Rude Girl

4 Capitulo 4 — Tia?


Notas iniciais
Ei meu povo!!! Desculpe não ter postado na sexta, mas eu fiquei sem net e s´´o voltou ontem. Mas mesmo assim, quero desejar agora uma Feliz Natal (atrasado) e que muitas bençãos do venham para a vida de vcs. Obrigada por estarem aqui e pelo apoio. Amo vcs meus leitores. E agora sim, vamos a leitura ♥

Eu entendi que a coisa era seria, no instante em que cheguei a casa e vi um Honda preto show de bola estacionado em frente a calçada. Mirei o automóvel roendo as unhas, algo que fazia muito quando estava nervosa e esperando que uma bomba fosse solta aos meus pés.

— Eu não sabia que seu irmão havia comprado um carro — Jimmy murmurou, olhando com um interesse de menino para o Honda. Tentei não me distrair com aquele rosto bonito e pisquei, olhando para a porta da minha casa.

— E ele não comprou. — disse por fim, tirando o cinto — Esse carro não é dele e Dana nem mesmo dirige. Tem mais alguém aqui. — Ele franziu o cenho, como se lesse meus pensamentos e entendesse que aquilo não era bom. Abriu a boca e começou:

— Você quer que eu...

— Não. Eu me viro — disse depressa. E me apressei para descobrir quem era que estava na minha casa, pegando a mochila e pulando para fora da van. Não adiantou, o infeliz me seguiu mesmo assim. Droga!

Suspirando, caminhei rapidamente pela calçada. Podia senti-lo atrás de mim, mas ele não fez nenhum ruído. Para um homem tão irritante, ele podia se mover muito silenciosamente. Virei à cabeça quando cheguei à varanda e ofeguei pelo tão perto que ele estava de invadir meu espaço.

— Tem certeza que não quer que eu entre? — sussurrou ele.

— Tenho certeza — declarei com firmeza. Mesmo que meu coração pulasse com a mentira. E como sempre acontecia quando não falava a verdade, meu nariz coçou e eu tive de esfrega-lo, o que fez Jimmy abrir um sorriso de lado, como se soubesse dos meus pensamentos.

— Hm. Seu rosto está dizendo o contrario pequena — falou suavemente, o que me deixou puta da vida. Não era para ele ser bom comigo. Não era para estar aqui e ainda oferecer ajuda. Era para estar sendo o idiota de sempre. Ignorando-me!

— Pode ir Jimmy— insisti. Ele suspirou, olhando para a porta atrás de mim e depois novamente em minha direção. A hesitação prolongando a um nível estranho até que ele disse:

— Você está bem? — Ergui uma sobrancelha.

— Estou sim.

—Não está não. — retrucou. Estremeci, querendo uma distancia entre nós.

— Por que está me perguntando isso?

— Seus olhos... — Seu rosto contorceu. Fitei-o.

— O que tem eles?

— Eles não brilham mais.

Não pude reagir a isso. O modo como ele falou, o jeito que ele me olhava, fez com eu desejasse mandar meu juízo para merda, esquecer das palavras de Jared exigindo que eu ficasse longe dele. Estava cansada e Jimmy notava isso, eu conseguia enxergar a camada grossa de preocupação baixando seus ombros e escurecendo seus olhos. Tinha medo daquilo. Tinha medo de ser mentira. Tinha medo de me jogar nele e acabar morrendo com uma queda de cem metros até o chão. Precisava parar de pensar dessa forma, ou me colocaria em uma grande enrascada por causa dele.

Respirando fundo, voltei minha atenção para Jimmy, sendo o mais fria possível.

— Você gosta mesmo de me perturbar, não é? — perguntei, na esperança que ele entendesse que realmente deveria estar doente ou que seu cérebro estivesse dando curto circuito. Mas invés disso ele continuou sério e disse:

— Talvez eu só esteja preocupado com você — Preocupado comigo?

— Eu não caio nessa ladainha Jaime. — Lembrei-o, ele virou os olhos e suspirou como se um sentimento ruim o tivesse incomodado agora. — Você não se preocupa com ninguém.

