Rude Girl

32 Capitulo 32 — Família


Notas iniciais
Eu sei que demorei, mas estou aqui de volta. O cap de hoje promete, portanto, pelo amor de Deus. Comentem please! Você parecem estar me abandonando. Voltem ok. Agora para aqueles que nunca esquecem do meu comentário, muito obrigada. Eu amo vcs! May Chan, seja bem-vinda de volta. Agora vamos parar de enrolar né? As coisas vão esquentar aqui. Bora ler? Ps: Gente, ainda não betei o cap, então se houver erros, sorry. Concertarei depois, mas prefiro que me alertem ok? Bjssss!

(Pov’s Harlow)

Acordar foi a coisa mais difícil que fiz depois daquele dia infernal. Minhas pálpebras estavam pesadas e meu corpo ainda cansado, mas aos poucos consegui as abrir e gemer ante a claridade em meu rosto. Percebi três coisas enquanto tampava o rosto com a mão esquerda. Primeira. Havia uma pequena bolota preta encaixada contra meu peito, e essa se levantou e passou a me lamber em sinal de “Bom dia”. Segunda coisa, tinha alguém me abraçando. Dana estava atrás de mim, sua cabeça no meu travesseiro enquanto respirava pesadamente em seu sono. E a terceira e não menos importante: Ao lado da minha cama, Jared estava sentado em uma cadeira, sua cabeça caindo para trás e seus olhos fechados em um sono desconfortável, ele ainda usava o uniforme do hospital, e aos seus pés estava sua maleta de primeiros socorros aberta.

Percebi que ele tinha me checado antes de cair exausto naquela cadeira. Era tão duro ver a forma como seu rosto parecia cansado. Jared nunca foi alguém que eu pudesse ler com facilidade, mas naquele instante, enquanto seus olhos giravam por de baixo das pálpebras sem parar como se estivesse tento um sonho ruim, eu pude entender que meu irmão nunca pareceu tão atormentado. Devagar, afastei o cachorro afoito por atenção e o coloquei com uma mão no chão, mas enquanto fazia isso eu me inclinava contra o colchão, e quando meu nariz bateu contra o forro do travesseiro, um perfume diferente do meu encheu minhas narinas.

Fechando os olhos, afundei o rosto ali e fiquei chocada. Aquele perfume.

Sentindo-me como uma gata que encontrará um novelo de lã, eu suspirei, esfregando o rosto contra o travesseiro para conseguir mais daquele aroma. Parecia tão forte como se... como se o dono do perfume viciante tivesse se deitado ao meu lado.

Comecei a hiperventilar. Jimmy esteve aqui? Na minha cama?

Ainda em choque olhei em minha escrivaninha, e como esperava minha bombinha estava lá bem. Não demorei em agarrá-la para usar. Jimmy esteve aqui. Ele se deitou comigo.

Bombeando três vezes, voltei a respirar normalmente, e engolindo em seco, voltei a cheirar o travesseiro. Sim. Eu não estava engada. Ele esteve aqui, e deitou comigo na cama. Porra.

— Caramba — murmurei. Ao meu lado, Dana se remexeu e bocejou, quando a olhei, encontrei seu rosto uma bagunça. Sua maquiagem borrada e na mesma roupa de ontem assim como Jared.

Ela respirou e então finalmente abriu os olhos azuis sonolentos. Ela sorriu ao me pegar olhando.

— Bom dia querida... — Toquei seus lábios com o dedo e fiz sinal de silêncio. Ela ergueu uma sobrancelha e então eu apontei para Jared. Ela voltou a sorrir — Oh.

Ficamos observando nosso irmão por um tempo muito longo, ambas compartilhando um momento de preocupação e amor.

— Devemos acordá-lo — Ela sussurrou — Ele vai ter dores depois. — Sabia que ela tinha razão, mas eu não queria acabar com o sono dele, por mais que fosse sentado em uma cadeira, eu sabia que seria o único instante que ele se permitiria relaxar.

Mordi os lábios, indecisa, mas em seguida suspirei sem outra opção.

— Ok. Vamos devagar — falei. Ela concordou, e sem fazer ruídos saímos da cama para chegar ao lado de Jared. Arrumei sua maleta rapidamente e depois parei ao lado direito dele enquanto Dana estava no esquerdo.

Ela se abaixou sorrindo e alisou a testa dele, depois me olhou e acenou. Sorrindo, alisei sua bochecha e a beijei, enquanto Dana fazia o mesmo na outra. Jared despertou com susto, mas seus lábios torceram em um sorriso quando percebeu o que acontecia.

— Oh, nós acordamos o príncipe — Dan brincou.

— Sim. — concordei com humor — Mas ele parece tão bonito que pode ser considerado rei.

Jared nos olhou com diversão e nos puxou pelo braço, nos aconchegando em cada perna sua.

— Eu gostaria de acordar assim todos os dias — murmurou sorrindo e nos beijou na testa — Bom dia, queridas.

Eu sorri maliciosamente para ele e ajeitei seu cabelo bagunçado para trás.

— Falarei com Caroline sobre isso, ok? Aposto que ela adoraria acordá-lo assim — As bochechas do meu irmão ficaram rubras e seus olhos fecharam quando gemeu meu nome em uma reclamação.

— Harlow. — Eu ri.

