Rude Girl

9 Capitulo 9 — Perseverança


Notas iniciais
Oi gente! O cap de hoje será com nosso querido, Jimmy, no entanto, quero em primeiríssimo lugar, agradecer aquela linda, maravilhosa, gaterrima DEUSA PUDIM!!! (Mano, serio, eu amo muito seu nome fake). Garota, muito obrigada pela recomendação terrivelmente show e agradeço por seres tão doce. Amo você de paixão. Agora, vamos ao cap, e preparem-se, pois o Jimmy ta bravinho hoje. Boa leitura. ♥

Eu soube no exato momento em que Harlow dormiu. Apertando meus braços em volta dela, nunca deixei de enfrentar os olhos Jared enquanto o empurrava para o lado e passava por ele para chegar à porta principal da casa. Logo atrás ouvi o mesmo resmungar maldições para mim enquanto Dana tentava ficar sempre ao meu lado, o rosto contorcido em algo que eu sabia, era raiva e confusão. Ela não confiava em mim, e eu não lhe tirava a razão, todavia eu não permitiria que tirassem Harlow dos meus braços, quer seja irmão ou amigo, ela iria ficar comigo.

— Quem você pensa que é para exigir estar perto de Harlow?! — rugia Jared me seguindo, assim como todos que estavam dentro da casa. Já eu era guiado por Mick até o carro, que mesmo com os protestos de Jared, me ajudou a subir no SUV com Harlow nos braços. — Estou falando com você!

— Foda-se Jared! — gritei de volta, cobrindo os ouvidos de Harlow, que ressonava tranquila em meu peito — Eu entendo que me queira longe das suas irmãs, mas porra. Eu vi ela chorar. Eu tive ela no meu colo sem ar e chorando enquanto chamava o seu nome. E eu não pude fazer merda nenhuma. Sabe o que é isso caralho? Estou a ponto de bala agora, então não me venha lançar ordens de irmão para cima de mim, pois não vou cumpri-las. Não quando eu tenho essa garota nos meus braços.

A expressão irritadiça de Jared mudou para remorso. Eu senti por ele, mas não deixei de lado minha raiva e nem mesmo afrouxei os braços em volta da irmã dele, só virei o rosto e me aconcheguei no banco do carro, tomando cuidado para que a cabeça de Harlow não batesse na porta. Perdi-me em pensamentos depois disso, encarando o rosto cansado da garota em meus braços, odiando o fato de nunca ter percebido que ela precisava de ajuda, ou que ela sofria de ataques de pânico e asma. E se ela estivesse sozinha? Como se salvaria? Não gostava nem de pensar o que poderia ter acontecido.

Inconsciente de meu ato, alisei o rosto da pequena menina nos meus braços, e foi quase impossível não sorrir nervoso para aquilo. Ela parecia tão frágil daquele jeito, dormindo contra mim, e era até mesmo agradável a forma como sua mão agarrava minha camisa e seu lábio inferior tremia em meio ao sono. E pela primeira vez, eu me perguntei à diferença das palavras Bela e Linda, pois naquele instante nenhuma delas pareciam se encaixarem com aquele rostinho redondo e suave. Meus dedos então coçaram para ter um lápis e um papel para capturar a inocência dela, a forma como o sol batia em seu rosto deixando um vermelho doce em sua pele branca toda vez que o carro entrava em uma curva e dava passagem pela janela, fazia-me agitado, admirado e absolutamente fascinado.

E enquanto eu a admirava, uma parte consciente da minha mente percebeu que Jared e Dana conversavam sobre algo com Mick, mas não dei muita atenção, pois assistia a um espetáculo muito mais fascinante. O sono tranquilo de Harlow. E decerto estava atento a qualquer sinal de mais um ataque, temeroso demais durante todo o caminho.

Eu perderia o juízo sempre que ela desse sinal de falta de ar agora. Ponderei aflito e a olhando seriamente. Suspirei, empurrando uma das mexas do cabelo escuro para trás de sua orelha, e acho que o movimento a assustou, pois se moveu e franziu o cenho, mas não acordou enquanto murmurava palavras. Sorri só de constatar que ela falava dormindo, mas meu sorriso caiu quando compreendi o que ela dizia.

Ela parecia estar brigando com o pai por causa de Dana que a deixava nervosa, mas depois mudava totalmente e deixava os lábios curvarem para cima num sorriso. E então ela sussurrava mãe. Mamãe o tempo todo.

