Rude Girl
9 Capitulo 9 — Perseverança
Notas iniciais
Eu soube no exato momento em que Harlow dormiu. Apertando meus braços em volta dela, nunca deixei de enfrentar os olhos Jared enquanto o empurrava para o lado e passava por ele para chegar à porta principal da casa. Logo atrás ouvi o mesmo resmungar maldições para mim enquanto Dana tentava ficar sempre ao meu lado, o rosto contorcido em algo que eu sabia, era raiva e confusão. Ela não confiava em mim, e eu não lhe tirava a razão, todavia eu não permitiria que tirassem Harlow dos meus braços, quer seja irmão ou amigo, ela iria ficar comigo.
— Quem você pensa que é para exigir estar perto de Harlow?! — rugia Jared me seguindo, assim como todos que estavam dentro da casa. Já eu era guiado por Mick até o carro, que mesmo com os protestos de Jared, me ajudou a subir no SUV com Harlow nos braços. — Estou falando com você!
— Foda-se Jared! — gritei de volta, cobrindo os ouvidos de Harlow, que ressonava tranquila em meu peito — Eu entendo que me queira longe das suas irmãs, mas porra. Eu vi ela chorar. Eu tive ela no meu colo sem ar e chorando enquanto chamava o seu nome. E eu não pude fazer merda nenhuma. Sabe o que é isso caralho? Estou a ponto de bala agora, então não me venha lançar ordens de irmão para cima de mim, pois não vou cumpri-las. Não quando eu tenho essa garota nos meus braços.
A expressão irritadiça de Jared mudou para remorso. Eu senti por ele, mas não deixei de lado minha raiva e nem mesmo afrouxei os braços em volta da irmã dele, só virei o rosto e me aconcheguei no banco do carro, tomando cuidado para que a cabeça de Harlow não batesse na porta. Perdi-me em pensamentos depois disso, encarando o rosto cansado da garota em meus braços, odiando o fato de nunca ter percebido que ela precisava de ajuda, ou que ela sofria de ataques de pânico e asma. E se ela estivesse sozinha? Como se salvaria? Não gostava nem de pensar o que poderia ter acontecido.
Inconsciente de meu ato, alisei o rosto da pequena menina nos meus braços, e foi quase impossível não sorrir nervoso para aquilo. Ela parecia tão frágil daquele jeito, dormindo contra mim, e era até mesmo agradável a forma como sua mão agarrava minha camisa e seu lábio inferior tremia em meio ao sono. E pela primeira vez, eu me perguntei à diferença das palavras Bela e Linda, pois naquele instante nenhuma delas pareciam se encaixarem com aquele rostinho redondo e suave. Meus dedos então coçaram para ter um lápis e um papel para capturar a inocência dela, a forma como o sol batia em seu rosto deixando um vermelho doce em sua pele branca toda vez que o carro entrava em uma curva e dava passagem pela janela, fazia-me agitado, admirado e absolutamente fascinado.
E enquanto eu a admirava, uma parte consciente da minha mente percebeu que Jared e Dana conversavam sobre algo com Mick, mas não dei muita atenção, pois assistia a um espetáculo muito mais fascinante. O sono tranquilo de Harlow. E decerto estava atento a qualquer sinal de mais um ataque, temeroso demais durante todo o caminho.
Eu perderia o juízo sempre que ela desse sinal de falta de ar agora. Ponderei aflito e a olhando seriamente. Suspirei, empurrando uma das mexas do cabelo escuro para trás de sua orelha, e acho que o movimento a assustou, pois se moveu e franziu o cenho, mas não acordou enquanto murmurava palavras. Sorri só de constatar que ela falava dormindo, mas meu sorriso caiu quando compreendi o que ela dizia.
Ela parecia estar brigando com o pai por causa de Dana que a deixava nervosa, mas depois mudava totalmente e deixava os lábios curvarem para cima num sorriso. E então ela sussurrava mãe. Mamãe o tempo todo.
Levantei olhos e encontrei os de Jared e Dana, que tinham parado de falar para ouvir a irmã mais nova. Eles pareciam mais tristes que nunca.
— Eu lembro desse dia — Dana se encolheu ao meu lado, como se quisesse ficar longe de mim — Ela está sonhando com aquele dia em que eu estava provocando ela. Lembra Jad? Eu estava imitando ela. Eu tinha nove e ela seis.