— Oh Jad, você precisa para de pensar que nossa irmã é inocente — Dan disso rindo e brincando com os botões de seu avental branco — Ela parece saber mais do que nós dois juntos.

Eu não sabia se isso era um elogio ou se ela apenas estava declarando aquilo como algo normal, mas enfim. A informação fez Jared ficar um pouco inquieto.

— Ela não sabe o que diz Dan, ela só tem dezessete anos. — falou. Eu fiz careta quando Dana riu.

— É interessante você dizer isso irmão, pois eu perdi minha virgindade com meus dezessete anos. E não vamos esquecer que Harlow está namorando Damien, que é muito gostoso.

— Dana! — Jared soou indignado.

Eu arregalei os olhos para minha irmã e Jared ficou um tanto vermelho enquanto a olhava, depois virou o rosto para mim novamente e perdeu toda a cor que tinha lhe apossado. Era como se seu sangue estivesse sendo sugado para fora de suas veias aos poucos.

Dana começou a rir e eu só podia olhá-los com extrema vergonha. Meu irmão e irmã me encaravam como se esperando eu confirmar que não era mais virgem, e achava que se confirmasse Jared levantaria dali para fazer picadinho de Damien.

— Então... eu vou tomar banho — Escorreguei para longe da perna dele, mas não fui muito longe, porque ele se levantou no pulo com os olhos cheios de medo. Medo de eu ter transado?

— Harlow... espera, você... — Ele não conseguia falar, e aos poucos aquilo passou a ser a coisa mais engraçada da minha vida. Dana parecia achar o mesmo, pois tinha caído na cama e segurava o estômago enquanto ria.

— Jad, você não quer falar disso — avisei seriamente.

— Eu realmente não quero — Ele garantiu e bufou ao esfregar o rosto — Mas eu sou seu irmão, então se você fez... — Seus lábios ceraram e meu rosto queimou. Dana rolou na cama, ofegante. — Se você... bem, precisar de ajuda eu... Ah droga! Dana, será que dá para me ajudar aqui? — Ele parecia mais perdido que eu, e pelo amor do Cristo. Era a coisa mais constrangedora que já cheguei a fazer.

— Oh Deus, pare com isso. — Dana gemeu entre risos.

Jared grunhiu de impaciência. Eu bufei.

— Esquece isso Jared, eu não preciso que me explique nada. — falei nervosa, ele respirou fundo e pareceu nervoso também.

— Mas é claro que tenho! Não pode fazer essas coisas...— Engoliu em seco — Sem se preparar e. Eu não quero que faça nada sem saber como é e...

— Oh Deus — Eu gemi queimando de vergonha, e olhei feio para Dana, que parecia prestes a morrer. — Não precisa falar sobre preservativos Jared.

Ele corou furiosamente.

— Eu...

— O que está acontecendo? — A voz veio da porta.

Eu quis me enterrar naquele instante quando Damien e Caroline apareceram na porta. Damien estava usando um moletom cinza e regata enquanto Car... uhhh. Ela parecia bem confortável em uma das belas camisetas sociais de Jared, a mais cara pelo visto.

— Damien, acho melhor você ir — Eu murmurei ao ver meu irmão fuzilá-lo.

— O que? — Damien me encarou confuso em seguida olhou para Dan, erguendo uma sobrancelha ao ver que ela ria descontroladamente. — O que está havendo?

— Jared está aceitando os fatos de que Harlow não é mais uma menininha — Falou minha irmã quase sem fôlego — Não é mano?

Jad grunhiu e alisou o rosto nervosamente.

— Você não está ajudando Dana — Eu resmunguei. Ela sorriu.

— É adorável a forma como ele é inocente sobre nós, não é? — falou, e eu não pude deixar de sorrir em acordo. Jared fez careta.

— Não sou inocente, só não... — respirou fundo. Dana se adiantou para ele.

— Só não aguenta saber que eu e ela não somos mais virgens — Mais uma vez, Jared pareceu sem palavras enquanto eu procurava algo duro e grande para atirar na minha irmã idiota e linguaruda. Na porta, Damie e Car ergueram a sobrancelha simultaneamente, parecendo tão idênticos e bonitos que quase perdi a linha do raciocino.

— Dana — Jared tapou o rosto e resmungou — Você... Deus, eu queria nossa mãe aqui agora — resmungou, e começou a dar voltas no quarto. Dan virou os olhos e eu sorri, indo sentar-me ao lado dela.

Jad nos olhou como se fossemos casos perdidos e depois virou para Damie, que finalmente entendeu a sua parte na história. Seu sorriso se esvaiu aos poucos e ele me olhou questionador.

— Er, Jared, eu não...

— Cala a merda da sua boca — grunhiu meu irmão.

Eu fui incapaz de não rir um pouquinho.

— Jared, será que não pode se acalmar, querido? — Caroline veio ao nosso socorro e caminhou com seus pés descalços até meu irmão, seus cabelos estavam tão bonitos soltos a cima dos ombros. Percebi que ela parecia completamente à vontade sem toda aquela maquiagem que usava durante o dia, ela parecia feliz em poder ser apenas uma mulher normal dentro daquela casa e ao lado de Jad, que no mesmo instante que ela o tocou, deixou seus ombros caíram relaxados.

— Isso é efeito do sexo quente — Dan murmurou para mim, e eu ri, acertando seu ombro.