Levantei olhos e encontrei os de Jared e Dana, que tinham parado de falar para ouvir a irmã mais nova. Eles pareciam mais tristes que nunca.

— Eu lembro desse dia — Dana se encolheu ao meu lado, como se quisesse ficar longe de mim — Ela está sonhando com aquele dia em que eu estava provocando ela. Lembra Jad? Eu estava imitando ela. Eu tinha nove e ela seis.

— Ah — Jared sorriu de lado, olhando a janela — Harlow estava vestindo o terno do pai. O que ela disse que iria fazer?

— Crescer e tomar o lugar do papai por que ele estava doente — Dana riu, balançando a cabeça — Ela estava absolutamente sumindo dentro daquele terno.

—Ela estava — O sorriso de Jared era imenso — Papai se derreteu quando a viu.

— Quem não o faria? —Indagou Dana, olhando a irmã quase como se olhasse uma filha.

Enquanto eles conversavam sobre Harlow, eu pude por um minuto tirar deles todo o carinho, todo o amor e conhecimento que ambos tinham pela irmã, para fechar os olhos e deitar o rosto sobre a cabeça de Harlow. Então finalmente confessar. Eu estava louco por Harlow. Apaixonado era pouco. Estava totalmente de quatro por ela.

E isso iria me meter em problemas.

~*~

Horas depois já estávamos na casa e Dana me guiava-me até o quarto totalmente em silencio enquanto seu irmão despedia-se e agradecia Mick. Eu não ousei dizer uma palavra sequer, apenas apertei Harlow em meus braços e andei, aspirando o perfume da pequena a todo instante, foi duro ter que transfira-la para cama, era tão bom sentir o calor de sua pele contra a minha, que hesitei por longos minutos antes de me abaixar descansá-la delicadamente sobre o colchão. Nenhum dos movimentos atrapalhou seu sono, e fiquei feliz, porque assim eu poderia admirá-la mais.

Sorrindo, empurrei a franja desajeitada para o lado e observei atento a sua respiração. Por mim ficaria ali para sempre, mas a voz de Dana tirou-me do transe quase que instantaneamente.

— Por que a toca assim? — Virei o rosto um pouco assustado, pois aquela era realmente a primeira vez depois que terminamos, que ela se dirigia a mim sem rosnar ou estreitas os olhos com pura raiva. Avaliei seu rosto, detectando, para minha surpresa, uma curiosidade cheia de suspeita.

— Não entendi — Engoli em seco.

Dana ergueu uma sobrancelha daquela forma que eu conhecia, queria dizer que sabia mais do que eu pensava.

— Por que esta tocando Harlow como se fosse de vidro? — Voltou a perguntar — Por que olha para minha irmã como se fosse um tipo de divindade? E mais, por que de repente está preocupado e a defendendo até mesmo da sua própria sombra? — Sua atenção se fixou sombriamente em mim e ela deu um passo, e eu tive de olhar para outro lado, pois encarar os olhos de Dana era como estar sendo interrogado por um advogado e também juris. Sempre tive medo desse olhar dela, por mais atraente que fosse.

Procurei por palavras para respondê-la, mas percebi que não as tinha, portanto alisei o cabelo, nervoso.

— Me responda Jimmy — insistiu ela duramente.

Eu resfoleguei.

— Eu não sei okay? Eu não sei — Sentei-me na única poltrona que tinha no quarto e olhei Harlow, exasperado — Não tenho resposta para sua pergunta.

— Isso não pode ser verdade — disse seriamente, cruzando — Você é um homem crescido. Haja seriamente e diga o que planeja com minha irmã, e juro por Deus, Jimmy. Se estiver tramando para cima dela, irá se arrepender profundamente.

Franzi a testa, ainda sem olhá-la, mas suas palavras acertavam em cheio, bem ao meu coração, que já não estava muito bem. Dana me tratava como um canalha, e talvez eu fosse mesmo, porém não gostava de tê-la pensando que machucaria sua irmã mais nova.

— Realmente me odeia não é? — questionei com um sorriso triste e a olhando.

Dana piscou.

— Desculpe?

— Você nunca vai me perdoar? — indaguei aflito — Eu sei que errei Dana, mas tinha esperanças que um dia, você aceitasse meu perdão.