— Ah — Jared sorriu de lado, olhando a janela — Harlow estava vestindo o terno do pai. O que ela disse que iria fazer?
— Crescer e tomar o lugar do papai por que ele estava doente — Dana riu, balançando a cabeça — Ela estava absolutamente sumindo dentro daquele terno.
—Ela estava — O sorriso de Jared era imenso — Papai se derreteu quando a viu.
— Quem não o faria? —Indagou Dana, olhando a irmã quase como se olhasse uma filha.
Enquanto eles conversavam sobre Harlow, eu pude por um minuto tirar deles todo o carinho, todo o amor e conhecimento que ambos tinham pela irmã, para fechar os olhos e deitar o rosto sobre a cabeça de Harlow. Então finalmente confessar. Eu estava louco por Harlow. Apaixonado era pouco. Estava totalmente de quatro por ela.
E isso iria me meter em problemas.
~*~
Horas depois já estávamos na casa e Dana me guiava-me até o quarto totalmente em silencio enquanto seu irmão despedia-se e agradecia Mick. Eu não ousei dizer uma palavra sequer, apenas apertei Harlow em meus braços e andei, aspirando o perfume da pequena a todo instante, foi duro ter que transfira-la para cama, era tão bom sentir o calor de sua pele contra a minha, que hesitei por longos minutos antes de me abaixar descansá-la delicadamente sobre o colchão. Nenhum dos movimentos atrapalhou seu sono, e fiquei feliz, porque assim eu poderia admirá-la mais.
Sorrindo, empurrei a franja desajeitada para o lado e observei atento a sua respiração. Por mim ficaria ali para sempre, mas a voz de Dana tirou-me do transe quase que instantaneamente.
— Por que a toca assim? — Virei o rosto um pouco assustado, pois aquela era realmente a primeira vez depois que terminamos, que ela se dirigia a mim sem rosnar ou estreitas os olhos com pura raiva. Avaliei seu rosto, detectando, para minha surpresa, uma curiosidade cheia de suspeita.
— Não entendi — Engoli em seco.
Dana ergueu uma sobrancelha daquela forma que eu conhecia, queria dizer que sabia mais do que eu pensava.
— Por que esta tocando Harlow como se fosse de vidro? — Voltou a perguntar — Por que olha para minha irmã como se fosse um tipo de divindade? E mais, por que de repente está preocupado e a defendendo até mesmo da sua própria sombra? — Sua atenção se fixou sombriamente em mim e ela deu um passo, e eu tive de olhar para outro lado, pois encarar os olhos de Dana era como estar sendo interrogado por um advogado e também juris. Sempre tive medo desse olhar dela, por mais atraente que fosse.
Procurei por palavras para respondê-la, mas percebi que não as tinha, portanto alisei o cabelo, nervoso.
— Me responda Jimmy — insistiu ela duramente.
Eu resfoleguei.
— Eu não sei okay? Eu não sei — Sentei-me na única poltrona que tinha no quarto e olhei Harlow, exasperado — Não tenho resposta para sua pergunta.
— Isso não pode ser verdade — disse seriamente, cruzando — Você é um homem crescido. Haja seriamente e diga o que planeja com minha irmã, e juro por Deus, Jimmy. Se estiver tramando para cima dela, irá se arrepender profundamente.
Franzi a testa, ainda sem olhá-la, mas suas palavras acertavam em cheio, bem ao meu coração, que já não estava muito bem. Dana me tratava como um canalha, e talvez eu fosse mesmo, porém não gostava de tê-la pensando que machucaria sua irmã mais nova.
— Realmente me odeia não é? — questionei com um sorriso triste e a olhando.
Dana piscou.
— Desculpe?
— Você nunca vai me perdoar? — indaguei aflito — Eu sei que errei Dana, mas tinha esperanças que um dia, você aceitasse meu perdão.
Ela ficou quieta, me olhando, e por um instante pensei no momento aéreo que tive no carro, enquanto cogitava desenhar Harlow. E agora fora dele, eu olhava para irmã dela, e tinha o mesmo desejo de capturar seu rosto mais amadurecido do que da irmã, imaginei como seria interessante colorir aquele cabelo com um preto profundo, enquanto o de Harlow seria de um castanho mais claro, os olhos idênticos com pintados com azul esverdeado.