— Mas ele... — Car sorriu largamente com seu protesto e tocou sua mão.

— É algo natural, sabe disso — falou devagar, meu irmão continuou de cara fechada e encarou Damien — E eles são namorados, não é?

— Ela é apenas uma criança ainda. — retrucou carrancudo. Eu resmunguei.

— Hey! Eu não sou...

— Calada Harlow! — ordenou. Eu fiquei indignada e Dana sorriu divertida.

— Pare de rir, isso é culpa sua! — briguei a empurrando novamente.

— Ora, vai me dizer que isso não é hilário? — indagou, e eu bufei.

— Minha vida sexual não é para ser hilária — reclamei, mas foi algo errado a se dizer, pois Jad ofegou.

— Vida sexual? — Ele estava chocado, como se eu ter uma vida sexual fosse um verdadeiro desastre. Porra.

— Pessoal, será que eu não posso falar e... —Damien acenou uma mão, mas Jared não o deixou acabar e gritou apontando para ele.

— Não! Você fica calado — Damien suspirou e abalançou a cabeça antes de me encarar.

— Não acha que já ta na hora de acabar com isso? — questionou, eu senti minhas bochechas avermelharem.

Ouvi Jad grunhir.

— Não fale com ela!

— Jared — Caroline suspirou nos olhando, parecendo pela primeira vez, um tanto perdida, — Que tal ir tomar um banho e relaxar? Posso prepara o café para todos e...

— Não Caroline — Jared a cortou e me olhou— É sobre a saúde dela que estou falando, não vou deixar algo desse porte para lá.

Eu bufei. Estava completamente cansada daquilo. Como é que chegamos a esse ponto? Em uma hora estava cheirando o perfume de Jimmy no travesseiro e agora falando sobre minha vida sexual — que ainda nem sequer existe — com meu irmão. Não. Isso com certeza tinha que acabar agora.

— Ok — Me levantei da cama nervosa — Já chega Jared!

— Não, nós temos que conversar sobre...

— Não! — berrei exaltada agora. — Não temos que falar por que eu não preciso ouvir! Ainda sou virgem Jared. Já chega!

Agora o silêncio foi o meu pior inimigo, e aos poucos senti meu rosto ficar mais rosa que nunca. Jared me encarava e seus olhos estavam mais abertos que nunca, brilhavam com... Esperança?

— Ah, graças a Deus — Ele soprou, e eu deixei boca cair completamente chocada. Dana voltou a rir, e agora, para meu carma aumentar, Damien se juntou a ela contra o batente da porta, Car sorria de lado com humor e esfregava as costas do meu irmão, que murmurava coisas para si mesmo ao esfregar o pescoço. Com certeza estava agradecendo a Deus.

Aquela situação era inaceitável e eu grunhi, batendo o pé no chão enquanto os olhava.

— Vocês... erg! Seus babacas — virando os olhos, sai do quarto diretamente ao meu banheiro, batendo a porta e me encostando nela.

Esse dia começou muito bem. Merda.

~*~

Depois daquele episodio vergonhoso, eu não fiz questão de ficar em casa com eles, mesmo que meu irmão tivesse me proibido de ir à escola. Preferia ir até ela que ver o alívio em seus olhos ao saber que eu continuava “pura”. Damien me acompanhava sem conseguir conter a felicidade depois daquilo, e eu não conseguia para de bater nele.

— Pare de rir! — reclamei pela milésima vez, ele gargalhou mais.

— Encare os fatos caramelo, aquilo foi terrivelmente engraçado — sorriu, eu o acertei no ombro.

— Fale por você — resmunguei e ajeitei a mochila no ombro — Foi constrangedor.

— Sempre é — sorriu compreensivo — Jared é protetor. Acredite que sei como ele se sente.

Ergui uma sobrancelha para ele e então algo me passou pela cabeça.

— Você surtou quando Car... — movi as mãos desajeitadamente e soprei — Você sabe. — Ele sorriu.

— Quase isso — falou e então franziu a testa. — Eu tinha ido visitar ela na faculdade e... bem. Cheguei em um momento inoportuno. Um cara atendeu a porta e o bastardo estava apenas de cueca dentro do dormitório da minha irmãzinha. Era de se esperar que eu surtasse certo?

Ri em acordo.

— Essas coisas são tão complicadas — conclui quando atravessamos a rua. E fiz careta ao chegarmos em frente ao colégio. Me virei para ele incomodada — Dana parece agir tão normalmente ao falar de sexo, assim como você e Car... Meu irmão, bem, ele apenas é apavorado com a ideia da menininha dele ter crescido.

— É normal querida — Ele sorriu e acariciou meu rosto — É como te expliquei. Isso é um assunto de extrema confiança. Fica mais fácil depois de um tempo.

Corei com força e resmunguei.

— Eu não sei não. Pensar nisso é estranho — falei. Ele riu e colocou meus cabelos para trás.

— Isso é porque você nunca fez — Malicia apareceu em seu olhar e piorou minha vergonha — Prometo que é ótimo e fácil. É difícil nas primeiras vezes, mas nas outras é tudo maravilhosamente quente, e se está com a pessoa certa — Ele se inclinou contra mim e beijou meu rosto — É melhor ainda.