Ela ficou quieta, me olhando, e por um instante pensei no momento aéreo que tive no carro, enquanto cogitava desenhar Harlow. E agora fora dele, eu olhava para irmã dela, e tinha o mesmo desejo de capturar seu rosto mais amadurecido do que da irmã, imaginei como seria interessante colorir aquele cabelo com um preto profundo, enquanto o de Harlow seria de um castanho mais claro, os olhos idênticos com pintados com azul esverdeado.

Dana e Harlow tinham uma essência completamente diferente. Era como comparar fogo com água, ou vinho com champanhe. Gostos e cores diferentes, mas que ainda me fascinavam.

— Nunca foi sobre perdão — Ela me trouxe de volta mais uma vez dos pensamentos.

Olhei-a nos olhos.

— Então é sobre o que? Diga-me e tentarei concertar, não aguento mais seu desprezo ou a arrogância do seu irmão. Eu entendo que eu fiz uma idiotice, mas isso não é motivo para me tratarem como se fosse indigno de ser amigo de Harlow — A magoa e a dor que eu tanto guardava pingou das minhas palavras. — Eu ponho o pé na sua casa, e a primeira coisa que Jared faz é me escorraçar como um cachorro, você nem mesmo me olha e quando o faz, é só para jogar pedras através de palavras... E às vezes parece que pensam em mim como um... — hesitei ao falar as palavras, porque doía demais dizer em voz alta, mas ainda sim não aguentava mais guarda aquilo para mim — Vocês me tratam como se fosse um prostituto.

Deixou-a absorver o que disse, e podia ver o choque em seus olhos esbugalhados, e acho que foi difícil para ela disfarçar o arrependimento de seus olhos.

— Nós não achamos que é um... um... — Balançou a cabeça, recusando-se a falar — Jared só quer nos proteger. Não pretendíamos causar magoa em você Jimmy. — falou, e foi até engraçado suas palavras, por isso riu, levantando-se para ir até a janela.

— Por favor. Não minta para si mesma. — disse com desdém — Está claro só olhando a forma como Jared tenta me bater, que ele deseja que eu sofra assim como eu fiz você sofrer. Eu até entendo, mas merda... Já pensou em como é vergonhoso chegar à casa de um amigo seu, e o irmão dele simplesmente sair de seja lá onde, apenas para lhe colocar para fora sem ao menos pensar duas vezes? — Não quis olhá-la para saber sua expressão apenas continuei — Já pensou em como doeu ouvir ele me chamar de bastardo? Cafajeste. Moleque. Impertinente. Galinha. Tenho certeza que ele encontrará muitos nomes ofensivos mais para frente. Mas... Saber disso me perturba, e saber que nenhum dos dois confia em mim para cuidar de Harlow, doí ainda mais. O porquê eu não sei, mas eu não aguento mais — balancei a cabeça, frustrado e enterrando os dedos nos cabelos.

— Eu não sou um moleque — senti minha voz engrossar relativamente — Eu não sou cafajeste, impertinente ou um bastardo. — Minha respiração alterou, e minhas mãos apertaram em punho enquanto cerrava os dentes — Eu não sou um prostituto para me tratarem como um. Se não perceberam, eu sou a porra de um humano igual a vocês — queimando em fúria, dei a volta para encará-la, só para me surpreender com mais uma presença no quarto.

Jared e Dana estavam ali parados, ouvido. Dan, por mais incrível que parecesse, tinha lágrimas nos olhos, enquanto Jared, pela primeira vez, parecia perdido e terrivelmente culpado.

— Os dois querem me odiar, o façam, mas eu já me desculpei demais. Dana, eu não fiz de propósito, a forma como terminei, as palavras que usei, não foram para magoar ou te entristecer, eu estava apenas confuso... —Respirei fundo, odiando quando as lágrimas dela caíram — Eu juro para você, que o que eu senti ao seu lado, foi verdadeiro, mas quando percebi que não podia continuar, eu tive que fazer algo para que no final eu não a quebrasse, e acredite... Seria muito pior.

— Por que não tentou? — choramingou ela, esfregando as bochechas — Eu aceitaria esperar. Dar um tempo. Seja o que for... Eu faria tudo se você me pedisse.

— E eu acredito nisso — sorri gentilmente — Mas pense bonita. Você aguentaria ficar ao lado de um homem que não a ama? — Dana soluçou, virando o rosto ao ouvir a pergunta e principalmente o apelido que há tempos atrás, era como eu a chamava sempre.

