada iguais a não ser por aqueles olhos malditamente claros e bonitos, e o rosto idênticos.
— O que está fazendo aqui? — Ele perguntou com suas sobrancelhas erguidas.
Eu fiz uma expressão de desgosto.
— Não que isso interesse a você — resmunguei e acrescentei — mas eu estava fazendo companhia a Harlow. Vim trazê-la quando passou mal no colégio.
A expressão pomposa de Damien desvaneceu e preocupação fizeram seus olhos brilharem antes dele virar para Caroline com o lábio inferior torcendo.
— Foi por isso que me arrastou para fora da casa de Linnea? Porque não me avisou, porra?! — A irmã suspirou e disse com toda a calma do mundo.
— Jared me ligou no instante em que chegamos ao museu e não queria preocupa-lo. Você não tem se cuidado direito Dan, eu vejo como está sempre preocupado com ela e aprecio, mas não posso permitir que deixe de se cuidar.
Damien respirou fundo, sem tirar os olhos da mulher a sua frente.
— Escute Caroline, eu não preciso mais que cuide de mim, certo? Eu te amo e agradeço por se preocupar, mas eu não sou o nosso pai, ok? Então nunca mais esconda coisas de mim. Nunca mais ouviu? — Os olhos dele queimaram, e pegando um olhar magoado de Car, ele se virou e passou por mim como raio, batendo em meu ombro antes de alcançar as escadas.
Fazendo careta, olhei para Caroline. Ela tinha o rosto desprovido de barreiras e parecia mais do que infeliz, ela parecia um pouco perdida. Quando olhou para mim, deu um sorriso triste.
— Eu sei que fui errada, mas eu não posso deixar de me preocupar. — falou. E eu não consegui conter o sorriso de compreensão.
— Entendo. Mas não acha que ele pode se cuidar sozinho? — indaguei. Car suspirou, olhando na direção que o irmão sumiu.
— Acho que sim... Mas ele tem razão — Ela apertou as mãos juntas e desviou o olhar para os saltos — Estou o confundindo com nosso pai. Não posso fazer isso.
— Seu precisa que cuide dele? — perguntei confuso. Ela pareceu achar a pergunta engraçada, pois riu suavemente e se sentou no sofá.
— Apolo sempre precisa ser cuidado, e acho que com Damien aqui, eu tenho estado muito aflita para saber como ele está passando esse tempo sozinho. — O sorriso sumiu de seu rosto — Tenho medo das confusões que ele pode se meter.
O rosto de Car retorceu como se ela fosse chorar. Ela olhou fixamente e com determinação para a distância, e quando falou, sua voz era dura.
— Damien é complicado e realmente arteiro, mas você não conheceu meu pai — disse Caroline — É cem vezes pior que Dan. Ele tem praticado fazer loucuras mais vezes que o filho. Ele é tão distraído e descuidado com tanta coisa. Agora mesmo poderia estar trabalhando em salvar uma vida no mar e acabar sem querer, enroscando o pé em uma alga, causando seu próprio afogamento. Poderia estar querendo preparar seu almoço e se queimar, não haveria ninguém ali para vigiá-lo ou ajuda-lo a não colocar fogo na casa. E ele também não notaria seu cabelo pegando fogo. Não estou exagerando, não estou fazendo piadas – eu apaguei incêndios na cabeça de meu pai. Desde a partida da minha mãe é somente eu e Damien para tomar conta dele, porém Dan sempre acaba por se incluir nas loucuras do nosso pai, o que acabava sobrando para mim... — Um suspiro angustiado — Eu não estou reclamando, apenas dizendo que estou preocupada. Eu o amo, e ter Damien aqui quer dizer que ele está sozinho para causar uma rebelião em sua própria casa.
— Então, você está derrubando essa preocupação contra Damien — deduzi com entendimento. — Devia contar para ele. — conclui.
Caroline fez careta.
— Seria o mesmo que pedir para ele ir embora... E eu não quero isso. Faz tempo que não nos vimos e fazê-lo deixar Harlow, me deixar, só para cuidar do nosso pai, é muito a se pedir quando ele tem feito isso desde que comecei a faculdade. Talvez eu mesmo vá para casa ou mande alguém para seu auxilio, eu só não posso suportar minha imaginação criando tantas formas de acidentes para com meu pai.
Pena me fez querer estar próxima dela e apenas confortá-la, mas eu não tinha nem me movido e os passos de Damien na escada fizeram com que nós dois olhasse. Ele encarava a irmã agora compreensão, um sorriso pequeno nos lábios denunciando que ele tinha ouvido tudo.