Nós nos despedimos com um beijo depois daquela conversa e depois dele verificar minha bolsa, querendo a certeza de que minha bombinha estava lá. Eu entrei no colégio, distraída, repassando sobre suas palavras. Ele falava de sexo como a coisa mais fascinante que existia, porém desde a última vez na Califórnia que quase nos excedemos, nunca voltou a tentar nada parecido comigo, o que me fazia pensar se era certo da minha parte mantê-lo afastado. Éramos namorados e namorados faziam isso, certo?

Isso perturbou minha mente durante todas as aulas, e também durante o tempo em que fui falar com o diretor sobre o que aconteceu ontem. Quando retornei ao segundo andar para a última aula, eu tentei a todo custo fugir dele, mas não deu certo. Bryan me alcançou enquanto abraçava meus livros contra o peito e tinha mochila no ombro.

— Me deixa em paz — falei nervosa. Ele nem se virou.

— Seu amigo quase me quebrou a mandíbula — reclamou ele e massageou o rosto — Podia ser mais complacente comigo.

Bufei sem olhá-lo.

— Você por acaso sabe o que significa complacente? — perguntei com rancor, ele me olhou feio — Você mereceu o soco. Então não venha chorar no meu pé.

— Estava tentando ser legal, como ia saber que estava passando mal? — questionou enraivecido. Eu segurei seu olhar ao parar no corredor.

— Não. Você não estava querendo ser legal, na verdade estava querendo algo muito diferente. E adivinhe — Torci o nariz com nojo para ele — Não vai conseguir. Tenho namorado, e mesmo que não tivesse ficaria bem longe de você. Ainda sou a “Garota macho”, Bryan, meu corpo pode ter mudado, mas não minha mente.

Virando-me, entrei na sala de espanhol e respirei fundo. Só precisava passar por mais duas horas e então estaria livre daqui.

Eu pensei sobre isso com grande fervor enquanto a professora lia um texto em espanhol para nós, a todo o momento eu olhava para o relógio, comecei a estranhar minha ansiedade para sair do colégio, assim como também fiquei confusa com o modo que meu coração saltou quando o sinal finalmente bateu. Um pressentimento estranho fez-me hesitar para levantar, como se algo fosse acontecer.

Eu não sabia que estava absolutamente certa, mas descobri quando sai do colégio e meus olhos encontraram em meio à multidão de adolescentes, um punhado de cabelo loiro brilhante. Ele estava sentado em cima da mesa que antes nos pertencia, e notei que os idiotas que a ocupavam agora, incluindo Bryan, estavam reclamando e olhando feio para Jimmy.

Ok. Eu não compreendi o porquê de tudo em mim ter esquentado assim que o vi e não sabia dizer se a satisfação que eu sentia era algo bom, de toda forma, eu caminhei lentamente até ele, sentindo seu olhar medir-me desde os pés com tênis da NIKE e percorrendo minhas pernas em jeans e meu busto com a blusa de mangas da cor preta. Ao chegar a meu rosto eu vi o alívio que ele de repente demonstrou, e sobre tudo, eu vi admiração. Ele estava verificando se eu estava bem, mas mesmo assim, não conseguia esconder o brilho de desejo toda vez que descia a vista por meu corpo.

Aquilo me excitou como inferno. E fiquei chocada que depois de ter o recusado tanto, meu corpo tivesse voltado a ser tão malditamente dependente de Jimmy. Não entendia o que havia mudado. Não mesmo.

— O que faz aqui? — perguntei ao chegar a sua frente. Ele me olhou profundamente, e então sorriu.

— Eu vim verificar com meus próprios olhos se estava bem — falou, e então olhou para o grupo afastado de nós com uma cara amarrada. — E vim trocar umas palavras com alguém.

Olhei na mesma direção que ele bem a tempo de ver Bryan e todos os seus amigos se encolherem. Fiquei curiosamente chocada.

— O que disse há eles? — indaguei. Ele sorriu perversamente.

— Que Liam estaria os esperando no tatame se souber de mais um deles lhe perturbado. Eu mesmo seria encarregado de levá-los ao nosso campeão — disse com satisfação.

Senti meu lábio torcer um pouco, mas me segurei.

— Vocês não precisam se preocupar comigo, sei me cuidar — falei sincera, seu sorriso foi suave agora.

— Sei disso pequena, mas apenas quero tomar minhas medidas — disse e se levantou. Ele pulou do banco para ficar a minha frente. Eu quase parei de respirar ao estar tão perto dele. — Como está? Sente-se melhor? — perguntou, e eu engoli em seco e assenti.

— Obrigada por me ajudar ontem — falei a ele — Se não fosse você eu...

Ele interrompeu minhas palavras com mão, quase roçando os dedos em minha boca. Seu rosto pareceu aflito.

— Não diga isso... O que importa é que eu cheguei a tempo — falou e suspirou, olhando a distancia de seus dedos — Eu não sei o que faria se não tivesse chegado — murmurou com a dor em seu tom.

Eu o encarei profundamente, absorta por tamanha doçura. O que estava havendo comigo?

— Mas como disse... — sussurrei o encarando — Você chegou. — Ele suspirou, e sorriu de lado, aproximando a mão do meu rosto e tocando em minha bochecha.

— Sim — soprou — Eu cheguei.

Meus joelhos tremeram com fraqueza, mas não me deixei despencar como uma garotinha boba, Jimmy observava todos os meus movimentos, e quando notou minha dificuldade para permanecer em pé, deslizou suas mãos rapidamente por minha cintura de modo que colidi em cheio com uma muralha de músculos.

