Rude Girl

7 Capitulo 7 — Pertubações


Notas iniciais
Eu sei que vocês querem me matar por não ter postado na sexta, mas é que rolou um equivoco e acabei ficando sexta, sábado e domingo, muito ocupada. Perdão okay. Mas para compensar, se eu ver muitos comentários, posso postar antes essa semana. O que acham? Se gostarem, não esqueçam de digitar muito em. uhuhu Boa leitura gente.

No dia seguinte eu não estava lá de bom humor. Não dormi depois que conversei com Jared Dana, pois a conversa que tivemos sempre ocupava minha mente deixando-me inquieta na cama. Quando o sol começou a sair, eu desistir de tentar fechar os olhos e me levantei para pegar a fotografia de meus pais e a minha caixa de música.

Enquanto o som suave fluía pelo quarto, eu me sentei no chão, e pela milésima vez, repassei a conversa que eu e meus irmãos tivemos ao entrarmos novamente em casa.

Jared havia tirado o jaleco de médico e Dana havia tomado um banho rápido, usava sua camisa do Mickey que batia nos joelhos. Já eu não tinha me movido para fazer alguma coisa, só sentei no sofá, e encarei meu irmão mais velho.

— A merda começou depois que o pai morreu — falava ele, jogado no sofá com uma expressão exausta. — Depois que a mãe se foi, nossa guarda ficou com ele. E ninguém esperava que ele teria câncer depois... Quando ele descobriu o tumor, achou melhor passar nossa guarda para Amélia, que no mesmo momento veio para cuidar dele e de nós três. Amélia ficou aqui até que ele morreu. Foi quando ela quis nos levar para morar na Califórnia com ela.

— E por que não fomos? — questionei, tirando as botas e depois cruzando os pés em baixo de mim. Jared suspirou.

— Eu não queria ir, não queria ir para longe e deixar tudo para trás, abandonar o lar onde nós três crescemos. Para mim era errado escolher outra casa. Mas eu também não queria o risco de me separar de vocês duas — Lançou um olhar para mim e depois para Dana, que sorriu tocando sua mão carinhosamente.

— E Amélia simplesmente permitiu-nos ficar? — duvidei rancorosa — Pelas minhas contas, você tinha dezoito anos quando o papai morreu. Não podia ficar conosco, você nem mesmo estava na faculdade. Então com certeza não trabalhava.

— Tem razão — assentiu com tristeza — Por isso pedi a Amélia que esperasse apenas um pouco para que eu pudesse me arranjar. Dei a desculpa de que o luto ainda era recente, e que tirar você e Dana de onde morávamos serviria apenas para deixa-las mais tristes. Exigi que ficássemos, e assim ela o fez. — Jared esfregou o rosto asperamente — Com esse consentimento, eu terminei o colégio, e no ano seguinte já estava trabalhando e indo para faculdade. Com vinte anos já estava me encaixando e tudo melhorou quando fiz vinte anos, meu segundo ano na faculdade de medicina.

— Lembro de seu primeiro emprego no hospital Forbes. — falei, franzindo a testa. — Não entendo porque esqueci de tantas coisas da minha infância. Se você tinha vinte quando completou o segundo ano, eu estava com nove anos.

— Não se perturbe Harlow — disse ele com um sorriso — Sua infância foi conturbada, então não a culpo por preferir esquecer. — Abaixei a cabeça ressentida.

— Amélia disse que foi embora quando eu tinha oito. Como conseguiu convencê-la?

— Já tinha uma ideia do que era as leis sobre a guarda de vocês. Eu comecei a pesquisar assim que fiz dezenove anos. Era maior de idade e podia finalmente entrar com um pedido para o juiz. Mas para isso eu precisava estar firme em um emprego, com dinheiro para sustentar as duas, e uma casa. Juntei tudo isso e então pedi para Amélia me passar a tutela, pensei que não iria necessitar uma briga no juizado de menores. — Balançou a cabeça, voltando ao seu mau humor — Ela negou, a todo instante ela negou. E ainda quis levar vocês para morar com ela, pois precisava tratar de algo importante em seu emprego. Eu não ia permitir então fiz um acordo com ela; Se eu arrumasse um emprego melhor do que o que estava, eu poderia ficar com vocês e ela iria embora, mesmo sendo a tutora de vocês. Foi ai que comecei a procurar, porém foi tão difícil. Amélia ficou em meu pé até que encontrei um hospital publico que pagava mais, porém às horas trabalhando como enfermeiro era ainda maior e poderia atrapalhar em minha faculdade. Nossa tia implicou com isso, mas parecia um pouco desesperada para voltar à Malibu, pois um dia ela chegou a mim, me deu uma boa quantia de dinheiro e disse que iria embora. Ela não podia levar vocês, portanto ficamos sozinhos — Seu sorriso apareceu pela primeira vez depois de muitas palavras. — Não posso negar que foi um alivio quando ela se foi, mas então eu tive um problema — Ele me olhou profundamente, com culpa nos olhos.