— Jimmy, pode nos deixar? — Ele não me olhou e quase pude demonstrar surpresa por seu tom ser amigável. Amigável comigo? — Preciso bater um papo com minha irmã.
Caroline corou fortemente e desviou o olhar, apertando as mãos entre as pernas quando assenti e falei.
— Claro. Eu tô indo — Mas fui incapaz de sair sem antes falar para Damien, que era minha única opção no momento — Me ligue se acontecer algo com Harlow.
Damien me encarou e eu pensei que ele fosse negar ou até mandar eu me ferrar, mas aconteceu o contrario. Ele assentiu e disse:
— Será o primeiro saber.
Estranhamente agradecido, concordei e a sai da casa, tirando novamente meu celular para ligar para Liam. Agora precisava resolver o assunto da tiara. E resolveria isso agora.
~*~
— Eu odeio contas e essas porcarias de papeis — Liam resmungou sentado em seu sofá. Já eu não conseguia me manter parado, por isso estava andando em frente à janela enquanto olhava.
Liam era o único do grupo que não fazia faculdade, mas em compensação ele estava sempre se empenhando na restauração de sua nova academia de Boxer. Ensinar luta era seu maior desejo até agora, ou melhor, dizendo... Era seu segundo desejo depois da Jodie, claro.
No entanto hoje ele tinha tirado o dia para organizar os arquivos e Plantas da academia, também verificava as contas de água e luz para que nada venha dar errado quando abrissem a academia.
— Normalmente eu peço à Michael para cuidar disso para mim, ou até mesmo Jodie, eles parecem ter mais cabeça para cálculos que eu — falou me dando um sorriso. Eu não pude deixar de virar os olhos.
— Diz o cara nerd que nunca tirou vermelha na vida — zombei. Ele riu abertamente, e sua cicatriz ficou mais perceptível quando me olhou.
— Colégio é uma merda, mas detestava ficar atrás em alguma coisa, as matérias da escola era uma dessas coisas — Sorriu largo. Ele jogou as folhas de lado na mesa e me encarou — Você ainda não me disse o que veio fazer aqui.
Fiz uma careta desconfortável.
— Será que um amigo não pode apenas visitar outro amigo sem que esse desconfie que a algo mais? — questionei falsamente ofendido.
Liam bufou e jogou as mãos atrás da cabeça quando se inclinou para trás e cruzou as pernas em cima da mesinha. O corpo quase cobriu todo o maldito sofá.
— Conta outra amigo. — Ele me encarou sério — Eu sei quando quer alguma coisa, então desembucha.
Praguejei para mim mesmo, e respirando fundo falei:
— Preciso falar com Ethan — Liam ergueu uma sobrancelha.
— Sobre?
— Uma coisa — respondi. Liam apertou os olhos.
— Você com certeza vai me dizer que coisa é essa, certo? — Hesitei. Ele não gostou da hesitação, pois seu rosto contorceu e ele se colocou para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. Liam estava fazendo a mesma expressão assustadora de quando estava lutando, e talvez tenha sido ela que me fez xingar mentalmente e cair com a bunda no sofá a sua frente.
— Harlow passou mal hoje — falei de uma vez. A expressão assustadora dele se foi e logo veio a preocupação.
— Está tudo bem com ela? — indagou. Eu assenti.
— Sim. Foi apenas a asma e ela não tinha tomado sua injeção. Eu estava por perto na hora e pude leva-la ao hospital — suspirei e esfreguei o rosto, a realidade daquela cena caindo sobre mim novamente. — Bryan estava segurando-a... Aquele idiota estava segurando ela quando precisava alcançar a bombinha.
— Como é? — Liam rosnou com raiva — Esse imbecil teve coragem?
— Sim — compartilhei de seu humor sombrio. — Se eu não tivesse ido vê-la no colégio... se não tivesse chegado a tempo de ajuda-la — Meu estômago torceu e achei que fosse vomitar no tapete caríssimo de Amara.
Liam agarrou meu ombro em um aperto firme.
— Mas você chegou — Ele deu um sorriso contente — Ajudou ela. Nada aconteceu — Falou, mas então se deu conta — Nada aconteceu certo? É por isso que está aqui? Aconteceu alguma...
— Não — Me apressei o impedindo — O que tenho para falar com Ethan é sobre a tia da Harlow.
Ele franziu a testa.
— Amélia? — Assenti — O que ela tem haver com isso?
— Bem, é que depois de tudo acontecer, Jared e nem Dan podiam sair do trabalho para estar com Harlow. Por isso Jared foi obrigado a chamar a tia para ficar com ela até que Dana saísse do emprego. — Expliquei. Liam gemeu um palavrão.