A proximidade e a parca iluminação do sol foram suficientes para que eu pudesse ver cada detalhe dele. Percebi algo que não tinha visto depois de dias que cheguei de viagem. Tinha mudanças em seu rosto. A mais óbvia era o cabelo. Tinha crescido e ele não o aparara. Se era por falta de desleixo eu não sabia, mas eles caiam tão perfeitamente em sua testa que eu quis me chutar por não ter reparado em algo tão lindo. A segunda coisa que absolutamente estava mudando aos poucos, era aquele rosto anguloso, ele estava ganhando uma barba, e Deus, aqueles olhos com certeza eram a mudança mais problemática. Eles gritavam: ENCRANCA.

— O que está fazendo? — questionei meio lenta. Ele sorriu de lado.

— Segurando você. — respondeu quase como se estivesse ronronando para mim, seus lábios tão perto do meu ouvido que tive impedir meu corpo de estremecer.

— Eu não preciso que me segure — retruquei, mesmo que isso soasse como uma grande e trágica mentira. Sabia que se ele me soltasse agora, talvez eu despencasse com as pernas moles.

Jimmy riu.

— Não é isso que parece pequena. — Eu fiz uma careta.

— Eu já disse para não me chamar assim, — resmunguei, ele me encarou.

— E eu já disse que continuarei lhe chamando assim — Sua mão subiu e tocou minha bochecha, acariciando como se eu fosse a boneca mais frágil — Minha pequena.

Eu malditamente estava me vendo ferrada. Eu me sentia completamente fora de orbita, com toda certeza eu permaneceria em seus braços por toda eternidade se fosse dar ouvidos ao que meu corpo queria, mas eu parei e escutei minha cabeça. Olhei em volta, percebendo as pessoas e principalmente o grupo de Bryan, rindo e tirando fotos. Eu me amaldiçoei silenciosamente ao pensar em como aquilo machucaria Damien.

Eu não estava fazendo isso depois da sacanagem que Lara tramou para cima dele. Não mesmo!

— Afinal — comecei, forçando minhas pernas a ficarem firmes para me afastar. Minha pele choramingou a perda, mas a sensatez venceu o desejo — O que veio fazer aqui de verdade?

O rosto dele mudou para algo que não pude decifrar. Talvez decepção, mas ele logo mascarou e respirou fundo, colocando as mãos nos bolsos.

—Vim pegar você — falou, e quando ergui uma sobrancelha, ele riu e deu de ombros. — Eu sei, mas estou fazendo apenas um favor a seu irmão. Ele estranhamente me ligou pedindo que a levasse a um endereço, disse que estaria lhe esperando lá com Dana.

Fiquei confusa. Como assim meu irmão confiou em Jimmy para me levar até ele? E como, nesse mundo, ele permitiu que eu andasse de moto com Jimmy?

— Ele bebeu? — perguntei desconfiada.

Jimmy sorriu divertido.

— Também achei isso, mas por mais incrível que pareça, ele foi absolutamente gentil — Uma expressão atordoada tomou sua face — Isso me faz pensar se aconteceu alguma coisa. Perguntei por que Damien não vinha te buscar e ele simplesmente desligou na minha cara.

Oh!

Senti minha face corar drasticamente enquanto arregalava os olhos. Jimmy notou e cerrou os olhos em minha direção quando olhei para meus sapatos.

— O que é isso? — perguntou. Eu balancei a cabeça.

— Nada. — Me apressei e andei na sua frente para chegar à moto — Por que não vamos logo?

Eu sabia que ele me observava com curiosidade, portanto não me virei em nenhum instante para encará-lo. Soube quando ele se aproximou, pois uma quentura em minhas costas fez-me ficar arrepiada. Eu quis me chutar novamente quando percorri os olhos pela moto. A lembrança viva de Jimmy sentando-me contra sua garupa enquanto afundava em minha boca e fazia loucuras com meu estômago.

— Algum problema, querida? — Eu estremeci com o tom áspero de sua em minha orelha. A prova de que ele também estava se lembrando da noite em que me tocou tão impropriamente. O que me fazia pensar que se Jared descobrisse isso, voltaria a proibir esses passeios de moto rapidinho e logo faria as pazes com Damien.

— Não. — murmurei querendo não demonstrar meus sentimentos — Vamos logo.

Podia jurar que ele tinha sorrido.

— Ordens do Jared — sussurrou, e tirou um capacete que estava preso na moto. Eu virei os olhos e o coloquei, olhando para Jimmy sobre a abertura. Ele parecia fodidamente feliz quando subi na moto atrás dele, e eu não pude deixar de notar que ele suspirou quando passei os braços por sua cintura.

— Não se acostume com isso — falei ao notar sua satisfação.

Ele piscou para mim de forma inocente.

— Não ousaria fazê-lo.

Impedir-me de rir sobre isso e me agarrei nele fortemente, fechando os olhos quando seu perfume foi tudo que eu senti depois. Perfume que havia ficado em meu travesseiro. Perfume que me enlouquecia. Droga!