— Você tinha se apegado a ela. Lembro do dia em que ela foi embora e você correu para se esconder dentro do antigo guarda-roupas do papai. Quando te achamos, estava dormindo e com marcas de lágrimas nas bochechas — Seus olhos caíram, o rosto mostrando como sentia muito — Tivemos de aprender a colocar você para dormir como Amélia fazia.

— Ela lia histórias toda noite para você — murmurou Dana, encolhida ao lado do irmão — Só para você. Não sei o porquê, mas ela sempre foi mais apegada a você. Começamos a lhe contar história, e assim, você foi esquecendo-se dela, e isso foi ótimo de certo modo.

— E foi por esse motivo que tive medo de contar sobre a guarda — Jared se inclinou para frente, olhando-me com arrependimento — Desculpe ter mentido Harlow, mas não poderia suportar que escolhesse ir com ela. E meu medo só aumentava quando via seu estado nos aniversários, pois para mim, ninguém mais poderia lhe ajudar a passar pela noite odiosa. Quando Dana estava prestes a fazer dezoito, contei para ela, pois estava mais do que decidido a conseguir sua guarda.

— E então nos mudamos — deduzi, ele assentiu.

— Eu tinha conseguido um bom cargo como interno no hospital aqui em Princeton. Assim como Dana arranjou um prego como secretária. Eu não queria ir, mas era o melhor para todos nós. Assim que nos instalamos, falei sobre isso com ela e começamos os preparativos para ir ao o juiz, mas Amélia nos achou antes — bufou, jogando a cabeça para trás em frustração — Tentei pensar em uma forma de te contar tudo, mas simplesmente não saia. E depois do que aconteceu ontem eu... — Estremeci, ouvindo a decepção em sua voz ao lembrar de como eu estava bêbada no quarto ontem. Foi minha vez de abaixar os olhos de forma culpada.

—Então você tem a capacidade de ter minha tutela? — indaguei, querendo mudar de assunto. Jared ergueu novamente a cabeça e tentou sorrir confiante.

— Eu tenho tudo. Dinheiro, uma boa casa, e também algo que você não tem — Seu sorriso espichou com um pouco de diversão — juízo.

Virei os olhos, mas sorri quando a tensão abaixou.

— Por que será que eu acho que existe um “mas” nessa história? — questionei. Jared fechou o sorriso, mas foi Dana quem respondeu.

— É capaz de o juiz negar a guarda por causa das horas em que Jared e eu ficamos fora de casa e deixamos você sozinha. Ou o advogado da nossa tia pode usar o fato de você não ter ido muito bem na escola. Vai alegar que Jared é incapaz de lhe manter na linha e dar uma boa disciplina, enquanto a Amélia, ela tem dinheiro, uma casa enorme em Malibu, e horas de sobra para cuidar de uma adolescente problemática.

— Hey! — A cortei, ofendida — Não sou uma adolescente problemática.

Dana sorriu um pouco com o irmão.

— Você é com certeza, uma adolescente problemática — insistiu. Eu bufei, irritada.

— Foda-se. Mas e agora? — quis saber em frustração — Terei mesmo que ir com ela durante as férias? — Não sabia muito bem como encarar isso, e era justamente por esse fato, que torcia para Jared dá à louca e impedir que Amélia tentasse me levar. Entretanto, quando ele se inclinou, juntou as mãos e ainda trocou olhares com Dana, eu vi que estava perdida, completamente ferrada. Ele não faria nada.

— Eu e Dana estivemos conversando enquanto você estava fora... E só para deixar claro nós ainda vamos falar sobre sua fuga — Me mirou com severidade — Achamos que pode ser uma boa coisa você ir. Será apenas durante as férias, e enquanto estiver lá, poderemos nos organizar. Posso começar a procurar um advogado para tratar de sua tutela.

— Mas eu não quero ir! — protestei furiosa. — Jared, eu quero ficar aqui... Isso é mesmo necessário? — Estava começando a cogitar que implorar, seria uma boa, mas a expressão triste — porém decidida — de Jared, dizia que ele já havia tomado sua decisão.

— Eu sinto muito querida, mas não posso correr o risco de perder você. E para não acontecer isso tenho que me organizar, conseguir uma boa garantia de vida para que o juiz acredite que eu posso cuidar de você. Essa viagem vai me dar tempo... Se não for, é capaz de Amélia levá-la a força, e o pior é que não poderei fazer nada para ajudá-la.

Então era isso, eu realmente iria viajar para Malibu, e que grande coincidência. Essa merda ficava na Califórnia, justamente o lugar para onde Jodie havia ido morar por um ano inteiro. Maldição!