Eu esperei que ela pensasse, e quando essa suspirou e negou, deixei um sorriso aparecer.

— Claro que não. — disse suavemente — Ninguém quer. E esse foi um dos motivos para que eu a deixasse.

— Um dos? — fungou. Balancei a cabeça afirmativamente. — E qual é o outro motivo?

Eu fiz de tudo para não olhar para a cama que estava ao meu lado, me segurei no lugar apulso.

— Não é hora de dizer — respondi, e então acrescentei — Então entendam: Eu não vou mais aturar isso — Mirei Jared, com rancor — Sei que está protegendo elas, mas estou farto. Eu não sou seu fantoche para que brinque de tiro ao alvo, e muito menos um saco de pancadas para seus socos. Eu machuquei Dana e pedi desculpas, não uma, mas várias. Na verdade eu me arrastei pelo perdão dela e tudo que ganhei foram patadas. Isso vai mudar. Podem me odiar, mas abusar de mim como andam fazendo, — ou me afastar de Harlow só porque querem vingança — não vai funcionar, porque eu vou lutar.

— Jimmy — Jared soltou o ar, cansado e alisando o cabelo — Você está vendo essas duas — Apontou de Dana para Harlow. — São minha única família... Eu tenho que cuidar delas.

— E eu não estou dizendo o contrario — falei firmemente — Só estou pedindo que feche a boca ao querer falar de mim. Não sou o que pensa, e o mais importante. Não sou um pano de chão para que possa pisar.

E mais uma vez, silencio reinou, e nós três olhamos com a intensidade ultrapassando as barreiras. Eu ainda não acreditava que tinha dito tudo aquilo, mas me sentia aliviado, era quase como se estar livre.

Dana foi a primeira a quebrar o gelo, e se aproximou, enxugando os olhos.

— Não pensava que estava lhe machucando tanto — disse, e vi sinceridade em seus olhos — Apesar de tudo, eu não tenho direito de fazer isso, então — puxou fôlego. — Me desculpe. Desculpe por ter sido insensível.

Eu quase podia dizer que estava sonhando, foi triste como um peso terrível saiu de minhas costas e eu deixei os ombros caírem enquanto olhava carinhosamente para aquela linda mulher.

— Eu sinto muito mesmo Dana — sussurrei, chegando mais perto para que pudesse tocá-la no rosto. Ela se espantou com minha mão, mas quando me olhou, não se afastou — Eu fui um idiota, não te merecia e nem lhe mereço. Você é uma mulher maravilhosa, atenciosa e eternamente fiel... Saiba que se estivesse apaixonado, nunca hesitaria em pedir sua mão em namoro para Jared, mas eu não podia fazer isso, entende?

A face dela, já avermelhada, ficou molhada com uma enchente de lágrimas, e eu quis saltar de felicidade quando um meio sorriso apareceu em seus lábios. Era uma das coisas que sempre admirei em Dana Cooper. O seu sorriso.

— Eu entendo agora. — fungou, e levou uma mão para cima da minha, cobrindo-a em seu rosto — Me perdoe também, eu agi como uma garotinha boba e cheia de rancor, lhe chamei de nomes duros, quando tudo que queria era que você ficasse ao meu lado. Desculpe por ter feito isso, desculpe por olhá-lo feio e por... Todo resto. — respirou fundo — Só me desculpe.

Sorri largo, e já sob o efeito da emoção, enlacei a cintura fina dela e a puxei, abraçando-a forte e a colocando deitada em meu ombro. Fechei os olhos, desfrutando do alívio que era tê-la assim novamente.

— Obrigado — murmurei fortemente — Muito obrigado.

E ficamos ali, abraçados, Dana choramingando em minha camisa e eu alisando seu cabelo escuro, isso até abrir os olhos e dar de cara com o olhar atento de Jared. Ele tinha os braços e pernas cruzados, e fiquei pasmo por notar seu lábio curvado para cima em um sorriso suave, até parecia gentil. Só não entendia o porquê lançava-o para mim.

Ele não se moveu quando Dana se afastou, sorrindo e secando lágrimas, porém do seu jeito duro e suspeito, Jared disse, me olhando profundamente.

— Me desculpe também, admito que exagerei —Ergui uma sobrancelha. Ele bufou — Ok. Eu fui um imbecil. Satisfeito? — Sorri de lado, cruzando os braços também.