Eu estava agindo tão estranhamente. Não entendia por que meus sentimentos por Jimmy estavam desabrochando assim tão rápido, mas enquanto ele dirigia e eu me tinha abraçada a ele, comecei a cogitar que fosse pela forma como ele havia me segurado ontem no carro do diretor Charles. Eu estava casada, mas me lembrava muito bem de como seus dedos me acariciavam e como seus braços eram firmes ao meu redor durante todo caminho, também me lembrava como seu coração acelerou quando rocei levemente contra seu pescoço.

Nós não podíamos forçar um coração a reagir daquela forma. E se Jimmy se tornou nervoso por causa de um simples toque meu, a aceleração daquele órgão queria dizer que era um sentimento verdadeiro e não falso. Esse conhecimento me fez ficar com medo, pois se aquilo fosse verdade, tudo mudaria, e eu não sabia se estava preparada para tal mudança. Pelo menos não agora.

Engolindo em seco, deixei que o vento batesse em meu rosto através da pequena abertura do capacete. A dificuldade para pensar era absurdamente grande, por tanto parei de tentar e prestei atenção no caminho que Jimmy pegava. Interiormente estranhei as ruas desconhecidas, mas depois peguei uma pequena lembrança no fundo de minha mente enquanto olhava de novo. Meu estômago torceu quando passamos por uma casa que eu conhecia muito bem, e que depois de um ano, estava absolutamente irreconhecível.

— Pode parar? — gritei sobre o vento para Jimmy. Ele entendeu o porquê e parou bem enfrente do gramado. Eu olhei aquilo totalmente surpresa — É a casa da Jodie? — indaguei.

A casa que ela tinha sido presa e machucada, onde ela viu sua mãe adoecer e falecer por culpa de seu pai. A última vez que tinha à visto, ela não passava de madeira velha e porta arrombada, mas agora parecia irreconhecível.

O gramado antes morto, agora estava tão verde quando os das outras casas, e as paredes haviam sido pintadas na cor azul celeste. As janela da frente haviam sido mudadas e a porta concertada. O telhado parecia estar sendo refeito com tijolos e cimento, e a varanda reforçada com madeira nova.

Jimmy olhava ao assentir.

— Está diferente não é? — falou, e eu não podia discordar. — Linnea e Carter tem ajudado a Jodie na reconstrução, Liam também sempre vem aqui depois de verificar a reforma na academia.

— Pensei que ela nunca mais voltaria aqui — confessei com surpresa. Ele acenou em concordância.

— Todos nós pensávamos, mas depois que você partiu para Califórnia, ela insistiu em restaurar a casa. Mitchie concordou, já que a casa também a pertence. — Ele sorriu largo e me olhou — Elas parecem animadas no final das contas, Jodie não se importa com o que houve lá dentro, ela só quer que o desejo da mãe dela seja real.

Eu sorri de lado. Sabia qual era esse desejo. Por mais que tenha permanecido brigada com Jodie por um tempo, eu tinha a observado para saber que ela só queria realizar o sonho da mãe dela de fazer daquela casa, um lar. Era óbvio que quando a reconstrução encerrasse, ela ia se mudar para lá para que pudesse formar a sua família. Assim como Marissa queria.

Voltando a abraçar Jimmy, acenei para que continuasse. Nós voltamos a correr com a moto, e durante todo o trajeto eu quis saber onde estávamos indo, e quando finalmente pude ter o vislumbre de onde estava nos aproximando, meu coração pareceu entrar em erupção. Jimmy parou no portão e eu pude ver Jared e Dana saindo daquele lugar enorme para nos alcançar.

— Isso é um asilo? — questionou Jimmy com a testa franzida.

Sua pergunta confirmou minha suspeita. Já sabia o que íamos fazer ali.

— Obrigada por tê-la trazido — Jared falou quando nos alcançou. Ele estava em jeans e uma blusa preta. Ele me ajudou a descer e eu tirei o capacete, olhando em volta do lugar. Havia grama verde por todos os lados, assim como velhinhos acompanhados de enfermeiros e cadeirantes risonhos olhando o céu. O lugar parecia um santuário de tão bonito.

— Qualquer coisa é apenas chamar — Jimmy falou pegando o capacete de volta. — O que vão fazer aqui afinal?

Meus irmãos sorriram, e Dana pegou minha mão, que tinha começado tremer relativamente.

— Vamos rever a família — falou, e passou o braço por meus ombros. Jad nos sorriu, e então voltou-se para Jimmy.

— Pode ir, nós assumimos daqui. Obrigada mais uma vez — Ele assentiu e então me olhou, sorriu de lado e piscou um olho.

— Até depois pequena — E prendendo o capacete na garupa, ele se foi junto com o vento.

Eu me virei para Jared e Dana um tanto insegura, eles entenderam isso, pois cada um deles segurou minha mão e ficou perto.

— Estamos com você. Ok? — disse Jared, e eu tive que pegar fôlego antes assentir.

Nós caminhamos juntos para dentro do asilo, eu não consegui conter meus olhos que viajavam de pessoa em pessoa, admirada que aqueles idosos parecessem estar tão confortáveis no jardim em frente a uma casa enorme. Não que “Casa” fosse a palavra certa para descrever aquele lugar enorme, mas aqueles lugar parecia o certo para uma pessoa de idade se morar.

Quando entramos na propriedade, uma das enfermeiras logo veio nos atender. Observei meus irmãos interagirem com ela como se já aconhecessem de muitas décadas, o que na realidade era verdade, pois eu sabia que a cada um mês, Dana ou Jared apareciam aqui para visitar nossos avós.