— Sabem que tenho apenas mais duas semanas aqui, não sabem? — indaguei sem olhá-los — As aulas acabam no dia trinta. Só tenho duas semanas aqui Jared, isso é tão... Estranho.

— Ah querida — Ele veio para mim, se levantou e então sentou-se ao meu lado. Fiquei em baixo de seu queixo enquanto ele acariciava minha cabeça, apertando-me dentro de seus braços.

—Eu queria que tivesse outro modo. Mas não tem. — suspirei.

— Tudo bem. Eu aguento.

— É claro que aguenta — Dana esfregou meu ombro confortavelmente — Você é nossa Harlow. Nossa irritante e persistente Harlow. Você pode tudo, meu bem.

E ouvindo aquelas palavras doces, me deixei pensar que realmente podia tudo. Fiquei no enlaço dos meus dois irmãos durante todo o resto da noite, sem pregar os olhos. Eu pensei que ficaríamos no silêncio para sempre, mas não demorou, e Jared já estava assumindo seu lado “Irmão-Masoquista.”

— O que foi aquilo na varanda Harlow? — Minhas bochechas coraram fortemente e eu não levantei a cabeça, no entanto tinha os olhos de Dana me observando, e ela ergueu uma sobrancelha ao notar meu embaraço.

— Caramba, Harlow, me diz que você e o Jimmy não estão... — Ela se impediu de falar, o olhar preocupado em mim quase parecendo aflição. Em um momento curto de silencio, pensei se Dana ainda era afim de Jimmy, e se me odiaria por tê-lo beijado várias vezes.

Respirei fundo e me sentei reta para que pudesse olhá-los.

— Não existe nada entre nós. Estou dizendo a verdade.

— Bem, a cena que eu vi me diz outra coisa — disse Jared entre dentes — O que aquele imbecil pensa estar fazendo com você?

— Jad — chamei um pouco casada — Você não precisa ter que se preocupar com Jimmy. Eu sei o que me espera se ficar com ele — Olhei para Dana — Ele me acha uma criança. Ele não me vê e nunca me verá, como uma mulher. Não precisam ficar em meu pé e muito menos matá-lo quando pisar na nossa casa — Abaixei os olhos, ressentida de todas as certezas que tinha sobre Jimmy. — Nunca existira um “Nós” para mim e Jimmy. Jamais.

E a magoa que se aprofundou em meu peito me fez levantar e correr para meu quarto, mesmo que Dana tenha me chamado, mesmo que Jared tenha vindo bater a minha porta. Tudo que eu quis foi me trancar, e pensar em tudo que era verdade. Eu tinha que focar na verdade para não sair ferida. Devia pensar que Jimmy era irritante, metido, rude, grosseiro, como sempre foi.

Ele somente era bom para Stef, sim, a única do grupo que ele mais havia se apegado. Nunca entendi bem o porquê, afinal, sabia que Jimmy era incapaz de se apaixonar por qualquer pessoa. E tinha completa certeza de que Stef também não gostava dele. Estava praticamente estampado na testa da menina que ela era apaixonada por Jack, e disso todos sabiam desde que eles se conheceram. Então tinha parado de cogita que ele era atraído pela garota.

Existia muita coisa confusa da qual eu queria compreender. Mas parecia nunca conseguir.

Todos os meus pensamentos foram interrompidos quando minha irmã bateu na porta do quarto.

— Harlow? — Dana soou hesitante, obviamente com medo que eu estivesse bebendo novamente. Dei uma olhada no relógio e suspirei ao ver que havia ficado trancada no quarto por umas boas horas. Já era 12h20min.

— Entra — falei, pegando a fotografia de meus pais e sentando-me na cama de novo. Quando Dana entrou, esperei que ela olhasse em volta em busca de algo proibido. Satisfeita, ela sorriu e veio se sentar comigo na cama.

— Como está se sentindo? — perguntou. Era uma pergunta engraçada, se encarar pelo fato que estava péssima.

— Estou tentando encarar isso, mas não estou com muito sucesso — respondi, olhando o porta-retratos com confusão — Não entendo por que está acontecendo tudo isso Dan... Só queria que tudo acabasse. — Sim. Não aguentava mais toda aquela montanha-russa emocional, muito menos depois daquela chegada de Amélia. Fora que eu sabia que se fosse conversar com minha tia, o pau da barraca ia ser chutado, fazendo alguma de nós duas parar no hospital. Ou seja, ela.

Não. Mas merda, a quem eu queria enganar? Vê-la na minha frente me fez perceber que estava cheia, sem forças para lidar com aquilo. Eu não iria brigar com ela, muito menos batê-la, principalmente porque eu não era idiota para atacar minha tutora e correr o risco de fazer Jared perder a chance de ter minha guarda.