Foi inesperada a expressão que tomou seu rosto. Um brilho cheio de tristeza passou por ele e seus ombros encolheram como se alguém o estivesse ameaçando, e ele acreditasse que se esconder, fosse a melhor coisa. Percebi com pesar que minha palavras machucaram pra valer, e sua face entregava isso como se tivesse tomado um tapa. Sua expressão era parecida com humilhação, como se tivesse entendido finalmente qual era minha opinião sobre ele. Não pude fazer nada. Eu quis, mas não podia.

E Jimmy continuou calado, me olhando profundamente, meu coração palpitava com tanta força que chegava a doer. Pude sentir a respiração dele quando esse, involuntariamente, deu um passo mais perto, seu cheiro inebriante me cegou e todas as minhas recusas caíram por terra.

Ele estava perto e era o que importava.

E então seus lábios roçaram levemente aos meus. Os dedos indo para minha nunca, se apertando lá ao agarrar meu cabelo.

— Jimmy não...

— O que você tem? — Sua pergunta parecia sair frustrada contra minha boca. Seus olhos estavam fechados e a testa franzida em uma linha de tensão e agonia. — Como consegue me atrair assim? — Senti todo meu corpo entrar em chamas, minha pele ainda ansiando por seu toque como sempre acontecia quando ele estava perto, um fogo denso e abrasador.

— Você não pode fazer isso — sussurrei, mas não era capaz de me afastar. Não por estar presa contra uma parede, mas porque eu não queria fazê-lo — Vá embora.

— Estou tentando — Ele abriu os olhos, e eles brilhavam como se sentisse dor — Eu tento tanto, pequena... Mas olha onde sempre acabo. Isso parece tão... — Hesitou, esfregando a ponta de seu nariz em minha bochecha, depois rolando os lábios sobre os meus. Tentando-me a abrir passagem.

— O que? — murmurei. Jimmy suspirou, acariciando meu rosto com o polegar.

— Parece errado — respondeu por fim. E acho que eu demonstrei no rosto o quanto aquilo me feriu, pois ele também pareceu atingindo por alguma coisa ao agarrar meu rosto com as duas mãos e falar apressadamente — Por favor, não fique com raiva. Eu só...

— Não sou boa o bastante para você? — soei grossa novamente, voltando ao que era antes.

Jimmy negou, apertando mais as mãos em meu rosto.

— Não! Não é isso. Mas Harlow... Jared tem razão quanto a sua idade e a minha. Não é certo eu me aproveitar quando você é ainda tão nova — Minha raiva foi além do imaginável, com certeza meu rosto se tornou vermelho e minha pele pegou fogo.

Jimmy engoliu em seco, sabendo que eu explodiria naquele instante, porém assim que fiz menção mandá-lo para o inferno, a porta ao nosso lado se abriu e uma mulher saiu.

— Ora! — Ela nos olhou de escanteio, depois virou-se para nós em cima de seus saltos pretos e vestida estranhamente diferente com aquele jeans escuro e camisa preta em um decote V. Piscou para mim e depois para Jimmy, que ainda segurava meu rosto. — Bem. Até que fim você chegou Harlow.

Eu não tinha certeza se eu tinha dito palavras ou pensado. Não importava. A única coisa que importava ali era o que meus olhos viam diante de mim. Ou melhor, o que meus olhos pensavam que viam. Porque certamente, certamente, eu estava imaginando. Não podia ser real.

Choque me rasgou de dentro para fora enquanto arregalava os olhos para a mulher. Os olhos azuis pareciam pedir por atenção ao se fixarem em mim, os cabelos eram exatamente da mesma cor, o castanho brilhava sob a luz do sol tão perfeitamente que achei estar sonhando.

— Mãe? — Meu sussurrou não passou despercebido por Jimmy, pois ele arregalou os olhos e mirou a mulher, espanto em seu rosto.

A moça sorriu, porém aquele sorriso fez as coisas deixarem de brilhar. Não era o sorriso de Hope, não era o mesmo da foto. Esse parecia ensaiado, falso de alguma forma. Era mais compatível as imagens que se formava em minha cabeça, as lembranças tão confusas que estavam invadindo minha mente naquele instante.

— Não querida. Sou Amélia, não lembra-se de mim?