— Aposto que ele odiou fazer isso.
— Com certeza — concordei — Mas isso não foi o que me trouxe aqui. Na verdade foi o fato de eu ver Amélia mexendo nas coisas de Jared atrás de alguma coisa.
— Mexendo nas coisas... Como assim? — Ele pareceu confuso, eu suspirei.
— Eu estava com Harlow e ouvi ruídos, vinha do quarto de Jared. — Encarei seus olhos profundamente. — Ela estava lá e procurava alguma coisa nas gavetas e no closet do Jared. E ela parecia muito bem atenta a todos os cantinhos — Os olhos do lutador brilharam arregalados.
— E o que ela procurava afinal?
Apertei os lábios, indeciso se devia ou não falar sobre algo tão valioso para Harlow, mas não achava que ela fosse se negar a compartilhar essa informação com os amigos. Por isso olhei em volta não querendo que Michelle escutasse ou sua mãe. Liam entendeu e negou com a cabeça.
— Estamos sozinhos. Mitchie está na escola e meus pais no escritório — Ele me mirou — Fale. Está seguro.
Assenti, e tomando um pouco de coragem, disse:
— Lembra-se do aniversário de Harlow? — perguntei — Lembra quando Jared colocou aquela tiara na cabeça dela? — Liam piscou e franziu o cenho como se tentasse recordar, e então seu rosto iluminou.
— Oh, sim. Lembro agora. — Disse e então falou — Ela parecia bem cara. — Eu não podia negar.
— Isso por que ela é — falei e ele ergueu uma sobrancelha — Aquilo é um diadema, Liam. É quase uma cora. Ela custa milhões de dólares. Hope deixou como herança para Harlow.
O rosto dele ficou congelado com surpresa, e como se notasse o que eu tinha acabado de falar, a cor se esvaiu aos poucos ao constatar.
— Por favor, me diz que não era exatamente isso que Amélia procurava. — Eu deixei que ele tirasse suas conclusões. — Porra. — Concordei.
— Sim. Exatamente — falei e o encarei — Agora entende por que preciso falar com Ethan? Se Amélia estiver mesmo querendo roubar a tiara, ele precisa estar atento. Eu não contei a ninguém o que eu vi, porque não tenho provas, mas preciso alertar seu pai.
— Como pode ter certeza que Amélia queria roubar a tira? — Ele perguntou com uma careta. Eu apenas o encarei com incredulidade.
— Não é óbvio o bastante ela mexer nas coisas de Jared sem permição? — questionei frustrado. A testa dele franziu — É claro que ela quer a maldita tirara. Seria a explicação por ter aparecido.
Olhar aguçado do meu amigo se prendeu ao meu com inteligência bruta.
— Acha que ela só se aproximou da Harlow para descobrir onde estava o diadema? — A pergunta parecia tão cruel quanto o significado. Mas não podia afastar tal opção com medo de não magoar Harlow.
— Eu acho. — respondi tristemente ao pensar em como minha garota havia se apegado a tia — Jared disse que ela nunca se importou com eles ou com a guarda de Harlow. Como ela simplesmente aparece sem avisar? Foi uma surpresa tê-la aqui. O diadema pode ser a resposta para seu repentino afeto. Ela precisa dele para alguma coisa, ou precisa do dinheiro que ele irá arrecadar.
Com uma expressão severa e exasperada, Liam alisou os cabelos para trás e bufou;
— Devia falar com Jared, ele vai saber o que fazer. Ele não confia na tia assim como todo mundo — Sugeriu ele, eu não gostei.
— Não posso. Ele vai querer enfrentar Amélia, o que colocaria Harlow no meio — Senti meu peito apertar só de pensar o que ela faria comigo se soubesse que eu coloquei seu irmão contra sua tia. — Se ela souber que estou difamando o nome de Amélia para seus irmãos, nunca mais olhará na minha cara. E eu não posso aguentar isso agora Liam, não agora que estou quase conseguindo sua confiança.
Liam respirou fundo, os olhos grudados nos meus. Um sorriso agoniado apareceu ali e ele tocou meu ombro.
— Tudo bem, eu entendo. Seu segredo está a salvo comigo. — Eu sorri agradecido.
— Que segredo é esse? — Ethan apareceu na entrada da sala de terno engomado e segurando sua pasta.
Eu e Liam trocamos olhares, em seguida nos levantamos.
— Acho melhor sentar pai. — Ethan encarou o filho com curiosidade — Jimmy tem algo importante para lhe dizer.
E lá vamos nós de novo.
Deus. O que eu não faço por aquela garota?
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