— Eu sei que está sendo difícil, Harlow, não sabe como queria estar no seu lugar agora — Dan se aproximou, pegando minhas mãos com delicadeza — Pense que é por pouco tempo. Fique apenas dois meses com a tia Amélia e depois volte para nós, nada mais que isso.

Dois meses. Será que seriam dois meses de terríveis merdas? Com certeza!

— Eu vou fazer Dan. — Garanti — Só espero que passe rápido. — Ela sorriu e engatinhou na cama até estar do meu lado. Sorri um pouco, sabendo o que ela iria fazer. Dei espaço para que ela deitasse e me puxasse para deitar em sua perna. Ela sempre fazia isso quando eu era criança e não conseguia dormir.

— Bem, eu não estou com meu violão aqui, mas ainda posso contar àquela história que o papai gostava de ler para você a noite. Lembra-se dela? — perguntou baixinho, eu fechei os olhos, abraçando o quadro dos meus pais e me encolhendo contra ela.

— Sim. Isso seria bom — confessei. Ela pareceu gostar disso, pois beijou minha testa e começou a falar.

— “Era uma vez um bebê Estrela que morava perto do sol — Sorri, sentindo os dedos de Dana em meu cabelo — E todas as noites, antes de dormir, o bebê Estrela queria brincar um pouco. Ele brilhava e brilhava, caia e disparava, e seu brilho era tão forte, que ele disse: Mamãe, vou fugir se me obrigar a dizer boa noite.

— E então a mãe beijou seu nariz brilhante e disse: Não importa onde vá, não importa o quanto cresça, e mesmo que se desvie muito, eu o amarei para sempre porque você sempre será o meu bebê Estrela.” — Dana se inclinou quando bocejei, meus olhos estavam pesados mesmo, e pude sentir quando ela saiu da cama e beijou minha testa, ainda acariciando meu cabelo — Esta na hora de ir dormir bebê Estrela — Ela sussurrou, e com um último beijo, me cobriu com o cobertor. — Bons sonhos Harlow.

Não tive dificuldades para dormir dessa vez.

~*~

Eu soube que estava sonhando assim que aquele rosto apareceu diante meus olhos. Ela estava novamente invadindo meus pensamentos, e mesmo que fizesse um esforço enorme, eu ainda não era capaz de empurrá-la para fora. Me pegou desprevenida e não me deu a chance de lutar. Era como ser derrubada pela força de um furacão, e de repente, eu não estava mais olhando para a escuridão do meu sono. Eu estava encarando o rosto de minha “mãe.”

— Está na hora da garotinha ir dormir não acha? — Ela sorria para mim, quer dizer. Eu tecnicamente estava com sete anos de idade, e não passava de uma menininha assustada. Era estranho quando eu tinha esses surtos de lembranças da minha infância, pois eu não sabia lidar. E agora encarando a mulher que eu achava ser minha mãe, — que na verdade era Amélia um pouco mais jovem — acariciar meu rosto de forma maternal, fazia com que tudo piorasse em um nível terrível.

— Onde está meu pai? — A menina choramingou, coçando os olhos cheios de lágrimas até que estavam vermelhos — Ele tem que me contar história. Por que ele não vem mais me contar história?

Amélia piscou, me olhando atentamente enquanto corria a mão por meus cabelos, sua testa estava franzida em um sinal de tensão.

— Ele... Não pode vir meu bem. — disse por fim, mas havia mais, e agora olhando a cena novamente, eu sabia absolutamente o que era.

Com o coração partido, vi quando minha menor versão fungou e olhou para a porta do quarto.

— Por que a Dan e o Jad foram embora? Por que choravam? Eles estavam tristes e ninguém me disse o porquê. E o papai não aparece em casa faz muitas horas... Ele está passando mal de novo? —Por um momento muito inquietante, eu achei ter visto aquele olhar cheio de tristeza de Amélia ao me encarar, mas acho que ela não quis me assustar, ou não queria demonstrar os sentimentos, pois os camuflou e sorriu amavelmente.

— Seus irmãos não foram embora, apenas tinha que... Acompanhar uma cerimonia. — Eu franzi a testa.

— Que cerimonia? Eles vão demorar? O papai está com eles é? — E lá estava, um deslize de Amélia que nem mesmo ela, notou. Apenas eu, que fungava na cama novamente ao ver uma única lágrima escorrer seu rosto. — Por que está chorando tia Ame?

Ela fez careta, como se a criança tivesse dizendo bobagens, mas depois notou que estava mesmo chorando. Pareceu chocada por um minuto, mas depois secou o rosto e balançou a cabeça negativamente.

— Nada minha querida, só estou com os olhos irritados. Agora, vamos ler sua história — Ela se levantou e pegou o famoso livro em cima da minha estante. Na capa, em gravura branca, estava escrito: O bebê Estrela.

— Não. Eu quero meu pai. Quero ir como meu papai — A pequena Harlow continuou a chorar, e me recordando daquele momento, comecei a sentir o mesmo desespero de querer o colo de meu pai, passei a sentir na pele a dor que seria ver o que aconteceria depois.