— Amélia? — Estava confusa, assustada com sua semelhança com minha mãe. Então não soube como falar, apenas a mirei sem entender do que se tratava, foi quando Jared e Dana apareceram logo ao seu lado.

— O que ele faz aqui?! — Trovejou meu irmão, colocando Jimmy por de baixo de seu olhar assassino. — Tire as mãos dela! — Jimmy me soltou como se estivesse pegando fogo.

— Só vim trazê-la — falou para ele, usando o mesmo tom duro. Jared não se portou menos protetor.

— Ótimo. Já pode ir embora — Indicou a escada da varanda com rancor. — Já!

—Jad. Tenha um pouco de calma — Dana falou, tocando-o no ombro, porém nunca olhava para Jimmy mais do que alguns segundos. Percebi que ele notava, pois suspirava e alisava o cabelo como se estivesse exasperado ou incomodado com a forma que minha irmã o tratava desde que terminaram. — Que tal entrarmos? Acho que agora a senhora vai ficar, estou certa? — Ela dirigiu a pergunta à mulher de queixo em pé, que me avaliava a cada minuto.

— Sim. Preciso conversar com ela. — fiz careta, olhando-os sem entender.

— E quem é você? O que quer falar comigo?

A mulher se inclinou, e supreendentemente tocou meu queixo, erguendo meu rosto.

— Está crescida — Uma careta apareceu em seu rosto, apontando mais uma coisa que minha mãe não tinha ao sorrir para a foto em meu quarto — Está espelhando completamente a Hope. — Estreitei o olhar para ela e me afastei.

— Conheceu minha mãe? — Ela sorriu, mas não um sorriso doce. Ele carregava uma amargura arrepiante.

— Entendo por que não se lembra de mim. Aliás, faz tanto tempo. E você estava tão fragilizada.

— Fragilizada? — Eu estava muito confusa.

— Tia Amélia. Não perturbe ela — Jared quase rosnou, mas nem sequer dei atenção, estava ocupada demais congelando no lugar.

Olhei para Jared.

Tia?! — Jared deixou de fuzilar Jimmy para me olhar. Pesar e medo apareceram, todos os seus sentimentos vieram à tona quando encontrou meus olhos, percebi que a visita da mulher era realmente ruim.

— Ela é nossa tia, Harlow. Irmã mais nova da nossa mãe. — Explicou ele, no entanto continuei sem intender. A tal Amélia notou e se prontificou a falar.

— Como seu irmão disse, sou Amélia. Amélia Lopez Santino. Hope era minha irmã, o que faz de você minha sobrinha. E estou aqui, porque desejo saber como anda sua vida.

— E por que você se importa? — grunhi — Não me lembro de você e nem mesmo sabia que existia — encarei a Jared e Dana com o olhar, nervosa por terem me escondido tal coisa. — Não me importo se é minha tia. Vá embora!

Amélia fechou a cara, juntando os pés e cruzando os braços sobre os seios. Parecia irritada, mas não era como se eu me importasse.

— Tia, eu posso conversar com ela...

— Não vejo necessidade disso caro sobrinho — Ela me mirou com superioridade — Aposto que contou a verdade há muito tempo para ela então todos aqui sabem que não posso ir. — Ela olhou de canto para Jared e depois se voltou para mim

— Verdade? — Dei passos para frente, começando a não gostar desse papo. Senti mãos em meus ombros quando tropecei, elas me sustentaram enquanto olhava a mulher. — Que verdade é essa?

— Harlow...

— Do que ela está falando Jared? — Exigi saber. Olhei Dana, que com certeza tinha perdido a cor do rosto. — Dana o que é isso?

— Bem, vejo que estou enganada — Amélia soou ofendida e magoada ao olhar meu irmão — Pensei que tínhamos falado sobre isso antes, querido.

— Não me chame assim! — grunhiu Jared, e eu apostava que estava furioso. Queria saber o porquê — Me deixe falar com ela, maldição! Você não tem o direito de chegar assim, do nada, e dar ordens em mim e Dana.

— Tem razão — Concordou Amélia em um tom calmo — Eu não mando mais em você e Dana. São maiores. Agora será que pode dizer o mesmo de Harlow?