— Na verdade estou — admiti. Jared impressionantemente riu e pegou fôlego, em seguida se afastou da parede na qual encostava e veio para mim.

— Eu peço desculpas, mas não posso garantir que minha antipatia por você vá desparecer de repente. Principalmente agora, que está tão colado em Harlow — Apertei os lábios, compreendendo.

— Sei disso.

— Farei o que for preciso para protegê-la, Jimmy, então tome cuidado. Darei uma chance e permitirei que se aproxime da minha família, mas se machucá-la — A sua expressão seria retornou, mas eu não fugi do seu olhar — Vou querer você longe dela e de todos nós. Entendeu-me? A faça chorar, e está fora das nossas vidas para sempre. Fui claro?

Engoli em seco, absorvendo o significado dessas palavras e olhei Harlow em seu sono, percebendo que se eu a fizesse chorar como diz Jared, eu mesmo me colocaria para fora da vida dela e me trancaria de tudo e de todos.

— Sim — respondi sem olhá-lo. — Prometo não fazer nenhum mal para ela. Juro por minha família.

Jared assentiu, parecendo satisfeito.

— Ótimo. Agora vamos sair — Olhou a irmã mais nova, suavizando a expressão — Ela precisa descansar.

— Mas... — Não gostava da ideia de deixá-la — Ela está mesmo bem?

— Sim. E depois dessa injeção ela vai dormir até amanhã igual uma pedra — falou, e se aproximou da cama para puxar um cobertor por cima de Harlow. Dana foi com ele, mas apenas se abaixou e beijou a testa da menina — Ela vai ficar bem.

— Hum. — Estava em duvida. E tudo piorou quando Jared tirou a bombinha de asma do bolço para colocar na escrivaninha ao lado, perto do porta-retratos dos pais. Com certeza para o caso dela precisar durante a noite.

Deus. Eu surtaria toda ela.

— Venha. Dana, fique e troque ela. Acho que uma roupa mais confortável vai fazer o sono dela durar — Jared falou a irmã mais velha que assentiu indo diretamente para o armário de Harlow.

Sem mais pretexto para ficar, suspirei derrotado e me abaixei ao lado da cama, alisando o cabelo da garota e franzindo a testa.

— Volto amanhã baixinha — sussurrei, apenas para ela. — Boa noite pequena.

Arrastar-me para fora do quarto foi a coisa mais difícil que já fiz, e quando cheguei a porta principal, meus pés quase travaram.

— Sua moto está no gramado — Jared disse ao abrir a porta — Liam veio dirigindo atrás do SUV com ela. Aqui — Me passou as chaves de Jack e sorriu — Desculpe mais uma vez por tudo que fiz e falei. Como disse Dana, não tinha e não tenho esse direito.

— Agradeço — disse sinceramente —Obrigada por compreender.

— E obrigada por me entender também — sorriu constrangido — É um bom garoto, Jimmy, mas espero que depois dessa conversa, você pense mais em suas ações. Elas iram refletir no seu futuro daqui para frente. — Bateu gentilmente em meu ombro. — Até amanhã garoto.

E fechou a porta, deixando-me do lado de fora, ainda pensando em tudo que falamos e resolvemos no quarto. Apertei as mãos na cabeça, exausto, mas, todavia eu sorria, correndo para moto eu tinha um sorriso grande e satisfeito. E quando montei pronto para colocar o capacete, meu celular tocou.

Sorri para o nome brilhando.

— Você não vai acreditar no que aconteceu — falei assim que atendi. A risadinha de Stef só fez aquilo parecer mais real.

—O que aprontou dessa vez Jaime Nicholas Rory? — indagou, e eu gargalhei, mas do que feliz.

— Eles me perdoaram Stef! — Meu peito estava iluminado de alegria — Dana e Jared finalmente me perdoaram.

O som da minha amiga puxando ar foi registrado, e depois ela estava gritando animada, uma reação que ela demonstrava para poucos.

— Ai meu Deus Jimmy! Isso é maravilhoso! Como aconteceu? Me conte tudo. — Sorri.

— Eu gostaria de explicar pessoalmente, mas... Ah Sref, eu estou tão aliviado, é como se tivesse tirado um peso dos ombros. — falei sinceramente, me abaixando para encostar a testa no capacete. — Até parece sonho.

Ela riu.