— Tia? — Fechei os olhos quando a voz de Jared, um pouco mais jovem, veio da porta. No mesmo instante, Amélia levantou, mas não por causa do sobrinho, e sim porque eu tinha empurrado os cobertores para correr até Jared na porta.

Prendi a respiração, olhando quando tanto ele quanto Dana, entraram no quarto em suas roupas pretas e expressões desoladas. Dan tinha nove anos, esperando pelos dez, o que a fazia muito mais baixa e com rostinho de menina do que é hoje em dia, assim como Jared era um pouco mais magro com seus dezenove anos.

No entanto, quando ele se abaixou para me pegar, ele pareceu mais forte que nunca. Ele me apertou nos braços, deixando que a Harlow de seis anos, choramingasse em seu ombro enquanto Dana acariciava e funga ao seu lado.

— O que está havendo meu doce? — Jared tentou manter a voz neutra e calma, mas seu olhar era questionador ao mirar Amélia. — Não devia estar dormindo?

— Quero ver o papai Jad. Ele não vem mais me ver e estou com saudades. Vamos lá no quarto dele... Ele voltou com você, não é? — Meu pobre irmão congelou no mesmo lugar, olhando para a tia por cima da criança chorosa sem saber o que fazer, ao seu lado, Dana parecia não saber controlar seu próprio choro.

— Jad — sussurrou ela, olhando dele para mim — Jad. não podemos...

— Eu sei disso Dana!— Jared se descontrolou um pouco, fazendo com que eu me encolhesse nos seus braços. — Shh. Querida, está tudo bem.

— Quero o papai. — Vendo como eu chorava no colo de Jared, não consegui controlar o marejar que veio nos olhos, mas me impedi de permitir que as lágrimas viessem. Assistiria aquilo sem lágrimas.

— Tia Amélia, será que pode nos dar licença? — Jared pediu, sem olhá-la enquanto caminhava comigo para cama. Eu vi como Amélia hesitou e odiou a ideia, mas mesmo assim permaneceu calada e deixou o livro de historia de novo na cômoda. Sem dizer uma palavra, ela passou por Dana e fechou a porta quando saiu.

Com os três irmãos sozinhos, Jared e Dana se juntaram na cama para fazer a irmã mais nova se acalmar. Dana até mesmo cantou para mim, mas ela não parava, só queria o pai. Ficou claro que nada daquilo se encerraria, e admirei Jared por ter controlado as emoções até ali, admirei mesmo. Então não o culpei que sua resistência tenha caindo quando ele finalmente, resolveu contar para mim, o por quê de nosso pai não poder vir naquela noite ou em nenhuma outra.

— O papai se foi Harlow... Agora, ele... Ele está junto da nossa mãe.

Ah, e eu não precisava do sonho para saber como reagi aquela noticia. Lembrava de como minha garganta doeu quando gritei, recordava de como meus olhos ficaram cansados quando as lágrimas pesadas desceram, e lembrava ainda mais, quando Jared e Dana tentaram me acalmar enquanto eu somente quis me afastar, usando a cama como esconderijo.

Nenhum deles conseguiu me tirar de d’baixo dela, mesmo que tivessem chorando e suplicando, eu não sai. Mas quando eles se afastaram, uma nova mão apareceu, e eu sabia agora quando abri os olhos, que não era minha mãe a dizer.

— Venha meu anjo, venha comigo.

Eu acordei com um sobressalto no meio da noite. Estava suando como um porco e ao olhar em volta do quarto escuro, eu podia sentir meu coração pulsando rapidamente. Empurrei as cobertas, não podendo ficar parada depois desse maldito sonho, portanto abri a porta do quarto e desci, porém antes passei no quarto de Jared, só para constatar que ele não estava. Obviamente tinha volta para o hospital para fazer turno. Dana estava dormindo em seu quarto, parecendo mais exausta que nunca.

Cogitei em me deitar com ela, mas desisti quando percebi que naquela noite, eu já não dormiria mais.

Caminhei para a cozinha e preparei o café, em seguida ovos com bacon. O que me fez sorrir por um instante ao lembrar de Jimmy, devorando o bacon de seu prato na lanchonete que havia me levado. Com um prato e o copo de suco, fui me sentar na sala, no chão em meio ao escuro.

Enquanto comia, tentei livrar-me dos pensamentos relacionado à Amélia, mas não conseguia. Era como se a vinda dela tivesse finalmente acionado todas minhas lembranças ao seu lado, lembranças que eu nem sequer sabia que tinha, e isso era frustrante. Pensar que eu não sabia que tinha uma tia quando na verdade eu sabia muito bem.