— Pare com isso — Dana gemeu — Não faça isso agora, por favor. — Engoli em seco, com medo de me por a frente daquilo, pois apenas com aquela breve conversa, eu já percebia o quão encrencada estava. Jared estava furioso, Dana se chacoalhava no mesmo lugar como se para controlar seu medo e sua própria raiva. E tudo aquilo era direcionados a só uma pessoa. Amélia.

— Pois bem. Contem agora. — falou. Ambos meus irmão empalideceram. — Estou esperando Jared. Não sou muito paciente.

— Preciso estar sozinho com ela.

— Não.

— Você não vai me dar ordens — Jad. abriu os ombros ficando ainda maior que nossa tia — Ela é minha irmã. Não vou fazer isso.

— É melhor ela ouvir agora.

— Não é você que vai decidir o que é bom para ela.

— Estou aqui para fazer exatamente isso.

— Nunca! Vá embora.

— Que decepção, meu sobrinho — Ela estalou a língua — Nunca pensei que o veria dar as costas à sua família.

Pela rigidez que dominou o corpo de meu irmão, percebi que ela o havia magoado, por isso me cansei de permanecer calada e tomei as rédeas daquela carruagem.

— Já chega de falarem como se eu não estivesse aqui! — Esbravejei aos dois — Parem de enrolar e me digam o que está acontecendo!

Aconteceu então um longo silencio, no qual Jared prendeu meu olhar e piscou, como se estivesse fazendo a coisa mais difícil do mundo. Ele e Dan trocaram olhares, mas depois ele se aproximou e pegou minhas mãos, as beijando em seguida.

— Me desculpe — falou em primeiro lugar, tristeza recaindo por todo seu corpo. Relaxei um pouco ao ver o tamanho de seu medo transparecer em suas íris. Ele tinha medo de me contar seja lá o que fosse — Me perdoe por não ter contado antes. Perdoe-me por ter mentido.

— A nós dois — Dana apareceu logo a seu lado, o cabelo escuro bagunçado em um coque, mechas caindo sobre os olhos alagados com lágrimas. Ela tocou minha mão entrelaçada a de Jared — Eu também escondi esse assunto quando Jad pediu, então também tenho culpa.

— Culpa — Medo cercou meu coração — Do que estão falando? Digam-me de uma vez.

Eles abaixaram a cabeça por um tempo, e então Jad suspirou.

— Eu menti sobre ter sua tutela definitiva — respondeu a contragosto — Não sou seu responsável legal, Harlow. Mas Amélia sim.

No começo, eu achei que tinha ouvido coisa, por isso permaneci no mesmo lugar, olhando dele para Dana com confusão. Eu devo ter empalidecido, pois uma expressão preocupada tomou o rosto de Jared e ele no mesmo instante ficou entre mim e Amélia, impedindo-a de me olhar e vice e versa.

— O-o que está dizendo?

— Harlow — Ele tocou meu rosto suavemente — Querida, me escute eu...

— Você não é meu responsável — Senti meu sangue voltar rapidamente, agora correndo depressa para meu rosto, a raiva da traição e decepção tomando meu ser — Vocês mentiram para mim!

— Por favor, tente entender — Ele apertou meu rosto — Sou seu irmão, Harlow. Queria lhe proteger de problemas. Estava tentando resolver tudo.

— E contou a Dana! — Acusei, tirando suas mãos de meu rosto — Por que ela sabe e não eu?

— Fiquei sabendo há pouco tempo — Minha irmã defendeu Jared — Perto do meu aniversário dezoito. Eu também estava sobre a tutela de Amélia, Harlow. Mas tenho vinte anos agora, posso viver por conta própria. Foi ao saber que ela tinha você, que eu resolvi fazer curso de administração e conseguir um emprego. Prometi que ajudaria Jared a conseguir sua guarda.

— Deviam ter me contado — Urrei. O aperto de Jimmy nos meus ombros intensificou, porém não tirei os olhos de Jared. Ele parecia sofrer.

— Eu não tinha como. E eu não queria que...

— O que, Jared? Por que não me contou? — Sentia vontade de gritar, mas me poupei, vendo-o encolher os braços.