— Eu entendo. Faz anos que tenta conquistá-los — falou — Eu fico muito feliz por você Jimmy. Você quer me encontrar agora? Jack acabou de sair daqui e bem... Ele me contou sobre o que aconteceu na casa do Liam. — Fiz careta.

— Como ele já sabe? Não se passaram nem cinco horas — Frustrei-me, a voz de Stef saiu gentil.

— Liam nos contou por telefone. Jonah e Lizze também já sabem, por que, bem, estamos pensando em fazer uma coisa para Harlow. — Me endireitei completamente atento agora.

— Que tipo de coisa?

— Ainda não decidimos, mas Liam nos contou que Jodie teve essa ideia assim que vocês saíram. Fazer algo para ela no aniversário, para mostrá-la que ela é importante e que pode superar essa culpa que ela acha que tem pela morte da mãe. Pensamos também em pedir o concelho dos irmãos dela, para ver o que acham.

Eu não conseguia conter o sorriso de empolgação.

— Isso é brilhante! — falei animado — Essa ideia veio mesmo da Jodie? — perguntei impressionado, Stefany tornou a rir.

— Sim. Foi. Liam disse que ela está ficando estressada com Harlow, e quando ela fica estressada, nós ficamos também. Nas palavras dela: Harlow precisa cair na real e ver que tem amigos que podem tirá-la dessa merda. E eu meio que concordo com ela. — A voz dela decaiu um pouco — Não gosto de pensar que Harlow sofre tanto, e tudo sozinha. Ainda mais com essa história da tia dela... Precisamos fazê-la entender que pode contar conosco — Eu concordava, mas algo me preocupava.

— Mas e se isso a fizer piorar? Ela não comemora o aniversário e fazê-lo agora, de repente, pode desencadear algo ruim — Stef ficou em silencio, como se ponderasse minhas palavras.

— Bem, nós podemos tentar e ver no que vai dar. Jodie acha que Harlow só precisa cair na real e que talvez, ela possa abrir os olhos nessa comemoração. Mesmo que seja ela quebrando as coisas. E temos que decidir rápido, pois faltam apenas dois dias para o aniversário dela. Mas então... Quer vir aqui em casa? Podemos falar mais e decidir nossos presentes para ela — Sorri com sua empolgação, mas tinha algo para fazer antes disso.

— Desculpe Stef, mas estou indo para meu apartamento. —falei, ela pareceu surpresa.

— Sério? Mas faz tempo que não vai lá. — Novamente sorri, os dedos coçando.

— Hoje é diferente. Preciso... Fazer uma coisa. Podemos nos ver amanhã e combinar com o pessoal de vim ver Harlow. O que acha?

— Bem. Okay. Mas será que...

— Stef — Ri para sua curiosidade — Esquece — Ela bufou e eu ri novamente— Estarei com o celular desligado. Pode mandar uma mensagem para Dolly por mim? Assim ela avisa minha mãe, antes que a velha tenha um infarto por não voltar para casa.

— Eu aviso. Espero que um dia me leve a esse apartamento, fico curiosa para ver o que tanto faz lá — Ergui uma sobrancelha, divertido e ligando a moto.

— Sinto muito morena, mas aquela área é proibida para muitos, apenas eu posso entrar. Até mesmo meus pais sabem disso. — Ela resmungou insatisfeita.

— Mas eu sou sua amiga, não poderia sei lá, abrir uma brechinha? — Sorri amplamente, balançando a cabeça.

—Sinto muito Stefany, mas não. — Ela suspirou, derrotada.

— Muito bem, eu tentei. Se cuide garoto, e até amanhã.

— Até amanhã morena mais linda do mundo — brinquei, e ela gargalhou antes mesmo de desligar o celular.

Respirando fundo, guardei o meu depois de desligar e coloquei o capacete, estava na hora de ter um tempo só para mim, e eu nunca fiquei tão ansioso para fazer uma coisa, como fiquei quando cheguei ao meu destino, e comecei meu maior desafio, sem ao menos pregar o olho durante a noite toda. Aquilo ficaria tão perfeito quanto os outros, não tinha duvidas disso.

~*~

Notas finais
Acabou minha gente, espero que tenham curtido e que comentem OUVIRAM FANTASMINHAS. Obrigada pela atenção, e mais uma vez Deusa Pudim, valeu pela recomendação. Vc é 10! Amo todos vocês. Xoxo.