Dana e Harlow tinham uma essência completamente diferente. Era como comparar fogo com água, ou vinho com champanhe. Gostos e cores diferentes, mas que ainda me fascinavam.
— Nunca foi sobre perdão — Ela me trouxe de volta mais uma vez dos pensamentos.
Olhei-a nos olhos.
— Então é sobre o que? Diga-me e tentarei concertar, não aguento mais seu desprezo ou a arrogância do seu irmão. Eu entendo que eu fiz uma idiotice, mas isso não é motivo para me tratarem como se fosse indigno de ser amigo de Harlow — A magoa e a dor que eu tanto guardava pingou das minhas palavras. — Eu ponho o pé na sua casa, e a primeira coisa que Jared faz é me escorraçar como um cachorro, você nem mesmo me olha e quando o faz, é só para jogar pedras através de palavras... E às vezes parece que pensam em mim como um... — hesitei ao falar as palavras, porque doía demais dizer em voz alta, mas ainda sim não aguentava mais guarda aquilo para mim — Vocês me tratam como se fosse um prostituto.
Deixou-a absorver o que disse, e podia ver o choque em seus olhos esbugalhados, e acho que foi difícil para ela disfarçar o arrependimento de seus olhos.
— Nós não achamos que é um... um... — Balançou a cabeça, recusando-se a falar — Jared só quer nos proteger. Não pretendíamos causar magoa em você Jimmy. — falou, e foi até engraçado suas palavras, por isso riu, levantando-se para ir até a janela.
— Por favor. Não minta para si mesma. — disse com desdém — Está claro só olhando a forma como Jared tenta me bater, que ele deseja que eu sofra assim como eu fiz você sofrer. Eu até entendo, mas merda... Já pensou em como é vergonhoso chegar à casa de um amigo seu, e o irmão dele simplesmente sair de seja lá onde, apenas para lhe colocar para fora sem ao menos pensar duas vezes? — Não quis olhá-la para saber sua expressão apenas continuei — Já pensou em como doeu ouvir ele me chamar de bastardo? Cafajeste. Moleque. Impertinente. Galinha. Tenho certeza que ele encontrará muitos nomes ofensivos mais para frente. Mas... Saber disso me perturba, e saber que nenhum dos dois confia em mim para cuidar de Harlow, doí ainda mais. O porquê eu não sei, mas eu não aguento mais — balancei a cabeça, frustrado e enterrando os dedos nos cabelos.
— Eu não sou um moleque — senti minha voz engrossar relativamente — Eu não sou cafajeste, impertinente ou um bastardo. — Minha respiração alterou, e minhas mãos apertaram em punho enquanto cerrava os dentes — Eu não sou um prostituto para me tratarem como um. Se não perceberam, eu sou a porra de um humano igual a vocês — queimando em fúria, dei a volta para encará-la, só para me surpreender com mais uma presença no quarto.
Jared e Dana estavam ali parados, ouvido. Dan, por mais incrível que parecesse, tinha lágrimas nos olhos, enquanto Jared, pela primeira vez, parecia perdido e terrivelmente culpado.
— Os dois querem me odiar, o façam, mas eu já me desculpei demais. Dana, eu não fiz de propósito, a forma como terminei, as palavras que usei, não foram para magoar ou te entristecer, eu estava apenas confuso... —Respirei fundo, odiando quando as lágrimas dela caíram — Eu juro para você, que o que eu senti ao seu lado, foi verdadeiro, mas quando percebi que não podia continuar, eu tive que fazer algo para que no final eu não a quebrasse, e acredite... Seria muito pior.
— Por que não tentou? — choramingou ela, esfregando as bochechas — Eu aceitaria esperar. Dar um tempo. Seja o que for... Eu faria tudo se você me pedisse.
— E eu acredito nisso — sorri gentilmente — Mas pense bonita. Você aguentaria ficar ao lado de um homem que não a ama? — Dana soluçou, virando o rosto ao ouvir a pergunta e principalmente o apelido que há tempos atrás, era como eu a chamava sempre.
Eu esperei que ela pensasse, e quando essa suspirou e negou, deixei um sorriso aparecer.