— Tinha medo de você querer ficar com ela — disse tristemente — Quando o pai morreu, você tinha apenas sete anos e Dana dez. Eram tão pequenas e sem os dois pais... Eu tinha apenas dezoito anos e também estava sobre a guarda de Amélia. Ela teve de vir morar conosco e você se apegou tanto a ela — Franzi o cenho, tentando voltar ao passado, querendo uma lembrança de Amélia, e foi ao olhá-la, que percebi o óbvio.

Aquelas lembranças estranhas de minha mãe, às quais seria impossível eu ter, não eram reais. Não eram reais, porque a mulher que sorria amável para mim em minha mente não era Hope, e sim Amélia. A irmã dela. Minha tia.

— Não — Fechei os olhos quando cheguei à beira do abismo, estremecendo bem na beirada prestes a cair.

— Harlow — A voz de Jared pareceu destruída quando tentou me tocar, mas eu me afastei. — Querida, tente me entender pelo menos agora e...

— Não. Chega. Não quero mais ouvir.

— Meu bem. — Dana alisou meu cabelo, tentando me fazer olhá-la — Tivemos que fazer isso.

— Eu tinha direito de saber.

— Foi o que falei para ele meu anjo — Amélia se intrometeu pela primeira vez, ficando ao lado de Jared, mesmo que esse lançasse um olhar de fogo em sua direção — Eu quis tanto dizer. Eu senti sua falta quando fui embora. Queria ficar com você, mas seu irmão disse que seria capaz de cuidar de você. Eu não concordei de imediato, é claro, mas quando ele fez vinte anos e já rumou a faculdade. Achei que realmente conseguiria.

— Isso não é motivo para ir embora! — ralhei entre dentes — Está tentando me fazer ficar com raiva dele, mas veja bem. Eu também estou furiosa com você! — Ela arregalou os olhos quando gritei, mas não se afastou. Jimmy segurou-me pelos pulsos, a quentura de sua palma me trouxe um pouco de lucidez, e abaixei o tom.

Amélia assumiu uma expressão tristonha.

— Eu sei e eu sinto. Mas eu precisava cuidar de... uns assuntos. Por isso mesmo deixei uma quantidade boa de dinheiro com seu irmão e parti, deixando você e sua irmã com ele. A última vez que a vi, tinha oito anos. Mas eu nunca desisti de você querida, sempre quis revê-la!

— Mentirosa — Dana soou ofendida — Se gostasse da gente, teria ficado e ajudado mesmo que Jared tivesse pedido para que fosse embora. Que assunto é mais importante que a família? — Por um instante, Amélia ficou rígida, olhando Dana com uma expressão fria, mas rápido como o vento ela mudou e arrependimento cruzou seu olhar.

— Sei que me despreza minha sobrinha. Mas a amo. Vocês são filhos da minha irmãzinha, nunca foi minha intenção deixá-los para trás. Tanto que além de vir ver Harlow, vim lhe fazer um convite. — Senti quando o corpo atrás de mim tonou-se tenso e a mão de Jimmy descasou em meu quadril em um gesto que achei bem possessivo. Ao meu lado, meus irmãos fuzilaram a tia com rancor.

— Que convite?

Amélia me mandou um sorriso suave, os mesmo que via em minha mente ao pensar que era minha mãe.

— Queria que ela passasse as férias em minha casa. Estamos em junho e em breve as aulas encerram. Gostaria que ela viesse comigo para Malibu.

— Basta! — Jared gritou tão alto que as paredes da casa pareceram chacoalhar. Amélia se calou, piscando varias vezes — Saia desta casa e esqueça o caminho de volta. A senhora não é mais bem-vinda aqui.

— Você sabe bem que não pode fazer isso — Ela ergueu o queixo, o enfrentando — Sou tutora dela. Posso levá-la se quiser. — Tremi sob o braço de Jimmy, ele pareceu notar, pois quando o olhei, me surpreendi ao vê-lo com fúria nos olhos ao olhar para Amélia e Jared.

— Já chega disso! — Meu irmão ordenou — Harlow não vai à parte alguma, com a senhora.

— Eu preciso falar com ela...

— Eu sei que não posso impedir — A interrompeu — Você poderá falar com ela. Mas se ousar tentar tirar minha irmã de mim, se arrependerá amargamente. — Os olhos de Amélia faiscaram.