Como era de se esperar, eu não preguei os olhos, continuei no escuro olhando para o nada. E também não tinha nenhuma vontade de ver que horas eram, já que não me encontrava nem um pouco ansiosa para o dia de amanhã ou depois. E enquanto eu continuava a me lembrar de meu pai, de Amélia, seguindo também por minha mãe, não percebi quando Jared chegou em casa.

— Harlow? — Se surpreendeu, andando para perto de mim. Ele me deu seu sorriso carinhoso. — Bom dia — Beijou minha testa e mirou meu prato e copo vazio enquanto tirava seu jaleco branco. — Por que está acorda tão cedo?

— Não consegui dormir — respondi sem pensar. Ele parou onde estava e me encarou, parecendo perceber meu estado não bem humorado.

— Pesadelos de novo? — Sua face contorceu em preocupação e ele sentou no sofá atrás de mim. Ter ele perto me fez suspirar, e acho que de cansaço, pois não me impedi de deitar a cabeça em seu joelho.

— Eu lembrei dela — murmurei a contragosto — Lembrei da Amélia.

Jared não pareceu feliz com a noticia.

— E o que você lembrou exatamente? — indagou cauteloso. Permaneci quieta — Harlow, você pode falar comigo. — Ah, eu sabia que podia, só não tinha certeza se era capaz.

— Eu... Sonhei com o dia que você disse que o papai morreu — minha voz saiu baixa, recuada e até achei um pouco tremula — Não parei para notar que a muito não lembrava daquele dia.

Senti sua mão em meus cabelos, os dedos movendo-se entre os fios com suavidade.

— Queria que tivesse esquecido mesmo — murmurou, e eu não tive dificuldade para encontrar a dor em sua voz. — Você ficou tão doente depois disso — sua voz ficou aflita, cheia do medo que com certeza sentiu anos atrás. — Era tão doloroso vê-la daquela forma, e tudo piorava quando você chorava a noite e só queria o colo de Amélia. Me sentia um irmão horrível.

— Isso não é verdade — disse firmemente, e ergui a cabeça para olhá-lo nos olhos — Você foi e é um irmão incrível Jad. —Ele sorriu, alisando meu rosto com o cuidado que eu sei, era especialmente formado para mim.

— Queria acreditar que fiz as coisas certas quando se tratava de você, Harlow, mas eu não fiz. E as consequências estão aparecendo agora da pior forma — Não consegui compreender o motivo de seu medo, por isso me levantei e sentei no sofá querendo uma explicação melhor.

— O que quer dizer com “As consequências estão parecendo pior”? Aconteceu alguma coisa? —Ele virou o rosto, seu cabelo estava meio bagunçado e os olhos cansados, mas ainda podia ver a frustrações em cada um de seus movimentos. — Jared, o que foi? Conte para mim. — pedi, ele apertou os lábios em uma linha reta e então suspirou, dando-se por vencido.

— Não consigo encontrar um bom advogado para me ajudar com sua guarda — disse exasperado — O ex-advogado do nosso pai teve um problema e viajou as pressas para Miami. Não pode me ajudar agora. Tentei contatar-me com seus amigos, mas...

— Mas? — incentivei. Jared bufou nervoso.

— Eles me pedem uma fortuna! — irritou-se ele, ficando sobre seus pés e começando uma caminhada logo a minha frente — O preço para ter seus serviços vai além do que eu e Dana pode pagar. E eu não posso contratar um mero advogado para enfrentar a tia Amélia... Eu sei que ela tem contatos importantes e vai se aproveitar disso. Preciso de alguém que saiba o que está fazendo.

Bem, ele tinha razão, e eu não iria permitir que ele e Dana se matassem para conseguir um dinheiro impossível.

— Acho que sei como resolver isso. — falei. Jad se refreou no lugar e me olhou com a sobrancelha erguida.

— Como você poderia? — indagou, eu sorri, levantando e o beijei na bochecha.

— Vou checar uma coisa primeiro antes de contar, se der tudo certo, teremos um ótimo advogado até o final do dia — Ele ficou em silencio, confuso, mas eu não tinha tempo de explicar, apenas o deixei na sala e corri para meu quarto.

Chegando ao meu quarto, senti uma nova onda de excitação enquanto me arrumava. Jared precisava de um advogado não apenas bom, mas um que já esteja bem familiarizado com casos como o meu. Naquele instante, eu nunca fiquei tão feliz por conhecer Amara e Ethan Corey. Com certeza um deles ia me ajudar, era absolutamente certo de que nenhum se recusaria, eles ajudaram Jodie uma vez.

Comecei a me apressar em escovar os dentes, mas enquanto fazia isso, lembrei-me de como seria longa a caminhada até a casa de Liam. E com mesma rapidez que me veio esse problema, o pedido desesperado de Jimmy me fez congelar no mesmo lugar olhando para meu reflexo no espelho, com a boca repleta de espuma.