— Claro que não. — disse suavemente — Ninguém quer. E esse foi um dos motivos para que eu a deixasse.
— Um dos? — fungou. Balancei a cabeça afirmativamente. — E qual é o outro motivo?
Eu fiz de tudo para não olhar para a cama que estava ao meu lado, me segurei no lugar apulso.
— Não é hora de dizer — respondi, e então acrescentei — Então entendam: Eu não vou mais aturar isso — Mirei Jared, com rancor — Sei que está protegendo elas, mas estou farto. Eu não sou seu fantoche para que brinque de tiro ao alvo, e muito menos um saco de pancadas para seus socos. Eu machuquei Dana e pedi desculpas, não uma, mas várias. Na verdade eu me arrastei pelo perdão dela e tudo que ganhei foram patadas. Isso vai mudar. Podem me odiar, mas abusar de mim como andam fazendo, — ou me afastar de Harlow só porque querem vingança — não vai funcionar, porque eu vou lutar.
— Jimmy — Jared soltou o ar, cansado e alisando o cabelo — Você está vendo essas duas — Apontou de Dana para Harlow. — São minha única família... Eu tenho que cuidar delas.
— E eu não estou dizendo o contrario — falei firmemente — Só estou pedindo que feche a boca ao querer falar de mim. Não sou o que pensa, e o mais importante. Não sou um pano de chão para que possa pisar.
E mais uma vez, silencio reinou, e nós três olhamos com a intensidade ultrapassando as barreiras. Eu ainda não acreditava que tinha dito tudo aquilo, mas me sentia aliviado, era quase como se estar livre.
Dana foi a primeira a quebrar o gelo, e se aproximou, enxugando os olhos.
— Não pensava que estava lhe machucando tanto — disse, e vi sinceridade em seus olhos — Apesar de tudo, eu não tenho direito de fazer isso, então — puxou fôlego. — Me desculpe. Desculpe por ter sido insensível.
Eu quase podia dizer que estava sonhando, foi triste como um peso terrível saiu de minhas costas e eu deixei os ombros caírem enquanto olhava carinhosamente para aquela linda mulher.
— Eu sinto muito mesmo Dana — sussurrei, chegando mais perto para que pudesse tocá-la no rosto. Ela se espantou com minha mão, mas quando me olhou, não se afastou — Eu fui um idiota, não te merecia e nem lhe mereço. Você é uma mulher maravilhosa, atenciosa e eternamente fiel... Saiba que se estivesse apaixonado, nunca hesitaria em pedir sua mão em namoro para Jared, mas eu não podia fazer isso, entende?
A face dela, já avermelhada, ficou molhada com uma enchente de lágrimas, e eu quis saltar de felicidade quando um meio sorriso apareceu em seus lábios. Era uma das coisas que sempre admirei em Dana Cooper. O seu sorriso.
— Eu entendo agora. — fungou, e levou uma mão para cima da minha, cobrindo-a em seu rosto — Me perdoe também, eu agi como uma garotinha boba e cheia de rancor, lhe chamei de nomes duros, quando tudo que queria era que você ficasse ao meu lado. Desculpe por ter feito isso, desculpe por olhá-lo feio e por... Todo resto. — respirou fundo — Só me desculpe.
Sorri largo, e já sob o efeito da emoção, enlacei a cintura fina dela e a puxei, abraçando-a forte e a colocando deitada em meu ombro. Fechei os olhos, desfrutando do alívio que era tê-la assim novamente.
— Obrigado — murmurei fortemente — Muito obrigado.
E ficamos ali, abraçados, Dana choramingando em minha camisa e eu alisando seu cabelo escuro, isso até abrir os olhos e dar de cara com o olhar atento de Jared. Ele tinha os braços e pernas cruzados, e fiquei pasmo por notar seu lábio curvado para cima em um sorriso suave, até parecia gentil. Só não entendia o porquê lançava-o para mim.
Ele não se moveu quando Dana se afastou, sorrindo e secando lágrimas, porém do seu jeito duro e suspeito, Jared disse, me olhando profundamente.
— Me desculpe também, admito que exagerei —Ergui uma sobrancelha. Ele bufou — Ok. Eu fui um imbecil. Satisfeito? — Sorri de lado, cruzando os braços também.