— Está me ameaçando?

— Não. Apenas alertando. Você já jogou coisa demais para cima de minha irmã e ela não é obrigada a isso quando está preste a fazer aniversário. — Estremeci ante a palavra, rancor e tristeza abraçando meu coração. Jaime percebeu também esse meu deslize, e finalmente deixou de olhar friamente a Amélia e me mirou, suavizando o rosto e franzindo o cenho como se tentasse entender minha reação. Acho que uma luz apareceu, pois de repente ele arregalou os olhos e então seus lábios abriram em algo que foi um gemido agoniado.

— Deus. Harlow... — suspirou, e inesperadamente me levou mais perto, deslizando os braços a minha volta, me chocando totalmente.

— O que está fazendo? — sussurrei, tentando me soltar dele, no entanto ele balançou a cabeça e tocou os lábios na minha testa, o que fez toda minha pele arrepiar em prazer e surpresa.

— Muito bem — Amélia parecia desgostosa, mas balançou a cabeça positivamente — Virei na segunda-feira para falar com ela — disse dividindo o olhar entre Jared e Dana, depois para mim — Eu sinto por tudo que está acontecendo querida, eu só desejo seu bem. Tente conversar com seus irmãos sobre isso. Com certeza não quer que Jared perca a chance de conseguir sua tutela.

Agora sim meu mundo girou totalmente. Senti meus olhos arderem com medo, pois além de perder meus pais, eu também poderia perder Jared e Dana, e de sobra todos os meus amigos. Respirei rapidamente, agarrando na blusa de Jimmy com tanta força que com certeza rasgaria em algum momento. Ele apertou-me mais.

— Será que pode parar de amedrontá-la?! — Ralhou ele, fuzilando Amélia. Ela abriu a boca, mas Jimmy nem se deu ao trabalho de ouvi-la falar — Eu sei que é tia dela e sua verdadeira tutora, mas escute moça. Harlow não é de pedra e ameaças só vai deixá-la nervosa. Se quiser que isso mude, tente ter um pouco mais de sensibilidade ao falar com ela. — E assim, sem perguntar a Jad. se podia, ou dizer um com licença a Dana, ele me puxou para dentro de casa e guiou-me para meu próprio quarto o mais rápido possível. Estava tão gelada pelo que aconteceu na varanda, que permiti que ele o fizesse, assim como o deixei abrir a porta do meu quarto e me sentar na cama.

Ele soltou minha mochila no chão e se abaixou na minha frente, pegando minhas mãos enquanto me observava.

— Desculpe por isso — disse suavemente — Sei que não devia me intrometer, mas não pude ficar quieto — Ele não pôde?

— Por que ainda esta aqui? — questionei, cansada demais para mandá-lo embora — Sabe que Jared não gosta de vê-lo no meu quarto ou em qualquer cômodo da minha casa. — Um sorriso pequeno curvou os lados de seus lábios e ele deu uma espiada na porta.

— Sei disso. Mas acho que agora ele tem coisas mais importantes para se preocupar — Bem. Ele estava absolutamente certo.

Baixei a cabeça, pensando no que Amélia havia dito; Converse com seus irmãos. Com certeza não quer que Jared perca a chance de conseguir sua tutela.

O que faria se tivesse que deixar meus irmãos? O que seria de mim? Não. Eu enlouqueceria. Isso não podia acontecer nunca.

— Se você soubesse como odeio esse olhar — Voltei de meus pensamentos e franzi a testa para ele, não entendendo.

— Que olhar? — indaguei. Ele me fitou, o cabelo louro recaindo sobre a testa, deixando-o escandalosamente bonito. Seu dedo percorreu meu rosto, afastando um pouco da minha franja.

— Esse. O que faz com que eu queria bater na pessoa que o colocou em seu rosto — disse baixinho — Ele é tão triste. Tão acuado. A Harlow que conheço teria partido para cima daquela mulher no momento em que ela ameaçou levá-la embora, mas você não fez isso. Está se escondendo pequena, e isso é duro de ver.