Quando Jad apontou para mim, a moça bonita de cabelos loiros sorriu e assentia, acenando para eles a seguissem através de um corredor. Fomos guiados por entre vários velhinhos, e cada um deles me trouxe um tipo estanho de coceira nos olhos. Lily, a enfermeira que nos ajudava, sempre se refreava em frente a um deles e sorria amável para cumprimentar ou ajudar em algo.

Era tão bonita a forma como ela era doce com todos os eles.

— Eles estão aqui. Hoje nós nos reunimos para comemorar o aniversário de um dos nossos meninos — Ela deu uma risadinha suave — Eles estão comemorando ao som de Jazz à pedido de Joseph. Ele sente falta desse tempo, então não se acanhe com a animação deles. — falou, e abriu as portas.

Harlow ficou absolutamente deslumbrada quando o som veio seus ouvidos. Sem se conter soltou uma risadinha e olhou seus irmãos, que também sorriram quando demos passos para dentro da sala. Estava lotada deles, mulheres e homens idosos cantando e dançando — ou pelo menos tentando com suas bengalas e andadores — enquanto riram e comiam. Claro, havia enfermeiras e enfermeiros em todos os lados cuidando daqueles que mais precisava de atenção, mas pareciam tão divertidos quanto os idosos.

Rolei os olhos por todo o perímetro quase dançando ao som de jazz que saia de uma vitrola antiga a minha esquerda. Era uma música animada e contagiante, algo que eu gostaria de ter vivido e até conhecido.

— É animado por aqui — falei. Jared e Dana assentiram.

— Por isso eles nunca querem sair — disse Dan sorridente — Eu também não iria querer. Eles têm mais molejo que eu. — Ela apontou para um casal de velhinhos dançando em uma roda e eu gargalhei jogando minha cabeça para trás.

Divertida, nós perambulamos pelas pessoas animadas, assistindo, eu fiquei hipnotizada com suas risadas, eu achava que nada poderia fazer meu humor mudar, porém me enganei terrivelmente. Parei onde estava quando vi um homem com pouco mais de setenta cinco anos, andar de braços dados com uma mulher com uma aparência de sessenta e sente, eu não podia ver com precisão... Tudo eu conseguia entender, é que aquele homem fez meu peito se apertar e encolher.

Instantaneamente, meus olhos lacrimejaram ao constatar que ele tinha os mesmo olhos escuros que Jared possuía e o mesmo cabelo escuro, que agora era riscado por fios brancos em toda a cabeça, seu rosto era um tanto enrugado ainda e tinha a mesma mandíbula dura de sempre. Ele tinha tudo e muito mais do meu irmão... e mais ainda de meu pai.

Fazia tanto tempo que não via seu rosto, fazia tempo que não sentia necessidade de ter meu pai aqui para que pudesse ver ao vivo e a cores, como aqueles três homens eram tão parecidos. Eu engasguei, dando um passo para trás, e acidentalmente bati contra alguém, e esse alguém segurou-me antes de cair para o chão.

— Tranquila querida — Jared sussurrou, alisando meus braços — Apenas se acalme e vai dar tudo certo.

— Mas... eles são tão parecidos — minha voz saiu fraca e covardemente hesitante. — Oh Jared... Eles são. — Eu senti seu suspirar, e logo Dana estava ao nosso lado, ela segurou meu rosto gentilmente antes de beijar-me.

— Apenas concentrasse e saberá como agir. Estamos ao seu lado, você sabe — falou, e eu me impedi de chorar agora mesmo. Respirando fundo, eu assenti ao pensar no rosto triste de Amélia. Faria por ela. Ela perdeu quem amava, e não estaria fazendo o mesmo só por causa da minha mente bagunçada. Meus avós não mereciam isso.

— OK. — Falei lentamente e me soltei de Jared — Vamos. — Eles sorriram com orgulho e me seguira para perto de nossos avós.

Eles havia se sentado em um banquinho e olhavam em volta. Notei então que a mulher ao lado acariciava o rosto de meu avô Mason com um sorriso doce enquanto esse respirava de olhos fechados. Tomei meu tempo para ver minha avó Adele. Ela era a mesma também, mas seu cabelo louro agora tinha muito mais fios brancos, e apesar de Mason ser o mais velho, Adele parecia mais cansada, o que me fez sentir mal. Eu tinha me recusado saber deles por anos, e agora que tinha resolvido me aproximar, eles pareciam cansados demais para me ver... Era tão cruel.

Eu segurei minhas emoções quanto mais perto chegava. Observei como meu avô abriu os olhos e a mirava com um sorriso de lado, e se não estivesse errada, Adele parecia estar cantando o som de jazz para seu marido. Seus olhos de um azul paralisante focado apenas nele. Perguntei-me de repente se meu pai não tinha herdado nada de sua mãe, pois eu decididamente o via apenas no meu avô, por isso olhei por uns instantes para Adele, esses minutos serviram para eu finalmente encontrar algo familiar nela.

Quando Mason se aproximou e beijou sua bochecha, ela sorriu largo, e quando o fez, dois furinhos adoráveis apareceram ali, e com emoção, constatei que ela tinha as mesmas covinhas de Martin Cooper. Assim como Dana também as possuía.