— Na verdade estou — admiti. Jared impressionantemente riu e pegou fôlego, em seguida se afastou da parede na qual encostava e veio para mim.
— Eu peço desculpas, mas não posso garantir que minha antipatia por você vá desparecer de repente. Principalmente agora, que está tão colado em Harlow — Apertei os lábios, compreendendo.
— Sei disso.
— Farei o que for preciso para protegê-la, Jimmy, então tome cuidado. Darei uma chance e permitirei que se aproxime da minha família, mas se machucá-la — A sua expressão seria retornou, mas eu não fugi do seu olhar — Vou querer você longe dela e de todos nós. Entendeu-me? A faça chorar, e está fora das nossas vidas para sempre. Fui claro?
Engoli em seco, absorvendo o significado dessas palavras e olhei Harlow em seu sono, percebendo que se eu a fizesse chorar como diz Jared, eu mesmo me colocaria para fora da vida dela e me trancaria de tudo e de todos.
— Sim — respondi sem olhá-lo. — Prometo não fazer nenhum mal para ela. Juro por minha família.
Jared assentiu, parecendo satisfeito.
— Ótimo. Agora vamos sair — Olhou a irmã mais nova, suavizando a expressão — Ela precisa descansar.
— Mas... — Não gostava da ideia de deixá-la — Ela está mesmo bem?
— Sim. E depois dessa injeção ela vai dormir até amanhã igual uma pedra — falou, e se aproximou da cama para puxar um cobertor por cima de Harlow. Dana foi com ele, mas apenas se abaixou e beijou a testa da menina — Ela vai ficar bem.
— Hum. — Estava em duvida. E tudo piorou quando Jared tirou a bombinha de asma do bolço para colocar na escrivaninha ao lado, perto do porta-retratos dos pais. Com certeza para o caso dela precisar durante a noite.
Deus. Eu surtaria toda ela.
— Venha. Dana, fique e troque ela. Acho que uma roupa mais confortável vai fazer o sono dela durar — Jared falou a irmã mais velha que assentiu indo diretamente para o armário de Harlow.
Sem mais pretexto para ficar, suspirei derrotado e me abaixei ao lado da cama, alisando o cabelo da garota e franzindo a testa.
— Volto amanhã baixinha — sussurrei, apenas para ela. — Boa noite pequena.
Arrastar-me para fora do quarto foi a coisa mais difícil que já fiz, e quando cheguei a porta principal, meus pés quase travaram.
— Sua moto está no gramado — Jared disse ao abrir a porta — Liam veio dirigindo atrás do SUV com ela. Aqui — Me passou as chaves de Jack e sorriu — Desculpe mais uma vez por tudo que fiz e falei. Como disse Dana, não tinha e não tenho esse direito.
— Agradeço — disse sinceramente —Obrigada por compreender.
— E obrigada por me entender também — sorriu constrangido — É um bom garoto, Jimmy, mas espero que depois dessa conversa, você pense mais em suas ações. Elas iram refletir no seu futuro daqui para frente. — Bateu gentilmente em meu ombro. — Até amanhã garoto.
E fechou a porta, deixando-me do lado de fora, ainda pensando em tudo que falamos e resolvemos no quarto. Apertei as mãos na cabeça, exausto, mas, todavia eu sorria, correndo para moto eu tinha um sorriso grande e satisfeito. E quando montei pronto para colocar o capacete, meu celular tocou.
Sorri para o nome brilhando.
— Você não vai acreditar no que aconteceu — falei assim que atendi. A risadinha de Stef só fez aquilo parecer mais real.
—O que aprontou dessa vez Jaime Nicholas Rory? — indagou, e eu gargalhei, mas do que feliz.
— Eles me perdoaram Stef! — Meu peito estava iluminado de alegria — Dana e Jared finalmente me perdoaram.
O som da minha amiga puxando ar foi registrado, e depois ela estava gritando animada, uma reação que ela demonstrava para poucos.
— Ai meu Deus Jimmy! Isso é maravilhoso! Como aconteceu? Me conte tudo. — Sorri.
— Eu gostaria de explicar pessoalmente, mas... Ah Sref, eu estou tão aliviado, é como se tivesse tirado um peso dos ombros. — falei sinceramente, me abaixando para encostar a testa no capacete. — Até parece sonho.