Fiz uma careta, certa de que ele tinha razão, então tratei de procurar meu verdadeiro “Eu”, no entanto nunca achei. Ao melhor dizendo. Eu achei, porém ele não queria assumir o comando, estava cansado demais para ser a que botava ordem. Por isso só consegui piscar e ficar imóvel ao olhá-lo.

Jimmy assumiu um olhar mais preocupado.

— Harlow, por que você não se deixa relaxar um pouco? Por que não confia em mim para lhe ajudar? — Sua inocente pergunta me fez então acordar, olhando para ele, desejei me bater ou me jogar daquela escada lá fora.

Tirei minhas mãos das dele.

— Você sabe por que — retruquei rancorosamente.

Quando seus olhos encontraram os meus eu vi aquela tristeza desesperada novamente, a mesma que apareceu quando estávamos na varanda antes de Amélia aparecer e toda confusão acontecer. Ele estendeu a mão para pegar a minha, mas eu recuei. Ele suspirou.

— Eu sei que mereço isso.

— Ótimo. — Murmurei. Ele balançou a cabeça como se estivesse frustrado e olhou para a porta do meu quarto quando o grito de Jared sobrevoou até nós. Ele parecia estar mandando minha tia ir para o inferno ou morrer sufocada. Não estava ansiosa para saber mais a fundo o conteúdo daquela conversa.

— Harlow?

— Hum?

— Eu sei que você não me quer por perto e não vou pedir só provocá-la — falou. Franzi o cenho e o olhei. Jimmy mordeu o lábio nervosamente e eu tive de me obrigar a não encarar seu ato tão sensual — Quer dar o fora daqui?

— O que? — fiquei confusa. Ele sorriu maliciosamente.

— Está tudo muito ruim aqui. E eu odeio o fato de você está infeliz... Preferiria tê-la me batendo por horas. — Eu engoli em seco. Seu rosto estava tão próximo do meu, as mãos tão quentes perto de minha pele fria. Suas palavras aveludadas eram como carícias em meu corpo.

— Por que você está sendo gentil comigo? Não entendeu que eu causei isso tudo? Sou um problema para meus irmãos. E um estorvo para você e os outros da banda. Sua gentileza não precisa aparecer só porque estou na pior.

— Só para que você saiba — ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha —Você não é um estorvo para mim e nem para nossos amigos. Eu até curto nossas brigas. E agora entenda — Ele segurou meu rosto bem mais perto — Nada disso é culpa sua. Nada ouviu bem? Acene para mim se entendeu.

Não pude acreditar na pouca distância que estávamos e em como ele estava agindo. Não sei se foi por causa do choque, mas inconscientemente, acenei que sim com a cabeça. Ele mostrou seus dentes brilhantes para mim em recompensa.

— Agora sorria para mim, por favor. Essa tristeza toda em seus olhos está me matando.

— Não dá pra sorrir num momento desses.

— Dá sim — ele disse, alisando os polegares em meu rosto. – Aposto que você vai sorrir se lembrar de como nos bicamos logo depois que nos conhecemos. Você estava tão nervosa comigo.

Suspirei.

— Aquilo foi o mais perto de um assassinato que eu cheguei. Jared ficou uma fera ao saber que ganhei outra suspensão por tentar jogar você na escada. Foi meio que o fim dos tempos.

— Isso com certeza é o fim dos tempos... — ele sorriu um pouco — Bem, não vejo sorriso. Então ele com certeza aparecera quando você se lembrar o quão constrangido fique quando trombamos no corredor da casa de Lizze depois da sua transformação assombrosa para ir a Deadly House ver Liam lutar — Sua testa se franziu como se lembrasse de algo — Aquele era um maldito shorts curto.

Eu sorri um pouco, e seus olhos se iluminaram.

— Agora sim. Um sorriso tímido, mas ainda é um sorriso. Já vi um desses antes. Quando você está compondo, sorri dessa forma. — Sua mão continuava encaixada em meu maxilar, os dedos longos alcançando minha nuca.

— Eu não sorrio enquanto componho — contrapus.

— Sorri sim, o tempo todo. Eu prestei atenção — e o polegar deslizou por meu lábio inferior.

O toque me fez estremecer, e uma avalanche de sensações me sufocou. Jimmy parecia alterado também, sua voz estava rouca, as pupilas dilatadas e escurecidas, a respiração curta. Meu coração voava.