Eu suspirei me sentindo mais em casa, e como se meu simples relaxar fosse a deixa para que eles percebesse a presença, ambos ergueram os olhos e nos olharam. Primeiro Sorriram ao ver Dana e Jared, e então constataram que havia mais uma garota a sua frente e seus sorrisos murcharam, os olhos passeando por todo meu rosto como se não me reconhecesse. Foi nesse instante que o medo voltou.

Eles nem sequer me reconheciam. E quando vire-me para Mason, ele franzia a testa com confusão. Eu engoli em seco e mordi os lábios nervosamente, na intensão de me afastar, mas o pequeno ato serviu como denunciador. Mason e Adele arregalaram os olhos para mim com espanto e surpresa.

— Oh Deus querido — Minha avó se levantou com a ajuda de sua bengala, os olhos molhados com lágrimas — É você? Harlow, minha menina, é você mesmo!

Eu não soube o que fazer quando ela abriu os braços e olhei Jared, que apenas assentiu e sorriu. Aquilo foi sua única resposta, e ela dizia: Vá.

E fui.

Caminhei até minha avó e permiti que ela envolvesse seus braços ao meu redor, notando logo de primeira que ela era exatamente da minha altura, permitindo-me deitar em seu ombro e ela fazer o mesmo comigo. Eu suspirei, sentindo aquele sentimento abrasador que sentia ao estar nos braços de Dana ou Jared, e aos poucos, eu retribui o abraço, até que me tinha apertada contra ela e sentindo seu cheirinho doce de talco e hidratante de rosas.

— Oh querida, como está grande — Ela se afastou fungando e sorrindo, as covinhas mostrando-se com grande empenho. Sua mão capturou meu queixo e ela me olhou — Tão parecida com Hope. Está linda menina.

Aos poucos eu conseguir sorrir, sentindo minhas bochechas coradas.

— Obrigada — sussurrei sem graça.

Ela estava deslumbrada.

— Estava com tantas saudades de você, meu bem — falou, e então se deu conta que seu marido não estava ao seu lado e virou com uma careta — Por que continua sentado ai, homem? Venha falar com sua neta.

Voltei meu olhar para Mason e estremeci. Ele era exatamente igual ao meu pai. Era tão estranho que não conseguia parar de olhá-lo. Meu avô se levantou hesitando, olhos escuros em mim com gentileza, e quando se aproximou não me tocou ou falou, apenas me encarou de volta como se estivesse esperando uma reação minha.

Entendi o por que depois de um tempo.

A última vez que eu o vi, tinha tido um ataque e gritado para os ventos que o queria longe, tinha chorado e me debatido no colo de Jared querendo minha casa e meu pai, pois só podia existir um dele, não dois. Culpa acumulou em meu peito e entendi que teria de dar o primeiro passo até ele, pois eu o tinha ferido ao fazer aquela cena abominável.

Apertei as mãos, e respirando pela boca, me aproximei. Ele arregalou os olhos com surpresa, mas não se afastou. Eu segui indo até ele até que estava a sua frente, o olhando profundamente.

— Oi vovô — sussurrei. A expressão de choque dele passou e foi substituído por algo bem diferente, ele apertou os lábios e engoliu em seco, os olhos brilhando com lágrimas quando levou a mão para meu rosto. Eu apenas o encarava.

Mason sorriu, e isso quase me tirou o fôlego e me fez cair em prantos.

— Você me olha como se fosse um milagre — sua voz era rouca e completamente familiar. Eu engasguei com emoção.

— Você parece um agora — garanti sentindo as lágrimas correrem — Um milagre realmente estranho de se ver.

Mason suspirou pesadamente.

— Eu sinto muito que isso seja difícil para você — falou, e seus dedos tocaram por todo meu rosto e meus cabelos — Queria poder facilitar isso.

Finalmente, eu senti um sorriso sincero aparecer em meu rosto, e eu vi como o dele se iluminou ao vê-lo.

— Não sinta — falei sincera — Acho que isso é algo bom agora, pois se eu não posso ver o rosto verdadeiro do meu pai, eu posso me contentar em ver o da pessoa que lhe deu aquela face. — Toquei seu rosto e suspirei, admirada — Para mim tá bom assim.

Inesperadamente, Mason deixou o ar sair, e de repente eu era puxada para seus braços em um grande abraço de urso. Eu sorri, envolvendo meus braços em torno dele quando o senti tremer por causa de um soluço. Eu deitei contra seu peito, sentindo os beijos que ele deixava em minha cabeça exatamente como Jared fazia, ouvi seu coração bater acelerado e o apertei, pensando como fui idiota por não ter vindo até ele antes. Mason era minha família, independente de qual era seu rosto. Eu não tinha o direito de afastá-lo ou sequer lhe causar dor por causa da minha perturbação.

Era meu avô, e agora tudo que eu mais queria era estar para sempre, dentro de seus braços. Sentindo seu aconchego e olhando em seus escuros olhos profundos, pois ao fazer isso, eu me sentia cada vez mais perto do meu querido e adorado pai. Muito mais perto.

~*~

Notas finais
Quem acha que o relacionamento do Jimmy com a Harlow ta andando levanta a mão Espero que tenham curtido e que dessa vez venham falar comigo o que acharam. Não esqueçam ta, meu aniver é esse sábado e super queria um comentário como presente. Façam esse esforço por mim?