Harlow, eu queria estar com você. Por favor, me chame se estiver precisando, não me deixe fora como sempre fez. Eu sei que mereço isso e muito mais, mas não se vingue dessa forma. Não agora...

Talvez não seja uma boa ideia, e com certeza ele deve ter levado a moto de volta para Jack. Ele não me ajudaria. Mas ele não iria pedir exatamente isso se não fosse cumprir com sua palavra. Era uma loucura, uma terrível má ideia, mas não era como se quisesse ir andando até a casa dos Corey’s.

— Okay. Isso é bem maluco. — murmurei para mim mesma.

No entanto enxaguei a boca e peguei meu celular para digitar seu numero. Hesitei durante horas para pressionar o botam de chamar, pois afinal de contas não sabia como ficaria entre nós depois daquele beijo que demos na varanda. Ele tinha me deixado confusa, assim como a forma dele falar quando estávamos na lanchonete.

O fato era que Jimmy deu a entender que existia mais um motivo para ter terminado com Dana, e eu queria saber esse motivo mais do que nunca.

Era idiota, mas achava que ele mudaria tudo.

— Ora. Não seja covarde. — briguei.

Esperei que ele atendesse roendo a ponta da unha do polegar. Meus pés dançando com nervosismo. Demorou três toques para que finalmente ouvisse sua voz sonolenta dizer.

— Harlow? O que houve, precisa de... — bocejo — alguma coisa?

Eu estranhamente sorri ao ouvir sua voz embargada e relaxada por causa do sono, mas depois me dei conta do que fazia e limpei a garganta para falar.

— Eu preciso de uma carona até a casa de Liam. Ainda está com a moto de Jack? — perguntei, e acho que Jimmy ainda estava meio sonambulo, pois ficou em silêncio e depois disse.

— Você tem noção que é oito horas da manhã? — perguntou ele com uma voz divertida, porém agora muito acordada e quase pareceu cheia de esperança.

— Eu sei, mas preciso ir rápido lá. Vai vir aqui ou não? Que eu me lembre você disse que queria me ajudar, e estou pedindo ajuda agora. E ai, qual vai ser? — Mais uma vez, ele ficou em silencio, mas depois pude ouvir sons de portas se abrindo e a sua risada suave me alcançando.

— Estarei ai em uma hora. — respondeu e em seguida desligou.

Satisfação preencheu meu peito enquanto enfiava o celular na bolsa e pendurava a mochila no ombro. Sai do quarto no mesmo momento em que Dana aparecia em sua porta com os cabelos bagunçados e os pés descasos.

Sorriu ao me ver.

— Bom dia! — saudou e beijou minha bochecha — Vai sair tão cedo em um domingo?

— Preciso resolver um negocio. — falei, seguindo com ela até as escadas — Você não vai sair hoje vai? Queria que estivesse em casa durante a tarde, Jared pode precisar de você e seu apoio.

Ela franziu a testa quando entramos na cozinha. Olhou-me confusa.

— E porque ele precisaria do meu apoio?

— Jared me disse quando chegou que não tem dinheiro o suficiente para conseguir um advogado — Dana congelou no mesmo lugar quando pegou o bule de café e me olhou com espanto.

— Mas eu pensei que Alex nos ajudaria com isso — falou preocupada. Eu dei de ombros, pegando uma maçã da fruteira e a mordi ao falar de boca cheia.

— Jad disse que ele teve um imprevisto e viajou para Miami. — Seus olhos se arregalaram tanto que achei que pudesse estar tendo um infarto, por isso ergui as mãos em sinal de calma. — Opa. Pera ai, eu sei como resolver isso.

— Sabe? — Ela estava surpresa.

Enquanto a indignação me pegava, Jared apareceu na porta da cozinha, vestindo uma camiseta branca e jeans escuros. Assim como Dana, ele estava descalço e tinha os cabelos molhados indicando que acabou de sair do banho.

— Ela está fazendo suspense — falou com um sorriso, olhando-me divertido e em seguida beijou a testa de Dana — Onde está aquele seu bolo?

— Geladeira. — respondeu pegando copos no armário — O que está tramando Harlow? — Eu não podia ficar mais frustrada.

— Por que eu estaria tramando algo? Eu posso apenas estar resolvendo o problema — sugeri, eles riram, sentando-se lado a lado na mesa.

— Seria a primeira vez. — murmurou Jad — Mas não vai mesmo contar onde está indo?

Virei os olhos dramaticamente.

— Contarei apenas se conseguir. — respondi e joguei o resto da maçã no lixo — Não quero dar falsas esperanças a vocês, portanto torçam para que isso de certo. — Jad estreitou os olhos duvidosamente para mim, mas bufou e assentiu de acordo.

— Muito bem. Espero que corra tudo ótimo — disse por fim, e eu sorri para ele muito satisfeita.