— Não faço outra coisa a não ser prestar atenção em você, Harlow

Meu estômago revirou e não movi um músculo com medo que aquela mão deixasse de me tocar. Por mais errado que fosse eu ainda queria ele perto.

Voltando a terra firme, Jimmy engoliu em seco e afastou as mãos do meu rosto rapidamente.

— E então? — O que?

— Hã? — Ele sorriu levemente para minha confusão e se levantou, pegando minha mão para me erguer também.

— Vamos sair. Eu posso te levar a outro lugar — Ele mandou um olhar para minha porta — Um que não tenha gritos.

— Eu não deveria ir — Apontei, mas não soava reclusa. Jimmy deu ombros, me olhando nos olhos.

— Eu sei que não. Mas a escolha é sua. Quer ficar aqui e encarar seus irmãos, ou quer vir comigo e esquecer-se de tudo? — Ergui uma sobrancelha. Ele riu — Ok. Eu sei que não sou a melhor companhia, mas no momento, é única que você tem.

Prendi o lábio inferior entre os dentes e em seguida passei a roer a unha, indecisa sobre o que fazer. Jimmy esperou pacientemente e só me olhou fixamente, como se minha resposta fosse à coisa que mais desejava ouvir.

Não. Eu não devo ir! Não posso. Ele é errado. Ele não gosta de mim! Estou sendo idiota.

Continuei a roer a unha, divagando, mas isso mudou quando lá em baixo, o estrondo da porta se fechando brutalmente soou. Me assuntei quando Jared gritou meu nome, o som de seus passos caindo como pedra no piso da escada. Dana obviamente o seguia, pois a ouvi gritar o irmão mais velho.

Sem perder tempo, corri para porta e a tranquei, tentando não hiperventilar.

— Harlow? — O tom de Jimmy voltou a ficar preocupado. Estremeci quando a madeira da porta foi esmurrada.

Harlow, abra a porta! — Jared gritou de fora. Fechei os olhos, me apoiando contra armário. — Harlow. Por favor, me deixa explicar.

— Me deixa em paz Jared. Você também Dana — falei de volta, alto para que pudessem ouvir — Não quero conversar.

Querida, por favor — Dana implorou bem perto da porta — Nos escute. Deixe-nos entrar para podermos falar direito... Jimmy, seu imprestável! Sei que está ai também. Se provocá-la agora eu vou...

— Não vou fazer isso — Jimmy soava ofendido e quase arrependido. — Sei que não quer mais confiar em mim Dana. Mas não faria mal a Harlow. — Estreitei os para ele, duvidando um pouco de suas palavras. Ele abaixou a cabeça como se soubesse meus pensamentos.

A porta foi esmurrada mais uma vez.

Eu o partiria se tentasse! — Urrou Jared — Você vai embora garoto. Abram já essa porta ou irei derrubá-la.

Suspirei, e com ressentimento, caminhei até minha mochila. Peguei-a do chão e pendurei no ombro. Virei para Jimmy.

— Vamos sair daqui logo. — Ele sorriu, e estendendo a mão para mim, falou.

— Não vou fazer merda hoje. Prometo. — Não acreditava muito, mas assenti e olhei mais uma vez para porta.

— Conversamos amanhã Jad.

Harlow...

— Vamos logo — falei a Jimmy, e juntos, caminhamos para a janela ao lado da minha cama. Empurrei a cortina, e olhando para baixo, deixei minha mochila cair na grama. Subimos na beirada, e quando Jared passou a chutar a porta, olhei para Jimmy e ele para mim. A intensidade naquele olhar me trouxe novas sensações, e o mais estranho é que pela primeira vez desde que o conheci, eu achei que poderia mesmo confiar nele.

— Pronta? — A porta rangeu. Segurei a mão de Jimmy.

Eu vou entrar!

— Pronta — confirmei.

— Então lá vamos nós pequena — Jimmy sussurrou e nós pulamos.

~*~

Notas finais
E então minha gente? Esse cap é digno de comentários? Eu espero que sim, e estarei ansiosa para lê-los. Até a próxima e Feliz Natal gente!