Ela riu.
— Eu entendo. Faz anos que tenta conquistá-los — falou — Eu fico muito feliz por você Jimmy. Você quer me encontrar agora? Jack acabou de sair daqui e bem... Ele me contou sobre o que aconteceu na casa do Liam. — Fiz careta.
— Como ele já sabe? Não se passaram nem cinco horas — Frustrei-me, a voz de Stef saiu gentil.
— Liam nos contou por telefone. Jonah e Lizze também já sabem, por que, bem, estamos pensando em fazer uma coisa para Harlow. — Me endireitei completamente atento agora.
— Que tipo de coisa?
— Ainda não decidimos, mas Liam nos contou que Jodie teve essa ideia assim que vocês saíram. Fazer algo para ela no aniversário, para mostrá-la que ela é importante e que pode superar essa culpa que ela acha que tem pela morte da mãe. Pensamos também em pedir o concelho dos irmãos dela, para ver o que acham.
Eu não conseguia conter o sorriso de empolgação.
— Isso é brilhante! — falei animado — Essa ideia veio mesmo da Jodie? — perguntei impressionado, Stefany tornou a rir.
— Sim. Foi. Liam disse que ela está ficando estressada com Harlow, e quando ela fica estressada, nós ficamos também. Nas palavras dela: Harlow precisa cair na real e ver que tem amigos que podem tirá-la dessa merda. E eu meio que concordo com ela. — A voz dela decaiu um pouco — Não gosto de pensar que Harlow sofre tanto, e tudo sozinha. Ainda mais com essa história da tia dela... Precisamos fazê-la entender que pode contar conosco — Eu concordava, mas algo me preocupava.
— Mas e se isso a fizer piorar? Ela não comemora o aniversário e fazê-lo agora, de repente, pode desencadear algo ruim — Stef ficou em silencio, como se ponderasse minhas palavras.
— Bem, nós podemos tentar e ver no que vai dar. Jodie acha que Harlow só precisa cair na real e que talvez, ela possa abrir os olhos nessa comemoração. Mesmo que seja ela quebrando as coisas. E temos que decidir rápido, pois faltam apenas dois dias para o aniversário dela. Mas então... Quer vir aqui em casa? Podemos falar mais e decidir nossos presentes para ela — Sorri com sua empolgação, mas tinha algo para fazer antes disso.
— Desculpe Stef, mas estou indo para meu apartamento. —falei, ela pareceu surpresa.
— Sério? Mas faz tempo que não vai lá. — Novamente sorri, os dedos coçando.
— Hoje é diferente. Preciso... Fazer uma coisa. Podemos nos ver amanhã e combinar com o pessoal de vim ver Harlow. O que acha?
— Bem. Okay. Mas será que...
— Stef — Ri para sua curiosidade — Esquece — Ela bufou e eu ri novamente— Estarei com o celular desligado. Pode mandar uma mensagem para Dolly por mim? Assim ela avisa minha mãe, antes que a velha tenha um infarto por não voltar para casa.
— Eu aviso. Espero que um dia me leve a esse apartamento, fico curiosa para ver o que tanto faz lá — Ergui uma sobrancelha, divertido e ligando a moto.
— Sinto muito morena, mas aquela área é proibida para muitos, apenas eu posso entrar. Até mesmo meus pais sabem disso. — Ela resmungou insatisfeita.
— Mas eu sou sua amiga, não poderia sei lá, abrir uma brechinha? — Sorri amplamente, balançando a cabeça.
—Sinto muito Stefany, mas não. — Ela suspirou, derrotada.
— Muito bem, eu tentei. Se cuide garoto, e até amanhã.
— Até amanhã morena mais linda do mundo — brinquei, e ela gargalhou antes mesmo de desligar o celular.
Respirando fundo, guardei o meu depois de desligar e coloquei o capacete, estava na hora de ter um tempo só para mim, e eu nunca fiquei tão ansioso para fazer uma coisa, como fiquei quando cheguei ao meu destino, e comecei meu maior desafio, sem ao menos pregar o olho durante a noite toda. Aquilo ficaria tão perfeito quanto os outros, não tinha duvidas disso.
~*~
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