— Você precisa de dinheiro ir onde-seja-lá-que-vai? — perguntou Dana de boca cheia enquanto ia até a pia e lavava as mãos.

Fiquei tensa em meu lugar.

— Um... Não eu... Vou andando. — menti e apertei as mãos na vontade de esfregar o nariz na frente deles.

Dana virou-se como se sentisse o cheiro da minha mentira, e alcançando um pano de prato com as mãos me observou atenta.

— Tem certeza disso? — questionou curiosamente.

Eu parecia estar entrando em um caso serio de epilepsia.

— Absoluta! — coceiraaaaa!

Jared olhou entre nós enquanto mastigava, percebendo que estava deixando passar alguma coisa importante, e eu quis sair correndo mesmo instante que notei o movimento de seus lábios abrindo-se para falar. Dali não sairia boa coisa, no entanto, percebi que suas palavras seriam melhores que a buzina que soou do lado de fora da casa.

Ambos meus irmãos viraram o rosto para a janela a cima da pia, Jared com uma sobrancelha erguida ao ver Dana ir até lá ver que era. Apertei a alça da mochila quando a voz dela soou surpresa falando.

— Aquele é o Jimmy?

Fodeu!

— Jimmy? — Os olhos de Jared se arregalaram para mim. Eu respirei uma vez. Sua expressão se tornou obscura quando levantou, derrubando a cadeira no chão — O que esse imprestável faz aqui?! — ralhou.

Mas que merda.

— Ele... Ouça Jared, só se acalme e...

— Ele novamente veio em uma moto? — Ele olhava malignamente pela janela e então seu rosto empalideceu ao me olhar — Me diz que não andou naquilo ontem. — Ops! Acho que estava na hora de esconder aquela espingarda velha do papai, não estava gostando daquela escuridão nos olhos do meu irmão.

— Err...

— Harlow! — Urrou — Uma moto! Com ele e sem minha autorização? — Definitivamente deveria esconder a espingarda.

— Pare com esse exagero, ele só estava tentando me distrair — tentei convencê-lo, as palavras só o irritou mais.

— Isso não é motivo para subir em uma... uma... — Jared ficou vermelho, e tentando se controlar, respirou fundo de olhos fechados. Eu esperei, sabendo que não era a moto que o incomodava, e sim o cara que estava dirigindo. — Okay. Mande ele embora.

— O que? —Não podia acreditar que ele falava sério.

— Você não vai sair com ele novamente naquilo — disse assombrosamente — E também não vai à parte alguma com ele.

— Mas Jared...

— Agora Harlow! — ordenou. Aquilo fez meu sangue esquentar enquanto o mirava furiosamente e depois olhava Dana, que não abria a boca para me defender ou opinar. Eu sabia que ela odiava Jimmy, mas não podia pelo menos abrir uma brechinha para mim hoje?

— Você não vai me impedir de andar com Jimmy ou seja lá que garoto entre na minha vida.

— Harlow...

— Não! Eu vou ir com ele, e você e nem ninguém vai me impedir! — gritei, e dando a volta nele rapidamente, corri em direção a porta o mais rápido possível, mesmo que ele estivesse correndo atrás de mim.

Quando finalmente sai, meus olhos pegaram a visão dos deuses. Jimmy estava em cima da moto de Jack, segurando um capacete e com seu sorriso malicioso habitual. Em apenas cinco segundos, eu decorei a forma como seu cabelo louro e rebelde voava contra o vento e como ele ficava supersexy naquela calça branca bem justa. Eu quis ficar olhando por mais tempo, mas Jared apareceu ao meu lado, agarrando meu braço querendo me puxar para casa.

— Volte — rosnou. Eu sorri cinicamente.

— Não vai rolar irmãozinho, preciso ir agora — E me inclinando beijei sua bochecha, para em seguida pisar com toda minha força em seu pé. Ele praguejou, largando-me para amparar o pé — Porra Harlow!

— Eu amo você também Jad. — E rindo, corri para onde estava Jimmy e peguei o capacete quando me ofereceu.

— Está tudo bem? — perguntou, olhando com uma sobrancelha erguida para Jad, que se levantava com a ajuda de Dana. Eu dei ombro, virando os olhos.

— O mesmo drama de sempre. Vamos sair daqui rápido — falei, e quando ele sorriu grandemente para mim, eu usei seus ombros para me ajeitar atrás dele na moto. E dessa vez, eu estava mais do que confortável em abraçar sua cintura enquanto mandava um sorriso vingativo para meus dois irmãos, que pareciam totalmente assombrados com o que viam partir bem diante de seus olhos.

Queriam o que? Odeio que me proíbam de fazer as coisas.

~*~

Notas finais
Obrigado por lerem o de hoje e espero que tenham gostado. Sendo assim comentem muito, para que eu venha mais cedo essa semana okay? Bjs e até a próxima. ♥